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terça-feira, 23 de setembro de 2014 bizarro, Crise Brasileira, Crise global, Sem categoria, utilidade | 14:11

Sra. Presidenta: que crise externa é essa que tanto nos atrapalha?

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Um dos principais argumentos usados pelo governo para justificar a performance pífia de nossa economia nos últimos meses é que ela seria uma consequência da crise de 2008 e 2010 que estaria afetando a todos os países, como vemos neste trecho abaixo retirado de entrevista recente:

http://g1.globo.com/politica/eleicoes/2014/noticia/2014/09/dilma-diz-que-mudanca-na-economia-brasileira-depende-dos-eua.html

A presidente Dilma Rousseff, candidata do PT à reeleição, afirmou, em entrevista gravada no domingo e transmitida nesta segunda-feira (22) pelo “Bom dia Brasil”, que a política econômica atual está na “defensiva” por causa da crise financeira internacional e que qualquer mudança dependerá de uma melhora na economia dos Estados Unidos.

(Veja a íntegra da entrevista e leia a transcrição da entrevista em Bom Dia Brasil entrevista Dilma Rousseff.)

“A gente tem de ver como que evolui a crise […] Os Estados Unidos evoluindo bem, eu acho que o Brasil pode entrar numa outra fase, que precise de menos estímulos. Pode ficar entregue à dinâmica natural da economia e pode, perfeitamente, passar por uma retomada”, afirmou aos jornalistas Miriam Leitão, Chico Pinheiro e Ana Paula Araújo.

Segundo a presidente, apenas com a recuperação econômica de outros países será possível adotar, no Brasil, uma política econômica “ofensiva”. “Estamos numa situação em que o Brasil está na defensiva em relação à crise internacional. Protegendo emprego, salário e investimento. Essas três variáveis. Por quê? Porque vamos apostar numa retomada. Na retomada você muda a política econômica de defensiva para ofensiva.”

Levantei uma amostra de alguns países (com dados da Bloomberg ) eu calculei a média da taxa trimestral anualizada de crescimento econômico nos últimos quatro trimestres para cada país da amostra do segundo trimestre deste ano:

 

pib4t

 

 

Vemos nesta lista de países de diversos continentes, inclusive entre aqueles que estiveram no epicentro das últimas crises, que nossa economia (verde)  de fato tem performado muito mal em termos relativos: -0,81 % vs. 2 % na média ( amarelo).

O gráfico abaixo mostra a performance deste indicador para algumas regiões do mundo, contra a média e mediana da amostra e o Brasil, desde 2004 :

 

 

grafpibregiglobal

 

Em roxo, temos a região do Euro. Os EUA estão em vermelho. A média da amostra está em preto. A mediana em amarelo. E em verde o Brasil.

Uma análise do gráfico preto mostra que a economia mundial de fato se desacelerou depois de 2009.  Até 2008 a média dos países da amostra crescia a mais de 4% a.a. Hoje tal crescimento está ao redor de 2%.a.a.

Porém nossa performance foi bem pior do que a média. Vemos no gráfico verde que a nossa economia vinha performando acima da média da amostra (preto) até 2011. De lá para cá a coisa piorou, e mais recentemente nossa performance ficou bem abaixo da média da amostra, dos EUA, da Europa e da mediana da amostra. Nos últimos trimestres a coisa ficou mais dramática, pois nossa performance relativa afundou de vez ( cinza?).

Logo, se há alguma crise, ela não me parece que seja tão externa não. Eu entendo que em campanhas políticas o que importa são as versões e não os fatos, mas neste caso eu não pude resistir e apontar isto. Sra. Presidenta:  sabemos que existem coisas positivas em seu governo. Portanto, não precisamos ficar procurando desculpas como esta para ganhar votos…

E o que quer dizer medidas defensivas? Preservar investimento?? Mas nossa taxa de investimento está despencando!!!

E quais são as medidas ofensivas preparadas para 2015?

O que de fato importa mesmo é o que a senhora pretende fazer para mudar este quadro num segundo mandato.  E negar a realidade dos fatos não nos ajuda em nada neste sentido.

