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segunda-feira, 25 de novembro de 2013 Brasil, BRICS, CHINA, Crise Brasileira, Livros e publicações, Politica Economica | 16:08

Como anda a atividade econômica?

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Pois é, parece que a economia está perdendo o gás  e abortando a recuperação ensaiada desde março último.

Veja no gráfico abaixo :

ibcpibmaua

 

  • o gráfico verde escuro mostra a evolução da taxa de trimestral de crescimento do PIB ( trimestre / trimestre anterior)
  • o gráfico verde claro mostra a taxa de crescimento trimestral do índice de atividade calculado pelo BC, que historicamente tem uma forte correlação com o PIB, ou seja, é um bom estimador para o PIB.

Em azul claro mostramos o crescimento antes da crise, que andava ao redor de 1,5% ao trimestre  ou 6% a.a. Nada mal.

Depois da forte desaceleração ocorrida em 2009, a economia se recuperou em 2010. Porém desde então só tem perdido folego ( vermelho), até chegar à estagnação no final de 2011.

De março de 2012 para cá podemos ver que a economia ensaiou uma retomada ( preto);

Porém,  os dados ( em amarelo) recentes capturados pelo índice de atividade do BC do B mostram que a economia pode estar perdendo gás novamente.

Ou seja, parece que o processo de elevação dos juros de curto prazo pelo BC do B e nos títulos de longo prazo  já esteja impactando a economia real.

DE fato a pancada nos juros de longo prazo de janeiro para cá foi enorme, como mostra o gráfico abaixo:

jurontnb

 

 

O gráfico inferior azul mostra as taxas de juros reais pagas nos títulos públicos indexados à inflação ( NTN -B) vigentes em janeiro deste ano, para os diversos vencimentos de títulos ( de 2015 até 2050) . Vemos que os títulos de 10 anos ( que vencem em 2023) rendiam 3,5% a.a. acima da inflação em janeiro.

De lá para cá tais taxas subiram de forma dramática ( preto), tendo chegado hoje ( Novembro) na curva amarela, batendo mais de 5,5% a.a. ( vermelho). Ou seja, o  juro real subiu 60% em função da:

  • elevação do juro selic por parte do BC do B para combater a inflação elevada e persistente que ainda temos;
  • elevação dos juros de longo prazo lá fora, em função dos sinais de melhora da economia americana que podem levar o FED a subir os juros mais cedo;
  • elevação do risco Brasil, em função da piora da situação fiscal, que aumenta o risco do rebaixamento de nossa nota de risco nos próximos meses.

Esta elevação dos juros de longo prazo aumenta o custo de capital para empresas e consumidores, diminuindo assim o consumo e o investimento, ou seja, o PIB. Para que a economia volte a retomar folego precisamos reverter os fatores que causaram elevação dos juros longos:

  • reduzir a inflação para permitir que BC do B retome processo de redução dos juros básicos.
  • torcer para que o FED demore para subir juro lá fora;
  • reduzir risco Brasil equacionando as questões fiscais e para fiscais, ou seja, aumentando o superávit primário de forma consistente e reduzindo a oferta de títulos públicos por parte do Tesouro ao conter o crescimento maluco do balanço dos bancos estatais.

Aí, quem sabe , poderemos retomar o processo de recuperação da atividade de forma gradual.

Porém, mesmo assim, tire o cavalo da chuva pois não teremos mais taxas de crescimento de 1,5% ao trimestre (sustentáveis ) se não endereçarmos as questões estruturais do país: temos que fazer com que a taxa de formação poupança doméstica suba. Poupança é definida como o % da renda nacional que não é gasto com consumo, mas sim investido.

Os gráficos abaixo,  com dados retirados do site do IBGE

http://seriesestatisticas.ibge.gov.br/lista_tema.aspx?op=0&no=12

representam:

  • gráfico vermelho é a evolução da carga tributaria bruta no PIB e o roxo mostra sua tendencia central
  • gráfico azul mostra a participação da poupança nacional sobre a renda bruta nacional desde 1947  e o verde mostra sua tendencia central
  • gráfico tracejado laranja mostra a tendência de crescimento de nossa poupança doméstica prevalecente entre  1947 e 1988 e extrapolado até hoje.

pouphist

 

 

Notamos, em geral, uma tendência de aumento na carga tributária, que foi interrompida apenas entre 69 a 85, período de nossa história recente que apresentou as maiores taxas de poupança interna .

Tivemos, a partir de 89 ( amarelo), uma forte aceleração da carga tributária (T – marcado em preto) , e uma queda na taxa de poupança (S – marcado em cinza), que interrompeu sua tendencia de alta que seguia desde 1947. Ou seja, depois de 1988, e da famosa e já comentada Constituição Cidadã, nossa poupança interna caiu e estagnou ao redor dos 17% do PIB mais recentemente.

Desde o pico do confisco do governo Collor, as administrações FHC, Lula e Dilma foram incapazes de retomar o crescimento da nossa poupança interna. Tivemos apenas uma elevação transitória da taxa de poupança entre 1999 e 2005 que foi produto da forte elevação do preço das commodities, o que produziu um ganho nos termos de troca em nosso comércio exterior e um aumento da renda do setor agrícola e de mineração, como mostra o gráfico abaixo, da evolução do preço das commodities desde 1981:

coomod

As commodities, cujos preços estavam estagnadas desde 1981 ( cinza), começaram a reagir em 2003 ( verde), impulsionando o valor de nossas exportações. Porém, tudo indica que este processo de alta de preços se encerrou ( amarelo).

Caso a poupança interna tivesse seguido sua tendência central prevalecente entre 1947 e  1988, nós hoje teríamos uma poupança interna de 27% do PIB ( gráfico laranja acima), quase o dobro do que temos hoje, algo que nos colocaria mais próximos dos asiáticos, campeões de poupança.

Assim, parece que a Constituição Cidadã e o modelo mais socializante de todos os governos que a seguiram provocaram este forte aumento da carga tributária, que causou esta estagnação na taxa de formação de poupança. Talvez isto seja uma consequência da repressão sofrida durante a ditadura. A enorme repressão daqueles anos gerou um  aumento das expectativas da sociedade e uma enorme desconfiança nos poderes constituídos. Logo, a sociedade preferiu registrar na carta magna todas as suas aspirações na forma de obrigações do Estado, sem se preocupar em como financiá-las.

A poupança, como vimos, é igual ao investimento produtivo. Logo, para aumentarmos o capital produtivo, precisamos reduzir a parcela da renda que gastamos com o consumo e com impostos, uma vez que apenas uma pequena parcela de nossos impostos ( menos de 10%) é gasta pelo governo em investimentos. Como temos uma demanda reprimida por bens de consumo em função da baixa renda de nossa população, fica difícil reduzir o consumo das famílias, em particular com a economia trabalhando no pleno emprego como atualmente. Logo, precisamos reduzir os impostos, para que assim sobre mais renda e, portanto, mais poupança.

Neste sentido, vale a pena ler:

http://eesp.fgv.br/sites/eesp.fgv.br/files/file/Fernando%20Holanda%20Barbosa%20Filho%20-%20O%20BRASIL%20PODE%20REPETIR%20O%20MILAGRE%20ECON%C3%94MICO%2025-9-2013.pdf

Vejam alguns gráficos e tabelas retirados do excelente texto:

dobrarenda

Esta tabela acima mostra períodos na história de alguns países onde a renda per capita dobrou. No caso Brasileiro, isto ocorreu entre 71 e 82, quando a carga tributária ficou parada!

pouppaises

 

Esta tabela mostra a evolução da taxa de poupança de alguns destes países desde 1980. Vemos que, enquanto os tigres tinham poupança de 30% ou mais, nós ficamos poupando 18%, ou menos. Parece que nós poupamos, e, por conseguinte, gastamos, como ricos e não como emergentes e pobre que somos.

escolaridadeO nível de escolaridade ( anos na escola- verde ) de nossa população é bem pior do que no caso dos tigres do oriente.  Nosso nível de escolaridade atual é compatível com o deles em 1975. Estamos mais de 30 anos atrasados neste aspecto.

crescbrascontrib

 

E veja acima da onde vinha o crescimento nos anos 50, 60 e 70: de aumentos na PTFH ( produtividade geral – verde) e do estoque de Capital acumulado ( preto). Hoje ( amarelo) estes dois itens não sobem….

crescprocesso

 

E vejam acima o que aconteceria se elevássemos a produtividade de 1% a.a. para 2% a.a. ( como nos anos 70) e a taxa de Investimento ( ou taxa de poupança) de 18 % para 28% do PIB: sairíamos de um crescimento potencial de 3% a.a. (amarelo) para os 5,6% a.a. ( verde), como mencionei acima.

