Publicidade

domingo, 23 de março de 2014 Investimentos | 16:24

Petrobrás: governo 1 x 0 governança

Compartilhe: Twitter

Estive fora do país, mais precisamente na Califórnia, aproveitando minhas férias. É impressionante a riqueza daquele estado, a qualidade do capital humano e de infra ali existente e a revolução tecnológica que se tornou permanente nas empresas que ali operam. Contudo, a mesma tecnologia nos impede de desconectarmos das coisas. Assim pude acompanhar através dos jornais os debates sobre a questão da Petrobrás e de seus investimentos em uma refinaria nos EUA. Parece que o assunto Petrobrás está ocupando bastante  a mídia, na mesma linha que coloquei aqui em Dezembro no:

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2013/12/21/queimando-valor-com-gasolina/

Não pretendo aqui avaliar culpas ou responsabilidades individuais. E também não pretendo julgar se a avaliação ou se a decisão tomada pela empresa ao fazer tal operação foi correta, pois é sempre muito fácil analisar investimentos depois que os resultados ocorreram. Por exemplo, é fácil acusar de incompetência um investidor que alocou seus recursos em ações da Petrobrás a R$ 22,00  no final de 2012, e que hoje valem R$ 14,00, com base apenas no que aconteceu com preço das ações da empresa.  O que é preciso avaliar é se tal gestor pode ou não vir a repetir este tipo de perda em suas decisões futuras de investimento, a luz dos processos de análise de investimentos que adota.

Vamos refletir por um momento sobre como tais processos de investimento são iniciados, como são analisados e como as decisões são tomadas. Vamos partir do princípio que a empresa tem como objetivo gerar lucros no médio e no longo prazo. Com estes lucros, a empresa poderá assim pagar mais dividendos a seus acionistas, como o Governo Federal, que poderá desta forma ampliar seus gastos sociais sem aumentar ainda mais os impostos. Como não tenho detalhes de como a empresa analisa seus projetos, irei usar um pouco a minha experiência passada neste front, como executivo e profissional ligado a investimentos, e tentar descrever como são tomadas, em bases gerais, tais decisões de investimentos por grandes empresas.

Tais projetos são muitas vezes iniciados dentro da própria empresa através dos executivos de várias áreas, que tentam assim identificar negócios que promovam o crescimento da empresa e sejam rentáveis. Estes projetos são trazidos por bancos ou empresas especializadas, que conhecem a estratégia da empresa que é divulgada ao mercado pelo seu conselho. Este processo técnico de avaliação é feito pelos profissionais da empresa que são pagos para fazer tais análises. Se do ponto de vista técnico o projeto fizer sentido, ele é encaminhado para a avaliação dos aspectos financeiros e legais pelos setores competentes, que verificam os custos envolvidos em tais investimentos e os aspectos legais da operação em termos das condições contratuais e regulatórias, comparando os contratos e as condições propostas com outros negócios similares feitos pela empresa ou ocorridos no mercado. Estes grupos multidisciplinares se reúnem e avaliam em conjunto os vários aspectos do negócio. Muitas vezes são utilizados consultores técnicos e jurídicos externos para auxiliar nesta avaliação. Com base nestas avaliações as transações que passaram por este crivo são então encaminhadas para os fóruns responsáveis por tais decisões.

Os principais executivos da empresa (seu presidente e diretoria) analisam o negócio com base nas informações trazidas pelas diversas áreas envolvidas e aí tomam uma decisão final sobre o negócio. Se for decidido seguir em frente com o negócio, dependendo do volume e dos riscos envolvidos, tal negócio precisa ser encaminhado ao conselho de administração, que representa os acionistas da empresa. Ou seja, o conselho de administração faz o papel de dono da empresa no caso da empresa ter milhares de acionistas como a Petrobrás. Tal conselho analisa a operação com base nas informações trazidas pelos executivos da empresa e, caso ache necessário, pede mais informações aos executivos, ou a opinião de especialistas externos contratados, para que possa assim endossar a decisão do corpo de executivos da empresa. O conselho também avalia se tal investimento se enquadra ou não ao direcionamento dado pelo plano estratégico de longo prazo da empresa, que visa garantir que os investimentos de capital feitos pela empresa estejam de acordo com a linha de ação definida em seus objetivos de longo prazo. É feita também uma avaliação do negócio em termos relativos, comparando-o com outros negócios similares que tenham ocorrido no mercado. Com base neste processo a decisão de investimento é tomada.

