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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013 Crise Brasileira, Impostos, Investimentos, Politica Economica | 06:33

Gasto público e impostos em tendência insustentável

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Confesso: eu não sinto prazer algum ao pagar impostos, diferentemente de alguns de nossos governantes que dizem que pagam imposto com gosto. Embora eu reconheça que pagar impostos seja um dever cívico, uma obrigação com nossa pátria,  me incomoda ver parte relevante de meus ganhos, do valor que pago pelos bens que consumo, do valor do patrimônio que acumulei com o trabalho ao longo de minha vida ir embora  para cobrir os gastos do Estado. Fui assalariado durante grande parte de minha vida, e, desta forma, o imposto de renda era cobrado na fonte pelo empregador, o que até anestesiava a dor, pois o que o bolso não paga o coração não sente. Na medida em que acumulei poupança, a mesma coisa se aplicava aos ganhos nos mercados de renda fixa, que são tributados na fonte e recolhidos pelos bancos. Porém, agora como empresário, a dor de ter que pagar, de assinar o cheque, de autorizar o débito em conta, é enorme. E fico perplexo quando o governo festeja a elevação da arrecadação de impostos, como no caso recente da arrecadação do Refins de R$ 20 bi. Isto representa um aumento de 0,4% do PIB em nossa carga tributária, tributos que hoje foram pagos pela Vale, Bancos e outras grandes empresas, mas que nos próximos anos deverão ser pagos por nós, pois as despesas do governo só crescem.

Talvez seja um bom assunto para eu debater com meu psicanalista, pois devo sofrer de tributofobia.

Mas já que pagar impostos e morrer são coisas das quais não escaparemos na vida, vamos olhar mais de perto este assunto indigesto, os impostos…

O que gera a necessidade de se cobrar impostos são as despesas do governo. Vamos separar as despesas em dois blocos: as despesas para cobrir os juros e as outras despesas.

A outras despesas são:

  • salários e encargos com funcionários públicos
  • seguro desemprego
  • despesas administrativas gerais
  • serviços terceirizados
  • investimentos públicos
  • aposentadorias
  • benefícios sociais, transferência, auxílios e subvenções

E por aí vai.

Para saber onde o governo gasta, vale a pena ver o link abaixo do excelente Blog do Mansueto:

http://mansueto.wordpress.com/2013/07/08/setor-publico-e-consumo-o-que-mostram-os-numeros/

E veja abaixo um trecho  do texto que resume bem o quadro atual dos gastos públicos:

O setor público no Brasil gasta muito porque gasta muito com transferências (assistência social, previdência, e trabalho) e com educação e saúde. Essas cinco funções explicam muito mais de 50% do gasto do setor público e as ruas querem ainda mais!!! O que precisamos discutir é porque os gastos com educação e saúde que tem crescido muito não dão o retorno esperado.

Vamos olhar o que aconteceu com tais despesas do governo federal apenas, desde 1997, como % do PIB:

despegovfed

 

 

O gráfico azul mostra o total das despesas do governo federal ( excluindo juros) acumulada nos últimos 12 meses como % do PIB desde 1997. Com Tucanos e Petistas, a tendência foi única: ela subiu, subiu, subiu, e sobe.

O gráfico vermelho mostra a tendência filtrada destes dados. A reta verde projeta tais gastos assumindo que eles cresçam daqui para frente na mesma velocidade que cresceram de 1997  a  2013, ou seja, o,3% do PIB ao ano. Você acha pouco?  Eu não:

  • O governo federal irá entregar um superavit ( excedente de receita sobre despesas, excluindo juros) de 1,5 % do PIB este ano.  Ou seja, o ritmo de aumento de despesa anual representa 1/5 do superavit deste ano.
  • Os gastos do governo federal representam aproximadamente 50% dos gastos de todas as esferas de governo ( Estados e municípios incluídos). Ou seja, se todos se comportarem assim, o aumento de despesas do setor público seria de 0,6% do PIB ao ano.

Para pagar tudo isto aí, o governo precisa de grana, de receita, certo? E a receita do governo vem de:

a. dividendos das empresas estatais;

b. royalties cobrados sobre mineração e petróleo;

c. venda de concessões e privatizações;

d. impostos, tarifas e contribuições… aquela coisa que me dá arrepios.

A carga tributária, ou seja, a somatória de todos os impostos e tributos cobrados no Brasil, seja por Estados, Municípios ou Governo Federal, como % do PIB ( ~renda ) evoluiu assim desde 1947, de acordo com o IBGE:

cargatributaria

 

Nossa carga de impostos ( gráfico azul ) situava-se ao redor de 15% do PIB até os militares assumirem o poder ( seta verde claro). Daí até o começo dos anos 70 a coisa só subiu ( verde). Experimentamos um período de estabilidade ( amarelo) até 1988. Naquele ano ( seta azul claro), quando aprovamos a Constituição Cidadã, a coisa mudou dramaticamente de figura, pois, desde então, nossos impostos não pararam de subir, seja com Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula e Dilma ( marcado em preto).

Obs: O gráfico vermelho mostra a média móvel de 3 anos para suavizar a curva.

