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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014 ataques especulativos, Câmbio, Crise Brasileira, Empresas, Impostos, Inflação, Investimentos, Juros no Brasil, Politica Economica, Sem categoria | 02:08

Um ajuste inevitável

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Ao longo dos últimos 3 anos convivemos com uma economia que cresceu pouco, como mostra o gráfico azul abaixo da taxa anual de crescimento da economia estimada pelo BC ( IBC ajustado sazonalmente , variação anualizada dos últimos 6 meses sobre 6 meses anteriores ):

ibcsemtaxa

 

Vemos que a taxa de crescimento da economia caiu dos 5% ( laranja) que tínhamos até 2008, para menos de 2,5% ( cinza) de 2011 até 2013, com forte desaceleração nos últimos meses.

A produção industrial também vem se desacelerando desde 2010, estando praticamente estagnada, como vemos no gráfico abaixo que mostra a evolução da taxa anual de crescimento da produção industrial desde 2008:

prodind

Ao mesmo tempo vínhamos tendo taxas aceleradas de crescimento do consumo ( demanda interna), como vemos nos gráficos abaixo das vendas no varejo, que só recentemente desaceleraram:

 

vendavarejobrasTambém tivemos quedas contínuas no desemprego, como vemos ( em verde ) no gráfico violeta abaixo que mostra a evolução da taxa média de desemprego nos últimos 12 meses desde 2004, que está no nível mais baixo dos últimos 10 anos:

desemprego

Como consequência deste vigor do mercado de trabalho, a renda do trabalhador tem apresentado crescimento real elevado, como mostra o gráfico laranja abaixo, preparado pelo Itaú:

rendareal

 

Vemos em vermelho que, na média, o rendimento das pessoas tem subido a mais de 3% a.a. em termos reais, ou seja, acima do crescimento da produtividade, que tem crescido ao redor de de 1% a.a., como está mostrado em verde na tabela abaixo:

prodpais

 

Não foi um cenário excepcional de crescimento, porém a luz do que ocorria lá fora estávamos numa situação bem satisfatória. Entretanto, vocês precisam concordar que há algo de estranho acontecendo numa economia onde:

  • o nível de desemprego é o mais baixo em vários anos e decrescente;
  • o consumo cresce a taxas elevadas;
  • mas a produtividade cresce abaixo do aumento da renda do trabalho;
  • e a produção industrial estagnou.

Alguma coisa parece estar errada. Os sinais de desequilíbrio podem ser facilmente vistos através da análise de duas variáveis macroeconômicas: a inflação e os saldos das contas externas, que deterioraram bastante desde 2009.

A inflação persiste em ficar bem acima do centro da meta ( reta verde abaixo), como mostra o gráfico branco abaixo ( vermelho):

infla2004cpi

 

Nos últimos 5 anos, só ficamos abaixo do centro da meta por alguns pouco meses em 2009. E de 2011 para cá, a inflação ultrapassou o topo da meta já algumas vezes, tanto em 2011 como em 2013.

Nosso saldo externo, que era positivo até 2008 como vemos no gráfico abaixo, vem caindo consistentemente desde então ( vermelho), e hoje nosso déficit chega a 3,7% do PIB:

ccdefi

 

Fica evidente que nos últimos 5 anos:

  • a demanda e o consumo foram sustentados por um mercado de trabalho aquecido;
  • mesmo com esta demanda aquecida, a produção não reagiu na mesma intensidade, o que demonstra que não temos um problema de falta de demanda, mas sim de falta de crescimento da oferta;
  • a produção não acompanhou a demanda interna, ou seja, os investimentos produtivos não foram suficientes para aumentar a produção em ritmo condizente ao aumento da demanda;
  • o mercado de trabalho aquecido gerou pressão de custos, que não foram compensados com um aumento de produtividade;
  • nossos gastos com consumo e investimento cresceram mais do que a nossa renda, gerando um déficit externo.

Tudo isto pode ser constatado nos gráficos acima, pois:

  • como se explica uma inflação tão elevada e persistente com uma atividade  tão fraca? Isto só se explica se os salários estiverem subindo acima da produtividade ( produto criado por trabalhador na margem é menor do que salário pago) e , por consequência, a demanda gerada por estes salários crescentes esteja subindo mais rápido do que oferta de bens e serviços;
  • como se explica um déficit externo crescente com uma economia andando tão devagar? Ora, isto só se explica se a demanda estiver andando acima da capacidade de produzir das empresas, e que estejamos portanto poupando menos e gastando mais.

Como isto aconteceu? Vamos partir inicialmente da “premissa” que os conceitos que seguem abaixo, extraídos de contabilidade nacional, do  planejamento do orçamento das famílias e da aritmética, sejam válidos:

  • produto é aproximadamente igual a renda. Ou seja, só ganhamos mais se produzimos mais;
  • Renda é igual a soma de consumo + poupança, ou seja , o que não consumimos nós poupamos
  • Investimento = Poupança interna + Déficit Externo
  • Renda total = renda das famílias + dos capitalistas + dos empresários +  do governo + dos estrangeiros com negócios aqui
  • Assumindo um governo em equilíbrio fiscal, aumentos de gastos sociais são financiados por mais impostos, cobrados sobre famílias e empresas.

