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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015 Crise Brasileira, Empresas, Politica Economica | 21:07

A autoimolação da Petrobrás

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Há mais ou menos um ano postei dois artigos sobre a Petrobrás e os problemas e desafios que ela  poderia vir a enfrentar caso o governo insistisse na maneira com que vinha lidando com a empresa:

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2013/12/21/queimando-valor-com-gasolina/

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2014/03/23/petrobras-governo-1-x-0-governanca/

Alguns leitores mais nacionalistas e defensores do estado gigante me criticaram na época. Achavam que tudo estava indo bem e que seria normal o governo manter os preços da gasolina abaixo da realidade naquele momento.  Entre 2011 e 2014 a Petrobrás vendeu gasolina e diesel no mercado interno a preços 20% abaixo daqueles praticados no exterior. Este subsídio custou aos cofres da empresa e a seus acionistas US$ 35 bi, de acordo com estimativas feitas por analistas do banco Credit Suisse:

gasolinalocalexterna

 

 

Para se ter uma ideia da dimensão disto, esta perda equivale a 35% do endividamento líquido total da empresa em setembro de 2014, data do seu último balanço divulgado(?!?). Ou seja, se não fossem tais subsídios, a empresa estaria devendo cerca de US$ 72 bi e não os US$ 107 bi reportados em setembro e estaria com um nível de endividamento de 2,7 x seu Ebitda (lucro antes dos impostos, juros, depreciação e amortizações) dos últimos 12 meses, nível bastante aceitável, apesar de todas as fraudes e corrupção que lá ocorreram.

Para complicar esta situação, a empresa tem mantido desde 2010 um ritmo frenético de investimentos, que saltaram de US$ 20 bi por ano em 2007 para mais de US$ 40 bi por ano a partir de 2009.  E mesmo com este forte crescimento de gastos com investimentos de capital, a empresa manteve dividendos anuais da ordem de US$ 3 bi, uma vez que o Tesouro Nacional precisava de tal receita para fechar suas contas.

O aumento dos investimentos, a manutenção dos dividendos e a redução na geração de caixa devido ao subsídio dado ao consumo de combustíveis fósseis provocaram buracos no caixa da empresa que causaram uma impressionante elevação em seu endividamento líquido, que saiu de US$ 20 bi em 2008, para mais de US$ 107 bi no terceiro trimestre de 2014. Isto hoje representa uma alavancagem de 4,2 x o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) dos últimos 12 meses. Isto a coloca como uma das 3 empresas mais alavancadas do IBX (índice das 100 empresas mais negociadas na bolsa de São Paulo), com uma alavancagem de quase 3 vezes a alavancagem mediana das empresas dentro daquele índice, se considerarmos apenas aquelas que apresentam algum endividamento líquido. Ou seja, é muita dívida.

Mas os otimistas dizem que é normal para uma empresa com alto crescimento apresentar este tipo de endividamento.  Bem, os dados de produção da Petrobrás nos últimos anos mostram um quadro bem preocupante neste sentido:

prodgropbr

 

 

Vemos em amarelo que 2007 até 2014 a produção de petróleo sobe em ritmo bastante gradual (amarelo acima) e que a nossa esperança (a última que morre) e do Banco CS está no futuro, pois a partir de 2017, segundo as projeções da própria empresa (?), a produção deve se acelerar (vermelho) com a chegada do petróleo do pré-sal. Aí veremos se os bilhões investidos darão o retorno desejado.

O valor econômico dos ativos operacionais da empresa de acordo com os preços de mercado pode ser estimado assim:

Valor de mercado das ações:  US$ 43 bi

Valor de mercado de sua dívida bruta:  + 95% x US$ 137 = US$ 130

Caixa:  US$ 25 bi

Valor de empresa estimado pelo mercado:  43 + 130 – 25 = US$ 148 bi

Dado seu EBITDA estimado para 2014 de cerca de US$ 27 bi, o mercado está dizendo que cada dólar investido na companhia deveria gerar US$ 0,18 de Ebitda por ano ( 18%).

Se tomarmos os investimentos anuais feitos de 2009 a 2014 (US$ 40 bi /ano) e comparamos com o que se investia até 2007 (US$ 20 bi por ano), vemos que se acumulou desde 2009 mais de US$ 120 bi em investimentos acima da norma histórica prevalecente até 2007. Tal montante adicional de investimentos representa 80% do valor atual da empresa, isto sem considerar o custo do capital usado para financiar tais investimentos. Se considerarmos um custo médio de capital de 8 % a.a., o valor atual dos investimentos extraordinários feitos desde 2009 sobe para US$ 147 bi, ou seja, equivalem a quase 100% do valor atual da empresa!! 

Mas aqui surge um dado bem interessante: em 2006 a empresa gerou US$ 23 bi de Ebitda. Ou seja, investiu-se US$ 147 bi durante os últimos 6 anos acima do ritmo que já se investia até então mas mesmo assim o lucro da empresa subiu apenas US$ 4 bi? Ou a empresa que tínhamos até 2017 não vale quase nada, apesar de se terem mantidos os US$ 20 bi / ano de investimentos que até então eram feitos, ou os investimentos adicionais que foram feitos a partir de 2009 não valem o que foi gasto, pelo menos na ótica do mercado. Este gráfico abaixo mostra isto de outra maneira:

 

evdaempresa

 

 

 

Ele mostra a evolução do Valor total da empresa desde 2006 segundo as cotações do mercado . Vemos que de 2007 para cá o valor da empresa permaneceu estável ( amarelo), apesar dos investimentos e endividamento crescentes ( área cinza do gráfico). Ou seja, houve uma total destruição de valor para seus acionistas, como mostra a região em azul do gráfico da evolução do valor total das ações da empresa. Com o valor estagnado e endividamento crescente, sobrou para os seus acionistas pagarem a conta. A ação só vai voltar a subir se o valor total da empresa subir ou se o endividamento cair.

A desculpa que pode ser usada: o petróleo caiu. Porém os dados de resultado que tenho usado até agora vão até setembro de 2014. O preço médio do petróleo de Janeiro de 2008 até Setembro de 2014 foi de US$ 92.  O preço médio do petróleo em 2014 (até setembro) foi de US$ 99. E o preço médio do petróleo em 2006 era de U$66, como mostro no gráfico abaixo:

 

petroleopreco2005.15

 

 

Logo, apesar da elevação do preço do petróleo e dos investimentos feitos desde 2006, o lucro quase não saiu do lugar. Mas a má notícia mesmo é que o petróleo hoje está ao redor de US$ 50 o barril. A queda foi tão brutal que hoje o preço da gasolina aqui vendida está quase 30% acima daquele praticado nos mercados internacionais. Isto deve evitar uma queda dramática nos lucros da Petro, mas abre uma enorme brecha para importações direta de gasolina por parte de distribuidores privados.

Vamos voltar agora no tempo, usando a estimativa feita pelo banco CS, e adicionar US$ 10 bi ao EBITDA da empresa de 2014, que seria aproximadamente quanto a empresa teria gerado de ganho adicional caso tivesse praticado um preço de combustíveis no mercado interno similar ao que se cobra lá fora. O EBITDA de 2014 saltaria então para cerca de US$ 37 bi.  Nesta linha poderíamos então defender que os US$ 147 bi de investimentos adicionais feitos desde 2009 geraram, na melhor das hipóteses, US$ 14 bi de ganhos que foram parcialmente repassados aos consumidores de gasolina e diesel. OU seja, um retorno de 10% a.a.,  US$ 0,10 de Ebitda para cada US$ 1,00 investido. Isto é pouco mais do que a metade do que o mercado espera da empresa hoje como vimos acima.

O lado desagradável desta conta é que, com a queda do preço do petróleo, todos estes cálculos foram para o espaço, pois se o preço da gasolina caísse para níveis compatíveis aos praticados lá fora, o lucro da empresa despencaria. O que deve sustentar o EBITDA próximo ao nível atual é a manutenção de preços elevados da gasolina e do diesel. Isto só vai ficar claro quando a empresa divulgar os resultados do primeiro trimestre.

O mercado estaria louco ao esperar 18% de retorno EBITDA? Nem tanto, pois acredita-se que a empresa irá acelerar dramaticamente sua geração de lucros a partir de 2017 com a entrada do petróleo do pré-sal. SE tudo correr como a Petrobrás espera (mas dá para acreditar em qualquer coisa que esta empresa tenha falado a esta altura??), sua produção diária de petróleo vai dobrar até 2020, pois a partir de 2016 vai subir 400 mil barris/dia a cada ano, chegando a 4,2 milhões de barris por dia em 2020. Como o mercado não acredita em mais nada que a empresa diz, alguns bancos trabalham com uma previsão de aumento de 60% na produção até 2020. Ou seja, um aumento de 240 mil barris / ano a partir de 2016. Assumindo um preço médio de US$ 75 para o petróleo (vis a vis os atuais US$ 50 e os US$ 100 do ano passado), o Ebitda esperado para 2020 seria, a grosso modo, uns US$ 16 bi acima do atual (assumindo  50% de margem). Ou seja, até 2020 maturarão os investimentos adicionais feitos nestes últimos 6 anos, que aí passariam a gerar o lucro necessário para se justificar parcialmente os fortes investimentos feitos até agora. Se isto tudo der certo, a dívida da empresa começará a cair la por 2017, o que poderá elevar gradualmente o preço das ações. Outra  incerteza que fica é até quando será necessário se manter os US$ 32 bilhões de investimentos anuais hoje planejados e como iremos financiá-los.

Tudo bonito então?

Primeiro é preciso chegar lá em 2020 vivo. E para isto temos que sobreviver pelo menos até 2017, quando espera-se que o pré-sal comece então a jorrar e gerar caixa para amortizar as dívidas acumuladas.

Aí que surge toda a confusão do Petrolão. O tamanho da encrenca causou uma enorme desconfiança nos investidores e financiadores da empresa e vai tornar esta travessia um baita desafio..

Tudo começou com a demora da empresa em assumir os problemas, embora suas investigações internas em meados de 2014 já mostrassem que havia fortes indícios de fraude. Isto levou vários acionistas da empresa no exterior a entrar com ações contra a empresa nos EUA onde sua ação é listada.