Seguem agora alguns gráficos que fiz com dados do FMI

http://www.imf.org/external/pubs/ft/weo/2013/02/weodata/index.aspx .

Vejam os gastos gerais do governo de alguns países vis a vis o Brasil, média 2009 – 2013:

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Estamos lá no fim da tabela ( marcado em preto), junto com a Turquia . Só a Suécia gasta mais do que a gente. E os asiáticos, campeões de crescimento, estão lá embaixo… Ou seja, governo emergente gasta pouco. Governo de país rico gasta muito. E nós, na contra mão.

E veja como estamos no que diz respeito a Poupança Nacional:

pouppibpais

 

Estamos lá embaixo ( marcado em preto), junto com a Turquia, enquanto os asiáticos estão lá na direita.  Até os suecos poupam mais que nós. Ou seja, fica claro novamente que imposto elevado significa poupança baixa.

E veja o que aconteceu com PIB destes países desde 2009:

pibpais

 

Estamos marcados em preto. Nesta amostra, cresceram menos do que nós:

  • o México, que tem uma economia ligada aos EUA, país que, em 2009,  foi o epicentro da maior crise dos últimos 50 anos,
  • os Emirados que dependem exclusivamente do crescimento de sua produção ( e da demanda global) de petróleo.

Ou seja, fica meio óbvio que:

a. para crescermos mais precisamos mais Investimentos e maior produtividade;

b. para termos mais produtividade precisamos aumentar o nível educacional;

c. para termos mais investimentos precisamos de mais poupança interna;

d. para podermos poupar mais precisamos pagar menos impostos;

e. para pagarmos menos impostos, precisamos de menos gastos públicos;

f. e para gastarmos menos precisamos rever algumas coisas sérias neste país, como a própria Constituição Cidadã de 1988 e como iremos financiar a montanha de gastos públicos que ela provocou.

Será que ninguém vê isto?

Eu acredito que nossa agenda socializante dos últimos  20 anos, embora tenha reduzido as desigualdades nesta geração, reduziu o potencial de crescimento para as futuras gerações, ao reduzir a capacidade de gerarmos mais poupança hoje, e assim mais investimentos, que permitem uma expansão maior da produção e da renda no futuro. Eu desafio os socialistas de plantão a me demonstrarem o contrário.

A frase recente do Prefeito Haddad de São Paulo em manifestação quando foi vaiado é emblemática neste sentido:

“Se precisamos cobrar um pouquinho mais de IPTU de quem tem muito para levar para quem tem pouco, não vamos nos intimidar.”

À primeira vista, como todo discurso populista social, isto soa razoável. Mas de fato ele está tributando, além dos moradores das regiões centrais da cidade, sejam eles ricos ou pobres, os  empresários e comerciantes que têm estabelecimentos nesta região, porque “eles têm mais”,  algo que, no Brasil, virou crime e motivo de vergonha. Mas depois reclamam da falta de investimentos privados. Ou seja, os bairros mais nobres se transformarão em guetos da elite, elite esta que pode arcar com este aumento do IPTU, como diz o SR Prefeito, contrariando  a tese urbanística defendida pela então prefeita  Marta Suplicy, que apoiava a diversidade social em todas as regiões da sociedade, algo que eu concordo totalmente.

Precisamos rever esta questão e discutir as seguintes perguntas:

  • se ao aumentarmos de forma agressiva o bem estar social das gerações presentes estamos reduzindo as enormes desigualdades de renda  numa velocidade acima da redução das desigualdades de produtividade entre os diversos estratos da sociedade, quanto de crescimento futuro estaremos abrindo mão para as gerações futuras?
  • se ao tributarmos cada vez mais as empresas e os donos de capital estamos acelerando assim o processo de redistribuição de renda  mas reduzindo a taxa de poupança e, com ela, o potencial de crescimento futuro de nossa economia, qual o limite mínimo de crescimento econômico que podemos tolerar sem afastar de vez o investimento privado?

Eu acho que, para endereçarmos os rumos de nossa economia, precisaremos debater algumas questões ideológicas e suas implicações econômicas no curto, médio e longo prazo. Senão não haverá nenhum candidato, nem partido, que eleito consiga fazer as reformas econômicas tão necessárias.

Sigamos o exemplo do Partido Comunista Chinês, que, ameaçado pela desaceleração do crescimento econômico, está revendo alguns conceitos pétreos do seu regime e propondo várias reformas de caráter liberal, as mais importantes  das últimas décadas. Até Cuba já começou a se mover nesta direção.

 Coragem, camaradas!

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domingo, 24 de novembro de 2013 Crise Brasileira, Empresas, Investimentos, Politica Economica | 01:38

Delfim Netto pergunta: cadê a poupança das empresas????

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O Min Delfim Netto, um dos principais conselheiros econômicos da Presidenta, também está procurando a nossa poupança ou tentando explicar onde ela foi parar…

Veja abaixo artigo recente do ministro no Jornal Valor Econômico sobre um dos meus assuntos preferidos:

http://jornalggn.com.br/noticia/os-dados-da-queda-da-poupanca-privada

Dois competentes economistas, Carlos Antonio Rocca e Lauro Santos Jr., acabam de publicar um importante trabalho (“Redução da Taxa de Poupança e o Financiamento dos Investimentos no Brasil”, Centro de Estudos do Ibmec, novembro de 2013), no qual procuram atualizar alguns dados sobre a economia brasileira.
 
Comparam o ano de 2011 com uma espécie de média de 2012 e 2013, recolhendo informações para um período de 12 meses terminado em junho de 2013 (tabela 1). Surpreendente é a queda da taxa de poupança interna, 2,8% do PIB, acompanhada de aumento do déficit em conta corrente de 1,2% do PIB, que reduzem em 1,6% a relação investimento/PIB.
 
A poupança interna é a soma da poupança do setor privado, que em média foi 18,7% do PIB em 2000-2013, e da “despoupança” do setor público, que foi de 2,4% no mesmo período. Isso produziu em média uma taxa de poupança bruta de 16,3% do PIB. Em 2011, a “despoupança” do setor público foi igual à de 2012/13 (1,4% do PIB), o que sugere que a queda da poupança bruta foi gerada pela enorme queda da poupança privada (tabela 2).
 
 
Como afirmam os autores, “os dados das contas nacionais revelam um acentuado crescimento do déficit em contas correntes nos últimos dois anos, de 2,5% do PIB em 2011 para 3,7% no período de 12 meses terminado em junho de 2013. Esse desempenho não resulta do aumento da taxa de investimentos. No período, a taxa de investimento caiu 2,6 pontos percentuais, para 18,1% do PIB. A diferença se explica pela forte redução da taxa doméstica de poupança, de 2,8 pontos percentuais, de 17,2% do PIB em 2011, para 14,4% no ultimo período, nível que é o menor dos últimos anos”.
 
Uma forma alternativa de apreciar o fenômeno é analisar a poupança de cada setor com relação à “renda disponível” de cada um, que é elaborada pelo Ibmec, com dados do IBGE, do BC e do Ipea: 1) poupança do setor público em porcentagem da carga tributária; e 2) poupança do setor privado em porcentagem do PIB menos a carga tributária, que se vê no gráfico abaixo. Ele revela dois fatos: 1) a redução sistemática e significativa da “despoupança” do governo com relação à carga tributária, principalmente a partir de 2003 e hoje estabilizada em torno de 4%; e 2) a relativa estabilidade da poupança privada, cuja média no período 2000-2013 foi de 28,2%. Em 2011, atingiu 28,9% e estava em 24,8% no período de 12 meses terminado em junho de 2013.
 
O enigma é entender por que isso ocorreu. Os dados de 2005 a 2009 mostram que a poupança das famílias tem se mantido em torno de 4,5% do PIB. É pouco provável que tenha se alterado muito de 2010 a 2013, de forma que a queda deve concentrar-se no setor produtivo não financeiro.
 
Uma característica do período foi a redução dos recursos próprios das empresas nacionais e estrangeiras no financiamento dos seus investimentos, que caiu de 63% em 2011 para 52% em 2013. Nas empresas nacionais, vieram de 47% para 34%, recuo de 14%. Como a queda dos investimentos foi muito menor, subiu a participação dos recursos provindos de dívidas: 5 pontos percentuais do BNDES (de 14,7% para 19,7%); 3,9 pontos percentuais de emissões no mercado de dívida corporativa (de 9,1% para 13%) e 2,6 pontos de recursos tomados no exterior (de 5,5% para 8,1%).
 
