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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012 Crise na Europa | 01:13

Tragédia grega chega ao ápice

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No dia 23 de março vencerão Euro 14.4 bi em títulos da dívida publica grega e o país não tem como pagá-los. Logo, se a ajuda da cavalaria do Euro não chegar a tempo  a Grécia irá decretar um calote desorganizado de sua dívida publica o que pode leva-la a deixar a moeda única.

As consequências para a Europa deveriam ser muito pequenas, pois a Grécia representa menos do que 2% do PIB Europeu. Contudo, algumas consequências micro são de vital importância:

  • O BC Europeu tem em seus ativos mais de Euro 100bi em haveres contra os gregos. O sistema monetário unificado na Europa faz com que as saídas de capital da Grécia para outras regiões sejam financiadas por depósitos de bancos de outras partes da região do Euro junto ao ECB, que empresta tais recursos aos BC Grego que por sua vez financia os bancos gregos, que, em caso de um calote, quebrariam. Além disto, o BC europeu comprou aproximadamente Euro 50 bi em papéis da dívida grega. Logo, no caso de uma quebra o ECB teria que arcar com o prejuízo, que acabaria no colo dos outros países da Europa, inclusive daqueles com problemas fiscais como Portugal, Espanha e Itália, o que poderia levar a conta toda para o bolso dos Alemães e Franceses.
  • Há um montante importante de empréstimos bancários de bancos Europeus para bancos e empresas gregas, além de um volume elevado de investimentos diretos de empresas europeias na Grécia. Estima-se que sejam mais de 150 bi empréstimos ao setor privado que teria sérios problemas em honrar seus compromissos. Isto levaria a perdas de capital importante aos bancos europeus que hoje lutam para recompor sua base de capital.
  • Com a quebra do estado grego e de seus bancos, haveria um corte súbito do financiamento automático do seu déficit externo feito pelo BC europeu através do mecanismo que descrevi acima. A Grécia tem um déficit externo em sua conta corrente de 10% do PIB. No caso de um calote desorganizado, é bastante provável que o financiamento externo deste déficit seja suspenso, sufocando os bancos gregos que não teriam euros para refinanciar os devedores externos gregos. Assim as empresas gregas não teriam como honrar seus pagamentos, pois haveria uma redução dramática na oferta de crédito interno. Isto levaria a uma quebra de várias empresas, em particular dos armadores gregos que poderiam ter sues barcos apreendidos em portos da Europa, onde seus credores tentariam recuperar seus créditos.
  • Esta situação caótica levaria indubitavelmente a um caos econômico na Grécia, de dimensões até maiores que o ocorrido na Argentina quando de sua última quebra. O governo não consegue gerar caixa para pagar nem suas despesas correntes. O déficit primário, isto é, a diferença entre o que o governa gasta em despesas correntes (sem contar os juros) e suas receitas com impostos, é da ordem de 2% do PIB. E há sinais que o governo já esteja deixando de pagar alguns de seus fornecedores. A perspectiva de redução em tal déficit é ruim: as receitas do governo central grego caíram 7% em janeiro último quando comparadas a janeiro de 2011, enquanto que o governo grego havia orçado uma elevação de 8% nas arrecadações para este período. Ou seja, as  receitas do governo ficaram 15% abaixo do que se esperava! Assim, já no primeiro mês do ano, tal perda de receita gerou um déficit fiscal adicional de 0,5% do PIB, ou seja, o déficit público estaria crescendo a 6% do PIB este ano, déficit este que em 2011 estava andando a mais de 10% do PIB por ano! Logo, a situação do estado grego, mesmo desconsiderando os gastos com juros, está piorando e pioraria ainda mais no caso de uma quebra e de uma depressão econômica causada pelo calote desorganizado. Em 2011 estima-se que a economia grega tenha se contraído 6%. Numa situação de caos não seria difícil imaginar uma contração de 7 ou até 10%. O governo grego seria forçado a cortar seus gastos correntes de forma violenta, gastos que passam de 40% do PIB anual.
  • Numa situação destas o governo grego seria forçado a impor um bloqueio dos depósitos nos bancos, como o ocorrido no governo Collor e na Argentina (curralito). Não haveria saída senão a Grécia abandonar o Euro, adotar uma nova moeda e converter todos os depósitos bancários e haveres financeiros gregos nesta nova moeda, a uma taxa de câmbio bastante baixa com relação o Euro. Estima-se uma desvalorização desta moeda de 50% nos primeiros momentos. Para evitar uma fuga de capitais o governo precisaria impor controle de capitais, ou seja, ninguém poderia trocar a moeda local por Euros no mercado formal de câmbio. Obrigações devidas a credores gregos seriam convertidas a esta nova moeda nesta paridade. A dívida externa privada teria que ser nacionalizada, e assumida pelo estado quando do seu vencimento que as renegociaria com os credores internacionais. Com a forte desvalorização cambial os produtos importados e exportáveis subiriam de preço dramaticamente, o que faria com que o déficit externo caísse rapidamente. Isto levaria a uma elevação dos preços dos combustíveis e possíveis problemas de abastecimento.
  • Neste cenário haveria uma enorme crise política e social com a possível ascensão de governos populistas e nacionalistas.
  • Alguns países periféricos em situação mais grave como é o caso de Portugal, perderiam acesso ao financiamento privado externo, o que, se não for combatido com medidas fortes dos países centrais, poderia leva-los a uma situação similar à grega. Este contágio afetaria o sistema bancário europeu e agravaria a crise econômica na Itália e Espanha, tornando seus ajustes internos ainda mais desafiadores.