A demora em publicar o balanço da empresa de setembro de 2014 e a dificuldade em se estimar o valor das fraudes alimentou ainda mais tal insegurança, em particular quando a empresa divulgou que o valor das perdas poderia chegar a R$ 88 bi, ou seja, US$ 35 bi (30% do volume adicional investido desde 2009, como vimos acima).  Isto levou um fundo no exterior investidor em papéis da empresa a questionar se a Petro teria assim deixado de cumprir as condições impostas em seus financiamentos (covenants), uma vez que os dados publicados relativos ao resultado de setembro de 2014 ainda não refletem o impacto das fraudes e, portanto, não estariam de acordo com as regras contábeis, o que assim significaria uma quebra de covenant.

A demora em publicar o balanço final de 2014 oficial e auditado é outro pobremão. Se ele não for publicado até o final de Junho, isto causará o vencimento antecipado de dezenas de bilhões de dólares em dívidas da empresa devido a outras condições ( covenants) existentes em suas dívidas atuais, o que a colocaria em situação financeira muito frágil, para dizer o mínimo. A dificuldade dos auditores independentes em concordar com os métodos usados para avaliar as perdas que a empresa incorreu em tais contratos torna este desafio ainda maior.

Esta situação levou a empresa classificadora de risco Moody’s a rebaixar a nota de crédito da empresa para junk (lixo), categoria especulativa. Se a empresa perder o grau de investimento também pela S&P ou Fitch, sua situação financeira ficará extremamente fragilizada pois isto reduzirá a oferta de financiamentos à empresa, já que a grande maioria dos investidores que compram seus papéis precisa que a empresa tomadora seja classificada como grau de investimento por pelo menos duas das 3 principais agências classificadoras de risco. Isto demandará que o governo federal viesse a socorrê-la, seja via capitalização, diluindo os acionistas atuais, ou seja através de novos empréstimos feitos pelo Tesouro Nacional ou pelos Bancos públicos, num momento em que o próprio governo e os bancos públicos não dispõem de espaço para fazer tais aportes à luz dos ajustes em curso. No limite, seria preciso a aprovação do Congresso para que se abrisse alguma exceção na lei de responsabilidade fiscal para que o governo pudesse assim socorrer a empresa. Dada a situação atual do Congresso, este não seria um caminho fácil para o governo e os custos políticos seriam elevadíssimos. Neste cenário, seria muito provável que a dívida pública do Brasil tivesse suas notas rebaixadas, assim como todos os grandes bancos nacionais.

A mudança do time gerencial da empresa criou uma certa insegurança dados os enormes desafios operacionais, além dos financeiros, uma vez que o volume de investimentos previsto precisa ser revisto para baixo dramaticamente de tal forma a adequar a empresa a nova realidade. Contudo, o novo time deverá focar 125% de suas energias nas questões contábeis para se evitar o total rebaixamento da empresa e o triste cenário que mencionei há pouco. Um leão por dia, como dizia aquele gladiador…

Tampouco se sabe o tamanho das multas e penalidades que poderão ser impostas sobre a empresa, aqui e no exterior, por ela ter participado e, até certo ponto, patrocinado a corrupção, caso isto de fato seja comprovado como parece. A lei da corrupção recentemente aprovada no Congresso é aderente às normas internacionais que regem o assunto em diversos acordos que firmamos com a OCDE, com o Banco Mundial e na ONU. E fica claro por esta lei que a Petrobrás como empresa pode ser considerada culpada de ter patrocinado a corrupção. As vítimas, pelo que tudo indica, foram seus acionistas minoritários, que confiaram a seus controladores (governo) a gestão da empresa, e a sociedade como um todo, que pelo que se apresenta, viu uma empresa pública financiar atividades políticas através de esquemas criminosos. Cabem aos acionistas minoritários que se sentirem prejudicados pelos controladores apelar na justiça com base na Lei das SAs. Cabe ao CGU processar a empresa que, se isto tudo for comprovado, precisaria então fazer um acordo de leniência que levaria sim a multas bilionárias. O Ministério Público já começou a se mover nesta mesma direção no que diz respeito às empreiteiras. E sabe-se que o Departamento de Justiça americano e a Comissão de Valores mobiliários daquele país (SEC) abriram investigações sobre o caso, sem falar o  risco de acionistas entrarem com ações jurídicas de classe nos EUA contra o governo brasileiro e a administração da empresa. Além disto será preciso que a CVM se posicione a respeito do assunto em algum momento. Enfim, tudo isto gera ainda mais incerteza.

Além disto, vários de seus fornecedores envolvidos nos escândalos poderão ter enormes dificuldades em cumprir com suas obrigações nos projetos em andamento, o que pode vir a afetar seriamente a capacidade da empresa entregar o aumento de produção esperado. Já existe no mercado crédito um estrangulamento nas linhas de financiamento às empreiteiras envolvidas com o escândalo.

E para agravar ainda mais, tivemos a queda dramática do preço do petróleo ocorrida nos últimos meses causada pelo forte crescimento da oferta de petróleo dos últimos anos e pela negação da Opec em reduzir sua oferta. Isto provocou a queda substancial do preço das ações das grandes empresas produtoras de petróleo (XOP) e daquelas que atuam no shale gas (FRAK) dos EUA, como vemos no gráfico abaixo:

 

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Vemos no gráfico branco acima que o preço das ações da Petro (ADR’s) começaram a se descolar das outras a partir de Outubro, quando a empresa decidiu não divulgar seu balanço. Porém fica evidente que a queda do preço do petróleo (gráfico verde) contribuiu bastante.

Esta perda de credibilidade está afetando não somente o preço das ações, mas os juros que a empresa precisará pagar caso consiga rolar no mercado as dívidas que vencem, como mostra o gráfico abaixo do prêmio de risco que os papéis da empresa pagam a seus investidores lá fora:

 

pbrspread

 

 

A taxa de risco paga nos títulos da dívida da Petrobrás de 6 anos de prazo dobrou, saindo de 2,5% a.a. para mais de 5,5% a.a. desde setembro ( marcado em amarelo).

A manutenção deste quadro faz com que seja bastante improvável que a empresa consiga tomar novos recursos junto a bancos ou investidores externos nos próximos meses. Isto pode criar um problema de liquidez para a empresa e até mesmo impedir que ela continue com seus planos de investimentos, que este ano devem cair para US$ 33 bilhões. O Banco CS estima que a Petrobrás precisará de US$ 25 bi em novos recursos para quitar as dívidas que vencem, financiar seus negócios e ainda manter um caixa mínimo de US$ 5bi  (hoje empresa teria aproximadamente US$ 25 bi em caixa) até o final de 2016. Logo, a menos que a situação da empresa melhore muito rapidamente, é bem provável que ela precise de algum suporte maior do Governo Federal para facilitar esta transição. Discute-se até a possibilidade da empresa vender alguns ativos nas áreas de distribuição de combustíveis, geração de energia e no exterior para fazer caixa para encarar este período de transição.   De qualquer forma, dada a importância da empresa e seu tamanho, seria inconcebível que o governo viesse a permitir que a Petrobrás deixasse de honrar seus compromissos. Os custos políticos, econômicos e de imagem externa disto seriam incalculáveis e intoleráveis. Logo, é muito provável que se encontre alguma solução. O que ainda não sabemos é qual será o custo desta solução para o Estado (contribuintes) e para seus acionistas, pois é preciso ter em mente que um envolvimento financeiro maior do governo na empresa pode piorar nossas contas públicas e nos levar ao rebaixamento da dívida do próprio governo. 

Mas as ações da Petrobrás estão baratas ou caras hoje? Bom, deixo claro mais uma vez que não é o objetivo deste blog dar este tipo de opinião, tampouco recomendar compra ou venda de ações. Consulte um corretor qualificado se quiser fazer este tipo de investimento. Contudo, para você ter uma ideia do grau de risco e de incerteza envolvidos na tarefa de tentar encontrar um valor justo para as ações da empresa, veja algumas das variáveis que devem ser levadas em conta em tal análise:

  • Comportamento da taxa de câmbio, pois mais de 70% da dívida bruta da empresa está denominada em moeda estrangeira;
  • Comportamento dos preços domésticos dos combustíveis fixados pelo governo;
  • Comportamento dos preços externos do petróleo e seus derivados e o tempo estimado para sua recuperação;
  • Evolução do consumo interno de combustíveis e derivados;
  • Volume de Investimentos ainda necessários para se atingir as metas de produção estabelecidas pela empresa;
  • Quais as metas factíveis de serem atingidas no refino e na produção de petróleo para os próximos 5 anos, dados os investimentos feitos, os programados e os problemas com seus fornecedores;
  • Que multas e penalidades serão impostas pelas autoridades locais e internacionais em função dos problemas com o Petrolão;
  • Resolução ou não dos problemas contábeis a tempo de se evitar a quebra de covenants;
  • Acesso a fontes de financiamento e a que custo;
  • Volume a ser arrecadado com vendas de ativos ou desinvestimentos (BR distribuidora, Refinarias, Ativos no exterior, Geração de energia, etc. ), que poderiam ajudar a reduzir endividamento de forma mais estrutural.
  • Risco de potencial diluição dos acionistas atuais via nova emissão de ações visando reduzir endividamento.
  • Capacidade financeira de seus fornecedores continuarem a executar os projetos em andamento

E por aí vai. Ou seja, eu diria que é quase impossível determinar hoje o valor justo da ação com alguma precisão a luz de tamanhas incertezas. Além disto tudo, só conheceremos mesmo a situação atual da empresa após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre e, principalmente depois da publicação dos números auditados de 2104. Saberemos aí como está a liquidez da empresa, o ritmo de seus investimentos, as estimativas de provisão contra multas e os impactos dos preços novos do petróleo nos seus resultados correntes. Até  lá toda análise tem um forte caráter especulativo.

Mas o que quero destacar é que temos aqui um exemplo vivo, real e dramático dos efeitos nocivos do Estado Grande, do Estado Capitalista, do intervencionismo estatizante, do dirigismo centralizador numa empresa saudável e próspera. E não acho que seja correto colocar a culpa no grupo político A ou B. Este é um problema do modelo estatizante, que é agravado quando não se criam instituições que protejam tais empresas e incentivem as boas práticas de governança. E o pior desta situação toda é que estes problemas trazem sequelas para toda a economia, pois 10% do investimento total que é feito no Brasil é feito pela Petro. Milhares de empresas fornecedoras da Petro irão sofrer com isto tudo, mesmo aquelas que não estiveram envolvidas nas fraudes.  E uma grande parte dos novos Investimentos Estrangeiros no Brasil, tão necessários para financiar nosso déficit externo,  são destinados ao setor de petróleo e poderão se reduzir neste cenário.

