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terça-feira, 22 de maio de 2012 ataques especulativos, Bancos, BRICS, Câmbio, Crise global, Crise na Europa, Politica Economica | 12:30

A saída da Grécia: grehman, greuro, grexit, greecification

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Nunca um país tão pequeno ocupou tanto as manchetes econômicas. A Grécia, que representa aproximadamente 2,5% do PIB europeu e menos de 0,5% do PIB global, tem causado um nervosismo enorme nos mercados, e atraído à atenção da mídia global e de economistas famosos.

A crise é tão importante que eu acho que ela possa dar origem a neologismos, tais como grehman, greuro, grexit e grecification.

Vários analistas acreditam que seja inevitável que o país saia da moeda única e adote uma nova moeda. A situação do país é muito grave. O PIB grego, que caiu 6,9% em 2011, deve cair mais de 5% este ano, em função das medidas de austeridade fiscal anunciadas e do enorme aperto de crédito decorrente da corrida aos bancos e da fuga de capitais. Apesar desta enorme contração, o déficit em conta corrente grego ficou em quase 10% em 2011, e em 2012 deve ficar na casa dos 7%. Ou seja, a Grécia precisa importar poupança todo ano para manter sua economia funcionando. O furo orçamentário grego foi de 9% do PIB em 2011 e este ano não deve vir abaixo dos 7%. O déficit primário, ou seja, o excesso de despesas correntes do governo excluindo o pagamento do serviço da dívida é de 1,5% aa, vindo de um déficit de 2,5% do PIB em 2011. Ou seja, eles não conseguem pagar suas despesas correntes básicas com a arrecadação de impostos. Os depósitos nos bancos gregos vêm caindo consistentemente desde 2010, quando chegavam a Euro 240 bi. Hoje tais depósitos  somam pouco mais de Euro 160 bi, e, segundo a imprensa local, os saques se intensificaram nos últimos dias, com centenas de milhões de euros deixando os bancos gregos a procura de bancos mais sólidos na Alemanha. Para agravar a situação, os partidos políticos que apoiaram o plano de austeridade apresentado pela comunidade europeia não conseguiram agrupar uma maioria parlamentar, o que exige a realização de novas eleições, elevando a as chances de partidos mais radicais assumirem o poder com uma agenda de renegociar o acordo de ajuste assinado com as lideranças europeias. Segundo estimativas do Bank of America o caixa do governo grego acaba até meados de julho, pouco após as eleições marcadas para 17 de Junho. Ou seja, dependendo do que acontecer neste processo eleitoral, o governo grego poderá ser forçado decretar moratória geral nos próximos meses, caso ele decida romper com o acordo de ajuste com o FMI e CEE, o que impediria o desembolso de novos recursos dentro do programa de socorro recente.

O FMI já emprestou aproximadamente Euro 21.7 bi para Grécia. O Fundo de estabilização europeu já emprestou Euro 74 bi. O BC europeu tem em sua carteira Euro 55 bi em títulos da dívida pública grega e os países Europeus já emprestaram individualmente Euro 53 bi para Grécia, ou seja, Euro 182bi foram emprestados pelos países da região do Euro à Grécia, de acordo com o banco UBS. O setor privado tem agora em suas mãos cerca de Euro 70 bi em papéis da divida pública grega, que valem hoje pouco menos do que Euro 15 bi, ou seja, o mercado está impondo um desconto de 80% em tais papeis. Só lembrando que tais papéis já sofreram um calote de 50% quando da restruturação de tal dívida, o tal do PSI.

