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quinta-feira, 7 de maio de 2015 Crise Brasileira, Inflação, Juros no Brasil, Sem categoria | 12:48

O BC mudou? Parece que sim.

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Lendo a ata da última reunião do COPOM fiquei com a sensação de uma mudança no compromisso e na determinação do BC no que diz respeito ao combate à inflação. Acabou com a timidez, que tanto critiquei em:

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2015/03/13/bc-mais-timido-pt-omisso-descontrole-cambial/

A ata me pareceu inequivocamente clara: eles pretendem minimizar que os efeitos da elevadíssima inflação de 2015 contaminem 2016.  E que farão o que for necessário para que isto ocorra. Reconhecem abertamente que atividade, emprego e investimentos estão recuando e que só irão retomar ânimo depois de um período necessários de ajustes na economia. Observam que crédito também crescer de forma mais moderada. Contudo avaliam que a dinâmica dos aumentos salariais ainda preocupa, apesar do processo de distensão em curso no mercado de trabalho,  indicando que há aqui uma preocupação maior com o processo de indexação informal. Deixaram claro desta vez que é seu objetivo fazer com que inflação convirja para o centro da meta, 4,5% a.a.,  no final de 2016. E finaliza dizendo que permanecerão vigilantes, ou seja, que devem subir os juros novamente na próxima reunião.

Resumindo: um ata mais direta, objetiva e sem muito espaço para duplas ou triplas interpretações ambíguas. Fico com a impressão que a nova composição do COPOM esteja mais sintonizada com as metas e com os desafios de se conter a inflação.

O Mercado reagiu de forma coerente: aumentou as projeções de juros para os próximos 18 meses, pois tudo indica que eles devam subir mais e permanecer elevados por mais tempo. Já os juros de prazo mais longo subiram bem menos. As taxas reais de juros de curto prazo também subiram um pouco e o dólar permaneceu relativamente  estável.

Acho que podemos estar assistindo uma mudança importante no comportamento do BC daqui para frente, o que deve ajudar muito no combate à inflação. Tal determinação pode sim trazer um custo econômico maior no curto prazo com uma recessão mais intensa, mas, por outro lado, deve encurtar sua duração e abrir espaço para uma queda maior de juros a partir da segunda metade de 2016.

Enfim, parece que algo mudou. E para melhor. Uma pena que o BC demorou 3 anos para perceber que este é o caminho correto. Espero que seja mesmo para valer desta vez. E que, daqui para frente, tudo possa ser diferente, como pede o grande Roberto Carlos em uma de suas famosas canções:

 

Se Você Pensa

Roberto Carlos

Se você pensa que vai fazer de mim
O que faz com todo mundo que te ama
Acho bom saber que pra ficar comigo
Vai ter que mudar

Daqui pra frente tudo vai ser diferente
Você tem que aprender a ser gente
Seu orgulho não vale nada! Nada!

Você tem a vida inteira pra viver
E saber o que é bom e o que é ruim
É melhor pensar depressa e escolher
Antes do fim

 

 

bob

 

 

 

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10 comentários | Comentar

  1. 60 Clovis 21/05/2015 11:42

    Ah Mises não! Por favor.
    Me poupem desse mala..

  2. 59 Clovis 21/05/2015 11:38

    Não foi minha intenção ofender ninguém, Gallo. Se por acaso te ofendi, peço desculpas.
    Minha intenção era ser engraçado/divertido e parece que só eu ri da minha piada.
    Eu aceito o rótulo de palhaço sem graça mas não de individuo mal educado pois não foi minha intenção agredir nem ofender ninguém.
    Eu não julgo a capacidade intelectual de uma pessoa pelo quanto essa pessoa possui de identidade de opiniões comigo, Gallo.
    Só me permita uma observação quanto ao paradigma científico.
    O paradigma científico é a verdade cientifica, é o que a comunidade científica (ou a maior parte dela) considera como verdade.
    Porém como em ciência não existe verdade absoluta podemos dizer que o paradigma científico é a verdade atual/momentânea, uma explicação para um fenômeno natural que é adotada como sendo verdade até que uma outra explicação melhor surja.
    É como o scudetto que o campeão nacional exibe na camisa até que seja derrotado por um outro.
    O paradigma científico vai mudando com o tempo.
    Einstein ou melhor a Relatividade realmente mudou o paradigma científico. A Mecânica Newtoniana deixou de ser o paradigma científico embora continue na cabeça da maioria das pessoas pois Einstein é de difícil compreensão para quem não esteja familiarizado com geometria não euclidiana.
    Outro dia me perguntaram brincando se é a Terra que gira ao redor do Sol ou vice-versa e eu respondi que segundo a Relatividade as duas coisas são verdades científicas, que tanto faz dizer que é a Terra que gira ao redor do Sol como o contrario dado que o Universo não tem um centro, tudo está se movendo em relação a tudo e é o ponto onde fixamos o observador que determina uma coisa ou outra.
    Mas o paradigma científico continua a mudar e hoje temos a Mecânica Quântica…
    Peço desculpas se os meus comentários ofenderam alguém.
    Sorry…