Mas o que houve? Como cegamos aqui?

  • Ao deixar que a gestão da empresa fosse politizada e ocupada por grupos políticos, uma gestão empresarial de forma econômica e racional se torna impossível;
  • Ao permitir que o controlador, o Governo,  diga quais investimentos devem ou não ser feitos, sem se ter uma visão da estratégica da empresa, os riscos envolvidos e forma de financiamento,  as decisões de investimentos perdem toda racionalidade econômica e passam a ter uma ótica apenas política, o que acaba destruindo valor econômico;
  • Ao se impor à empresa que ela pratique políticas de preços que visem acomodar questões macroeconômicas, descaracteriza-se o caráter  societário e capitalista da sociedade, ferindo seus estatutos, descaracterizando toda a lógica econômica dos processos decisórios internos que passam a ser orientados por lealdades políticas e não mais por critérios técnicos;
  • Ao se prover implicitamente aos credores e acionistas minoritários da empresa garantias sobre a capacidade da mesma honrar seus compromissos, cria-se um dano moral sério, pois cria-se incentivos para que empresa se alavanque, pois seu custo de capital fica assim subsidiado pela garanta implícita do Estado e dos contribuintes ( nós). Isto permite que empresa se endivide além da conta e embarque em investimentos acima de sua capacidade própria de financiamento;
  • Ao se incluir a empresa em programas públicos, como os  de geração de energia termelétrica, produção de etanol, etc, que fogem do escopo da empresa, acaba se exaurindo os recursos gerenciais e financeiros da empresa, fazendo com que o management perca seu foco de suas prioridades;
  • Ao se politizar a gestão da empresa, a aderência aos manuais e procedimentos formais de trabalho de seus funcionários é abandonada, uma vez que o medo de retaliação supera o medo de não se cumprir normas;
  • Ao se povoar o seu conselho de administração com funcionários do governo, empresários dependentes do Estado ou neófitos no assunto gás e petróleo, se elimina a independência da administração da mesma e a possibilidade de algum controle externo sobre a gestão da empresa que proteja seus estatutos e objetivos;
  • Ao se ignorar as vozes dos conselheiros independentes, está se agredindo os direitos fiduciários dos acionistas MINORITÁRIOS QUE INVESTIRAM NA EMPRESA COM A ESPERANÇA QUE SEUS INTERESSES FOSSEM RESGUARDADOS PELO CONSELHO E PELA CVM;
  • Ao se exigir que empresa subsidie preços de seus produtos ou compre de fornecedores locais pagando mais caro, transfere-se um ônus aos acionistas minoritários que deveria ser arcado pelo erário público e não pelos acionistas minoritários que não podem se defender;

Ou seja, creio que a corrupção seja apenas o subproduto da falta de governança e controle existentes na empresa.  Será que não seria melhor repensar de vez este modelo estatizante ou mudar de uma vez por todas a maneira que o Estado dirige empresas estatais que se envolvem e competem diretamente no setor privado

E que tal repensar este modelo estratégico tolo de investir em combustíveis fósseis, seguindo a manada global, que só poderia terminar em colapso dos preços do petróleo em função do excesso oferta criado?

Já não somos uma economia muito concentrada em commodities? Agro, metais, celulose e agora petróleo? Que tal diversificar um pouco?

Que dirigismo estatal e planejamento centralizado foi este que decidiu meter todas as fichas no boom das commodities e não avaliou seus riscos?

Não seria melhor deixar o mercado, o setor privado, tomar estes riscos e arcar sozinho com tais perdas?

Por que diabo o conselho de administração ficou calado todos estes anos e não viu o que estava ocorrendo, não só em termos de corrupção, mas com relação aos custos dos projetos e investimentos feitos e seu retorno econômico?

Esta deve ter sido a lição mais cara que já tivemos, depois da hiperinflação causada pelo descontrole monetário e fiscal  dos anos 80 e do calote do Funaro na dívida externa. Será que desta vez aprenderemos? Ou os fantasmas da falecida Siderbrás estariam à solta?

PS: E falar agora em privatizar Petrobrás, depois que a empresa foi destruída, é no mínimo brincadeira. Vamos tentar recuperar o valor destruído, a moral abalada, a imagem destruída, a credibilidade ferida e saúde financeira fragilizada da Petrobrás e nossa, com um novo conselho de administração com gente do ramo, que já dirigiu empresas, que trabalhem período integral no conselho, com os corretos incentivos financeiros para que eles promovam a virada na empresa que está em momento crítico. Precisamos talvez estatizar totalmente a empresa, arrumar seus problemas e aí revender suas ações a mercado. Precisamos de um turnaround. E chega de amador cuidando de nosso patrimônio!!! 

petro

 

 

 

 

 

 

 

 

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20 comentários | Comentar

  1. 70 Clovis 06/03/2015 11:03

    O meu modo de enxergar a crise de 2008 é bem diverso, Gallo.
    A crise de 2008 foi uma crise do setor privado e não uma crise do setor estatal
    O que desmoronou em 2008 foi modelo neoliberal do “Estado Mínimo”, da desregulação e da autorregulação(conceito ridículo esse).
    O que tem acontecido dede então é um ajuste do setor privado, uma lenta desavalancagem do setor privado, pois a divida privada chegou a bater inacreditáveis (e irresponsáveis) 500% do PIB em certos países, como no Reino Unido.
    O setor público tão criticado, atacado e difamado, tachado de ineficiente e incompetente, foi convocado a socorrer e a salvar o setor privado. E foi o que foi feito apesar dos fundamentalistas neoliberais nos EUA terem defendido uma “solução de mercado” para a crise, ou seja, permitir a falência do setor bancário e de seguros.
    Não foi o que aconteceu, O Estado interviu como nunca tinha feito desde o New Deal, socorreu empresas falidas como a GM e diversos bancos. aplicou uma agressiva política de “quantitative easing”, nocauteou os juros e manteve o paciente vivo, na UTI mas vivo.
    Agora dizem que a economia já está saudável novamente. Será mesmo? Quando é que vão desligar os aparelhos?
    O mais triste (e obtuso) é que já tem gente apontando para a divida publica, ao redor de 100% do PIB para ressuscitar a velha ladainha sobre a ineficiência estatal. Já esqueceram como e porque a divida chegou nesse patamar…
    Etâ amnésia conveniente!

    • Ronaldo 06/03/2015 15:32

      São apostas, para mim o EUA não vai se ferrar MESMO nem tão cedo(a não ser que explodam uma bomba ou o Yellowstone acorde agora), para você a aposta é inversa. Creio que não vamos chegar a um acordo.

      Ainda vou manter meu ponto que a economia e cultura americana são dinâmicas, eles são preparados para reverter. Eles inovam, criam valor e riqueza, produtos. Mesmo que não sejamos fãs da Apple, muitos por aí no mundo fazem juras de amor à ela e à outras empresas norte-americanas.

      Voltando ao ponto inicial da discussão comparando o Otimismo em relação ao brasil e pessimismo aos EUA. Aqui, ao contrário de lá, estamos muitos andares abaixo comparados a eles e nós cidadãos estamos com mãos atadas graças a leis inflexíveis, regulamentações exageradas, carga tributária pra arrombar

      Sim, temos países com carga tributária pior que nós, mas uma coisa ao menos vamos concordar temos um sistema tributário super confuso, ICMS de mil paginas, essa coisa da Substituição tributaria, imposto de fronteira, etc. Isso enlouquece qualquer cidadão.

      http://www.cni.org.br/portal/data/pages/FF808081272B58C0012730F0532A33A2.htm

      Citando a CNI “as dificuldades administrativas têm impedido o uso eficaz de todos os recursos disponíveis para investimentos. ”

      Lá nos EUA, como falei anteriormente, eles tem boa gerência, competência administrativa e estratégica para resolver problemas, ou seja, nível organizacional das empresas lá é muito bom.

      Temos muitas broncas pra resolver aqui.

      Abraços

    • Ricardo Gallo 06/03/2015 18:21

      gente, aachar que eua tem um problema é gozacao. perto da gente eles estao no ceu. tudo é relativo no mundo….

      se eua esta ruim quem estah bem?? nós? china? japao? europa ( ex alemanha)? venezuela? argentina?

      e alocacao de capital é um relative value game…. voce tira de um lugar pra por noutro. logo o menos ruim sempre ganha. e é isto que esta empurrando dolar pra cima, mesmo com juro de dez anos a 2.24%….

      qto a mises ou nao… quando canal de credito entope, o modelo monetario vai pro saco… logo….

    • Ricardo Gallo 06/03/2015 13:24

      http://blogs.wsj.com/economics/2015/03/06/februarys-jobs-report-in-10-charts/

      strong!!!!!!!!!!! e com finlacao a 1.40…. e pib de 3%… show!!!!!!!!!!!!

    • Ricardo Gallo 06/03/2015 13:06

      ok. enquanto não desligam os aparelhos, geraram lá 295 mil vagas de emprego no ultimo mês e ha’ 6 meses cresce a um ritmo de 4.5 milhões por ano….

      desemprego u3 bateu 5,5…. o u6 ( desemprego ampliado, que inclue tudo). mantido o timo de queda dos ultimos 3 anos u6 chega a pleno emprego em março de 2016… e u3 ate final do ano bate 5%….

      taxa de participação, que era seu argumento para explicar fraqueza do mercado de trabalho, nao cai há quase um ano….

      endividamento das famílias desmoronou….

      confiança das familias americanas voltou aos niveis de 2004..

      empresas lucrando como louco…

      eu entendo seu ponto, porem as famílias, investidores e empresários de lá acham diferente

      enfim, eu gosto de olhar fatos… conjecturas eu deixo para quem é mais inteligente.

      ps: hoje é 2015… ja se passaram 7 anos desde 2008… acho que as coisas já melhoraram bastante….

      ps: bem, se voce de fato acredita que o intervencionismo funciona, como parece, e defende que eles usaram o tal intervencionismo, abolindo o liberalismo, como coloca, deveria então ficar mais otimistas com os eua que estao seguindo sua receita... ou voce acha que intervencionismo de fato nao funciona, e como aqui, quando ele acabar a economia afunda??? nao entendi… você acha que eua deveriam ter usado a solução liberal em 2008? ou você acha que agiram certo e portanto tiraram pais do atoleiro??nao entedi seu ponto??

      ps2: aqui o intervencionismo quase nos quebrou. Se não fosse Dilma ter percebido que tinha caído no conto do vigário da turma da Unicamp & Fiesp e mudado de curso, estaríamos fritos. Espero que a mídia reconheça isto e pare de encher o saco dela. percebeu erro e mudou 180 graus de rumo. isto é bom!!!!