Se vocês concordam com estas aproximações e definições, podemos dizer que:

  • Se a renda dos trabalhadores sobe mais rápido do que renda nacional ( produto), pois produtividade da mão de obra sobe menos, e a carga tributaria e os gastos do governo sobem na mesma proporção,podemos afirmar a margem de lucro dos empresários deve estar caindo, pois  a conta precisa fechar. Margem menores levam a investimentos menores por parte das empresas;
  • SE você tributa quem poupa, sejam empresas ou pessoas físicas, e transfere esta renda para quem tem demanda reprimida, a poupança total do país cai e o consumo das famílias aumenta.
  • Se você reduz poupança, ao manter o consumo e investimento elevados, você inexoravelmente ( da aritmética) gera déficits externos crescentes.

Estes fatos se baseiam em contabilidade básica e são válidos para qualquer economista, seja ele neo liberal ou desenvolvimentista ou monetarista ou comunista. Um modelo que funciona desta forma gera desequilíbrios entre a oferta e a demanda de poupança, assim como de bens e produtos, pois são dois lados da mesma moeda. Os desequilíbrios externos não são problemáticos na medida em que os mercados internacionais de capitais, ou seja, aquela turma neo liberal de Davos que acredita em vários conceitos defendidos pelo Consenso de Washington, estejam dispostos a nos financiar. Se tal turma mudar de ideia por que nossos fundamentos pioraram ou por que outros cantos do planeta  apresentam retornos melhores para seus investimentos, esta turma foge. Capital é um bicho selvagem: vai sempre atrás de retorno alto e de risco reduzido. Parece cruel, mas quem guarda dinheiro quer sempre investir com altos retornos e risco baixo. Parece “maldade”, mas é assim que pensa quem tem grana para investir, e se não pensa assim, sugiro que consulte um psiquiatra. Tais capitais estão de olho no gráfico abaixo feito pelo Banco CS, que mostra a evolução da taxa de crescimento do PIB global ( azul ), do PIB dos países emergentes ( tracejado em preto) e do PIB dos países desenvolvidos ( vermelho ) desde 2002 :

pibglobo

Em 2007, o PIB dos emergentes crescia 6,4% a.a. acima do PIB dos países desenvolvidos ( verde). Esta diferença de crescimento caiu bastante e deve se reduzir para cerca de 3% a.a. no ano que vem, segundo as projeções do Banco CS. Desta forma, um diferencial de crescimento menor significa uma atratividade menor dos investimentos em países emergentes quando comparados com investimentos em países desenvolvidos.  Do ponto de vista de risco, os mesmos capitais estão olhando estes gráficos preparados pelo banco HSBC:

 

fischsbc

 

O Brasil, marcado em preto no quadrante vermelho inferior esquerdo, está entre os países emergentes que apresentam maiores déficits fiscais e ritmo de crescimento do mesmo.  O mesmo pode ser dito sobre o comportamento dos déficit externos de nosso país, como mostra a tabela abaixo feita também pelo banco HSBC:

defhsbc

Fica claro que nossos fundamentos mostram que há desequilíbrios crescentes e preocupantes em nossa economia. Portanto, do lado do crescimento nossa atratividade caiu enquanto nosso risco macro econômico subiu. Isto nos torna menos atraentes ao capital externo. Não quer dizer que vamos quebrar. Só quer dizer que somos menos atraentes hoje do que éramos há alguns anos atrás. Portanto ficará mais caro levantar recursos nos mercados internacionais.

Logo, chegou a hora do ajuste. Creio que a Presidenta Dilma já percebeu isto quando decidiu ir a Davos, o que resultou nas medidas fiscais anunciadas recentemente. A chamada vulnerabilidade do país está centrada nestes três aspectos: crescemos pouco, temos um déficits fiscais e externos crescentes. Precisamos endereçar esta situação, e o governo já está se movendo nesta direção.

Para estancar este déficit externo no curto prazo e reduzir a nossa dependência  externa, precisamos reduzir o ritmo de aumento do consumo para que este seja compatível com o ritmo de crescimento da produção. Há algumas formas de se fazer isto:

  • elevar os juros, como o BC vem fazendo, aumentando o custo dos empréstimos e reduzindo a oferta de crédito, induzindo desta forma as pessoas a reduzirem seu consumo e seu endividamento, o que eleva a poupança interna;
  • reduzir oferta de crédito interno limitando o ritmo de crescimento dos empréstimos do BNDES e da Caixa Econômica, como o Ministro Mantega prometeu que pretende fazer;
  • reduzir gastos e consumo do governo, elevando o superávit primário, porém fixado pelo Ministro Mantega em 1.9% para este ano, o mesmo nível de 2013;
  • uma outra alternativa seria aumentar os impostos ainda mais, alternativa que, embora o Ministro tenha afirmado que pode ocorrer, creio que o governo não ousaria isto, dada já elevada carga tributária e seu efeito deletério sobre a poupança interna e o investimento privado;

