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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015 Câmbio, Crise Brasileira, Juros no Brasil, Politica Economica | 13:45

A mecânica do ajuste econômico em curso

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Em um debate recente com um talentoso analista sobre as expectativas dos agentes para a economia deste ano me levou a refletir sobre a mecânica do ajuste em curso. Não poderia deixar de ser, pois minha formação de engenheiro me força a pensar “mecanicamente“. São tantas variáveis sendo ajustadas ao mesmo tempo que é preciso montar um enorme quebra cabeça.

O ajuste atual passa pelos seguintes pontos:

  • Aumento do superávit primário do governo e estabilização da relação dívida / PIB (aumenta poupança);
  • Elevação dos juros básicos (Reduz consumo e investimento);
  • Redução das desonerações sobre setores específicos (reduz consumo);
  • Corte de gastos públicos (reduz consumo);
  • Elevação dos custos dos empréstimos do BNDES e redução de sua oferta (reduz investimento);
  • Reajuste de tarifas de serviço públicos onde haja problema de oferta ou desequilíbrio de custos, como eletricidade e transportes (reduz consumo);
  • Desvalorização do R$(aumenta demanda por exportados/ reduz demanda por importados / incentiva substituição);
  • Aperto no custo de captação dos bancos com eliminação dos subsídios tributários em alguns instrumentos de captação de curto prazo (reduz consumo e investimento);
  • Revisão nos programas de investimento da Petrobrás (reduz investimento);
  • Aperto creditício sobre empresas expostas ao lava-jato (reduz investimento);
  • Aumento da inadimplência nos setores mais expostos a Petrobrás (reduz investimento);
  • Desaceleração da oferta de crédito imobiliário pela CEF (reduz investimento);
  • Queda dos preços das commodities que exportamos (reduz investimento);
  • Queda do preço do petróleo (reduz investimento);
  • Mudanças no FIES ( aumenta poupança);
  • Aperto na oferta de crédito externo em função das incertezas quanto a política econômica (reduz investimento);

Todos estes eventos têm algum impacto em vários setores da economia. Mas fica fácil concluir que a combinação deles é recessiva, pois quase todas estas medidas afetam negativamente o lado da demanda, à exceção da desvalorização cambial. Ou seja, se tais medidas forem e fato levadas adiante, teremos uma queda ainda maior na atividade em função de uma retração da demanda. Isto já era de se esperar pois os ajustes fiscal, monetário e para fiscal em curso atuam desta forma. E sem dúvida teremos, pelo menos no curto prazo, uma queda nos Investimentos.

Vamos usar aqui a famosa identidade da contabilidade nacional  para explicar o que está acontecendo e o que deve acontecer ao longo dos próximos trimestres:

P = C + I + X – M

Onde P = produção, C = consumo, I= investimento, X = exportação e M importação.

Com C+ I caindo em decorrência do ajuste em andamento, a única maneira de mantermos P constante é elevar X e/ou reduzir M.  SE C + I cair e X – M não subir, P irá cair mais, inevitavelmente, levanto a um desemprego ainda maior. Ou seja, para que não tenhamos uma perda de renda, emprego e produto ainda maior, precisamos fazer X – M subir. Ou seja, para não termos uma contração maior em P (e na renda), precisarmos:

  • Reduzir ainda mais o consumo de bens e serviços importados, através de uma queda mais forte do consumo e do investimento;
  • Aumentar a venda de exportáveis em função de um possível aumento da demanda externa;
  • Mudar taxa de câmbio de tal forma que importados fiquem ainda mais caros e bens exportáveis ficam mais competitivos no exterior, promovendo assim a substituição das importações por produtos e serviços locais e o aumento das vendas destinadas ao exterior;