A carga tributária serve como um bom indicador do tamanho do Estado ( e sua importância) dentro de uma economia. No caso brasileiro, o volume de impostos que pagamos representa quase 40% de nossa renda. Ou seja, se você trabalha cinco dias por semana, dois deles você trabalhou de graça, pois entregou todo seu ganho daqueles dias ao Estado na forma de impostos. Obviamente que esta é uma carga média que se distribui de forma desigual, e maluca, pois são 90 tributos, entre impostos, taxas , contribuições, etc., segundo a definição:

Por tributo, entende-se toda prestação pecuniária compulsória em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada – art.3º do Código Tributário Nacional – CTN.

Veja a lista toda aqui:

http://www.portaltributario.com.br/tributos.htm

E veja abaixo o tamanho de nosso Estado comparado com outros países:

gastogovpibpaises

Não me parece que nosso estado ( preto) ofereça hoje serviços de qualidade muito superior ao da média dos países desta linha. Ou que a qualidade dos serviços públicos aqui oferecidos seja apenas 25% inferior aos oferecidos pelo Estado Sueco ( azul claro). Portanto, é bastante razoável questionar a ineficiência e a necessidade do nossos gastos públicos.

E veja o que aconteceu com a taxa de crescimento da produção ( PIB ~ nossa renda ) desde então:

pib47

 

Vemos que desde 1947 a taxa de crescimento de nossa economia foi se desacelerando gradualmente, até que, a partir de 88, a coisa despencou de vez. Ou seja, parece que a elevação dos impostos não ajudou a impulsionar a economia e que o modelo de Estado Grande não tem dado muito certo não… Talvez  o Estado mínimo não funcione tampouco, não sei, mas dá para ver que o Estado grande ( e ineficiente) atrapalha, e muito, como já vimos  em outros posts, quando comparamos  nosso crescimento com o crescimento de países onde o Estado não é tão faminto.

E apesar desta fúria tributária, o nosso endividamento não se reduziu.

Desde 1991 a dívida pública oscilou entre 30% e 60% do PIB, como vemos no gráfico azul abaixo:

DIVLIQ

 

Durante 2/3 do tempo ela ficou entre 30% e 50% do PIB. Alguns se animam com  a queda da dívida líquida dos últimos anos, porém o conceito de dívida líquida é uma certa maquiagem contábil. A dívida líquida é igual a dívida total ( ou bruta) subtraída dos haveres financeiros do Estado. Para ser mais claro, vamos usar um exemplo:

a. você ganha um salário mensal de  R$ 2.000,00 e deve R$ 8.400,00 ao banco, pagando 10% de juros ao ano ( R$ 840,00 por ano de encargos) com vencimento em 5 anos, pois é um cliente exemplar e tem grau de investimento;

b. aí seu cunhado, que precisa de uma moleza, pede um empréstimo de R$ 6.000,00 para investir numa padaria que está montando. Porém ele precisa que tal empréstimo tenha dez anos de prazo com juros de apenas 5% a.a.  ( R$ 300,00  de encargos anuais), pois ele diz que não consegue (??) pagar os juros cobrados pelo banco e tampouco pode lhe pagar de volta em 5 anos, como o banco exigiria;

c. para deixar sua sogra contente e ser aplaudido pela família na festa de Natal, você decide tomar emprestado mais R$ 6.000,00 no banco por 5 anos aos mesmos 10% de juros e os empresta ao seu cunha a 5% a.a., por 10 anos;

d. sua dívida total sobe para R$14.400,00 ( 8400 + 6000), mas sua dívida líquida fica igual em R$ 8.400,00, pois você abate ( usando o artifício contábil da dívida líquida) o quanto emprestou, a juros subsidiados, a seu querido cunhado ( 14400 -6000) ;

e.  sobre estes R$ 14.400,00 você irá pagar os mesmos 10% de juros ao banco, ou seja, R$ 1.440,00 por ano, embora cobre apenas 5% a.a. de juros do cunha;

f.  e como seu cunhado irá te pagar R$ 300,00 por ano de juros, seus encargos líquidos com juros serão de R$ 1.140,00 ( 1440 – 300) anuais.

Desta forma, sem seu cunhado você estava pagando R$ 840,00 de juros por ano, mas com ele, seus encargos líquidos com juros sobem para R$ 1.140,00, um aumento de 35%.

Este exemplo não é virtual: se pegarmos o total da dívida pública e dividirmos  por cada um dos 200 milhões de habitantes do Brasil, os números são  aproximadamente estes. E quando olhamos o endividamento bruto do Estado,vemos que o quadro é mesmo bastante desanimador, pois  nossa situação não melhorou nada nos últimos anos:

divbruta

 

A dívida bruta ( total do endividamento, sem reduzir haveres financeiros do governo), que vemos nas barras amarelas acima, não cai desde 2006, embora a dívida líquida ( barras azuis)  tenha caído. Motivos:

  • como temos ainda uma vulnerabilidade externa ( falta de poupança interna = déficits externos crescentes = US$ 80 bi / ano), dependemos do fluxo de capitais externos para fechar nossas contas. Como tais fluxos são voláteis, é preciso ter um volume elevado de reservas cambiais que são compradas pelo BC, que as financia emitindo dívida. Ou seja, nossa fraqueza externa exige que mantenhamos um caixa lá fora investido a 1% a.a. apenas, como um seguro contra crises. O volume das reservas equivale a 16% do PIB,  tudo isto financiado com títulos da dívida pública. E como não geramos poupança interna, nosso déficit externo só aumenta. Portanto não é razoável esperar que possamos reduzir este montante de reservas nos próximos anos. Além disto, se o BC decidisse vender os dólares das reservas à vista ao mercado ao invés de usar derivativos  haveria um aperto monetário monumental e a oferta de crédito desabaria. Logo teremos que carregar tais reservas enquanto tivermos déficits externos ( e falta de poupança interna, de novo…) crescentes;
  • como o governo insiste em usar a CEF e o BNDES para promover o crédito farto e subsidiado, ele precisa injetar recursos nestes dois bancos, recursos que hoje somam  9 % do PIB.  SE ele não injetar tais recursos, os mutuários e as empresas, que tomam tais empréstimos subsidiados por nossos impostos, terão que pagar juros de mercado, os mesmos que o governo paga. E para injetar tais recursos, o governo precisa se endividar na mesma proporção.

Estes dois fatores explicam a diferença entre a dívida bruta e a tal da dívida líquida.

Hoje o Setor Público paga anualmente 4,9% do PIB em encargos ( líquidos) com juros da dívida. Se não fossem estes haveres financeiros de baixo retorno que  mencionei acima,  tal custo provavelmente cairia para 3,2% do PIB.  Para estimar tal valor, eu parti dos dados de Setembro relativos ao montante da dívida líquida atual, R$ 1.635.597 milhões ( 35% do PIB), e ao total de encargos pagos equivalentes a 4,9% do PIB. Analisando os balanços do BNDES podemos verificar que há R$ 282 bi em repasses da União ao BNDES, crescendo a 18% a.a., onde os juros cobrados são iguais à taxa da TJLP ( 5% a.a.)  e com 35 anos de prazo,  como vemos marcado em amarelo e cinza abaixo:

bndesrepassetn

 

SE expurgarmos os rendimentos estimados das reservas ( usei 1% a.a. , que é a aproximadamente igual à taxa de juros atual dos títulos de 4 anos do Tesouro Americano http://www.treasury.gov/resource-center/data-chart-center/interest-rates/Pages/TextView.aspx?data=yield  ) e dos repasses ao BNDES ( TJLP,  http://www.receita.fazenda.gov.br/pessoajuridica/refis/tjlp.htm), descobrimos que de fato o custo médio da dívida pública é 9% a.a. ( amarelo), como vemos na simulação que fiz abaixo:

custodividareal

Aplicando tal custo ao estoque de dívida que teríamos se não houvesse os repasses ao BNDES, tampouco as Reservas, chegamos a 3.2% do PIB de encargos ( seta laranja). Ou seja, haveria uma economia de 1, 7 % do PIB! Neste cenário, os gastos com juros representariam menos de 10% da carga tributária total. Dos 4,9% do PIB que hoje gastamos com  juros, aproximadamente 1,7% do PIB ( 1/3) vem do custo de manter reservas e os empréstimos subsidiados.

Logo, se tais haveres financeiros do Estado apresentassem um perfil compatível com o perfil da dívida pública, tanto em termos de rentabilidade, prazo de retorno e moeda de referência, o conceito de dívida líquida seria aplicável. Mas este não é o caso, pois tais haveres do governo apresentam ou uma duração maior que a dívida interna  ( CEF & BNDES), ou rentabilidade abaixo dos custos de captação do Estado ( Reservas do BC & BNDES)  ou moeda referência diferente da nossa ( Reservas do BC). Além de onerarem as contas públicas, tais haveres  trazem vários riscos ao erário público: riscos de transformação, de moeda, de indexador, de liquidez, de prazo, de crédito e de mercado, riscos estes que são arcados por nós, contribuintes.

E antes que a torcida comece a reclamar dos bancos pelos juros cobrados nos empréstimos ao governo, lembro que estes juros que o governo paga são pagos para nós brasileiros ( e alguns estrangeiros), além dos bancos, como vemos no gráfico abaixo, onde destaco a participação dos bancos e fundos onde você aplica seu dinheiro, os fundos de previdência ( aposentadoria privada) e os estrangeiros:

dividapublicadetentores

O juro pago pelo governo define os juros pagos em todas as formas básicas de aplicação financeira, como a poupança, o Tesouro Direto, os fundos de renda fixa e CDBs. Portanto, este juro vai de quem deve hoje para quem poupou ontem.  Se os juros cobrados do Estado caírem, por força de lei ou do mercado, você vai ganhar menos nas suas aplicações financeiras no Tesouro Direto, CDB’s,  poupança ou fundos. Suas economias irão render menos. Portanto, reclamar da taxa de juros cobrada do governo equivale, conceitualmente,  discutir o quanto de renda deve ser transferida de quem deve hoje para quem poupou no passado. 

Mas o que determina a taxa de juros? Não é vontade política não. Como já falei várias vezes, é  a tal da lei da oferta e procura: se a demanda por crédito (capital) é maior do que a oferta de poupança interna, os juros sobem. Juros altos demais geram deflação. Juros altos demais, inibem o crédito. Juros altos demais provocam a elevação da poupança nacional e a queda no consumo. E não há indícios que isto tudo esteja ocorrendo.