Para agravar a situação o BC Europeu emprestou Euro 104 bi para o BC grego para que este pudesse socorrer os bancos gregos, segundo o Banco UBS. Este é o tal do Target 2. A coisa é simples, porém é chave para se entender o problema. Um grego inteligente, temendo a saída do país da moeda única, saca o seus euros depositados em bancos gregos, e os envia para uma conta aberta em algum banco alemão em Frankfurt. Como a Alemanha e a Grécia estão dentro da região do euro, o fluxo de capitais é livre e qualquer cidadão grego pode abrir uma conta num banco na Alemanha e movimentar sua grana livremente. Este é o conceito básico de um sistema de moeda única. O banco alemão recebe os euros que vieram da Grécia através do sistema de pagamentos do BC europeu e credita a conta  do inteligente grego em Frankfurt. Como o banco alemão não tem o que fazer com estes euros ele os deposita no Bundesbank (BC alemão). O Bundesbank, sendo parte do sistema monetário integrado europeu, deposita tais recursos junto ao ECB.  Ao mesmo tempo, lá embaixo na Grécia, o banco grego não tem esta grana para mandar para o banco alemão.  Com a forte perda de depósitos, os bancos gregos precisam tomar recursos juntos ao BC grego, dando em garantia alguns de seus empréstimos bancários feitos a cidadãos gregos. Logo, para poder transferir os recursos para o banco alemão, o banco grego precisa tomar recursos junto ao BC Grego, que por sua vez toma tais recursos junto ao BC Europeu. Ou seja, o excedente de recursos do BC Alemão é emprestado através do ECB aos bancos gregos, com garantia do governo grego e de empréstimos feitos pelos bancos gregos aos cidadãos e empresas gregas.  O total deste excedente monetário hoje depositado pelos bancos alemães junto ao ECB chega Euro 800 bi, recursos estes que foram emprestados aos bancos da periferia, na Espanha, Itália, Irlanda, Portugal e para Grécia, que consumiu Euro 104 bi nestas transações até agora. Na medida em que mais e mais depositantes sacam recursos depositados nos bancos gregos, este valor emprestado pelo ECB aos bancos gregos tende a aumentar com a fuga de depósitos da Grécia.

Se somarmos os Euros 182 bi de créditos públicos contra o governo grego aos Euro 104 bi que foram emprestados pelo ECB aos bancos gregos teremos um  total de risco dos governos do bloco do Euro com a Grécia é da ordem de Euro 286 bi. É um número elevado, porém não seria suficiente para quebrar o resto da Europa, pois representa pouco mais de 3% do PIB da Zona do Euro. O déficit fiscal da Zona do Euro é da ordem de 4% do PIB, quando comparado aos 8% do déficit público dos EUA. Ou seja, um perdão total da dívida do governo grego com os países da zona do euro produziria um déficit fiscal inicial menor do que o déficit fiscal americano. Mas então por que tanto nervosismo?

Para entender isto vamos assumir por um momento que de fato o novo governo grego decrete a moratória em sua dívida com os governos europeus e abusemos da futurologia para tentar antever os acontecimentos e suas consequências:

  • O governo grego apresenta hoje um déficit fiscal, mesmo se decidir não pagar os juros na sua dívida pública. Com uma moratória é improvável que o governo grego consiga financiar seu déficit primário no mercado. Logo, o governo terá que cortar suas despesas ou pagar suas obrigações com seus fornecedores através da emissão de papagaios, ou seja, de papéis sacados contra o estado grego que serão resgatados pelo estado grego quando este tiver gerado caixa suficiente. Temos um nome aqui no Brasil para isto: precatório. Porém o governo deveria permitir a livre negociação destes títulos no mercado com um desconto vis a vis o seu valor de face. Assim, um título destes no valor de Euro 100 seria negociado por Euros 50 ou menos. Para estimular a aceitação destes títulos no mercado, o governo deveria permitir que tais títulos pudessem ser usados para o pagamento de impostos no futuro, numa certa paridade. Fica criada aí a semente do Greuro ou Nova Dracma.
  • É muito provável que num evento de moratória da dívida grega os bancos gregos tenham seu acesso às linhas de crédito do BC Europeu limitado. Uma moratória grega, com a suspensão dos pagamentos dos juros dos empréstimos tomados junto aos países da Zona do Euro no pacote de salvamento complicaria a situação política do ECB. Por um lado o ECB seria pressionado pelos governos centrais da Europa a reduzir os empréstimos aos bancos gregos, para não aumentar seu risco. Porém o ECB sabe que tal suspensão representaria a expulsão da Grécia da Zona do Euro de fato. Com a redução das linhas do ECB e com o persistente déficit em conta corrente grego a ser financiado, não restaria nenhuma alternativa ao governo grego senão impor controles de capital na Grécia. Seria preciso evitar que o capital em Euros ainda depositados em Bancos gregos saia do país. Seria importante priorizar os pagamentos a serem feitos ao exterior segundo critérios de segurança econômica e social. Seguem alguns mecanismos de controle de capital que nós latino americanos já usamos no passado:

  1. Importações de bens supérfluos ou com substitutos produzidos localmente seriam proibidas;
  2. Pagamentos de juros e dividendos ao exterior seriam suspensos e sujeitos a uma fila, sendo liberados conforme a situação de crédito externo fosse equacionada;
  3. Importações de alimentos e petróleo teriam prioridade sobre o resto. Ou seja, importações de peças e equipamentos para a indústria seriam contingenciadas;
  4. Recursos de gregos depositados no exterior seriam fortemente tributados para forçar sua repatriação;
  5. Seriam criados limites para saques em Euros junto a bancos e caixas automáticos e para transferências ao exterior;
  6. Gregos ficariam proibidos de levar mais do que mil euros em viagens ao exterior;
  7. Cartões de crédito não poderiam ser usados em compras no exterior;
  8. Cidadãos gregos não poderiam ter mais que Euro 10 mil em espécie em seu poder, sendo exigido o depósito do excedente em bancos locais;
  9. Exportadores seriam obrigados a depositar junto a bancos gregos o produto de suas exportações quando do seu efetivo recebimento do exterior
  10. E por aí vai… Já estou até vendo a quantidade de medidas administrativas emitidas pelos burocratas gregos, que irão finalmente ter o que fazer… e não seria nada fácil convencer o povo grego a abrir mão destas coisas…
  • Obviamente que tais medidas não resolveriam o enorme aperto de crédito existente na Grécia. Com a fuga dos depósitos, o sistema financeiro grego não tem caixa para emprestar. Com a forte recessão, os tomadores de empréstimos junto aos bancos gregos ficariam inadimplentes. Isto somado ao calote na dívida pública grega levaria os bancos gregos à total descapitalização. Sem os recursos do fundo de salvamento europeu, tais bancos estariam literalmente quebrados. Logo, a oferta de crédito interno seria dramaticamente reduzida o que levaria o país a uma depressão enorme. O FMI acredita que neste cenário, o PIB grego cairia 10%.
  • Nesta situação não restaria saída ao governo grego senão adotar um sistema de duas moedas, de tal forma a fazer uma transição de forma mais suave em direção à saída total do Euro. A maneira mais simples de se fazer isto é adotar algo similar ao que foi feito no plano Collor, quando os recursos na antiga moeda ficaram bloqueados nos bancos. No caso grego, a situação seria inversa: o governo decretaria que a partir de uma data os empréstimos, depósitos, obrigações e haveres que estavam denominados em euros seriam agora denominados em Greuros, na paridade 1 para 1, assim como todas as obrigações do estado grego. Aqui está um aspecto fundamental para o entendimento do problema. O calote soberano em si não é uma razão para o abandono do Euro. O calote, ao descapitalizar o sistema bancário, gera uma fuga de depósitos do sistema, sistema que só sobreviveria dentro da zona do euro se o ECB continuasse a financiar os bancos gregos após tal calote. Logo, a decisão de excluir de fato a Grécia do sistema de moeda única está nas mãos do ECB. Se este quiser que a Grécia permaneça na Zona do Euro ele deve continuar a financiar os bancos gregos e os governos centrais da Europa precisariam criar condições para que isto ocorra. Por exemplo, o fundo de salvamento europeu deveria prosseguir com o programa de capitalização dos bancos gregos para torna-los solventes e os depósitos dos gregos junto a tais bancos deveriam ser garantidos por algum fundo garantidor de depósitos avalizado pelos países centrais. Com isto a fuga de capitais do sistema bancário grego seria estancada e tais bancos poderiam voltar a emprestar e a expandir a oferta de crédito, extremamente necessária neste momento. Sem isto, só restaria aos gregos abandonarem a moeda única, ou seja, o Grexit.