O governo está adotando gradualmente os remédios acima, concentrado o foco nos juros e  reduzindo a oferta de crédito público, embora não esteja claro ainda a intensidade deste ajuste. O fato é que se nenhuma destas medidas fosse tomada os déficits externos continuariam a subir, e com isto nossa dependência dos “capitais neo liberais” só aumentaria. E os mercados sabem disto e reagiram bem às medidas fiscais anunciadas na semana passada.

Mas qual a dosagem certa de cada um destes tratamentos para os desequilíbrios que apresentamos? As medidas tomadas até agora serão suficientes?

Bom, como em qualquer tratamento, a dose de cada remédio depende das condições de saúde do paciente e da gravidade da doença:

  • se exagerarmos a dose nos juros, podemos criar uma crise de crédito no sistema que causaria uma depressão nos investimentos privados, que já estão perdendo ânimo;
  • se cortarmos demais os empréstimos do BNDES e CEF, o investimento privado pode cair, o que prejudicaria o desempenho futuro da economia;
  • é possível voltar atras com algumas desonerações de impostos sobre alguns produtos e serviços ( bens duráveis, gasolina e energia , por exemplo), porém tais medidas poderiam levar a aumentos de preços, que resultariam em mais inflação, o que demandaria um aumento maior dos juros internos;
  • é sempre possível reduzir gastos do governo, aumentando o superávit primário desta forma. Como nosso Estado gasta mais de 37% do PIB com despesas e transferências por ano, um corte de 3% nas despesas representaria um corte de 1% do PIB na demanda e no déficit externo.
  • mas se formos  tímidos demais nas doses dos remédios, a pressão sobre o câmbio aumentará,o que forçará o BC a levar os  juros para níveis bem elevados.

Porém, é bom ter em mente que todas estas medidas de ajustes tendem a  reduzir o ritmo de crescimento de nossa economia, que provavelmente crescerá este ano menos do que os 2,5% a.a. previstos pelo Ministro Mantega.  Já há alguns economistas prevendo crescimento inferior a 1,5%  para este ano pois não é possível no curto prazo reduzir a dependência do capital externo sem contudo reduzir o ritmo de crescimento da economia. E é isto exatamente o que está acontecendo, como os dados recentes de atividade mostram. Não há como o governo evitar tal cenário.  E com a economia mais fraca, a arrecadação de impostos cairá, o que irá piorar a situação das contas públicas. Logo, os desafios envolvidos no cumprimento da meta de superavit fiscal de 1, 9% do PIB fixada pelo governo para 2014 são enormes. 

Iremos precisar de ajuda da demanda externa neste cenário, ou seja, da balança comercial e de serviços. Como o Presidente do BC tem colocado, é necessário que ocorra um ajuste nos preços relativos internos  vis a vis os externos: precisamos de um R$ bem mais fraco, que torne as importações mais caras e viabilize uma expansão das exportações:

http://g1.globo.com/economia/noticia/2014/02/nao-ha-reparos-a-fazer-na-politica-de-ajustes-diz-tombini.html

“Se temos déficit em conta corrente e o real desvalorizou ao longo dos últimos meses, essa desvalorização faz com que nossos produtos fiquem mais baratos no exterior e as importações um pouco mais caras. Isso ajuda no ajuste da conta corrente, milita no sentido de diminuir os desbalanços e não aumentar”, afirmou.

Os mercados e seus agentes, aqueles que segundo alguns estariam conspirando contra o governo, estão de fato ajudando o processo de ajuste, como normalmente acontece. 

Porém, uma desvalorização cambial muito rápida traz problemas:

  • gera pressões na inflação, pois elevam-se os preços dos bens e insumos importados;
  • gera uma desequilíbrio maior nas contas da Petrobrás e de outros importadores.

Logo, é preciso suavizar este movimento de desvalorização, vendendo dólares de nossas reservas internacionais através de derivativos cambiais, da forma que o BC está fazendo. Com estas vendas o BC está provendo proteção cambial  ao sistema. Se o US$ subir muito o governo perde dinheiro nestes derivativos, ou seja, socializa parte do prejuízo que as empresas endividadas em dólar teriam. Além disto, ao elevar os juros para evitar que tal desvalorização do R$ contamine a inflação, o BC aumenta o custo de financiamento do Tesouro. OU seja, não há almoço grátis: o custo inicial do ajuste cambial precisa ser pago por alguém, seja  pelo Estado, ou por aqueles que se endividaram em US$ ou pelo trabalhador através da perda de valor real de seus salários caso a inflação suba. 

