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quarta-feira, 20 de maio de 2015 Crise global, EUA, Juros EUA | 18:20

Quando sobem os juros nos EUA?

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Resposta: ninguém sabe. Uns acham que em Setembro. Outros que será só no ano que vem. O fato é que o FED é quem vai decidir isto…

Lendo a ata da última reunião do FED , fiz algumas observações sobre o que o FED está vendo:

  • aumentou a incerteza com relação ao ritmo de crescimento da economia nos próximos trimestres à luz da atividade econômica relativamente fraca do primeiro trimestre;
  • foi só inverno mais forte ou outros fatores, como a queda dos investimentos no setor de petróleo e os efeitos negativos do dólar forte sobre as exportações americanas, que atrapalharam a economia?
  • ou será que o consumo de fato está perdendo força e o savings rate vai subir de novo?
  • nota-se já a falta de oferta de mão obra qualificada e aumentos salariais maiores em alguns setores, apesar da queda no ritmo de melhora do mercado de trabalho ocorrida no primeiro trimestre;
  • parece que a inflação parou de cair;
  • mostraram preocupação com relação ao baixo premio de risco demandado pelo mercado nos papéis de longo prazo em US$, o que pode causar problemas na hora do FED começar a subir os juros, pois isto causaria perdas elevadas aos detentores de tais papéis, com efeitos sobre a estabilidade financeira do sistema. Ou seja, FED espera aumento na volatilidade de tais taxas de longo prazo;
  • para que se inicie o processo de alta de juros eles precisam ver uma continuada melhora nos dados de emprego e ter razoável convicção que inflação voltará a subir;
  • maioria acha pouco provável que eles cheguem  já na próxima reunião em junho com as condições necessárias satisfeitas para se iniciar a alta de juros, pois precisarão de mais tempo para ter certeza que o desaquecimento da atividade do início do ano tenha sido apenas algo pontual, mas não descartaram inteiramente essa possibilidade;
  • com base nisto, as decisões de quando vão iniciar processo de alto serão tomadas reunião a reunião, com base nos dados econômicos que forem saindo;
  • houve uma discussão sobre qual seria a taxa de juros real neutra e ficou evidente a enorme incerteza que existe na sua determinação, embora o debate tenha mostrado que tal taxa deva ter caído bastante e estaria em níveis bem baixos quando comparadas ao passado, o que, na visão de alguns, poderia justificar a elevação da meta de inflação de longo prazo, algo que foi descartado em função da perda de credibilidade que isto acarretaria.

Resumo: incerteza, incerteza e mais incerteza. Ou seja, volatilidade dos juros lá fora deve subir. Mas tudo indica que o cenário de maior probabilidade seja que o FED irá adiar a alta dos juros enquanto puder, correndo o risco real de ficar atrasado, ou seja, que comece a subir os juros quando a inflação de salários já tenha começado a subir. Se  isto vier a acontecer, a volatilidade dos juros de longo prazo lá fora pode disparar.

Portanto, fuja de renda fixa mais longa lá fora ou se proteja bem.

Vida dura, Dona Yellen: mas quando é que a senhora vai deixar a pombinha dos juros decolar??

 

doveyell

 