  • Tudo isto demandaria um governo forte e disposto a tirar a Grécia da moeda única. São medidas duras e muito impopulares. Lembro que ¾ dos gregos querem continuar na zona do Euro, porém não aceitam o programa de ajuste atual. Um governo fraco poderia adiar as decisões e as medidas necessárias para que tal transição ocorresse da maneira menos custosa possível. Isto levaria o país a um caos econômico sem precedentes, com a quebra generalizada de bancos e empresas, resultando num calote indiscriminado na economia, com consequências políticas imprevisíveis. Confiscos, arruaças, revoluções nascem em situações como esta. Tal crise levaria a golpes de Estado e a ascensão de governos radicais e nacionalistas.
  • As dívidas privadas junto a credores internacionais deveriam entrar neste processo de conversão para Greuros, pois caso contrário, as empresas e entidades gregas que assumiram tais obrigações quebrariam por não serem capazes de rolar suas dívidas ou gerar os euros para quitar seus débitos. Estima-se que haja mais de Euro 100 bi em tais dívidas. Tais dívidas seriam centralizadas no governo central, isto é, assumidas pelo governo central após seu vencimento. Na data de vencimento destas obrigações os devedores quitariam suas obrigações com o governo, em Greuros, na paridade 1 para 1. O governo assumiria a partir deste momento a obrigação de renegociar tais dívidas junto aos credores internacionais. Teríamos assim uma situação em que todo endividamento externo grego seria renegociado junto aos credores externos, ou seja, os bancos internacionais, os detentores de títulos públicos gregos, o BC europeu, o FMI e os governos da zona do Euro.
  • Com tal medida, o BC Grego poderia emprestar recursos em Greuros aos Bancos Gregos, recapitalizando-os em Greuros, emitindo assim novos títulos públicos agora em Greuros para rolar sua dívida pública. Desta forma, a liquidez voltaria ao sistema bancário e a moeda nacional da Grécia deixaria de ser o Euro e passaria a ser o Greuro. Os únicos Euros em circulação seriam aqueles que estariam ainda nos bolsos dos gregos. Criar-se-ia um mercado de câmbio livre onde tais euros poderiam ser convertidos para Greuros, numa taxa mais desvalorizada de câmbio. Estima-se que o Greuro seria desvalorizado mais de 50% neste cenário. Os salários e preços seriam todos fixados em Greuros, o que geraria um choque de preços muito importante num primeiro momento, elevando a inflação em Greuros para mais de 30% AA. A integração comercial com o resto da Europa abriu a economia grega e inúmeros produtos lá consumidos são importados. Logo, o custo de vários produtos subiria muito. Por exemplo, a energia importada pela Grécia representa 2,5% do seu PIB. A manutenção de uma taxa de juros em Greuros baixa associada à inflação de custos elevaria a demanda por bens que poderia reaquecer a economia. Os fluxos comerciais com o exterior seriam gradualmente liberados, e as exportações e importações gregas seriam liquidadas na nova paridade cambial. Isto elevaria bastante o preço em Greuros dos produtos comercializáveis com o exterior, como algumas commodities agrícolas, petróleo e outros insumos importados.
  • A recessão e o forte desemprego impediriam que a inflação de bens não comercializáveis com o exterior se elevasse demais, o que causaria uma forte queda dos salários e pensões em termos reais. O poder aquisitivo cairia bastante e a demanda interna cairia mais ainda. Por outro lado, o câmbio mais competitivo tornaria as importações proibitivas e aumentaria a competitividade das exportações.  Isto deveria reduzir o déficit em conta corrente para zero em alguns anos.
  • A dívida interna do estado do grego perderia seu valor real devido à inflação elevada e os juros baixos, o que levaria a Grécia a um superávit fiscal em algum tempo. Contudo, a recessão e o desemprego permitiriam que a dívida interna Grega fosse monetizada, ou seja, o BC Grego poderia comprar os papéis emitidos pelo estado grego para financiar seu déficit residual, emitindo mais Greuros sem se preocupar com a inflação num primeiro momento. Este processo tem limites, pois o financiamento monetário de déficit fiscal numa economia de moeda fraca pode lavar a hiperinflação.