Para que este processo de desvalorização cambial surta efeito, é preciso que haja uma desvalorização real do câmbio, ou seja, que a desvalorização cambial nominal não seja repassada aos preços ou salários internos. Só assim ocorreria uma mudança de preços relativos. Os produtos e salários locais precisam cair em dólares, ou seja, é preciso que fiquem mais baratos em dólares. Tem que haver uma perda de poder aquisitivo dos salários no Brasil vis a vis àqueles pagos em outras economias. Esta é a única forma de recuperarmos alguma competitividade em nossa indústria e termos algum impulso externo em nossa economia. A política monetária precisa ser mais apertada para garantir que este processo de mudança de preços relativos ocorra de forma eficiente.

Por exemplo, na medida em que fique mais caro viajar ao exterior vis a vis o turismo doméstico, o deficit externo com viagens ao exterior, que tem aumentado em ritmo bastante acelerado desde 2007 ( em amarelo abaixo)  estando hoje acima de  US$ 1.7 bi por mês como vemos no gráfico abaixo ( preto),  deve se reduzir nos próximos anos:

defiviag

Contudo, se  todo este fluxo de gastos no exterior for canalizado para o mercado de turismo doméstico haverá uma forte expansão da demanda por serviços neste setor ( 0,8% do PIB) que não teria capacidade de absorver esta avalanche de novos turistas. Portanto é preciso que esta renda que hoje é consumida no exterior seja parcialmente poupada  e não consumida internamente num primeiro momento, pois, caso contrário, isto geraria mais pressões de demanda e inflação. Com esta poupança seria possível financiar investimentos em aeroportos e em hotéis que poderiam absorver esta demanda no futuro, sem agravar o déficit. Os juros elevados serviriam a este propósito, ao induzir que tal renda que não foi gasta no exterior seja poupada e não sendo gasta em consumo interno. Por exemplo, imagine que durante 3 anos sejam poupados 2,4 % do PIB, que não mais seriam gastos em viagens no exterior, mas sim aplicados em fundos de investimento que investem em hotéis e em infra dedicada ao Turismo. Vamos assumir que tais investimentos apresentem uma taxa de retorno real de 6% a.a..  Depois de 3 anos, com os investimentos maturando, os gastos com turismo local poderiam aumentar 0,8% do PIB a.a., e aqueles que pouparam e financiaram tais projetos teriam ganho 0,4% do PIB! É assim que a  economia funciona. Ao poupar, adiando o consumo, você está financiando investimentos que irão permitir mais consumo no futuro,  ao mesmo tempo que você ganha algum no processo! É exatamente isto que precisamos fazer agora. Contudo, este é um conceito que encontra enorme dificuldade em ser absorvido por alguns, como já postei aqui inúmeras vezes ao longos dos últimos anos.  Há hoje a noção completamente equivocada e absurda de que poupar, deixando o dinheiro depositado no banco ou em fundos de investimento,  seja  ” rentismo”  e ” especulação financeira”,  a tal da ” ciranda financeira”. As pessoas esquecem é que este dinheiro  financia investimentos produtivos e a dívida pública através dos mercados bancário e de capitaisHoje poupamos cerca de 15% do PIB ( vs. + de 20% na maioria dos emergentes) e temos um déficit de 3,7% do PIB. Um aumento de 20%  geração anual de poupança acima do PIB já nos colocaria em situação de equilíbrio.  E a maneira de se aumentar a poupança interna é:

  • reduzir gastos públicos e carga tributária, deixando mais dinheiro na mão de quem poupa;
  • reduzir impostos sobre capital e produção e aumentar sobre consumo, para incentivar investimentos;
  • aumentar produtividade geral da economia, através das famosas “supply side reforms”;
  • reformar sistema previdenciário, incentivando modelos de cumulação ao invés de ” pay as you go” como o nosso, onde os trabalhadores guardem uma parcela de sua renda para formar a poupança necessária para financiar sua própria aposentadoria;

Vamos ver agora o que está ocorrendo com nossa taxa de câmbio real. O gráfico abaixo mostra que o nosso câmbio real, calculado pelo BC, já se desvalorizou, como mostra a seta amarela:

cambioreal

 

 

Embora seja impossível saber de antemão qual será a  taxa real de câmbio necessária para o equilíbrio, vemos que no ajuste ocorrido em 1999 (seta roxa), quando partimos para o regime de câmbio flutuante, o câmbio real ficou abaixo do nível atual. Todo este ajuste de câmbio real foi revertido de 2003 até 2011 ( seta verde). Mas de 2012 para cá o câmbio real voltou a cair (amarelo). Até onde vai tal desvalorização? Muito difícil prever. Dependerá do conjunto de medidas de curto e médio prazo a serem adotadas pelo governo para trazer a economia de volta a uma trajetória de crescimento sustentável.

