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quinta-feira, 27 de agosto de 2015 CHINA, Crise Brasileira, Crise global | 21:29

O que está acontecendo na China???

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China está perdendo reservas. O Capital estrangeiro, que nos últimos anos foi atraído para lá por retornos elevados vis a vis os juros extremamente baixos pagos nas grandes economias e por um câmbio que se valorizava contra o dólar, começa a fugir. Assim, o BC chinês tem precisado vender dólares para manter o câmbio estável.  Isto provoca queda das reservas chinesas que estão investidas em títulos do governo americano e de outros países desenvolvidos. O BC chinês então precisa vender tais títulos o que faz com que os juros de longo prazo pagos por tais papéis parem de cair, o que acaba gerando um aperto monetário inesperado nas economias centrais, que pode afetar sua retomada de crescimento. Se este processo continuar, o FED precisará reduzir a velocidade de alta do juros de curto prazo para contrabalancear tal efeito, o que deverá manter o mercado de consumo e o setor de serviços aquecidos nos EUA.

Ao mesmo tempo em que o BC da  China vende dólares, a liquidez em Yuan (moeda local chinesa) se contrai, o que prejudica expansão de crédito na China e afeta negativamente o preço das ações chinesas.  Tal aperto no crédito interno, somado à forte queda da atividade econômica dos últimos meses, coloca as empresas chinesas, extremamente endividadas ao longo dos últimos anos, em situação bastante difícil. Este quadro levará à forte elevação da inadimplência, reduzindo ainda mais a oferta de crédito interno, algo que pode gerar um colapso na atividade econômica.  Desta forma, o Estado Chinês não terá alternativa senão salvar as grandes empresas estatais e os governos locais endividados e retirar os empréstimos problemáticos do balanço dos bancos.  Isto ampliará o déficit fiscal Chinês e o endividamento do Estado.

Isto tudo combinado força o BC Chinês a reduzir os juros e o compulsório sobre bancos locais. Contudo, esta queda dos juros pode realimentar a fuga de capitais para o exterior. Para controlar isto, China precisa reativar a economia com impulsos fiscais e assim aumentar retorno dos investimentos locais, o que pode segurar a fuga de capitais. Ao mesmo tempo precisa permitir uma desvalorização controlada da sua moeda para inibir a fuga de capitais.  Tal desvalorização da moeda tornará produtos chineses mais competitivos, o que afetará a competitividade de seus vizinhos na Ásia que precisarão desvalorizar suas moedas. Isto pode desencadear uma rodada de desvalorizações na região e, por reflexo, em outros emergentes. OU seja, a vida de nossa já combalida indústria ficará mais difícil.

No final do dia, o déficit externo americano vai ter que subir, pois os EUA irão absorver este excesso de oferta global gerado  neste processo.  Ruim para a indústria americana, mas excelente para o  seu consumidor que vai ter seu poder de compra ampliado. O problema sério virá se a valorização do dólar não for suficientemente forte para evitar que a inflação suba nos EUA, pois emprego no setor de serviços e de construção deve continuar a subir por lá, levando os EUA ao pleno emprego em breve, o que deve gerar pressões salariais.  Quando isto acontecer, o instável equilíbrio global de oferta e demanda será quebrado e aí podemos ter uma crise global bem mais séria.

Ou seja, precisaremos acelerar os ajustes em nossa economia para estarmos aptos a resistir a este choque. A crise externa, tanto aclamada pelo governo nos últimos quatro anos, está chegando. Uma pena que tenhamos queimado nossas gorduras fiscais e monetárias antes da hora. Só nos resta um baita ajuste fiscal, reduzindo gastos públicos e subsídios, que permita assim juros menores.

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3 comentários | Comentar

  1. 53 Vânia Luz 28/08/2015 23:02

    Muito claro.
    O governo brasileiro invés de fazer o que tem que ser feito, continua brincando. Gastando, admitindo e, pondo mais carga tributária em cima da população :!

    Dilma Rousseff planta inflação para colher juros.

  2. 52 Joanisio Silva 28/08/2015 12:46

    “O Inverno está chegando”(Serie: Game of trhones) E agora é mundial, Esse problema no EUA seria semelhante as condições de acima do pleno emprego no Brasil e expansão salarial que no caso causou a inflação?

  3. 51 Samuel 28/08/2015 9:33

    Ricardo, parabéns pelo artigo, análise muito boa, como sempre.

    Poderia explicar melhor o mecanismo apresentado no trecho:

    “levando os EUA ao pleno emprego em breve, o que deve gerar pressões salariais. Quando isto acontecer, o instável equilíbrio global de oferta e demanda será quebrado e aí podemos ter uma crise global bem mais séria.”

    Um abraço.

    • Ricardo Gallo 28/08/2015 16:06

      tks’

      quando o us$ subir , produtos importados nos eua caem de preco ou param de subir. ai fica mais barato comprar. aumenta poder de compra das familias. que irao consumir mais. geram assim mais demanda no setor de serviço. que contrata mais gente. ai desemprego despenca. ai falta mão de obra. salario sobe. inflação de serviços sobe. inflação geral sobe. FED precisa subir juros mais rapidamente pra controlar inflacao nos eua. ai demanda cai nos EUA. capital foge dos mercados emergentes…. ai casa cai. esta é a sequencia

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