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quinta-feira, 3 de abril de 2014 ataques especulativos, Investimentos, Politica Economica | 18:01

Bolhas, espumas e coisas afins

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Depois de meu último post sobre os dilemas da Sra. Yellen no comando do FED recebi vários comentários sobre a questão das “bolhas”, o que mostra que o vocábulo usado e a metáfora aplicada pelos mercados pode levar a confusões semânticas importantes e problemas enormes de comunicação. Assim sendo, eu achei recomendável elaborar um pouco sobre como eu vejo o tema “bolha”.

Da forma que eu vejo, um mercado, ou certo ativo, caracteriza uma bolha quando, em virtude de algum aspecto técnico (desequilíbrio entre oferta e procura por alguma razão temporária), um ativo é negociado muito acima do preço que pode ser justificado pelo seu valor econômico esperado.

O valor econômico esperado é determinado pelo valor presente dos benefícios econômicos esperados a serem obtidos ao se manter um investimento em determinado ativo. Tais benefícios são decorrentes de receitas com juros, alugueis, dividendos, royalties, economias geradas e outros ganhos que sejam específicos para determinados grupos de investidores, como isenções fiscais ou outros ganhos estratégicos ou de utilidade / conforto. Estes benefícios são estimados com base em expectativas econômicas de longo prazo razoáveis que estejam dentro de um padrão histórico normal. Tais benefícios esperados para o futuro são avaliadas na data da negociação do ativo, e são descontados por uma taxa de desconto definida em função da taxa de juros livre de risco para o longo prazo acrescida de uma taxa de risco que leva em conta a incerteza com relação aos benefícios de longo prazo de tal ativo. Quanto maior esta taxa de desconto, menor o valor econômico de tal ativo.

Este valor econômico é bastante subjetivo, porém na maioria dos ativos com mercados mais líquidos, onde há um histórico mais longo sobre sua performance passada, as variações entre as diversas avaliações tende a ser pequena, e justificável a luz das variâncias normais das expectativas de benefícios futuros entre diferentes investidores, em função das imperfeições naturais do processo de disseminação de informações entre os agentes do mercado.

Existe também o valor de reposição de ativo. Por exemplo, podemos comprar uma ação de uma rede de supermercados, ou montar uma nova rede de supermercados do zero, investindo em lojas, marketing, construção, marca, distribuição, logística, tecnologia, patentes, know-how, estoques, e etc. O valor estimado para se montar ou recriar um ativo do zero é chamado valor de reposição. Se não for possível replicar o ativo, muitas vezes é possível encontrar substitutos que desempenhem um papel similar, como no caso de milho e da soja, ambos podendo, em algumas circunstancias, serem substitutos na função de ração animal.

Quando, por alguma questão técnica, há uma demanda por ativos que é superior a sua oferta, o preço de mercado sobe. Se tal alta estiver dentro da volatilidade normal do preço vis a vis suas incertezas inerentes justificadas por eventuais flutuações normais das percepções quanto a seu retorno futuro, o mercado vai se ajustando normalmente e o preço de mercado flutua ao redor do seu valor econômico.  Contudo, quando os desequilíbrios técnicos entre oferta e demanda por tal ativo persistem por muito tempo, as distorções de preço podem ficar exageradas. Quando isto acontece, o valor de um ativo pode ficar muito acima do seu valor de reposição (ou de substituição por algo similar). Neste caso, alguns investidores e empresários percebem esta diferença e alocam recursos em ativos substitutos, que são mais baratos que o valor de mercado do ativo em questão. Isto aumenta a oferta do ativo e de seus substitutos, o que acaba reduzindo o seu valor de mercado. Isto traz seu valor de mercado de volta para níveis mais próximos do seu valor econômico, que, no longo prazo, converge para o valor de reposição, na medida em que mais e mais competidores entrem no mercado. Este é o mecanismo que os mercados de ativos apresentam para ajustar as distorções estruturais entre a oferta e a demanda, mecanismo este que tem suas limitações, por mais indignados que fiquem os ultra liberais.

Algumas vezes as distorções técnicas são tão intensas, que os preços sobem muito rapidamente, não permitindo que o ajuste de oferta promovido pelo processo que descrevi acima ocorra eficazmente. Isto pode causar uma elevação anormal dos preços por um tempo exagerado, que ficam muito acima do valor econômico justificável  mesmo quando este é avaliado tomando como base expectativas bastante otimistas quanto ao desempenho futuro. Neste caso, estamos assistindo a formação de uma bolha.

