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Arquivo da Categoria Bancos

domingo, 29 de novembro de 2015 Bancos, Crise Brasileira, Juros no Brasil, Politica Economica | 15:30

O ajuste inevitável no crédito interno

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Tenho lido na mídia que o governo estaria pensando em promover uma expansão maior do crédito. De fato tem havido uma enorme desaceleração na taxa de crescimento real da carteira de crédito dos bancos. Porém, é preciso ter em mente que o crédito vinha crescendo a taxas insustentáveis e que precisava se desacelerar.  Logo, é preciso tomar cuidado com medidas que visem ampliar o crédito interno.

Entenda mais em :

http://bicadasdogallo.blogspot.com.br/2015/11/o-ajuste-necessario-no-credito.html

 

 

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quarta-feira, 28 de outubro de 2015 Bancos, Crise Brasileira, Empresas | 12:39

Endividamento das empresas traz preocupação

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A combinação de:

  • queda das vendas
  • pressão de custos
  • juros elevados
  • endividamento crescente
  • limitações na oferta de crédito por parte dos bancos públicos por restrições fiscais

cria um cenário preocupante para a oferta de crédito privado para empresas de todos os portes, em particular para aquelas que se endividaram e investiram em excesso nos últimos anos para aproveitar o crescimento da demanda que, não só não veio, como afundou.  Tenho alertado para este risco aqui já há algum tempo. Com uma oferta de crédito mais limitada e com as empresas com saúde financeira mais fragilizada, fica difícil apostar numa rápida recuperação de nossa economia.

Por outro lado, se equacionarmos o lado fiscal, garantindo a estabilidade dos gastos públicos e da dívida pública no médio prazo, abre-se assim um caminho enorme para uma forte redução nas taxas de juros reais.

Para entender melhor como chegamos a esta situação, leia este post:

http://bicadasdogallo.blogspot.com.br/2015/10/o-filme-macro-economico-da-crise-de.html

E lembrem-se do conselho de Benjor:

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2015/09/17/dica-aos-empresarios/

 

 

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quarta-feira, 14 de outubro de 2015 Bancos, CHINA, Crise global, Juros EUA | 11:34

Fed com um olho na Ásia

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Fed tem mais um problema na lista: crise de crédito na Ásia. Tudo indica que uma elevação dos juros americanos possa detonar uma crise na Ásia, onde, mesmo com as suas enormes reservas cambiais,  crédito poder se tornar uma baita problema….

http://bicadasdogallo.blogspot.com.br/2015/10/o-que-esta-de-fato-segurando-o-fed.html

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domingo, 16 de agosto de 2015 Bancos, Câmbio, Crise Brasileira, Politica Economica | 22:56

Reservas cambiais: blindagem ou anestésico?

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O debate sobre se o governo deveria ou não vender parte das reservas cambiais neste momento tem se intensificado recentemente. Recentemente postei um artigo sobre os custos de se manter tais reservas e os ativos do BNDES e seu impacto nos resultados do governo:

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2015/08/09/bndesreservasviloes/

De fato, um volume maior de reservas serve como um seguro, uma blindagem contra crises de balanço de pagamentos. Mas vamos entender como eles funcionam.

Reservas internacionais são formadas através de compras, por parte do BC, de divisas (dólares) no mercado à vista de câmbio junto a bancos quando há uma oferta maior do que a demanda por divisas no mercado a determinado nível de preço. Os bancos compram os dólares junto a exportadores ou investidores que querem investir aqui e os revendem ao BC, que acha atrativo adquirir dólares naquele preço. O BC assim emite R$ em favor do banco vendedor das divisas e recebe, em contrapartida, os dólares no exterior. O banco por sua vez credita tais R$ na conta de seus clientes  que lhe venderam as divisas, que são repassadas ao BC. Tais divisas recebidas pelo BC são investidos em títulos de renda fixa no exterior, normalmente de dois ou três anos de prazo, emitidos por instituições fortes e de elevada qualidade de crédito, como o Tesouro Americano, Inglês, Alemão, etc.