Como veremos no gráfico abaixo, não tivemos nos  últimos 14 anos ( desde que implantamos regime de metas de inflação) nenhum indício que os juros ” excessivos do BC ” estivessem nos levando sistematicamente a deflação:

inflavsmeta

 

 

Gráfico azul mostra a evolução da inflação acumulada em 12 meses desde 1999. O gráfico vermelho mostra a meta de inflação vigente naquele momento. A inflação esteve acima da meta durante 78% do tempo desde então, apesar da meta ter ficado bastante estável desde 2000. Na média nossa inflação ficou 1,7% a.a. acima da meta desde 1999.

Algo similar pode ser visto nos dados de expansão do crédito na economia, no gráfico abaixo que mostra sua evolução desde 1999 como % do PIB:

creditopib99

 

E nos dados mais recentes da evolução do crédito livre, não sujeitos aos direcionamento do Estado e sem subsídios:

creditolivrepib2007

 

Vemos que não há nenhum indício do lado monetário que as taxas de juros praticadas pelo BC sejam excessivas.

Além disto, o Consumo das Famílias tem crescido a uma taxa média de quase 4% a.a., acima de nosso PIB:

consumofamilias

 

E a prova final pode ser vista no gráfico da poupança interna que, apesar dos supostos juros excessivos do BC, não aumenta:

poupançapib

Logo, embora possamos afirmar com certeza que os juros no Brasil sejam elevados em comparação às taxas praticadas no resto do mundo, não podemos dizer, contudo, que os juros pagos pelo Tesouro sejam excessivos à luz das variáveis econômica observáveis.

Se você quer reduzir as taxas de juros de forma consistente, aumente a parcela da renda nacional que é poupada. Com uma oferta maior de poupança, os juros cairão naturalmente. E se neste processo aumentarmos a poupança do Estado, ele poderá reduzir sua dívida ao mesmo tempo que as taxas de juros gerais caem, e assim o volume de encargos pagos despencam, o que permitiria uma redução da carga tributária com o tempo. 

Bem, vamos agora olhar a trajetória mais recente da carga tributária, com dados retirados do site

https://www.ibpt.org.br/img/uploads/novelty/estudo/558/CargaTributaria2012IBPT.pdf :

 

cargtribut

 

DE 86 para cá a arrecadação não para de subir, e o vilão tem sido o governo federal. Porém em termos relativos, os municípios se mostraram os mais famintos, como vemos abaixo:

 

bocao

 

Desde 1997,  os Municípios ( verde)  aumentaram sua carga tributária 60% acima do crescimento do PIB no período ( ou seja 60% acima da inflação + crescimento da economia)!!! Mas o governo federal ( azul claro) não ficou muito atrás.

A mordida do fisco nacional cresceu a 2,4% a.a. acima do PIB desde 1997. Enquanto o PIB cresceu em média a 2,5% a.a. reais no período, o volume de impostos cobrados cresceu a 5% a.a. acima da inflação.

Onde isto vai parar? O gráfico abaixo mostra a tendência, desde 97, do crescimento desta carga total e uma projeção:

tendcarga9713

 

A reta vermelha mostra a tendência central da carga entre 1997 e 2013, e a projeta para 2016. Neste ritmo, a carga tributária deveria chegar próximo a 40% do PIB em 2016, pois ele cresce hoje a 0,6% do PIB ao ano. Isto é consistente com a tendência de aumento da despesa pública que tivemos nos últimos anos.

Caso  a carga tributária não suba na mesma velocidade de crescimento dos gastos públicos, nossas contas públicas irão continuar na tendência de deterioração que temos observado:

resprimario

Para manter o saldo fiscal primário nos 3,5% do PIB anual que tínhamos até 2008, sem reduzir os gastos públicos atuais, precisaríamos elevar a carga tributária para 38,5% do PIB ( NÃO ESTOU PROPONDO ISTO !!!), o que nos colocaria de volta na reta de tendência vermelha do gráfico anterior. Ou seja, a desaceleração da carga tributária ocorrida desde 2008 foi financiada não por corte de gastos, mas sim pela redução do superavit do governo.

Mas como o governo aumenta a carga tributária?

  • aumentando alíquotas de impostos existentes;
  • criando novos impostos;
  • aumentando a base de cálculo dos impostos atuais;
  • formalizando a economia;
  • combatendo a sonegação;
  • reduzindo desonerações e isenções.