Como vemos não se trata de um problema isolado a uma economia pequena.  Logo, é muito provável que o governo grego, os governos europeus e os credores privados cheguem a um acordo que reduza a dívida grega e que dê tempo para que a economia da Grécia faça seus ajustes. Contudo, tais negociações políticas são muito delicadas, pois todos sabem que a atual renegociação de dívida grega junto aos credores privados e o pacote de ajuda em estudo, se forem aprovados, deverão trazer dívida grega dos 160% do PIB atuais para 120% do PIB em 2020 apenas, assumindo que os gregos cumpram seu duríssimo programa de ajustes com sucesso e que economia grega volte a crescer depois de 2015.

Logo, para que o pior seja evitado é preciso que:

  • os gregos aceitem os cortes e ajustes propostos pelos credores públicos e privados, que vão além dos aumentos de impostos, da redução dos investimentos públicos e da privatização de empresas estatais,  mas passam pela redução do salário mínimo e de outros benefícios trabalhistas. O custo de mão de obra por unidade produzida na Grécia cresceu 30% desde 99, enquanto que na Alemanha tal custo subiu menos de 10%. Isto explica a baixa produtividade da economia grega, sua pouca competitividade e seu enorme e persistente déficit externo. O Deutsche Bank estima que o PIB grego deveria cair mais uns 25% além do que já caiu ( 10%)  para que fosse eliminado o déficit externo, se não for feito um ajuste estrutural na produtividade e nos custos de produção na Grécia. Não se trata apenas de um problema fiscal, mais de um problema de produtividade.
  • os Europeus aprovem o pacote de ajuda de Euro 130 bi;
  • que o ECB abra mão de ganhos futuros nos papéis públicos gregos que tem hoje em carteira no montante de Euro 15 bi ;
  • os credores privados aceitem voluntariamente uma redução de 50% no principal da dívida que lhes é devida, além do alongamento de seu prazo para 30 anos e de uma forte redução nos juros hoje cobrados.

O novo pacote de ajuste proposto aos gregos é bastante duro e deve enfrentar uma enorme resistência popular na sua aprovação e execução.  Logo, é muito provável que os credores públicos venham a ter perdas no futuro em seus empréstimos a Grécia, que devem chegar a mais de Euro 200 bi nos próximos anos. Com a renegociação atualmente em curso a dívida pública grega devida aos credores privados cairá de Euro 200 bi para Euro 100bi. Porém, com o alongamento dos prazos e com a redução dos juros propostos aos credores, a perda poderá chegar a Euro 140 bi para aqueles que financiaram a gastança do estado grego nestes últimos 10 anos.

A tragédia chega enfim a seu momento culminante.

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15 comentários | Comentar

  1. 65 JIL 16/02/2012 14:32

    Ricardo,

    Que tal abrir uma nova nota sua para mais visibilidade do publico do IG.
    Poderíamos debater com argumentos, dados, exemplos de uma maneira mais ampla e mais clara do que cada um já colocou de maneira um pouco desordenada…

    Penso na situação da Europa no seu conjunto, desde o inicio da crise em 2008, e nas respostas monetárias, fiscais e macro implementadas desde então. Não penso só na Grécia. Cada caso é um caso.

    Resposta certa foi dada a crise pelos governos europeus? resposta errada? o diagnostico da situação estava certo ou errado?

    p.s.: teoria econômica, política e política econômica estão para mim fundamentalmente interligadas. Não podemos separá-los nas nossas analises.