    • Ricardo Gallo 21/05/2015 11:59

      ps: não o rotulei de nada. Apenas não gostei da forma do tratamento, na medida em que fui respeitoso e até hoje sempre respondi seus comentários dde forma educada e polida. Quanto a seus critérios de julgamento, não tenho nenhuma comentário a tecer.

    • Ricardo Gallo 21/05/2015 11:56

      O objeto desta coluna é esclarecer o leitor sobre o funcionamento prático da economia. E refletem a minha opinião. Grato pelos comentários enriquecedores sobre teoria científica.

  3. 58 Clovis 20/05/2015 21:04

    Besteira Gallo.
    A água entrar em ebulição a 100 graus Celsius é um paradigma científico não guarda nenhuma semelhança com hipótese ( sem fundamento teórico) de que o melhro para o Brasil é ter uma inflação de 4,5% com tolerancia 2% pra cima e para baixo. Uma coisa é uma verdade científica e a outra é um CHUTE.Quanto a antibióticos para a febre nem sempre é recomendado, pode ser uma infecção virótica para a qual antibióticos não fazem o menor efeito . Não se automedique, Gallo.
    Quanto á febre de 42 graus, bem nesse caso acho que muito provavelmente haveria pouco a ser feito, quase certamente haveria danos neurológicos irreversíveis, não é?
    Friedman é boa leitura é verdade mas não é menos verdade que o monetarismo e o neoliberalismo morreram em 2008.
    Espero que não ressuscitem….

    • XG 20/05/2015 23:46

      sei nao http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1696

    • Ricardo Gallo 20/05/2015 23:44

      Paradigma cientifico : eu nunca vi modelo que dizia que aguar ferve a 100 e nao 105 a 1 atm…. neh? mas era paradigma cientifico a lei de newton? E a relatividade?? Einstein Não provou que havia alguns errinhos ou omissões ali no Newton? não era um paradigma que 100 kg era 100 kg não importando a velocidade que se andava? mas não é bem assim neh? einstein não demonstrou que nada andaria mais rapido que a luz? mas newton não chegou la… todas são teorias que se provaram em experimentos , sujeitos a limitações … é sempre assim,. quem sabe estejamos por ver o que virá para substituir o sistema de metas de inflação ( teoria da inflação relativa??) …. mas ainda não apareceu, então vamos de newton mesmo…

      adotamos um sistema de meta, usado no mundo todo. com lei e tudo. meu ponto é: cumpra-se. e siga-se as melhores praticas do mundo a este respeito. quer mudar o sistema? ok!!! mas o que vamos colocar no lugar? o que sugere? coma base em que teoria? qual a meta ideal? mas enquanto isto, cumpra-se a lei. assim como a responsabilidade fiscal… pedaladas monetarias e fiscais nos levaram a este atoleiro em que estamos…, fiasco total do experimento desenvolvimentista. afundamos.

      num sistema de metas, a meta só ancora expectativa se tem credibilidade. e sistema de meta funciona encima do sargent, nobel de 2011, e suas expectativas… se você não acredita nesta linha de pensamento, não acredita em sistema de meta. o que você quer, defende, argumenta, debate e propõe é totalmente diferente do sistema de metas. ok. respeito isto. mas, o que propõe por no lugar? um sistema de meta móvel ou flexível dependendo do humor ou do sonho? ou uma meta indexada: meta deste ano = inflação deste ano? eu estou apenas defendendo o que sistema atual defende. e que o BC atual precisa ser coerente com o sistema ou mudar o sistema. e por algo no lugar. simples. defendo a coerência entre a ação e o modelo.

      quanto a febre a 42 graus, sugiro que você tome algum remédio antes dela bater 40, neh??? não espera ela bater 42 como você sugere que facamos no caso da inflação…. e va a um medico… quando a inflacao estava a 5.5 voce ( e tombini) era contra subir o juro, ai foi para 6,5, e voce ( tombini) era contra, ai foi para 7.5 e voce foi contra…tombini ja tinha se arrependido…

      tudo morreu em 2008, mas eua continuam crescendo, desemprego caindo, alemanha menor desemprego em 20 anos, Inglaterra idem, japao se reformando liberalmente e crescendo!, espanha tambem ja saiu da recessao e reformou sua economia, frança ainda nao, mas la vai demorar mesmos para aceitarem que liberalismo não é uma escolha. é uma realidade competitiva do seculo 21…….