Mas o que acontece com os R$ emitidos pelo BC? Eles ficam circulando livremente na economia. Para evitar que os juros caiam de forma abrupta, o BC  toma emprestados tais R$ através de operações compromissadas de curto prazo (até 180 dias). Tais operações na prática são depósitos remunerados feitos pelos bancos junto ao BC a taxas fixas, próximas às pagas pelo Tesouro Nacional em seus papéis, e com garantia em títulos públicos de emissão do próprio Tesouro que se encontram na carteira do BC. Estas operações compromissadas, embora tenham prazo superior a um dia, podem ser negociadas com outros bancos e utilizadas para gerar liquidez para os bancos. OU seja, um banco que precisa de recurso pode usar os títulos recebidos do BC em tais operações e captar recursos de outros bancos, dando estes mesmos títulos em garantia. Ou seja, tais operações compromissadas têm as características de uma conta remunerada que pode ser sacada pelos bancos para fazer novos empréstimos ou honrar seus depósitos a qualquer momento. Em 30 de junho havia cerca de R$ 816 bi em tais operações compromissadas junto ao BC com prazo médio de pouco mais de um mês.

Uma parte dos R$ que são depositados nas contas dos investidores ou exportadores junto aos bancos permanece ali depositada. O BC então exige que uma fração de tais recursos fique depositada junto ao próprio BC e, portanto, não possa ser emprestada pelo banco. Ou seja, estes recursos ficam de fato esterilizados, diferentemente do que ocorre com os recursos investidos no BC através as operações compromissadas que podem ser prontamente transformados em empréstimos. Em junho último havia cerca de R$ 344 bi depositados no BC de forma compulsória por parte dos bancos.

O montante total de reservas que tínhamos em 30 de junho era de US$ 368 bi, ou o equivalente a R$ 1140 bi.Ou seja, um montante equivalente ao total de operações compromissadas e de depósitos compulsórios mantidos no BC.

Mas como o BC atua no mercado cambial?  Além de comprar divisas e acumular reservas, o BC atua de outras formas no mercado cambial:

  • Ele vende e compra swaps cambiais, que são operações de derivativos, onde o comprador recebe (ou paga, dependendo do comportamento da cotação do dólar) no seu vencimento a variação cambial ocorrida desde a sua contratação sobre um valor previamente estabelecido, ao mesmo tempo em que paga ao vendedor  os juros CDI acumulados no período subtraído do tal coupon cambial sobre o mesmo valor. Desta forma o BC, ao vender tais swaps, oferece proteção cambial aos interessados sem ter que entregar suas divisas. Tal proteção tem data marcada para vencer. Quando o dólar sobe acima dos juros cobrados nestes swaps, o BC perde em tais operações e vice versa. O saldo destas operações de swap era de R$ 336,9 bi em junho último, onde o BC está pagando ao mercado a variação cambial sobre tais valores e recebe CDI subtraído do coupon, que é fixado no dia dos leilões de swap.
  • Uma segunda forma de atuação é através das operações de linha, onde o BC empresta dólares das reservas aos bancos por um prazo determinado e aceita depósitos em R$  em garantia. Com tais dólares, os bancos podem financiar importadores e outros clientes que precisem honrar compromissos no exterior mas não possuam as divisas ou caixa em R$ para comprar dólares à vista no mercado. Os dólares assim emprestados aos bancos saem das reservas pelo prazo do empréstimo, voltando para as reservas no seu vencimento. Os R$ depositados pelos bancos no BC como garantia em tais empréstimos ficam bloqueados até o vencimento dos empréstimos. O volume destas linhas hoje está ao redor de US$ 3 bi.

Mas por que o BC prefere oferecer hedge ao mercado via swaps e não vende diretamente as reservas cambiais, da mesma forma que as comprou?

