Publicidade

terça-feira, 16 de março de 2010 ataques especulativos | 10:29

Como fazer um ataque especulativo a um país? Último capítulo

Compartilhe: Twitter

Vamos às últimas lições do Manual do Especulador, lições que nos ensinam a como terminar um ataque:

Lição 6 – Detonando a bomba

Este é momento crítico do ataque. Espere uma notícia negativa sobre o país alvo, ou alguma crise política ou alguns dados econômicos mais fracos. E agressivamente comece a operar nos mercados, no sentido de tentar desvalorizar os papéis num montante que seja suficientemente grande para fazer com que aqueles que estavam apostando contra o ataque tenham que recuar e fechar suas posições, o que aumenta ainda mais a distorção de preções causadas inicialmente. Este é o início da tendência de depreciação dos preços que caracteriza uma crise,  tendência que levará cada vez mais agentes a acreditarem na sua tese.  Obs: você poderá ser acusado de manipulador de mercados… Logo, tenha bons advogados.  Se o ataque der certo, você será chamado de gênio… se der errrado, você pode ir para a cadeia!

Lição 7 – Saiba quando sair…

Quando você perceber sinais que  o FMI  ou que outros governos começam a debater a crise, e que se começa a criar um consenso que os problemas estruturais do país alvo precisam ser resolvidos, é sinal de que a coisa está acabando. Porém não acredite que pacotes mirabolantes e pacotes de ajuda externa incondicionais chegarão nos próximos dias. As coisas ficam muito feias antes de melhorarem. Porém quando você sentir que até os sindicalistas do país estão vendo a necessidade de mudar as coisas, está na hora de sair da mesa. Saia de suas posições e ponha seu lucro no bolso. Lembre-se que seu objetivo não é quebrar país nenhum; você só quer ganhar dinheiro…

Epílogo

Depois que que cavalaria internacional chegar e o governo local começar a tomar as medidas necessárias para endereçar os problemas que causaram a crise,  aposte a favor, com todas suas fichas, pois é neste momento que você de fato vai ganhar muito mesmo… Faça uma visita ao país e diga a imprensa local que você sempre os apoiou. E escreva um artigo elogiando as medidas e apoiando o  socorro internacional.

É uma pena que os textos originais deste Manual do Especulador tenham se perdido no incêndio da biblioteca de Alexandria.  Caso contrário, as autoridades, os reguladores e alguns governos do mundo todo poderiam ter evitado várias destas crises, seja através de políticas econômicas consistentes ou de medidas reguladoras que reduzam a especulação. O fato é que tais especuladores, por mais indesejáveis que o sejam,  não causam os desequilíbrios que levam às crises, são somente atraídos por eles.

Autor: Tags:

3 comentários | Comentar

  1. 53 Langstein de Almeida Amorim 23/09/2011 10:42

    Brilhante financista Ricardo Gallo:
    Você poderia prestar um grande serviço ao bem-estar da humanidade se usasse sua inteligência superior para ensinar aos governos latino-americanos a estratégia que os bancos, como hábeis manipuladores do sistema financeiro dos países, engendram um ‘ataque especulativo’ contra a moeda da vez.
    O cenário de ataque especulativo conhecido pelo sintagma: ‘day-trade’, encontra-se atualmente, em execução no Brasil. Como você informou corretamente: “o objetivo de quem especula (os banqueiros) não é quebrar país nenhum; você (eles) só quer ganhar dinheiro. [Os parênteses são nossos.]
    Os bancos provocaram a desvalorização do dólar por muito tempo, para fazer forte posição nessa moeda de referência no exterior. O Banco Central aproveitou a queda do dólar ladeira abaixo e também fez forte posição na inconsistente moeda americana. Os dois bisãos estão fortalecidos para a pugna do ‘ataque especulativo’. O objetivo desse ataque é provocar a desvalorização do real até o máximo possível. A partir desse teto, os bancos fazem seus dólares no exterior retornarem ao país, recebendo muito mais real por dólar do que pagaram por ele. Com o lucro avantajado da especulação induzida, os bancos quitam as apólices dos investidores com deságio correspondente à desvalorização do real, embolsando o restante paquidérmico. Esse transtorno econômico-financeiro! a elite banqueira nacional deixa como um problema grave para a presidente Dilma resolver.
    Nossa opinião e a de pessoas que entendem desse jogo pesado, resume-se ao seguinte raciocínio: O Banco Central deve deixar que os bancos atuem pela desvalorização do real. No momento em que esses especuladores fizerem seus dólares retornarem, aí o Banco Central entra forte no mercado oferecendo dólares com intenso deságio. Resultado: a operação especulativa dos bancos seria abortada.
    Se o Banco Central ficar soltando dólares de conta gota, só fará aumentar o envio dessa moeda para o exterior, intensificando o lucro dos especuladores no tempo do retorno da massa cambial.
    Os Bancos Centrais de todos os países foram criados para defenderem de forma oculta, o interesse dos banqueiros. Isso, no governo Dilma Roussef, o Banco Central não o fará. Essa fé grassa na mente da facção pensante do Brasil.