    • Ricardo Gallo 21/02/2012 14:12

      boa. vamos ver como acaba esta fase grega e como desenrola debacle portugues,.,,,

  2. 64 JIL 16/02/2012 11:18

    Carlos,
    Assino embaixo dos seus comentários, menos sobre Keynes e também sobre jornada de trabalho de 12 horas na década de 30.

    Em 1936, época da publicação da Teoria Geral, a jornada de trabalho na maioria dos setores já era de 10 horas ou menos nos países europeus como Alemanha, Reino Unido, França etc.
    Havia um movimento amplo para reduzi-la para 8 horas de trabalho diário no mundo todo, e o Brasil não é exceção (arcabouço legal sobre a jornada de trabalho constituído entre 1932 e 1940 no Brasil). Este movimento era reforçado pela criação da Organização Internacional do Trabalho em 1919.

    • Ricardo Gallo 16/02/2012 14:05

      excelente debate academico, porem o que voces sugerem que deveria ser feito na grecia entao? e quem iria financiar tal estimulo ao consumo keynesiano a esta altura da vida??

  3. 63 JIL 16/02/2012 11:07

    Carlos,

    Assino embaixo dos seus comentarios, menos sobre Keynes e tambem sobre jornada de trabalho de 12 horas na década de 30.
    Em 1936, época da publicacao da

  4. 62 Carlos 15/02/2012 20:32

    E para não ficarmos polemizando juro(não é juros não….rs rs rs) que após seu comentário não replicarei.

    Um grande abraço.

  5. 61 Carlos 15/02/2012 20:27

    Sr. Gallo,

    Adam Smith século 18 e Keynes início do século 20.
    Em minha opinião nenhum dos dois, já estão ultrapassados.

    Adam Smith – extremamente liberal, isso não funciona para o bem geral !

    Keynes – O Estado não tem a solução para tudo. Na época do Keynes a jornada de trabalho era de 12 horas. Só falta retornar para esse patamar!

    Daí o Senhor deve ter concluído a minha opinião sobre a Grécia.
    Simplesmente se um antiinflamatório pode curar, porque antibiótico ?

    Grécia – 11 milhões de habitantes, demitir 150 mil servidores públicos, reduzir salários.
    E devido a isto o mercado consumidor vai esfriar e como consequência haverá
    demissão no setor privado também.
    Qual é a população que trabalha na Grécia? 7 milhões sei lá, ou menos não é ?
    Olha a porcentagem de desemprego. Este remédio vai trazer efeitos colaterais
    indesejáveis, que para acabar com esses efeitos vai ter mais remédio.

    A solução é um remédio mais fraco, esta receita de bolo que estão implementando
    vai piorar a situação.

    Já lí comentário de economista dizendo que se a Grécia sair do Euro se recupera
    em 2 anos. Se continuar faz-nos lembrar do nosso Brasil na Década de 1980, não
    saiu do lugar e mais de uma década se passará para voltar a normalidade.

    Na crise de 2008, nós aqui no Brasil incentivamos o consumo e as críticas vieram
    de todos os lados. Olha a bolha ! Abrindo mão de receita em época de crise !
    Depois não apareceu ninguém para criticar.

    É mais ou menos por aí.

    A notícia boa é que o Sr. disse que nossa dívida é ridiculamente pequena.
    Mas se o Brasil não crescer complica, não é ?

    • Ricardo Gallo 16/02/2012 11:03

      ps: 2008 pouca gente criticou. e deficit nao foi arma principal…. foi credito… credito…o parafiscal..bc e bb e bndes…orquestrado.

    • Ricardo Gallo 16/02/2012 10:43

      sim . mas quem financiaria o povo grego dado o enorme deficit fiscal daquele pais? quem? Voce emprestaria sua poupanca hoje para grecia? divida no brasil eh pequena. ridicula e caindo. rapido.

  6. 60 Carlos 14/02/2012 19:25

    Pib Argentina

    1999 -3,4
    2000 -0,8
    2001 -4-4
    2002 -10,9
    2003 8,8
    2004 9,0
    2005 9,2
    2006 8,5
    2007 8,7
    2008 7,0
    2009 0,9
    2010 7,8
    Salvo algum erro de digitação.

    Solução para Grécia: Não sei. Em negociação cada um cede um pouquinho, pronto aí sai o acordo.

    O caso Argentino pode ter sido diferente devido a demanda pelos produtos dela na época.

    No caso do Brasil, nos anos 1980, tinha sempre aqui os representantes do FMI com estes remédios que não deixaram o país crescer gerando inflação para exportarmos o excedente que culminou em moratória, desorganizou toda a economia.
    Pagamos, pagamos e quebramos.

    Não é melhor incentivar o país a crescer, cobrando metas de crescimento do que cobrar metas de recessão ?