 

 

 

 

 

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6 comentários | Comentar

  1. 56 Humberto 30/09/2014 16:05

    O mercado é mecanismo mais preciso das demandas sócio-econômicas, e ele está pedindo troca de comando, faz tempo. As intenções de voto estão agindo no dólar e nas bolsas de forma mais eficaz que as atas do COPOM.
    E a diferença fundamentalista entre a queda nas bolsas na pré-eleição de Lula em 2002 e na reeleição de Dilma: Em 2002, medo do desconhecido. Agora, medo da perpetuação do que já se conhece…

    • Ricardo Gallo 30/09/2014 16:58

      interessante a colocação. é o medo da continuidade vs o medo da decontinuidade!

      porem, vamos ter em mente, que os resultados das pesquisas mostram que uma parcela importante da população esta vendo a mesma coisa, porem ao contrário no que diz respeito as conquistas sociais……

  2. 55 Ezequiel Alves 24/09/2014 19:15

    Muito obrigado pelo esclarecimento da pergunta que fiz, primeiramente queria me desculpar pelos comentários loucos que tinha feito antes como também nesse comentário que parecia ser pessoal tipo forçado, onde se você apoiava o candidato atual ou não pois seja qual for o candidato a ser eleito a gente não pode deixar de acreditar em um Brasil que seja cada vez melhor. Minha pergunta é, na página do G1 eu vi que o valor do dólar passou de 2,20 para 2,40 em poucos dias e a partir daí o governo passou a comprar dólares pra estabilizar a moeda. O que fez ou faz o dólar oscilar tanto assim? Qual a consequência da intervenção do governo na taxa de câmbio, o que o Brasil poderia fazer pra ter uma moeda nacional mais estável?

    • Ricardo Gallo 24/09/2014 20:04

      a. flutuaçao do dolar: sao alguns fatores que HOJE atuam :

      – existe um movimento global de alta do dolar em varios mercados, pois aproxima-se momento que bc americano vai aumentar juro por la, o que vai tornar mais atraentes investimentos naquelas badas…
      – existe uma queda do preço de produtos que exportamos, soja e minerio de ferro, em funcao de excesso de oferta e do desaquecimento da economia chinesa, grande importadora destes produtos, o que vai gerar um aumento no nosso deficit externo,
      – existe um medo do mercado que, com a possivel vitoria da presidenta dilma, os equivocos atuais da politica economia se aprofundem.

      b. o governo interfere, vendendo dolares, o que valoriza nossa moeda, prejudicando exportadores e favorecendo importadores

      c. estabiidade cambial: os paises que apresentam maior estabilidade cambial possuem BC autonomo e livre convertibilidade da moeda inquestionavel…

  3. 54 Ezequiel Alves 24/09/2014 15:34

    Só pra constar, eu não fiz nenhum curso de economia, apesar de ler diariamente os jornais sobre esse assunto que tanto me atrai. Não é que acredito na Dilma, mas ela diz que se haver a autonomia do BC ela diz que os juros vão é aumentar diminuiria muito os investimentos no Brasil pois empresas ficaria sem os juros reduzidos pelo governo e o Brasil entraria em recessão sem falar que prejudicaria os programa sociais como minha casa e minha vida e o seguro safra. Queria saber se tem alguma ponta de verdade nessas alegações como o Brasil perder grandes investimentos com a independência do BC e entrar em recessão ou é pura propaganda de ódio aos adversários políticos?
    Outra pergunta, o ouro é mais estável que o dólar? É possível usar o ouro como moeda para fazer várias transações financeiras?

