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terça-feira, 17 de janeiro de 2012 Bancos, bolsa, Câmbio, Crise na Europa, Investimentos, Juros no Brasil, Sem categoria | 21:05

Para onde vai a bolsa?

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Bom, estamos no começo do ano, todo mundo preocupado com as férias, com o preço do coco gelado, mas também antenado na bolsa, no dólar e no preço das coisas.

O ano começou num tom mais otimista. A bolsa subindo, o dólar caindo, sinais que a atividade no Brasil possa estar melhorando, com inflação controlada, enfim, tudo começou bem!

Vai continuar assim? Incerto.

A palavra chave este ano será dúvida.  Há fatores externos e internos que podem mudar o cenário completamente. A dispersão entre os cenários possíveis é enorme. Não se trata de pequenas variações para lá ou para cá. Estamos falando de eventos dramáticos que apresentam uma probabilidade não desprezível de se realizar

Achei que valeria a pena listar os fatores de risco e as oportunidades que vejo pela frente. Vamos começar com os riscos:

China: a economia chinesa está em processo de desaquecimento há alguns meses. Houve uma desaceleração nos preços dos imóveis (resultado de medidas macro prudenciais do governo chinês), na produção industrial e no PIB. Tal desaceleração levou à queda da inflação que estava bem elevada até meados de 2011. O risco potencial seria uma desaceleração ainda maior da atividade, levando a uma queda acentuada dos preços dos imóveis (um estouro de bolha?) e a sérios problemas de crédito nos bancos, o que causaria uma queda forte na demanda interna por commodities que são importadas do Brasil. Isto causaria uma queda na renda no Brasil, uma elevação do dólar e uma forte queda na bolsa, pois os investidores globais percebem nosso país como fortemente dependente da China. O governo chinês tem os meios necessários para evitar tal desaquecimento, com espaço para reduzir os juros, os compulsórios e para aumentar gastos públicos. Porém alguns analistas comparam o processo de crescimento chinês atual com o processo ( insustentável ) de crescimento Japonês na década de 70 e 80, que terminou com a explosão da bolha imobiliária existente causando perdas enormes de crédito nos Bancos japoneses que levaram o país a anos de estagnação. Estaria a China caminhando na mesma direção? Não sei. Há contudo sinais que a economia Chinesa esteja se estabilizando (como vemos na taxa de crescimento da produção industrial divulgado nesta terça), o que reduz a probabilidade de um crash chinês em futuro próximo;

EUA: o debate fiscal nos EUA não evolui. Democratas e republicanos não conseguem chegar a um acordo sobre o que precisa ser feito visando a redução do déficit trilionário daquele país. E 2012 é um ano eleitoral, o que reduz as chances de algum acordo neste front. Caso tal debate não evolua há o risco dos EUA terem sua nota de risco rebaixada o que implicaria em elevação no custo de financiamento para as empresas e consumidores americanos, reduzindo assim a taxa de investimento e consumo privado. Isto levaria a uma nova recessão. Além disto, tal evento enfraqueceria a situação dos bancos americanos, levando-os a reduzir a oferta de crédito internacional, o que poderia afetar nossas exportações.

Grécia e a zona no Euro: a dificuldade de se chegar a um acordo entre os credores privados, o governo grego, o FMI e a comunidade europeia pode colocar o país numa situação de calote desorganizado, como a Argentina em 2001. Em março próximo vencem uns papagaios gregos que precisam ser rolados pois os Gregos não tem como honrá-los. Se não houver um acordo com os credores privados até lá que viabilize tal rolagem, a Grécia pode decretar um calote unilateralmente, o que poderia levá-la a deixar a zona do Euro carregando Portugal junto. Isto enfraqueceria ainda mais a situação financeira da Itália, Espanha e da França. Além disto, com a queda da atividade econômica na Europa é provável que vários países não atinjam suas metas fiscais o que levaria a outros rebaixamentos de suas notas de risco pelas agências de rating. Isto poderia aumentar a tensão política e trazer de volta as discussões sobre a viabilidade da moeda única. Os efeitos disto nos mercados globais seriam enormes, com um aumento da aversão a riscos causando uma redução nos fluxos de capitais para países como o Brasil levando a uma forte alta do dólar.