  2. 69 Clovis 05/03/2015 23:54

    Raciocínios um tanto quanto falaciosos se me permitem a franqueza.
    Tipo se os EUA são um pais rico e desenvolvido então a economia deles TEM que estar bem e nos trilhos.
    Sei não…
    Também não sou fã da Apple.
    Quanto ao Mises, well ele pode ser muito popular junto á pequena burguesia e servir até para discursos demagógicos de políticos neoliberais mas ninguém que tem a responsabilidade de dirigir a economia de um país leva ele muito a serio.
    Padrão ouro? Inflação ter como causa exclusiva unicamente a emissão de dinheiro? Faça-me o favor! .
    Aliás é incoerente defender a atual politica economica americana e se dizer fã do Mises. O que os americanos estão fazendo desde a crise de 2008 é exatamente o oposto ao que Mises pregava e que , felizmente, nenhum país ainda ( nem os chicago boys) aplicou.
    Quanto a produtividade , você errou. A produtividade está caindo:
    http://g1.globo.com/economia/noticia/2015/03/pedidos-de-auxilio-desemprego-nos-eua-sobem-produtividade-cai.html
    Me desculpem mas o meu lado ortodoxo ( é pequeno mas existe) não vai aceitar a tese que a economia americana está em recuperação com essa taxa de juros próxima de zero e o que é pior, NEGATIVA.

    Estou errado?
    Os EUA estão entrando num ciclo de crescimento?
    Não vai ter deflação?
    O dolar vai se manter em alta?
    Ótimo! Melhor para o Brasil!

    • XG 07/03/2015 0:44

      Dolar em alta não é tããão bom não.

      Sim por um lado ajuda as exportações e tal…

      Mas você ta ignorando o fato de que há Insumos das fábricas brasileiras voltadas para o mercado interno, sem contar outros equipamentos mais sofisticados ficam caríssimos e a conta cai pra gente, O POVÃO.

    • Ricardo Gallo 07/03/2015 12:49

      SIM.

      porem dolar alto ou barato não é escolha, como ser ou nao diabetico. voce pode tratar…. porem continua diabetico.

      nao poupamos suficientemente, certo? veja outros posts que fiz sobre falta de poupança e forma do ajuste…. nao tem jeito… salario real do povao tem que cair…. senao quebramos.

    • Ronaldo 06/03/2015 14:29

      É pelo visto errei mesmo sobre o quesito produtividade.

    • Ronaldo 06/03/2015 14:29

      Não, é impossível estar bem para sempre, existem ciclos.

      Para mim grande parte da causa da inflação se deve a quantidade dinheiro na economia, é só analisar os casos de inflação na Alemanha, alguns países da África, até mesmo o nosso no Brasil.

      Não sou fã de mises nem concordo totalmente com a política econômica atual americana. Mas é verdade sim que os Austríacos discordam veemente das políticas já que eles são extremistas ao lado Liberal (“neoliberalismo” é uma salada de ideias misturadas nosense)

    • Ricardo Gallo 06/03/2015 0:12

      voce pode ser ortodoxo mas que os dados mostram que estao gerando quase 3 milhões de emprego por ano

      e aposto que nao terão deflação em sua taxa acum de 12 meses pelo menos nos próximos 2 anos

      mises ou nao os eua crescem e nos andamospra tras…ou serah que o ibge deles esta fajutando os dados?

      ps: eles podem colocar juro real negativo e mesmo assim dolar sobe neh?? e bolsa sobe? e lucro das empresas cresce a mais de 7 pct ao ano….

      difícil achar que economia deles está mal e nossa bem…

      mas quem sabe eu não estou vendo o quadro todo….

      é chato mas o capitalismo nao acabou como dizia a esquerda em 2009

      o que está bem ferido é o estatismo intervencionista

  3. 68 Clovis 04/03/2015 23:54

    Ronaldo:
    O tamanho da economia da California não tem relação com a minha pergunta. Não estamos discutindo o passado, nem sequer o presente. É sobre o futuro proximo
    Quando eu digo que sou pessimista é que eu não vejo consistência na recuperação americana.
    O próprio FED diz que vai prestar atenção especial aos índices de desemprego para decidir quando vai retirar os incentivos monetários da economia americana, esses incentivos não são exclusivamente a injeção de liquidez via recompra de títulos mas a própria taxa de juros que está em patamares extremamente baixos.
    Quando começarem a subir os juros é que poderemos dizer que a economia americana finalmente se recuperou.
    Acho que os dados de emprego nos EUA podem não ser tão bons quanto aparentam num primeiro exame.
    O primeiro alarme no meu desconfiômetro soou quando saiu o número sobre a população economicamente ativa que é um dos mais baixos já registrados. Isso leva a indagar se uma parte da redução do desemprego não se dá porque algumas pessoas desistiram de procurar emprego, tipo mulheres que resolveram voltar a ser donas de casa.
    Outro dado bem negativo é que o salário médio caiu o que não combina com um cenário de diminuição do desemprego.
    Há outros fatores não muito promissores ,como a deflação por 2 ou 3 meses consecutivos, o preço do petróleo em patamares excessivamente baixos, a impossibilidade do Congresso Republicano e Executivo Democrata trabalharem juntos para reduzir os deficits gêmeos e a dificuldade em aumentar os impostos dos muito ricos.

    • Ronaldo 05/03/2015 15:27

      Entendi, mas Clovis você está falando apenas de dados macroeconômicos. Não quis dizer do passado por ser passado, quero dizer que o Povo americano, a cultura americana é voltada para Produção e Inovação, eles tem infraestrutura ,capital humano(o mais importante) e organização para isso. E peguei exemplo de apenas um estado norte americano.

      Por isso falo, se naquela época pirralhos de universidade criaram coisas novas, quebrando “o antigo” imagina hoje o que eles não fariam para dar a volta por cima.

      Se um dia você estiver com tempo para tal :
      http://capitalsocialsul.com.br/capitalsocialsul/analisedeconjuntura/analisedeconjuntura/Schumpeter%20-%20Capitalismo%20Socialismo%20e%20Democracia%20%28Livro%29.pdf

      Defendo que, se em um dado momento EUA passa por crise, dados macroeconômicos ruins ou estagnados, creio que o dinamismo deles sobrepõem esses problemas.

      Não sou muito fã da Apple (Microsoft fanboy kkkkk), que já virou religião, mas bem eles tem 178 bilhões de dolares em caixa (isso paga a divida da Petrobras)… e tão investindo aí no tudo ou nada em mercados diferentes como o automobilístico.

      E nem citamos o Xisto aqui.

      Se a economia americana continua a crescer, como Ricardo Gallo citou, mesmo a população econômica ativa diminuindo, entendo que o americano está produzindo mais e parte deles podem se dar ao luxo (com exceção a peculiaridades).

      Deflação é um tema polêmico, nesse ponto acho que o povo la do Mises possuem bons pontos
      http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=163

      Concordo com Gallo, temos muito a analisar nossos problemas. Repito enquanto eles são abertos ao mundo concorrendo diariamente com outros países, estamos aqui ainda com sérios problemas de formação de capital humano, infraestrutura, burocracia (SUPER IRRITANTE) e outros bem mais sérios.

    • Ricardo Gallo 05/03/2015 16:27

      a população economicamente ativa dos eua caiu por questões cíclicas apenas ( leiam yellen…) e com pib recuperando isto ja esta mudando.… e a corrente imigratória lá é bem maior que a nossa…

      nao vejo os eua fazendo programa ciência sem fronteira mandando aluno de lá para ca estudar nas nossas faculdades privadas: ou seja, talvez um pea crescendo pouco mas com muita qualidade de mão de obra é melhor do que pea crescendo muito com baixo crescimento de capital humano / capita….

      ps2: nosso pea nos grandes centros urbanos aqui parou de crescer recentemente…. normal que ocorra nos downcicles. o naercio mencionou um trabalho interessante sobre queda de taxa de participaçao ( esta acontecendo aqui como la nos eua..) vs renda… ou seja, ha sim um componente ciclico….

      http://www.valor.com.br/opiniao/3917642/renda-dos-pais-e-trabalho-dos-jovens

      leia

    • Ricardo Gallo 05/03/2015 1:09

      mas:

      1. eles crescem mais que nos ha 3 anos
      2. no ritmo atual desemprego u6 que leva em conta um universo mais amplo vai chegar a pleno emprego no inicio de 2016 mantido ritmi de queda dos últimos anis
      3. pce inflation esta estabilizado em 1.30
      4. beige book do fed publicado esta semana ja indica algumas pressões inflacionárias
      5. deficit fiscal e deficit de conta corrente deles são ambos menores que o nosso
      6. hourly earnings sobe a 2.5 pct aa ou seja acima da inflacao ja ha alguns meses
      7. taxa de participação da população no mercado de trabalho estabilizou
      8. bolsa americana esta nas macimas
      9. crédito expandindo normalmente
      10. mercado imobiliário ja se recuperou e precos de imóveis sobem há anos
      11. confianca do consumidor americano ja voltou aos níveis pre crise

      enfim eu recomendo se preocupar mais com nossa economia que está em frangalhos do que na deles. os problemas deles são bem menores que os nossos

