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quarta-feira, 8 de maio de 2013 Inflação, Livros e publicações, Politica Economica | 12:40

Desemprego e política monetária

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Vejam alguns comentários de um economista importante comentante sobre a inflação, desemprego e política monetária:
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Na verdade, não há nada mais fácil que criar emprego adicional por algum tempo: basta aliciar trabalhadores para algumas atividades que, através de dispêndio de dinheiro novo, criado especialmente para este fim, passaram a ser temporariamente atraentes. De fato, nos últimos [vinte e cinco] anos, temos de maneira deliberada e sistemática recorrido à rápida criação de empregos exatamente através da expansão da oferta monetária. Esta expansão, que tem aumentado regularmente nos últimos [200 anos], em decorrência de um defeito no sistema creditício, torna-se, assim, a causa de depressões recorrentes. Não nos deveríamos surpreender com esse resultado, sobretudo quando vimos sucessivamente removendo todas as barreiras que, no passado, foram levantadas como uma defesa contra a constante pressão popular a favor do “dinheiro barato”. Repetiu-se o que ocorreu no início do período das finanças modernas: fomos novamente seduzidos por alguém com poder de persuasão suficiente para nos levar à tentativa de um novo encilhamento inflacionário. E a bolha da inflação agora explodiu. Descobriremos rapidamente que muito do “crescimento” artificialmente induzido representou um desperdício de recursos e que a dura verdade é que o mundo ocidental está levando uma vida além de suas posses. “

“Restam-nos apenas três opções:

1. Permitir que continue o acelerado processo inflacionário até que ele leve à completa desorganização de toda a atividade econômica.

2. Controlar salários e preços, o que encobriria os efeitos de um a inflação continuada, mas, por outro lado, nos levaria, inevitavelmente, a um sistema econômico totalitário, dirigido centralmente.

3. Frear com firmeza o aumento da quantidade de dinheiro, medida esta que, fazendo surgir um desemprego substancial, traria à tona todos os problemas decorrentes de um direcionamento errôneo da alocação da mão de obra, problemas estes que, causados pela inflação dos anos anteriores, se tornariam, no entanto, ainda mais graves no caso de se optar por qualquer uma das duas alternativas.”

“O fato de a teoria keynesiana ter dado aos políticos oportunidades tentadoras foi provavelmente ainda mais importante do que o seu aspecto, então muito em voga, de método científico, aspecto este que a fez parecer tão atraente para os economistas profissionais. Esta teoria representava para os políticos não apenas um método barato e rápido de eliminar uma importante fonte de sofrimento humano, mas também um meio de se libertarem das duras restrições que os cerceavam quando objetivavam alcançar popularidade. De repente, medidas como gastar dinheiro e gerar déficits orçamentários passaram a ter uma conotação extremamente positiva. Argumentava-se, com profunda convicção, que a expansão dos gastos públicos era totalmente meritória, uma vez, que propiciava a utilização de recursos até então ociosos, o que, além de nada custar à comunidade, trazia-lhe um ganho líquido.”

A manutenção do valor do dinheiro e a decisão de evitar a inflação estão sempre exigindo que os políticos tomem medidas extremamente impopulares. Mostrar que o governo é compelido a tomar tais medidas é a única forma que os políticos encontram para justificá-las perante as pessoas que são negativamente afetadas por elas. Quando se tem a preservação do valor externo da moeda nacional como uma necessidade indiscutível – assim como são consideradas taxas fixas de câmbio –, os políticos podem resistir às constantes pressões em favor de créditos mais baratos, de maiores gastos em “obras públicas”, contra taxas de juros mais elevadas etc..”.

“Há dois motivos para que não possamos conviver com a inflação. O primeiro reside no fato de que tal inflação, para atingir a meta desejada, teria que acelerar-se constantemente; ora, uma inflação em aceleração constante mais cedo ou mais tarde há de atingir um grau que tornará impossível qualquer ordem efetiva de uma economia de mercado. O segundo – e o mais importante – está na certeza de que, a longo prazo, essa inflação criará, inevitavelmente, um volume de desemprego muito maior do que aquele que pretendeu evitar. O argumento, frequentemente apresentado, de que a inflação simplesmente gera uma redistribuição do produto social, enquanto o desemprego reduz este produto, representando, portanto, um mal maior, é falso porque é a inflação que, na verdade, se torna causa de aumento do desemprego.”

