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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014 Crise Brasileira, Investimentos, Juros no Brasil, Politica Economica | 15:11

O PIB e a falta de poupança

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Os resultados das contas nacionais em 2013 trouxeram duas figuras bem interessantes.

A primeira pode ser vista no gráfico abaixo que mostra a evolução da taxa de crescimento do PIB dos últimos 4 trimestres em comparação com os 4 trimestres anteriores, desde 1996:

pibbrasil4t

 

Em vermelho vemos que nos últimos anos nossa economia cresce entre 1 e 2,5% a.a.,  ritmo similar àquele vivido entre 2001 e 2004( laranja). Parece que o período entre 2005 e 2009 ( verde), onde as nossas taxas de crescimento se situavam entre 3 e 6% a.a.,  foi uma exceção no padrão de crescimento normal de nossa economia.

Mas o gráfico que mais me preocupa, como mencionei em inúmeros posts aqui e mais recentemente em:

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2014/02/25/um-ajuste-inevitavel/ ,

segue abaixo:

poupanpib

 

O gráfico amarelo mostra a evolução desde 2000 do  % dos nossos gastos que não é consumido, mas sim investido na produção. Já o gráfico azul mostra o % de nossa renda que não é consumido, mas sim poupado e usado para financiar nossos investimentos produtivos.

Vemos em verde que os dois gráficos até 2008 andavam juntos, ou seja,  poupávamos em volume igual  ao que investíamos. De 2009 para cá as duas curvas começaram a divergir, pois os investimentos produtivos, embora também mostrem uma tendência de queda ( cinza), se reduzem numa velocidade inferior a da taxa de formação de poupança, que vem desabando desde 2008 ( preto). Ou seja, gastamos com consumo parcelas crescentes de nossa renda.

O diferencial entre as duas curvas ( em vermelho) mostra o quanto de poupança externa precisamos absorver para financiar nossos investimentos produtivos, uma vez que não geramos internamente os recursos necessários para financiá-los. Este diferencial é o que explica o déficit de conta corrente, que está em expansão desde meados de 2007, como vemos ( vermelho) no gráfico abaixo:

ccdefi

 

Ou seja, a falta de poupança interna, o excesso de gasto com consumo e do governo, nos leva a déficits externos crescentes. 

Isto é insustentável. Precisa mudar. Precisamos sem dúvida aumentar a parcela de nossa renda que é investida pelos empresários e capitalistas na nossa economia, e para isto precisamos aumentar a parcela de nossa renda que não é gasta pelas famílias ou pelo governo.

Como se faz isto?

  • reduzindo a demanda com juros e aperto no crédito público subsidiado;
  • cortando o gasto público em todas as esferas e revendo políticas de transferência;
  • aumentando a produtividade da economia com reformas, o que ajuda a aumentar a renda e o produto em ritmo superior ao do consumo.

Simples. Quando começamos?

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5 comentários | Comentar

  1. 55 josehumberto 04/03/2014 11:28

    Quem é esse Hudson?

  2. 54 Luiz C Dambroso 02/03/2014 14:27

    Gde Gallo, muito boa a postagem, concordo em grau genero e classe, soh uma duvida este “distanciamento” (grafico 2) linhas amarelas/azul, a partir de 2008 nao seria resutado da politica anticiclica ? parece-me q o gov ja deu uma leve inclinada naquela politica, ja li algo a respeito mesmo aqui na sua coluna. sera q (se for mesmo o fator) esta p. anticiclica ja nao passou da hora de acabar e se assim for nao mudara o panorama economico e poderemos aumentr poupança e investimento.?

    • Ricardo Gallo 02/03/2014 22:46

      Precisamos ver os resultados fiscais para ter certeza desta inclinada.

      Dados fiscais de janeiro foram ruins contudo….

  3. 53 diogo miachita 01/03/2014 10:21

    o governo le os seus posts?brasileiro nao e chegado em producao .o brasil nao e competitivo .deveriamos sim aumentar o salario de professores, engenheiros e baixar o salario de politicos ,fazer uma reforma tributaria e trabalhista ja seria um bom comeco

    • Ricardo Gallo 01/03/2014 11:29

      Quem sou eu !!!

      O governo tem mais o que fazer do que ler estas coisas. …..

