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domingo, 12 de outubro de 2014 CHINA, Crise Brasileira, Inflação | 16:10

Com ovo, frango, carne e tomate, a inflação continua subindo!

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Os dados de setembro da inflação indicam que o pior ainda está por vir, como vemos no gráfico abaixo:

 

 

inflacao12m

 

 

O gráfico azul mostra a evolução da inflação acumulada em 12 meses desde 2004.  O gráfico laranja mostra a média móvel de 3 meses deste número, que ajuda a reduzir os ruídos da série original.

Vemos que a inflação flutua entre picos e vales. Contudo, desde 2007 os vales ficaram cada vez mais elevados com o passar do tempo ( setas amarelas). DE fato, nos últimos dois vales, em 2012 e no início deste ano, vemos que a inflação não conseguiu atingir o centro da meta ( reta cinza = 4,5% a.a.).  Ou seja, a tendência de piora do quadro inflacionário é evidente. Persistindo tal tendência é bem provável que em 2015 a inflação ultrapasse o topo da meta de forma consistente e mais permanente. Atualmente a inflação já está andando acima da meta (vermelho), da mesma forma que ocorreu em duas outras ocasiões nos últimos 4 anos ( marcado em preto). A sorte do governo é que tais momentos não coincidiram com os finais de ano, pois assim o governo evitou o embaraço de ter que se explicar ao Congresso Nacional. Porém a chance que isto se repita neste final de ano está caindo.

Este é um quadro preocupante quando levamos em conta que os preços da gasolina e da energia precisarão ser reajustados pois estão defasados.

E o discurso de recomendar a substituição do consumo para se proteger da inflação, que é defendido por representantes do Ministério da Fazenda, é muito perigoso:

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/10/1529619-inflacao-surpreende-e-governo-sugere-consumir-frango-no-lugar-de-carne.shtml

http://oglobo.globo.com/economia/com-inflacao-alta-secretario-sugere-brasileiro-trocar-carne-por-ave-ovo-14188206

Há uma série de outros produtos substitutos (para a carne) como frango, ovos e aves (…) que vêm apresentando comportamento benigno neste ano.

Holland disse que a alta dos preços em setembro se deve, em parte, ao aumento sazonal de alimentos como a carne bovina em função de um período de entressafra, agravado por uma seca e pelo aumento da demanda internacional do produto.

— É importante dizer que tem outros substitutos. A população precisa ficar atenta a isso. Também é importante dizer que diversos itens do dia a dia da mesa dos brasileiros estão apresentando no mês de setembro deflação, queda significativa de preços, como é o caso que eu citei de batata inglesa, óleo, feijão. São produtos muito importantes da mesa dos consumidores brasileiros.

A substituição do consumo de fato é uma possibilidade dentro da ótica ultraliberal aqui defendida pelo secretário Holland, porém tais escolhas, quando aplicadas a produtos de primeira necessidade, implicam em mudanças de hábitos que não são tão simples, pois não estamos falando de telefones celulares tampouco de roupas, mas sim de alimentos! E o risco deste discurso é que isto pode indicar o desejo do governo de expurgar do cálculo da inflação os itens que sobem mais de preço, como foi feito algumas vezes durante o regime militar. Isto não é solução. Solução é trazer a inflação para o centro da meta, pois senão daqui a pouco alguém vai sugerir que usemos velas em casa, pois a eletricidade subiu muito de preço!!

Ou seja, sazonal ou não, a inflação está subindo  E cabe ao governo nos defender dela, como coloquei em:

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2014/09/28/em-favor-da-reducao-da-autonomia-do-governo-na-conducao-da-politica-monetaria/

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2014/10/01/por-que-e-importante-controlar-a-inflacao/

Espero que nossos futuros governantes tenham consciência desta responsabilidade e coragem para assumir seu papel no combate à inflação. Este papo de que combate à inflação tira comida da mesa do brasileiro, não é verdade. Como o Secretário Holland colocou, o que tira a carne da mesa do brasileiro é a inflação.

 

 

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3 comentários | Comentar

  1. 53 Ricardo R 14/10/2014 16:18

    Seu blog tá popular entre os libertários lá do skyscrapercity 😀

    Sobre a inflação, ano que vem duvido que fica abaixo de 10%. especialmente se a dilma ganhar. Aliás, eu tenho uma curiosidade quase mórbida de ver o que seria a semana seguinte a vitoria dela, no mercado financeiro. Acho que seria de fazer o povo sentir saudades daqueles meses de setembro/outubro de 2008.

    • Ricardo Gallo 14/10/2014 18:30

      sei la! a parada vai ser dura para quem quer que vença!

      ps: e viva os libertários!