    Hoje nossa dívida é grande mas o país cresceu e pode pagá-la.
    Assim como vários outros países ricos endividados.
    Temos sempre que crescer, investir ! E tentar reduzir a dívida !

    • Ricardo Gallo 15/02/2012 17:33

      sim. como eu disse, argentina bombou com a elevacao do preco das commodities. russia ytambem.

      grecia: o que voce recomenda afzer apara incentivar crescimento na grecia???

      remedios da fmi nao funcionam: sim. talvez pq eles chegam tarde demais, quando a doença ja matou paciente. prefiro previir do q remediar…

      nossa divida eh ridiculamente pequena.

      para reduzir divida tem que fazer o q governo anunciou hoje: cortar gasto publico. grecia nao fez isto…e quebrou….

  7. 59 JIL 14/02/2012 17:49

    Ricardo,

    Para falar em preconceito, você falando “keynesianismo a esta altura??…” já é preconceito contra o keynesianismo!

    Os keynesianos e muitos que não o são já perceberam que as receitas implementadas na Europa para tentar restabelecer as finanças publicas foram recessivas demais, deprimindo demais o mercado interno desnecessariamente.

    Erraram na dose e no remédio: O Estado tinha que diminuir os gastos, sim, mas os gastos que foram reduzidos foram justamente muitas vezes os que sustentam o consumo: Reduzir o numero de funcionários públicos, aumentar certos impostos, diminuir gastos “sociais” sensíveis, etc…
    Assim só chegamos a acelerar a espiral negativa de consumo deprimido, produção estagnada e desemprego em alta.

    Com ajuste keynesiano (keynesianismo não tem nada a ver com abrir a torneira dos gastos públicos, é uma coisa muito mais sutil), seria possível começar a sanar as finanças publicas sem piorar o nível da atividade econômica. Os resultados teriam sido melhores do que os que foram alcançados até agora..

    • JIL 15/02/2012 19:29

      Ola Ricardo,

      No meu ultimo post não estava me referindo à Grecia que é um capítulo a parte, todos nós concordamos que gastaram o que não podiam. Ha também alguns outros casos excepcionais, com Irlanda.

      Porém digo que na Europa e Estados Unidos, ha espaço para uma outra politica econômica, que não é o governo cortar gastos a qualquer custo (macro e social).

      A base da politica keynesiana numa situação de crise como essa é o governo gastar um pouquinho menos e sobretudo melhor, SEMPRE na otica de incentivar o consumo – e nçao deprimi-lo como está acontecendo com as receitas implementadas, de cunho mais liberal.

      Assim você consegue reduzir o déficit, a divida e a proporção divida/PIB (claro que a redução só pode ser lenta e de longo prazo, nada de cortar 100.000 funcionários ou privatizar), ao mesmo tempo que mantem o consumo, produção e emprego.

      Mesmo na Grécia, ha espaço para isso, claro – aí eu concordo com voçê – que ha menos espaço que em outros paises como França, Reuno Unido, Itália ou Espanha. A margem de manobra é menor (afinal eles precisam prestar contas para o FMI, BCE e o mundo, com o mercado na cola como voçê motra tão bem nessa sua coluna), más ela existe…

      Queria aproveitar esse comentário para dizer que se as vezes não concordo com algumas de suas colocações (pelo fato de seguirmos orientações teoricas que me parecem diferentes), eu sigo regularmente a sua coluna e acho ela muito estimulante tanto para o leigo quanto para o especialista, bem variada, aprofundada e no final bastante equilibrada – por isso não deixo de cutucar as vezes.
      Parabéns pela coluna!

    • Ricardo Gallo 16/02/2012 10:44

      discordo. de uma olhada nos deficits projetados pelo CBO para medcare e scial security next 20 years… divida dobra.

    • Ricardo Gallo 15/02/2012 17:38

      ainda nao entendi que outra forma de ajuste o senhor esta recomendando… lembra debate politico….

    • Ricardo Gallo 15/02/2012 17:37

      repito, como seria o ajuste keynesiando a esta altura na grecia? entendi sua critica, porem nao conheco ver sua recomendacao. e nao falei nada em expandir gastos publicos. eu perguntei como o senhor sugere que grecis saia da crise? descobrindo petroleo em santorini? plantando soja nas pedras??… e o senhor nao concorda que gregos gastaram demais ate 2008?? entao concordas com gastanca? mesmo? nao acha que foram irresponsaveis??? que gastaram demais??? o remedio eh horroroso, mas nao foram eles que se viciaram em crack, ou seja, se vieciaram em gastos e agora desentoxicar eh doloroso….

