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segunda-feira, 25 de maio de 2015 Crise Brasileira, Juros no Brasil, Politica Economica | 16:04

A razão dos juros em elevação

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Veja declaração recente do Presidente do BC Tombini, que saiu no Valor Econômico na samana passada:

http://www.valor.com.br/financas/4062572/bc-vai-perseguir-tarefa-de-levar-inflacao-meta-diz-tombini

Bastante claro, não é? Vai perseguir meta de 4,5% a.a. em 2016. Simples.

E para quem quiser saber as razões, veja o link abaixo, agora revisto, mais uma vez, por este que vos fala, depois de várias reclamacões pela péssima qualidade da edição feita por mim. Mea culpa!

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2015/05/23/politicamonetari2/

E para quem desejar entender o funcionamento dos modelos usados pelo BC, segue um excelente texto sobre o assunto, preparado pelo excelente economista do Bradesco, Marcelo Cirne de Toledo, da equipe do Octávio de Barros:

http://www.economiaemdia.com.br/EconomiaEmDia/pdf/destaque_depec_bradesco_21_05_15v2.pdf

Veja suas conclusões, as quais eu endosso:

Modelos de simulação de inflação são cruciais para a formulação da política monetária em qualquer regime de metas. O modelo do Banco Central é flexível e robusto o suficiente para que seja utilizado como uma importante ferramenta para as decisões sobre a taxa de juros. Como qualquer outro modelo econométrico, suas projeções são sujeitas a diversos problemas, como desvios das hipóteses utilizadas, mensuração de algumas variáveis (especialmente o hiato da atividade) e mudanças de parâmetros. O modelo é um bom guia sobre qual deve ser o horizonte relevante para a política monetária e como o trade-off entre a perda de produto e o benefício da inflação baixa pode ser administrado. Em última instância, contudo, o modelo deve ser complementado por outras informações e sempre haverá um grau de julgamento na formulação da política monetária. Tendo em vista essas incertezas, não é por outro motivo que as decisões sobre a taxa de juros são realizadas de forma incremental e que, em  geral, a política monetária deva permanecer flexível e atenta para responder a desvios da inflação em relação ao que se esperava.

Para o debate atual sobre a política monetária, algumas conclusões podem ser extraídas:

1) o ponto de partida das expectativas, da inflação passada e a ocorrência de novos choques substanciais sobre a inflação tornam necessária uma resposta da taxa de juros acima do que seria usual;

2) a correção de rumos mais rápida representará maior perda de PIB no curto prazo, mas poderá resultar em uma recuperação mais rápida e, portanto, no cômputo de vários anos minimizar a perda de PIB em relação a uma estratégia de combate lento da inflação;

3) a substancial retração da atividade em conjunto com a reancoragem das expectativas resultará em queda significativa da inflação em 2016, dada as defasagens existentes;

4) uma vez que a política fiscal e parafiscal permanecerão restritivas no próximo ano (além do PIB global moderado), haverá espaço substancial para uma redução da taxa de juros a partir de meados de 2016.

Nosso cenário contempla uma elevação adicional da taxa Selic de 0,50 p.p. em junho, estando em aberto um ajuste adicional na reunião de julho.  A trajetória de queda da inflação não será imediata, mas possivelmente será mais clara a  partir do segundo trimestre de 2016, quando esperamos que o Banco Central, caso tenha obtido sucesso na política atual, poderá iniciar um ciclo de redução da restrição da taxa de juros. Devemos lembrar que, mesmo nesse cenário de gradual queda da taxa Selic, a política monetária continuaria em terreno restritivo e o conjunto de políticas (monetária, fiscal e parafiscal) também estaria em posição apertada. Ou seja, é provável que haja espaço para a redução da taxa de juros básica ao longo do próximo ano mesmo que se deseje manter a política monetária apertada, apenas reduzindo o nível de restrição. Em parte por conta desse motivo (manutenção de políticas apertadas em 2016) é que vemos uma recuperação da atividade bastante lenta ao longo do próximo ano (resultando em pequena expansão do PIB médio).

 

 

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1 comentário | Comentar

  1. 51 ricardo r 26/05/2015 1:42

    E se o ajuste fiscal continuar se mostrando incapaz de segurar a explosão do déficit nominal e o grau de investimento for pro saco? 17/18%?

    Estamos bem piores que quando recebemos o GI em 2008…

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