Quando os preços dos ativos sobem rapidamente por períodos prolongados, alguns investidores ficam atraídos pelo seu desempenho recente, e investem mais recursos em tais ativos atraídos por seus retornos de curto prazo. Isto gera mais demanda por tal ativo, que acaba elevando os preços ainda mais. Tal processo, além de elevar os preços de forma injustificável, acaba levando tais investidores a alocações e concentrações irresponsáveis em seus investimentos, desequilibrando suas carteiras. Quando isto ocorre em larga escala, gera-se uma distorção de preços relativos entre os diversos ativos no mercado. O preço dos ativos em bolha sobe muito e os outros ativos sobem menos do que deviam, ficando excessivamente baratos.

Se tal bolha fica limitada a um ativo ou a um pequeno grupo de ativos, ela normalmente dura pouco, e é ajustada pela oferta de bens similares ou substitutos. Mas bolhas podem sim se espalhar e contaminar o preço de outros ativos similares ou substitutos, quando os tais fatores técnicos são muito fortes e permanentes. Ou seja, se a demanda por tais ativos for muito grande, seu preço sobe, levando consigo o preço de outros ativos similares ou substitutos, o que pode colocar seus preços acima de seus valores econômicos. Este processo vai assim se espalhando pela economia como um todo, aumentando a distorção de preços relativos entre os ativos em bolha e o restante dos ativos na economia. Isto pode distorcer o processo de alocação de capital aos diversos investimentos produtivos na economia, pois os capitais que ficam atraídos pelos setores em bolha e ignoram outros setores, que ficam assim sem os investimentos necessários para repor sua depreciação. Aumenta-se desta forma o risco de excesso de investimentos em setores em “bolha”, que geram um excesso de capacidade produtiva muito acima da demanda projetada por bens ou serviços nestes setores.

O processo de crédito viabiliza tal contágio e intensifica a formação de bolhas. Ativos em “bolha” apresentam retornos excessivos no curto prazo, uma vez que seus preços sobem muito rapidamente. Logo, é aparentemente vantajoso tomar empréstimos junto ao sistema financeiro e investir em tais ativos, uma vez que seus retornos de curto prazo têm sido muito superiores aos juros cobrados nestes empréstimos.  Desta forma, o capital investido nos ativos em bolha não fica mais limitado ao capital próprio de investidores, mas é alavancado por recursos tomados junto a terceiros.

Quando chega-se a tal situação, a velocidade de formação da bolha é acelerada, o que acaba acelerando a oferta de ativos substitutos ou similares, oferta esta que em algum momento começa a atender a demanda criada. Quando isto ocorre, os preços de mercado dos ativos em bolha começam a cair. Aqueles que se endividaram para investir em tais ativos começam a perceber que o valor investido não será suficiente para cobrir os encargos do empréstimo, e começam a liquidar seus investimentos, o que acelera a queda dos preços. Os investidores que não se alavancaram mas sobre investiram no ativo em bolha, começam a reduzir sua exposição, uma vez que avaliam que o ativo de fato está sendo negociado acima do seu valor econômico. Os compradores se retraem, o que fazem com que o preço desabe. E assim a bolha estoura. Se a tal bolha estiver espalhada pela economia, este mesmo fenômeno se manifestará em outros ativos que tiveram seus preços inflados, o que levará à queda generalizada de preços de ativos e à sensação de empobrecimento que isto causa. Isto consequentemente causa uma forte queda nas expectativas e no otimismo por parte de empresários e consumidores, com impacto negativo sobre o consumo e o investimento. Para agravar a situação, se a alavancagem sobre os canais de crédito usada para financiar tais investimentos for excessiva, os financiadores sofrerão perdas de crédito, o que pode levar a uma contração na oferta geral de crédito na economia, como a que vimos nos EUA e na Europa recentemente.

Fica assim pavimentado o caminho para uma recessão ou estagnação, dependendo do tamanho da bolha formada. Tais bolhas levam muito tempo para serem digeridas, com custos sociais elevadíssimos.

Mas quais são os tais dos “fatores técnicos” que podem levar à formação de bolhas em alguns mercados?