  2. 52 Pensamentos Financeiros 12/10/2014 19:39

    Boa tarde, Sr. Ricardo.
    Primeiramente, quero parabenizá-lo pelos seus artigos. Descobri o seu blog há poucos meses e sempre acompanho novas postagens. Suas explicações são simples e vão ao ponto. Os seus gráficos são muito bem construídos. Coloco o seu blog em pé de igualdade com o ótimo blog do Mansueto Almeida. Meus parabéns.
    Se me permite, gostaria de fazer algumas perguntas sobre diversos temas que o Sr. Escreveu/escreve:

    a) Sobre a nossa taxa de investimento de formação bruta de capital fixo, a nossa taxa é baixíssima e tende a baixar cada vez mais se não melhorarmos a poupança do país. O Sr. poderia me tirar uma dúvida. Lendo o livro do Pikkety eu li que os economistas estimam entre 10 a 15% a necessidade de investimento da renda nacional apenas para manutenção do estoque de capital. Eu procurei em vários lugares, mas não encontrei nada escrito a respeito. Em um artigo seu, creio que você comentou sobre o tema dizendo que essa taxa é de 12%. Sendo assim, quer dizer que com uma taxa de investimento de 16.5% do PIB nós estamos nos aproximando da taxa de simples manutenção do capital? É isso ou estou confundindo algum conceito?

    b) No seu artigo sobre a dívida (e eu concordo com tudo o que foi escrito), você disse que seria impossível pararmos de pagarmos a nossa dívida, a não ser que o governo economizasse mais (nem estou levando em consideração os efeitos internos e externos que tal medida radical acarretaria). Porém, se nós produzimos superávitis primários, isso quer dizer que teoricamente se pode parar de pagar juros e o Estado não vai parar de funcionar. A situação não seria diferente apenas com a existência de déficits primários?

    c) Sobre a questão relacionada no item anterior. O Sr. poderia explicar melhor os 40% do orçamento destinados a dívida? Eu sei que boa parte é apenas para rolagem de dívida e que o serviço da dívida (os juros) são de 5.2% do PIB, mas eu gostaria de entender de uma forma mais clara como funciona essa questão no nosso orçamento na rolagem da dívida;

    d) No último artigo, o Sr. trouxe à baila um interessante estudo sobre a forma como as empresas estão captando dinheiro para investir. O que me chamou a atenção foi a baixíssima participação do mercado de capitais como forma de captação de recursos. O Sr. tem dados de economias mais desenvolvidas de como a participação do mercado de capitais no investimento das empresas? Pergunto, porque me parece que o mercado de capitais precisa ser mais estimulado no Brasil. Quantas IPOs tivemos no Brasil nos últimos 3 anos? O número é muito baixo, bem como o número de empresas listadas em bolsa.

    e) Por fim (desculpe tantas perguntas), como será possível: a) trazer a inflação para o centro da meta e diminuir a meta para 3% em 2017 (como o Aécio está prometendo) sem um forte aperto na SELIC (levando-se em conta ainda que metade do crédito é insensível a aumentos da SELIC já que é direcionado) b) como se desfazer da trajetória de aumento dos créditos consignados sem estagnar de vez a nossa economia? Em sua opinião, é claro.

    Obrigado pela atenção. E um grande abraço!

    obs: tenho um blog chamado pensamentos financeiros, provavelmente não interessará alguém tão preparado como você, mas creio que há alguns insights interessantes.

    http://pensamentosfinanceiros.blogspot.com.br/2014/10/os-campos-da-morte.html

    • Ricardo Gallo 13/10/2014 15:03

      Muito obrigado.

      a> este número de 12,5% do PIB é uma estimativa grosseira com base em cálculo de uma taxa aproximada de depreciação de 4,2% sobre estoque estimado de capital bruto de aprox. 300% do PIB. Eu acredito contudo que este número possa até ser maior, como 15% do PIB ( leia http://www.anpec.org.br/encontro2004/artigos/A04A042) . E você esta correto. Estamos mal repondo a depreciação do estoque. Esta é a razão que precisamos de uns 23% do pib em investimento para ai crescer estoque a uns 3 % a.a….. ai com população ativa crescendo a 1% a.a. e produtividade crescendo a uns 1.25% a.a. temos 3,25 % de pib potencial ( meu chute…) samuel pessoa tem estudos excelentes sobre este tema: http://www.anpec.org.br/encontro2008/artigos/200807211433140-.pdf

      b> eu não acho que é impossível pagar os juros.., heheheh.. eu disse que se não gerarmos superávits primários suficientes ( 2% do PIB ao ano, com PIB crescendo uns 3% a.a.) a dívida líquida e bruta irá continuar a subir pois economia não será suficiente para cobrir encargos… se você parar de pagar os juros, você provocará a quebra do sistema bancário, destruição da poupança privada, colapso no investimento e economia entra em profunda recessão. Mas teoricamente se você negar a dívida, principal e juros, pode viver sem superavit primário. O problema é que a arrecadação num cenário de calote despenca, o que vai te forçar a cortar gastos….. ou seja, não funciona. Eu não conheço nenhum estado no mundo que sobreviva sem se endividar…. e não proponho uma eliminação da dívida pública, mas sim uma adequação a níveis compatíveis a de outros países em desenvolvimento ( 40% do PIB)