Neste sentido vale a pena ler o trabalho abaixo publicado recentemente pelo IPEA que analisa a tendência  mais recente de crescimento da carga tributária:

http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/TDs/td_1875.pdf

Veja o trecho retirado das conclusões finais do trabalho:

A análise dos componentes da CTB indicou que a principal causa da sua tendência de ascensão está ligada aos tributos que incidem principalmente sobre a renda do trabalho, a saber: impostos sobre a folha de pagamento; contribuições sociais e impostos sobre a renda; lucros e ganhos de capital – pessoas físicas. Os acréscimos ocasionados por estes tributos explicam quase integralmente a elevação da CTB (2,9 p.p. do total de 3,2 p.p. no período 2002 e 2012), ainda que o seu grau de influência nos subperíodos intermediários seja diferenciado. Estes impostos contribuíram com cerca de metade do crescimento da CTB entre 2002 e 2007 (1,0 p.p. e 1,9 p.p.) e no período 2007-2012 cresceram mais do que a própria CTB (1,9 p.p. e 1,3 p.p., respectivamente). A análise também sugere que a arrecadação sobre os rendimentos do trabalho vem mostrando uma relação bastante estreita com sua base tributável, que vem crescendo mais do que o PIB, em decorrência das características do padrão de crescimento econômico do período recente, o qual combina expansão mais acelerada da massa salarial e aumento do grau de formalização do mercado de trabalho.

Outra informação interessante vem do gráfico abaixo, retirado de :

http://carodinheiro.blogfolha.uol.com.br/2012/12/14/pagamento-de-impostos-no-brasil-e-um-investimento-sem-retorno/

IDH1

Ele relaciona o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da Organização das Nações Unidas (ONU) com a carga tributária de diversos países. Podemos ver que, dada nossa carga tributária, nosso IDH ( vermelho) deveria ser muito, mas muito maior, só para chegar na média dos países que tem carga similar a nossa. Ou seja, os impostos elevados não se traduzem em mais benefício para nossa população.

O fato é que, no final do dia, o Estado está tirando dinheiro do setor privado, que poderia ser poupado, gastando, de maneira pouco eficiente, e reduzindo assim a poupança nacional. Como já falei mil vezes, isto é péssimo para nosso crescimento futuro:

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2013/11/25/como-anda-a-atividade-economica/

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2013/11/17/mas-cade-a-poupanca/

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2013/10/04/defiexterno/

Mas não há uma dívida social a ser resgatada? Claro que SIM! Porém não é viável pagar a dívida social acumulada em 500  anos em poucos anos apenas, da mesma forma que não é possível devolver aos poupadores o que foi confiscado de suas poupanças nos planos econômicos fracassados. Se persistirmos neste caminho, com cada vez mais impostos, estaremos prejudicando as novas gerações, que continuarão a conviver com impostos elevados, com dívidas maiores e crescimento medíocre.

Se continuarmos a crescer os gastos do governo assim, precisaremos endividar o Estado cada vez mais, o que aumentará o ônus sobre os mais jovens, que precisarão trabalhar muito mais para poder pagar ainda mais impostos e saldar, assim, as obrigações contratadas por nossa “geração de cidadãos justos”. Ou, quem sabe, eles farão como os gregos, e darão um baita colote nos poupadores que financiaram tal processo. A maneira atual de se financiar tais gastos é insustentável: não podemos ficar subindo a carga tributária indefinidamente.

Toda esta discussão que tem ocupado a mídia recentemente sobre o superávit fiscal deste ano, se será 60, 70 ou 90 bi, é menos importante. O que precisamos discutir com urgência é até quando poderemos crescer os gastos do governo no ritmo atual.

Se quisermos ser de fato justos, com todos, inclusive com as futuras gerações, precisamos gastar menos e poupar mais hoje. Todos nós. E pagar os custos políticos de tais escolhas.

E fica mensagem para 0 Marques de Pombal do Planalto Central: lembre-se da derrama e das suas consequências.

 

pombal

carga-tributaria

 

derrama_dinheiro_publicoderrama_impostominasindependencia_do_brasil

 

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7 comentários | Comentar

  1. 57 Armando de Nardi 12/12/2013 17:39

    Desculpe pelos comentários repetidos de ontem, demorei para entender que eles dependiam de aprovação e eram encaminhados sem que eu visualizasse mensagem alguma.

    Apanhar por alinhamento ideológico? Já estou habituado. Até porque meus conhecidos “direitistas” me consideram comunista por defender estado laico e a não prática de execução sumária pela polícia (mas isso é outra história). Em síntese, apanho dos dois lados.

    Novamente concordo com tudo, exceto pela frase “c. nossa desigualdade social é a mesma que ocorre em inúmeros países nesta fase de crescimento econômico. ”

    A estranhei e decidi procurar uma rápida informação na wikipedia para confirmar.

    Resultado da pesquisa numa tentativa de tabela ao final do comentário.

    Aparentemente, nossa desigualdade é muito maior do q a de nosso pares. Se minha análise estiver equivocada me avise. Sim eu sei que nenhum dos países elencados é grande exemplo de crescimento, mas tem per capta próxima.

    Desafiador diminuir a desigualdade mantendo crescimento/poupança. Mas me parece impossível combatê-la com carga tributária regressiva. Não existem soluções fáceis, definitivamente.

    Enfim, torço muito para que você consiga fazer com que a maior quantidade possível de pessoas entenda que não se cresce sem aumento de mão de obra, produtividade ou investimento, e que investimento não cresce sem poupança.

    Prometo comentar as próximas postagens sempre que dispor de um tempinho.