    • Ricardo Gallo 05/03/2015 12:09

      Ps: neste sentido, vale a pena ler o beige book do fed publicado recentemente

      http://www.federalreserve.gov/monetarypolicy/beigebook/beigebook20150304.htm

  4. 67 Clovis 03/03/2015 22:01

    Vamos por partes:
    Em primeiro lugar eu fiquei agradavelmente surpreendido em você defender o modelo norueguês no caso da industria petrolífera. Eu gostaria que tivéssemos feito com o “Pre Sal” a mesma coisa que a Noruega fez quando descobriu as reservas do Mar do Norte.
    Enfim…
    Quanto a questão do valor das Petrobras estar subavaliado ou não, não é apenas uma questão de modelo de valuation ou qualquer tipo de análise matemática. Não é apenas uma questão de descontar um fluxo de caixa e calcular o custo do capital dessa empresa, etc…
    Entra também a expectativa, o “chute” (odeio essa palavra). Investir em ações é um exercício de futurologia (todo investimento é). Se eu estimar o preço médio do barril no período de análise em US$ 50 e você estimar em US$ 70, a Graça Foster em US$ 100 chegaremos os 3 a valores bem diferentes quanto ao preço alvo da ação da empresa e/ou à saúde financeira dela
    E estamos falando em períodos de 5, 10, 15 anos, não é?
    E tem poucas coisa mais difíceis em economia do que acertar o comportamento dos preços do petróleo…
    Quanto a questão do endividamento acho que a própria Petrobras está desconfortável com o nível atual.
    Mas será que isso quer dizer má gestão?
    Não necessariamente. Por exemplo, o endividamento tende a piorar pelo simples fato das ações desvalorizarem. E as ações da Petrobras despencaram como vc mesmo frisou.
    Comparar o endividamento com outras empresas do ramo é sempre uma coisa aconselhável mas mesmo nesse caso temos que analisar a situação específica de cada empresa.
    A Petrobras fez uma das maiores descobertas dos últimos tempos e é lógico que ela vai precisar de recursos de terceiros para fazer frente aos investimentos necessários para colocar os poços em produção.
    Eu acho perfeitamente natural e justificável que a Petrobras exiba por alguns anos níveis de endividamento superiores aos de empresas que não farão investimentos tão expressivos nesse período.
    Claro que eu posso estar errado quanto a Petrobras estar subavaliada mas não sou só eu.
    Quando você estima que o valor de uma empresa está muito alto e vende as ações e outra pessoa compra é óbvio que essa outra pessoa tem uma perspectiva diferente da sua.
    As ações da Petrobrás continuam tendo uma excelente liquidez, isso significa que tem muita gente (com ou sem razão) que acha que as ações estão subavaliadas, seja porque que motivo for.
    Sobre o desinvestimento só tenho a lamentar o uso malicioso que a imprensa fez dessa palavra,
    A Petrobras (me corrija se eu estou errado porque eu não tenho certeza desse número) planeja investir cerca de US$ 200 bilhões até 2018.
    Fazer um desinvestimento de 15 bi não é tão representativo, no meu entender.
    O desinvestimento é uma coisa corriqueira, em qualquer situação, com a empresa crescendo ou não.
    Por exemplo eu sei que a quando diminui a produtividade de um determinado poço, a Petrobras se desfaz desse ativo, vende para pequenas e médias empresas. É uma maneira dela aumentar a rentabilidade do capital dela.
    Ah mas vão dizer que o desinvestimento projetado aumentou em não sei quanto por cento.
    Mas é natural que seja assim. Se a Petrobras vai ter que pagar mais pelos empréstimos, se vai subir seu custo financeiro alguns investimentos que eram atrativos com um custo financeiro menor deixam de ser no novo patamar. A Petrobras então vende esses ativos para fazer caixa e diminuir o seu custo financeiro médio. Qual é o problema?
    A propósito, você sabe que modelo de valuation eles usaram para vender a Vale por US$ 3 bilhões?

    2?
    Eu sou sempre mais pessimista que você em relação a economia americana e mais otimista em relação a brasileira…
    Não foi ironia o que eu disse sobre o brilhantismo das suas análises. Eu adoro matemática. Esse é o motivo principal de eu sempre ler a sua coluna, é a abordagem matemática.

    • Ronaldo 04/03/2015 9:48

      É muito engraçado seu pessimismo em relação a economia americana

      Malha ferroviária
      http://3.bp.blogspot.com/-SHJMR61HNMo/VBCV5ZaujAI/AAAAAAAAAbc/uy71yKdVBFo/s1600/malha.png

      Outros
      http://mercadofoco.apexbrasil.com.br/public/javascript/ckfinder/userfiles/images/Graf10_EUA.png

      https://www.youtube.com/watch?v=q7mRP2r2gj0 – FEDEX , foi fruto de um subsidio do BNDES e o controlador o Governo Estadunidense? O objetivo dela foi o “Bem da nação” ou oferecer um serviço de entrega eficiente aos clientes?

      Um caso “nada interessante”
      http://en.wikipedia.org/wiki/Economy_of_California

      Nossa amiga Califórnia tem um PIB de míseros 2 trilhões de dólares…é muito interessante analisar a economia americana na visão do colega Schumpeter…como alguns “pirralhos” na por@@ de uma garagem ou na universidade criaram companhias que valem bilhões ao mesmo tempo que outras antigas (like IBM, XEROX) foram engolidas…

      Enquanto muitos perdem tempo com Petrobras, ignoram, não sei porque , empresas, que no ponto de vista ORGANIZACIONAL, são fantasticas :

      http://www.capitalaplicado.com.br/economia/porque-a-ambev-e-maior-que-a-petrobras/

      a natura https://www.youtube.com/watch?v=2H9PML_HHHQ

      Desculpa, empresa que se preza a “combater inflação”, “defender interesses nacionais”, “gerar emprego por gerar mesmo” são puramente razões levadas pelo emocional, no fim se tornam empresas ineficazes e o custo…a gente que se lasca aqui.

      Enquanto ficamos aqui brigando com foice, a concorrência la fora(que muitos morrem de medo ou desconsideram) está trabalhando continuamente, desenvolvendo novos produtos, informações, conhecimento, dependendo menos de commodities…

    • Ricardo Gallo 04/03/2015 11:28

      ps: eu não sou nada pessimista com eua….mas tem gente que é e comora iphone drone de brinwuedo usa google skype ve oscar …,

    • Ricardo Gallo 04/03/2015 10:40

      bom ponto.

    • Ricardo Gallo 03/03/2015 23:53

      Obrigado, mas

      a. eu também gostaria que Petrobras tivesse a mesma governança que os noruegueses impuserem na statoil – de uma pesquisada como é composto o conselho da empresa e veja quantos políticos estão no conselho. e veja qual a politica de preços que empresa adota. o que fizemos até agora foi simplesmente colocar endividamento no topo do ranking do Ibovespa e destruir valor…. o ebitda não sobe ha vários anos… e isto não faz sentido numa empresa que investiu 1.3 x o ebitda nos últimos 6 anos. eu pelo menos não gostaria que minha empresa tivesse esta performance…. voce gostaria??? está feliz com a performance da dita?? Ps : e nao adianta por culpa no preço do petroleo, como coloquei no texto…hehehe
      b. de fato é preciso considerar variáveis quando se projeta cash flow. porém, mesmo com petróleo a 95 o valuation da empresa nao subiu… ou seja, precisamos de petróleo a 100 e um baita crescimento de produção para colocar ev/ebitda dela em linha com seus pares … 4 ou 5 x… e o fato é que há sim super oferta de petróleo no mundo e vamos sofrer por um bom tempo. meu ponto: apostamos demais junto com a manada e quebramos a cara.
      c. estes chutes que você fala são feitos sempre que você quer comprar algum ativo. é assim que funciona o valuation… nao tem jeito…. voce não escapa disto….. e nao existe um profissional de investimentos ou executivo razoavelmente competente que nao faça isto. e para os ajudar o mercado te da info sobre preços de algumas variaveis: basta olhar os mercados futuros de oil, cambio, por exemplo. você em cima destes preços cria cenários e coloca probabilidades…. é assim que qualquer um faz quando quer avaliar algum ativo. usando o preço dos mercados futuros, quando vale em sua opinião o ev da petro? Esta é a pergunta…. duro de responder né? logo acho prematuro afirmar que ela esta subavaliada sem fazer esta analise. mas cada um sabe onde coloca seu dinheiro…
      d. se voce acha que petróleo vai voltar para 80 ou 100, compra petróleo futuro lá fora… é bem menos arriscado do que investir numa empresa que deve 4.5 x seu ebitda e investe mais de 1 x seu ebitda todo ano….hehehe… o fato é que se investe não só pelos chutes mas principalmente pela capacidade da empresa em gerar crescimento, algo que até hoje remains to be seen…. ela prometeu sucessivamente elevação de produção nos últimos anos e não entregou. e este ano petro disse que vai crescer produção apenas 4,5%, enquanto mercado esperava uns 7% em função dos planos apresentados pela empresa nos últimos anos.. mal né? se nos meus empregos passados isto tivesse acontecido com os negócios sob minha responsabilidade eu teria sido demitido sumariamente….
      e. fez sim uma descoberta enorme: precisa agora conseguir tirar do chão e transformar em caixa. não basta descobrir. tem que furar e entregar. a vida é dura…
      f. é bem razoável esperar um endividamento maior, desde que se sobreviva a isto…. há um limite para isto. E as acoes se desvalorizam em função do endividamento crescente e não o contrario, como você coloca. endividamento que importa para agencias de rating e banqueiros e investidores normalmente é medido como net debt/ ebitda. se ev fica constante, e net debt aumenta, acoes caem. e se ebitda nao sobe, ev nao sobe…. logo ebitda estável + net debt subindo = preço da ação caindo. a não ser que você acredite algum dia que produção vá subir muito, algo que vem sido prometido mas não tem acontecido, você tem que concordar comigo que é difícil apostar nas ações de uma empresa que vem investindo tanto e seu lucro não sobe. logo, se ação está barata ( eu nao sei!), tem motivos…. o fato é que nos último anos, mesmo tendo investido 145 bi o lucro não subiu… e não vai subir este ano…. mais um que passa….e pensa que todo ano o tesouro paga 12 % de juros ao ano para carregar seus ativos, entre eles, as Ações da petro. lucro parado = dividendo que não sobe = deficit primário do governo aumenta, pois despesas do estado aumentam e juros geram mais dívida…
      g. sim, ação tem liquidez, mas pela teoria de formação de preço, neste momento aprox 50% das pessoas/ buy intentions acham que ela estah barata e 50% acham que está cara, sell intentions. se esta relação mudar, o preço se move. logo, não podemos inferir pelo preço ou pelas intenções de compra se ela está barata ou cara. para saber isto temos que analisar cenários possíveis e alternativos e ver como se ela coloca. não se escapa deste “chute”…
      h. 15 bi não é tao importante mesmo para quem deve 110 bi. por já ajuda ne? mas reduzir em 30% o capex quer dizer algo, ne? e como eu disse ela precisa de 25 a 30 bi para chegar ao final de 2016… 15 bi já eh metade do caminho…. e estes 200 bi que você menciona já devem ter sido modificados, pois este ano empresa já anunciou que vai reduzir, no minimo, em 25% seus investimentos já este ano. basta ler o anuncio feito hoje…. e se ela não gerar caixa meu caro, com o leverage que tem, não terá como investir mais que 20 ou 25 bi ano… basta fazer contas ( ebitda para 2015 deve ser no max´ de 29 bi…. logo 29 bi é o limite se empresa não quiser perder sua nota de credito nas outras agencias de rating, não pagar dividendos e não pagar impostos….). se isto tudo não ocorrer, divida aumenta…. o novo presidente da empresa deixou claro que vai reduzir seu ritmo de investimentos em função do seu elevado endividamento em algumas entrevistas. portanto eu não apostaria muito nestes 200 bi. aposto que serão bem menos… ps: não foi a imprensa…. foi a empresa…
      i. entre os ativos a venda ha ativos na área de geração, gas, postos de gasolina no exterior etc…. como eu acredito que haja inteligencia além do Brasil, se Petrobras vender um poço pouco produtivo irá recebe um montante muito pequeno de grana… quando você vende um ativo ( produtivo ou não), para achar o seu valor de venda você desconta o cash flow futuro pela taxa de desconto de teu custo de capital. os outros só irão comprar neste peço se acharem que podem produzir mais com estes ativos ou se o custo de capital do comprador for menor do que o do vendedor, que hoje é o caso em função da piora na nota de credito da petro… logo, se vende ativo ruim, recebe pouco… e não acho que alguém pagaria 13 ou 15 bi por ativo ruim, ne? Ps: minto! Petrobras pagou 18 bi por aquela refinaria Abreu e lima, ne… 200 mil barris dia de capacidade… sem falar da pasadena. Mas baita horinha ruim para Petrobras vender ativos com Petroleo tão baixo assim… seria melhor esperar ne? Mas nao da… hehehe
      j. não ha problema em vender ativos, como eu coloquei no texto. porem não precisaríamos vender ativos se empresa não estivesse tao endividada. eu, diferente de muitos, acho bom que estado venda ativos,porem não na bacia das almas. é muito rim vender ativo com petróleo e derivados tao baratos … bad timing neh?
      k. boa pergunta sobre a Vale! Voce sabe quanto estava o minério quando venderam a vale por 3 bi? quanto de capex foi feito depois da privatização vs o que era feito antes? quanto era o roe da vale antes de ser privatizada? e quanto foi no ano passado? o modelo tem que levar isto tudo em conta. por exemplo hoje petro na mão do estado vale 40 bi. se estivesse na mão do setor privado valeria 100 ? 200? Talvez os 3bi pela vale foram caros.talvez se vale estivesse hoje ainda na mao do estado nao valeria nada. Veja o que aconteceu com Eletrobras….Eu não sou tucano, mas veja que interessante: minério caiu mais que petróleo e vale cresceu mais que a petro, deu mais retorno, mas ninguém fala que vale esta quebrada ou coloca sua dívida com nota de junk bond, pois seu endividamento é menos da metade do da Petrobras….. interessante ne? será que setor privado não é melhor para tocar o negocio??
      l. imagine o seguinte cenário: governo mantem sua participação na empresa ou ate compra mais ações para chegar em 49% do capital total , mas a coloca no mercado novo do bovespa, perdendo o controle. mercado elege conselho… ai Petrobras contrata um time profissional de executivos, no padrão das empresas europeias e americanas ou noruega!!! você acha que ação sobe ou cai de preço? lucro sobe mais rapio ou nao?? produção sobe mais rápido ou mais devagar? Este é meu ponto: a governança da empresa é muito ruim. e o governo é o culpado… seja do pt, psdb, etc… se o estado mantiver interesse econômico na empresa ( suas Ações) e delegar fiduciariamente gestão para setor privado, cobrando resultados, acho que ficamos melhor na foto, ne? porém a ideologia dominante nem pensa nisto… prefere deixar assim e deu nisto….
      m. você tem sido mais pessimista do que eu mas infelizmente tem errado, pois já faz algum tempo que eles crescem mais do que nós, e este ano e no ano que vem a historia vai se repetir…. teremos uma recessão este ano e eles vão crescer no minimo 2,5% este ano..espere e verá…hehehe
      n. eu adoro dados & fatos. deixo as divagações para gente com mais talento do que eu. minha matemática é bem precária…. sou engenheiro, não matemático….. e engenheiro é tudo, menos preciso…. adoramos uma boa aproximação e apostamos no bom senso… e não sou da imprensa. sou empresário, trabalho com investimentos e finanças corporativas. não recebo nada de nenhum órgão da imprensa para escrever aqui, nem do ig, nem de patrocinadores…. logo, me inclua fora desta…

