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quarta-feira, 18 de setembro de 2013 CHINA, Crise Brasileira, Politica Economica | 23:44

Atividade econômica e confiança: para onde estamos indo?

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Uma das perguntas mais frequentes que ouço: mas para onde vai a atividade econômica? Estamos voltando a crescer?

Bom, quem lê esta coluna já sabe que eu adoro um gráfico, pois uma fotografia torna a conversa bem mais objetiva:

ibcbrsa

 

 

Estes gráficos acima mostram a evolução das taxas de crescimento anual do Índice de atividade econômica calculado pelo BC do B, já ajustado sazonalmente.

O gráfico azul mostra a evolução desde 2004 da sua taxa de crescimento anualizada, quando comparamos a atividade do mês com o mesmo mês do ano anterior.

O gráfico verde tenta tirar os ruídos de curto prazo de tal índice, e mostra a evolução da taxa de crescimento anual dos últimos 3 meses comparados com os mesmos três meses do ano anterior.

O gráfico vermelho mostra a evolução da taxa anualizada de crescimento de curto prazo, que compara a atividade nos últimos 3 meses com a atividade nos 3 meses imediatamente anteriores.

Já o gráfico roxo mostra a evolução da taxa de crescimento da tendência de longo prazo da atividade econômica medida por tal índice.

O que podemos observar:

a. vemos marcado em cinza que até 2008 a atividade crescia ao redor de 5% a.a., oscilando ciclicamente entre 2 e 7% aa. Vemos que a linha roxa da tendência de crescimento permaneceu estável naquele período ao redor dos 5% a.a.;

b. marcado em marrom temos o período da crise de 2009, quando a atividade mergulhou, recuperando-se logo em seguida;

c. marcado em preto temos a forte desaceleração que vivemos desde 2010 até meados de 2012.

d. notamos também que o gráfico roxo da tendência de crescimento , que andava a quase 5% até 2009, se desacelerou desde 2007 , e parece que está se estabilizando ao redor de 2% a.a.

e. de meados de 2012 para cá, notamos que economia retomou seu folego, como marquei em rosa. Saímos de uma estagnação em meados de 2012, para um crescimento de quase 3% a.a., o que apareceu nos dados do PIB do segundo trimestre.

f. contudo, os dados mais recentes mostram uma mudança de trajetória ( marcado em amarelo), quando os gráficos verde e azul mostram uma inflexão, e o gráfico vermelho mostra que a economia perdeu bastante momento no curto prazo.

Outra observação interessante pode ser tirada do gráfico abaixo fornecido pelo Banco Barclays, que mostra a evolução da taxa de crescimento anual da economia chinesa desde 2006:

chinapib

 

Vale a pena notar que a nossa economia teve um comportamento, em termos relativos, muito similar ao da chinesa, tanto no período marcado em cinza ( pré 2009), como na crise ( marrom) e no período posterior ( em preto), quando esta se desacelerou de forma constante e análoga à economia brasileira. Marquei em amarelo a projeção da taxa de crescimento da economia chinesa para os próximos anos, de acordo com o banco, que mostra uma certa estabilidade, porém com um leve viés de queda, recuando para cerca de 7% a.a. nos próximos anos.

O gráfico abaixo mostra a evolução da taxa de crescimento anual do PIB Chines ( amarelo – referente ao eixo vertical à direita) e do PIB Brasileiro ( verde – referente ao eixo vertical à esquerda) desde 2001:

brazilchinapib

 

Mesmo considerando as diferenças em magnitude, fica bastante evidente que nossas economias andam juntas, o que também pode ser mostrado abaixo no gráfico de dispersão:

gdpchinbras

 

Os pontos azuis representam as observações corridas desde 2002, sendo o PIB chinês mostrado na abcissa e o o PIB brasileiro na ordenada. A reta vermelha mostra a correlação entre nosso crescimento e o Chines desde 2002. Nosso PIB tem variado em média segundo uma relação simples: 1,2 x PIB chines – 7,5%… ou seja, se o PIB chines cai 1%, nosso cai um pouco mais. E no longo prazo, o PIB deles tem andado a 7,5% a.a. acima do nosso .