Outra variável importante neste ajuste de preços relativos é a nossa balança comercial de petróleo, gás e derivados, que depende de como e quando se dará o aumento de nossa produção de petróleo e LGN. Hoje produzimos cerca de 2,2 milhões de barris dia, como vemos no gráfico azul abaixo:

prodoilbras

 

 

Entre 2000 e 2010 nossa produção crescia a 5% a.a. ( verde), mas de 2010 para cá estagnou ( preto). Se aumentarmos em 50% este volume nos próximos anos quando da maturação dos investimentos feitos no pre sal, podemos gerar US$ 30 bi por ano de renda externa decorrente deste choque de oferta produzido pelo aumento de produtividade que, se não for totalmente consumida,  tem o potencial de reduzir deficit externo em 30%. Quanto mais cedo a produção de petróleo começar a subir, menor será o ajuste necessário em nossas contas externas.  Contudo, para que isto ocorra o gráfico acima precisa mudar de figura dramaticamente  e que os recursos que sejam gerados desta forma não sejam gastos com consumo, seja do Estado ou seja privado.

De qualquer forma, para que este ajuste de câmbio real ocorra é necessário que a política monetária permaneça apertada durante o processo de ajuste, pois com a desvalorização cambial há uma elevação no custo dos insumos importados usados na produção, o que pode levar os empresários a aumentar seus preços pressionando a inflação. Além disto, vai levar alguns anos até que a produção local e o turismo local atraia os investimentos necessários para atender os mercados exportadores ou para que algumas das importações sejam substituídas por produção doméstica. Para agravar a situação, na medida em que temos um mercado de trabalho apertado, com pouca oferta de mão de obra e forte alocação de pessoal nos setores de serviços, não há excedente de mão de obra que possa ser absorvido para aumentar a produção de bens comercializáveis com o exterior ( exportados e importados). Logo, será preciso efetuar uma migração da mão de obra hoje alocada ao setor de serviços e ao comércio para os setores que serão beneficiados pelo R$ mais fraco, como turismo interno e manufaturas. O mesmo se aplica ao capital que hoje é investido nas atividades de serviços e voltadas ao consumo que vai passar a ser investido em indústrias e outros setores de bens e serviços comercializáveis com o exterior. Todo este processo de ajuste leva tempo, o que faz com que os  juros precisem ser mantidos elevados por mais tempo, ou que o câmbio tenha que se desvalorizar um pouco além do necessário ou que a demanda seja mais reprimida. 

Não seremos os únicos a passar por este ajuste, pois como vimos nos gráficos acima vários outros países emergentes possuem vulnerabilidades. E é bom lembrar que’ o mesmo ajuste ocorreu, em intensidade muito maior, em alguns países da periferia européia, como Espanha e Portugal, que tiveram que reduzir seus déficits externos drasticamente.

E isto não é um fenômeno novo para o Brasil, pois já aconteceu algumas vezes em nossa história:

defccbraz1980

 

 

O Gráfico vermelho acima mostra a evolução de nosso saldo externo desde os anos 70.  As setas azul, cinza e preta mostram momentos de nossa história quando tais ajustes ocorreram. E em vermelho, temos nosso déficit atual. Ou seja, nosso déficit entrou na região em que normalmente ocorrem os ajustes. E, como disse acima, em todos estes momentos de ajuste nossa economia reduziu o ritmo de crescimento, como vemos no gráfico abaixo que mostra a variação anual de nosso PIB desde os anos 70:

pib1975bras

 

Mas o que  vai mesmo nos diferenciar neste processo será a maneira que conduzirmos tal ajuste, de tal forma que consigamos sair deste processo com um crescimento econômico mais equilibrado e sustentável, bastante diferente da situação onde hoje nos encontramos. Medidas como juros mais elevados, aperto fiscal por contingenciamento de gastos e desvalorização cambial não são suficientes para nos colocar numa trajetória de crescimento compatível com as nossas aspirações sociais. São apenas medidas  temporárias que servem para nos dar tempo para nos prepararmos para um novo período de reformas que propiciem um crescimento sustentado.

Precisamos fazer reformas estruturais para que a economia retome  mais cedo possível um ritmo mais acelerado de crescimento, reformas que enderecem várias questões que restringem o crescimento de nossa produtividade, que é o grande limitador para maiores aumentos da renda dos trabalhadores, pois não há como manter contínuos aumentos reais de salário acima do aumento da produtividade,  sem aumentar os déficits externos ainda mais. O diagnóstico de que precisamos de mais demanda interna para gerar mais investimento, defendido por alguns Keynesianos Tropicais, está equivocado, na medida em que enfrentamos gargalos na infra, no mercado de trabalho e temos déficit externo crescente. Só com a aceleração da produtividade do trabalho é viável ter um aumento da renda dos trabalhadores em ritmo mais acelerado, mantendo a economia em pleno emprego, sem gerar desequilíbrios externos ou inflação. Políticas sociais são financiadas com impostos, que dependem da renda nacional, e portanto dependem do PIB. Logo, precisamos crescer mais para termos mais espaço de ação em nossas políticas sociais. Distribuir renda sem aumentar o produto acaba reduzindo a poupança nacional e aumentando déficit externos ou gerando inflação. Experiências populistas, como as que vimos na Argentina e na Venezuela nos últimos anos, que pretendiam escapar desta realidade, terminaram em fiasco e crise.