    • Ricardo Gallo 24/09/2014 17:59

      a.o Brasil perder grandes investimentos com a independência do BC e entrar em recessão : bom, o bc é independente em inumeros países, suecia, dinamarca, noruega, eua, europa, nova zelandia, mexico, chile, colombia, e por ai vai…. alguns deles tem crescido bastante nos últimos anos, mesmo apos a crise…. e o volume de investimento em relacao ao pib varios destes paises tem sido bastante superior ao nosso aqui… logo, nao concordo com a afirmacao que indpenendencia do BC leva a recessao necessariamente…. hoje, por exemplo, nós estamos tecnicamente em recessao e nosso bc nao tem autonomia , como afirmou a presidenta…

      b. ouro é bem volatil…. e ja’ foi usado no passado como lastro das moedas. porem apos a crise de 29 os governos aprenderam que fixar a taxa de cambio ( R$ / kilo de ouro) não é uma boa ideia….

  4. 53 Hudson 24/09/2014 10:22

    Coisas boas? No governo Dilma? Será que estive de coma por 4 anos pra não ter visto?

  5. 52 IRCR 24/09/2014 6:31

    Dilma acredita no nacional desenvolvimento, nesse marxismo-keynesiano.
    Isso faz parte da convicção ideologica dela, o proprio Mantega falou recentemente que se for preciso ela vai levar ao extremo sua politica economica.
    Além do mais o PT está batendo na tecla que a Marina é a nova extrema direita, neoliberal, amiga dos banqueiros, especuladores e o do imperialismo ianque, ou seja, o debate politico economico no brasil é mais ideologico que racional. Tanto que agora um banco central autonomo tira comida da mesas da pessoas. Alemanha, Suiça e Nova Zelandia que o diga né. Já um BC politizado leva a prosperidade que o diga a Venezuela, Argentina ou Zimbabue.

  6. 51 Ezequiel Alves 24/09/2014 0:17

    Quando propus no comentário anterior sobre o o governo dar um grande estímulo financeiro aos bancos seria com a intenção de aumentar muito a oferta de credito e derrubar os juros pelo menos até a taxa selic, pois achava que não havia investimento no país por causa dos empréstimos muito caros, e você disse que a falta de de depósito nos bancos compromete os juros, pois pagamos uma taxa de juros mais alta do mundo (como também no cartão de crédito, no cheque, do financiamento da casa, do carro,prestação do imóvel, etc) e creio que é muito difícil o Brasil crescer nessa situação (eu não acho que seja tanto a confiança no governo) que os bancos nos oferece. Será que é possível essas empresas fazerem empréstimos em outros países onde a taxa de juros são mais baixas? A independência do banco central vai trazer algum beneficio do país? Por que?

    • Ricardo Gallo 24/09/2014 14:16

      voce soh reduz os juros de forma sustentavel se aumentar a taxa de formaçao de poupança domestica. o que determina taxa de juros é o volume de poupança disponível vs o volume de investimento desejado. ja postei algumas vezes na categoria politica economica sobre o assunto poupanca nacional.

      hoje as empresas e os bancos ja acessam o mercado de capitais la fora quando precisam de dinheiro. porem, se o dólar sobe , o custo das empresas nestes empréstimos sobe…. o juro la fora é mais baixo porem o risco cambial é grande. só neste mes nossa moeda se desvalorizou 7%….. e nos últimos 3 anos o dolar subiu quase 40% …. ou seja, juros foram baixos, porém o custo cambial elevadíssimo.

      como disse, o problema dos juros no brasil nao eh um problema de liquidez mas sim de falta de poupança…. o poupador demanda juros muito grandes para deixar dinheiro investido no banco por longo prazo pois nao confia no bc e tem alta propensão a consumir ao invés de poupar….

      hoje no brasil poupamos cerca de 13% da renda nacional total por ano. na china é 40%…. na asia a média é acima de 25%…. ou seja, quem tem pouca poupanca, tem poupança cara…. por isso os juros aqui são maiores do que na asia…

      autonomia do bc aumenta credibilidade do bc o que acaba reduzindo os juros reais no longo prazo. é o que mostram vários estudos de economistas do mundo todo.

      com maior credibilidade , o bc precisa subir cada vez menos os juros para ter o mesmo efeito de queda na inflacao. assim os poupadores vão aceitar juros cada vez menores para investir por prazos mais dilatados.

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