SE a economia chinesa crescer os tais 7,0% no ano que vem, mantida esta relação história, nosso crescimento deveria ser de 1% a.a. em 2014. Evidentemente que ao longo destes anos houve momentos onde ocorreram enormes dispersões entre a taxa prevista pela correlação acima  e a realidade, como pode ser visto no gráfico de dispersão. Contudo fica claro que a economia chinesa não deve prover um suporte para nosso crescimento daqui para frente.

O que poderia mudar este cenário?

Assumindo que a economia chinesa se comporte como previsto, e que não tenhamos nenhuma surpresa ou susto no resto do mundo, haveria dois cenários alternativos a este:

a. o investimento de capital por aqui poderia se acelerar em virtude do choque positivo de demanda que virá dos projetos de infra, logística e transporte que estão sendo patrocinados pelo setor público. A demanda gerada por estes investimentos poderia acelerar a taxa de crescimento no médio prazo.

b. por outro lado, a cadente confiança de empresários e consumidores poderia reduzir o consumo e investimento ainda mais e trazer o crescimento para baixo. Os gráficos abaixo mostram que as expectativas de empresários e consumidores pioraram muito recentemente:

expect

 

O mesmo pode ser notado nas sondagens da FGV (http://portalibre.fgv.br/main.jsp?lumChannelId=402880811D8E34B9011D92E5C726666F)  junto a consumidores, indústrias e  serviços:

confserv confind conconsfgv

 

O que estaria afetando a confiança dos empresários e consumidores? Bom, podemos listar alguns fatores:

a. as recentes manifestações populares aumentaram a insegurança das pessoas em geral;

b. a elevação da inflação e do custo de vida reduziu o poder de compra das famílias e o consumo;

c. o elevado endividamento das famílias retirou o ímpeto em novas compras;

d. a elevação da cotação do dólar encareceu o custos de insumos e de bens de capital importados, reduzindo o apetite das indústrias;

e. a elevação dos juros por parte do BC.

Alguns destes fatores tem efeitos temporários, outros são mais permanentes, como no caso dos juros, da inflação e do endividamento das famílias. Logo, não podemos descartar um cenário de uma queda ainda maior da taxa de crescimento de nossa economia.

Para evitar que isto ocorra vamos precisar que o governa consiga reverter as expectativas negativas. Vamos depender da eficiência do governo em promover os investimentos necessários em infra e nas concessões / privatizações e das atuações do BC no mercado cambial para conter a tendência de desvalorização do dólar e seus efeitos sobre a inflação,  evitando assim que o BC tenha que subir os juros para além dos 10% a.a que o mercado espera para os próximos meses. Tais ações podem ajudar a reverter a queda da confiança e assim manter um crescimento razoável da economia. Neste contexto, a recente decisão do FED de não iniciar o processo de redução das compras de papéis no mercado ajuda bastante.

Contudo, ainda ficam algumas questões pendentes que precisam ser respondidas para que possamos avaliar se a breve recuperação da atividade  dos últimos meses pode ser sustentada nos próximos anos:

  • quando chegaremos ao limite de endividamento das entidades sob o controle público: BNDES, CEF, BB, Petrobrás e Eletrobrás?  O que acontecerá se tal endividamento continuar a crescer neste ritmo acelerado e nos levar a uma redução na nossa nota de risco de crédito por parte das agências classificadoras de risco?
  • até quando nosso déficit externo continuará a subir? Teremos uma entrada de capitais de longo prazo em volume suficiente para financiar este déficit crescente?
  • o que acontecerá com a confiança das famílias e com a oferta de crédito para o consumo se o emprego continuar a perder folego, e o desemprego voltar a crescer?
  • até quando conseguiremos impedir uma correção nos preços dos combustíveis, sem deteriorar demais o balanço da Petrobrás e sua capacidade de investimento?
  • o que acontecerá com o dólar quando o BC interromper seu programa de venda de derivativos cambiais? Para onde irá a inflação num cenário destes?

São questões fundamentais que certamente serão respondidas ao longo dos próximos meses. Porém ter que responder a algumas destas perguntas num ano de eleições é uma tarefa bastante desafiadora para qualquer governo em qualquer lugar do mundo.