Tais reformas precisam passar por :

  • reduzir impostos e despesas do governo;
  • limitar intervenção do Estado no sistema de preços e de credito;
  • aumentar a produtividade e a eficiência dos serviços públicos oferecidos pelo Estado;
  • investir na capacitação da mão de obra;
  • políticas de incentivo à acumulação de poupança interna;
  • melhoria da infra focada no escoamento e logística da produção;
  • facilitar a mobilidade do trabalho na economia;
  • abertura comercial gradual que aumente a competitividade de setores de nossa indústria;
  • simplificação dos controles cambiais, com aumento da convertibilidade de nossa moeda e da liberdade no movimento de capitais;
  • desenvolver um mercado de capitais doméstico, com sua efetiva integração aos mercados de capitais globais.

SE não endereçarmos estas questões nosso crescimento futuro ficará limitado, uma vez que as condições de financiamento externo serão piores nos próximos anos. Neste cenário, o câmbio teria que se desvalorizar ainda mais para compensar a baixa produtividade, o que causaria uma queda  real dos salários e dos benefícios sociais, jogando fora as conquistas dos últimos anos.

As escolhas de política econômica que forem feitas agora definirão nosso futuro nos próximos 5 ou 10 anos. E desta vez, os ventos que nos ajudaram  nos últimos anos, como:

  • oferta abundante de mão de obra no mercado de trabalho;
  • alta do preço das commodities que exportamos;
  • elevada liquidez nos mercados de capitais internacionais,

não estarão mais aqui. Logo, vamos depender de nós mesmos nesta travessia. Quanto mais cedo começarmos, mais rápido sairemos do marasmo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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5 comentários | Comentar

  1. 55 Rodrigo Campos 26/02/2014 15:55

    Gallo, trabalhamos um tempinho juntos sob o mesmo teto, na Quantix. Seu post está impecável. Parabéns! Abs

    • Ricardo Gallo 26/02/2014 17:52

      obrigado! lugar ainda mantem varios tracos da arquitetura original! abs

  2. 54 Paulo Peres 26/02/2014 13:12

    Ricardo, parabéns pelo post ….. mas tenho uma dúvida…. onde você afirma:

    “Só com a aceleração da produtividade do trabalho é viável ter um aumento da renda dos trabalhadores em ritmo mais acelerado, mantendo a economia em pleno emprego, sem gerar desequilíbrios externos ou inflação” ……..

    Acelerar produtividade no trabalho significa que com maior produtividade o dono do negócio terá potencialmente maior renda / lucro …. e sua afirmação leva a crer que um crescimento de renda dos trabalhadores só é saudável se o crescimento de renda do dono do negócio for maior ou igual ….. mas isto, não impede uma melhor distribuição de renda entre todos ? não gera uma maior concentração de renda ?

    Se sua afirmação é 100% verdadeira nenhum país conseguiria reduzir a concentração de renda nunca ? mas como temos países que reduziram a concentração, fica a pergunta: como ?

    • Ricardo Gallo 26/02/2014 14:06

      obrigado.

      resposta: se a produtividade do trabalho crescer, nao quer dizer necessariamente que o capital ganha mais que o trabalhador . china, coreia, Singapura, todos apresentaram ganhos enormes de produtividade e de salario real ao mesmo tempo nos ultimos 15 anos, pois la a oferta de capital sempre foi abundante, pois eles poupam mais do que consomem…..neste cenario, uma parte importante deste aumento de produtividade pode ficar para o trabalhador, se se capital for abundante ( muita poupanca interna)!!! poupanca define o jogo distributivo na sociedade capitalista, dentro do livre mercado e da total abertura a competicao na economia.( obviamente que mercado é imperfeito e cabe o governo intervir visando assegurar que mercados sejam mais perfeitos, seja atraves de regulacao ou abertura a competicao externa)

      a divisao ( particao) dos ganhos entre capital e trabalho varia no curto em funcao da escassez dos fatores de producao: quando trabalho ( mao de obra) fica escasso ( como tem estado ultimos 3 anos aqui) , o trabalhador ganha mais que o capital, comprimindo margem de lucro do empresario. porem, se pib cresce junto neste processo, o lucro do empresario cresce pois ele produz mais, ganhando no volume. Logo temos um cenario de margem cadentes mas com volumes crescentes e ai, mesmo assim, empresario investe. porem quando o capital fica mais escasso ( como esta ficando), o capital leva a melhor. um sintoma de escassez de capital é movimento de juros de medio prazo, que esta subindo no mundo todo. aqui tambem…

      a produtividade é o que permite crescimento economico, acima da demografica. e o que define como este crescimento de renda é dividido entre capital e trabalho é a escassez relativa dos fatores de producao ( mao de obra e capital disponivel) e suas produtividades marginais ( quanto cada um produz a mais, mantido o outro constante) … se a taxa de retorno do capital cair por fatores tecnológicos, mas a produtividade das pessoas subir, os trabalhadores levam a melhor. e vice versa….