    Percapta (FMI 2011) / Indice de Gini Banco mundial
     Uruguai 13914 45,3
     Polónia 13540 34,1
     Lituânia 13075 37,6
     Rússia 12993 40,1
     Brasil 12789 54,7
     Letônia 12671 36,6
     Argentina 10945 44,5
     Cazaquistão 10694 29
     Gabão 10654 41,5
     Venezuela 10610 44,8
     Turquia 10522 39
     México 10153 48,3

    • Ricardo Gallo 12/12/2013 19:15

      concordo… temos desiguladade …. but imposto nao resolve isto nem aqui nem na russia….

      ps: eu nao acho que combater desigualdade é prioridade aqui. educação eh. poupança eh. logo…

  2. 56 Armando de Nardi 12/12/2013 16:20

    Ricardo Gallo, agradeço pela resposta.
    Primeiro gostaria de esclarecer que me considero liberal. Não tenho pretensão de defender um modelo socialista. Apenas desejo entender alguns pontos da visão aqui apresentada.

    Concordo com o diagnóstico de que um dos maiores problemas econômicos do país é a falta de poupança.
    Fiquei com a impressão, pela resposta ao comentário, de que, em sua opinião, a regressividade tributária (nas atuais circunstâncias do país) é útil para garantir os atuais níveis de poupança, não sendo ruim. É isso?

    Entendo perfeitamente as relações econômicas que tem essa implicação (os maiores detentores de renda e patrimônio e tem maior propensão a poupar). No entanto, não estou certo, vide nossa desigualdade social, de que manter esse sistema tributário seja um preço razoável a se pagar.

    Também entendo o comentário de que a prioridade no nosso atual desenvolvimento econômico seja crescer. Minha proposta de análise de retorno do estado só foi sugerida tentando observar o fato que 35% do PIB alemão representa muito mais per capta do que 35% do PIB brasileiro, e portanto, a mesma arrecadação percentual tende a proporcionar ao estado alemão maior condições de oferecer retorno aos cidadãos (demonstrado em forma de IDH).

    • Ricardo Gallo 13/12/2013 16:13

      eu fui atras do IDH e gasto per capita… voce esta 70% certo… porem os 30% vao te deixar bem curioso… irei post. tks again.

    • Ricardo Gallo 12/12/2013 16:37

      a. eu acho que do ponto de vista macro, se voce aumentar carga no topo vai ter menos poupança. é chato, mas no Brasil, diferentemente da China, o nivel de poupanca cai com a renda. e se voce diminuir a renda com progressividade corre risco de liquidar a fatura de vez. o fato de termos um welfare, mediocre mas bem meioh que o chines ou indi, gera este behavior… endividamento aqui é elevado na base… vide febnre do carro e da divida no cartao…..ou seja… consumo vence poupanca na base… esta eh a razao que savings rate la eh alto e aqui eh baixo…. apesar e rednas per capita baixas.

      b. se tributar renda e aliviar no consumo / preco dos produtos e servicos, tu acaba, em preco relativo, aumentando o custo do capital e reduzindo do consumo: ai poupanca desmonta… eu acho que para nos iss, icms , ipi e ate cofins sao mais adequados…porem tem que proteger o retorno do capiatl senao ninguem poupa…ninguem investe…eh um lixo isto, eu sei. minha familia tem raizes bem bem socialistas e cristas…logo…

      c. nossa desigualdade social é a mesma que ocorre em inumeros paises nesta fase de crescimento economico. chegamos tarde ao capitalismo…. na europa e nos eua e no canda e na australia os caras foram mais rapidos…

      d. sem duvida que o idh lah em maior que aqui…. concordo que meu grafico nao ajuda a medir a eficiencia do gasto publico do ponto de vista social…porem como estamos muito abaixo da reta de regressao parece que ha algo errado… e dada a reclamacao do povo… nao me parece que os 37% do pib que hoje tributamos ( + DE 40% do PIB gastamos….) ESTAO BEM ALOCADOS…. o grosso do dispendio publico ta indo para gastos sociais – transferencias – e educacao…

      armando, Obrigado pela coragem de se colocar como liberal..mas prepare-se para apanhar na rua!!!! bem vindo ao clube dos que apanham.

      mas eu sei claramente que és liberal… minha resposta foi dirigida aos anti liberais que de uma hora para outra sumiram….

      e muito muito obrigado pelas questoes. e a clareza com que as colocou. ajuda muito muito o debate. e me reduz a sensacao de estar pregando no deserto…

      e desculpe-me pela resposta mais agressiva, mas, como eu apanhei tanto por defender as ideias liberais que acho que fiquei defensivo….hehehe

      abracos e valeu.