  5. 66 Clovis 02/03/2015 22:26

    Olá Galo.

    Se me permite discordar (ao contrario do que vc deve pensar nem sempre eu discordo das suas análises e conclusões apenas não vejo muito proveito em dizer “concordo contigo em gênero numero e grau), eu acho que sua análise tem um vício de abordagem que acaba por, digamos assim, tirar um pouco do brilhantismo das suas conclusões.
    Vc parte, julgo eu, do pressuposto que a Petrobras deve ser avaliada com uma empresa petrolífera de capital aberto qualquer, como por exemplo a Chevron ou a Exxon.
    Que o objetivo maior da Petrobras é maximizar o retorno dos seus acionistas. Mas não é.
    Se fosse não faria sentido ela ser estatal. A função maior da Petrobras é ajudar a promover o desenvolvimento do Brasil. Sendo assim é perfeitamente possível (e ouso dizer desejável) que a Petrobras (em determinadas situações e sob determinadas condições) postergue aumentos de combustíveis para ajudar no combate a inflação. Ou que compre plataformas de estaleiros nacionais mesmo que a preço substancialmente superior).
    Dito isso, fazendo essa ressalva, eu não posso concordar que a queda do preço das ações seja resultado de má administração.
    Em primeiro lugar o preço do petróleo despencou, as outras petrolíferas também viram as suas ações desvalorizarem.
    Outro fator que contribui para a desvalorização é o momento que vive a empresa. A Petrobras vai fazer enormes investimentos, vai ter que se endividar e isso, durante um certo tempo ( até a maturação dos investimentos), vai pressionar o caixa e as contas da empresa, durante um período os lucros e os DIVIDENDOS vão diminuir para voltar a subir lá na frente.
    Investidores experientes e profissionais podem julgar que podem acertar o timing para retirar o dinheiro, investir em empresas que tenham perspectivas de maior rentabilidade no curto prazo e voltarem a comprar ações da Petrobras daqui a algum tempo, antes delas voltarem a subir.
    Um terceiro fator seriam as denuncias de corrupção e o montante do prejuízo que isso poderia acarretar no balanço da empresa, mas isso ainda não está muito claro.
    Um quarto motivo seria a insatisfação dos investidores estrangeiros, principalmente os americanos, com o fato que eu salientei no início, que o foco de um empresa estatal não é maximizar os lucros, que lucro menor do que o teoricamente possível motivado por interesses maiores, de Estado faz parte do jogo.
    Eles sabiam disso, podem detestar mas obviamente sabiam. Enquanto a empresa se valorizou eles engoliram muito sapo mas agora a história é diferente. Como o governo se recusa a administrar a Petrobras do jeito que eles querem, sem considerações politico-estratégicas, “profissionalmente” no jargão deles, eles gritam, choram, ameaçam e esperneiam.
    Dizer que o PT destruiu a Petrobras é uma insanidade.
    O valor de mercado da Petrobras era de US$ 15 bilhões no governo do PSDB.
    O PT fez esse valor chegar até US$ 240 bilhões no pico das cotações.
    Não sei quanto vale agora mas com certeza está subavaliada e mesmo assim é varias vezes o valor do tempo do FHC.
    O Brasil tem muito a aprender com a Arabia Saudita nesse assunto. A razão principal da estatização da industria de petróleo saudita não foi o desejo de expulsar o capital estrangeiro. Foi a necessidade de fazer com que a industria petrolífera servisse a nação e não apenas aos acionistas.
    a Arábia Saudita está segurando o preço do petróleo porque como eles tem muitas reservas e o mais baixo custo de produção, eles estão querendo inviabilizar concorrentes ( por exemplo a industria americana de xisto) e prejudicar inimigos políticos (o Irã).
    Há muito mais em jogo na Petrobras do que sonha a vã ganancia dos acionistas e a tacanha análise dos “especialistas”.

    PS:
    Você vê algum tipo de risco de deflação na economia americana?
    Se acha que tem algum risco qual seria de 1(quase nenhum) a 9 (quase certeza)?

    • Ricardo Gallo 03/03/2015 15:38

      Desculpe se te desapontei, mas meu objetivo aqui não é ser brilhante, até mesmo pois não acho nada que escrevo aqui seja brilhante. São coisas simples e baseadas em fatos não opiniões. Números que mostram a realidade. A empresa hoje apresenta um endividamento que é insustentável. Até o governo assumiu isto e quer reduzir a dívida… E isto não tem nada a ver com os minoritários. O balanco de setembro ja mostra isto… O endividamento supera o da maioria das grandes empresas brasileiras e de suas pares nos mercados internacionais. E a empresa se não reduzir ritmo de investimento vai ser rebaixada ainda mais…Se o governo brasileiro hoje assumir a dívida líquida da empresa, o endividamento líquido do estado brasileiro sobe 15%. E neste cenário é provável que a republica perca grau de investimento. Veja os anúncios de ontem no que diz respeito a corte de investimentos e venda de ativos ( privatizaçoes??) da empresa que foram anunciadas…. Como eu previ no artigo… era obvio.

      De fato no governo FHC a empresa valia 15 bi. Chegou a valer 240 bi. e Hoje vale US$ 42 bi. Ou seja, ela perdeu mais de 80% do Valor desde seu pico. Porém no governo FHC o petróleo valia 20 dólares e hoje vale 50…. Ou seja, ajustando pelo preço do Barril, a Petrobras valia mais de US$ 30 bi em 1999 . E 50% de retorno em 15 anos é muito baixo… menos de 3.4% a.a….. né? Além disto o valor dos ações das acoes da EXXOM subiram bem mais: de 20 dólares em 2002 e hoje valem 87…. 4 x mais… eu como brasileiro preferia ser acionista da exxom do que da petro….

      Ou seja, já ajustei a a queda do preço do petróleo…. e mesmo assim….

      O fato da empresa ser estatal não quer dizer que precise se desvalorizar…. as acoes das estatal chinesa SINOPEC saíram de 1 HKD em 2001 e hoje valem mais 6….. mesmo com petróleo a 50….. ou seja, ha estatais e estatais…. sabes qual principal fonte de receita do governo chines? dividendos das estatais, que vem de seus lucros. e assim podem manter a carga tributária na metade da brasileira… prefiro este modelo. e voce?? quando a petro perde dinheiro, nós perdemos, pois o Estado somos nós. É meu dinheiro que está lá… E se der problema sério lá, quem vai ter que cobrir o buraco todo é o setor publico, ou seja, nós contribuintes… vide ccomfort letter do levy para moodys…

      houve corrupção pois os políticos se apossaram dela…. se empresa tivesse boa governança a corrupção sera muito, mas muito menor….