      existe uma visao da esquerda latina de que o capital é um vilao, pois ele cria a tal da desigualdade. nada pode ser mais absurdo. este pensamento leva a despoupanca, pois poupar significa acumular capital!!! as pessoas esquecem que o capital nada mais é do que a acumulacao de renda nao gasta por pessoas que trabalharam mas nao consumiram tudo que ganharam ao longo de suas vidas… ai eles investem este capital em fabricas, lojas, imoveis, empréstimos para empresas que precisam de recursos, etc. ou seja, o lucro destes capitalistas é o retorno do capital poupado la atras, por eles ou por seus pais, avos, etc….. aqui podemos questionar a justica social da heranca ou nao, que se resolve com imposto sobre heranca.

      vamos ignorar os impostos por um momento: se voce tem r$ 1 milhao no banco, que voce acumulou ao longo de 30 anos poupando 13 mil por ano ou 1,1 mil por mes em moeda de hoje, e investe esta grana numa empresa que paga dividendos 6% a.a corrigidos pela inflacao, voce portanto tira 5 mil por mes de dividendo. e se o gerente da empresa onde voce é socio ganha 5 mil por mes de salario e poupa 1.1 mil por mes como voce fez, daqui a 30 anos ele sera voce hoje. qual o problema? o que determina a relacao entre ganho do capital e trabalho é a taxa de retorno 6% aa, que num mercado competitvo converge para os juros de longo prazo, pois se juros cair para 4% aa. mais pessoas vao abrir negocios como o seu, o que reduzira a margem de lucro, trazendo o retorno do seu negocio para 4% a.a.

      e o que determina o juro de longo prazo, se ele eh 4 ou 6? se ha muita ou pouca oferta de poupanca na economia… com muita poupanca juro é menor… com pouca poupanca eh maior…

      e qual sintoma se temos pouca poupanca? deficit externo, como o nosso….

      os proprios marxistas historicos, os que de fato leram o velho preguiçoso ( ele trabalhou muito pouco ao longo da vida… foi muito ajudado pelo amigo e herdeiro engels.., sabem que para fazer sentido fazer uma revolucao comunista, é preciso primeiro acumular capital para depois desapropria-lo… ou seja é preciso esperar que os caras poupem bem e ai tiramos a grana deles…. senao, voce na pratica estarah dividindo pouco por muitos…

      para resolver desigualdade voce precisa:

      a. aumentar salarios, que só se consegue com mais educacao, que significa mais produtividade….
      b. criar mais empregos de qualidade, que demandem habilidades maiores
      c. e muita competicao entre os empresarios
      d. muita capital disponivel = muita poupanca = juro baixo

      ai é soh esperar…. e colher.

  3. 53 Hudson 26/02/2014 9:18

    Esta aqui vai pra todos os amigos do blog, que não devem jamais esquecer quem são os idiotas que nos governam. O Plano Real está fazendo 20 anos em 2014 e nem um destes *xingamento moderado por mim mesmo* abaixo sequer menciona um plano que estava anos luz a frente do pensamento econômico brasileiro da época.

    Basta ver o comportamento de FHC, elogiando os avanços do governo Lula (nunca o PT ou a esquerda vão elogiar nada da gestão anterior), pra ver que o PT e seus principais representantes são um atraso na vida do povo brasileiro, mais interessados em destruir o que os outros construíram do que em um debate honesto de ideias e caminhos para o futuro do país. Estamos sendo governados por IDIOTAS. E idiotas que foram contra uma das poucas coisas boas do Brasil.

    http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/nos-20-anos-do-plano-real-o-que-eles-disseram-uma-coisa-nao-mudou-guido-mantega-so-sabe-prever-o-passado/

    25/02/2014 às 19:46
    Nos 20 anos do Plano Real, o que “eles” disseram. Uma coisa não mudou: Guido Mantega só sabe prever o passado…

    Nos 20 anos do Plano Real, quero aqui lembrar frases célebres da companheirada. Antes, no entanto, algumas considerações.

    Como vocês devem ter lido em toda parte, ocorreu nesta terça, no Senado, uma sessão solene em homenagem aos 20 anos do Real. A estrela do dia foi o presidente Fernando Henrique Cardoso. As conquistas oriundas do plano devem ser um dos pilares da campanha do tucano Aécio Neves à Presidência — foi ele, aliás, quem dirigiu as palavras mais duras contra o governo Dilma.

    Falando, como é de seu feitio, uma linguagem mais institucional, FHC reconheceu os avanços, inclusive do governo Lula — deferência que seu sucessor jamais lhe fez —, mas afirmou que o país precisa de mudanças, de ventos novos, porque há “fadiga de material”, o que disse ter percebido também em seu governo.