Tudo isto é futurologia, porém seja qual for o caminho encontrado os custos são elevadíssimos:

  1. Se ECB e governos centrais continuarem a financiar a Grécia haverá na prática uma mutualização da dívida Grega, privada e pública, pelos estados da Zona do Euro, o que seria politicamente catastrófico para os governos da Alemanha, Holanda, Áustria e França. Isto abriria um precedente aos outros países em programa de ajuste fiscal, como Itália, Espanha, Portugal e Irlanda, que ao verem que é possível continuar a receber apoio financeiro das economias centrais mesmo não cumprindo as metas do programa de ajuste fiscal, podem decidir seguir o mesmo caminho. Isto levaria a uma queda da qualidade fiscal em toda Europa e poderia detonar um crash do Euro e uma fuga de capitais em massa de toda Europa e trazendo problemas sérios para a estabilidade politica e econômica do bloco. A crise poderia assim chegar à Alemanha. Teríamos a Greecification da Europa.
  2. Se ECB parar de financiar os bancos gregos, e isto levar ao Grexit, investidores e depositantes em bancos de países periféricos perceberiam que é possível a saída de um país da zona do Euro e afuga de depósitos se alastraria para Irlanda, Espanha, Portugal e até mesmo Itália. Para se ter uma ideia do tamanho do problema, veja o volume de depósitos bancários nos diversos países da Europa:

Portugal: 350 bi

Irlanda: 525 bi

Espanha: 2392 bi

Itália: 2270

Ou seja, é mais de Euro 5,5 tri em depósitos. Uma fuga de 10% destes depósitos forçaria ECB aumentar em aumentar em 70% seus empréstimos para bancos destas regiões. Seria isto viável politicamente

Sempre há a possibilidade de uma vitória dos partidos gregos que apoiam o cumprimento do programa de ajuste acordado com os países centrais, o que garantiria o fluxo de financiamento e evitaria o colapso imediato da economia grega. Tal programa iria sofrer ajustes periódicos invariavelmente, pois ficou claro o desenho atual passou do tolerável politicamente na Grécia. Neste sentido as eleições recentes foram úteis para mostrar aos Alemães que o receituário seguido até agora é inadequado e precisa ser revisto. É preciso dar mais tempo para as economias periféricas efetuarem seus ajustes e é inevitável que parte da dívida pública destes países, assim como o risco de seus sistemas bancários, seja mutualizado, ou seja, bancado pelo resto da Europa de forma mútua.

Logo, é impossível ser muito otimista quanto à solução dos problemas na Europa. O tempo necessário para se ajustar os desequilíbrios fiscais e de endividamento dos países periféricos é muito superior ao tempo político destes países, na medida em que os governos que têm apoiado tais medidas de arroxo perdem eleições, enquanto que a capacidade política dos governos centrais de concederem mais tempo e mais dinheiro a tais economias também se exaure.

Lembro-me dos momentos que antecederam a quebra da Lehman. O banco que perdia depósitos e não conseguia mais se financiar no mercado foi empurrado para o abismo pela mesma paralização do processo político. Tal quebra levou a uma crise sem precedentes no mercado de crédito internacional, com bancos fortes sendo atacados, que forçou uma ação agressiva do FED e do Tesouro americano em conjunto com outros BCs do mundo todo. Contudo a munição dos governos do mundo todo se esgotou com a crise de 2009. Logo, uma crise na Europa destas proporções poderia ser fatal para a pífia recuperação da economia americana e desta vez pegaria os BRICs sem forças para reagir.

A pergunta que não quer calar é: numa região de moeda unificada, porém de governança decentralizada, esperar audácia política é um exercício de otimismo. A blindagem necessária, que passaria por um programa de capitalização compulsória dos bancos europeus e a garantia de todos os seus depósitos de forma mútua por todos os estados da região do Euro está longe de acontecer. Está chegando a hora de a Europa decidir o que quer de seu futuro.

O problema europeu, que era um problema de finanças públicas, se tornou um problema bancário. Ou os governos europeus entendem a natureza do problema e tomam rapidamente as medidas necessárias, ou teremos um evento que será conhecido como a Grehman da Europa.

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19 comentários | Comentar

  1. 69 Wilson 23/05/2012 13:44

    Sair da zona do euro será duro pra Grécia,(uma geração ou talvez duas com seus futuros completamente comprometidos) mas é o inevitável. Como disse o sr. José Mindlin:
    – É preferível um fim com horror, que um horror sem fim.

