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quinta-feira, 25 de junho de 2015 Crise Brasileira, Inflação, Juros no Brasil | 08:54

Volpon do BC mostra o caminho para queda da inflação

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Em recente discurso do Diretor de assuntos internacionais do BC, Tony Volpon, pode-se encontrar algumas pistas importantes com relação à estratégia do BC na condução da política monetária. Vale a pena lê-lo:

http://www.bcb.gov.br/pec/appron/apres/Discurso_Diretor_Volpon_Londres_17_06_2015.pdf

Veja alguns pontos importantes na minha visão:

  • O primeiro desafio do BC é evitar que inflação abandone sua ancoragem, ou seja, saia de sua relativa estabilidade observada desde 2008, embora que em níveis ainda elevados (média de 5,7% a.a. desde 2008);
  • Observam-se dois desequilíbrios na estrutura de preços relativos. Os bens negociáveis com o exterior subiram menos do que os bens não negociáveis com o exterior consistentemente desde 2007, o mesmo acontecendo com os preços regulados pelo governo vis a vis os preços livres na economia. Estes desequilíbrios são insustentáveis e precisavam ser corrigidos, através da desvalorização do R$ no primeiro caso e do reajuste das tarifas públicas que estavam represadas. Isto fez com que as expectativas quanto à inflação futura após 2013 subissem, trazendo assim maior pressão na inflação corrente;
  • Com a inflação acima de 8% há o risco hoje de que inflação saia do controle de vez;
  • Juro real projetado um ano à frente saiu de 1,36% a.a. em 2013 para 7,3% a.a. recentemente, muito próximo a 9% a.a. que representa um excesso de dois desvios padrão sobre a média de 5,3% a.a. que tivemos desde 2008. Seriam estes 5,3% a taxa de juros neutra???
  • Objetivo do BC é trazer inflação em 2016 para 4,5% a.a. Não está satisfeito com os 5,5% a.a. esperados pelo mercado;
  • Porque insistem em trazer inflação para 4,5% em 2016 e não 2017:  empurrar para frente o cumprimento da meta pode desancorar ainda mais as expectativas quanto à inflação futura, dada a elevada indexação de nossa economia, o que diminuiria as chances de voltarmos a ter uma inflação de 4,5% no futuro e demandaria manter juros ainda maiores por mais tempo;
  • Reconhece que há enorme ceticismo do mercado sobre a viabilidade de se trazer inflação para 4,5% a.a. em 2016. Contudo, ele está bastante confiante, pois inúmeros choques deflacionários estão atuando no sentido de reduzir pressões inflacionárias: aperto na política fiscal e a elevação dos preços administrados que reduz a renda disponível e a demanda interna em decorrência;
  • Reconhece, contudo, que a inércia inflacionária é elevada no Brasil e que isto pode ser percebido pela elevada e persistente inflação de serviços, que vem aumentando de preço acima de 8% a.a. desde 2010. Ele dá a entender que isto aconteceu em função de termos convivido com taxas de desemprego abaixo da taxa neutra neste período, desemprego este que pela PME esteve na média em 5,4% entre 2011 a 2014. Isto teria causado uma pressão nos salários, aumentando assim a demanda e o custo no setor de serviços. Contudo, ele já vê que desemprego já estaria se ajustando a seu nível neutro (NAIRU). Qual seria este nível: 6 ou 7%?
  • Ele coloca que a elevação do desemprego da forma que vem acontecendo, somada aos choques deflacionários fiscal e para fiscal, devem trazer inflação para meta em 2016;
  • Alega que uma das razões que a inflação ficou consistentemente acima da meta nos últimos anos foi o não cumprimento das metas fiscais sinalizadas pelo governo, que foram mais expansionistas do que se previa;
  • E que possivelmente assumiu-se que o output gap era maior do que o imaginado dado o baixo nível da atividade econômica. Ou seja, achavam que a economia estava andando abaixo do potencial;
  • Enfatizou o compromisso com meta e que só será possível pensar em redução dos juros quando as expectativas de inflação estejam ancoradas ao redor do centro da meta.