      Se os imperialistas americanos são trouxas ou não eu não sei, o fato é que a empresa vendeu a eles uma historia e não entregou. E se não fosse o dinheiro deles não teríamos investidos em plataformas e no presal, ne’? Existe uma ética nos negócios que não foi seguida.… Há anos que produção não cresce e vem desapontando os analistas…. não só americanos, como europeus e asiáticos, até mesmo brasileiros que investiram sua poupança do FGTS em tais papeis……. E a ação vem caindo sistematicamente desde 2009…. não é algo novo. a corrupção é a gota dagua…. a queda de petróleo, é a pá de cal. Você acha normal o EBITDA estar parado há mais de 5 anos, mesmo após termos investidos US$ 145 bi??? Não há algo estranho??? Com que dinheiro a petro vai pagar a dívida?? Com dinheiro dos nosso impostos ou com seus lucros??

      De fato eu prefiro aprender com noruegueses, americanos e ingleses do que com arabes. Na arabia empresa não eh do estado mas de fato da família real…. e o volume de pobreza da maioria da população não me empolga, e não vejo nada naquela empresa que de fato me empolgue em termos de tecnologia ou inovação. Furar na areia é bem fácil.

      E vide tambem experiencia da Venezuela e Argentina na PDVSA e na YPF, onde estado interferiu da mesma forma nas empresas, e compare com a Ecopterol da Colombia…

      E quem perdeu os 200 bi de queda de preço na petro somos todos nós, povo brasileiro, que somos acionistas controladores da empresa!!!

      Quantas casas populares poderiam ser construídos com US$ 35 bi gastos com subsídios a motoristas? Mais de 800 mil no programa minha casa minha vida. O estado conseguiu destruir tudo que construiu. Este é meu ponto. Mais de 800 mil de casas populares jogadas no lixo….

      SE você acha que ação está barata, subavaliada, eu não tenho como contestar pois não sei qual modelo de valuation você esta usando. Mas gostaríamos de entender. Eu, que trabalho nisto ha 30 anos, acho impossível afirmar isto a luz das incertezas que aqui listei. Mas seria interessante você dividir com nós suas hipóteses de valuation.

  6. 65 Clovis 02/03/2015 18:44

    Olá Galo.
    Se me permite discordar (ao contrario do que vc deve pensar nem sempre eu discordo das suas análises e conclusões apenas não vejo muito proveito em dizer “concordo contigo em gênero numero e grau), eu acho que sua análise tem um vício de abordagem que acaba por, digamos assim, tirar um pouco do brilhantismo das suas conclusões.
    Vc parte, julgo eu, do pressuposto que a Petrobras deve ser avaliada com uma empresa petrolifera de capital aberto qualquer, como por exemplo a Chevron ou a Exxon.
    Que o objetivo maior da Petrobras é maximizar o retorno dos seus acionistas. Mas não é.
    Se fosse não faria sentido ela ser estatal. A função maior da Petrobras é ajudar a promover o desenvolvimento do Brasil. Sendo assim é perfeitamente possível (e ouso dizer desejável) que a Petrobras (em determinadas situações e sob determinadas condições) postergue aumentos de combustíveis para ajudar no combate a inflação. Ou que compre plataformas de estaleiros nacionais mesmo que a preço substancialmente superior).
    Dito isso, fazendo essa ressalva, eu não posso concordar que a queda do preço das ações seja resultado de má administração.
    Em primeiro lugar o preço do petróleo despencou, as outras petrolíferas também viram as suas ações desvalorizarem.
    Outro fator que contribui para a desvalorização é o momento que vive a empresa. A Petrobras vai fazer enormes investimentos, vai ter que se endividar e isso, durante um certo tempo ( até a maturação dos investimentos), vai pressionar o caixa e as contas da empresa, durante um período os lucros e os DIVIDENDOS vão diminuir para voltar a subir lá na frente.
    Investidores experientes e profissionais podem julgar que podem acertar o timing para retirar o dinheiro, investir em empresas que tenham perspectivas de maior rentabilidade no curto prazo e voltarem a comprar ações da Petrobras daqui a algum tempo, antes delas voltarem a subir.
    Um terceiro fator seriam as denuncias de corrupção e o montante do prejuízo que isso poderia acarretar no balanço da empresa, mas isso ainda não está muito claro.
    Um quarto motivo seria a insatisfação dos investidores estrangeiros, principalmente os americanos, com o fato que eu salientei no início, que o foco de um empresa estatal não é maximizar os lucros, que lucro menor do que o teoricamente possível motivado por interesses maiores, de Estado faz parte do jogo.
    Eles sabiam disso, podem detestar mas obviamente sabiam. Enquanto a empresa se valorizou eles engoliram muito sapo mas agora a história é diferente. Como o governo se recusa a administrar a Petrobras do jeito que eles querem, sem considerações politico-estratégicas, “profissionalmente” no jargão deles, eles gritam, choram, ameaçam e esperneiam.
    Dizer que o PT destruiu a Petrobras é uma insanidade.
    O valor de mercado da Petrobras era de US$ 15 bilhões no governo do PSDB.
    O PT fez esse valor chegar até US$ 240 bilhões no pico das cotações.
    Não sei quanto vale agora mas com certeza está subavaliada e mesmo assim é varias vezes o valor do tempo do FHC.
    O Brasil tem muito a aprender com a Arabia Saudita nesse assunto. A razão principal da estatização da industria de petróleo saudita não foi o desejo de expulsar o capital estrangeiro. Foi a necessidade de fazer com que a industria petrolífera servisse a nação e não apenas aos acionistas.
    a Arábia Saudita está segurando o preço do petróleo porque como eles tem muitas reservas e o mais baixo custo de produção, eles estão querendo inviabilizar concorrentes ( por exemplo a industria americana de xisto) e prejudicar inimigos políticos (o Irã).
    Há muito mais em jogo na Petrobras do que sonha a vã ganancia dos acionistas e a tacanha análise dos “especialistas”.

    PS:
    Você vê algum tipo de risco de deflação na economia americana?
    Se acha que tem algum risco qual seria de 1(quase nenhum) a 9 (quase certeza)?

    • Ricardo Gallo 03/03/2015 15:40

      qto a deflacao nos eua 2 no maximo de risco. vamos ver ano quem eles chegarem ao pleno emprego…. e com força….

  7. 64 Ezequiel Alves 02/03/2015 10:51

    Vim só pra exibir o link do vídeo o assunto é a o programa minha casa melhor que foi cancelado temporariamente pelo governo.

    veio do blog do Mansueto Almeida (procure no google)

    praticamente chamam você Ricardo Gallo e outros economistas de “Velhos do Rostelo” em referência a literatura portuguêsa onde o escritor prêvia a decadência de portugal por motivos muito bobos.

    no video a Dilma defende com unhas e dentes o programa e quase que difama as pessoas que previa na época que haveria a crise energética.

    Mas na época eu também defendia muito o governo e concordava com tudo que eles diziam
    sem nem pensar muito em qua lseria as consequências mas depois que vi a situação da Venezuela(seria uma boa dica de blog) tive que repensar todo sentido de tudo. É como se tudo que conhecia em toda a minha vida perdesse totalmente o valor que acreditava ter antes. É como se eu estivesse vivido uma vida de mentiras constantes alimentadas por mim mesmo desde que nasci.

    Tem idéia do quanto isso é chocante, ser traído por sí mesmo?

    táaí um vídeo de 2013
    https://www.youtube.com/watch?v=dejB7QNTP_Y

    • Ricardo Gallo 02/03/2015 13:40

      ps: blog do mansueto é dez! show.

    • Ricardo Gallo 02/03/2015 13:37

      alguns me chamaram de cassandra de plantão…. hahaha…. enfim, o ajuste era inevitável. não havia como evitá-lo. a presidenta infelizmente não tem escolha.

      e ou os petistas a apoiam agora, ou acho que teremos anos muito, mas muito difíceis, do ponto de vista institucional pela frente, com enorme instabilidade política, como as vividas durante governo collor.

      Temos que ser todos Dilmistas agora, meu caro. Deixemos os sentimentos de traição de lado, e vamos lutar para que o ajuste de certo e passe logo.

  8. 63 joao flavio 01/03/2015 21:59

    Ola Gallo
    Fiz dois comentarios anteriormente e gostaria de complementar um deles .
    Eh obvio que a Petrobras nao vai “fechar” por que o Tesouro Federal , no frigir dos ovos , vai “segurar as pontas”
    Porem , a area de mineracao e prospeccao sempre foi um prato cheio de grandes jogadas.
    Supervalorizacao de reservas para aumentar volume de aportes e outros “mandrakes” sempre foram noticiados na historia .
    O caso de Eike Baptista recentemente ilustra bem .
    No cenario que voce tracou nessa coluna , e vem tracando a uns dois anos , com muita precisao , comeca a passar de negro para marrom depois de 2017 , quando , teoricamente comecam a entrar na conta os resultados do Pre – Sal .
    Pois bem . Vou deixar aqui uma pergunta sinistra :

    E se o Pre – Sal todo for mais um engodo do governo de plantao para empurrar um problema chamado crise para o futuro , garantindo-se no poder por mais um certo tempo .
    Se por acaso , as reservas do pre sal tenham sido propositadamente super valorizadas ?
    Ou pior , se elas por um acaso ou capricho da natureza ( independente dos aspectos financeiros )
    NAO EXISTIREM

    • Ricardo Gallo 01/03/2015 23:57

      o pre sal existe. ele está la´. outras empresas grandes lá de fora estão interessadas nele. e hoje petrobras já tira algumas centenas de milhares de barris dele.

  9. 62 Thales 28/02/2015 12:41

    Grande parte dos problemas do Brasil tem um nome: Mantega. Esse foi sem duvidas um cancer para o pais, ele conseguiu acabar o pais em 6 anos com suas politicas intervencionistas.

  10. 61 João 28/02/2015 9:47

    Ricardo Gallo, em caso de elevação dos juros pelo FED, com consequente fuga de capitais do Brasil, você vê algum risco para quem investe em LFT?

