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quarta-feira, 24 de junho de 2015 Câmbio, Crise Brasileira | 18:15

Ajuste das contas externas continua

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Em fevereiro deste ano eu postei um artigo onde tentava prever o efeito do ajuste em cursos sobre nosso déficit externo:

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2015/02/12/de-onde-vira-o-ajuste-nas-contas-externas/

Naquela ocasião eu chutei que, em função do ajuste em curso, o déficit externo iria cair basicamente em três contas: balança comercial, dividendos e despesas com viagens ao exterior, com uma queda total que poderia beirar os US$ 40 bi. Se desconsiderarmos a forte queda dos preços das commodities, as coisas parecem estar andando em linha com cenário que tracei.

Os dados recentes do déficit externo publicados mostram uma tendência inequívoca de melhora, como vemos no quadro abaixo preparado pelo Itau:

 

defconta1415

 

 

Nos primeiros cinco meses do ano o déficit em conta corrente caiu de us$ 44.9 bi para 35.8 bi ( vermelho acima). Vamos ver o comportamento das três contas:

  • Lucros e dividendos

Eu esperava uma queda de cerca de US$ 8 bi em tais remessas ao exterior no ano. Nos primeiros cinco meses do ano a queda acumulada no ano foi de US$ 5.3 bi ( marrom acima). Ou seja, tudo indica que a redução será maior do que estimei e pode superar os US$ 12 bilhões, provavelmente em função da queda maior do PIB e seus efeitos nos lucros das empresas. Eu trabalhava com uma queda de 1% no PIB apenas, enquanto hoje já se espera uma queda de 2% no PIB este ano.

 

lucrorem

  • Viagens ao exterior

Esperava uma queda de US$ 6 bilhões nestes gastos líquidos em 2015. Até maio tivemos uma redução de US$ 1.9 bi nestes gastos ( em verde). Nesta toada deveremos ter uma queda da ordem de US$ 5 bi em tais gastos em 2015.

defservicos

 

 

 

  • Balança comercial

Eu esperava uma queda de US$ 25 bi nas importações este ano. Porém, até maio, tal queda já bateu US$ 18 bilhões. Mas cerca de US$ 9 bilhões desta queda se devem à queda de preços dos bens que importamos, que caíram 10% este ano vis a vis o início de 2014. OU seja, a parcela decorrente da queda da quantidade de bens importados foi de cerca de US$ 9 bilhões, ou 10 % a.a  quando se compararmos com o início de 2014, o que bate com meu chute inicial. Por outro lado, as exportações estão caindo mais do que eu esperava, pois contava com exportações estáveis para este ano. Até maio, as exportações caíram US$ 15 bi. Novamente a queda dos preços dos bens que exportamos teve um forte impacto. Tais preços caíram cerca de 19% quando comparados com o início de 2014. Desta forma, em quantidade de bens, nossas exportações subiram 2,3% no trimestre, o que é também bastante próximo à minha previsão inicial, que não levava em conta nenhuma variação de preços dos bens exportados ou importados para simplificar as contas.

Conclusão: o ajuste nas contas externas está indo na direção esperada. Com o aprofundamento da recessão veremos que esta melhora das contas externas deve continuar.

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1 comentário | Comentar

  1. 51 Guilherme M 25/06/2015 8:48

    Gallo,
    eu adicionaria que o IED tem surpreendido pela resiliência e os investimentos em carteira tem aumentado dado os altos juros locais. Dessa forma parece que o déficit em cc, ainda que alto, vem sendo financiado com relativa tranquilidade. Ou seja, me parece que no curto prazo o dólar não deve subir.
    abs

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