      Sabe que é PPP? parceria publico privada. Uma invenção neoliberal. Sabe quem começou a fazer isto recentemente? Os chineses… aqueles que vieram aqui comprar tudo aqui de graça com um troco ( 1% das reserva deles?)….. e nois aqui morrendo na recessão, pois não fomos neoliberais, e não cortamos gastos e nem contivemos a inflação. agora, tardiamente o governo percebeu a bobagem, e voltou a cartilha tradicional, de corte de gastos, redução do papel dos bancos públicos, aumento de impostos, aumento dos juros, cambio livre, e por ai vai, tudo aquilo que defendi aqui ao longo destes anos todos…… ou seja, o teu neoliberalismo voltou forte…

      Agora, vamos tentar manter o respeito. Eu nao conheço o senhor e em nenhum momento o ofendi. Chamar-me de besta ou que estou falando besteira é muito inapropriado.

      Se você não gosta do que escrevo e defendo é seu direito e reconheço-o respondendo da melhor forma que posso a seus comentários como faço a todos. Mas não acho que seja correto de sua parte de usar estes termos ofensivos. POderia ter deixcado a Besteira de lado. De fato não pretendo responder mais nenhum comentário que venha com este tom ofensivo. Me reservo ao direito de responder e publicar o que quiser nesta coluna.

      Se me dou ao trabalho de responder, eu peço apenas que seja tratado com mesmo respeito que o trato.

      Grato

  4. 57 Clovis 19/05/2015 23:38

    Se você estudou lógica Gallo, e eu acredito que estudou, vai reconhecer na sua argumentação a velha falácia do apelo à multidão.
    “se a maioria dos bancos centrais adota o regime de metas é porque é uma coisa boa e quem discorda está errado”
    Nada a ver…
    Anyway eu não disse que o sistema de metas de inflação é ruim (embora na minha muito modesta opinião é indiferente adotar um sistema de metas ou não) eu só disse que não tinha encontrado nenhum trabalho acadêmico que fornecesse suporte teórico a adoção desse sistema.
    E o que acontece quando o Banco Central não cumpre a meta?
    O diretor escreve uma carta se desculpando perante o Congresso?
    Puxa vida, que dramático!
    Na verdade em ultima instancia quem decide (em qualquer tipo de regime) são os formuladores da política monetária, isto é, numa hipotética situação (improvável, vale apenas para exemplificar) em que um Banco central se confrontasse com duas alternativas ou subir os juros para 80% ou permitir um ligeiro estouro na meta a maioria deles, quero crer, optaria pela segunda alternativa.
    Na minha opinião mais importante que fechar o ano com uma inflação de 6,4, 6,5 ou 6,6% é ter um boa dose de previsibilidade para ancorar expectativas.
    O mercado odeia surpresas….
    O número em si não diz muita coisa mas saber que o governo está disposto a apertar a politica monetária o quanto for necessário para colocar a inflação convergindo para o valor desejado num prazo razoável de tempo é significativo.
    Eu só acho errado engessar a economia em função de um número fixo.
    A “inflação ótima” pode variar ao redor do centro da meta. O que eu quero dizer é que dependendo das condições internas e externas uma inflação de 4,5 % é muito alta, poderia ser menor e em outras condições de pressão e volume, ah ha uma inflação de 5% seria totalmente aceitável.
    Ai você vai me dizer que é pra isso que existe o intervalo de tolerância.
    Ok,perfeito mas porque 4,5% de meta e 2,5% de tolerância e não 5 com 3 ou 3 com 1,5, etc..
    E assim voltamos ao início (os “números mágicos”).

    • XG 20/05/2015 12:45

      http://geradormemes.com/media/created/quor3w.jpg a gente chega num momento da vida que…é…é isso aí.

    • Ricardo Gallo 20/05/2015 12:57

      COLUNA: Cristiano Romero diz que Selic só para de subir com projeção de inflação do BC na meta Cristiano Romero De São Paulo
      Esta coluna foi publicada ontem, às 20h54, e está na edição de hoje do jornal do Valor Econômico.