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4 comentários | Comentar

  1. 54 Luiz C Dambroso 21/09/2013 22:01

    O chato voltou. Sou tao otimista com o pais q chego a ser xato, Ricardo a confiança consum empres etc ja bateu no fundo e começa a subir, pois as manifestaç ja estao sendo esquecidas o FED deu sinais de q nao mexe tao cedo nos juros e no Q E a inflaç ta sob controle e se o bc subir um pouquinho ela vai arrefecer e com $ caindo p ajudar, ano q vem como vc lembrou e de leiçao e important por isso o gov vai pisar no acelerador. com tudo isso as previsoes do PIB p esse ano 2,5 deve se confirmar e com certeza 2014 vai subir 1 p. a mais o q nao eh otimo mas ta bom.
    A minha duvida o q o BC do B vai fazer com a “Raçao Diaria ” para de vender ? mas ele disse q venderia ate o fim do ano. continua vendendo ? mas dolar baixo vai prejudicar exportaçao e o pais precisa de $? o q fazer?

    • Ricardo Gallo 22/09/2013 18:07

      opa: donde vce tirou 3,5% de pib pro ano que vem???

    • Ricardo Gallo 22/09/2013 17:59

      bom, ser otimista nao eh um problema;;

      pib este ano é 2,5%; ano que vem? nao sei; se for muito forte, o deficit em conta corrente continua subindo e ai… vai ter que continuar a vender ate um dia que…. ja vi este filme.

      o q fazer? reforma. precisa gerar gerar poupança… porem reforma agora talvez quem sabe em 2015….

      o problema eh que temos desequilibrios obvios: inflaçao elevada, pib baixa e deficit externo elevado e subindo... logo, uma hora vao ter que resolver isto, senao a casa cai.

  2. 53 Jose Humberto 20/09/2013 17:41

    E que tal comentar o índice de contratações do mes de agosto/13.
    Sugiro essa pauta, muito embora voce não goste, pois sera um nº surpreendente, pelo menos para mim, que acompanho todos os seus prognósticos sobre o futuro da economia brasileira.
    Mais um ponto fora da curva ou alguma manipulação ideológica?
    Vamos a luta companheiro….

    • Ricardo Gallo 22/09/2013 18:47

      ps:pode postar , companheiro… atualizei soh proce o grafico… dado azul eh o caged ajust saz….vermelho e tendencia com filtro hp 14400, verde mm 3 meses do dado ajust saxonalmente..foi bom, mas… voce decide!!!heheheheh

      http://ig-wp-colunistas.s3.amazonaws.com/ricardogallo/wp-content/uploads/2013/09/cagedago2013.jpg

    • Ricardo Gallo 22/09/2013 18:06

      ps: voce acha que pib chines anda acima de 7,5% ano que vem?

    • Ricardo Gallo 22/09/2013 18:05

      FOI MUITO BOM. VAMOS TORCER PARA QUE CONTINUE!

      MAS O QUE VOCE ACHOU DO FED / QE?

      CE ACHA QUE PREMIO DA ZERO COUPON SOBRE O OIS TA NUM NIVEL ADEQUADO? OU DEVERIA SUBIR MAIS ?

      SERA QUE O SPENDING AUTHORITY VAI SER RENOVADO? E O DEBT CELILING? QUE voce acha que acontece se tiver um fechamento parcial do governo americano, mas renovarem o debt ceiling? juros dez anos fecha muito?

  3. 52 Ricardo R 19/09/2013 22:24

    sim, 67 pontos ja sobe. só no ano passado q 3 times empataram com 72, mas foi uma raridade.

    • Ricardo Gallo 20/09/2013 11:55

      vou te que modelar isto…..hehehe

  4. 51 Ricardo R 19/09/2013 0:35

    Mto bem colocadas as últimas cinco perguntas. Claramente a economia tá acumulando distorções que terão que ser corrigidas em algum tempo (sob risco de elas se auto-corrigirem hehe). Se as coisas correrem bem, já será uma dor de cabeça tremenda pro próximo presidente. Se der uns engasgos, tipo IED der uma caidinha, imagine como cobriremos nosso déficit externo que não para de subir….

    PS: faltam 5 vitórias pra primeira divisão. é nóis.

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