  3. 55 Armando de Nardi 11/12/2013 20:35

    Ricardo Gallo,

    Acompanho seu blog a mais tempo do que consigo me lembrar. No entanto, nunca postei um comentário, uma vez que não possuía muito a acrescentar e concordava com quase tudo que era apresentado.
    Cheguei a recomendá-lo a vários amigos que viraram seus leitores. Admiro sua capacidade de analisar assuntos complexos de maneira simples, bem como sua ponderação.
    Me surpreendi no último mês com a sua passionalidade em relação ao aumento do IPTU em SP.
    Também temo qualquer aumento de tributo praticado pelo governo. No entanto, observo no país uma carga tributária regressiva (existem alguns estudos do IPEA sobre essa questão) decorrente de tributos sobre serviços e renda baixos comparativamente aos tributos sobre circulação de mercadorias.
    Acredito que uma reorganização da carga tributária passa pelo aumento de tributos sobre propriedade e renda, logicamente acompanhada de reduções de tributos sobre circulação de mercadorias e faturamento.
    Pelo caráter redistributivo do IPTU, bem como pelo aumento do valor das propriedades nos últimos anos, não me senti tocado pelo reajuste.
    De qualquer forma, adoraria conhecer sua opinião sobre a distribuição dos ônus tributários no país.
    E, já que comecei a escrever, gostaria de apresentar uma crítica à análise do retorno do tributo pago pela relação %doPIBemTributos VS IDH.
    Sabemos que apesar da alta relação de tributos e PIB no Brasil, devido a uma baixa renda per capta, o estado arrecada muito menos por habitantes que os Europeus.
    Me parece que uma análise da relação %doPIBemTributos*RendaPerCapita VS IDH poderia medir melhor o retorno.
    Obviamente isso não retira a razoabilidade do restante da análise.
    Meus cumprimentos pelo excelente blog.

    • Ricardo Gallo 12/12/2013 15:51

      obrigado pelo comentario.

      de fato o assunto imposto me tira do serio. e o iptu é um exemplo de completa irracionalidade do estado, irracionalidade que, pelo visto, a justiça já percebeu e vai tentar impedir a derrama…. mas se reduzirmos os impostos indiretos e aumentarmos os impostos sobre a renda e o capital, a poupanca nacional que já é pouca , desmorona. a poupanca, que eh nossa maior deficiencia macro economica, vem, do acumulo de renda. capital vem do acumulo de poupanca….. e o processo de acumulacao de capital tende a ser injusto em sua fase inicial.

      meu diagnostico dos problemas historicos e atuais do pais se centram na falta de poupanca…. e imposto mata a poupanca. e imposto sobre renda mata mais ainda….. pois soh poupa quem tem renda…. infelizmente eh assim. infelizmente.. eu acho que socialismo soh funciona depois que ficamos ricos…. vide china hoje. e vide cuba e venezuela….foram divdir sem ter o que dividir… termina em inflacao ou repressao ao consumo.

      e vide noruega, suecia e inglaterra. estes paises acumularam muito capital de forma ate selvagem durante decadas, e hoje podem dividir atraves de uma carga tributaria elevada, sobre uma renda, ja elevada, e com uma necessidade menor de acumulacao de capital… pois toleram hoje um crescimento menor para ter uma distribuicao mais justa da riqueza acumulada….

      este argumento de renda per capita e gasto per capita, nao sei se aplica, pois china, india e etc tem renda per capita menor e carga tributaria menor mas crescem mais……. os paises que tem carga tributaria menor tem rendas menores… logo esta justificativa…. sei nao mas me parece que nao funciona.

      as pessoas nao levam em conta o trade off entre longo prazo imposto hoje vs crescimento futuro…infelizmente…

      eu acho que nossa carga tributaria é completamente incompativel com a fase inicial do processo de crescimento, e de acumulacao de capital / poupanca, que nos encontramos: carga elevada é condizente com renda elevada… somos pobres. antes de dividir é preciso acumular, como diria mr marx. e nem comecamos a acumular nada… nossa taxa de poupanca eh ridicula. e meu avo imigrante marceneiro me disse que pobre poupa e rico gasta. somos pobres.

      e com esta carga tributaria crescente, esquece. vamos ficar fadados ao crescimento miseravel, enquanto india e china voam baixo…. ou seja, ficaremos ricos bem mais devagar.

      nunca chegaremos a renda per capita americana ou coreana, se nosso pib nao crescer mais do que o deles… soh se populacao cair…

      e para crescer precisa de poupanca ….. logo crescimento e imposto nao combinam.

      capitalismo é assim. é ruim, mas é assim.

      só vou mudar de ideia se alguem me provar que:

      a. imposto nao reduz a capacidade da populacao poupar
      b. que rico poupa menos do que pobre
      c. nao precisamos aumentar poupanca
      d. da para investir mais sem aumentar poupanca.
      e. que da pra derrubar juro sem aumentar poupanca

      se alguem me provar estas coisas eu reconsidero minha posicao contra elevacao de impostos…

      e anota ai: 2015 cpmf volta.