      O Banco Central (BC) não interromperá o ciclo de alta da taxa básica de juros (Selic) enquanto suas projeções não mostrarem a inflação em 4,5% em dezembro de 2016. Para o BC, como mostraram as duas últimas atas do Comitê de Política Monetária (Copom), o que a política de juros fez até agora não foi suficiente para levar o IPCA à meta no prazo pretendido.

      Neste momento, de acordo com o último Relatório de Inflação (RI), o BC está projetando inflação de 4,9% em 2016, acima, portanto, da meta e do compromisso assumido — para este ano, o RI previu 7,9% e, para o primeiro trimestre de 2017, 4,7%. Nesse cenário, o de referência do BC, trabalha-se com taxa de câmbio constante em R$ 3,15 no horizonte de previsão e taxa Selic de 12,75% ao ano.
      No cenário de mercado, que reflete as projeções dos participantes do mercado financeiro e de algumas instituições representativas do setor real da economia, projeta-se inflação de 5,1% em 2016, 7,9% neste ano e 4,9% no primeiro trimestre de 2017. No boletim Focus, que capta as mesmas projeções no curtíssimo prazo, a mediana das expectativas aponta para inflação de 5,50% em 2016 e 8,31% em 2015.

      Os números mostram que, mantido o compromisso da diretoria do BC, há ainda um caminho a ser trilhado na política monetária. As expectativas do mercado têm piorado em relação a 2015, mas melhorado quando se olha para 2016. No primeiro caso, a deterioração é explicada não por causa da postura do Banco Central, mas da correção “mais rápida do que se esperava” dos preços administrados, diz uma fonte do governo.

      No caso da melhora das expectativas para 2016, o mérito, sem dúvida, deve ser atribuído à nova postura da autoridade monetária. A rigor, o compromisso com 4,5% em 2016 foi assumido em novembro, mas o mercado se manteve ressabiado por duas razões: a atual diretoria do BC se comprometeu mais de uma vez, desde 2011, com levar a inflação à meta e nunca cumpriu a promessa; em dezembro e no início deste ano, relativizou o compromisso ao sugerir que o objetivo era ter a inflação convergindo para 4,5% em dezembro de 2016 e não necessariamente chegando aos 4,5% nessa data.

      “Não vamos encerrar o ciclo de alta dos juros até que a projeção do BC mostre a inflação na meta de 4,5% em 2016”, assegurou uma fonte graduada a esta coluna. “Não há um teto para a taxa de juros [que já está em 13,25% ao ano].” Nos debates internos do governo, ressuscitou-se, inclusive, um debate teórico sobre “inflation forecast targeting” (em tradução livre, meta de inflação projetada ou prevista), um conceito desenvolvido, em 1996, pelo economista sueco Lars E. O. Svensson.

      Para Svensson, a projeção de inflação de um banco central deveria ser vista como uma meta de inflação intermediária ideal: ela pode ser mais transparente e, por isso, facilitar a comunicação dos bancos centrais, que adotam o regime de metas, com o público. Facilitaria também a compreensão da sociedade (e não apenas do mercado) da política monetár ia.

      Neste momento, o BC está dizendo ao mercado que, quando sua projeção de inflação para 2016 indicar 4,5%, a política monetária terá concluído sua missão no curto prazo. “Sobre a inflação de hoje [corrente], não há nada que eu possa fazer. Temos que operacionalizar a projeção de inflação na meta e não a inflação corrente”, observou uma fonte. “O BC tem que explicitar a data de quando a inflação vai estar na meta.”
      Na avaliação de fontes do governo, o fato de o Copom ter afirmado nas atas recentes que o ciclo de alta da Selic não foi suficiente deve ser interpretado da seguinte forma: a projeção de inflação do BC para dezembro de 2016 não chegou ainda à meta. Oficialmente, as projeções só são conhecidas nos relatórios trimestrais de inflação.

      Na cruzada para tentar baixar a inflação, o BC trabalha com “incertezas conjunturais”. Já se esperava, por exemplo, uma correção de preços relativos tanto do que diz respeito aos preços administrados quanto ao câmbio. No primeiro caso, o ajuste tem sido mais ligeiro do que se antecipava, o que por um lado é ruim porque aumenta a inflação corrente e afeta negativamente as expectativas, mas por outro é bom porque a correção imediata “esvazia” a expectativa de novas correções das tarifas no futuro.