As projeções do Ibmec, com números dos balanços das companhias abertas (exceto Petrobras) e das maiores empresas fechadas não financeiras sugerem queda da taxa de poupança dessas empresas da ordem de 2% do PIB, com os lucros retidos caindo de 3% do PIB em 2011 para apenas 1,9% em 2012, contra a média de retenção anual (mais aumento de capital) no período 2005- 2011 de 3,6% do PIB.
 
Em outras palavras, a queda da poupança (a queda do lucro) foi substituída por maior alavancagem de dívidas, para sustentar nível menor de investimento e manter os dividendos dos acionistas no padrão histórico. Como é evidente, a hipótese levanta dúvidas sobre a eficácia da política de empréstimos a taxas de juros subsidiadas.
 
Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento. Escreve às terças-feiras
Vale muito a pena ler o trabalho ao qual o ministro se refere:
Veja alguns trechos extraídos do excelente trabalho acima:

Concluindo, parece haver na economia brasileira um clássico exemplo de crowding out
onde o setor público faz um esforço enorme para aumentar os investimentos (PAC,
desembolsos do BNDES, diminuição da taxa de juros, desoneração fiscal, etc.), mas não
cuida da sua poupança para realizar seus investimentos: temos ao mesmo tempo um
aumento dos investimentos da União e um aumento das necessidades de financiamento
do Governo Federal, que já tem poupança negativa, ou seja, o Governo Federal desloca
poupança do setor privado para financiar seu déficit corrente e seus investimentos;
circunstância agravada pelo fato da poupança privada ter caído ao seu menor nível
desde 2000.

Na primeira parte deste trabalho, visão macroeconômica da poupança e do investimento,
constatou-se que a União continua deslocando poupança do setor privado para financiar
seu déficit corrente e seus investimentos com necessidade de financiamento anual da
ordem de 4 a 5% do PIB; agravado pelo fato que a poupança privada atinge no segundo
trimestre de 2013 seu menor nível desde 2000, 15,8% do PIB.
Talvez como consequência desses fatos, os investimentos são muito baixos: no
acumulado móvel anual encerrado no 2º trimestre de 2013 os investimentos (FBCF +
estoques) da economia brasileira atingiram 18,1% do PIB e a poupança nacional atingiu
14,4% do PIB, menor valor desde 2000, complementado pela poupança externa em 3,7%
do PIB. Esses níveis de investimento e poupança são inferiores aos níveis pré-crise e
não são suficientes para sustentar um alto crescimento do PIB.

E vejam a tabela abaixo que mostra a queda na poupança privada vermelho e do investimento privado ( amarelo):

poupriv

 

Ou seja, o setor privado poupa cada vez menos….

 

 

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sábado, 23 de novembro de 2013 bizarro, Crise Brasileira, Impostos, Politica Economica, utilidade | 10:55

A Presidenta e as “metas” fiscais

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A Presidenta declarou ontem:

Setembro foi um ponto fora da curva e isso já foi muito bem explicado pelo ministro Guido Mantega (1). Houve despesas extraordinárias, ligadas ao pagamento de abonos salariais, mas aquele número já ficou para trás. Outubro, por exemplo, teve a maior arrecadação fiscal da história (2)– mas isso, a gente sabe, né, não é notícia (…) Eu assumo aqui um compromisso: a meta fiscal (3) será cumprida não só neste ano, mas também em 2014.

http://blog.planalto.gov.br/

Minhas bicadas:

  • 1. se setembro foi um ponto fora da curva, por que a Senhora mudou a lei e não mais vai compensar eventuais quedas de superavits dos Estados?? Os Estados estão fora da curva? Ou não? Que curva é esta? Tamburello?
  • 2. a Senhora, portanto, acha que aumento de arrecadação de impostos é uma boa notícia, algo para celebrar? Mais carga tributária é algo bom?  Onde? Quem gosta de pagar imposto, além do Prefeito Haddad?  A Senhora, portanto, não acha que nossa carga tributária é elevada, certo? E que, portanto, podemos elevá-la com a volta do CPMF?
  • 3. a qual meta a Senhora se refere? Àquela que pode mudar a qualquer momento, como tem ocorrido ? Ou aquela meta que depende de dividendos irreais dos bancos públicos?

Enquanto isto, os juros de longo prazo exigidos do TN pelo mercado na rolagem da Dívida do Governo continua subindo:

curvajuro

Os juros pagos nos títulos que vencem em 2023 saíram de 3,5% + Inflação para mais de 6% de janeiro para cá ( seta preta). Juros reais de 10 anos nos EUA subiram de – 0,5% para + 0,5%. Lá sobe 1% , enquanto aqui 2,5%….

As vezes parece que estou num filme de Fellini:

Amarcord

 

Ou num quadro do Dali, carregando um crucifixo para me defender dos impostos galopantes e do surrealismo econômico que vem de Brasília:

Salvador-Dali-Wallpaper-19201080-1024x576

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sexta-feira, 22 de novembro de 2013 Câmbio, Impostos, Investimentos, Juros no Brasil, Politica Economica | 02:40

Meta fiscal é reduzida novamente…

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Parece que a Presidenta tem lido meu post.

Ela propôs e o Congresso obviamente aprovou, uma lei que , na prática, reduz  a meta mínima de superávit primário do setor público:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,dilma-quer-meta–de-superavit-factivel-,1098942,0.htm

http://economia.estadao.com.br/noticias/economia-geral,congresso-aprova-projeto-que-muda-regras-do-superavit-primario,170547,0.htm

Na prática, ao dizer que o governo federal não precisa mais compensar eventuais descumprimentos das metas de todos os Estados e Municípios, ela reduziu a meta fiscal do setor público como um todo.

Vamos, aos poucos, minando a credibilidade fiscal que construímos desde 2000 com a LRF. O mais engraçado é que tinha gente do mercado que esperava algum gesto de austeridade por parte do governo! Gente ingenua..

Vejam o trecho abaixo retirado do Estadão de hoje:

Dilma Rousseff está preocupada que o mau desempenho econômico da Índia, que corre o risco de ter a nota rebaixada, possa contaminar a percepção do mercado sobre a confiabilidade dos Brics em geral.

Superávit. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, membros da junta orçamentária, se reuniram anteontem e discutiram o tema.

A expectativa presidencial é que as metas não sejam nem muito baixas, a ponto de espalhar pessimismo, nem superestimadas, a ponto de, mais uma vez, não convencer o mercado. A ordem geral emitida pelo Palácio do Planalto é não cair em descrédito.

Minhas bicadinhas:

  •  Presidenta,  por favor não se preocupe com a Índia, cujo PIB cresce a mais de 4% a.a.. Que tal olhar para o nosso desempenho econômico, que piorou muito nos últimos 3 anos?
  • E, se a senhora quer ganhar credibilidade, abaixar a meta não é o melhor jeito não. Daqui a  pouco ela vai propor que a média mínima para passar de ano nas escolas caia de 5 para 3. Aí tudo mundo passa e os pais ficam felizes.
  • Se a senhora tem medo de dar má notícia pois sabe que não consegue cumprir metas, por que não acaba de vez com esta história de meta de inflação também, ou sobe ela para 10% ?

Espero que o Jornal tenha informações equivocadas sobre as intenções da Presidenta com esta medida. Vê-se claramente que nem ela e nem os ministros entendem nada de gerenciar as expectativas dos agentes do mercado. Imagine que você vai ao médico ele diz que você tem um Câncer terminal. Aí você faz os exames e descobre que é apenas uma tuberculose. E você descobre, então, que o Médico falou que você tinha câncer para que, quando você descobrisse que era apenas Tuberculose, celebrasse!

A turma não sabe o que é meta!!! E nem podiam, dada a sua história.

Depois reclama que o dólar sobe…. que risco país sobe… que juro de longo prazo sobe… e que turma não investe!

 

 

 

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quarta-feira, 20 de novembro de 2013 Impostos, Politica Economica, Sem categoria | 18:09

Bancos públicos tapando os buracos nas contas do governo

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Quando as agências classificadoras de risco analisam o risco de um país, um dos aspectos  mais importantes considerados diz respeito à sustentabilidade da dívida pública. Tal análise visa verificar se a trajetória da dívida pública é sustentável fiscalmente no longo prazo. São estas as variáveis consideradas em tal análise:

  • volume total de dívida bruta e líquida do setor público
  • taxas reais de juros pagas pelo setor público para se financiar no mercado
  • taxa de crescimento econômico de longo prazo
  • superavit primário do governo

Destas 4 variáveis, apenas a última está sob controle imediato do governo.

O superavit primário fiscal do governo é o saldo das receitas do governo, geradas na forma de impostos, contribuições, royalties, dividendos, etc, deduzido das despesas gerais, sempre excluindo os juros pagos e os recebidos pelo governo deste cálculo. Com este saldo o governo precisa ser capaz de saldar as despesas com os juros pagos na rolagem de sua dívida, de tal forma que a dívida apresente, no longo prazo, uma trajetória estável ou cadente de preferencia. O governo pode aumentar o saldo primário através de aumento de impostos ou do corte de despesas.