  8. 58 Carlos 13/02/2012 20:15

    Não estou pregando calote, quero deixar claro isto.
    Não sou a favor do calote, sou a favor sim de uma saída menos dolorosa.

    Dá para fazer melhor, inclusive tenho lido comentários de outros economistas sobre isso.
    Só não posso colocar a fonte pois tinha direitos reservados.

    Acredito muito em uma frase dita, não me lembro por quem, + ou – assim: “Se o ser humano só falasse do que entende o mundo seria um silêncio”. Por isso faço meus comentários sobre esta matéria que não é a minha área mas que desperta interesse, não quero contribuir para o silêncio no mundo. rs rs rs…

    Posso até entender a posição dos banqueiros, até porque não podem abrir precedentes.

    • Ricardo Gallo 13/02/2012 20:23

      dr, qual seria entao a saida menos dolorosa exatamente alem do que ja esta sendo feito??? keynesianismo a esta altura??

  9. 57 Carlos 12/02/2012 11:38

    Não sou Dr. muito menos economista.
    Mas obrigado pelo título.

    “Em 28 de outubro de 2007 foi eleita 55ª presidente da Argentina, a primeira mulher eleita pelo voto direto, no país, sendo reeleita em 2011. (Cristina).” Wikipedia.

    O “Calote”, como os economistas gostam de chamar a dificuldade de um país em pagar suas dívidas, teve início em 2003 ou 2004 com o Nestor. Pedi ao Sr. para mostrar os dados da Argentina no período Cristina, ou seja, a partir de 2007. O Sr. colocou os dados até 2002.
    Não entendi porque.

    Estou no aguardo, se possível. (2007 a 2011)

    Quanto aos Bancos Europeus, os acordos serão fechados, sempre foram, e repito os Bancos vão receber diretamente dos organismos internacionais apenas entrará em alguma contabilidade na Grécia.

    E o povo Ó !

    • Ricardo Gallo 13/02/2012 15:05

      foi calote sim senhor. a divida nao foi no seu vencimento e foi renegociada com seus credores.depositos em usd junto aos bancos argentinos foram bloqueados.

      de 2007 a 2011 : pls visite site do fmi… la tem otimos graficos… divirta-se la!

      como eu disse, economia argentina bombou, quando soja dobrou de preco… se nao fosse a soja…. a grecia nao planta soja… nem tem minerio… russi deu calote estah bombando… logo, voce esta pregando o calote!! bom saber….

      com elacao aos bancos europeus eu acredito que voce nao entendeu como funciona o psi. haverah u desconto de 50% no valor de face de seus titulos… 50%..

      entende ? vamos fazer o seguinte? eu te vendo um papel no qual prometo pagar 100 daqui a 10 anos. ai eu chego e falo: soh vou pagar 50….

  10. 56 Carlos 10/02/2012 20:06

    “Ricardo Gallo 09/02/2012 2:20

    ps; quem ganhou na grecia foram os funcionarios publicos, pensionistas e politicos corruptos que gastaram a grana do deficit fiscal grego financiado pelos europeus trouxas….ja ganharam e ja gastaram…vide deficit externo acumulado em 10 anos…. deve dar bem mais de 100% do pib….”.

    O Senhor não disse que o funcionário público foi o culpado mas escreveu !

    Não só li sua coluna como também todos os comentários.

    Bancos não estão lucrando ? Eles lucram também nas crises e como lucram !

    Quanto a Argentina, mostra gráficos de antes da decisão da Presidente Cristina de só pagar 25% da dívida que ela entendeu que só devia esta quantia e gráficos de depois desta decisão. Quanto as commodities Argentinas é a produção dela, vai abrir mão disso ?

    Imagina a Arábia Saudita sem Petróleo, o nosso Brasil com todo petróleo futuro sem commodities, um certo país sem guerra, etc… etc…

    Ps. comida ninguém deixa de comprar.

    Os Bancos emprestaram 140 bi de euro a Grécia ? No mínimo foram irresponsáveis, mas eles sabem que a elite dos países da Europa iriam ajudar, não a Grécia ou os Gregos.
    Vão ajudar os bancos.

    O que o governo Grego deu aos Gregos que quebrou o país ?

    Obs.: Vez por outra leio seus artigos e os gráficos, que são muito técnicos e as soluções para as crises, não suas, são as mesmas de 50 anos atrás.

    Hoje estava vendo na internet preço dos imóveis nos EUA.
    Casa que aqui valeria no mínimo 1,5 milhões de reais estava por 140 mil dólares.
    Apartamento que se fosse aqui no Brasil valeria uns 700 mil reais, estava por impressionantes 40 mil dólares. Não me aprofundei nesta pesquisa mas que eu vi eu vi !!!