    Referindo-se à eventual reeleição de Dilma, afirmou:
    “A partir de certo momento, tem fadiga de material. Eu sofri essa fadiga quando estava no governo. Agora, tem fadiga de material: ‘De novo o mesmo, meu Deus?’. O Brasil é um país novo, precisa de sentir ventos novos”.

    Para Aécio, “os 12 anos de governo do PT levaram o Brasil a estar hoje mergulhado em ambiente de desesperança e descrença do futuro”. “De tijolo sólido, viramos hoje frágil economia. (…) Quem suceder ao atual governo governará em tempos difíceis até o país recuperar o entusiasmo num futuro melhor.”

    Guerra de propaganda
    Os vinte anos do Plano Real estão a merecer, certamente, um trabalho de fôlego. É impressionante que os tucanos tenham perdido a guerra de propaganda para o PT nos últimos, vá lá, 14 anos — já que o governo FHC ficou sob intenso bombardeio nos dois anos finais.

    Lembre-se de que, um ano antes do Real, o então ministro da Fazenda FHC adotou um conjunto de 58 medidas para criar as precondições da estabilização da economia — de pronto combatidas por Lula (vejam abaixo frase de janeiro de 1994).

    Como todo mundo sabe, o partido não ficou só na retórica: votou contra a MP do Real no dia 29 de junho de 1995. Foi além. Recorreu ao Supremo com uma ADI (Ação Direita de Inconstitucionalidade) contra o plano. E voltou ao tribunal para tentar derrubar a Lei de Responsabilidade Fiscal. Abaixo, um pouco do que disseram alguns patriotas.
    *
    Lula
    “Esse plano de estabilização não tem nenhuma novidade em relação aos anteriores. Suas medidas refletem as orientações do FMI (…) O fato é que os trabalhadores terão perdas salariais de no mínimo 30%. Ainda não há clima, hoje, para uma greve geral, mas, quando os trabalhadores perceberem que estão perdendo com o plano, aí sim haverá condições” (O Estado de S. Paulo, 15.1.1994).

    “O Plano Real tem cheiro de estelionato eleitoral” (O Estado de S. Paulo, 6.7.1994).

    Guido Mantega
    “Existem alternativas mais eficientes de combate à inflação (…) É fácil perceber por que essa estratégia neoliberal de controle da inflação, além de ser burra e ineficiente, é socialmente perversa” (Folha de S. Paulo, 16. 8.1994).

    Marco Aurélio Garcia
    “O Plano Real é como um “relógio Rolex, destes que se compra no Paraguai e têm corda para um dia só (…) a corda poderá durar até o dia 3 de outubro, data do primeiro turno das eleições, ou talvez, se houver segundo turno, até novembro” (O Estado de S. Paulo, 7.7.1994).

    Gilberto Carvalho
    “Não é possível que os brasileiros se deixem enganar por esse golpe viciado que as elites aplicam, na forma de um novo plano econômico” (“O Milagre do Real”, de Neuto Fausto de Conto).

    Aloizio Mercadante
    “O Plano Real não vai superar a crise do país (…) O PT não aderiu ao plano por profundas discordâncias com a concepção neoliberal que o inspira” (“O Milagre do Real”, de Neuto Fausto de Conto)

    Vicentinho, atual líder do PT na Câmara dos Deputados
    “O Plano Real só traz mais arrocho salarial e desemprego” (“O Milagre do Real”).

    Maria da Conceição Tavares
    “O plano real foi feito para os que têm a riqueza do País, especialmente o sistema financeiro” (Jornal da Tarde, 2.3.1994).

    Paul Singer
    “Haverá inflação em reais, mesmo que o equilíbrio fiscal esteja assegurado, simplesmente porque as disputas distributivas entre setores empresariais, basicamente sobre juros embutidos em preços pagos a prazo, transmitirão pressões inflacionárias da moeda velha à nova” (Jornal do Brasil, 11.3.1994).

    “O Plano Real é um arrocho salarial imenso, uma perda sensível do poder aquisitivo de quem vive do próprio trabalho” (Folha de S.Paulo, 24.7.1994).

    Gilberto Dimenstein
    “O Plano Real não passa de um remendo” (Folha de S.Paulo, 31. 7.1994 ).

    Por Reinaldo Azevedo

  4. 52 Fabrício 26/02/2014 0:25

    Como sempre você arrebentou! Não quer concorrer a presidência? Já tem meu voto.

    • Ricardo Gallo 26/02/2014 10:54

      Hahaha

      Obrigado….. mas não obrigado. Prefiro ficar dando pitaco….. meu sonho é trabalhar em alguma mesa redonda de futebol…. palpiteiro profissional

  5. 51 Marconi Soldate 25/02/2014 17:24

    Perfeita a análise! Preparem o bolso! Vem aumento de impostos aí. “Pra saúde”.

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