A posteriori a auditoria interna irá avaliar se o negócio foi concretizado nas condições aprovadas pelo Conselho. Para acompanhar os resultados de tal investimento, a controladoria da empresa prepara relatórios periódicos mostrando se o investimento feito está desempenhando de acordo com as premissas adotadas quando do momento do investimento, e reportando à direção da empresa e  ao conselho os motivos de eventuais desvios. Tais desvios são analisados e ações corretivas são tomadas.

Ou seja, há um ritual, um processo, que precisa ser seguido para minimizar perdas que são inevitáveis nestes investimentos, pois investir tem sim um caráter especulativo (já vejo alguns leitores mais alinhados aos pensamentos do novo socialismo tupiniquim ter calafrios), pois é feito com base em especulações sobre como os resultados futuros do investimento irão desempenhar. Ou seja, investir capital não é tão diferente do que investir em ações na bolsa, quando olhamos desta ótica. O que as grandes empresas fazem é adotar processos de investimento que são inteligentes, ou seja, processos que são aprimorados na medida em que se apende com os próprios erros e com os erros dos outros.  Para uma empresa como a Petrobrás, que investe mais de US$ 40 bilhões por ano,  o que é equivalente a 50% do seu valor de mercado, tal processo de investimento precisa ser um dos seus principais atributos e fatores de diferenciação vis a vis seus competidores. Além das questões tecnológicas e técnicas associadas ao processo de prospecção e de extração de petróleo, a disciplina no processo de investimento é um fator chave para o sucesso da empresa no longo prazo. 

Mais intrigante do que a perda ocorrida, é o debate que ocorre através da mídia entre o Presidente (a) do Conselho na época, o Presidente da empresa, alguns de seus executivos e conselheiros da empresa sobre tal decisão. Todos estão preocupados em se isentar de responsabilidades pela decisão tomada. E aqui vai meu primeiro pitaco: mesmo se um processo de investimento for de fato sólido, bem amarrado, ele não evita perdas. Porém se de fato este processo for bem amarrado, a responsabilidade pelas decisões tomadas é de todos envolvidos e não podem ser fulanizadas, pois é assim que um processo de investimento adequado funciona. Logo, o debate, da maneira que vem sendo conduzido, indica que nenhum dos envolvidos, inclusive a Presidenta da República, está seguro quanto à qualidade do processo de investimento da empresa.

Se as informações que chegaram ao Conselho para a decisão são de fato falhas e incompletas como se sugere, isto significa que o processo decisório da empresa com relação a seus investimentos de capital seja falho e, portanto inadequado ao ambicioso plano de investimentos que a empresa está levando adiante. Ou seja, é provável que tais perdas possam se repetir em outros investimentos internos que a empresa esteja fazendo no pre sal, em refinarias ou em outras atividades produtivas. Isto poderia explicar a baixa rentabilidade da empresa, que hoje tem sido justificada apenas pelo subsídio feito pela empresa aos preços da gasolina. Porém estudos feitos por alguns bancos indicam que o retorno sobre investimentos de capital da empresa estejam abaixo do apresentado por outras empresas do setor.

Um contra argumento possível a esta hipótese está centrado na qualidade do corpo gerencial da empresa. Há acusações por parte de alguns envolvidos no processo contra alguns executivos, que não teriam cumprido seu papel no papel no processo de investimento, ou por incompetência ou por terem agendas próprias por motivações políticas ou econômicas. Novamente isto é sintoma de falha no processo de investimento da empresa, pois dados os montantes envolvidos, nenhum processo de investimento bem estruturado pode depender de um executivo apenas ou não ter um sistema de checagem e verificação de decisões por comitês técnicos multi disciplinares. Isto garante que vários olhos analisem o projeto, e que a relevância de opiniões individuais seja minimizada.

Nesta linha, alguns acreditam que a empresa e seus comitês técnicos estejam sendo aparelhados politicamente, ou seja, que os cargos técnicos estariam sendo preenchidos por pessoal de menor qualificação técnica, porém com apoio político de partidos que apoiam o governo. Assim tais comitês técnicos não estariam preparados para decidir de forma técnica, ou estariam sob forte influência política, o que intimidaria aqueles que se opusessem a tais investimentos, com medo de terem suas carreiras arruinadas.  Novamente, isto mostra um completo desalinhamento entre os objetivos da empresa e a agenda de seus executivos, algo que acaba destruindo a integridade do processo decisório em questões de investimento.