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4 comentários | Comentar

  1. 54 Clovis 22/05/2015 10:40

    Olá Xg.
    O artigo em questão não foi escrito por Mises mas foi escrito ( ou traduzido, não sei ao certo) pelo Leandro Roque, portanto sob uma perspectiva da Escola Austríaca ( Vade retro!) .
    Anyway eu considero o Mises um mala não por um artigo em particular mas pelo conjunto da obra, hehe.
    Quanto a refutar o artigo já refutei anteriormente.
    Francamente acho que o que o Leandro escreveu não passa de bullshit.
    Com todo o respeito, é a minha opinião.
    Mas achei ele bem criativo (embora um tanto forçado) ao explicar o porque (na visão dele) a derrama de dinheiro na economia americana não causou uma inflação nababesca (como a principio deveria ocorrer, segundo Mises & CIA).
    O dinheiro não foi para o investimento/consumo/produção, voltou ( a maior parte) para o FED ou para aplicações (especulação) em mercados mais rentáveis (e mais arriscados).
    Mas porque?
    Porque em outras ocasiões o dinheiro acarretaria numa inflação dos preços dos produtos e ativos e dessa vez não?
    A resposta é que a economia americana está doente, as empresas e os consumidores estão endividados, a renda da população está em patamares historicamente baixos, o desemprego ainda é alto a despeito do que dizem as estatísticas que ignoram as pessoas que desistiram de procurar emprego, então não adianta investir esse dinheiro todo na produção, não há demanda..
    Também não responde o que teria acontecido se o FED não tivesse promovido a farra monetária – uma depressão econômica ( sim porque nem todo dinheiro voltou, uma parte está financiando a produção e o consumo (em patamares baixos mas está). É o que mantém a economia viva.
    Outra coisa que não se comenta é o porquê das bolhas As bolhas são um problema ou são uma solução?
    Na verdade as bolhas são provocadas deliberadamente para que a economia americana não estagne. Quando uma estoura há uma crise mas a recuperação vem na forma de outra bolha, maior e mais perigosa. E assim vamos de bolha em bolha até uma explosão final se nada for feito.
    E o que tem que ser feito?
    O que estamos vendo nos EUA e na Europa como eu já disse não é a correção de um problema causado pelo estouro de uma bolha porque as bolhas refletem um problema maior, estrutural.
    O que estamos vendo é uma desalavancagem do setor privado, isso vai ainda vai durar um tempo considerável porque a alavancagem foi muito grande (irresponsavelmente grande, eu diria).
    A irresponsabilidade neoliberal acabou, chegou a hora de pagar a contas e corrigir os rumos. A correção é mais dolorosa ainda mas se as economias do primeiro mundo não fizerem a correção e continuarem empurrando com a barriga a decadência vira mais rápido e mais forte.
    Muitos interpretam erroneamente as politicas neoliberais como mais responsáveis no sentido fiscal, mas não é verdade.
    Todos os governos republicanos a partir de Reagan, incluindo o dele, foram deficitários. O último superavit americano se deu com Clinton, um democrata ( e na visão do “mercado “, um gastão).
    Você diz para o trouxa de plantão:
    Dinheiro há mas ele é mal gasto, é desperdiçado pelo Estado, um ator econômico ineficiente e corrupto, melhor seria realocar esse dinheiro para a iniciativa privada.
    Como?
    Cortando os impostos e diminuindo os gastos estatais.
    Lindo né?
    Mas alguma vez isso foi posto em prática?
    Nunca. Jamais.
    Certamente diminuíram os impostos e como diminuiriam ( principalmente dos ricos) mas as promessas de cortes de gastos ficaram só nas promessas, não se concretizaram. Na verdade aumentaram.
    Como você resolve a equação menos impostos e mais gastos? Com endividamento!
    E do lado do consumo vemos uma concentração de renda cada vez maior, em valores atualizados os salários dos trabalhadores americanos são inferiores aos da década de 70!
    E numa economia que depende cada vez mais do consumo como você resolve a equação salários menores e necessidade de se consumir mais? Fácil, mais horas trabalhadas (será isso o extraordinário ganho de produtividade a que se referia Greenspan?) e mais crédito pessoal e mais endividamento.
    Você conhece aquelas musicas antigas americanas sobre trabalhar “9 to 5”? Pois é, não é mito nem superstição. Existiu mesmo esse costume bárbaro, em outra época, pré neoliberalismo.
    Mas estou sendo redundante, já falei a mesma coisa várias vezes.
    Troca o disco, Clovis!
    O diabo é que eu gosto desse disco, é um dos meus preferidos…

    • XG 23/05/2015 15:24

      Entendi melhor sua visão.

      De certa forma ,concordo sim que após uma crise os governos empurram o problema com a barriga e já sabemos “ih, vem outra bomba…”

      Eu particularmente, acredito que um estado, como o nosso, se cortasse o gasto e diminuísse os impostos seria muito mais agradável, mas…é… me parece um sonho mesmo.

      Estou um pouco confuso, porque tentei identificar sua visão econômica geral, mas não consegui. Queria saber que políticas você mais acredita, ou ideologia, autores etc.

      Sinto que cada vez mais que estudo e vejo as divergências fico mais perdido que cego em tiroteio kkkkkkkkkk

  2. 53 MARCOS CARVALHO 21/05/2015 19:58

    Ricardo

    Sou leitor dos seus posts e parabéns pelas explicações lógicas de um engenheiro , deixando os temas econômicos mais claros p/ nós que não somos economistas.
    Eu gostaria de entender melhor a frase do post acima
    “Portanto, fuja de renda fixa mais longa lá fora ou se proteja bem.”
    O que seria a renda fixa mais longa no exterior ? E qual seria uma boa proteção ?

    Att
    Marcos C.

    • Ronaldo 22/05/2015 14:00

      Gallo, já pensasse em dar aulas rsrsrsr ? seja paga , grátis, internet, presencial ?

      Sua filosofia objetiva, realmente torna clara as coisas sem delongas.

    • Ricardo Gallo 23/05/2015 10:54

      olha, quando me formei dei aula de contabilidade e financas na fundação vanzolini por 2 anos para ganhar uma grana extra a noite

      obrigado pelo comentário! quem sabe um dia!!!

    • Clovis 22/05/2015 10:47

      Ele quer dizer , Marcos, que se o FED “errar a mão” (ou melhor, o “timing”) vai ter que elevar os juros a patamares maiores do que se acertar o taco…
      Mais ou menos o que aconteceu aqui…

    • Ricardo Gallo 22/05/2015 10:23

      rf longa: titulos de 10 anos ou mais de prazo em us$

      proteger-se: para investidores que tem acesso a produtos derivativos la fora a compra de opções de venda de contratos futuros de us treasury seria uma possível proteção.

  3. 52 XG 21/05/2015 14:09

    Clovis, chamar Mises de mala, por um artigo nem escrito por ele, não vai ajudar no debate. Se você tiver pontos para rebater aquele artigo, estou disposto a ouvir porque eu busco ver outras opiniões…se não tiver…não há sentido.

  4. 51 ricardo r 20/05/2015 19:00

    quanto mais empurram com a barriga, pior vai ficando.

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