Publicidade

quinta-feira, 12 de junho de 2014 Crise Brasileira, Heróis do Mercado, Politica Economica | 22:49

Delfim explica o PIBinho

Compartilhe: Twitter

Embora muitas vezes o ex Ministro tenha marchado sob  bandeiras opostas às minhas, é necessário dar a Cesar o que é de Cesar. E neste artigo abaixo, onde ele comenta mais um dado fraco do PIB, ele foi , mais uma vez, bem preciso:

Opinião Econômica – Sem surpresa

Opinião Econômica - Sem surpresa
04/06/14 – 13:22 
*Por Delfim NettoO crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro no primeiro trimestre, de 0,2%, corrigido pela variação estacional, não surpreendeu nem mesmo o governo, mas projeta grande preocupação sobre o ano de 2014.

O resultado reflete as incertezas do setor privado e o efeito da política monetária por seus canais de transmissão: a redução do nível de atividade, a redução do ritmo de expansão do crédito e a valorização do dólar. Disso algum gênio heterodoxo pode concluir que para fazer crescer o PIB é preciso aumentar a demanda global, o que, pelo uso mais eficiente dos fatores de produção, reduziria “naturalmente” a taxa de inflação.

Isso seria verdade se existisse ampla capacidade produtiva: energia, mão de obra e capital não utilizados. O pequeno problema é que, infelizmente, a hipótese é falsa!

O que deveria surpreender é por que o crescimento médio tão sem graça dos últimos anos não teve efeito visível sobre a taxa de inflação. A explicação é sem dúvida complicada, mas alguns fatos podem ajudar a entendê-la:

1) Existe um limite para a arbitragem do governo sobre a distribuição de renda a favor do trabalho numa economia de mercado. Quando ele é excedido, gera inflação porque os empresários tentam transferir para os preços o aumento do salário real superior à produtividade física do trabalho. Na medida em que não têm sucesso na transferência, reduzem os investimentos pela queda da capacidade de seu autofinanciamento e o crescimento murcha.

2) É impossível fixar ao mesmo tempo o pleno emprego e o salário real numa economia de mercado. Quando o governo subsidia os setores em que a demanda está mais fraca para manter o emprego, ele impede o funcionamento do sistema. O custo do subsídio transforma-se em pressão fiscal que deságua na dívida pública e pressiona o juro real.

3) A política monetária é necessária para controlar a inflação, mas não é suficiente. Se ela não tiver o apoio de uma política fiscal que reduza a demanda do governo e de uma política salarial que compatibilize o consumo com o investimento, seu custo é politicamente inaceitável.

4) A redução da taxa de inflação exige a redução de sua “expectativa”, o que é difícil quando preços controlados sugerem um aumento futuro da taxa de inflação.

O baixo crescimento, o estresse no mercado de trabalho, a inflação tensionada no limite da tolerância e o substancial déficit em conta corrente confirmam que o que temos é um problema de oferta, cuja solução exige o aumento da produtividade de toda a economia.

É o que o governo tenta agora produzir.

*Economista, ex-deputado federal e ex-ministro da Fazenda, do Planejamento e da Agricultura

Meu Pitaco e Bicadas: Só me resta aplaudir. Eu não vi até agora ninguém colocar de uma maneira tão sucinta uma análise tão precisa da atual situação econômica.  Como até pouco tempo o ex ministro era frequentemente ouvido pela Presidenta Dilma, quem sabe ela poderia voltar a ouvi-lo agora e assim obter a explicação que tanto procura:
Resumão: para aumentar salário e distribuir renda, precisa-se ao mesmo tempo aumentar a renda. Para aumentar renda, salário + lucro, precisa de maior produto…. Para ter mais produto precisa de :
  • mais capital humano ( L) = mais gente qualificada!!
  • mais investimento de capital ( K) = mais poupança !!
  • mais produtividade ( A) = menos governo ineficiente!!

Se tentarmos aumentar os salário sem aumentar 0 produto, temos mais inflação  e estagnação!  “Entennnde”?

Se até o Romário e o Pelé erram, como vemos no link:

https://www.youtube.com/watch?v=OoVuRBYVxRc

Chuta a bola, Presidenta!

Ou convoca o Solow:

solowzinho

Robert Solow 1

 

E não vamos agora   ficar perdendo tempo discutindo o alfa da fórmula acima e elucubrando sobre o trabalho do Piketty, pois a fila anda. E o povo tem pressa.

Autor: Tags:

3 comentários | Comentar

  1. 53 XG 15/06/2014 19:10

    Ricardo, a bomba é, em quem votar?

    • XG 17/06/2014 10:50

      Lascou. #partiuchile kkklkkkkkkkkkk vou esperar as propostas.

    • Ricardo Gallo 16/06/2014 11:54

      em quem propuser políticas publicas e economicas com as quais voce concorde.

  2. 52 JGould 14/06/2014 16:52

    O problema é que, o pessoal que manda no bráseo hoje, aprendeu a montar e desmontar um AK-47, mas não aprenderam derivar…

    • Ricardo Gallo 16/06/2014 11:55

      o pobrema da turma é aritmética… não é cálculo diferencial não….

  3. 51 Galo Cego 14/06/2014 12:28

    Agora é fácil,mas ano passado enviei vários comentários sobre o peso da indexação do mínimo nos custos da minha empresa e de amigos,e estes comentários não foram publicados,comentar obra feita é fácil amigo,quero ver pagar aumento a 200 funcionários 13 meses por ano,mais adicional de férias,mais encargos,sem aumentar os preços,a China não deixa.Outra coisa que já falei,quero ver na hora que demitir,tenho amigos que não estão aguentando segurar.Esse povo na rua com financiamento de carro,cartão,casa,empréstimos…Tudo mil anos pela frente.

    • Revolt 16/06/2014 12:36

      Talvez o que o Brasil precise é um rompimento total, tipo crise de 29. Somente com um choque desses as reformas que precisamos se tornam viáveis politicamente.

    • Ricardo Gallo 16/06/2014 14:16

      bom, na Espanha, na Grécia e em Portugal está acontecendo exatamente o que você diz…. de fato escapar do populismo fiscal é muito difícil…. vide Venezuela.

    • Ricardo Gallo 16/06/2014 11:56

      opa. desculpe se nao os publiquei. as vezes alguns comentarios vao direto ao spam e nao os vejo.

      obrigado pelo comentario de qualquer forma e mais uma vez minhas desculpas

    • hudson 16/06/2014 11:42

      O Brasil está ferrado se o continuismo deste modelo vencer em outubro.

  1. ver todos os comentários

Os comentários do texto estão encerrados.