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quinta-feira, 17 de julho de 2014 Crise Brasileira, Livros e publicações, Politica Economica, Sem categoria | 01:51

Meirelles critica o intervencionismo do governo

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O Ex Ministro Presidente do BC durante o governo Lula, Henrique C. Meirelles, colocou recentemente em sua coluna  na Folha uma crítica à tentativa do governo de interferir na formação de preços e nos mecanismos de mercado:

O barato que sai caro – HENRIQUE MEIRELLES

 FOLHA DE SP – 06/07A maioria das pessoas prefere inflação e juros os mais baixos possíveis e salários os mais altos possíveis, reajustados acima da inflação e da produtividade. O problema é que a realidade é mais complexa. A elevação dos juros, por exemplo, é o instrumento mais eficaz para o Banco Central baixar a inflação.É natural que existam inúmeros exemplos de interesses incompatíveis de setores da sociedade. O dólar barato é bom para os importadores, mas péssimo para os exportadores e para a cadeia produtiva da exportação. Inflação baixa beneficia a maioria, mas os que podem indexar seus preços (como o governo com os impostos) podem se beneficiar de uma inflação mais alta. A maioria quer os salários reajustados acima da inflação e da produtividade, mas isso pode baixar o poder de compra dos trabalhadores pela alta da inflação. Gasolina mais barata, excelente para os consumidores, é problema para a Petrobras e as necessidades de investimento na produção de petróleo. O mesmo vale para o preço da eletricidade.

O problema da intervenção de governo na formação de preços da economia, que incluem câmbio e juros, é que cada ação cria ganhadores e perdedores. O governo torna-se, assim, árbitro da disputa intensa de interesses dos diversos setores. Isso gera distorções na economia e eventualmente menos crescimento, menos emprego e menos riqueza.

A história mostra que a administração pública é mais eficiente quando deixa os preços se ajustarem segundo a oferta e a procura e, ao mesmo tempo, garante uma segurança regulatória que dê conforto e previsibilidade a todos. Assim, quando um produto se torna escasso, seu preço sobe e eleva a remuneração de quem o produz, estimulando os investimentos e o aumento da produção, do emprego e da renda. O aumento da produção, por sua vez, tende a controlar preços elevados pela escassez.

Outro problema das intervenções é que, por definição, são decisões individuais e erráticas, que geram incertezas nos agentes econômicos e reduzem investimento, consumo, crescimento e emprego. Cabe ao governo intervir em alguns momentos para regular excessos. Uma crise de liquidez, por exemplo, pede intervenção estatal para normalizar os mercados. A questão é saber quando parar, para o governo não passar de solução a problema.

A tentação do governante de fixar preços é enorme, pois estará atendendo a queixas de setores importantes. Mas a realidade é mais complexa. O que funciona, em última análise, é um sistema de definição de preços que atenda à realidade econômica de cada momento e traga mais investimento, crescimento, produtividade e riqueza e um melhor padrão de vida à população.

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/henriquemeirelles/2014/07/1481729-o-barato-que-sai-caro.shtml

MINHA BICADA: Concordo 100% com a colocação do Ex Ministro e BC. A interferência do governo nos mercados, nos juros e no câmbio acaba criando distorções enormes no processo de alocação de capital na economia.   Mas, como Meirelles diz, infelizmente a tentação que cai sobre os governantes no sentido de interferir na economia é enorme.  E quando aqueles que estão no comando não acreditam no sistema de mercado, livre e com concorrência forte, aí um Leviathan, como aquele de Hobbes só que super Anabolizado e com uma cabeça gigante cheia de ideias equivocadas, domina a cena:

04a Leviathan

 

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1 comentário | Comentar

  1. 51 Guilherme 17/07/2014 3:02

    Ricardo , você já leu este artigo?

    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1854

    Minha curiosidade é sobre o segundo ponto que o Leandro Roque cita acerca dos empréstimos dos bancos estatais na segunda parte do artigo. Realmente, a SELIC não dará trégua nos próximos anos e terá que subir a estupendos 13…14..15…?

    • Ricardo Gallo 17/07/2014 11:34

      de fato os empréstimos subsidiados pelo governo ( direcionado) reduzem eficacia da politica monetária. Precisamos de um juro selic maior na economia em funcao disto. A analise esta correta.

      Quanto ao nivel do selic, vai depender do que o proximo farah em termos de :

      a. atuacao dos bancos publicos
      b. politica fiscal
      c. ajustes de precos administrados
      d. velocidade de convergencia pro centro da meta de inflacao.
      e. reacao ah pressao de desvalorizacao do R$

      Dependendo disto podemos ter o selic a 8 ou a 14…. em 2016.

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