Bom, aqui a imaginação e a ambição humana mostram seus infinitos limites:

  • Novas tecnologias podem aumentar a atratividade de certos ativos, como ocorreu na bolha da internet, atraindo assim recursos em excesso que reduzem o retorno dos investimentos;
  • Novos mercados consumidores que surgem em função de mudanças sociais e políticas imprevistas, como a queda do União Soviética nos anos 90 e as reformas capitalistas na China no início deste século, que trouxeram uma forte demanda adicional para produtores despreparados para atende-la;
  • Expectativa de escassez futura de algum produto, devido a limitações ambientais, geopolíticas, naturais ou tecnológicas, que leva a estocagem excessiva de bens, como no caso do Petróleo nos anos 90 e minérios recentemente;
  • Juros livres de risco de longo prazo muito abaixo do normal, em função de políticas cambiais, fiscais ou monetárias excepcionais e, portanto, insustentáveis no longo prazo;
  • Tendência de queda da volatilidade macroeconômica em virtude de períodos de crescimento estável excepcionalmente longos, que levam a redução do spread de risco demandado pelo mercado e usado na estimativa do valor econômico dos ativos. Isto ocorreu no período que se seguiu a unificação monetária na Europa e durante a “grande moderação nos EUA” depois dos anos 90;
  • Mudanças regulatórias ou inovações financeiras que permitem o acesso a investimentos em novos mercados até então desconhecidos pela maioria dos investidores, como foi o caso dos papéis com lastro em hipotecas sub prime nos EUA;
  • Repressão financeira patrocinada pelo governo, que dirige artificialmente recursos privados para investimentos em certos setores em detrimento de outros que tenham melhor relação risco / retorno mas que não atendam as agendas políticas sociais, como ocorreu na bolha de investimentos públicos patrocinada pelo governo Chinês nos últimos anos;
  • Modismos que, através da mídia e da propagação de análises otimistas, criam expectativas irreais de crescimento e de ganhos em alguns setores da economia ou mercados (como na bolha recente dos mercados emergentes);

E por aí vai.

E como evitar bolhas?

Bem, eu acho que não há como evitar espuma, as pequenas bolhas localizadas, pelas razões que listei acima. Nossa ambição e imaginação não tem limites. Somos humanos. E foi esta ambição e imaginação que nos tirou das cavernas e nos trouxe até a era da tecnologia da informação. Contudo, há maneiras de se evitar que a espuma se transforme em bolhas generalizadas na economia.

O que de fato viabiliza a transformação de espuma em bolha é a oferta excessiva de crédito. O canal de crédito (através dos mercados de capitais e de bancário) pode ampliar o tamanho da bolha dramaticamente ao alavancar o capital disponível para fomentar tais bolhas. Além disto, quando as bolhas fomentadas por crédito estouram, os danos não ficam apenas limitados àqueles investidores que alocaram sua própria poupança aos investimentos irresponsáveis.  Os danos também atingem os intermediários financeiros que financiaram a bolha. Dependendo do tamanho de tal alavancagem, as perdas de crédito geradas pelo estouro da bolha podem ser insustentáveis para tais intermediários, o que pode levar ao colapso de parte relevante do sistema de crédito, com impactos nefastos para a economia como um todo ao reprimir a oferta geral de credito.

Desta forma, os BC’s têm a responsabilidade de evitar que isto ocorra, através de políticas cambiais, monetárias, prudenciais e regulatórias que impeçam tais bolhas. Muitas vezes é preciso que haja um aperto preventivo na oferta monetária, mesmo que a inflação esteja dentro das metas estabelecidas, através da elevação dos juros básicos ou de outras medidas quantitativas e regulatórias, visando encarecer o crédito e desestimular a expansão do processo de formação de bolhas. Há, porém, um custo de curto prazo ao se fazer isto. Tal elevação dos juros acaba tendo impactos na economia como um todo, o que reduz emprego e o crescimento no curto prazo. No entanto, cabe ao BC avaliar se o custo de curto prazo é justificável à luz do potencial custo futuro esperado na eventualidade do estouro de uma bolha.