    • Ricardo Gallo 23/09/2011 11:54

      obrigado pelo brilhante. porem uma vez os especuladores querem valorizar o real. agora eles querem desvalorizar o real…. nao se decidem. porem teve muita gente sim que ganhou muito com a queda e esta ganhando com a alta…logo, nem a nossa querida presidenta dilma irah evitar isto. nem ela. o bc esta vendendod dolares agora…. como ganahar dinheiro como os bancos? eh isto q vce deseja saber? bem, se voce seguir na cola dele irah ganhar tambem! porem ele sempre pode mudar de ideia… de novo… eu me lembro que o sarney tambem tentou acabar com os ispiculadores.

  2. 52 Joe Zeibars 19/03/2010 11:06

    Acrescentando na mesma linha do meu comentário anterior…

    O Ministro das Finanças alemão falou ao congresso lá que o governo alemão pode vir a pedir às agencias de inteligencia que monitorem as ações especulativas… métodos reservados a terroristas…

    http://www.telegraph.co.uk/finance/newsbysector/banksandfinance/7475052/German-spies-may-target-speculators.html

  3. 51 Joe Zeibars 17/03/2010 12:58

    Gostaria de ressaltar que no caso de ataques especulativos a países chamados “desenvolvidos” existe uma outra componente que não tinha antes: a canelada. Já falou o ex-secretário do tesouro americano (antes CEO da Goldman Sachs) Hank Paulson no seu livro que era contra banir short-sellers (comparava a “queimar livros”) ele mesmo pediu à SEC (CVM americana) a medida que acabou sendo implementada de banir este tipo de operação em ações de 799 bancos/empresas financeiras.

    Agora que os ataques vieram aos países desenvolvidos o coro europeu é avassalador (embora de fato nada ainda foi implementado).

    Ministro das Financas alemão Schauble defende que serviços de inteligência nacionais deveriam investigar para saber quem está envolvido e com quem estão operando.
    http://www.ft.com/cms/s/0/7bab9d7e-3128-11df-8e6f-00144feabdc0.html

    De fato os espanóis lançaram uma investigação oficial…
    http://www.elpais.com/articulo/economia/CNI/investiga/presiones/especulativas/Espana/elpepieco/20100214elpepieco_5/Tes

    Os próprios presidentes da França e Alemanha se envolveram chamando a Comissão Européia a tomar medidas contra a especulação caso contrário tomariam ações unilaterais…e o primeiro-ministro de Luxemburgo também presidente do conselho de ministros de finanças da zona do euro dizendo alertando aos especuladores que “eles tinham os instrumentos de tortura no porão”
    http://www.spiegel.de/international/europe/0,1518,682550,00.html

    O provável parecer ser alguma canelada nos contratos soberanos de CDS tanto que alguns especuladores já evitam atacar certos países por receio de canelada.

    Há quem compare isto a acusar o termometro de ser culpado pela febre resultando apenas na febre piorar mascarando ações para reverter a doença… mas sendo os “países desenvolvidos” podem dar canelada sem ter a quem responder. E é uma realidade dos mercados hoje em dia…

  1. ver todos os comentários

Os comentários do texto estão encerrados.