Resumo: mais 50 bp na próxima e olho nas expecativas de inflação para 2016…. PIB, portanto, vai sofrer.

 

 

 

bcdob

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6 comentários | Comentar

  1. 56 XG 30/06/2015 20:16

    Ricardo queria saber sua opinião, se você quiser opinar, sobre esse texto :

    http://mercadopopular.org/2015/06/a-visita-de-dilma-aos-eua-poderia-indicar-a-politica-externa-brasileira-mais-liberal-em-muitos-anos/

    abraços

    • Ricardo Gallo 30/06/2015 20:59

      é de fato uma enorme surpresa. sinalizou com abertura e ate acordo bilateral…

      porem ela precisa lembrar que para fazer isto, precisamos levar mercosul inteiro, o que não seria facil….

      este mercosul vais er uma ancora para nossa abertura…

  2. 55 Alcemar 30/06/2015 19:24

    Ricardo Gallo, posso confiar no Tesouro Direto e colocar 90% do dinheiro dos meus pais lá?

    • Ricardo Gallo 30/06/2015 21:03

      os títulos de renda fixa do tesouro são bastante seguros, em particular os de curtíssimo prazo, ate 90 dias de prazo.

      porem eu recomendo fortemente que voce consulte um especialista de investimentos no seu banco ou corretora antes de fazer qualquer investimento, pois não posso dar este tipo de consultoria ou aconselhamento num blog ou chat. nao seria profissional de minha parte.

      dependendo do apetite de risco e da finalidade do investimento, a minha resposta poderia ser completamente equivocada.

  3. 54 Marco H. 30/06/2015 17:18

    Gallo,

    Volpon parece estar flexibilizando.
    Provavelmente devido a Grécia e as consequências de não aceitar acordo.

    • Ricardo Gallo 30/06/2015 21:04

      nao esta flexibilizando nao… esta dizendo que olhem as expectativas. só isto… se eles continuarem a convergir p[ara meta , ele para de subir… porem ainda estao muito distantes na opiniao dele.

  4. 53 Marco H. 26/06/2015 20:03

    Gallo,

    Em 2011 não foi por “expectativas de inflação” que o BC reduziu a ciclo de juros.

  5. 52 Fernando 25/06/2015 21:52

    Gallo, não seria a hora de dar uma pancada mais forte tipo 0,75%?Para mostrar comprometimento.
    Percebo o BACEN confiando em um choque de preços deflacionário que pode não vir.

    • Ricardo Gallo 26/06/2015 0:13

      veja os dados de desemprego. não precisa aumentar dose…. inflacao vai despencar ano que vem

  6. 51 pensamentos financeiros 25/06/2015 19:19

    Olá Gallo!
    O que acha até agora do esforço fiscal? Como o último texto do Mansueto Almeida, tenho a impressão que estão cortando de um lado e aumento despesas de outro (vide as novas regas para aposentadoria).
    O governo está sem quase nenhum capital político (como você bem salientou em outro texto) e o nível de reprovação está quase idêntico ao Collor pré-impeachment. Ou seja, o governo está apanhando de todos os lados e talvez não haja nem mesmo ganho líquido para o superávit.
    Se 1.2% já é difícil, imagine 2% para o próximo ano. Não acredita que estamos nos aproximando de maneira quase inevitável a perda de grau de investimento?

    Além do mais, os juros reais para os próximos anos no seu raciocínio partindo da premissa de que a inflação realmente irá recuar. Comprar dívida pré-fixada, sem nenhum indexador, não creio ser uma boa estratégia no momento. Os prêmios das NTN-B não estão em 9%, continuam onde sempre estiveram ao longo do ano passado.

    Abraço!

    • Ricardo Gallo 26/06/2015 20:16

      Nao acho que seja inevitavel.

      o que importa na realidade é se quando estivermos crescendo 2 ou 2,5% aa , o superavite steja ao redor de 2% e juro real em 4 ou5% a.a. Se isto acontecer, não vejo grandes problemas para manter grau de investimento.

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