A última salvaguarda reside no Conselho de administração da empresa, órgão superior que representa os interesses dos acionistas. Este conselho é controlado pelo acionista controlador da empresa, que designa o Presidente do Conselho e a maioria dos conselheiros. A boa governança exige que tais conselheiros tenham experiência na gestão de empresas de grande porte e tenham independência para agir e votar nas questões ali trazidas. Aqui temos mais uma falha no processo decisório. Na medida em que a maioria dos conselheiros seja  escolhida pelo controlador, não é razoável esperar que tais conselheiros votem contra os interesses do acionista controlador, em particular no caso da Petrobrás onde o controlador é o Governo Federal. Isto ocorre em toda empresa que apresente a figura de sócio controlador majoritário, mas é agravado nas Estatais. Ou seja, embora formalmente os conselheiros tenham corresponsabilidade pelas decisões tomadas e pelas visíveis fragilidades existentes nos processos decisórios de investimento de capital dentro da empresa, a responsabilidade final cai sobre os ombros do controlador e de seus representantes. No caso da Petrobrás, trata-se do Governo Federal.

Aqui surge a inconsistência final. Da maneira que o conselho é montado, onde ministros de Estados assumem posições decisórias, é inevitável que as decisões sejam politizadas e, portanto não estejam alinhadas aos interesses dos acionistas minoritárias. Decisões politizadas que muitas vezes se impõe e ignoram aspectos técnicos e de boa prática gerencial ocorrem com frequência o que acaba violando a integridade dos processos decisórios da empresa. Indicações de executivos com base em critérios políticos, sem preparo técnico, e com uma agenda visando benefício próprio ou de grupos a eles ligados, fragilizam todo o processo. Ou seja, a politização da empresa acaba por afetar seu desempenho financeiro e, portanto, sua capacidade de fazer novos investimentos, prejudicando o patrimônio público que está ali investido na forma de ações.

Está na hora de se repensar o modelo de governança das empresas estatais, saindo deste falso dilema entre a politização da empresa ou privatização. Há uma terceira alternativa, que pode implicar até em aumento da participação do estado no capital da empresa, capital este que visa extrair valor econômico da mesma, através de dividendos e lucros maiores. Tais dividendos poderiam então ser usados pelo Estado controlador para financiar gastos públicos, sem ter que aumentar impostos. O modelo que proponho é o adotado por alguns países (Cingapura), onde as participações acionárias do governo em empresas são alocadas à empresa holding  100% controlada pelo Governo cujo o único objetivo seja gerenciar tais participações do governo em empresas estatais de grande porte. Tal holding indicaria  conselheiros profissionais para as empresas estatais, e atribuiria a tais empresas metas com base em indicadores de desempenho objetivos. Tanto a holding como as estatais por ela controladas teriam seus executivos contratados no mercado ou nos quadros técnicos da empresa,  que seriam atraídos por planos de compensação competitivos e atraentes, com bonificação ligados a desempenho das empresas estatais. Ou seja, é preciso manter o controle estatal da empresa, mas sim privatizar suas práticas gerencias e administrativas. Desta forma, a gestão das empresas se profissionalizaria e estaria mais afastada das pressões políticas. Seus resultados poderiam ser cobrados com mais firmeza, como ocorre nas empresas privadas, e as responsabilidades apuradas livremente, sem julgamento eleitoral ou político.

Erros acontecem, decisões de investimento equivocadas fazem parte do dia a dia de quem investe dinheiro, pois não há como controlar todas as variáveis envolvidas em tais processos. Sei muito bem disto. Casos como Eike Batista ocorrem sim.  Porém podemos e devemos sim assegurar que os processos decisórios que levam a tais decisões sejam íntegros, racionais, profissionais e alinhados aos interesses dos acionistas, sejam eram controladores ou minoritários. E este desafio, no caso de empresas como Petrobrás e Eletrobrás, é maior uma vez que elas estão hoje expostas a enorme ocupação política. O debate que temos visto serve para mostrar que há sim fragilidades no processo e que o modelo de gestão das estatais apresenta sérias falhas. Porém, personalizar ou fulanizar tal debate é inócuo e prejudica a correta análise do problema real, que vai muito além de quem era o Presidente do Conselho na época.

Espero que os socializantes-estatizantes de plantão tenham aprendido com mais este erro. Eles já entenderam que a manipulação dos preços da gasolina foi um grande equívoco, como  afirma o Economista Beluzzo abaixo:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,belluzzo-critica-acao-do-governo-na-petrobras,1142917,0.htm

Quem sabe daqui alguns anos eles aprendam também que uma empresa como a Petrobrás precisa ser tocada por gente com competência, com experiência em administrar empresas de grande porte e com processos profissionais avançados. E que lá não é lugar de político nem de apadrinhado. Ou seja, vamos fazer a boa governança virar o jogo.