Bancos Globais: há um processo em andamento de redução dos ativos dos bancos no mundo desenvolvido. Tais bancos se encontram pouco capitalizados e como não conseguem emitir ações para se capitalizarem a um preço razoável, só lhes resta a alternativa de reduzirem seus empréstimos. Logo, há uma retração na oferta global de crédito que pode afetar o comércio e o investimento privado. O problema é mais crítico na Europa, porém um agravamento da situação na Europa, nos EUA ou no China pode acelerar este processo de desalavancagem que poderia prejudicar nossas exportações.

Oriente Médio: a tensão com o Irã só aumenta e a primavera árabe deve continuar a por lenha na fogueira política da região. Um conflito militar por lá pode elevar preço do petróleo o que causaria uma recessão nos EUA, na Europa e até mesmo na Ásia.

Inflação no Brasil: o governo reverteu suas políticas de controle da inflação quando percebeu o agravamento da situação na Europa no ano passado. Como a atividade econômica perdeu ímpeto, a inflação começou a cair num ritmo gradual. Contudo há sinais que as medidas expansionistas adotadas em resposta à crise europeia já possam estar tendo algum efeito na atividade ( vide índice de atividade do BC em novembro). Muitos analistas esperam que nossa economia já comece a dar sinais de melhora neste trimestre ou no próximo. E caso não tenhamos um agravamento da situação na China, na Europa ou nos EUA, as commodities deverão voltar a subir de preço, o que elevaria inflação por aqui, já vitaminada por um forte aumento do salário mínimo contratado para os próximos meses. Isto poderia fazer com que o Real voltasse a se valorizar e que o BC tivesse que elevar os juros já no segundo semestre deste ano, abortando seu processo de queda, o que reduziria a atratividade da nossa bolsa.

A probabilidade que nenhum dos cenários acima se materialize deve ser inferior a 50%. Logo, existe uma chance de 50% de sermos chacoalhados ao longo do percurso este ano. E a probabilidade de termos dois ou mais dos riscos acima se materializando não é desprezível, pois são eventos que não são mutuamente excludentes (à exceção do último).

Logo, apesar do início positivo das bolsas e dos ativos de risco, é recomendável parcimônia na tomada de riscos. Os mercados fecharam 2011 com uma baixa alocação em ativos de risco, em virtude da alta volatilidade dos mesmos e de seu péssimo desempenho. Logo, há um excesso de capital ocioso e disponível para alocação em ativos de riscos. Esta alocação acaba sendo motivada pela entrada do novo ano, pois os gestores de recursos que sofreram perdas em 2011 estão ansiosos para se recuperar o que acaba levando a uma certa euforia quando este processo de alocação se inicia. Aí bastam alguns sinais positivos, como a leve queda do desemprego nos EUA, indícios que a economia da China chegou ao fundo do poço e que o BC europeu vai segurar a crise no peito, para que os investidores aumentem seu capital alocado a risco, o que eleva os preços rapidamente.

Acredito que se os credores e o governo grego chegarem a um acordo esta semana sobre a redução da dívida que está nas mãos do setor privado, os mercados devam subir ainda mais, pois o principal fator de risco de curto prazo irá se afastar. Contudo é prematuro dizer se estamos completamente a salvo das perturbações externas.

Assim, sugiro acompanhar os noticiários e avaliar se os riscos acima estão se dissipando, pois de fato este será um ano em que a força da gravidade atuará ao contrário: se não houver materialização das más notícias os ativos de risco deverão subir. Os juros baixos combinados com a pouca alocação a risco existente criam um ambiente propício para elevação dos preços de ativos de risco.

Acredito que as bolsas na Ásia e no Brasil devam andar mais do que as bolsas nos países desenvolvidos. Os ativos de crédito High Yield nos EUA também irão andar bem, junto com o Ouro e com as commodities metálicas. O Euro deve continuar fraco e o R$ pode vir a se valorizar. Ações de Bancos e de construtoras deverão andar bem por aqui. Juros de longo prazo deverão subir um pouco mais por aqui, nos EUA e até mesmo na Alemanha. Tudo isto, é claro, se nenhum dos riscos acima se materializar.  E é claro que não estou recomendando que você invista nestes ativos. Apenas indico minha opinião para que você possa ter mais subsídios para debater com seu consultor ou corretor. Não sei se tais ativos se enquadram no seu perfil, apetite de risco, objetivo e  horizonte de investimento. Logo, não faça nada sem falar com seu consultor de investimentos!

E é bom ficar de olho nos riscos que mencionei, pois se alguns deles se materializarem tais ativos poderão despencar violentamente de preço. A força inercial este ano é para cima, porém, como falei, há outras forças latentes que podem mudar dramaticamente este cenário com sua enorme intensidade.