    • Ricardo Gallo 28/02/2015 10:34

      não. este será um evento já previsto e anunciado. e duvido que haja fuga de capital

  11. 60 Marcelo Vasconcelos 27/02/2015 20:13

    O Paulo Roberto Costa falou em 3% de margem para corrupção nos contratos da Petrobrás. Tudo bem que não se pode falar de corrupção de todas diretorias, mas vá lá que a maioria deve ter maracutaia grossa.

    A consultoria na gestão da Graça Foster falou em R$88bi, com base nesse percentual delatado pelo PRC.

    O que me pergunto é: se houve quem pagasse propina (3%), não seria óbvio se falar em superfaturamento por parte das empreiteiras, portanto, o valor correto de desvios nestes contratos deve ser algo bem acima dos 3%?

    Não consigo compreender esse cálculo de padeiro do balanço. E pior ainda a Dilma querer diminuir pra R$3bi no grito.

  12. 59 Ezequiel Alves 27/02/2015 14:33

    Eu me sinto um pilantra, um indiota ou covarde só depensar nisso. Mas é uma coisa que pode fazer sentido, não que considere uma opção sensata.

    De acordo com que li de uma blogueira um país não cresce economicamente, mas mantem um pleno emprego e aumentos de salarios anuais com porcentagens maiores que da produção Brasileira e do pib. Isso tem como consequência um aumento de demanda sobre a oferta. Com isso brasileiros consomem muito mais do que produzem, tornando as coisas mais caras tendo como consequência menos postos de trabalho ou menos proodução. Conclusão, o emprego pleno pressiona muito a inflação num país que está produzindo menos e o crescimento economico 0.

    Ta aí uma hipótese que seria um ataque terrorista contra os brasileiros e me tornaria muito cruel.

    Se o desemprego aumentasse muito e as medidas do governo que modifica o direito a pensões e seguro desemprego, isso daria um grande alívio na inflação? Com isso conseguindo facilmente atingir a meta de inflação de 4,5 pra menos? Traduzindo a solução pra resolver de vez o problema da inflação é aumentar o desemprego no Brasil e aínda por cima tendo que pagar energia alta, importados altos, e combustível alto?

    O desemprego vai salvar o Brasil da inflação ou tem consequências muito mais piores com o desemprego?

    • Ricardo Gallo 27/02/2015 18:26

      o desemprego não salva o pais. o desemprego é consequência inevitável do ajuste em curso, fiscal e monetário. o objetivo de qualquer política econômica é maximizar o bem estar de médio e longo prazo de seu povo. para fazer isto, é preciso garantir que economia cresça de forma sustentável. quando aparecem desequilíbrios como os que temos presenciado desde 2012 ( piora no déficit do governo, piora no déficit externo, inflação em alta e crescimento desacelerando) é sinal que são necessários ajustes.
      não da para fazer omeletes sem quebrar os ovos.

      emprego pleno não pressiona inflação. emprego acima do pleno pressiona inflação. talvez o nível de pleno emprego seja um pouco acima do atual… talvez hoje estejamos acima do pleno emprego….

  13. 58 Nelson 27/02/2015 11:33

    Olá Ricardo!

    A Eletrobrás não precisaria realizar uma oferta de compra de suas ações no mercado – OPA – pelas dificuldades enfrentadas após a promulgação da MP 557, que reduz a tarifa de energia na canetada, suas subsidiárias de distribuição deficitárias, obras inacabadas o que reflete no valor de sua ação de R$ 6, 00?

    • Ricardo Gallo 27/02/2015 12:40

      DE fato não sei. Só sei que onde governo mete a mão dá confusão: seja do PT, PL, PSDB, PMDB, UDN, PCB, PSB,PSOL, PP

  14. 57 Antonio Carlos Nogueira. 27/02/2015 5:44

    É triste, mais é a realidade, neste momento lembro-me do saudoso Roberto Campos ex ministro que sempre defendeu a privatização da Petrossáuro como ele denominava a estatal.
    Na minha modesta visão de analista de balanços somente daqui a 5 anos no mínimo para sair dessa situação desde que tenha uma administração séria voltada para os interesses da empresa e do pais.
    Passei por 4 instituições financeiras e acompanhei muitas derrocadas e se Petrobras fosse uma empresa privada certamente entraria em recuperação judicial e os prejuízos seria dos acionistas e não do contribuinte de impostos cuja costa será impingida.

  15. 56 Hudson 26/02/2015 23:52

    Claro está para todo cidadão bem instruído que a PTbras, se posicionada em um ambiente de concorrência, hoje estaria em vias de pedir recuperação judicial, já que o desfalque de seu balanço é tão grande que não haveria condições financeiras dela competir internamente no quesito preço, tendo em vista a abrupta queda do barril de petróleo. O que está salvando a empresa é o fato dela operar em um ambiente de quase monopólio.

    Essas avaliações das consultorias de que os desfalques seriam de 88 bilhões podem estar corretas, na sua opinião?

    • Ricardo Gallo 27/02/2015 9:34

      eu creio que os desfalques devam ser muito inferiores a isto.

      porem uma reavaliação dos investimentos feitos nos últimos anos pode sim gerar um prejuízo desta magnitude pois os números mostram que, apesar dos montantes investidos , olucro da empresa estagnou.

  16. 55 Ezequiel Alves 26/02/2015 16:42

    Bem, a meu ver a petrobras é um elefante branco com dispesas bilionárias, algo parecido com os estádios de Brasília Amazonas e Cuiabá que não tem tradição de clubes de futebol, que não chega nem na metade de lotação, insuficiente para custear as despesas mensais dos estadios de 300 a 700 mil reais quee já supera os 10 milhões.

    http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/02/150212_elefantes_brancos_copa_rm

    O preço do barril do petóleo anteriomente era controlado pelos países produtores de petroleo para ser mais alto até a maior produção de gás de xisto na américa entrar no mercado de combustíveis forçando mais a uma baixa nos preços isso somando da volta ao mercado do petróleo líbio e com a China comprando menos petróleo.

    E como os custos de uma perfuração profunda, como o caso do “pre sal” seria mais alto que os lucros se o barril do petróleo fosse menor que US$ 60 o barril. Isso piora com a petrobras cheio de problemas financeiros. E isso não está acontecendo só com a petrobras, outras empresas exploradoras petrolíficas no mundo estão tendo muitos prejuízos pois fizeram empréstimos de US$ 160 bilhões nos últimos cinco anos, todas esperando um preço do combustível mais alto do que hoje. E essa baixa no preço do petróleo vai permanecer por muito tempo.

    talvez seja melhor se livrar da petrobras enquanto vale muito mais do que irá valer no futuro

    Chega de Elefantes Brancos.

    http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/02/150223_preco_petroleo_analise_pai

  17. 54 joao flavio 26/02/2015 15:05

    E a Presidenta ainda tem a cara de pau de crucificar as agencias de rating por terem rebaixado a classificacao da Petrobras para “Junk Bonds”

    Nao eh fantastico !

    E se Deus for realmente brasileiro , vai fazer com que o rating do BRAZIL tambem seja rebaixado para aquilo que ele realmente eh

    JUNK COUNTRY !!!

  18. 53 joao flavio 26/02/2015 14:54

    Tem que deixar quebrar de uma vez !
    Alias , ja esta mais do que quebrada . Os numeros acima falam por si soh !
    Absorvida pela iniciativa privada ( nacional ou internacional , tanto faz ) a preco de banana , teriamos a certeza de que ela nunca mais seria usada para fins politicos partidarios eleitorais eleitoreiros .
    E bota na conta do PT , sim senhor !
    E quem sabe , aprenderiamos , como povo , a nao aceitar coisas como esta
    NUNCA MAIS
    O caso Petrobras entra para a historia economica politica brasileira como o maior ESTELIONATO POLITICO ja praticado , talvez no mundo , desde 1626

  19. 52 reflexao 26/02/2015 12:36

    Primeiramente parabéns pelos textos, seu link já está nos que eu não deixo de ler.
    O texto estava primoroso mas na minha opinião, frisando, na minha opinião, pecou demais no final. Explico:
    Você mesmo vem concluindo que o Estado Gigante e as decisões políticas é que causaram a destruição da empresa. Até aqui concordo plenamente.
    Porém você coloca “Precisamos talvez estatizar totalmente a empresa, arrumar seus problemas e aí revender suas ações a mercado”. ORAS ??
    O que te faz pensar que agora será diferente (na estatização total), isso será a prorrogação de um mal por muitos anos, quantos anos você acha que será necessário para desta vez acertarem (digo os políticos que nomearam todos os burocratas para tocar o barco)?.
    Quando o Estado não esta dando conta, temos que pedir menos Estado e não mais.
    Nestes momentos é que tem que privatizar e desregulamentar o setor.
    EU CLAMO, POR FAVOR, MENOS ESTADO !!!

    • reflexao 26/02/2015 16:05

      se daqui alguns meses conseguirem organizar a casa vão alegar que agora que a casa esta organizada a Patrobras não pode ser negociada, que é estratégica, que mora um unicórnio lá, …, e sofreremos por mais longos anos nas mãos dos burocratas até estourar tudo de novo, …

      Organizar a casa no contexto acima significa despejar um rio de dinheiro (lógico que com os 5% devidos aos que aprovarem os contratos) através do tesouro ou com a ajuda de mãe do bndes, logo custeada por todos nós que pagamos impostos, excluímos deste bloco as privilegiadas do governo que recebem desoneração e se mantém graças as altas tarifas de importação dos produtos concorrentes.

      é na crise que devemos derrubar os muros

    • Ronaldo 26/02/2015 14:07

      Botar a venda a petrobras agora é loucura, ela não vale nem 1 ponto Smiles milhas da GOL na situação que se encontra. É um abacaxi.

      Ricardo, o que você acha especificamente da desregulamentação do setor, ou seja, “permitir” que novas empresas possam vir ?

    • Ricardo Gallo 26/02/2015 13:41

      sim. eu concordo. porém cabe ao estado arrumar a bagunça que fez, e ai vender…. por que do jeito que está ninguém compra a dita. pois ninguém hoje consegue avaliar seu valor…. não somente eu…

      logo, o Estado tem que eliminar as incertezas e aí quem sabe vender o controle e manter uma participação minoritária relevante no novo mercado

  20. 51 Tereza Fernandez 26/02/2015 10:56

    Brilhante. Colocou todos os pontos importantes e levantou as dúvidas presentes. Nada a tirar ou por. Parabéns

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