    Os Bancos não sabiam que isso ia acontecer? Lógico que sabiam, ou tem algum bobo dirigindo Bancos ? Será que os maiores acionistas desses Bancos perderam ?

    • Ricardo Gallo 11/02/2012 23:37

      dr,

      as vezes as pessoas ganham coisas nao porquesao culpadas, mas simplesmente pq ganham. por exemplo, o palmeiras ganhou o jogo hoje!!! yyeeeeeesss!!! lider!

      eu nao quer dizer que os pensionistas e funcionarios publicos estao certos ou errados. simplesmente ganharam…. o culpado foi o governo que implemnetou uma politica de gastos publicos irresponsavel, que acabou beneficiando a populaçao grega…o governo grego gastou mais do que arrecadou certo? nao concorda com os numeros? logo o povo recebeu mais do que pagou ao governo….

      e nao ha nada de justo na vida. simplesmente se voce gasta mais do que recebe, acumula dividas e corre o risco de quebrar. simples. e eles fizeram isto e agora ou pagam a divida ou a negam… e ai arcam com as consequencias. o calote do sarney em 1985 nos custou 15 anos de sofrimento…. ate o PT concorda que dividas precisam ser pagas!! vide Lula!!!

      enfim respeito sua ideologia, porem eu prefiro usar dados, numeros e fatos: …os bancos europeus perderam,….os bancos gregos quebraram, meu caro….. … seus acionistas dos bancos perderam tudo…. se voce fosse um grande acionista do maior banco privado grego, o NBG, e tivesse 10 milhoes de açoes em 2007, teria um patrimonio de mais de Euro 650 milhoes!!!! Hje teria Euro 35 milhoes…. ou seja, teria perdido 600 milhoes de euros em 3 anos….. nao que eu ache 30 milhoes de euros pouco… porem…. 500 milhoes eh muito mais….. 650 milhoes entao ….. logo, por favor reconheca que os donos dos bancos perderam…tambem….

      e a coisa nao fica assim nao: se voce fosse um frances rico, com 100 milhoes de açoes do banco BNP Paribas, um dos maiores bancos da europa, voce teria um patrimonio de quase 10 bilhoes de euros em 2007. Hoje suas açoes valem 3500 milhoes de euros…. de novo, perderam 65% do valor em 4 anos…. logo, repondendo a sua pergunta: sim, perderam. os acionistas dos bancos perderam.

      e veja que coisa louca: o wall mart rede de supermercados e atacadista que vende para classa media e media baixa dos eua: suas açoes em 2007 estavam 50 dolares …. e hoje estao …. 60 dolares, mesmo com a crise enorme dos americanos que precisam vender suas casas por 140 mil dolares as açoes subiram 20%….. ja uma açao do banco of america, maior banco americano, tambem valiam uns 50 dolares em 2007, e hoje valem…8!! oito…. logo, banqueiros perdem dinheiro. pergunte ao sr angelo calmon de sa…. que agora tenta recuperar sua grana junto ao bc. ate agora nao conseguiu.

      como ja disse, sou engenhiero, lido com dinheiro ha quase 30 anos: prefiro focar nos numeros…. o resto para mim eh preconceito….

      qto argentina, seguem os dados;

      1997 8,11%
      1998 + 3,85%
      1999 – 3,89
      2000 -0,71
      2001 -4,41
      2002 – 10,89

      antes e de pois, como pediste…. piorou neh? veio de + 8 para – 10…. e veja como a quantidade de favelas na argentina aumentou…. basta ir lah e ver e perguntar ao povo argentino….. seu pib caiu 20% em 4 anos durante sua crise…. de la para cah subiu pacas, pois preço da soja dobrou de 2003 para cah… carne e trigo tambem dispararam de preço….. ajuda neh?? o minerio de ferro triplicou de preço no periodo….

      e veja o que o primeiro ministro grego disse hoje:

      “We realize this program entails painful sacrifices for the Greeks, but a default would condemn Greece to an uncontrolled adventure,” said Papademos, adding that “we look at the Greek people in the eyes with full realization of our responsibility.”

      “This program will secure conditions of safety, confidence and restore the competitiveness of our economy. It will see the country return to growth, probably in the second half of next year.

      Bom, se os bancos gregos e europeus sabiam, porque entao perderam tanta grana grecia? 140 bi!!!! sao maldosos, mas uns idiotas! gente burra! sabiam e nao evitaram as perdas….