      c> como nossa dívida bruta é de 60% do PIB, os encargos ( juros) sobre a divida são elevados. Porém a parcela do orçamento que vai para o pagamento dos juros é apenas o saldo primário que, se fosse mantido na meta atual ( 1,8% do PIB), ele representaria apenas 10% da orçamento da união e 5% do total de impostos arrecadados no Brasil…. e com PIB crescendo 3% do PIB, nossa dívida pública e juros cairiam….por exemplo: assume que juro real caia para 4% a.a. ( pib potencial + 1% a.a.)…. Os encargos reais após um ano seriam de 2,4% do PIB do começo do ano. Porém como PIB sobe 3%, você naturalmente reduz divida publica em 1,8% do PIB a.a. Com 2% do PIB como superavit primario, tua dívida cai 1,4% do PIB ( 2,0 + 1,8 – 2,4)) todo ano… ai juro cai mais… quando juro bater 3% a.a….. teu superavit pode ser zero… são contas aproximadas… mas servem para mostrar a dinâmica… Rolagem de dívida não gera despesa orçamentária líquida: quando o papel vence temos um gasto, mas a nova emissão na rolagem é receita…. despesa é juro…. e juro não pago é rolado com nova dívida…

      d> Nos eua o volume do mercado de capitais de instrumentos de dívida de empresas é do mesmo tamanho do mercado bancário…. temos um mercado de capitais nanico por causa de um BNDES gigante…. IPOs: no máximo menos de 20 veja em http://www.bmfbovespa.com.br/NoticiasHome/Prospectos.aspx?idioma=pt-br

      e> Mira em 2% de saldo primário fiscal para 2016. Indica que meta é trazer dívida bruta para 40% do PIB em 10 anos. Dá autonomia ao Bc e mandatos de 6 anos para seus diretores. Coloca como meta do bc que em 2018 a meta de inflação será de 3,5% + /- 1%. E que 5% será atingido em 2016 e que os 4,5% serao atingidos em 2017. Muda métrica de inflação para média de núcleos a partir de 2016. Alinha preços públicos e deixa câmbio flutuar livremente na largada em 2015 e tolera uma inflação maior na primeira metade de 2015 . Porem coloca como meta que segunda metade de 2015 a inflação sera de 5% anulaizados dessazonalizados. Reduz oferta de credito subsidiado do BNDES, mantendo seu volume crescendo em linha com o PIB e sinalizando que este volume não ira´subir alem disto. Coloque em todos empréstimos novos do BNDES que tjlp será igual ao selic, mas que o tesouro dará subsidio direto ao tomador, que será incluído no orçamento aprovado pelo congresso por 5 anos como gasto primário ( hoje é gasto de juros…), e que irá variar em função do projeto ( infra mais subsidio; media e pequena empresa algum subsidio e resto nenhum subsidio) …… Sobe 0,5% no selic em janeiro. E corre para a torcida….

  3. 51 Pensamentos Financeiros 12/10/2014 19:38

    Boa tarde, Sr. Ricardo.
    Primeiramente, quero parabenizá-lo pelos seus artigos. Descobri o seu blog há poucos meses e sempre acompanho novas postagens. Suas explicações são simples e vão ao ponto. Os seus gráficos são muito bem construídos. Coloco o seu blog em pé de igualdade com o ótimo blog do Mansueto Almeida. Meus parabéns.
    Se me permite, gostaria de fazer algumas perguntas sobre diversos temas que o Sr. Escreveu/escreve:

    a) Sobre a nossa taxa de investimento de formação bruta de capital fixo, a nossa taxa é baixíssima e tende a baixar cada vez mais se não melhorarmos a poupança do país. O Sr. poderia me tirar uma dúvida. Lendo o livro do Pikkety eu li que os economistas estimam entre 10 a 15% a necessidade de investimento da renda nacional apenas para manutenção do estoque de capital. Eu procurei em vários lugares, mas não encontrei nada escrito a respeito. Em um artigo seu, creio que você comentou sobre o tema dizendo que essa taxa é de 12%. Sendo assim, quer dizer que com uma taxa de investimento de 16.5% do PIB nós estamos nos aproximando da taxa de simples manutenção do capital? É isso ou estou confundindo algum conceito?

    b) No seu artigo sobre a dívida (e eu concordo com tudo o que foi escrito), você disse que seria impossível pararmos de pagarmos a nossa dívida, a não ser que o governo economizasse mais (nem estou levando em consideração os efeitos internos e externos que tal medida radical acarretaria). Porém, se nós produzimos superávitis primários, isso quer dizer que teoricamente se pode parar de pagar juros e o Estado não vai parar de funcionar. A situação não seria diferente apenas com a existência de déficits primários?

    c) Sobre a questão relacionada no item anterior. O Sr. poderia explicar melhor os 40% do orçamento destinados a dívida? Eu sei que boa parte é apenas para rolagem de dívida e que o serviço da dívida (os juros) são de 5.2% do PIB, mas eu gostaria de entender de uma forma mais clara como funciona essa questão no nosso orçamento na rolagem da dívida;

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