Publicidade

terça-feira, 6 de setembro de 2011 Bancos, Juros no Brasil, Politica Economica | 19:22

Investimento, crescimento e poupança interna

Compartilhe: Twitter

Depois de vários comentários sobre meu post a respeito da falta de poupança interna, segue abaixo gráfico retirado de um relatório interessante:

http://www.anpec.org.br/encontro2010/inscricao/arquivos/000-848e0052fc02a7b4b7b2ee3ae99d4116.pdf

Poupamos menos que México, Turquia, Chile, Indonésia, etc.

E vemos que há correlação entre investimento e crescimento ( gráfico no topo).

E basta lembrar que:

Poupança – Investimento = saldo das contas externas = poupança importada,  que vem do exterior através de  mais dívida externa, ou mais investimento direto ( aumentar participação do capital estrangeiro em nossa economia)  ou mais  investimento em carteira  de ações ou renda fixa  atraídos por juros elevados!

Logo, para aumentar o investimento sem ter  déficits externos crescentes e insustentáveis ( 1999 reloaded)  precisamos aumentar a poupança interna, ou seja, precisamos economizar uma parcela maior de nossa renda.

Como sabemos que:

poupança = renda – consumo, sabemos que para aumentar a poupança interna,  ou baixamos o consumo ou aumentamos a renda.

Para aumentar renda ( salários + lucros retidos das empresas)  e não ter que restringir o consumo devemos:

> aumentar produtividade de nosso trabalhador, o que permite aumentos reais de salários ( mais renda) sem gerar inflação;

> aumentar produtividade do capital investido na produção pelas empresas e pelo governo, o que permite lucros ( mais  renda) maiores sem aumentar os preços;

Aí, com renda maior, não precisamos restrigir o consumo para aumentar a poupança necessária e podermos financiar, com dinheiro local, os investimentos necessários em nossa economia. Ou seja, precisamos aumentar a produtividade total dos fatores de produção para evitar reduzir a demanda a força, seja via alta de juros ou impostos ou medidas prudenciais sobre o crédito. Aí renda sobe e geramos assim um excedente de renda para ser poupado. Se tentarmos manter a taxa de crescimento atual do consumo público + privado  teremos duas possibilidades: ou  iremos gerar déficits externos crescentes  ou inflação crescente. Não há mágica. Dados nosso baixo volume de investimentos produtivos e baixa produtividade, nosso potencial de crescimento fica muito limitado.

Para aqueles que querem entender o conceito de PIB potencial,  sugiro a leitura do link abaixo que mostra um relatório do IPEA de 2006 ( do governo)  e explica bem esta questão de produtividade e seu impacto no PIB potencial ( nosso limite máximo de crescimento) :

http://www.ipea.gov.br/sites/000/2/boletim_conjuntura/boletim75/novo_BC75k_Nota1_JoseRonaldo.pdf

Em nenhum momento defendi juros elevados. Juro elevado é um sintoma desta falta de grana para investir ( que eu chamo aqui de falta de poupança interna)  e, portanto, da nossa baixa produtividade. Nos últimos 11 anos nossa taxa média de crescimento foi de 3.8% aa e nossa taxa real de juros Selic média foi de 8,3% aa. Ou seja, para manter PIB crescendo no seu potencial ( segundo as contas do IPEA) , com inflação média de 6% aa, tivemos que aplicar juros reais de 8% aa. Hoje nossos juros reais são de 5.6% aa, assumindo selic de 12% e inflação de 6% aa. Eu não acho que vamos conseguir manter o país crescendo a 4% aa, com juros reais abaixo de 5% aa sem ter inflação andando acima de 6% aa ou sem explodir déficit externo,  se não aumentarmos a nossa produtividade e a nossa taxa de investimento produtivo.

Aumentar o endividamento do BNDE´s e do Tesouro para financiar o crescimento não é solução sustentável.

É verdade que as taxas de juros médias cobradas pelos bancos são bastante elevadas como podemos ver no gráfico abaixo que mostra a evolução das taxas médias de juros cobradas pelos bancos nas operações de empréstimos livres ( sem direcionamento ) desde 2002:


Nos empréstimos livres os bancos têm cobrado de 35 a 45% aa nos últimos anos, apesar de termos praticado taxas Selic bem inferiores,  de 9% a 14% aa, como vemos no gráfico abaixo desde 2002:




Evidentemente que se pretendemos aumentar taxa de investimento privado precisamos aumentar a produtividade do sistema de financiamento de crédito no Brasil, aumentando a competição,  promovendo a criação de bancos de nicho e a securitização de créditos através da desintermediação financeira, algo que já abordei em outros posts:

http://ricardogallo.ig.com.br/2010/07/06/quanto-devem-nossas-empresas/

http://ricardogallo.ig.com.br/2010/08/16/ate-quando-expansao-de-credito-vai-empurrar-nossa-economia/

Ou seja, ou reduzimos  o consumo ou aumentamos produtividade. Senão 4% aa de crescimento está bom demais. Hoje pensar em 6% é sonho distante.

Autor: Tags:

2 comentários | Comentar

  1. 52 Allan Santos 27/05/2013 23:52

    Uma redução no consumo, em benefício do aumento da poupança, não significa mexer com as expectativas das empresas de que haverá menor demanda por seus produtos levando a estas a diminuírem o ritmo da produção podendo levar a economia a uma possível recessão?

    • Ricardo Gallo 28/05/2013 0:32

      nao. investimento é demanda num primeiro momento…. para investir voce contrata gente e faz gastos…. e se os investimentos derem resultado voce gera mais produto e mais renda e pode aumentar consumo de novo….

  2. 51 Marcos 08/09/2011 0:17

    Ricardo,

    Muito legal o artigo.

    Uma dúvida que tenho é a respeito do financiamento da dívida externa pelos especuladores. Sabemos que antes do investiment grade, muitos investidores já aplicavam aqui por conta dos juros altos. Tenho visto que alguns países europeus vem pagando juros altos para rolar a dívida. Parece que a austeridade fiscal também fará parte daqueles países europeus.
    A minha dúvida é se esse dinheiro especulativo sai do Brasil para a Europa caso a situação se normalize por lá com juros elevados. E caso essa saída aconteça, a situação atual permitiria manter o juros ou teríamos uma elevação para evitar a saída.

    Grato,
    Marcos

    • Ricardo Gallo 08/09/2011 21:55

      temos muitas reservas. dolar pode subir porem nao eh fim do mundo.

  1. ver todos os comentários

Os comentários do texto estão encerrados.