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5 comentários | Comentar

  1. 55 Wilson 23/01/2012 12:21

    Portugal aguenta até dezembro sem reestruturar dívida?

    • Ricardo Gallo 23/01/2012 12:49

      sim….. se grecia nao sair do controle ….senao…

  2. 54 Jessé 23/01/2012 9:32

    Afora os pessimistas de plantão (outro dia outro leitor falou de terroristas, é mais ou menos isso) , a Europa irá dar conta de seu imbroglio por não poder abandonar o euro e sua ainda escassa unidade. E a Grécia deve renegociar sua dívida com 50%.
    Mas esta matéria sobre a bolsa e nada daria no mesmo, não? Muito “acredito”, “pode”, “parcimônia”… Em suma: não sei nem sei se alguém sabe…

    • Ricardo Gallo 23/01/2012 13:34

      ps fale com seu consultor de investimentos. pode ser que este texto te ajude a debater com el e ai voce decide com ele o que fazer,,,,,

    • Ricardo Gallo 23/01/2012 12:53

      parcimonia+ cautela, nao ponha ttod risco agora ate duvidas sairem da frente… pode: pode pois eh probabilistico. nao deterministico, e como nao acreduito que a maioria dos leitores desta coluna sejam gestores prifissionais de recursos, preciso ser cuidados com as palavras senao….. neh? ascredito: pois eh minha crença…. nao entendi qual o problema nisto….. entende???

    • Ricardo Gallo 23/01/2012 12:50

      nao entendi? o que voce esperari desta materia? eu afirmei que se tais rsicos nao sem mnaterializassem bolsa subiria. e esta subindo. o que mais vcoe acha que eue deveria falar e nao falei? o que mais voce esperava?

  3. 53 Ag 18/01/2012 22:18

    OK. Na minha opinião estamos em um processo silencioso de retirada dos grandes fundos e para saída deles as bolsas precisam de liquidez … vide 2007/2008 . Afinal de contas como já disseram aqui os fundamentos continuam os mesmos , apenas o calendário mudou. Os pequenos investidores já deveriam ter aprendido.

  4. 52 Ricardo 18/01/2012 18:04

    Ricardo Gallo,
    na atual conjuntura, se não ocorrer nenhuma das situações negativas previstas, você recomendaria investimentos em imóveis (revenda ou aluguel)?

    • Ricardo Gallo 19/01/2012 10:59

      revenda: nunca. nao especule com algo caro e iliquido. aluguel…pode ser sim…porem ai tem que escolher bem…. porem se voce nao eh especialista em imoveis, sugiro ficar no tradicional….. poreços estao caros ja.

  5. 51 renata cury 18/01/2012 6:50

    Estão puxando o mercado para os amadores e manés entrarem no início do ano. isso sempre acontece…qdo a europa assumir seus problemas,bem como o japão,a coisa vai pegar.Na minha cabeça o ibov vem para no mínimo 45000 pontos. Mercado novo,ano novo,notícias e dívidas velhas…

    • renata cury 18/01/2012 19:34

      Primeiro obrigada por responder.Gosto muito do seu blog. Acho que não tem como esquecer a grécia,é uma questão de tempo dela quebrar e causar um efeito dominó.Também considero a crise do euro um grande ataque especulativo estadunidense contra o euro,haja vista que as agencias de rating são americanas e qdo o lehman brothers quebrou ele tinha triple A,uma verdadeira piada. Por fim,ainda acho que o ibov cai muito esse ano.

    • Ricardo Gallo 19/01/2012 10:57

      nao da mesmo! se grecia nao resolver o psi, 45 mil her we go!!!!!! ps: atque especulativo? minha filha com euro frACO QUEM PERDE SAO AS MULTI americanas…. usa querem euro forte, real, forte, yuan forte, yen forte….. dolar fraquinho….

    • Elcio 20/01/2012 9:47

      EUA querem dolar fraco, porém para uma economia que ainda importa muito mais que exporta, vai demorar muiiiito para que tenha algum benefício.
      O Brasil já teve moeda fraca em relação ao dolar em outros tempos e nem por isso obteve resultados satisfatórios.

    • Ricardo Gallo 20/01/2012 9:56

      vai demorar mesmo porisso eh que querem um dolar muito fraco… porem economia ja esta melhor…. e deficit externo vem caindod esde 2008…

    • Ricardo Gallo 18/01/2012 10:25

      nao sei…. se voce tirar grecia da frente…. coisa alivia bem….e turma ta leve….

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