O principal argumento daqueles que concordam com a forma de atuar de nosso BC é que reservas elevadas nos protegem durante crises de fluxo de capital estrangeiro. Se por algum choque externo o fluxo de divisas para o Brasil for insuficiente para cobrir nossas obrigações externas, o BC sempre pode usar tais reservas para evitar que tal crise tenha um impacto mais dramático. De fato temos uns US$ 130 bi em obrigações decorrentes de nossa dívida externa vencendo nos próximos 12 meses e um déficit em conta corrente que chegou a mais de US$ 90 bi nos últimos 12 meses. Ou seja, se os fluxos externos secarem de vez, precisaremos de cerca de  US$ 220 bi das reservas para financiar nossas obrigações previstas para os próximos 12 meses. Estes US$ 220 bi representavam em junho, com o PIB ao redor de R$ 5,7 tri e o US$ a 3,10, R$ 682 bi ou 12% do PIB.

As reservas de quase de US$ 370 bi dão a nossos credores e às agencias de classificação de risco um conforto que o Brasil terá recursos para honrar suas obrigações externas de curto prazo, caso ele queira usar suas reservas para tanto. Este conforto impede que a taxa de risco país, que é cobrada quando empresas e o governo Brasileiro captam recursos no exterior, aumente. As reservas elevadas acabam reduzindo assim o custo de capital de quem acessa linhas no exterior. Além disto, um volume de reservas maior reduz a volatilidade da taxa de cãmbio, pois oferece certo conforto aos capitais internacionais mais voláteis que vêm ao país em busca de ganhos nos mercados de renda fixa em função dos juros locais elevados que pagamos. Reservas maiores significam que haverá maior abundância de divisas caso os investidores, que estejam com recursos de curto prazo aqui, queiram sair do país. Isto diminui o ímpeto na saída dos recursos e estimula a sua entrada. De fato, investidores estrangeiros têm mais de US$ 145 bi (8% do PIB) investidos em títulos da dívida pública interna do governo federal (LTNs e NTNs) se aproveitando dos juros elevados que aqui pagamos.

Reservas maiores impedem também que desvalorizações cambiais maiores ocorram, o que aumentaria o custo dos bens importados e a inflação, assim como os custos de viagens ao exterior.

Reservas maiores também ajudam os bancos locais nas operações de crédito em moeda estrangeira. Os bancos locais se endividam lá fora em dólares para financiar suas operações de empréstimos em moeda forte. Caso haja um corte abrupto na oferta de linhas e de depósitos externos para estes bancos, haveria um aperto de liquidez que poderia reduzir de forma expressiva o crédito disponível para as empresas locais que dependem dos bancos para se financiar em dólares. Isto aumentaria a inadimplência e as perdas para os bancos. As reservas elevadas dão conforto a tais bancos para que estes possam emprestar tranquilamente seus recursos captados no exterior por prazos mais longos, pois o BC atuará como um emprestador de última instância em US$ nos momentos de crise cambial.

Esta blindagem externa também nos provê um amortecedor nos momentos de abuso fiscal (crescentes déficits fiscais e dívida do governo) ou monetário (inflação acima da meta e subindo) que, caso as reservas cambiais fossem menores, poderiam reduzir fluxo de capital externo ao país e provocar a alta do dólar.