O item (a) acontecerá naturalmente, pois C+I deverão cair. Já o item (b) não depende de nós e não se espera uma aceleração maior do ritmo de crescimento da economia global nos próximos anos. Logo, o fator decisivo para este ajuste de X- M é a taxa de câmbio. Como induzir uma desvalorização cambial? A boa notícia é que a teoria econômica já nos resolve isto. Como nossa economia vem patinando há algum tempo, o fluxo de investimentos de portfólio e o fluxo de investimento direto estrangeiro não tem subido na mesma velocidade que o nosso déficit externo. Estamos dependendo cada vez mais de empréstimos para cobrir o buraco externo.  E as empresas, para assumir o risco cambial que surge quando se endividam em moeda estrangeira, demandam um US$ cada vez mais forte contra o R$. Outras simplesmente evitam se endividar no exterior, tomando recursos no Brasil. Ou seja, àqueles que precisam pagar suas importações, juros, dividendos, viagens ao exterior precisam pagar taxas de câmbio mais elevadas para atrair novos vendedores de US$ no mercado de câmbio. Este processo vai seguindo até que a taxa de câmbio atinge um nível em que os investidores estrangeiros e os tomadores de recursos no exterior se sintam confortáveis em vender suas divisas à luz do retorno esperado dos ativos no Brasil. Na prática o processo de desalvancagem em curso irá criar uma demanda por divisas por parte das empresas endividadas no exterior que trará consigo uma pressão contra o nosso R$. Tal desvalorização do R$ já começou, como vemos no gráfico abaixo do câmbio real do BC do B:

 

cambreal

 

Existem duas forças, contudo, que seguram este processo de desvalorização cambial:

  • A política de aperto monetário do BC e as outras medidas de aperto de crédito em curso (BNDES, CEF, tributação de aplicações financeiras, lava jato), que elevam o custo dos empréstimos no Brasil, o que faz com que os juros pagos por empresas e pelo governo fiquem elevados, atraindo recursos estrangeiros para investimento em títulos de renda no Brasil;
  • Os swaps cambiais vendidos pelo BC diariamente ao mercado.

Mas por que o BC simplesmente não reduz juros e para de vender dólares de vez no mercado? É fundamental que este processo de desvalorização do R$ ocorra de maneira não inflacionária. Os preços dos produtos aqui produzidos precisam subir mais devagar que os preços dos produtos comercializáveis com o exterior, para que na média, os preços aqui subam a 4,5% a.a. que é a meta de inflação defendida pelo BC para 2016. Por exemplo, se preços dos bens comercializáveis subirem a 10% a.a., será preciso que os preços dos bens aqui produzidos subam abaixo de 4,5% a.a. para que a inflação fique em 4,5%. E, para que isto corra, é preciso que os salários aqui não subam acima da inflação média. Ou seja, é preciso que o poder aquisitivo das pessoas caia. Isto garante que esta desvalorização do câmbio seja mesmo real e não apenas nominal, pois a inflação interna não pode ser contaminada pela elevação do US$. Como os preços internos são fortemente influenciados pelos salários, é necessário que os salários subam menos do que a média da inflação.  Conclusão: toda desvalorização cambial em ambiente de baixo crescimento econômico implica em impor uma perda real de salário. 

Na medida em que nos encontramos em pleno emprego, como mostra o gráfico abaixo do desemprego:

dese

 

O elevado poder de barganha dos trabalhadores torna a administração da evolução dos salários bastante difícil. E com a inflação corrente andando perto do limite no superior das metas (6,5%):

 

inf

 

O BC não tem alternativa senão manter uma política monetária austeraAlém disto, as outras medidas fiscais, para fiscais e tributárias do ajuste em cursos também elevam o custo do crédito interno. Isto irá ajudar o BC nesta tarefa de trazer a inflação de volta para o centro da meta em 2016, sem que seja preciso uma elevação muito maior dos juros.

Quanto aos swaps cambiais, como temos um estoque elevado de passivo externo do setor privado, uma desvalorização cambial rápida demais poderia afetar algumas empresas endividadas em moeda estrangeira causando uma crise financeira mais profunda. Logo, é preciso administrar a velocidade de desvalorização do R$, o que demanda que o BC continue a oferecer proteção cambial ao mercado. Contudo, o BC precisa aproveitar os momentos de calmaria nos mercados e continuara a reduzir o ritmo de vendas de swaps ao mercado, da mesma forma que o fez no final do ano.