Existem alguns aspectos que tornam a vida dos BC’s mais difíceis neste front:

  • Os mandatos institucionais dos BC’s normalmente não incorporam a missão de combater bolhas explicitamente ou quais os instrumentos autorizados nesta batalha. Isto acaba inibindo as ações das autoridades monetárias, que são orientadas primordialmente para cumprir seus mandatos de combate à inflação e ao desemprego, quando for o caso.
  • É muito difícil avaliar ex ante se de fato há uma bolha em formação. Aqueles que se beneficiam durante o processo de formação da bolha (intermediários financeiros, investidores mais agressivos, governos coniventes e empresas do setor beneficiado) combatem ativamente a ideia de que haja uma bolha em formação. Durante a bolha da internet no início deste século, as empresas e analistas chegaram ao ponto de afirmar que estávamos diante de uma quebra de paradigma econômico e que o lucro não seria mais tão relevante na avaliação de investimentos. Durante o boom imobiliário dos EUA os governos locais exigiam que emprestassem mais para famílias de baixa renda, apesar da baixa qualidade daqueles créditos.
  • Os BC’s menos independentes temem os custos políticos de combater bolhas em formação, uma vez que elas muitas vezes geram ganhos para governos, com mais impostos e com o aumento da popularidade causado pela mídia positiva que elas criam em sua fase inicial.
  • Os governos, com medo de prejudicar sua popularidade, muitas vezes fomentam a formação de outras bolhas para combater os efeitos do estouro de uma bolha, como o ocorrido no primeiro mandato do Governo Bush após o estouro da bolha da internet, quando este apoiou políticas que levaram a formação da bolha imobiliária de 2008.

Passados 6 anos do estouro das maiores bolhas da história econômica (imobiliária nos EUA e dos títulos soberanos na periferia europeia), ainda se sentem seus impactos negativos pelo mundo afora. Vamos avaliar se desta vez aprendemos, ou se estamos iniciando uma nova fase de formação de bolhas que nos levará, em alguns anos, a outra crise.

Onde será a próxima bolha? Difícil dizer agora.

Quando ela vai estourar? Ainda falta  tempo.

Mas prometo responder assim que alguma bolha estourar daqui a alguns anos.

Prever o estouro de bolhas é muito fácil, pois elas sempre estão correndo. Tem até economista especialista em prever estouro de bolha, pois todas um dia estouram. Porém nunca ninguém consegue prever quando e como isto acontecerá. E quando elas começam a esvaziar, alguns tardam para reconhecer. Aí já é tarde demais…

housing-bubble

 

 

Ps: e a turma lá fora já começa a debater se há ou não bolha na bolsa nos EUA: http://online.barrons.com/article/SB50001424053111903698104579477321971635790.html?mod=djemb_dr_h

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9 comentários | Comentar

  1. 59 Jorge 06/04/2014 20:46

    Sim, Ricardo.
    Escreveu todo o artigo mencionando apenas uma vez a palavra “imobiliária”.
    Parece uma palavra tabu, mas tranquilize-se pois o âncora do Jornal Nacional já pronuinciou esta palavra.
    O tema é polêmico, uma multidão afirma que existe, vai estourar, outra igual jura que não.
    Pela experiência quando um assunto é muito debatido e criticado a consequência é negativa para a maioria das pessoas (massa). Veja como exemplo OGX, a vida societária da Oi (antiga Telemar) e assim por diante.
    Esperamos o artigo sobre bo* imo* (viu, não falei).

    • Ricardo Gallo 07/04/2014 18:08

      Caro Jorge,

      Nao falei em imoveis, pois o objetivo do artigo nao era falar sobre a bolha de imoveis no Brasil, mas sim ajudar no debate sobre se ha ou nao bolhas em formacao nos EUa, a luz de um post recente que fiz sobre os dilemas do FED na fixacao de juros.

      http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2014/04/01/fed-de-yellen-entre-a-deflacao-e-a-bolha/

      Tenho fixado a minha atencao ao que acontece nos juros nos EUA por razoes que ja levantei aqui em outros posts. E nao ha nenhum indicio de bolha imobiliarias em nenhum grande mercado nos eua, pois estes la se encontram em precos ainda inferiores aqueles praticados em 2007.

      quanto ao mercado de imoveis no Brasil, nao me sinto qualificado ou preparado para afirmar que haja ou nao haja uma bolha de precos. Uma das coisas que prezo nesta coluna é me limitar a comentar os assuntos que conheco, e infelizmente nao conheco a dinamica dos mercado residencial em sao paulo, rio ou bh para comentar a respeito.