      Olhando para a taxa de câmbio, não se espera uma apreciação do real nos próximos meses, mas também é cedo para se afirmar que a moeda brasileira não vá se desvalorizar mais. “Globalmente, o dólar está num período d e apreciação secular”, diz um técnico. De toda forma, há quem veja o câmbio “mais próximo” do seu ponto de equilíbrio.

      Novamente, o BC está mais interessado em mostrar que seu compromisso com a inflação na meta no horizonte de pouco mais de um ano e meio, algo que não ocorre desde 2009, é inalienável. O compromisso da autoridade monetária, assegura uma fonte oficial, não é com o crescimento da economia, não é ajudar a indústria a sair do atoleiro nem gerar empregos: o mandato, único, é colocar a inflação na meta. Amém.

      Nas crises de 1999 e 2003, também em meio a problemas de credibilidade, o BC optou por aplicar um choque de juros. Não seria o caso de fazer o mesmo agora? Uma fonte do governo diz que não porque, naqueles casos, enfrentavam-se crises de solvência fiscal e externa. No fundo, não havia alternativa. Ademais, nem sempre o choque de juros funciona. O caso da Rússia, em 1998, é um exemplo citado. Aquele país aplicou um choque naquele ano e quebrou.

      Um dos maiores desafios dos formuladores da política econômica brasileira agora é combater a inflação de forma a melhorar a relação entre preços de bens comercializáveis e não comercializáveis. Nos últimos anos, a inflação dos não comercializáveis (basicamente, serviços), alimentada por reajustes salariais acima da produtividade da economia e uma política fiscal expansionista, subiu muito acima da de bens comercializáveis, derrubando de forma drástica a competi tividade da indústria. Reverter esse quadro, embora não seja o objetivo precípuo do BC, será uma consequência da política anti-inflacionária.

      Cristiano Romero é editor-executivo e escreve às terças-feiras.
      E-mail: cristiano.romero@valor.com.br

    • Ricardo Gallo 20/05/2015 10:00

      mas voce me convenceu de uma coisa: precisa subir mais um pouquinho só. quando as pessoas vem com estes argumentos que voce usa eh sinal que juro já está começando a fazer efeito… hahaha!!

      leia friedman nas férias!!

      ou crie um blog: pq nao uso antibióticos. febre de 42 graus? número mágico!!

    • Ricardo Gallo 20/05/2015 9:52

      bom ponto. genial. vamos desprezar a experiência de outros simplesmente por números mágicos. hahaha

      sabia que a agua ferve a 100 graus ao nivel do mar? seria este um numero magico? ou 373k?

      vale a pena estudar o assunto e entender o que quem estudou o assunto escreveu sobre o assunto tambem.

      só isto.

      e se a experiência global de sucesso de decadas com alguma coisa nao te indica nada, bom ai nao tem debate…

      meu argumentos se centra na experiência de sucesso e o seu no experimento fracassado dos últimos 3 anos.

  5. 56 Clovis 19/05/2015 22:55

    Se você estudou lógica Gallo, e eu creio que estudou, reconhecerá na sua argumentação a velha falácia do apelo á multidão:
    “Se a maioria dos bancos centrais adotam o sistema de metas de inflação é porque o sistema é bom… ”
    Nada a ver..
    De qualquer maneira eu não disse que o sistema é bom ou ruim (embora no meu entender seja indiferente ter um sistema de metas ou não), eu apenas disse que não há fundamentação teórica consistente nisso.
    E o que acontece quando a meta não é cumprida?
    O diretor do banco central escreve uma carta ao Congresso justificando o motivo do não cumprimento da meta?
    Puxa vida!
    Na verdade o que ocorre é que são os formuladores da politica monetária que decidem em última instancia. Quero crer que numa situação hipotética entre por exemplo elevar os juros a 80% a.a ou permitir um pequeno estouro na meta , a maioria dos bancos centrais iria preferir a segunda hipótese….

    • Ricardo Gallo 20/05/2015 10:02

      nao há fundamento teorico…

      hahaha

  6. 55 xg 19/05/2015 11:45

    Gallo, o investimento dos chineses , ferrovia por exemplo , vão ser os chineses que vão administrar a obra, ou será uma Oderbréxi da vida?

    • Ricardo Gallo 19/05/2015 17:54

      boa pergunta…. provavelmente será feito por uma construtora deles….

  7. 54 Clovis 19/05/2015 9:41

    Para Ronaldo:
    “This article shows that the theory that supports the inflation targeting regime does
    not have a relationship with reality.”
    Portanto….