Mas como se processa na prática esta queda dos salários? O processo de alocação de capital é que conduz isto. Os investimentos de capital começam deixar os setores que usam muitos insumos importados, que, com a desvalorização do R$ ficam mais caros. Os investimentos também deixam os setores onde a demanda seja mais sensível ao crédito, que ficou mais caro. Com isto a mão de obra empregada em tais setores começa a cair, aumentando o desemprego setorialmente. O desemprego maior aumenta a rotatividade da mão de obra e causa a queda dos salários de admissão. Com isto a massa salarial reduz sua velocidade de expansão.

Na medida em que o BC consiga colocar as expectativas de inflação em rota decrescente e na direção da meta de 4,5% para 2016 e que os ajustes para fiscais e fiscais comecem a ter efeito, o BC poderá começar um processo de redução da SELIC mais cedo do que se espera. Neste cenário, o risco país deve começar a cair novamente, trazendo os juros de longo prazo para baixo mais rapidamente. Esta queda de retorno dos ativos de renda fixa pode dar mais um impulso para a desvalorização do R$, o que ajudaria a reequilibrar nossas contas internas, agora com uma inflação mais controlada.

Num cenário de desvalorização real do R$ e com inflação sob controle, os exportadores ficam mais protegidos, enquanto os custos dos bens importados sobem em R$. Não há assim uma queda tão grande na renda dos exportadores, mas sim um forte aumento de custo para os importadores.  Assim, com a esperada queda da demanda interna e um R$ mais fraco, é razoável supor que as importações caiam rapidamente.  O mesmo acontece com serviços pagos ao exterior (viagens ao exterior, por exemplo). Na prática há uma transferência de renda dos setores que mais importam para os mais próximos à exportação.

Uma variável bastante importante neste ajuste é o comportamento dos preços lá fora dos bens que exportamos vis a vis os que importamos.  SE os preços dos produtos que exportamos caem em relação aos preços dos bens que importamos, precisaremos exportar ainda uma maior quantidade de bens e importar uma menor quantidade do que hoje importamos para manter o diferencial X – M estável. De fato os preços dos bens que exportamos vem caindo já há algum tempo, como vemos no gráfico abaixo dos termos de troca:

ttrtr

 

 

Diferentemente de 2008 a 2011, estamos hoje sofrendo um choque negativo nos termos de troca: a renda que recebemos do exterior por unidade de produto exportado está caindo. Ou seja, recebemos menos US$ para o mesmo volume exportado e, portanto, menos R$, dada uma taxa de câmbio.  Mas se simultaneamente o R$ se desvalorizar, ou seja, o dólar subir aqui no Brasil, é possível que a renda perdida pelos exportadores suba e assim compense a perda de termos de troca. Pense assim: imagine um exportador que vende um produto por US$ 100 ao câmbio de R$ 2.00. Imagine que preço do produto lá fora caia para US$ 50 mas câmbio aqui suba para R$ 4.00. Se o impacto da desvalorização cambial nos custos de produção for pequeno, o exportador teve 100% das perdas decorrentes da queda do preço de seu produto no exterior compensada pela alta adicional do dólar, elevando ainda mais o custo dos bens importados.

E aqui a coisa pega. Assumamos por um momento que teremos uma perda adicional de termos de troca devido à queda do preço dos bens que exportamos. Mantida a taxa de câmbio estável, esta queda de preços afetará a renda das empresas exportadoras. Com menor faturamento, elas reduzem seus investimentos, pois o retorno destes cai e há um aperto monetário em curso. Ou seja, a queda de preço das commodities provoca uma queda dos investimentos aqui no Brasil, caso tal queda não seja compensada por uma desvalorização adicional do R$. Esta redução de investimentos reduz a demanda e o emprego. Ou seja, é mais uma força contracionista, mais um fator que reduz demanda e ajuda o BC no combate à inflação, na ótica da demanda.

