Publicidade

quarta-feira, 22 de julho de 2015 Crise Brasileira, Politica Economica | 21:52

Metas fiscais: agora tudo depende das agências de classificação de risco

Compartilhe: Twitter

Acabo de ouvir os Ministros Levy e Barbosa anunciarem a redução das metas de superávit primário para este ano e o próximo. E, se eu entendi direito, foi horrível. O governo central reduziu sua meta de superávit primário deste ano de 1,1 % do PIB para 0,2% do PIB. Ou seja, governo descobriu, 6 meses após fixar a meta, que não vai cumpri-la. E a culpa é da queda das receitas de impostos em função da queda do PIB (baita recessão). OK, mas não era já previsto isto? Bom, vamos conceder este crédito.

O mesmo governo reduziu a meta se superávit para 2016 de 2% do PIB para 0,7% do PIB. Peraí! SE este ano, com PIB caindo 2%, eles reduziram a meta em “apenas” 0,9% do PIB, por que reduziram a meta de superávit fiscal para 2016 em 1,3% do PIB?? Resposta: o governo disse que pode ainda vir a reduzir a meta fiscal para este ano, de um superávit primário de 0,2% do PIB para um déficit primário de 0,3% do PIB, caso não consiga viabilizar ainda este ano (na prática em 4 meses: agosto, setembro, outubro e novembro, pois dezembro é dureza) algumas medidas nada simples:

a.       Mais um refis de 10 bi;

b.      O repatriamento de capitais no exterior, que gere R$ 11 bi em receita aos cofres públicos;

c.       E concessões no valor de R$ 5 bi;

O sucesso disto tudo de fato é bem difícil de se prever e bastante excepcional pois certamente não se repetirá no ano que vem. Ou seja, na prática, a meta real de resultado primário para este ano é de um déficit de 0,3% do PIB. Isto explica os 0,7% do PIB de meta para 2016 ( -0,3% + 1% = 0,7%). Desta forma, de janeiro para cá, as previsões de superávit fiscal do governo para 2016 caíram de fato 1,3% do PIB.   

E para piorar ainda mais o quadro, os 2% do PIB de superavit, que o Ministro Barbosa defendia até há algumas semanas como necessários para estabilizar a relação dívida/pib, só deverão ser atingidos, não mais em 2016, mas em 2018. Ou seja, em ano eleitoral?!? Só falta agora o BC dizer que os 4,5% de meta por ano que vem ficam para 2017…

Creio que estamos fazendo uma declaração pública de que não conseguimos controlar os gastos públicos e que, ao mesmo tempo, a sociedade não aceita mais financiar tais gastos com mais impostos. Ou seja, seremos forçados a discutir a questão da alocação e priorização os gastos públicos mais cedo do que pensamos e, infelizmente, numa situação política muito complexa e com um governo muito impopular e fragilizado politicamente. 

Vamos aguardar as reações das agencias de rating. Quem sabe eles tenham uma enorme boa vontade e não coloquem nossa nota com perspectiva negativa. Cruzem os dedos, pois a eventual perda do grau de investimento, se vier a acontecer, seria uma catástrofe para a retomada dos investimentos e do crescimento.

Ou seja, a farra do gasto público chegou ao fim.  Uma pena que tenhamos descoberto isto tarde demais. 

 

socialismo

Autor: Tags:

4 comentários | Comentar

  1. 54 joao flavio 25/07/2015 21:13

    A foto no final do artigo diz tudo .
    Para tomar as medidas necessarias e corretas ,( e aguentar as pauladas que certamente viriam) só mesmo uma Dama de Ferro .
    E se possivel , nem muito “dama”.
    Tava na cara que quando começasse a arder , eles iam assoprar .
    E o Levy já nao esta mais dando as cartas . Quem esta no comando é o Barbosa .
    Vamos para o rating “D menos menos menos” mais cedo do que estamos imaginando !

  2. 53 JP 24/07/2015 16:07

    Gallo, você afirmou:

    “Creio que estamos fazendo uma declaração pública de que não conseguimos controlar os gastos públicos e que, ao mesmo tempo, a sociedade não aceita mais financiar tais gastos com mais impostos.”

    eu corrigiria para:

    “Creio que estamos fazendo uma declaração pública de que não conseguimos controlar os gastos públicos e que, ao mesmo tempo, como o governo não tem mais a maioria de deputados e senadores, estes não aceitarão aprovar mais impostos.”

    Este negócio da sociedade não aceitar mais impostos é relativo, se governo tivesse maioria sociedade teria que engolir …. é assim na vida real … não discordo que impostos são altos mas a sociedade aceita mais sim, a fórceps mas aceita. Só que não tem fórceps no momento.

    • Ricardo Gallo 25/07/2015 15:29

      eu conversei com alguns parlamentares. E eles entendem claramente que não dá mais para aumentar impostos no meio destes escândalos. a sociedade está começando a perder a paciência. há espaço para mudanças tópicas em impostos. mas a pressao emcima dos parlamentares esta absurda. aumentos de impostos de 1 ou 2% do PIb sao impensáveis a esta altura. no meio da recessão aumentar imposto é suicídio politico. e com economia crescendo é totalmente desnecessário.

  3. 52 Fabrício 23/07/2015 1:20

    Se for isso mesmo Gallo, a perda do grau de investimento será apenas uma questão de tempo. Não tem jeito. E pra ajeitar as coisas vamos precisar de reformas profundas e duras, cortar uma série de privilégios, reformar previdência, reforma tributária, pacto federativo, etc. Cortar na carne. Como são reformas que devem demorar para sair, pode ser uma década perdida. O que você acha Gallo? Será que só um novo governo em 2018?

  4. 51 Hudson 23/07/2015 0:16

    É uma lástima, um absurdo, uma vergonha o que o partido dos trabalhadores (que não trabalham) fez com o Brasil. Quando digo que estes caras são feiticeiros, é por absurdos como este. Até o Leviano agora está contando com receitas extraordinárias para compor o primário. Não tem como isso dar certo. E bobo é quem acredita em ajuste fiscal e inflação na meta no ano que vem. Sem uma reforma administrativa severa e sem privatizações e extinção de estatais inúteis não haverá ajuste. O Brasil sepultou o rating B hoje. E vai custar muito caro pro trabalhador.

    Estamos sendo governados por idiotas!

  1. ver todos os comentários

Os comentários do texto estão encerrados.