Para assegurar uma trajetória benigna da dívida pública, o governo fixa uma meta anual para o saldo primário na LDO, tanto para o governo federal, como para o agregado de estados e municípios.

A Lei de  Responsabilidade Fiscal  de 2000 ( http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp101.htm) representou um enorme avanço na gestão das contas públicas e foi responsável pela mudança na percepção de risco de solvência do setor público brasileiro. Entre outras coisas, ela proíbe que bancos públicos emprestem dinheiro direto ao Tesouro, a não ser através da compra de títulos públicos:

  Art. 36. É proibida a operação de crédito entre uma instituição financeira estatal e o ente da Federação que a controle, na qualidade de beneficiário do empréstimo.

        Parágrafo único. O disposto no caput não proíbe instituição financeira controlada de adquirir, no mercado, títulos da dívida pública para atender investimento de seus clientes, ou títulos da dívida de emissão da União para aplicação de recursos próprios.

        Art. 37. Equiparam-se a operações de crédito e estão vedados:

        I – captação de recursos a título de antecipação de receita de tributo ou contribuição cujo fato gerador ainda não tenha ocorrido, sem prejuízo do disposto no § 7o do art. 150 da Constituição;

        II – recebimento antecipado de valores de empresa em que o Poder Público detenha, direta ou indiretamente, a maioria do capital social com direito a voto, salvo lucros e dividendos, na forma da legislação;

        III – assunção direta de compromisso, confissão de dívida ou operação assemelhada, com fornecedor de bens, mercadorias ou serviços, mediante emissão, aceite ou aval de título de crédito, não se aplicando esta vedação a empresas estatais dependentes;

        IV – assunção de obrigação, sem autorização orçamentária, com fornecedores para pagamento a posteriori de bens e serviços.

Porém, no item II acima a lei permite que os bancos públicos paguem dividendos ao Tesouro Nacional, dividendos que constituem uma fonte de receita primária do Tesouro Nacional, e contribuíram em R$ 27 ,8 bi ( verde abaixo) para o total de receitas do governo central nos 12 meses encerrados em junho:

receitatnb

 Ou seja, para que o governo atinja sua meta de superavit primário ele depende de receber dividendos das estatais, como mostra a apresentação abaixo:

https://www.tesouro.fazenda.gov.br/images/arquivos/Responsabilidade_Fiscal/Politica_Fiscal/arquivos/Apresentao_RTN_Set2013.pdf

divtnres

 

Voltando para a meta fiscal do governo, ela é acompanhada quadrimestralmente, como vemos no relatório abaixo:

https://www.tesouro.fazenda.gov.br/images/arquivos/Responsabilidade_Fiscal/Politica_Fiscal/arquivos/2013_II_Quadrimestral.pdf

metfiscalo

A meta total consolidada fixada inicialmente era de 3,22% do PIB ( amarelo), sendo 2,24% do governo federal e 0,98% do PIB para estados e municípios. O governo federal então reduziu sua meta de 2,24% para 1,50% do PIB, ou R$ 73 bi ( verde),  usando um recurso legal ( a Lei nº 12.795, de 2 de abril de 2013) que permite que o governo reduza da meta os gastos com o PAC e as desonerações de impostos até o limite de R$ 65,2 bi. O governo federal usou R$ 35,1 bi deste limite até agora, mas ainda pode usar mais R$ 30,1 bi, caso não consiga atingir a meta atualmente em vigor. Ou seja, na prática a meta de superavit não serve para nada, uma vez que o governo pode ficar alterando a dita ao longo do ano de acordo com seus interesses. Como os 0,98% do PIB da meta dos estados e municípios somam R$ 47,8 bi, a nova ¨meta¨ consolidada de superavit primário do setor público é de R$ 120,8 bi, porém podendo cair para R$ 90,7 bi, a critério do ministro…

Os dados fiscais mais recentes mostram uma tendência bastante preocupante, como vemos no gráfico verde claro abaixo:

primarioseriebc

O gráfico verde mostra a evolução desde 2002 do superavit primário fiscal consolidado do setor público acumulado em 12 meses até a data. O gráfico azul mostra a mesma coisa para o superavit do Governo Federal, e o vermelho mostra o mesmo para os governos estaduais e municípios. Até 2008 o superavit do setor público andava na casa de 3,5% do PIB ( laranja), desabando em 2009 com a crise ( preto), mas logo se recuperando em 2011. Porém nos últimos anos a coisa voltou a desabar chegando ao pior nível desde 2000, se excluirmos o pico da crise de 2009.

Assim, o próprio  ministro da fazendo veio recentemente alertar para a possibilidade de não se cumprir a meta reduzida de R$ 120,9 bilhões:

BRASÍLIA – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu nesta quarta-feira que o governo poderá realizar um superávit primário (economia para o pagamento de juros da dívida pública) inferior aos 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) prometidos pela equipe econômica para 2013. Segundo ele, o governo central (composto por Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) fará uma economia equivalente a R$ 73 bilhões, ou 1,5% do PIB. O restante, no entanto, caberá a estados e municípios, que estão com um desempenho fiscal fraco.

– Para se chegar em 2,3% do PIB, os estados e municípios teriam que fazer um primário cheio (a meta desses entes é de R$ 47,8 bilhões). Eu sempre garanti que o governo central faria a sua parte, R$ 73 bilhões. Se estados e municípios fizerem (a sua parte), nós alcançaremos (a meta). Se não, vai ser a diferença. Eles fizeram R$ 18 bilhões até agora e terão que melhorar até o final do ano – disse o ministro.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/mantega-meta-de-superavit-primario-de-23-pode-nao-ser-cumprida-10699428#ixzz2kqYEb41

O gráfico abaixo mostra a evolução dos resultados primários total ( verde) , do governo central ( azul) e dos governos locais ( estados e municípios, em vermelho) em R$ correntes acumulados em 12 meses:

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O superavit primário dos estados e municípios está andando ao redor de R$ 20 bi / ano já há muito tempo. Logo, não faz sentido esperar nada muito melhor até final do ano. Os R$ 47,8 bi do ministro de fato não serão atingidos.

O superavit primário do governo federal está andando a R$ 60 bi por ano e caindo, porém o ministro conta com as receitas excepcionais do Refins e da privatização do pre sal do campo de Libra, que devem gerar uns R$ 20 bi adicionais, de forma não recorrente, o que deve colocar o superavit primário do governo central ao redor dos R$ 80 bi este ano.

Portanto, o setor público consolidado deverá terminar o ano com um superavit primário de uns R$ 100 bi  vis a vis:

  • a meta cheia de R$ 155,9 bi fixada na LDO;
  • a meta já reduzida de R$ 120,8 bi em vigor atualmente;
  • e os R$ 90,7 bi meta mínima na manga do colete do ministro como ele mencionou na notícia acima:

… Mantega também admitiu que a equipe econômica poderá abater mais do que R$ 45 bilhões com investimentos e desonerações da meta oficial:

– Colocamos (uma previsão) de R$ 45 bilhões. Vai depender do resultado que tivermos. Se for necessário, abateremos mais…..

Logo, a meta para 2013 de superavit primário será definida de pois de apurado o número…..

Além disto, dentro destes R$ 100 bi de superavit fiscal esperado para o ano de 2013,  há uma parcela significativa oriunda dos dividendos pagos pelos bancos estatais. O governo federal recebe o equivalente a cerca de 0,5% do PIB por ano de receitas na forma de dividendos das empresas estatais, como mostra gráfico azul abaixo:

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Ele mostra a contribuição, em % do PIB, dos dividendos para a receita do governo, e , portanto, para o superávit primário. Até 2008 tal contribuição era de 0,10% do PIB, enquanto o superavit primário estava em 3,5% do PIB, ou seja, o resultado fiscal dependia muito pouco dos dividendos das estatais. De 2008 para cá os dividendos pagos pelas estatais subiram bastante e hoje representam 0,5% do PIB dos últimos 12 meses, ou seja , cerca de R$ 27 bi no acumulado de 12 meses até junho último, como vimos acima.

Logo, para cumprir a meta, o governo depende que as estatais continuem a remeter dividendos no ritmo atual. E os bancos públicos, CEF, BB e BNDES, têm um papel muito importante nisto. O gráfico vermelho acima mostra a evolução do volume de dividendos pagos pelas 3 grandes Instituições Financeiras sobre controle do governo federal ao Tesouro Nacional.Vemos que eles representam 0,42% do PIB, ou seja, 85 % do total de dividendos recebidos pelo TN. Logo, a receita de dividendos do TN depende fundamentalmente da capacidade dos bancos federais pagarem dividendos.

