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quinta-feira, 10 de julho de 2014 Câmbio, Crise Brasileira, Inflação, Sem categoria | 02:15

Apesar do PIBINHO inflação segue firme

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Os dados recentes da inflação mostram um quadro muito, mas muito ruim. Apesar do ensaio de “congelamento cambial e tarifário” dos últimos anos, a inflação superou novamente o topo da banda de metas:

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Em cinza acima vemos que desde 2010 a inflação tem estado constantemente acima do centro da meta. E em amarelo vemos que a inflação e a média dos seus núcleos ( que excluem variações excepcionais de preço) superaram pela terceira vez o topo da meta desde 2011. Ou seja, de fato o compromisso com o centro da meta ficou apenas no discurso.

A inflação mensal corrente, dessazonalizada, disparou nos últimos meses ( vermelho), como mostra gráfico abaixo:

inflmes

 

tanto nos seus núcleos ( gráfico verde) como na sua tendência filtrada ( laranja), e se encontra hoje ( vermelho) no maior nível desde 2006 ( seta amarela) andando a 8,5% a.a!!!!!!! 

E ela está se espalhando cada vez mais, como mostra o índice de difusão ( mesmo excluindo os preços de alimentos)  no gráfico abaixo:

difexalim

 

O grau de “espalhamento”  de nossa inflação ( vermelho)  é similar àquele que tínhamos em 2002 e 2003 ( amarelo), quando o câmbio disparou, como mostro em amarelo no gráfico abaixo do câmbio do real ( nossa taxa de câmbio vs. principais parceiros comerciais descontada a diferença de inflação) :

 

fxreal

 

Vemos que o câmbio está hoje ( preto) em nível muito próximo a sua normalidade desde 1990 ( reta verde), muito diferente do que ocorreu em 2002 até 2004 ( amarelo), quando o dólar disparou em função das incertezas decorrentes do processo sucessório naquela ocasião, trazendo consigo enormes pressões inflacionárias. SE o governo parasse de intervir no câmbio através dos derivativos ( os mesmos usados por FHC e cia. em 1998) é certo que o dólar subiria o que aumentaria ainda mais as pressões inflacionárias,  nos colocando assim de forma definitiva acima do topo da meta. Contudo, a manutenção do câmbio artificialmente valorizado prejudica a indústria ao reduzir o custo dos bens importados.

Apesar deste ” bom comportamento”  do câmbio e dos preços administrados ( controlados pelo  governo ou fixados em contratos) que sobem abaixo de 4% a.a., como vemos marcado em verde abaixo:

infldesagregaa inflação dos itens que flutuam livremente de preço sobe a mais de 7% a.a nos últimos 12 meses ( seta vermelha), e continua acelerando. Com a economia fraca, não há como afirmar que temos um excesso de demanda. Tampouco pode-se afirmar que o comportamento do preço dos alimentos tenha sido o fator determinante desta alta, pois seus preços estão subindo em ritmo similar à sua média dos últimos 10 anos como vemos no gráfico abaixo:

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Ou seja, a palavra I continua a ser dita e repetida cada vez mais forte… Isto tudo num cenário onde a palavra R começa a ser cada vez mais ouvida nos meios econômicos ( http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2014/07/08/a-palavra-r/  ).

E, como já vimos:

R+ I = E, onde E é estagflação (http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2014/07/03/rumoestag/)

Nem os mais pessimistas imaginariam este estado de coisas. Final melancólico, similar ao jogo de Nossa Seleção contra a Alemanha. Triste. Quatro anos jogados fora.

 

 

 

 

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2 comentários | Comentar

  1. 52 Ricardo R 10/07/2014 17:59

    Um sábio colunista quotou um sábio economista o seguinte:

    “Na verdade, não há nada mais fácil que criar emprego adicional por algum tempo: basta aliciar trabalhadores para algumas atividades que, através de dispêndio de dinheiro novo, criado especialmente para este fim, passaram a ser temporariamente atraentes.

    De fato, nos últimos [vinte e cinco] anos, temos de maneira deliberada e sistemática recorrido à rápida criação de empregos exatamente através da expansão da oferta monetária. Esta expansão, que tem aumentado regularmente nos últimos [200 anos], em decorrência de um defeito no sistema creditício, torna-se, assim, a causa de depressões recorrentes. Não nos deveríamos surpreender com esse resultado, sobretudo quando vimos sucessivamente removendo todas as barreiras que, no passado, foram levantadas como uma defesa contra a constante pressão popular a favor do “dinheiro barato”. Repetiu-se o que ocorreu no início do período das finanças modernas: fomos novamente seduzidos por alguém com poder de persuasão suficiente para nos levar à tentativa de um novo encilhamento inflacionário. E a bolha da inflação agora explodiu. Descobriremos rapidamente que muito do “crescimento” artificialmente induzido representou um desperdício de recursos e que a dura verdade é que o mundo ocidental está levando uma vida além de suas posses. “

    [….]

    “Restam-nos apenas três opções:

    1. Permitir que continue o acelerado processo inflacionário até que ele leve à completa desorganização de toda a atividade econômica.

    2. Controlar salários e preços, o que encobriria os efeitos de um a inflação continuada, mas, por outro lado, nos levaria, inevitavelmente, a um sistema econômico totalitário, dirigido centralmente.

    3. Frear com firmeza o aumento da quantidade de dinheiro, medida esta que, fazendo surgir um desemprego substancial, traria à tona todos os problemas decorrentes de um direcionamento errôneo da alocação da mão de obra, problemas estes que, causados pela inflação dos anos anteriores, se tornariam, no entanto, ainda mais graves no caso de se optar por qualquer uma das duas alternativas.”

    Fonte: http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2013/05/08/desemprego-e-politica-monetaria/

    =======

    Pois bem, o 1 já está em curso, com a inflação galopando 1p.p. ao ano nos últimos 3-4 anos já. O 2 tb já está em curso, com controle de preços de energia, combustíveis, tarifas, reduções pontuais de impostos que reflitam precisamente nos índices de inflação. E o 3, o BC tenta fazer por um lado enquanto o governo tenta abrir as torneiras pelo outro (BNDES, MCMV, baixando juros bancários de bb e caixa na marretada e assim vai).

    De qualquer forma, a seguir pelos ensinamentos do Hayek, já sabemos o que esperar para os próximos meses.

  2. 51 hudson 10/07/2014 11:12

    Se preparem, pois teremos mais 4 anos de idiocracia (isso se o PT não der o golpe final no próximo mandato).

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