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quarta-feira, 17 de junho de 2015 Juros EUA | 15:37

Inflação real está abaixo da medida pelos índices???

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Calma! Não se empolgue. Estou falando sobre os EUA!!! Será que inflação deles na verdade estaria andando abaixo do que o PCE mostra???

Ouvi um grande economista comentar isto recentemente e fui atrás, e encontrei alguns textos bem interessantes que abordam direta ou indiretamente o tema

http://www.wsj.com/articles/the-u-s-underestimates-growth-1431989720

http://www.voxeu.org/article/debt-supercycle-not-secular-stagnation

http://blogs.wsj.com/…/how-does-your-experience-of-inflati…/

https://www.frbatlanta.org/rese…/inflationproject/mycpi.aspx

http://www.bls.gov/cpi/cpihqaqanda.htm

http://www.oecd-ilibrary.org/cont…/workingpaper/643587187107

http://blogs.ft.com/gavyndavies/2015/05/25/technology-inflation-and-the-federal-reserve/?Authorised=false

http://www.federalreserve.gov/pubs/feds/2013/201336/201336pap.pdf

http://www.nber.org/papers/w21074.pdf

 

Isto seria consistente com um estudo do JPMorgan que recebi recentemente, que mostra que as novas tecnologias e seus impactos na economia não estariam sendo adequadamente capturados pelos dados do PIB dos EUA e, portanto, na estimativa do seu produto potencial e de output gap atual por consequência. Ou seja, ainda haveria muito espaço para se crescer por lá sem gerar pressão inflacionária. Veja o resumo:

ECONOMIC FOCUS SUMMARY Technology is spreading throughout the economy. Ironically, it is more visible to the naked eye than it is to the economic metrics. It’s asking a lot to expect the metrics to capture the true economic value of digital technology and recent research by economists at the Federal Reserve Board provides important insights into why that is so. For example, they find that the current methodology used to estimate that advances in microprocessor chips leads to misleading impressions. The BLS estimates of microprocessor prices imply that Moore’s Law has died. In contrast, the Fed researchers estimate that Moore’s Law remains intact and that prices of microprocessors have continue to fall about 40 percent annually, in contrast to the 8 percent annualized decline in the BLS measures. Beyond the distorted calculation of trends in microprocessor technologies, there are many other reasons why the digital economy is less visible in the economic statistics than is apparent to the naked eye. The difficulty measuring the true economic impact of technology are yet more reason to be cautious in taking GDP trends at face value.

Ou seria tudo isto apenas mais uma boa desculpa para Yellen esticar mais um pouco até iniciar o ajuste nos juros?

Por outro lado, isto também explicaria o conundrum da queda do crescimento da produtividade medido na Europa e nos EUA recentemente, como mencionado em outro paper do JPMorgan resumido abaixo:

The global financial crisis has generated lasting damage. J.P. Morgan estimates a permanent 3% loss in the level of GDP since 2007. It has also amplified a secular growth slowdown. We estimate global potential growth at 2.6%, down 0.4%-point from the 2000s.

Recent data suggest a sharper deterioration. Labor supply and productivity gains have stalled since 2012, producing a rapid fall in global unemployment rates. “Okun’s law” places global potential growth at 1.6% as of 4Q14, 1% below J.P. Morgan’s estimate. For the US and Euro area, Okun’s law potential growth rates are 0.9% and 0.3%, respectively.

Okun’s law–based results show the global economy facing capacity constraints early next year if GDP grows at our projected 3% pace. By contrast, J.P. Morgan’s estimates suggest the global economy can grow at this pace through 2017 before reaching full capacity. Which estimate is right is crucial for determining the flexibility of monetary policy and the pace at which policy rates will need to be normalized. Our analysis suggests actual supply side performance will improve relative to the weak 2012-14 performance. Even with this rebound, global potential growth should move lower in the coming years.

The anticipated cyclical supply side improvement arises as firming global demand boosts productivity growth by generating increased efficiencies and capital use. The recent rapid unemployment rate slide should slow, allowing for gradual normalization in global monetary policy stances.

Signs of this expected rebound in productivity growth have not yet materialized. The longer productivity growth remains depressed, even due to cyclical factors, the more likely that hysteresis will set in, tempering the anticipated boost.
Assuming the projected productivity rebound materializes, we assess global structural trends in aging demographics and technological progress as weakening. We forecast global potential growth to slip from 2.6% to 2.4% by the end of the decade. If not for the rising share of the EM, potential growth would fall to 2.1%.

Se a inflação real for mesmo inferior à medida, a produtividade de fato não teria caído tanto como os cálculos do JPMorgam acima indicam. Pode ser que a queda da demanda na Europa e nos EUA possa ter detonado uma queda mais forte dos preços de alguns produtos similares, substitutos, mas de mesmo valor hedônico (???), principalmente em Tech (celulares, tablets e outros), que ainda não foi capturada pelos PCE. Vai saber!

À luz destas dúvidas que nos levariam a direções diametralmente opostas na condução da política monetária nos EUA, a única coisa que realmente dá para observar e daí avaliar a situação real da inflação é a evolução dos salários naquelas bandas. Quando eles de fato começarem a subir é sinal que o juro tem que subir nos EUA. ECI já começou a subir, mas salário hora ainda não…

Quanto os juros vão subir nos próximos anos? Só descobriremos ao longo do caminho. A angústia com o ajuste monetário nos EUA não terminará quando os juros começarem a subir, infelizmente. E na linha do comentário do VP do FED Fischer e do meu sócio barbudo, temos que nos preocupar mesmo é com a taxa final do ajuste e não com sua data de início.

 

inflaqto

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1 comentário | Comentar

  1. 51 Michel 18/06/2015 0:23

    Essa suposta persistência da Lei de Moore bate com um recente artigo da Economist defendendo exatamente que a Lei de Moore não só ainda não morreu como ainda tem mais uns aninhos pela frente: http://www.economist.com/news/business/21648683-microchip-pioneers-prediction-has-bit-more-life-left-it-ever-more-moore

    Obviamente, eles ressalvam que isso é muito mais uma regra de bolso do que uma lei (http://www.economist.com/news/science-and-technology/21652051-even-after-moores-law-ends-chip-costs-could-still-halve-every-few-years-beyond).

    A propósito, o link da figura parece estar quebrado.

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