Olhando os demonstrativos financeiros dos 3 bancos conseguimos apurar algumas informações:

analisedivsustentab

Para cada um das instituições ( e para um total consolidado delas) calculamos:

a. o lucro acumulado nos 12 meses findos em Junho último;

b. o Retorno sobre o Patrimônio destes bancos ( ROE);

c. o total de dividendos pagos a seus acionistas ( No caso do BB inclui os dividendos pagos aos outros detentores de ações do BB) nos 12 meses findos em junho;

d. a taxa de dividendo, que mede a relação entre o total de dividendos pagos e o patrimônio do banco;

e. o % dos lucros anuais que foram retidos, isto é, não foram pagos aos acionistas na forma de dividendos;

f. o volume do seu Patrimônio Líquido (capital próprio dos acionistas + lucro retidos);

g. o saldo da carteira do total de empréstimos e financiamentos concedidos por tais bancos, em Junho de 2012 e 2013;

h. a taxa de crescimento de tais empréstimos neste período;

i. e na última coluna temos a alavancagem, ou seja, a razão entre o total de empréstimos em carteira e o patrimônio dos bancos.

Vamos focar inicialmente na linha consolidada (total) para se ter uma idéia do que está acontecendo:

  • o retorno médio destes bancos é de 22% a.a. ( verde) enquanto que sua carteira de crédito cresce a 27% a.a. ( rosa) . Ou seja, a carteira de ativos está crescendo mais rápido do que a taxa de retorno destes bancos. Mesmo que tais bancos não distribuam nenhum dividendo daqui para frente, sua alavancagem irá continuar a subir, caso continuem a crescer seus empréstimos no ritmo atual. Isto demandará capitalizações adicionais por parte de seu acionistas.
  • no caso da CEF o problema é muito crítico, pois ela é a mais alavancada ( 16  vs. 10 na média dos 3 ), e tem a carteira de empréstimos crescendo a 43% a.a, enquanto seu PL poderia crescer a 25% a.a. apenas, caso não distribuísse nenhum dividendo. Ou seja, mantida a rentabilidade atual da CEF e a taxa de crescimento de seus empréstimos, a CEF deveria suspender imediatamente o pagamento de dividendos ao TN e, ao invés disto, receber R$ 4,6 bi em capital adicional do TN do B todo ano [ ( 43% – 25% ) x 25,612,552 ]
  • porém o quadro é ainda pior, pois o ROE representa a taxa de crescimento do Patrimônio Líquido destas instituições se e somente se elas não distribuírem nenhum dividendo, o que de fato não é o caso. No consolidado, tais instituições distribuíram, nos últimos 12 meses findos em Junho de 2013, o equivalente a 17% dos seus Patrimônios ( amarelo na tabela). Elas retiveram assim apenas 20% dos lucros obtidos  nos 12 meses findos em Junho de 2013. Logo, o seu Patrimônio cresce endogenamente a uma taxa  de 5% a.a. ( 22% – 17%) apenas, enquanto seus empréstimos crescem a 27% a.a.!
  • Portanto, todo o dinheiro recebido pelo TN na forma de dividendos, e mais algum, vai precisar ser aportado de volta para sustentar o crescimento dos empréstimos destas instituições, como já tem ocorrido.

Em finanças há alguns conceitos básicos, frutos do bom senso, da contabilidade e da aritmética, que determinam:

a. que todo crescimento de ativos que não for acompanhado de crescimento de patrimônio líquido gera aumento de endividamento e, portanto, de alavancagem, e há limites regulatórios para o aumento de alavancagem de bancos:

b. que o patrimônio só cresce com lucros retidos ( não distribuídos) ou através do aumento de capital aportado pelos seus acionistas;

c. se uma empresa cresce a taxa superior a seu retorno sobre o patrimônio, ela não deve distribuir dividendos, a não ser que queiramos aumentar sua alavancagem.

Se excluirmos o BB da amostra, que coincidentemente tem acionistas minoritários na bolsa e está sujeito a CVM e  a SEC americana, e portanto tem uma governança corporativa mais sólida, e nos concentrarmos no balanço consolidado da CEF e BNDES, ambos 100% controlados pelo TN do B, temos:

bndescefdiv

 

 

Vemos que, nos 12 meses findos em Junho último, as duas instituições lucraram  R$ 15 bi no total, porém distribuíram a seus acionistas R$ 22, 4 bi em dividendos ( 150% do lucro?!!) , uma vez que alguns lucros retidos no  passado  foram distribuídos. Estes R$ 22,4 bi representaram 0,4% do PIB em receitas para o governo central naquele período. Ou seja, se não fossem tais dividendos, o resultado primário do governo central acumulado até agora teria sido bem inferior. Se BNDES e CEF mantiverem, até o final do ano, o mesmo ritmo de dividendos pagos nos últimos 12 meses encerrados em setembro último, eles terão contribuído em R$ 16,4 bi ao superavit primário consolido esperado para o ano ( R$ 100 bi).  

Contudo, como a carteira de crédito destes dois bancos cresce a  28% a.a. ( vermelho) e seu ROE é de apenas 19% a.a. ( verde) , tais bancos não poderiam distribuir dividendos e, de fato, ainda teriam que receber injeções de capital adicionais do TN do B da ordem de R$ 7 bi por ano [ ( 28% – 19% ) x 80,764 ] para manter o nível atual de alavancagem. Ou seja, dada a dinâmica do balanço destas instituições, pagar dividendos desta maneira é completamente sem sentido e insustentável. Basta comparar os dados da CEF e do BNDES com os do BB para ver que há, nestes dois casos, algo profundamente errado: enquanto o BB só distribui 18% dos lucros que gera ( reteve 82% do lucro), os outros distribuíram dividendos equivalentes a 150% dos seus lucros!

Para que esta situação fique sustentável, é preciso que o governo mude a política atual de dividendos destes dois bancos e que tais bancos reduzam gradualmente o ritmo de crescimento de seus empréstimos para níveis compatíveis com a sua rentabilidade.

Mas qual o impacto disto nas contas públicas?

Como vimos acima, o superavit primário serve para pagar os juros da dívida. Se os recursos fiscais gerados  por  tais dividendos não geram caixa, uma vez que os governos são forçados a injetar mais recursos nos bancos do que recebem na forma de dividendos para poder atender sua necessidade futura de capital, não faz nenhum sentido contabilizar tais recursos como receita primária para este fim. Logo, cabe eliminar do superavit primário estes dividendos, pois o caixa assim gerado vai voltar para os bancos na forma de capital ou instrumentos de dívida,  o que impede a redução da dívida pública.

E, na medida em que tais dividendos são insustentáveis, e as receitas da privatização de Libra e do refins não devem ocorrer de novo em 2014, podemos dizer que o  superavit primário fiscal consolidado do setor público de fato está andando a:

( + ) R$ 60 bi , que é o ritmo atual de superavit do governo central

( – )  R$ 16 bi de dividendos da CEF e BNDES

( + ) R$ 20 bi em superavit dos estados e municípios

( =) R$ 64 bi, ou seja, 1,32% do PIB, por ano, 37% do que tínhamos até 2008.

Logo, as contas públicas precisarão ser equacionadas, e isto passará por aumento de carga tributária , a continuar o modelo atual de gestão.

Preparem-se para o Impostaço que vem por aí em 2015. Comecem a guardar dinheiro para não levar outro susto, como o do esquartejamento via IPTU, que aconteceu em Sampa. Lembrem-se de Tiradentes e da Inconfidência:

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domingo, 17 de novembro de 2013 Crise Brasileira, Politica Economica | 18:59

Mas cadê a poupança?

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Já falei aqui umas 26.753 vezes: não há como investir mais na produção se não gerarmos poupança interna. Se quisermos aumentar o investimento, seja ele público ou privado, financiado ou não pelo BNDES, mas sem aumentar a poupança interna, o déficit externo aumentará ainda mais. Isto não é teoria econômica, mas sim pura aritmética e contabilidade básica. Os pseudo keynesianos podem espernear, mas estou falando que 2 + 2  = 4.

E veja o gráfico azul abaixo que mostra a evolução de nossa taxa de poupança bruta, ou seja, a parcela do PIB anual ( renda)  que de fato é poupada e não consumida, desde 2000:

poupnacpib

Ou seja, nossa taxa de poupança,  que saiu de 14% do PIB em 2000 e bateu  quase 19% em 2008 ( verde), voltou ao que era em 2002 ( amarelo).