Por outro lado, esta queda de faturamento dos exportadores reduz o fluxo de entrada de divisas num momento em que o país está atraindo pouco capital do exterior. Desta forma, havendo menos oferta de divisas, há uma tendência do R$ se depreciar ainda mais, o que impede que a perda de faturamento dos exportadores seja tão expressiva. Um R$ mais fraco funciona como um estímulo monetário ou fiscal que atua diretamente no setor externo trazendo mais demanda. Temos assim uma força expansionista, que pode compensar parcialmente a queda dos investimentos causada pela queda dos termos de troca e ajudar ainda mais a redução do déficit externo ao penalizar ainda mais as importações.

Ou seja, a variável de ajuste no curto prazo é a taxa de câmbio real = taxa de câmbio, descontada da diferença entre a inflação aqui e lá fora.

Vamos olhar agora o que acontece com a poupança interna.  Nossa taxa de formação de poupança é hoje uma das mais baixas de nossa história econômica recente:

 

poups

 

Poupança é a parcela da renda que não é consumida. A poupança financia o investimento produtivo na economia (I). Muitas vezes a Poupança (S) que geramos internamente não é suficiente para financiar os investimentos que precisamos, como hoje ocorre. Neste caso, nós precisamos importar poupança do exterior, ou seja, geramos um déficit externo.

Logo, o Investimento Produtivo total é igual a poupança interna mais a poupança externa que importamos:

S + Se = I

Onde S =Poupança Interna, Se= Poupança Importada via déficit externo e I = Investimento Produtivo.

SE desejamos aumentar I e sem aumentar o déficit externo, precisamos aumentar S.

Como nossa rende depende fundamentalmente de P, podemos dizer que nossa poupança (renda – consumo) é igual a:

S = P – C

Da igualdade acima temos que se P cair menos do que C, S aumenta, que é o nosso objetivo. Mas o que fazer para P cair menos do que C?

A primeira maneira de fazer isto é reduzindo o poder de compra dos salários através de uma desvalorização cambial e subindo os juros. Já está em curso. Outra maneira de fazer isto é promover um ajuste fiscal, reduzindo os gastos do governo pois:

C = consumo privado + consumo do governo.

Isto também já está em curso.

Mas também vimos em alguns posts no passado que a poupança S feita pelo setor privado depende, na sua essência, do lucro dos empresários. Com mais lucros, eles geram mais caixa. E aí, se existirem projetos com retorno atraente, os empresários reterão estes lucros e os reinvestirão. Por outro lado, se não houver projetos de investimentos atraentes, os empresários reduzirão suas dívidas, reduzindo endividamento total da economia e gerando poupança de baixa qualidade.

Neste momento entra em ação as restrições ao crédito subsidiado que estão em curso. Quando você empresta dinheiro abaixo do custo para setores isolados da economia você acaba incentivando investimentos que geram baixos retornos, pois, com o subsídio nos juros cobrados, as empresas acabam sendo induzidas a investir em projetos de menor retorno econômico. E para financiar tal subsídio se acaba retirando rendimentos dos setores mais rentáveis através de mais impostos ou através do endividamento adicional do governo a juros elevados. Ou seja, você atrai capital para onde se gera menor valor econômico e limita a capacidade de investir dos setores mais rentáveis ao cobrar mais impostos e manter os juros de mercado elevados. Inexoravelmente o retorno real total do capital investido na  economia cai: em economês fala-se que a produtividade do capital cai, o que significa menos renda e menos produto para o mesmo estoque de capital investido e de força de trabalho. Por outro lado, ao se impor um custo de capital de forma igualitária a todos os agentes, sem preferências, ocorre um processo natural de seleção de projetos com base em seu retorno econômico. Os projetos de maior econômico atrairão mais capital e darão mais retorno, permitindo mais lucro e maiores salários. A mesma poupança escassa e a mesma oferta de mão de obra que hoje temos conseguirá assim gerar mais produto e mais renda. Mas para que isto ocorra de forma correta, é preciso também que os preços na economia reflitam a escassez e a demanda de bens e serviços. Ou seja, o governo não pode ficar interferindo artificialmente na formação dos preços, seja via regulações ou via impostos diferenciados. É fundamental que os preços dos bens mais demandados e com problemas de oferta possam subir, para que assim se atraiam os investimentos necessários para se atender tal demanda. Aí oferta sobe e preços caem. E o reajuste de algumas tarifas públicas em curso caminham exatamente nesta direção.