Outro benefício indireto das reservas está centrado no efeito monetário que sua expansão causa.  Como nosso BC optou por usar um mecanismo de absorção dos R$ gerados pelo o aumento das reservas que de fato não os esteriliza, o crédito bancário interno recebe um impulso extra toda vez que as reservas sobem. Os BC´s de vários países do mundo utilizam depósitos compulsórios sobre os bancos para financiar o aumento de reservas. Eles vão elevando os depósitos compulsórios sobre o sistema na medida em que as captações em moeda estrangeiras dos bancos vão subindo. E quando o fluxo de capital estrangeiro entra na forma de financiamento direto as empresas, o BC daqueles países emitem títulos de médio prazo (seis meses a um ano) para esterilizar tais reservas. Já aqui, onde o nosso BC entrega Reais ao sistema e os esteriliza por pouco mais de 30 dias, em um mês o dinheiro está livre para ser gasto e emprestados pelos bancos. Isto dá um enorme estímulo à expansão de crédito. No Brasil, o caixa total líquido dos bancos é inferior ao total de operações compromissadas do BC. Ou seja, a liquidez das reservas é responsável por mais de 100% da liquidez total dos bancos.

Assim, à primeira vista as reservas elevadas justificariam o alto custo que pagamos para mantê-las.

Porém aqui seguem algumas questões fundamentais:

  • É muito difícil se fazer algum exercício contra factual crível e avaliar assim como estaríamos hoje caso tivéssemos menos reservas do que hoje temos. Ou seja, ninguém questiona que as reservas de fato trazem benefícios, mas é muito difícil avaliar qual o benefício adicional que elas nos trazem vis a vis um cenário de menores reservas. Logo, qualquer análise de custo x benefício fica muito difícil.
  • Hoje os custos de manutenção destas reservas são pagos por toda a sociedade através de nossos impostos e de restrições à expansão dos gastos sociais por parte do governo, pois tais custos demandam superávits primários mais elevados, como já mostrei em outro post. Desta forma, aqueles que se beneficiam mais diretamente das reservas elevadas (bancos, grandes empresas que acessam mercado externo, investidores internacionais de renda fixa, importadores) são indiretamente subsidiados pelos contribuintes.

Há também uma questão de dano moral (moral hazard).  Na medida em que o custo deste seguro, desta blindagem, é socializado e o seu benefício fica concentrado, isto pode viabilizar alguns comportamentos nocivos ao andamento da econômica como um todo:

  • Governos populistas podem abusar dos benefícios propiciados pelas reservas excessivas e adotar políticas fiscais e monetárias irresponsáveis, uma vez que a disciplina que seria imposta pelos mercados nestes momentos fica anestesiada pelas reservas externas. Reservas elevadas criam assim estímulos para políticas econômicas irresponsáveis.
  • Grandes empresas com acesso aos mercados de capitais internacionais captam recursos em condições mais favoráveis, indisponíveis no mercado doméstico de crédito, o que as acaba induzindo a condução de empreendimentos mais arriscados, com maior alavancagem e de retorno incerto.
  • Importadores se aproveitam da estabilidade cambial e dos longos períodos de baixa volatilidade cambial que tais reservas trazem e montam operações de importação que não seriam viáveis em outros momentos, o que acaba prejudicando os exportadores e os produtores locais.
  • Liquidez excessiva dentro do sistema bancário viabiliza operações de crédito mais longas e mais arriscadas do que seria razoável, o que pode acabar criando bolhas de ativos, alavancagem excessiva e patrocinando déficit externos maiores do que aqueles que seriam normalmente tolerados com estoques menores de reservas. Isto acaba aumentando a vulnerabilidade do sistema de financeiro local.
  • Reservas elevadas aumentam a necessidade de financiamento do setor público, pois elevam a dívida bruta total que precisa ser rolada nos mercados. Este processo, adicionado ao custo fiscal que elas geram, acaba por pressionar as taxas de juros de longo prazo.
  • Reservas elevadas reduzem a potência da política monetária, da mesma forma que os repasses do BNDES. Aumento de reservas cambiais esterilizadas por depósitos de 30 dias funcionam, neste sentido, como os empréstimos do BNDES a empresas, financiados por dívida curta do Tesouro. Num caso, o BNDES empresta R$ a TJLP para Bancos que os repassam a seus clientes. No caso das reservas, o BC, ao comprar títulos públicos americanos e europeus lá fora, está na prática emprestando dinheiro em US$ mais juros para os bancos lá fora emprestarem para nossas empresas aqui. Isto acaba expandindo a oferta de crédito interno em momentos de aperto monetário, o que acaba demandando juros cada vez maiores por parte do BC no combate à inflação.

