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sábado, 4 de janeiro de 2014 Bicadas, bizarro, Brasil, Crise Brasileira, Livros e publicações, Politica Economica | 12:43

André Lara Resende fala sobre o capitalismo patrimonialista e a crise do liberalismo

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De fato o SR Raymundo Faoro voltou com força total.

Nesta linha, leia o excelente artigo do economista André Lara Resende:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,capitalismo-de-estado-patrimonialista-,1111446,0.htm

Veja alguns trechos que selecionei do texto:

” …O papel do Estado sempre foi um tema polêmico. Durante o século 20, tomou contornos ideológicos tão demarcados que praticamente inviabilizou o debate sereno e reacional. Parece inevitável que sociedades maiores e mais complexas sejam mais difíceis de ser administradas, exijam mais das empresas, das instituições e também do Estado. Há uma inexorável correlação entre tamanho e complexidades em toda empreitada humana. O mundo está superpovoado e definitivamente interligado pelo avanço das comunicações e da informática. A questão da escala e da complexidade está em toda parte, mas é ainda mais grave onde é menos reconhecido: na esfera da vida pública. As sociedades modernas se sofisticaram, tornaram-se mais complexas. O Estado foi obrigado a crescer para atender às suas novas funções…

…Quando se exige mais do Estado, é razoável que o seu custo suba, mas espera-se que haja alguma correlação entre o custo e o serviço prestado, entre o custo e a qualidade do Estado. Não foi o que ocorreu no Brasil. Ao contrário, a rápida elevação recente da fatia da renda extraída da sociedade não foi acompanhada pelo investimento em infraestrutura. Houve séria deterioração da segurança pública e um dramático aumento da criminalidade. Não houve melhora digna de nota nem na educação, nem na saúde. O saneamento e o transporte público continuam abaixo da crítica…

…Diante da polarização do debate, a crítica ao patrimonialismo do Estado tende a ser desqualificada como uma reação conservadora aos avanços da cidadania. Cada uma das dimensões do progresso da cidadania – a civil, a política e a social – enfrentou, a seu tempo, fortes reações ideológicas. O século 18 foi palco da luta pela cidadania civil, pelos direitos de opinião, de expressão e à justiça. No século 19, avançaram os aspectos políticos da cidadania, o direito ao voto e de participação política. Finalmente, no século 20, sobretudo a partir da década de 30, houve o avanço da dimensão social, com a criação dos sistemas de assistência e previdência, de educação e de saúde pública, capazes de garantir um padrão de vida mínimo para o exercício das demais dimensões da cidadania…

…A herança patrimonialista, misturada aos desafios de um país grande e desigual, a meio caminho para o mundo desenvolvido, criou um Estado caro, ineficiente e, sobretudo, disfuncional. Um Estado cujo único objetivo é viabilizar a expansão de seu poder e de suas áreas de influência. Um Estado que cria uma regulamentação kafkiana, com exigências burocráticas cartoriais absurdas, cujo resultado é aumentar custos, reduzir a produtividade e complicar todas as esferas da vida. O patrimonialismo do Estado brasileiro, sua incapacidade de respeitar os limites e os deveres em relação à sociedade, tem longa tradição, mas toma novos contornos com a sofisticação da economia, com a chegada do País à sociedade do espetáculo e à democracia de massas. O uso e o abuso das técnicas publicitárias, a criação de dificuldades de toda ordem para a venda de facilidades, a simbiose com cultura dos direitos especiais adquiridos e a aliança com grupos econômicos selecionados são a nova face do velho patrimonialismo…

…Com a vitória incontestável dos direitos sociais, a teoria econômica paga até hoje o preço político de ser percebida como intrinsecamente conservadora. Toda crítica à falta de critérios e à ineficiência do gasto público, sobretudo se embalado como gasto social, é tachada de reacionária e desconsiderada. No Brasil de hoje, o velho patrimonialismo do Estado se esconde por trás do assistencialismo. O patrimonialismo indefensável reveste-se de assistencialismo inatacável. Desde que sob o guarda-chuva de gasto social, toda sorte de abuso patrimonialista não admite questionamento…” 

Minha bicada: Faz muito sentido….

E segue aqui minha homenagem ao grande Sr, Faoro, pois, quem  quer entender porque as coisas são como são deveria ler:

 

Os donos do poder

 

 

 

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2 comentários | Comentar

  1. 52 José Humberto 06/01/2014 18:15

    Boas entradas!!
    Começamos c/ ALR, um dos idealizadores do Plano Real, hoje criador de cavalos na Europa, depois de ter recebido uma “herança absurda” de seu pai Lara Rezende.
    Ele gostaria de voltar? Com o Aécio ou o Edumarina?
    E voces vão promovê-lo?
    Que ótimo!!!
    Ah! esqueci a coluna é técnica e tem o objetivo de nortear os seus leitores sobre o rumo da economia…..
    Bom ano!