E veja o gráfico abaixo que mostra a correlação do crescimento do PIB com a taxa de poupança desde 2004:

pibpoup

 

O eixo horizontal indica a taxa de de crescimento do PIB enquanto o eixo vertical mostra a taxa de poupança correspondente. Os pontos azuis são as amostras trimestrais que levantei desde 2004. Os pontos vermelhos mostram a correlação entre a poupança e o crescimento, correlação esta manifestada nestes últimos 10 anos.

Ou seja, se o nosso PIB ficar crescendo estes míseros 2 ou 3% a.a. ( amarelo), nossa taxa de poupança dificilmente passa dos 17%. Se, por um milagre, nós conseguirmos acelerar nosso crescimento para 4,5% a.a., nossa taxa de poupança não sobe além dos 18%…. Ou seja, nossa taxa de poupança é muito, muito pouco elástica em relação ao PIB. Nem com o PIB andando a 7% a.a. conseguiríamos taxas de poupança acima de 19% do PIB. Logo, aquela hipótese que basta crescer que a poupança aparece, defendida pelos neo super keynesianos de buteco, não está rolando, como diz meu afilhado.

E veja o risco do modelo atual, no gráfico azul abaixo, que mostra a razão entre a taxa de crescimento do PIB daquele momento e a taxa de crescimento do consumo das famílias, desde 2004:pibconsumo

 

 

DE 2004 para cá o PIB ( produção de bens e serviços) cresceu, em média, a uma velocidade equivalente a 80% ( reta vermelha) da taxa de crescimento do consumo. Ou seja, pelo modelo atual, se desejarmos acelerar o PIB para 4% a.a., precisaríamos acelerar o consumo para 5% a.a. Não acho que isto seria viável, pois dadas as pressões inflacionárias e o mercado de trabalho aquecido, neste cenário a inflação iria disparar. Porém, assumindo por instante que isto fosse possível, com o consumo crescendo mais rápido que a produção, a poupança interna tenderia a cair ainda mais, pois:

poupança = renda ( ou produção) – consumo

Logo, se a renda ( produção) sobe menos que o consumo, a poupança cai! E com a poupança caindo, o déficit externo necessariamente aumentaria, elevando ainda mais nosso risco externo num momento em que os mercados externos começaram a virar as costas para nós.

Concluindo: como Mr. Palocci afirmou, o modelo foi pro saco. É hora de repensar a coisa. Mudar esta equação que está toda torta:

  • não conseguimos crescer mais pois há falta de mão de obra em todos os níveis, a produtividade não sobe pois gargalos continuam presentes e o estoque de capital não aumenta pois não investimos;
  • mesmo se conseguíssemos acelerar a produção, a poupança interna não sobe como esperado;
  • se tentarmos aumentar a produção acelerando ainda mais o crescimento do consumo, o PIB sobe junto, porém menos do que o consumo, o que acaba levando à queda da taxa de poupança, e consequentemente, a déficits externos crescentes.
  • e se tentarmos acelerar o investimento na marra, sem aumentar a poupança, iremos criar déficits externos ainda maiores.

Ou o governo muda o ” modelo”, ou os desequilíbrios só aumentam, nos deixando fadados a:

  • manter juros elevados e, portanto, ter um crescimento pífio, o que nos levará a sérios problemas fiscais nos próximos anos, ou
  • a aumento do déficit externo, nos levando a uma crise cambial, ou
  • a um aumento da inflação, nos levando a uma crise monetária.

Ou seja, precisamos fazer reformas. E o tempo passa, como diria o saudoso Fiori Giglioti:

http://www.youtube.com/watch?v=ATUWncVJVOM

 

fiori

 

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quinta-feira, 14 de novembro de 2013 Brasil, Investimentos, Politica Economica | 15:35

Reformas já: Brasil e China

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Peço aos leitores que leiam o texto abaixo, retirado do Jornal Valor Econômico desta quinta feira:

Na primeira etapa {da crise de 2008}, os países emergentes vinham de um longo período de bons ajustes macroeconômicos e de grande acúmulo de reservas. Por isso, reagiram rápido, cada um utilizando sua própria força motriz: o Brasil, que crescia baseado na ampliação da renda e do consumo, dobrou a aposta e a China, que sustentava seu PIB principalmente no investimento e no saldo comercial, forçou mais o investimento.

Na segunda onda da crise, foi diferente. Havia um esgotamento do ciclo. Não bastaria para o Brasil promover mais consumo, aumentando a dívida das famílias e do governo, e não bastaria para a China ampliar ainda mais o investimento, com nova expansão do crédito a governos locais e empresas estatais, com eficiência cada vez mais duvidosa. Fazer isso seria esticar a corda no limite e preparar um quase certo desastre posterior. Por isso, o Brasil, a China e todos os grandes países emergentes desaceleraram com a crise do euro, o segundo mergulho da crise.

Essa avaliação é vista com surpresa pelos analistas chineses. Para eles, há um esgotamento do modelo chinês, e outros problemas com países como o Brasil. Tento dizer a eles que, na verdade, enfrentamos o mesmo problema, a crise financeira mundial, com impactos diferentes em nossas economias. E com necessidades diferentes para o futuro. De alguma forma, o Brasil precisa ser mais China – priorizar investimentos – e a China ser mais Brasil – fomentar o consumo interno. Em 2012, como componente do PIB pelo lado da demanda, o consumo privado na China respondeu por apenas 35%, quando no Brasil foi de 61%. Por outro lado, o investimento na China respondeu por 48% e, no Brasil, apenas 19%.

A boa notícia é que as economias mais desenvolvidas estão retomando. Mas não será óbvio crescer no próximo período. Para repetir o sucesso do último ciclo, os emergentes terão que trabalhar dobrado, fazendo reformas e aperfeiçoamentos institucionais, ganhando produtividade. Eles concordam. No Cicir, que tem grande influência nas políticas governamentais, todos são reformistas.

 

Trata-se de um trecho do excelente artigo escrito pelo Min. Palocci, articulador da política econômica do governo Lula, que esteve recentemente na China, observando o que os comunistas chineses estão fazendo em termos de reformas capitalistas.

Como está dito aí:

a. o nosso modelo também se esgotou.

b. logo, precisamos fazer reformas.

c. e precisamos aumentar investimento do capital privado na economia, reduzindo nossa dependência do consumo.

Porém para que isto ocorra, precisaremos gerar mais poupança, senão o déficit externo explodirá. A China poupa mais de 50% do PIB, e nós, míseros 17%.  Logo, as reformas deverão ter como objetivo aumentar a poupança interna, que nada mais é do que o capital público e privado que está disponível para financiar o investimento. Se isto acontecer, o juro cai, e com juro menor, com estabilidade de regras, com estímulos fiscais alinhados e com ambiente econômico favorável, o investimento do capital da chamada ” iniciativa privada”  vem naturalmente, pois um capitalista dos bons gosta de lucro, já que vive do lucro sobre o seu capital investido. Já os socialistas preferem o Estado. Porém na ora de investir, precisamos de mais capitalistas, né?

Esta é a lógica da acumulação do capital e do comunismo. Primeiro você deixa a turma acumular capital dentro da mecânica normal capitalista, criando mais riqueza, e depois você assume o poder e a divide, seja através de reformas socialistas de fato ( não assistencialistas… socialistas, entende??), ou via revolução comunista, se apropriando dos meios de produção… né, Marx?

Nossos socialistas precisam aprender com os comunistas Chineses: se de fato o nosso governo pretende aumentar o investimento de capital privado, ele precisa:

1. fazer este capital aumentar ( ou seja, aumentar poupança interna ), aumentando sua oferta, e reduzindo assim o custo do capital para o capitalista empresário ( China fez isto há 15 anos);

2. reduzir o custo e o risco nos investimentos, tornando ambiente regulatório e tributário mais amigável ao capital e menos volátil, pois, como diz um amigo meu empresário: cada dia no Brasil temos um susto novo, parece até trem fantasma!!! ( China fez isto…leia artigo do Ministro…)

3. aumentar o retorno destes investimentos, tornando-os mais atraentes, de tal forma que seja mais interessante investir do que gastar a grana com consumo.

Ou seja, transforme nossa sociedade consumista estatizante em capitalista empreendedora.