 

 

 

Autor: Tags:

7 comentários | Comentar

  1. 57 joão flavio 26/03/2014 20:13

    Perái Gallo , não me entenda mal .
    Conheço o tal processo decisório . Aprendi um monte de coisas na Vanzolini .
    Isto foi uma delas .
    O que eu quis dizer foi que , no caso em pauta , essa analise não foi feita corretamente pelo pessoal de analise da Petrobras .
    E a pergunta que eles deveriam ter feito ( por que algo que foi vendido inteiro por 50 mi a um ano atras vai ter metade comprado agora por 360 mi ? )
    A obtenção da resposta e a analise adequada da mesma poderia indicar problemas , ou , ok , a situaçãoé circunstancial ou conjuntural e vai mudar ( o que no caso , não aconteceu )
    Quanto ao processo que voce descreveu , funciona sim e muito bem .
    Mas não em empresa estatal aparelhada e colocada a serviço do Governo .
    Alem é claro da “armação” que com certeza aconteceu .
    Alguem faturou sim alto e por fora nessa operação .
    Eu sei disso . E voce tambem esta careca de saber que sim ! ( desculpe o trocadilho )

    • Ricardo Gallo 27/03/2014 11:27

      opa! no problema. porem eu acho importante separar o caso criminal do caso gerencial.

      caso criminal ocorre ate em empresas com processos excelentes. porem as perdas sao localizadas. nao sistemicas.

      porem quando o processo eh fraco, alem de aumentar a possibilidade de armacao, ate onde nao ha aramacao pode dar bobagem… e ai buraco é muito embaixo…. vide eike.

  2. 56 joao flavio 26/03/2014 6:10

    O que esse tal de “Processo Decisorio para Investimento” tão bonitinho que voce descreve no post esqueceu de ver e analisar apenas a coisa mais importante do negocio :

    Por que cargas d’agua nós , a PETROBRAS , vamos ter que pagar 360 bi por METADE de um negocio que foi vendido A UM ANO ATRAS por 50 mi , O NEGOCIO INTEIRO ????

    Respondida essa perguntinha basica , de duas uma : ou o negocio não saia ; ou , se saisse , seria em outras bases e condições .

    Mas na verdade , o que houve foi só falcatrua mesmo . Foi A PORRADA do ano !!!

  3. 55 joao flavio 26/03/2014 6:07

    O que esse tal de “Processo Decisorio para Investimento” tão bonitinho que voce descreve no post esqueceu de ver e analisar apenas a coisa mais importante do negocio :

    Por que cargas d’agua nós , a PETROBRAS , vamos ter que pagar 360 bi por METADE de um negocio que foi vendido A UM ANO ATRAS por 50 bi , O NEGOCIO INTEIRO ????

    Respondida essa perguntinha basica , de duas uma : ou o negocio não saia ; ou , se saisse , seria em outras bases e condições .

    Mas na verdade , o que houve foi só falcatrua mesmo . Foi A PORRADA do ano !!!

    • Ricardo Gallo 26/03/2014 16:55

      como eu disse, eu nao me esqueci de mencionar isto pois nao foi meu objetivo neste post avaliar a decisao, pois nao disponho das informacoes que o conselho e executivos tinham em maos quando decidiram comprar.

      porem este seu argumento de que era mais barato um ano antes, nao indica necessariamente que foi um mal negocio.

      veja por exemplo o que ocorreu com indice do sp setorial das empresas de refino de oil nos eua:

      em 2004 valia 200
      em 2007 bateu 650
      em 2009 caiu para 180 e hoje esta de volta a 568

      Ou seja, no agregado valor muda muito.

      por exemplo, a valero energy saiu de 10 dolares em 2004, e bateu 70 em 2007, caiu para 15 em 2009 e hoje vale 54…. logo, todos que compraram tal acao em 2006 e 2007 quando ela estava ao redor de 60 foram burros ou incompetentes???

      hoje a acao do facebbok esta a 61 dolares e estava a 25 ha um ano atras… comprar hoje é ruim? e estava a 50 ha 6 meses… foi ruim para quem comprou a 50??

      olhar preco nao indica nada. nada. coisas mudam. por exemplo, dependendo do crack spread ( margem de lucro bruto das refinarias), muda o valor de refinarias. crack spread no golfo do mexico ( usa) bateu 40 doleta por barril em 2005, em 2009 estava a 6 doleta, em 2012 bateu 35 e hoje esta 21, de pois de bater 10 dolares/ barril ha alguns meses…. quanto maior crack spread mais lucro gera refinaria…. e nao da para prver o que vai acontecer com crack spread… ha um mercado na bolsa para esta coisa…. se alguem soubesse abriria um fundo disto e ficaria rico….

      logo….

      o que importa é se o processo decisorio foi bem feito ou nao….. é assim que se avalia . to no business de administrar grana ha mais de 20 anos…e aprendi isto com sangue e suor.

      e ha indicios que os processos decisorios na empresa sao pessimos.

      ps: este processo bonitinho é usado por dezenas de milhares de empresas… logo, nao é rocket science. tem outros metodos bem mais sofisticados… vale a pena estudar GE… os caras sao feras neste assunto….