    • Hudson 12/05/2015 20:57

      No fim das contas aconteceu mais ou menos a mesma coisa que com os caminhoneiros. A intervenção do governo gestou uma pequena bolha e agora os afetados pedem um prolongamento de vida mediante outra intervenção.

      O MCMV é o programa social mais fracassado do PT. E agora até risco de crise sistêmica existe. Mas no ano passado não assumiam sequer a existência de uma provável bolha no setor hehehehe

    • Ricardo Gallo 13/05/2015 16:14

      sim. não estou dizendo que esta crise não foi criação da Dilma&Mantega. Mas já que crise existe, temos que administra-la. Nao tem jeito. E vai ter algo similar no BNDES em 2016.

      ps: ha um artigo interessante no Valor de hoje a respeito do risco sistêmico no credito imobiliário….

    • Hudson 12/05/2015 11:16

      Tenho, sim, Ricardo.

      Simplesmente acabou o dinheiro para crédito imobiliário. O programa 1905 (MCMV) criou uma bolha no setor. As pessoas consumiram imóveis para os próximos 10 anos, sejam eles novos, usados ou do próprio programa. Este programa foi feito em época de aceleração da construção civil devido às obras de copa e olimpíadas. Isso levou a um aumento de custos insano e a um aumento de preços mais insano ainda.

      O programa MCMV foi o programa mais fracassado da administração Dilma. Além de fazer os preços imobiliários explodirem, o déficit habitacional aumentou no período. É saudável que esta bolha seja corrigida, e é isso que o governo está fazendo.

      É contraditório demais o BC afirmar que quer controlar a inflação e ao mesmo tempo pensar em rezir compulsório. Isso quebra qualquer expetcativa de redução inflacionária…

      E de nada vai adiantar liberar o compulsório se a exigência de 50% de entrada continuar rs

    • Ricardo Gallo 12/05/2015 15:50

      nao é contraditorio nao senhor. uma coisa é prudencial. se voce sufocar ainda mais setor imobiliario vai criar crise sistemica e ajuda em nada combate inflacao. é prudencial. situaçao das construtores é critica. e as consequencias pro sistema financeiro poderiam ser grotescas. nao acho que precod e imovel vai para de cair por causa desta medida….

    • Ricardo Gallo 11/05/2015 19:21

      Voce tem acompanhado os saques da poupança? e o risco de squeeze no setor?

  8. 52 Clovis 07/05/2015 23:19

    Obrigado pela sugestão de leitura, Gallo.
    Mas sobre o “chutômetro” preciso dizer que não foi uma critica aos formuladores/executores de nossa política monetária foi mais uma hipótese do que deve ter acontecido de fato. Um chute….
    Como engenheiro vc conhece melhor que ninguém o Calculo Numérico e a arte que é chutar um primeiro valor para se determinar a raiz de determinada função.
    Chuta-se o valor, determina-se se é convergente, chuta-se um novo valor reduzindo-se o intervalo onde se encontra a raiz e assim vai….
    Eu posso estar enganado mas duvido que haja algum modelo teórico que forneça ferramentas matemáticas para se calcular a inflação ideal para determinado país.
    Acho que os instrumentos são a intuição e o conhecimento prático/serie histórica ou coisa que o valha
    Tipo – Se nos EUA é 2 % no Brasil vamos chutar 4,5% e um intervalo generoso.
    Se o a inflação for de 5% e o pais crescer 4%, deixe os juros como estão.
    E se crescer 7% com inflação de 6,5% adia-se a elevação de juros para tentar mais um ano de crescimento elevado.
    E se crescer 4% com inflação de 3% podemo pensar em um novo centro de meta, tipo 3% com tolerancia de 1,5% para cima ou para baixo.
    Sei lá…um tipo de ajuste fino…afinal a economia é um ciência humana, não uma ciência exata…
    Em Economia não podemos testar diversas “terapias” em laboratórios antes de aplica-las no “paciente”.
    Claro que vc pode ter absoluta convicção de que o governo deveria ter subido antes os juros e que o aperto deveria ter sido mais forte, aliás eu concordo com vc.
    Convicção sim, certeza nunca.
    O fato é que não podemos ter certeza absoluta que realmente teria sido melhor simplesmente porque não foi feito.