      quanto as questoes de OI e OGX, havia inumeros analistas de bancos publicando e divulgando suas opinioes sobre tais empresas. eu tinha minhas visoes sobre o problema, que apliquei nas carteiras sob minha responsabilidade de gestao em minha empresa, e sei que alguns analistas recomendavam a venda e outros recomendavam a compra nestes dois casos. logo, aqueles que investem precisam se informar mais e ouvir mais as diversas opinioes antes de simplesmente comprar uma acao. e se nao se sentirem preparados para avaliar esta decisao, invistam em fundos de acoes que sejam bem diversificados.

      eu sempre procuro colocar aqui os dois lados do debate. este é o objetivo da coluna . informar e trazer o debate. ai com base neste debate eu acho que posso ajudar as pessoas a tomar decisoes mais conscientes. tomo sempre cuidado para nao recomendar compra ou venda de nenhum ativo aqui, pois isto seria leviano e pouco profissional de minha parte, a luz de minhas responsabilidades como gestor de recursos autorizado pela cvm.

      obrigado pelo comentario

  2. 58 Alexandre 06/04/2014 13:56

    Ricardo leio sempre suas análises.
    Parabéns e obrigado.

  3. 57 Paulo Simões Diniz 06/04/2014 2:07

    Ricardo, sobre o conceito de bolha: existe um consenso entre os economistas sobre o que é exatamente uma bolha ou existem opiniões diferentes sobre o assunto com divergências profundas entre os estudiosos?
    O conceito de bolha é aplicável a ativos destinados a troca comercial entre agentes ou se aplica para bens de consumo final seja de pessoa física ou jurídica como, por exemplo, imóvel residencial destinado a uso próprio?
    Qual a diferença entre bolha e preço fora dos fundamentos devido à descompasso entre demanda e oferta?

    • Ricardo Gallo 07/04/2014 17:46

      a. conceitualmente ha bolha sempre que nao se consegue explicar o valor de mercado de um ativo atraves de algum modelo economico baseado em expectativas racionais e razoaveis… esta eh a definicao normalmente aceita. bem subjetiva, pois sempre podemos criar algum novo modelo de utilidade, como o que voce colocou no texto abaixo quando menciona a utilidade da casa propria vs aluguel. ou seja, voce propoe que uma casa é um bem insubstituivel. concordo. mas e imovel comercial? e por que nao comprar uma casa num bairro A mais barato do que em bairro B? No final, a oferta de bens subsititutos a precos competitivos traz o preço desta utilidade para niveis economicos razoaveis…. evidentemente que existem alguns aspectos intangiveis na formacao do preco: quanto vale uma casa com vista para o mar??? ai cada um paga o quer…. e um vinho petrus 1990? como a oferta destes bens é inelastica a preco, nao da para definir bolha. isto vale ate surgirem bens substitutos… em boston e ny houve,, ha algumas decadas, uma saida da classe media dos bairros centrais que se valorizaram, que venderam seus imoveis hipervalorizados e foram morar na periferia em casas maiores e mais baratas.surgiu uma oferta subsitituta que alimentou oferta de imoveis em manhattam…e por ai vai. vejo algo similar acontecendo na vila nova conceicao e na vila madalena com as pequenas casas de vila que havia nestas regioes, que subiram de preco e abriram espaco pra predios….ou mansoes.

      b. conceito de bolha se aplica a qualquer compra de ativos que visam gerar retorno economico de longo prazo.no caso de bens de consumo e servicos, a bolha tem outro nome: inflacao. ai os bc’s sabem bem como avaliar….

      c. quando descompasso entre oferta e demanda nao eh corrigido por um aumento de oferta, forma-se bolha, pois a demanda de uso fica alimentada pela demanda especulativa. se ha a possibilidade de surgir algum ativo substituto, o preco para de subir. imovel frente pro mar no rio comecou a desaclerar quando a elite comecou a ver o mesmo tipo de imovel em miami pela metade do preco…. se isto nao acontecer, preco sobe, pois alguma funcao de utilidade apareceu na parada: por exemplo, ha um grupo de pessoas que gostam de contar pros outros que tem casa de frente para praia no leblon ou na vila nova conceicao… como ha poucas vnc’s e praias no leblon, a oferta nao se ajusta e preco dispara…. ate um ponto em que as pessoas colocam um preco maximo na utlilidade de ter uma casa frente pro mar, vs a possibilidade alugar um yacht na sardegna ou comprar um apto do dobro do tamanho no brooklyn… tudo ajusta.