E este é o plano defendido pelo Ministro Levy. Com investimentos mais rentáveis, a poupança naturalmente aumentará. Isto garante um processo de elevação do lucro que sustenta uma taxa maior de formação de poupança. Um subproduto importante do aumento da Poupança Nacional S é a queda da taxa de juros de longo prazo. Ao se elevar a taxa de formação de poupança estamos, na prática, aumentando a oferta de recursos para financiar os investimentos. Com mais recursos disponíveis para todos, os juros de longo prazo tendem a cair. Com isto os gastos com encargos da dívida pública caem, o que permite uma política fiscal menos austera no longo prazo.

E como podemos monitorar se o ajuste está mesmo acontecendo?

Existem algumas variáveis macro e micro que podem ser acompanhadas de perto:

  • Evolução do déficit externo: se notarmos uma queda nas importações ( quantum) e nos gastos com viagens ao exterior e outros serviços, é sinal que o ajuste está começando a ter efeito;
  • Se as Taxas de juros de 2 anos ou mais continuarem a cair ficando abaixo da taxa atual do Selic;
  • Se as expectativas de inflação para 2015 e 2016 começarem a cair;
  • Se os preços dos serviços começarem a se desacelerar, assim como os núcleos da inflação;
  • Se o emprego começar a se desacelerar, e migrar de serviços para indústria e turismo interno;
  • Se ocorrer uma queda dos salários de admissão nos setores de bens e serviços não comercializáveis com exterior.

Quando isto começar a acontecer é sinal que o ajuste está tendo efeito. Aí é só esperar que o quadro que aqui desenhei comece a se desenrolar. Quanto mais rapidamente a sociedade perceber a mecânica do ajuste, menos custoso em termos sociais e econômicos ele será. Para tanto, as expectativas dos agentes, que nem sempre são tão racionais, precisam assim ser orientadas na direção que se deseja. E quanto menos ruído político houver, mais fácil disto acontecer.

@RicardoGalloIG

 

 

 

 

 

 

 

 

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10 comentários | Comentar

  1. 60 Nosduh 21/01/2015 7:14

    Faltou um profundo corte nas despesas,custo todo na sociedade.

    • Ricardo Gallo 21/01/2015 15:48

      dificil faze-lo sem mudar constituiçao de 2008, pois muitos gastos sao engessados…

  2. 59 Wendell 21/01/2015 0:38

    Parabéns pela aula Ricardo.
    Considerando o panorama atual e o contexto econômico que você bem descreveu, quais setores econômicos deverão ir bem em 2015?

    • Ricardo Gallo 21/01/2015 15:48

      muito dificil algum passar ileso ao ajuste….

  3. 58 Ezequiel Alves 19/01/2015 22:00

    Eu cheguei essa conclusão por conta da valorização ou não do dolar, eu imagino que os estrangeiros invista em dolar no Brasil pq so no Brasil se fabrica a moeda real.Minha logica é a seguinte: Quanto mais dolares entra no Brasil mais o real se valoriza e quanto mais dolares sai do Brasil mais o real se valoriza. No seu artigo voce falou que o real precisa ou eventualmente pode ser desvalorizado para favorecer as exportações. E nessa situação se o investimento estrangeiro no Brasil crescesse muito não atrapalharia a valorização do real? E o Brasil já é muito burocrático com essas fabricas de grande marca. Ex: o playstastion 3 foi lançado no ano de 2006 mas só começou a fabrica-lo no Brasil em 2013 sendo que no mesmo ano já lançaram o playstastion 4 imagine se algum estrangeiro resolvesse investisse agora aqui, quantos anos ou decadas amais acha que demoraria para começar a empregar pessoas nas fabricas depois de resolver toda a burocracia que o governo pode impor com a intenção de desvalorizar o real. Meu medo é esse.