  11. 55 Carlos 09/02/2012 19:43

    De acordo com o colunista e os comentários feitos concluo que a implantação do EURO foi uma tragédia, quem vai sair lucrando, como sempre, os Bancos.

    E ainda dizem que a culpa é dos funcionários públicos e pensionista.
    Calote nos que estão para se aposentar e para os aposentados e pensionistas pode, não é ? Nos Bancos nunca……

    Estão aproveitando a “crise” (que nada mais é o devedor não ter condições de pagar o credor) e cortando avanços sociais que não são de hoje, esses avanços na Europa são antigos.

    O comunismo acabou, graças a Deus, então o que a elite pensa: não precisamos mais nos preocupar vamos tirar do trabalhador!

    O Sistema financceiro mundial não quebra o país apenas deixa-o doente a vida toda.

    Porque não param de emprestar ?

    • Ricardo Gallo 10/02/2012 13:00

      bancos? lucrando? o sr nao parece ter entendido….. a perda dos credores na grecia deve chegar a 140 bi de ruos no pactote de renegociacao atual!!!…. principais credores: bancos!!!

      eu acho que o sr nao leu o artigo:nao disse que culpa eh dos funcionarios publicos: mas do politicos corruptos populistas que implementaram politicas publicas insustentataveis que mais que dobraram a divida publica grega….

      por favor, nos poupe!!!

  12. 54 JIL 09/02/2012 16:42

    Ricardo,

    Não é só na Grécia ou Portugal que o governo superestimou as receitas fiscais futuras, após a implementação de medidas de austeridade. Este fenômeno é bastante difundido na Europa, quase geral.

    Na Alemanha, segundo dados e projeções da OCDE:
    Dívida pública bruta/PIB em 76% em 2009, 87% em 2010, prevista para 87% em 2011 e 2012.
    Déficit público em 3,0% em 2009, 3,3% em 2010, previsto para 2,1% em 2011 e 1,2% em 2012. Mesmo para a Grande Alemanha, isso pode ser difícil de atingir…

    Na França:
    A trajetória da relação dívida pública/PIB, para a qual o governo previa em 2010 baixar o % a partir de 2011, agora prevê um % de 89,1% em dez/2012, 89,3% em dez/2013, 88,3% em dez/2014, 86,2% em dez/2015 e finalmente 83,0% em dez/2016.
    O governo francês mantém a perspectiva de reduzir o déficit público de 5,7% em 2011 para 4,5% do PIB no final de 2012 e 3% em 2013. O governo atual planeja reduzi-lo em um ponto percentual por ano para chegar ao equilíbrio em 2016, o que não acontece …desde 1974!
    Enquanto isso, o déficit público consolidado no final de 2011 deve ficar por volta da de 5,7%, de acordo com o Governo.

    No Reino Unido teve uma deteriorações ainda mais acentuada das suas finanças públicas desde 2008. A proporção dívida pública bruta/PIB quase dobrou no período, de 47% em 2007 para 88% previsto em 2011 e 93% em 2012. O governo projetou e implementou um grande ajuste fiscal. O déficit público, que ficou em 10,8% do PIB em 2009 e 10,3% do PIB em 2010, está projetado para 8,7% em 2011 e 7,1% em 2012, e pelo FMI para 5% em 2013 e 1,3% depois. Quem acredita nesse conto de fadas?

    Na Itália, segundo OCDE:
    Dívida pública bruta/PIB em 127% em 2009 e 2010, previsto para 129% em 2011 e 128% em 2012.
    Déficit público em 5,3% em 2009, 4,5% em 2010, previsto para 3,9% em 2011 e 2,6% em 2012.

    Na Espanha, ainda segundo OCDE:
    Dívida pública bruta/PIB em 62,1% em 2009, 66% em 2010, previsto para 73% em 2011 e 75% em 2012.
    Déficit público em 11,1% em 2009, 9,2% em 2010, previsto para 6,3% em 2011 e 4,4% em 2012. Com taxa de desemprego de +de 20%, é acreditar no Papai Noel!

    • JIL 09/02/2012 21:59

      Ricardo,

      Você fala em ciclo, não vejo bem de que ciclo você está falando.

      Para mim, os dados de dívida pública bruta e déficit público que apresentei e que são da OCDE escondem claramente a dificuldade que uma parte dos paises vai encontrar nos próximos anos para sanar as finanças públicas, e quanto tempo a Europa vai levar de fato para sair dessa crise da dívida e toda essa espiral negativa en que ela se meteu sozinha, o nivel da dívida pública vai estar bem maior do que estava em 2008 (excetuando os caloteiros como Grécia).