    • Ricardo Gallo 08/05/2015 19:30

      Eu posso estar enganado mas duvido que haja algum modelo teórico que forneça ferramentas matemáticas para se calcular a inflação ideal para determinado país.
      Acho que os instrumentos são a intuição e o conhecimento prático/serie histórica ou coisa que o valha

      Meu comentário: nao foram formulas que provaram a existência e eficacia da penicilina. e nem toda gama de antibióticos que se seguiram. foram teorias de bioquímica e biologia e experimentos, e análise de casos práticos e reais. o mesmo ocorre com economia. há muita muita pesquisa sobre isto. inúmeros países viveram situações similares no passado. há dezenas de economistas pesquisadores no FED, ECB e BOE estudando isto há muito tempo. ou seja,como na medicina, dá sim para se ter uma boa idéia de que um cara de 1.60 m de altura com 100kg esteja gordo…. e um regime ajuda… exercício ajuda… na grande maioria dos casos. com enorme grau de convicção, ex ante. e como os Policy Makers precisam tomar decisões, prefiro que as tomem com base nestes modelos e assim possam prestar contas à sociedade

      por exemplo, vale a pena ler sobre o optimum control da yellen:

      http://www.federalreserve.gov/newsevents/speech/yellen20120606a.htm

      veja analise do final do texto de custo econômico de se adiar juros ou de se antecipar alta de juros nos eua. sem o frameqork economico, sem os modelos , teorias e testes econometricos, ela nao conseguiria decidir . e com base nisto tomou a decisao de adiar alta de juros. decisão que revê a cada reunião do fomc, pois o modelo é dinâmico…

      há sim teorias, modelos econométricos , que são testados contra a realidade. nem tudo é chute. é avaliação de gente muito qualificada.

      Em Economia não podemos testar diversas “terapias” em laboratórios antes de aplica-las no “paciente”.

      com base na teoria econômica, através de modelos econométricos e boa estatística, da sim pra se avaliar o que ocorreu em outras economias e na nossa historia em situações análogas, e aplicar aqui esta experiencia. nem todos prédios são iguais, mas calculo estrutural ainda funciona… toda a base do calculo estrutural se baseia em poucas leis de newton, que embora sejam questionadas pela relatividade, funcionam muito bem até hoje….

      O fato é que não podemos ter certeza absoluta que realmente teria sido melhor simplesmente porque não foi feito

      certeza: tenho, ex post . ex ante há incerteza. uma coisa que difere economia de engenharia é a tomada de decisões sob incerteza. e por isto os modelos são dinâmicos e se ajustam com inputs. não são modelos estáticos como a maioria dos modelos que se usa em engenharia civil

      e se seguirmos nesta linha que você coloca, não deveríamos tratar nenhuma doença pois não saberemos com certeza se tratamento vai funcionar em mim, da mesma maneira que funcionou em você, na minha tia, ou nos americanos que inventaram o tal remédio…. ne? obviamente que um bom medico, e um bom BC, acompanha os resultados do tratamento e muda de curso se for preciso… em nenhum tratamento temos certeza ex ante de seu sucesso. mas isto nao impede um bom médico de receitar um tratamento ou remedio. e um bom medico analisa os resultados dos tratamentos e corrigi curso quando achar necessario. isto segundo treinamento, estudo, experiencia e uma porrada de pesquisa feita por outros medicos pesquisadores no mundo todo…

      economia e monetary policy está mais para medicina do que para engenharia…

      e , com base em anos de experiencia, de muita analise, teorias, estudos, modelos, etc, o BC precisa subir juro agora. ex ante.