    • Wilson 24/05/2012 11:46

      Mas, veja: a lição de casa eles terão que fazer com ou sem o euro e parece que será mais fácil com o poder de decidir as suas próprias políticas econômicas.
      Se pudessem tomar suas próprias atitudes provavelmente não estariam pior que estão.
      Estar ligado a Alemanha não parece que foi bom para eles, (não importa se a culpa foi deles) ou se foi não será mais, por um bom tempo.

    • Ricardo Gallo 24/05/2012 12:36

      de fato nao foi….eu diria que nao estah sendo bom pra o thor ( filho do eike) ficar ligado eike por razoes similares…porem a uniao europeia eh uma familia….assim como os batistas… logo nao da agora pro eike mandar o thor pra fora de casa….

    • Ricardo Gallo 23/05/2012 20:17

      é… ou nao é???

      eh melhor se resignar e aceitar a propria mediocridade ou ter uma geracao sofrendo para garantir um futuro melhor para as proximas geracoes…

      pensa, se voce tivesse 5 anos, e fosse filho de gregos: preferia seu pai votando para grecia sair ou ficar no euro mesmo com todos os sacrificios?????? eh melhor sair do euro e se integrar ao norte da africa ou ficar ligado a alemanha?????

  2. 68 JIL 23/05/2012 12:46

    Ricardo,

    Um dos seus melhores posts até agora, senão o melhor!

    Só com uma coisa eu não concordei: a nova moeda grega deveria de chamar “Drama”, para lembrar o Dracma, e não “Greuro”. Teria a vantagem de colar a realidade que a Grécia está vivendo e vai viver por um bom tempo, e não ser foneticamente tão difícil quanto “Greuro”!…

    Vamos aguardar o desfecho! Não sei não… Só torço para a zona do Euro não virar uma zona de Greuros!

    • Ricardo Gallo 23/05/2012 13:35

      eu usei Greuro soh para manter consistencia…

  3. 67 Fabio Nelli 23/05/2012 11:49

    Ricardo : Voce estaa coberto de razões e sua frase copiada abaixo, explica claramente o futuro da Zona do Euro.

    O problema europeu, que era um problema de finanças públicas, se tornou um problema bancário. Ou os governos europeus entendem a natureza do problema e tomam rapidamente as medidas necessárias, ou teremos um evento que será conhecido como a Grehman da Europa.

    Mas acrescento que o grande responsavel por não resolver essa crise , e Alemanha, que se julga livre do problema. Com a zona do Euro caminha para o atoleiro, e o pior que vai espirrar lama em todo mundo, ate no Brasil.

    • Ricardo Gallo 23/05/2012 11:52

      sem duvida. os alemaes acham que estao imunes… acho que eles estao achando errado….

  4. 66 Hamilton 23/05/2012 2:11

    1-Ricardo, é triste ver o país onde nasceu a democracia procurar no voto, que é um dos maiores símbolos democráticos, a saída para seus problemas via partidos de extrema direita ou esquerda.

    2-Você acredita que Hollande teve algum êxito até agora na sua cruzada pelo crescimento em detrimento à austeridade fiscal? Será que ele conseguirá fazer algo diferente do que Sarkozy fazia?

    • Ricardo Gallo 23/05/2012 9:30

      holande: uma andorinha nao faz verao.

  5. 65 João 22/05/2012 22:22

    Hummmm…que salada.

    Mas sou otimista. Acho que com isso tudo teremos apenas uma década
    perdida mundial.

    (Inflação, desemprego alto, recessões aqui e ali, etc).

    (Vivi muito tempo num Brasil assim, então não é tão sério como parece).

  6. 64 cezar araujo 22/05/2012 19:39

    Mandem alguns economistas brasileiros para lá, principalmente aqueles, dos tempos das vacas magras, que trabalharam por aqui. Em matéria de crise, estamos escaldados.

    • Ricardo Gallo 23/05/2012 9:29

      verdade!temos tecnologia em lidar com coisas assim!

  7. 63 Gil 22/05/2012 19:06

    Se eu fosse o chefão lá da europa,desmantelava o euro.Antes acabar com isso agora,do que gastar centenas de bilhões de Euros em uma coisa que mais cedo o mais tarde vai ruir.Acabando com o euro agora os países pelo menos economizam!

    • Ricardo Gallo 23/05/2012 9:29

      alemanha e seus bancos quebrariam. alemanha eh o grande credor… imagina a perda prra eles….