  4. 54 Armando 11/12/2013 19:17

    Ricardo Gallo,

    Acompanho seu blog a mais tempo do que consigo me lembrar. No entanto, nunca postei um comentário, uma vez que não possuía muito a acrescentar e concordava com quase tudo que era apresentado.
    Cheguei a recomendá-lo a vários amigos que viraram seus leitores. Admiro sua capacidade de analisar assuntos complexos de maneira simples, bem como sua ponderação.
    Me surpreendi no último mês com a sua passionalidade em relação ao aumento do IPTU em SP.
    Também temo qualquer aumento de tributo praticado pelo governo. No entanto, observo no país uma carga tributária regressiva (existem alguns estudos do IPEA sobre essa questão) decorrente de tributos sobre serviços e renda baixos comparativamente aos tributos sobre circulação de mercadorias.
    Acredito que uma reorganização da carga tributária passa pelo aumento de tributos sobre propriedade e renda, logicamente acompanhada de reduções de tributos sobre circulação de mercadorias e faturamento.
    Pelo caráter redistributivo do IPTU, bem como pelo aumento do valor das propriedades nos últimos anos, não me senti tocado pelo reajuste.
    De qualquer forma, adoraria conhecer sua opinião sobre a distribuição dos ônus tributários no país.
    E, já que comecei a escrever, gostaria de apresentar uma crítica à análise do retorno do tributo pago pela relação %doPIBemTributos VS IDH.
    Sabemos que apesar da alta relação de tributos e PIB no Brasil, devido a uma baixa renda per capta, o estado arrecada muito menos por habitantes que os Europeus.
    Me parece que uma análise da relação %doPIBemTributos*RendaPerCapita VS IDH poderia medir melhor o retorno.
    Obviamente isso não retira a razoabilidade do restante da análise.
    Meus cumprimentos pelo excelente blog.

  5. 53 Armando 11/12/2013 19:13

    Ricardo Gallo,

    Acompanho seu blog a mais tempo do que consigo me lembrar. No entanto, nunca postei um comentário, uma vez que não possuía muito a acrescentar e concordava com quase tudo que era apresentado.

    Cheguei a recomendá-lo a vários amigos que viraram seus leitores. Admiro sua capacidade de analisar assuntos complexos de maneira simples, bem como sua ponderação.
    Me surpreendi no último mês com a sua passionalidade em relação ao aumento do IPTU em SP.

    Também temo qualquer aumento de tributo praticado pelo governo. No entanto, observo no país uma carga tributária regressiva (existem alguns estudos do IPEA sobre essa questão) decorrente de tributos sobre serviços e renda baixos comparativamente aos tributos sobre circulação de mercadorias.

    Acredito que uma reorganização da carga tributária passa pelo aumento de tributos sobre propriedade e renda, logicamente acompanhada de reduções de tributos sobre circulação de mercadorias e faturamento.

    Pelo caráter redistributivo do IPTU, bem como pelo aumento do valor das propriedades nos últimos anos, não me senti tocado pelo reajuste.

    De qualquer forma, adoraria conhecer sua opinião sobre a distribuição dos ônus tributários no país.

    E, já que comecei a escrever, gostaria de apresentar uma crítica à análise do retorno do tributo pago pela relação %doPIBemTributos VS IDH.

    Sabemos que apesar da alta relação de tributos e PIB no Brasil, devido a uma baixa renda per capta, o estado arrecada muito menos por habitantes que os Europeus.

    Me parece que uma análise da relação %doPIBemTributos*RendaPerCapita VS IDH poderia medir melhor o retorno.
    Obviamente isso não retira a razoabilidade do restante da análise.

    Meus cumprimentos pelo excelente blog.

    • Ricardo Gallo 12/12/2013 15:59

      PS: valeu! e por favor comenta mais!!! adoro o debate!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  6. 52 Doug_SP 11/12/2013 18:29

    Gallo, deu uma olhada no numero de empregos na indústria ultimamente?

    • Ricardo Gallo 12/12/2013 15:58

      vi….ta com uma cara ruim a economia meu caro… to bem negativo pra crescimento nestes proximos trimestres.

  7. 51 Ricardo R 11/12/2013 10:37

    os gastos sociais é como uma piramede financeira. a grande maioria desses gastos está calcada em beneficios previdenciarios altamente generosos, indexados ao salário mínimo. la em 88 quando implantaram essas politicas, tinha 5-6 pessoas trabalhando pra caada aposentado. talvez até mais. hj pelas minhas contas deve estar em 1 pra 4, por aí. como a base da piramede etária está diminuindo ha 20 anos.. começou agora a apertar na parte do mercado de trabalho, que é basicamente o fato gerador de grande parte das receitas do gov (acho q arrecadaram uns 300 bilhoes em 12 meses com INSS). concomitantemente elevaram em uns 400% o salario minimo real no periodo. ou seja, os gastos explodiram. mas como a água do rio subiu, escondeu as pedras….

    semana passada eu tava olhando naquele transparencia.gov.br. na minha cidade, q tem 85 mil habitantes e q tem a menor taxa de desemprego do PR (3,1% segundo o censo de 2010, hj deve ta em uns 2,5%), com trocentas vagas abertas na ag de emprego local, ainda assim, segundo o site, foram pagos 3300 beneficios de bolsa familia aqui. beneficio que pelas regras em vigor, praticamente cessa se qqr um dos membros tiver emprego formal. 12 mil pessoas em 85 mil, sendo sustentadas pelo estado (aqui no PR ainda ganha 120kwh de luz por mes, agua, e 2l de leite por dia pra cada filho), numa cidade que precisa desesperadamente de trabalhadores… isso é inaceitável.

    ou se começa a cortar esses beneficios que sustentam tantos parasitas, ou os hospedeiros vao sucumbir logo, aliás, como já estão.

    • Ricardo Gallo 11/12/2013 11:55

      agree, but quero ver quem tem coragem politica para faze-lo. a experiencia europeia recente mostra que este tipo de situaçao soh muda com crise de solvencia….ate la ninguem tem o chamado ëstomago”para faze-lo…

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