Resumindo: Reservas cambiais em excesso acabam trazendo benefícios que podem induzir a comportamentos equivocados por parte dos agentes, pois blindam a nossa moeda e nosso crédito de forma artificial. Porém, reduzir as reservas da noite para o dia, sem criar as condições para que isto ocorra, traria uma enorme volatilidade cambial. É preciso que sejam criadas as condições para que se reduzam as reservas de forma consistente. Pretendo abordar este assunto em novo posto.

Vejam agora alguns gráficos e tabelas que ajudam a entender o quadro.

  • Total das reservas e onde estão investidas:

 

 

reservas

 

 

  • Os indicadores de endividamento externo, que mostram que temos reservas internacionais em excesso, o que acaba reduzindo a taxa de risco de curto e de médio prazo cobrada em nossas captações externas:

 

 

indicliquidez

 

 

  • Nosso balanço de pagamentos mostra os principais fluxos de divisas do país, com destaque para os 93 bi de déficit em conta corrente, US$ 81 bi de investimento direto no país e US$ 210 bi em importações anuais :

 

 

contacapital

 

 

  • Aqui mostro quem deve lá fora: Setor público não bancário ( governo em rosa), setor privado e bancos ( amarelo e azul), além das operações entre as matrizes das multinacionais e suas subsidiárias no Brasil ( cinza) e os títulos da dívida interna nas mãos dos investidores internacionais em amarelo escuro, totalizando US$ 700 bi.

 

divexter

 

 

 

  • O volume total de passivos e de estoque de capital investido no país, que somava US$ 1,5 tri em junho, com destaque em amarelo para o estoque de investimento direto no país, em ações na bolsa (vermelho),  títulos de dívida (cinza e rosa), empréstimos para bancos em roxo:

 

passextern

 

 

  • Agora vejam o estoque de ativos que brasileiros tem no exterior, com destaque em verde para investimentos nossos em empresas no exterior e reservas em amarelo, tudo somando US$ 700 bi:

 

posintativos

 

  • Evolução do saldo das operações de swap cambial feitas pelo BC, onde BC vende proteção ( números positivos) ou compra proteção( números negativos). Vejam a forte elevação nos saldos depois de 2013, mostrando a crescente demanda por proteção cambial por parte dos agentes:

 

 

 

swapcambialsaldo

 

 

  • Por outro lado, veja que a demanda por linhas de financiamento em moedas estrangeira junto ao nunca foi relevante, chegado a um pico de apenas US$ 17 bi em 2014:

 

operlinhabc

 

 

  • Veja agora a evolução de nossa dívida externa, líquida das reservas, como % do PIB desde 1988. Desde 2008 ela é negativa: temos mais a receber do que a pagar.

 

reservaliqpib

 

 

 

  • Veja a evolução da taxa real efetiva de câmbio, que mostra se nossa moeda está mais barata ( gráfico na região superior) ou mais cara ( gráfico na região inferior) vis a vis as moedas de nossos parceiros comerciais. Verá que nosso câmbio fica mais valorizado nos períodos em dívida líquida é menor ( 94 – 97) e (2007 e 2015):

 

taxacambioef

 

 

  • E veja a mesma coisa no gráfico abaixo que mostra a evolução do tamanho relativo de nossas reservas em função do número de meses de importação que elas suportariam. Vemos em verde e cinza os períodos de valorização cambial, favorecida pelo elevado estoque de reservas, e os períodos em amarelo e roxo, de baixas reservas com câmbio mais desvalorizado:

 

reservaimportmes

 

 

  • Vemos que nossas reservas como % do PIB nunca foram tão grandes:

 

 

reservepib

 

 

 