“Assim que o governo assume a responsabilidade pela manutenção do pleno emprego, respeitando quaisquer salários que os sindicatos tenham conseguido obter, não há mais porque levar em conta o desemprego, possivelmente causado pelas próprias reivindicações salariais sindicalistas. Neste tipo de situação, qualquer aumento de salário que exceda o aumento da produtividade tornará necessária, para que não redunde em desemprego, uma elevação na demanda total. A inflação acaba aumentando o desemprego assim, o aumento da quantidade de dinheiro que se fez necessário em função da alta dos salários torna-se um processo contínuo, que provoca constantes injeções de quantidades adicionais de dinheiro.”

“Antes de tratar de qual deverá ser, futuramente, a política a ser adotada, é meu intuito colocar-me firmemente contra a interpretação distorcida que se faz a respeito do meu ponto de vista. Não que eu recomende o desemprego como meio de combate à inflação: meu aconselhamento parte do princípio de que só temos, no momento, duas alternativas – ou algum desemprego em um futuro próximo ou um desemprego muito maior em um futuro mais distante. São atitudes do tipo après moi, le dèluge – tomadas por políticos que, preocupados com as próximas eleições, bem podem optar por maior desemprego mais tarde – que inspiram muito medo.”

“De um modo geral, não deixa de ser verdadeira a afirmativa de que seria possível chegar bem perto de uma situação temporária de “pleno emprego” se o fato de se suprir o emprego através de obras públicas (situação da qual os trabalhadores desejarão sair, tão logo consigam outras ocupações mais bem remuneradas) viesse a impedir a queda substancial da demanda por parte dos consumidores. Estimular investimentos e gastos similares de forma direta, porém, apenas pode conduzir trabalhadores para empregos que – por mais que estes trabalhadores esperem e desejem que sejam permanentes – desaparecerão tão logo cessem estes investimentos e gastos. Devemos, sem dúvida, esperar que a recuperação decorra de uma revitalização do investimento. No entanto, só podemos desejar o investimento que se prove rentável e que possa ter continuidade quando uma nova situação de estabilidade satisfatória e de alto nível de emprego for atingida. Não se deve esperar que se chegue a essa situação através de subsídios ao investimento ou de taxas de juros artificialmente baixas. E muito menos ainda se pode esperar que o tipo desejável, ou seja, estável, de investimento se materialize através de estímulo à demanda do consumidor. Faz parte da mesma difundida falácia – que sempre agrada ao homem de negócios – a crença no sentido de que é preciso que a demanda do consumidor cresça para que o novo investimento seja rentável. Isto é verdade apenas nos casos em que o investimento é destinado a aumentar a produção através do uso das mesmas técnicas até então empregadas. Deixa de sê-lo quando se trata do tipo de investimento que pode aumentar a produtividade “per capita” através do emprego de capital em mais equipamentos que serão utilizados pelos trabalhadores. Este maior emprego de capital não é estimulado quando os produtos são de alto custo: na verdade, somente com os bens de consumo de custos relativamente baixos – que o tornam necessário para economizar nos gastos com pessoal – ele se mostra interessante. ”

Se você está achando que se trata de algum economista brasileiro comentando a situação atual no Brasil em entrevista ao jornal Valor Econômico, você está errado!!!

Trata-se do grande economista da escola austríaca, Friedrich Hayek, ganhador do premio Nobel,  que publicou isto em  março de 1979.

Agora vejam o comportamento da inflação nos EUA na época:

Ela subiu assustadoramente ( em amarelo), saindo de 4,5% em 1977 e atingindo 10% em 79 ( vermelho), para depois desabar até 1983 ( cinza),  após atingir um pico de 14% em 1980 ( laranja).

Veja agora o que aconteceu o desemprego nos EUA no mesmo período:

Temos a forte queda (verde) a que se refere Hayek, quando o desemprego caiu de 9% em 75 para menos de 6% em 79 ( amarelo), para então disparar e bater 11% em 1983 ( seta vermelha) e depois voltar para 7,2% em 1985, agora com a inflação andando na casa dos 4% aa.

Para quem tiver curiosidade, sugiro a leitura do texto na íntegra:

http://www.mises.org.br/files/literature/Desemprego%20e%20pol%C3%ADtica%20monet%C3%A1ria.pdf


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9 comentários | Comentar

  1. 59 Mauro 14/05/2013 16:50

    No Capitalismo à Brasileira (em especial na sua variação petista), alguns termos são considerados palavrões. Lucro do setor privado, por exemplo. Neoliberalismo, Competição e Produtividade são outros.