  8. 62 CH 22/05/2012 18:50

    A questão é antiga, mas não se dá a devida atenção porque acarreta custos para a geração de hoje. O foco continua em empurrar com a barriga a situação atual para manter o crescimento a qualquer custo no modelo econômico global vigente. Você já comentou esse assunto há algum tempo. Em vez de crescer com qualidade, a ganância quer lucrar (quantidade) a qualquer custo no curto e médio prazo. Estamos vendo isto desde 2001. Onde estão as reformas globais prometidas? Antes eram tomadas dentro de cada país e hoje são discutidas no âmbito mundial e se resolve quase nada (tanto na economia como em assuntos ambientais). Há de se ter coragem para rever os parâmetros. O Brasil do passado é o mundo atual – crise atrás de crise. Não há milagre para a Grécia, nem para o mundo. Vamos botar os pés na Terra e corrigir o rumo.

  9. 61 Hans Reinosberg 22/05/2012 18:29

    O pior está por acontecer, provavelmente, na Europa……um grande devedor europeu poderá ter suas dividas totalmente compradas por um país asiático………
    Assim a Europa deverá ter uma desintegração parcial, entretanto com uma invasão asiatica…podendo acontecer assim um ‘novo tipo de guerra do seculo XXI’.
    A crise deverá ter uma força jamais vista e o valor do barril de petróleo poderá cair em 50%.
    O Brasil com uma divida de trilhões de reais…….vencerá esta nova guerra econômica globalizada?…. ou vamos quebrar?
    A primeira e segunda guerras mundiais tiveram uma história de crise…….. no passado.
    Previsão para até o ano 2015……

  10. 60 Ernesto da Silva 22/05/2012 18:21

    Quem gasta mais do que ganha fica nessa situação.O Brasil está no mesmo rumo, é bolsa família, País sem Miséria, País Carinhoso, Governo Federal.Governos Estaduais e Municipais não fogem a regra.É só assistir a TV Senado ou TV Câmara que um quer ser mais bonzinho que o outro, só fazendo projetos beneficentes.Em São Paulo começou com isenção de IPTU para uns 100 mil casas, a cada prefeito que ia entrando foi aumentando,hoje gira em torno de 1.500.000 ou mais.E quem paga a conta? Agora infraestrutura e empreendedorismo ou boa educação para que o povo produza anda em marcha lenta.

  11. 59 Rubenval Castro Menezes 22/05/2012 15:58

    Quando ainda criança, lembro´me que na década de 1960, a minha avó emprestava os poucos recursos que tinha, a 5% ao mês. Os juros altos é uma cultura no País e o padrão de vida dos menos favorecidos só melhoraram de uns tempos para cá. A geração grega não sabe o são dificuldades e diminuir o padrão de vida não é nada fácil. Bem, deitaram e rolaram; agora terão que pagar a conta.

    • Ricardo Gallo 22/05/2012 17:24

      é…. cest la vie… o duro eh que vai sobrar pra todo mundo por causa da burrice dos bancos europeus!

  12. 58 Pericles de Carvalho 22/05/2012 15:54

    Gallo, o quanto nossa economia interna seria capaz de amenizar o impacto externo ? Até quando , em sua opinião ?

    • Ricardo Gallo 22/05/2012 15:55

      se de fato a grecia sair do euro, vamos depender do que os chineses fizerem… se china nao coseguir decolar, ai nossa economia sente muito. pib zero nos proximos trimestres seria um lucro…

  13. 57 ADRIANO M. GRANJA 22/05/2012 15:26

    Os “mui amigos” da Grecia impuseram essa politica de austeridade que só aprofunda a sua crise. Impuseram cortes em gastos essenciais mas que mantivesse os gastos com a OTAN. Impuseram ao pais que cortasse as importações de petróleo do Irã, seu principal fornecedor. Quem vai quebrar o Irã ou a Grécia? Ou a Grecia procura melhores amigos ou danou-se.

    • Ricardo Gallo 22/05/2012 15:51

      onde ela encontraia melhores amigos do que aqueles que emprestaram a ela durante 10 anos dinheiro de graça para ela torrar em montante superior ao seu PIB?

      vizinhos que permitiram que ela gerasse deficits externos de mais de 5% do pib ano apos ano, vivendo acima de suas posses???

      infelizmente os gregos nao souberam aproveitar os vizinhos que tinha…. e agora chegou a hora da dolorosa: “garçon, a conta por favor!