    • Ricardo Gallo 20/01/2015 12:51

      com dólar mais alto, ficará mais barato produzir aqui do que importar, o que atrairá mais investimentos. aí sim de fato entrará mais dólares. porém ele, o dolar, precisa subir para chegarmos a esta situação. ainda estamos longe dela.

      e de fato o ajuste não endereça inúmeras questões microeconômicas, como a que você menciona.

      precisa fazer reformas, como já coloquei em outros posts…

  4. 57 Ezequiel Alves 19/01/2015 12:15

    Isso quer dizer que estrangeiros não podem investir mais no Brasil? Tipo o governo poderar afastar ou dificultar ou burocratizar mais instalação de fabricas e investimentos por exemplo da microsoft, ou da apple ou a sangsung ou da sony para não desvalorizar o dolar e dificultar as exportações mesmo que essas fabricas gerem mais empregos e mais inovação tecnológica??

    • Ricardo Gallo 19/01/2015 15:41

      ?? nao entendi da onde você tirou esta conclusão…

      os investidores estrangeiros irão sim investir no Brasil, na medida em que:

      a. a economia volte a crescer
      b. o risco macroeconômico diminua, com o deficit externo se estabilizando em nivel razoavel
      c. as regras aqui sejam atraentes para capital estrangeiro

      por exemplo, a microsoft e os estrangeiros investem na asia apesar dos países terem superavit em conta corrente…os estrangeiros investem lá, geram superavit na conta capital ( excesso de S ), ao mesmo tempo que as empresas asiáticas se diversificam investindo este excesso de S em outros países…

      im país ter equilíbrio no conta corrente não significa que ninguém investe lá…

      pensa assim: a sony investe na koreia, e a samsung coreana investe nos eua, ai a apple americana investe aqui, e por ai vai…

  5. 56 Marcelo Vasconcelos 16/01/2015 22:10

    Acredito que está faltando um fator bem importante que fecha esse raciocínio, a maior abertura da economia para o exterior.

    As exportações serão estimuladas não só através do câmbio, mas com o fechamento de acordos comerciais bilaterais. É claro que esse tipo de negociação, há dependência de vontade política, mas entendo com um ação importante para amenizar os efeitos recessivos dessas medidas de ajuste fiscal.

    Lembrando que com uma abertura da economia e aumento do fluxo comercial externo, não só as exportações são estimuladas, mas as importações aumentam e prestam um papel importante para redução da inflação no Brasil.

    • Ricardo Gallo 18/01/2015 18:12

      sim, concordo.

      porem o objetivo do artigo foi tentar mostrar como o ajuste em curso afeta a economia.

      em alguns posts passados já havia endereçado a questões da necessidade de reformas estruturais, que vão muito alem do ajuste em curso

  6. 55 Ezequiel Alves 16/01/2015 9:32

    Se esse plano for posto em pratrica isso quer dizer que os avanços cientificos da tecnologia e medicina ou academicas vão ficar parados e se atrazarem podendo demorar decadas para avançar. E qualquer pesquisa cientifica ficará muito caro e mais demorado. Pois muitos componentes e materias dependem de importações inclusive professores e pesquisadores estrangeiros que ficara mais caro trazer. E consequentemente vamos depender mais tecnologicamente de outros países e produzir menos. E vamos ficar parados ainda na época de 2006. Em outras palavras a educação do Brasil vai ficar estagnada e decrecerá comparando a países como india e africa do sul. E pra que serviria escola no Brasil já que qualquer analfabeto tem emprego na fabrica, falo isso porque meus colegas do antigo trabalho na fabrica nãosabe ler e escrever.