    Não dá para competir dentro do Capitalismo com uma mentalidade tão anticapitalista como a que temos no Brasil.

    Os EUA estão fazendo uma revolução energética com o gás de Xisto enquanto nós quase quebramos a Petrobras para investir no Pre-sal. Opa, peraí, nós temos a 10a maior reserva de Xisto do mundo! Então por que demoramos tanto a explorá-la? Porque para isso teríamos de ter pelo menos uma de duas coisas no Brasil: parceria com o setor privado e/ou parceria com os EUA. Infelizmente, são outros dois palavrões no capitalismo à petista.

    Quando commoditiy era o nome do jogo, nós nadamos de braçada. Agora que mudou para produtividade, não temos alternativa, ficamos prá trás.

  2. 58 Bruno Aguiar 10/05/2013 20:46

    Eu já era seu fã antes, agora depois de vê-lo citando Hayek e a Escola Austríaca, sou mais ainda!

    Abraços,

  3. 57 Helton 09/05/2013 12:13

    Sem dúvida, a única teoria que consegue explicar nos seus pormenores os ciclos econômicos é a teoria da escola austríaca. O resto é falácia!

  4. 56 Michel 08/05/2013 22:46

    Hayek e von Mises são ótimos. É realmente uma pena que sofram nas mãos de fãs toscos (tipo Ayn Rand) e com interpretações exageradas.

    Mas também admiro muito Keynes – que também sofre com fãs toscos e interpretações exageradas.

  5. 55 Gilberto 08/05/2013 18:39

    Melhor escola econômica de todas e o Sr. Hayek é o segundo melhor representante da Escola Austríaca depois de Mises.

  6. 54 Magos 08/05/2013 17:45

    Muito bom, apesar que, o meu “austríaco” favorito é Schumpeter e sua argumentação sobre ciclos econômico com inovação. Não que ache que não somos um país inovador, longe disso. A “presidenta” outro dia mesmo disse que: ” a “Caxirola” é muito + inovador que a “Vuvuzela”. Fazer o que, cada um tem o Jobs que merece!
    Mas aproveitando seu “background”, daria para fazer um “post” sobre as operações compromissadas do BC do B? Acho que tem passado muito despercebido o assunto, não?

    Abs

    • Ricardo Gallo 08/05/2013 19:03

      sim. boa ideia….

  7. 53 Denivaldo Lopes Cruz 08/05/2013 15:58

    Será que o governo não está debatendo a ideia de “importação” de mão de obra como um mecanismo de combate à inflação de serviços no Brasil?

    • Ricardo Gallo 08/05/2013 16:35

      ps: um pais como o nosso improtar mao de obra é ridiculo…que tal aumentar a produtividade da nossa mao de obra que temos hoje e com isto aumentara renda real das familias e melhorar o padrao de vida de nosso povo??? importar a miseria alheia nao vai nos ajudar em nada…..

    • Ricardo Gallo 08/05/2013 16:30

      hahaha….. senhores, temos 100 milhoes de pessoas no mercado de trabalho… e hoje precisamos gerar mao de obra para mais de 100 mil postos de trabalho por mes ( ver meu post a respeito do emprego) …..

      da onde iremos importar isto??

      hoje temos uns 1.7 milhoes de estrangeiros vivendo aqui… se subirmos este numero em 20% aa ( algo enorme) vamos ter 340 mil novos imigrantes por ano… assumindo que 50% disto trabalha, teriamos uns 170mil / ano ou seja, menos que 1/8 de nossa necessidade…

      para voce ter uma ideia em 2011 foram concedidos cerca de 70 mil vistos para trabalho temporario…. precisariamos triplicar o numero para chegar a meu cenário, que nao resolve o problema……

      voce acha realista????

      http://ponto.outraspalavras.net/2012/02/02/pinheirinho-historia-de-naji-nahas-suas-vitimas/

  8. 52 Ricardo C 08/05/2013 14:30

    haha, é muito bom ver a economia austríaca, a mais simples e fácil de ser explicada, testada e compreendida, ganhando espaço nos debates economicos depois de toda a falácia keynesiana ser demolida dia após dia no mundo real.

  9. 51 Marcos 08/05/2013 13:13

    Texto muito bom.

    Seria uma ironia do destino o Partido dos Trabalhadores promovem um alto desemprego. Mas eles estão se esforçando.

    • Ricardo Gallo 08/05/2013 14:23

      ao adiar o inevitável voce só piora o resultado…..

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