  14. 56 Mauricio 22/05/2012 15:23

    Solução forçada passa pelo terror que a Alemanha passou no fim da primeira guerra e todos nós sabemos quais foram as consequências.

    A impressão que fica é a mesma que comentei com a crise de 2009. Tem mais dinheiro escriturado do que valor real em circulação no mundo (divida em papel).

    • Mauricio 22/05/2012 18:03

      Pois é. Não precisava explicar, porém esta chegando a hora do buuuuummmm!

    • Ricardo Gallo 22/05/2012 15:53

      sim. ha. chama-se alavancagem….

      funciona assim: voce empresta $ para alguem que nao tem dinheiro, para que ele possa comprar o que voce produz…. ele dcompra e agradece. e voce vira credor dele…. repete operaçao no mes seguinte… e ai vai. … e vai pedalando ate que um dia este alguem bbbbbbbbbbbbbbbbbbuuuuuuuuuuuuuuum!

  15. 55 Claudio Rossetto 22/05/2012 14:40

    A Europa vai toda para o buraco, mas eu queria que a Espanha fosse primeiro paisinho sem vergonha.

    • Mauricio 22/05/2012 15:24

      Galo, esas reservas sumiriam em menos de um dia.

    • Ricardo Gallo 22/05/2012 14:57

      meu amigo, se voce estiver certo eu sugiro que voce comece se preparar para uma cise de proporcoes seculares…. europa quebrando, com eua fraco…. meu amigo, os 300 bi de reserva evaporam em semanas…

  16. 54 Carlos Gará 22/05/2012 14:39

    Ricardo Gallo, muito legal seus exercícios do que possa vir a acontecer, quanto a Economia da Europa, diga-se a provável e certa saída da Grécia da zona do Euro. Mas conforme tenho lido, um dos fatores determinantes que além da boa vida e do descontrole ecônomico dos gregos em geral (nestes últimos anos), também contamos com um grande aliado devorador das economias que não percebem a sua avidez em abocanhar recursos a qqer. custo “China”, e que nos preocupa também, é que o Brasil, caso não “se ligue” nesse dragão, vai passar por um péssimo momento, e o que nos salva dessa inglória trajetória é que aqui o povo tupiniquim, já convive com um terrível padrão de vida, onde os impostos são escorchantes e um pouco mais ou menos não fará diferença….mas temos que ter a atenção dos nossos governantes, certo?. Parabéns e obrigado por suas explicações.

    • Ricardo Gallo 22/05/2012 14:42

      eh provavel a saida da grecia, porem nao acho certa… e acho que, se acotecer, vai doer no calo portugues e irlandes… bastante.

  17. 53 Ivo 22/05/2012 14:03

    Sr. Ricardo:
    França e Alemanha ficariam expostas em um colapso Greco, ou teriam um sistema bancário suficientemente sólido para suportar e apoiar uma possível retomada na região?
    Qual a situação da Inglaterra neste contexto, que mesmo não utilizando o Euro é o principal centro financeiro da Europa?

    obrigado

    • Ricardo Gallo 22/05/2012 14:06

      a. sao pocuo expostas, porem se coisa se espalhar pra italia e espanha, ai coisa pega e feio.
      b. por ser centro financeiro pode sofrer respingos se crise bancaria se alastrar para bancos franceses, por exemplo. suecia, noruega tbem seriam vitimas.

  18. 52 Angelo 22/05/2012 13:56

    Quero que a Europa se exploda!

    • Ricardo Gallo 22/05/2012 13:58

      eu nao. pois se ela explodir, meu caro, a crise de 2009 vai ser fichinha….

  19. 51 Ivo 22/05/2012 13:35

    Sem dúvida o problema econômico da Europa passa por questões políticas que parecem até mais difíceis de solucionar.

    Parabéns pelo excelente artigo.

    • Ricardo Gallo 22/05/2012 13:53

      gracias. porem a cada dia que passa ficamos mais longe de uma soluçao negociada e estamos nos aproximando de uma solucao forçada…

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