      O grande erro quase geral foi a adoção de uma política e fiscal globalmente restritiva: o governo muitas vezes cortava 1 Euro de gasto público (no lugar errado) enquanto desestimulava o consumo numa proporção bem maior, gerando uma diminuição das receitas fiscais igual ou maior que o corte de gastos, daí resultando o aumento do % da dívida e a manutenção do % do déficit público, e gerando ao mesmo tempo um desemprego nas alturas e o consumo deprimido.

      Isso não prepara muito a Europa para uma volta rapida do crescimento, visto a rigidez do mercado europeu. Não se trata de ciclo, mas de erro grave de política macroeconômica, as consequencias serão permanentes, e maiores se perseverarem no erro!

      Uma outra política macro era (e ainda é) possível.

    • Ricardo Gallo 10/02/2012 13:00

      veja serie historica dos dados da grecia no proximo post…

    • Ricardo Gallo 10/02/2012 12:31

      ha sim um ciclo economico…. houve a bonanza de 99a 2007 e a crise de 2007 ate 2011…no começo economia andava bombando e defficit fiscal eram menores, porem ilusoriamente…. agora é o inverso. de fato nao deveriam ter cortado tanto os gastos…porem soh uma pergunta: quem iria financiar este gasto e a que taxa de juro? o brasil com suas reservas internacionais?

    • Ricardo Gallo 09/02/2012 18:06

      bem, soh tome cuidado para nao confundir deficit primario ciclico ( quando economia piora como ocorreu em 2008, 2009 e 2010 deficit piora e vice versa), e deficit estrutural ( ajutsado ao ciclo), ai a piora nao eh tao grande . porem de fato ha problemas fundamentais nas comntas publicas e privadas de alguns paises da regiao… eu nao me preocuparia com alemanha….nem de longe….

  13. 53 carlos rocha 09/02/2012 13:56

    Como sempre; boa análise; O acordo será alcançado; não tem como fugir disso; como vc falou seria um desastre a outra opção…

    • Ricardo Gallo 09/02/2012 16:27

      eh…. entre a cruz e a caldeira…

  14. 52 Ricardo 09/02/2012 2:54

    Boa explicação, agora deu pra entender certinho o drama.

    mas acho que a solução pra grécia é se tornar o 17 estado alemao, mudar o nome pra stadt griechenlands e aprender a cantar deutschland deutschland über alles in der welt…

  15. 51 Rodrigo 09/02/2012 1:44

    Ai eu te pergunto para a Grecia não é melhor eles quebrarem de vez, visto que apesar das grandes consequencias de imediato, ao longo prazo eles se “recuperariam” de uma maneira menos sofrida e mais agil comparado a ficar tentando cumprir metas dolorosas que dificilmente serão cumpridas? E se é melhor para eles quebrarem de vez, pq eles iam ficar tentando planos e mais planos, pq eles não vão mandar todos a pqp e o mundo q se exploda? Além do mais enquanto uns perdem outros ganham e ganham muito…

    • Ricardo Gallo 09/02/2012 2:20

      ps; quem ganhou na grecia foram os funcionarios publicos, pensionistas e politicos corruptos que gastaram a grana do deficit fiscal grego financiado pelos europeus trouxas….ja ganharam e ja gastaram…vide deficit externo acumulado em 10 anos…. deve dar bem mais de 100% do pib…..

    • Ricardo Gallo 09/02/2012 2:16

      ps: porem pacotes turisticos para ilhas gregas ia ficar baratesimo, mas sugiro evitar navio grego ou italiano… iriam viver de tursimo e acabr vendendo suas ilhas pros alemaes, russos e chineses….e brasileiros!!!!

    • Ricardo Gallo 09/02/2012 2:13

      eles ficariam isolados, fora do euro, sem acesso ao credito, sem ter o q vender, nem parceiros para comercializar, iriam ter que reduzir seu padrão de vida, perder a establidade monetaria, com um enorme risco politico , ameaçando a propria democracia, com uma economia sucateada, com desemprego na lua, sistema financeiro destrroçado. teriam que se reinventar, e nao teriam o impulso que argentina teve com a explosao da demanda por commodities gerada pelo fenomeno chines, que tirou os hermanos do buraco…. se nao fosse a soja, trigo e petroleo da argentina, teriamos mais uma bolivia no continente. fora o enorme custo a autoestima de um povo que teria que se resignar em ser de fato um pais do norte da africa e nao mais do sul da europa. gercia iria para liga do morrocos, libia, argelia e egito. um povo cuja unica industria competitiva é o transporte de carga maritima teria problemas em atracar seus barcos no porto de hamburgo, pois poderia ter seus navios arrestados pelos credores alemaes….

      sao bons motivos???

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