    E o curioso é que os refugiados haitianos e sírios onde grande parte tem doutorado só conseguem emprego em construção civil ou restaurante.

    • XG 16/01/2015 15:36

      Sim, eh verdade, educação deveria ser uma prioridade desde sempre, MAS temos um estado grande e “empreendedor” que adora gastar em áreas da economia que compete as empresas privadas, enfim um estado que se endivida cada vez mais com bancos, gastando metade com juros da divida. Quem quer fazer tudo, nada faz.

    • Ricardo Gallo 16/01/2015 10:50

      infelizmente os desequilíbrios da economia causadas pela política econômica em curso até o ano passado precisam ser corrigidos. é o preço que precisamos pagar pelos erros do passado.

  7. 54 Doug_SP 15/01/2015 19:44

    Ótima analise, como sempre. E no papel ficou bonito (mesmo). Vamos ver na prática.

    Coloco um outro fator a ser levado em consideração. A facilitação das empresas externas para nossos importadores (se quiser entro em detalhes, mas acho que você já os conhece). Para compensar (também) isso o cambio terá de subir bem mais; não compensa a “dor de cabeça” da CLT e nem as “jabuticabadas” da nossa legislação se a margem de lucro para produzir aqui não for BEM mais expressiva do que é com cambio girando a R$ 2,80 – claro que não se aplica a todos os setores, mas em sua grande maioria com certeza sim.

    Conheço 3 empresas de expressão em seus segmentos que estão nessa exata situação. Se o dólar não ficar acima de – ao menos – R$ 3,00 e se não houver uma CLARA e CONCRETA sinalização que essa taxa viria para ficar a médio/longo prazo, eles nem cogitam reativar muito menos investir; vão ficar importando e apenas colocando suas marcas nos produtos.

    Mas e a inflação seria impactada em quanto no caso do dólar ficar acima de R$ 3,00? Qual seria o peso do desgaste politico? Fazer um ajuste desses agora? Ou será que tem coragem de fazer isso mais para a frente… daqui 2 ou 3 anos já começa o papo de reeleição! Passa rápido.

    A vida vai ser difícil para nossos novos paladinos da equipe econômica. Minha modestíssima opinião é que o pessoal é muito bom, não os conheço mas pelas conversas informais parece que dadas as circunstancias foi o que de melhor deu para trazer para o governo (digo isso sem menosprezo algum) – ponto para a Dilma. Mas existem muitos “senões”, mais políticos que econômicos, que deixa uma pulga atrás da orelha; quanto de autonomia eles terão? Só saberemos com o tempo. Aliás, se não agirem rápido será que dará tempo?

    PS: Repare em quantas incertezas… fica difícil criar um ambiente favorável assim.

  8. 53 Ulf Mannhardt 15/01/2015 19:23

    Obrigado Ricardo – super aula de economia. Todas as variáveis explicadas e contextualizados. Um privilégio ler suas publicações. Abraço ULF

  9. 52 ricardo r 15/01/2015 17:50

    Ricardo, vc acha que o ajuste fiscal proposto será suficiente pra equilibrar as contas do país até 2016? Voce acha que depois de realizado, o país tem condiçoes de voltar a crescer uns 3% a.a. susntatavelmente, mesmo sem realizar as reformas necessárias?

    • Ricardo Gallo 16/01/2015 10:53

      sim e não

      vai precisar de reforma para crescer de forma sustentável acima de 3 pct as

  10. 51 XG 15/01/2015 17:07

    Artigo perfeito. Em que condições a industria brasileira pode voltar a investir, comprando maquinário no exterior, insumos etc. se por um lado temos um real depreciado e por outro lado um protecionismo absurdo que atrapalham o andar da carruagem ?

    Sobre o cambio me lembrou um artigo do Levy do meio do ano http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2014/02/1405995-joaquim-levy-o-cambio-que-agrada.shtml

    E da crise : http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=610

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