    • Ricardo Gallo 06/01/2014 20:47

      Caro SR José Humberto

      Eu normalmente não responderia a este tipo comentário, pois ele não aborda nenhum tema pratico, não endereça nenhum aspecto do post e só tenta desqualificar a opinião de uma pessoa, só por que tal opinião pertence ao uma linha de pensamento oposta a sua. Porem como o senhor é leitor assíduo da coluna, eu me sinto na obrigação de responder.

      Já mencionei vários outros economistas, como o Sr Delfim Netto… como o ex BC Meirelles… como o Sr Beluzzo…. o Sr Ilan … o Sr Mantega… SR Mansuetto Almeida…Sr Samuel Pessoa… SR Bernanke… inúmeros outros economistas do IBRE, da FGV, do Ipea, e de universidades no exterior. Nunca vi o senhor se manifestar contra eles. E colocarei um excelente artigo do Sr Genro esta semana, e por ai vai. Assim torno o debate mais colorido.

      Mas me parece que o senhor provavelmente é um daqueles aos quais o Economista se refere, que procuram desqualificar a opinião de todos os liberais mas nunca trazem nenhum argumento concreto para contrapor as opiniões objetivas e os dados reais. Um dos leitores desta coluna, o Michel, comentou mais abaixo que não havia no texto menção a nomes de pessoas que atacam os liberais. Pois bem, parece que já temos um. Seria muito proveitoso se o senhor contribuísse para o debate e explicasse onde o Sr discorda dos pontos levantados pelo Economista. Além de sua paixão partidária, onde o Sr discorda? Entendo que sua missão é tentar tirar a credibilidade daqueles que apontam falhas no modelo econômico atual. Porém seria mais útil aos leitores desta coluna se o senhor trouxesse argumentos para o debate que fossem além desta retorica politica. O senhor discorda do paralelo que fez dos conceitos explorados no texto daqueles citados pelo SR Faoro em seu livro?

      Quanto ao Sr Rezende colecionar cavalos ou não, eu não sei pois não acompanho assunto equestres. Eu crio galinhas caipiras em meu sítio…. E se ele é herdeiro, não vejo nenhum problema, pois há outros herdeiros no país que fizeram um bom serviço ao nosso povo, como o extraordinário e amigo Senador Suplicy. E o fato de alguém ser rico não o torna necessariamente corrupto, desonesto ou despreparado. De fato, algumas pessoas ricas conseguiram acumular suas fortunas com trabalho e competência. Veja o caso de vários empresario de sucesso como o Sr. Gerdau, Sr Oderbrecht e Ex Vice Sr Jose Alencar, cujos filhos e herdeiros são também empresários muito talentosos.

      E não pretendo promover o Sr Rezende mais do que promovi o Sr Delfim Netto, que já frequentou inúmeras vezes esta coluna e o senhor, estranhamente, nunca reclamou.

      Enfim, um ótimo 2014 para o senhor.

  2. 51 Michel 04/01/2014 21:48

    O artigo levanta idéias boas, mas sofre de um defeito crucial: cadê as tais acusações de reacionarismo à crítica econômica/patrimonialista?

    Eu nunca vi uma única acusação dessas às críticas patrimonialistas. Então, se ele fica só dizendo “qualquer crítica é acusada de”, sem dar um único exemplo, é impossível saber se ele está inventando só para validar a própria argumentação. Eu esperaria no mínimo um exemplo concreto, tipo “Fulano fez uma crítica assim no artigo XPTO e foi acusado por Beltrano, na revista XYZ, de reacionarismo”. Sem dar os nomes aos bois, o artigo fica muito mais político (no mau sentido) do que científico.

    • José Luiz 06/01/2014 10:35

      Michel, basta observar. Não precisa ir muito longe ou ter visão muito aguçada…

    • Ricardo Gallo 06/01/2014 1:51

      bem, nesta mesma linha, eu acho que vale a pena ler:

      http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Uma-perspectiva-de-esquerda-para-o-Quinto-Lugar/4/29895

      onde o governador Tarso Genro ataca os liberais, dizendo isto:

      m>sem aceitar a manipulação dos cronistas do neoliberalismo, abrigados na grande mídia. Para estes, as organizações políticas são um estorvo, pois os seus partidos são as suas empresas.

      eu acho que aqui há sim uma tentativa de desqualificar argumentos como os colocados pelo Economista André Lara Reazende… Não acho que o Economista acredite que partidos sejam um estorvo, tanto que está muito próximo de alguns deles…

      e cabe aqui a mesma pergunta que voce fez: que cronistas neoliberais acham isto??

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