E parece que o Socialista Rui Falcão também concorda com isto:

Rui Falcão: Presidente reeleito do PT defende investimento privado 

 
O presidente nacional do PT, deputado estadual de SP, Rui Falcão, foi reconduzido ao comando da legenda, com a vitória mais expressiva desde que a sigla adotou, em 2001, o Processo de Eleições Diretas (PED).
Com 79% das urnas apuradas, o parlamentar paulista alcançava 70,2% de um total de 337.604 votos válidos.
Os melhores desempenhos registrados no primeiro turno dos quatro PEDs anteriores eram de José Eduardo Dutra, com 57,9%, em 2009, e de José Dirceu, com 55,6%, em 2001.
A reportagem é de Cristian Klein e publicada pelo jornal Valor nesta quarta-feira (13).
A principal tarefa de seu mandato, de quatro anos, anunciou Rui Falcão, será trabalhar a reeleição da presidente Dilma Rousseff.
Diferentemente das últimas disputas presidenciais, no entanto, quando a estratégia foi a de criticar privatizações realizadas no governo Fernando Henrique Cardoso, o PT lançará mão de um novo discurso.
É o que indicou Rui Falcão, ao ser questionado pelo Valor se um eventual segundo governo Dilma manterá a marca social das gestões petistas sob um orçamento mais apertado.
Rui Falcão afirmou que há a necessidade de uma reforma tributária (????) e de mais investimentos da iniciativa privada.

Leia mais em:

http://www.valor.com.br/cultura/3337966/o-dilema-de-pequim#ixzz2kdoaKck7

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domingo, 10 de novembro de 2013 bizarro | 10:07

O populismo surreal na Venezuela ¨bolivariana¨

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O governo venezuelano, nosso aliado e parceiro importante, com a economia em frangalhos, apela ao Papai Noel:

 

O  presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, participa da abertura da Feira de Natal 2013, em Caracas, na qual anunciou a assinatura de um decreto antecipando o Natal para novembro

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, assinou um decreto no qual antecipou o Natal, comemorado em 25 de dezembro, para o dia 1º de novembro.

Segundo Maduro, o objetivo da medida é garantir “felicidade para todo o povo” e derrotar a amargura.

“Hoje, sexta-feira, 1º de novembro, quisemos decretar a chegada do Natal. Queremos a felicidade para todo o povo, a paz”, disse Maduro durante a Feira Natalina Socialista 2013, na capital Caracas.

“O Natal antecipado é a melhor vacina para aqueles que querem inventar tumulto e violência. Aqueles que andam amargurados por aí terão uma canção natalina para alegrar a alma”, continuou o presidente.

Maduro também aproveitou a ocasião para rebater as críticas ao recém-criado Vice-Ministério para a Suprema Felicidade Social do Povo Venezuelano.

“Ninguém poderá com a gente, ninguém poderá com a felicidade e o direito à paz, ninguém poderá com o nosso direito de viver e de ter um bom Ano-Novo. Novembro e dezembro têm que ser um bom fim de 2013, para que seja premonitório do que será um tremendo 2014 para a economia e a sociedade”, concluiu.

 

http://oglobo.globo.com/mundo/maduro-decreta-natal-antecipado-na-venezuela-10678222

http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2013/11/05/em-nome-da-felicidade-maduro-antecipa-natal/

 

Quem sabe assim o Papai Noel tira a economia do Buraco.

Já por aqui,  o Papai Noel distribui  dinheiro social a através do BNDES, CEF, BB, seguro desemprego, fraudes e gastos públicos…

 

 

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sexta-feira, 8 de novembro de 2013 Crise Brasileira, Politica Economica | 10:23

A derrama socialista e a reforma comunista

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E A DERRAMA COMEÇA A TOMAR FORMA…

Como tenho colocado aqui, fica clara a intenção de prosseguir com aumento do gasto público financiado por mais impostos, afastando de vez a hipótese de algum ajuste nas contas públicas e aumentando o peso do Estado sobre a economia e a carga que o setor privado precisa carregar:

http://www.valor.com.br/politica/3327826/uma-agenda-para-o-segundo-mandato

 

Veja alguns trechos tirados do artigo reforçando que a agenda socialista toma forma:

 

Uma agenda para o segundo mandato – valor 5/11

Por Raymundo Costa

Assim como anteciparam a campanha sucessória, governo e PT também começaram a discutir uma agenda para o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. Não se trata propriamente do programa a ser discutido no horário eleitoral ou nos debates entre candidatos, mas aquele efetivamente a ser posto em prática, se Dilma se reeleger.

Nas palavras de um integrante do grupo precursor da campanha de Dilma, “nós temos que criar condições na sociedade para que a Dilma, assim como o Lula, possa fazer um segundo mandato melhor que o primeiro” – um governo capaz de avançar com as reformas estruturais, em especial com a reforma tributária, agenda insolúvel das últimas décadas.

Em especial porque é estreita a margem de manobra para a presidente manter ou ampliar os investimentos sociais, marcas dos governos do PT. A alternativa à vista é o aumento da arrecadação. Em duas palavras: aumento de impostos.

Mais imposto para manter o investimento social

Especialmente porque, ao invés de se discutir cortes para ampliar o investimento, e não só no social, o debate é sobre como aumentar a arrecadação. “Não há como dar conta da chamada voz das ruas com a estrutura tributária atual, que é uma estrutura injusta”, diz a fonte da campanha. “Agora, o governo não vai falar disso no horário eleitoral “, afirma. “O PT é quem tem que travar uma luta partidária, permanente, inclusive fora da campanha eleitoral para defender a necessidade da reforma tributária. Não é só o negócio da reforma fiscal”.

As diferenças no PT e parte do governo é quanto à forma. A esquerda acredita que as reformas necessárias não serão feitas sem quebrar o atual arco de alianças políticas do governo, inclusive com o maior partido aliado, o PMDB. O raciocínio parte do pressuposto segundo o qual acabou o tempo de bonança, em que todos ganharam, e que para avançar alguém terá que perder. Em resumo, não haverá mais como manter o padrão de consumo, a elevação do salário mínimo, a ascensão social, se não houver o acirramento da luta de classes.

A alternativa que a centro-esquerda considera viável é avançar nas mudanças estruturais com a atual aliança partidária. O problema, argumenta-se, é que “os neoliberais” incutiram na sociedade que imposto é uma coisa ruim. No entanto, vista de perto, “a maior carga tributária do mundo”, no fundo seria distribuída injustamente e altamente regressiva.

Os socialistas colocando a manguinha de fora por aqui, enquanto os comunistas chineses preparam uma nova onde de reformas pró mercado, aprofundando as mudanças iniciadas em 92…. tudo isto por que crescimento lá caiu para míseros 7% a.a…. Depois reclame que não crescemos…. 1 +1 = 2….

 

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quarta-feira, 6 de novembro de 2013 ataques especulativos, Crise Brasileira, Politica Economica | 11:08

A relação de amor e ódio com os mercados

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Há uma semana o Secretário Arno do TN do B comentou:

Segundo o secretário, a demanda pelos títulos ofertados na semana passada foi altíssima. Augustin comentou o relatório fiscal do mês de setembro, que foi divulgado nesta quinta-feira.

Segundo informou o Tesouro no dia 24, foram emitidos  US$ 3,25 bilhões em bônus globais com vencimento em 2025, remunerados semestralmente a uma taxa de juros  de 4,25% ao ano. Incluindo o deságio sobre o valor de face dos papéis na colocação, o retorno para o investidor será de 4,305% ao ano.

O secretário do Tesouro reiterou que o Brasil tem fundamentos sólidos e uma mostra disso é a demanda elevada dos investidores por títulos do país tanto no mercado interno como no externo. 

“Eu olho muito o que o mercado faz. E […] tivemos em setembro a maior demanda por colocação de títulos internos da dívida brasileira. Fizemos uma colocação recorde. Se alguém do mercado tivesse dúvida sobre os fundamentos, não demandaria tantos os títulos do Brasil”, afirmou.

O secretário lembrou ainda que a captação externa realizada recentemente (lançamento de papel e recompra de títulos antigos) teve uma demanda de US$ 10 bilhões.  

“A demanda pelo Brasil está muito forte e muito presente. O mercado, ao olhar os fundamentos brasileiros, conclui que é um país que ele gostaria de comprar títulos. Esta é a realidade”, comentou.

 

http://www.valor.com.br/brasil/3323540/demanda-elevada-por-titulos-mostra-confianca-no-pais-diz-augustin#ixzz2jmNb6DE6

Ontem ele disse que:

 “…. A política fiscal brasileira está sob “ataque especulativo”, segundo o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin. Após a forte reação negativa do mercado financeiro ao déficit das contas públicas em setembro, o secretário rejeitou a avaliação de que os preços dos títulos públicos, das taxas de juros e do câmbio já embutem um prêmio adicional decorrente do risco de piora fiscal no País….”

 

http://economia.estadao.com.br/noticias/economia-geral,politica-fiscal-do-governo-sofre-ataque-especulativo-diz-secretario-do-tesouro,169297,0.htm

 

MEU PITACO:

Senhor Secretário, por favor decida se o mercado nos ama ou nos odeia, pois ou há demanda por títulos ou há ataque especulativo, né?