      o fato é que se fosse simples a definicao de bolha, os bc’s nao teriam nenhum problema em combate-las. como o assunto é subjetivo, os policy makers ficam amarrados e as vezes deixam bolhas se formar…. este é o foco do artigo. de fato algumas funcoes de utilidade mudam em funcao de modismos, como coloquei no texto: veja o caso da bolha de preco das tulipas nos seculo 17 na holanda. logo, definir bolha eh uma arte… que ninguem domina.

      e com relacao ao mercado residencial, embora eu ache que a discussao seja atraente, ela é muito inconclusiva, pois o mercado imobiliario nas nossas grandes cidades é fragmentado demais: fatores como zoneamento, estoque de terrenos disponivel, processo de aprovacao e mobilidade afetam muito a funcao utilidade, ficando muito dificil fazer comparacoes. como nao sou especialista em imoveis residenciais, prefiro falar e discutir o que se passa com bolhas de ativos financeiros, que sao minha praia. ai as comparacoes sao mais simples e estou mais acostumado a lidar com a funcao utilidade dos juros e dividendos. dinheiro compra coisas… ja a vista do mar ou da praca pereira coutinho… duro avaliar!

      logo, deixo o post sobre uma bolha de imoveis em sao paulo para os especialistas e corajosos.

  4. 56 Paulo Simões Diniz 05/04/2014 23:40

    Gallo, na sua análise sobre o mercado imobiliário brasileiro (tem ou não tem uma bolha) é bom considerar que as pessoas que adquirem um imóvel para uso próprio não baseiam suas decisões pelas fórmulas econômicas complexas que você citou em seus dois posts. Isto é coisa de investidor. Há que se considerar – no caso brasileiro atual – a demanda das pessoas por possuírem um imóvel para sua residência.

    • Ricardo Gallo 07/04/2014 17:15

      sim. sem duvida. ai que se formam as bolhas. quando as pessoas compram ativos sem fazer conta.

      nao sao soh as pessoas que compram imoveis, muitas vezes quem compra acoes na bolsa age igual…..

  5. 55 Derivaldo 05/04/2014 14:50

    Concordo, excelente explicação. Você tem a capacidade de mostrar de forma simples o que muitos tornam complexo, além da conta. Parabens!

  6. 54 joao flavio 04/04/2014 19:37

    Gallo

    A proxima bolha começa exatamente quando a anterior termina .
    Explico .
    Quando uma bolha acontece , é por que existem desarranjos na administração economica de um pais .
    Quando a bolha explode , os Governos tomam medidas para evitar a ocorrencia futura desses mesmos desarranjos .
    Porem , estas medidas corretivas vão introduzir distorções nos principios economicos , que com o passar do tempo , vão ocasionar novos desarranjos que vão provocar uma nova bolha , que vai estourar , e ……… etc e tal .
    Tem sido assim desde 1629 .
    Por que o que esta envolvido no caso é o comportamento dos seres humanos , sua ganancia cega , sua estupidez sem limites .
    E isso , não tá com cara de que vá mudar tão cedo

    Vide : The Madness and the delusion of de crowds . The Devil take the hindmost . Confusion de Confusiones , só pra citar alguns titulos
    E

  7. 53 Ricardo 04/04/2014 13:42

    Gallo, concordo com o Rodrigo. A bolha imobiliária brasileira seria um ótimo assunto a ser abordado, para desespero de muitos.

    • Ricardo Gallo 04/04/2014 14:37

      vou dar uma matutada sobre o pobrema….

  8. 52 Arthur 04/04/2014 11:12

    Que aula! Parabéns e obrigado.

  9. 51 Rodrigo 03/04/2014 18:19

    Sempre acompanho o seu blog. Sugiro um tema a abordar: a bolha imobiliária brasileira, ainda negada por grande parte dos nossos economistas, mas detectada por outros, como Robert Shiller.

    • Hudson 04/04/2014 15:29

      Eu ia sugerir um artigo sobre isso. Apoio a sugestão.

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