  9. 51 Clovis 07/05/2015 19:46

    Números mágicos são um conceito muito usado em informática e em programação embora com sentido diferente para cada um desses 2 casos.
    A economia também tem seus “números mágicos” (conceito meu, ah ha) que são tipo números que são adotados como referencia sem ninguém entender e/ou explicar direito porque foi convencionado aquele número e não outro qualquer.
    Um exemplo que eu reputo “clássico” é o índice de 5% de desemprego, adotado no monitoramento da economia norte-americana como uma espécie de “divisor de águas”.
    É consenso geral que na economia capitalista não se pode (ou não se deve) ter (ou buscar) o “pleno emprego” pois isso acarretaria em incontroláveis pressões inflacionárias.
    É preciso ter (manter) uma reserva de mão de obra ociosa (os desempregados) que absorva a flutuação da produção (e, consequentemente, da demanda de mão de obra) sem acarretar nas tais pressões inflacionárias.
    Nos EUA convencionou-se que esse número era 5%.
    Porque 5%?
    Não faço a menor ideia mas parece que funciona razoavelmente bem tanto que bastava a taxa de desemprego cair abaixo de 5% para as cassandras de plantão advertirem sobre a inevitável escalada da inflação e a necessidade de aumentar os juros e frear a atividade econômica, etc, etc, etc.
    Para ser sincero isso era bem mais forte antes de Greenspan e sua ânsia de acabar com a regulação na economia, de Fancis Fukuyama e seu fim da história e outros luminares do neoliberalismo e seus fetiches particulares.
    Greenspan sempre foi incompreensível para mim mormente quando ele dizia que os “extraordinários ganhos de produtividade da economia americana” permitiam manter a inflação em patamares baixos com taxas de juros substancialmente menores.
    Mais ou menos o que ele dizia (como se fosse verdade absoluta) era que antes (“dos extraordinários ganhos de produtividade”, isto é antes dos anos 90) seria necessário por exemplo juros de 5% para manter/trazer a inflação em (á) 2 % mas que, devido aos “extraordinários ganhos de produtividade”, esse valor dos juros tinha sido reduzido substancialmente, ou seja agora bastavam tipo juros de 3% para manter o dragão na jaula.
    Fascinante, não?
    Eu nunca entendi como uma economia que ostentava esses fabulosos índices de produtividade perdia mês a mês, ano a ano, mercados para países com economias bem menos produtivas (e muito mais reguladas e intervencionistas).
    Emfim…
    Mas eu não queria falar em índice de desemprego nem no fim da História, o que me intriga são as metas de inflação
    O que sabemos e o que chutamos?
    Sabemos que hiperinflação é catastrófica.
    Sabemos que inflação alta é ruim
    Sabemos que deflação é o pior dos mundos.
    Sabemos que inflação muito próxima de zero é ruim.
    Então há um razoável consenso firmado de que uma política econômica eficaz e bem formulada deve perseguir uma taxa de “inflação saudável”.
    Mas qual é essa taxa de inflação benigna para a economia?
    Nos países desenvolvidos é de 2% em média, creio eu.
    No Brasil a meta é 4,5%.
    Mas porque?
    Eu penso que países em desenvolvimento devem ter taxas de inflação um pouco maiores que os países desenvolvidos até porque porque crescem (ou deveriam crescer) mais rápido e é natural que a inflação seja um pouco maior nesses países.
    Mas porque 4,5% e não 3%? Ou 6,12543%?
    Nunca que eu saiba houve um debate sobre isso.
    Quem definiu isso?
    Foi o sacrossanto Mercado?
    Outro número mágico é a “taxa de crescimento potencial” de uma economia, isto é o máximo que um pais pode crescer sem causar desarranjos estruturais na economia, o tal do “crescimento sustentável”.
    O do Brasil é algo em torno de 4% se eu não me engano. Mas poderia ser de 5% se o Brasil fizesse reformas liberais e pró mercado (claro!)…
    Eu não questiono o conceito da taxa de crescimento potencial de uma economia (embora ache que essa taxa tem um “alto desvio padrão”, não é um valor assim tão rígido).
    O que me intriga é como se calculam esses valores.
    Alguma fórmula? Algum algoritmo? Búzios? Tarô? Dados? Oráculos? Chutometro?
    Ou serão os agentes econômicos (vulgo mercado)?

    • Ronaldo 18/05/2015 9:21

      https://scholar.google.com.br/scholar?hl=pt-BR&q=regime+de+metas&btnG=&lr=

      Google está ai ao seu serviço

    • Ricardo Gallo 07/05/2015 21:35

      sugiro a leitura de alguns textos no site do bc, ecb e fed sobre regime de metas.

      de fato há enorme debate sobre estas variáveis.

      mas não há dúvidas que:

      a. ha 3 anos estamos com inflação no topo do regime de metas

      b. este ano ela ficará 2 pct acima dos 8

      c expectativa para ano que vem está perto dos 6%

      d. à experiência empírica internacional dos últimos 20 anos mostra que metas de inflação entre 2 e 4 pct ao ano são viáveis é compatíveis com economias crescendo com velocidade igual ou superior a nossa.

      e . para entender o conceito de Pib potencial vale a pena estudar o modelo de Solow de crescimento. Fica bem claro la o papel do capital humano, fisico e produtividade. e mencionei em outros posts alguns estados econômicos que responden a suas indagações sobre pib potencial.

      f. a experiência pratica mostra a validade do regime de metas de inflação.

      enfim entendo suas frustrações mas muitas das respostas as suas indagações já existem : vários prêmios nobel de economia já gastaram tempo e cérebro pra responderam isto.

      nao creio que esta turma tampouco economistas phds que ja passaram pelo bc como loyo, bevilaqua, mesquita, azevedo, pastore, ilan, fraga, parnes, volpon, sejam todos chutadores.

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