E se mercado estava certo quando as coisas iam bem, por que o senhor procura agora desqualificar  os sinais negativos que vêm do próprio mercado que antes te elogiou ? Afinal o senhor não falou que olha o que os mercados fazem??

Ou o senhor pensa como Clara Nunes:

Você pagou com traição
A quem sempre lhe deu a mão
Você pagou com traição

E Secretário Arno, a gestão fiscal do governo sob sua responsabilidade não está nenhuma Brastemp não…

http://mais.uol.com.br/view/tvb2qpz0dx0m/nao-e-assim-uma-brastemp-04020E183072DC892326?types=A

Hilário, se não fosse muito triste.

Ai que saudades de alguns que por ali passaram:

Tarcísio José Massote de Godoy 
(Dez/2006 a Jun/2007)
Tarcísio José Massote de Godoy, nascido em Campo Belo – Minas Gerais em 1964, é servidor da Carreira Finanças e Controle do Tesouro Nacional desde 1993. É Mestre em Economia do Setor Público pela Universidade de Brasília (2008), onde formou-se em Engenharia Civil em 1985 e concluiu o curso de pós-graduação em Geotecnia em 1991. Especializou-se em Sistemas de Previdências pela Wharton School, da Universidade da Pensilvânia – EUA, em 1994, e em Economia pelo Instituto Minerva, na Universidade George Washington – EUA, em 1998. Iniciou sua carreira como Engenheiro de Portos e Vias Navegáveis da Companhia Docas da Bahia em 1986. A partir de 1992, ocupou vários cargos no setor público federal, destacando-se: Coordenador-Geral e Secretário-Adjunto de Previdência Complementar do Ministério da Previdência e Assistência Social; Coordenador-Geral de Assunção e Reestruturação de Passivos e Coordenador-Geral de Administração da Dívida Pública e Secretário-Adjunto da área de política fiscal do Tesouro Nacional. Em dezembro de 2006 foi designado Secretário do Tesouro Nacional, Interino.
Carlos Kawall Leal Ferreira 
(Abr/2006 a Dez/2006)
Nascido em 1961 na cidade de São Paulo, é formado em Economia pela Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (USP), em 1982. Obteve o Mestrado pelo Instituto de Economia da Universidade de Campinas (IE/Unicamp) em 1987 e defendeu tese de Doutorado também no IE/Unicamp, em 1995. Iniciou sua carreira como pesquisador na Fundação do Desenvolvimento Administrativo (Fundap), em São Paulo, onde desenvolveu diversos estudos sobre os sistemas financeiros brasileiro e internacional. Sua experiência profissional inclui atuações no Banespa (1991/1994), como assessor da Vice-Presidência de Investimentos, na Companhia Energética de São Paulo (CESP), como assessor da diretoria financeira, e na Eletropaulo, como assessor da Presidência. Há dezoito anos é professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (atualmente licenciado), onde ministra cursos nas áreas de sistema financeiro e finanças públicas no Programa de Mestrado em Economia Política. Foi por oito anos economista-chefe do Citigroup do Brasil, como responsável pelas análises macroeconômicas relativas à economia brasileira para a área de pesquisa econômica da instituição. No ano de 2004, foi nomeado Diretor Financeiro e de Mercado de Capitais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES). Em abril de 2006, foi designado Secretário do Tesouro Nacional.
Joaquim Vieira Ferreira Levy
(Jan/2003 a Mar/2006)
Nascido em 1961 no Rio de Janeiro e formado em Engenharia Naval, obteve o Doutorado em Economia pela Universidade de Chicago em 1992 e o Mestrado em Economia pela FGV em 1987. Iniciou sua carreira em 1984, no Departamento de Engenharia e na Diretoria de Operações da Flumar S/A Navegação. Foi professor do curso de mestrado da Fundação Getúlio Vargas em 1990, antes de integrar os quadros do Fundo Monetário Internacional, onde, de 1992 a 1999, ocupou cargos nos Departamentos do Hemisfério Ocidental, Europeu I e de Pesquisa, em particular nas Divisões de Mercado de Capitais e da União Européia. No período de 1999 a 2000 exerceu, como economista visitante no Banco Central Europeu, atividades nas Divisões de Mercado de Capitais e de Estratégia Monetária. No ano de 2000 foi nomeado Secretário-Adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, e, em 2001, Economista-Chefe do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Em janeiro de 2003, foi designado Secretário do Tesouro Nacional.
Eduardo Refinetti Guardia
(Mai/2002 a Dez/2002)
Eduardo Refinetti Guardia, nascido em 1966 em São Paulo, é Doutor em Economia pelo Instituto de Pesquisas Econômicas da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo FIPE/USP e Professor do Departamento de Economia da Faculdade de Economia e Administração – FEA, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Antes de ser nomeado Secretário do Tesouro Nacional, em abril de 2002, ocupou as funções de Secretário-Adjunto do Tesouro Nacional, Assessor Especial do Ministro da Fazenda, Secretário-Adjunto da Secretaria de Política Econômica e Assessor do Ministro do Planejamento; no Governo do Estado de São Paulo, as funções de Chefe da Assessoria Econômica do Secretário-Adjunto da Secretaria da Fazenda, Assessor do Secretário do Planejamento e Pesquisador da Área Fiscal do Instituto de Economia do Setor Público da Fundação para o Desenvolvimento Administrativo – IESP/FUNDAP.
Fabio de Oliveira Barbosa
(Jul/1999 a Abr/2002)
Fabio de Oliveira Barbosa nasceu em Uberaba, Minas Gerais, em 1960. Economista, com mestrado em Teoria Econômica pela UnB e especialização em Política e Programação Financeira no FMI. Servidor público desde 1984, trabalhou nos Ministérios de Indústria e do Comércio, do Trabalho e do Planejamento, no IPEA e no Governo do Estado do Paraná. Por dois anos e meio foi assessor do Diretor-Executivo no Conselho de Administração do Grupo Banco Mundial, em Washington-EUA. Antes de ser nomeado Secretário do Tesouro Nacional, em julho de 1999, ocupou, no Ministério da Fazenda, as funções de Secretário-Adjunto responsável pela administração da dívida pública e de assessor especial do Ministro.
Eduardo Augusto de Almeida Guimarães
(Nov/1996 a Jun/1999)
Nascido em 1946 no Rio de Janeiro, tem PhD em Economia pela Universidade de Londres e Mestrado em Engenharia da Produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Foi Professor do Instituto de Economia da UFRJ, do Departamento de Economia da Faculdade de Economia e Administração da Universidade Federal Fluminense (UFF) e do Departamento de Economia da PUC do Rio de Janeiro. Antes de ser nomeado Secretário do Tesouro Nacional, em 1996, foi Técnico do IPEA , economista da FINEP, Diretor do Instituto de Economia Industrial da UFRJ, Diretor de Pesquisa, Diretor-Geral e Presidente do IBGE. Também exerceu atividades de consultoria junto a diversos organismos internacionais.
Murilo Portugal Filho
(Out/1992 a Nov/1996)
Murilo Portugal nasceu no Rio de Janeiro em 1948. Bacharel em Direito pela Universidade Federal Fluminense, obteve um Diploma com Distinção em Desenvolvimento Econômico pela Universidade de Cambridge, e o título de mestre em Economia na Universidade de Manchester. Antes de assumir o cargo de Secretário do Tesouro Nacional, em outubro de 1992, foi Assessor e Assessor-Chefe de Assuntos Macroeconômicos na Secretaria-Geral da Presidência da República, Assessor do Chefe de Gabinete da Presidência da República, Técnico de Planejamento e Pesquisa do IPEA, Chefe da Divisão de Cooperação Técnica e Secretário-Adjunto de Cooperação Internacional do Ministério do Planejamento e Oficial de Chancelaria no Ministério das Relações Exteriores
Roberto Figueiredo Guimarães
(Mar/1990 a Out/1992)
Nasceu em São Paulo, em 1959. Bacharel em Ciências Econômicas pela AEUDF – Associação de Ensino Unificado do Distrito Federal, com Mestrado em Economia pelo IPE/FEA/USP. Antes de exercer o cargo de Diretor do Departamento do Tesouro Nacional (antigo nome da STN), foi Diretor Financeiro da Construtora Remol Ltda, Estagiário do IPEA, Analista Econômico da Serfina S.A. Administração e Participações e Professor do Departamento de Economia da AEUDF. Ocupou diversos cargos no Tesouro Nacional, como Assessor Econômico, Diretor da Divisão de Estatística e Informações, Diretor da Divisão de Dívida Pública e Coordenador de Administração da Dívida Pública.

 

Senhores, muito obrigado. A gente só sente falta quando perde as coisas…..

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