  4. 54 Joe Zeibars 24/03/2014 18:48

    Excelente texto Gallo, é uma contribuição importantíssima para o debate ao olhar a floresta (governança de estatais e processos de investimento) e não a árvore. Infelizmente sou cético em relação à vontade política de profissionalizar a gestão de estatais ou de melhorar a governança dado uma visão que grandes estatais são nada mais que outro balanço público que não consolida nas contas públicas além de proverem uma grande gama de “alavancas” e “botões” na economia para governos intervencionistas usarem…

    • Ricardo Gallo 25/03/2014 12:39

      gracias zeibars.

      o problema é que o governo reage a criticas, como a feita pela s&p, como um ataque politico. é uma sindorme persecutoria. razoavel para um grupo que de fato foi cassado e caçado durante a ditadura. porem tal neurose coletiva impede o aprendizado.

  5. 53 Ricardo R 24/03/2014 17:11

    Outra coisa interessante, é como que uma refinaria que custava 42 mi no ano anterior, de repente passou a valoer 1 bi? que tipo de investimento foi feito em 1 ano que de repente valorizou em mais de 1000% o ativo?

    Fora que esses conselhos são uma piada. É só gente de “alto” gabarito compondo. Erenice Guerra, Mirian Belchior, guido mantenga. Só gente altamente “tecnica e com amplos conhecimentos” no ramo. Tem uns que são até multifuncionais, altamente capacitados em vários ramos distintis como Petróleo e Energia Elétrica.

    • Ricardo Gallo 24/03/2014 17:20

      eu prefiro ficar fora do debate sobre a decisao per se, mas focando apenas no probelma mais serio: o que garante que este tipo de problema nao esteja ocorrendo em outros investimentos de capital da empresa, como na construcao de refinarias, na prospeccao?

  6. 52 Paulo Simões Diniz 24/03/2014 1:39

    A cláusula Marlim, segundo divulgado até agora, garantia ao sócio da Petrobrás uma rentabilidade mínima no negócio ainda que houvesse prejuízo. Nunca vi este tipo de negócio entre dois sócios. Em caso de lucro, divide-se. Em caso de prejuízo ou lucro baixo, um dos sócios paga ao outro um lucro garantido.

  7. 51 Paulo Simões Diniz 24/03/2014 1:34

    A decisão de prospectar e explorar petróleo fora do Brasil foi uma decisão lógica do ponto de vista empresarial porque:
    – a descoberta de Campos ampliou reservas porém não eram tão volumosas a ponto de deixar a empresa tranquila,
    – a produção total de petróleo no País, após descoberta na bacia de Campos, aumentou consideravelmente mas ainda gerava déficit na relação produção vs consumo
    – com a quebra do monopólio outras empresas vieram se estabelecer no País (a maioria em sociedade com a Petro) e nada mais lógico do que exigir reciprocidade.

    Até aí entendo bem e a empresa foi para a AL, África, Golfo do México, Mar do Norte e até Oriente Médio (estas duas últimas áreas já desativadas).

    O que não entendo é o fato de comprar e operar refinarias no exterior. Qual é a lógica:
    – enviar petróleo de Campos para ser refinado nos Estados Unidos e Japão e trazer diesel e gasolina para o Brasil????? Não há lógica nesta logística…….

    ou

    – enviar petróleo de Campos para ser refinado e vendido nos Estados Unidos e Japão? Nossa posição de produção de petróleo era deficitária, então qual o sentido de exportar, refinar e vender em outros países? As refinarias em ambos os países eram pequenas e a empresa teria uma parcela ínfima de mercado. Em mercados desenvolvidos e competitivos, pequenas parcelas de participação não geram bons lucros.

    Sempre me questionei qual a lógica que a empresa percebeu em adquirir refinarias no Exterior. A decisão mais correta, do ponto de vista empresarial, seria construir refinarias no País, ainda que fosse mais caras que adquirir o empreendimento pronto no Exterior.

  1. ver todos os comentários

Os comentários do texto estão encerrados.