  4. 52 José Humberto 28/02/2014 12:21

    Ia seguir o seu conselho de só ler sua coluna e nada comentar, mas…..
    PIB 2,3%
    Investimento 6%
    agropecuária 7%
    Acho que produtivo é produzir. Não ficar dizendo como se faz
    Desculpe.
    Bom carnaval ( tbém é produtivo)

    • Ricardo R 01/03/2014 3:26

      Sobre o primário grotesco do dia, gostei do que falou o ming na coluna agora a noite.

      “Promessa de pinguço. Apesar das juras e promessas de que largaria a bebida, o alcoólatra continua tomando o rumo do botequim. Os primeiros resultados do ano (janeiro) das contas públicas foram decepcionantes. Embora negada pelo secretário do Tesouro, Arno Augustin, a suspeita é a de que o governo tenha empurrado para janeiro pagamentos que caberiam em dezembro apenas para mostrar resultados em 2013.”

      Vamos ter sorte, muita sorte, se terminar o ano com algum primário e os gastos com juros não estourarem os 6% do PIB.

    • Hudson 28/02/2014 18:35

      Ricardo, também temos os pombos enxadristas, como o José Humberto. Pesquise o assunto no google e vc vai entender aquele meu comentário sobre “pombo enxadrista idiota útil detectado”.

    • Ricardo Gallo 28/02/2014 19:24

      um outro leitor ja havia me mostrado o conceito. mas eu sempre acabo levando um Xeque do Pombo… mas me divirto!!!! primario hoje do gov central foi grotesco…

    • Ricardo Gallo 28/02/2014 14:13

      que bom ve-lo aqui de novo.

      voce celebra 2,3% de pib! de fato este virou o pico… tens motivo sim para celebrar, dada a atual situacao de nosa economia. mas, imagina se voce morasse na Coreia onde pIB cresceu 3,9% a.a yoy……

      agropecuaria vai bem, pois governo nao intervem, gracas a deus…. mas e a industria?? andou quanto mesmo?? este dado de investimento vai voltar em q1… sabe as plataformas da petrobras? sairam de estoque e foram fbcf.. em janeiro nao tem mais nao…. tipo é como celebrar o aumento da produçao de carro soh por que ele saiu da ultima fase da linha de montagem. contabilidade….

      e por favor continue prestigiando a coluna, mesmo que seja fazer campanha politica. aqui só temos as pombas da paz.

      ps: viu o superavit do governo central em janeiro que saiu hoje??? foi metade do atingido em janeiro de 2013. somando janeiro e dezembro ultimo deu 27.5 bi . em 2013 deu 54,5….. feio, ne? sinal que arrecadacao deve estar caindo.

      vai ser duro voce celebrar boa noticia este ano, infelizmente. soh se brasil ganhar a copa!

  5. 51 Diego 27/02/2014 16:55

    Gallo,

    Reduzir gastos e consumo não levaria a aumento do desemprego e redução do PIB?

    Como podemos aumentar poupança interna e manter inflação controlada sem aumentar a taxa de desocupação, já que esta parece ser a maior preocupação da Presidenta (principalmente em ano eleitoral)?

    • Ricardo Gallo 27/02/2014 19:52

      vamos por partes:

      a. se voce reduzir o consumo ao mesmo tempo que cambio sobe, o consumo que cai primeiro é o externo, pois reduzimos importacoes, o que nao afeta pib…. tem que reduzir consumo ao mesmo tempo que muda preco relativo ( por favor ver meu last post……..). por exemplo, se voce deixar de ir para miami cai o consumo e nao muda pib nenhum… aqui, eh claro, mas sim cai o pib americano!

      b. aumentar poupanca: voce precisa aumentar produtividade do trabalhador: mantem ele empregado, porem produzindo mais…. ai com isto o lucro das empresas aumentam e elas podem pagar mais salarios… ai esta turma ( empresas e empregados) com esta renda adicional paga suas dividas… e com juro maior a turma deixa de tomar $$ emprestado para consumo. ou seja, menos divida = mais poupanca interna.

      c. ano eleitoral? bom, ai deixa para afzer tudo ano que vem e chora.

      este papo que consumo é bom é coisa de consumista, como os americanos. asiatico acha que producao é bom. eles sao producistas. e para produzir precisa investir, se nao fica como a gente. para investir precisa poupar, portanto nao pode consumir toda a renda. por isso os asiaticos poupam quase o dobro da gente. e crescem sua economia ( producao) mais que o dobro que a gente….. crescimento do consumo nao é crescimento economico. producao é crescimento. naos se mede crescimento economico por consumo, nem aqui nem na china: mede-se por aumento da producao de bens e servicos….

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