  • Tampouco como % do M2, agregado que mostra o total de moeda ( depósitos). Ou seja, precisa-se resgatar 50% dos depósitos do sistema para se poder comprar 100% das reservas:

 

reservam2

 

 

 

  • Nem se os bancos gastassem toda sua liquidez ( muito menos a liquidez mínima regulatória em vermelho abaixo) seria gerado caixa em R$ suficiente para comprar os mais de R$ 1 tri em reservas:

 

 

 

liquidezsistema

 

 

  • E que o passivo total do BC como % do PIB seguiu de perto a trajetória da evolução das reservas cambiais desde 2005:

 

 

passivobcpibi

 

 

  • Veja que o volume de operações compromissadas do BC explicou grande parte da expansão do passivo do BC, com exceção de 2009, quando o BC reduziu compulsório de bancos aumentando assim o volume de compromissadas, mas revertendo isto em 2010:

 

comprombcpib

 

 

 

 

  • Veja agora o perfil de vencimento de nossa dívida externa:

 

 

cronogravctodivexterna

 

 

  • E veja a evolução do % de nossa dívida interna que se encontra nas mãos de investidores estrangeiros: de 5% a 20% em 8 anos, atraídos por rentabilidade elevada e risco cambial baixo:

 

 

divinterngringo

 

 

  • E veja a variação mensal das reservas nos últimos meses: destaque em cinza para os R$ 200 milhões de juros que recebemos por mês, ou seja, menos de 1% a.a.a de retorno, e para o pequeno saldo das linhas repassadas a bancos em verde claro:

 

 

reservliq

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015 Bancos, Brasil, Crise Brasileira, Investimentos, Juros no Brasil, Politica Economica | 01:09

Emprestando barato para quem não precisa

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Vale muito a pena ler um estudo recente publicado no site do BC do B no link abaixo:

http://www.bcb.gov.br/pec/wps/ingl/wps378.pdf

Ele mostra estatisticamente as características e os impactos da política de empréstimos do BNDES e dos outros empréstimos incentivados pelo governo após a crise de 2008.

Suas principais conclusões são:

  • Empresas grandes e mais tradicionais, que teriam maior acesso a diversas fontes de recursos, se beneficiaram mais de empréstimos patrocinados pelo governo. Ou seja, foi emprestado dinheiro para quem tem acesso fácil a outras fontes de captação de recursos e não a empresas menores e emergentes que de fato precisariam deste apoio. Logo, a função social desses empréstimos é bastante questionável;
  • O efeito destes créditos no crescimento dos investimentos das empresas que tomaram tais recursos não é relevante;
  • Empresas mais monopolistas têm maiores chances de receberem empréstimos do BNDES;
  • Empréstimos do BNDES não foram primariamente direcionados a empresas ou projetos com maiores externalidades (benefícios) sociais, como agro, farmacêutico, serviços públicos, Infra, educação, saúde, etc;

Ou seja, está mesmo na hora de repensar o tamanho e o papel do Estado no crédito, pois além de tudo isto, tais políticas distorcem seriamente o processo de alocação de capital na economia.

PS: to no twitter @RicardoGalloIG

 

 

bcestbndes

 

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quinta-feira, 18 de setembro de 2014 Bancos, bizarro, Brasil, Empresas, Impostos, Inflação, Juros no Brasil, Livros e publicações, Politica Economica | 21:48

Robin Hood e o Bolsa Empresário

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Como já falei aqui algumas vezes, a carteira de empréstimos do BNDES tem subido bastante desde 2008. Ela dobrou de tamanho ( como % do PIB ) nos últimos 6 anos, como mostra o gráfico azul abaixo da evolução da carteira total de empréstimos do BNDES como % do PIB dos últimos 12 meses desde 2007:

 

 

bndespibserie

 

 

 

Uma das críticas mais contundentes feitas pelos candidatos da oposição ao governo atual está centrada nos critérios adotados pelo BNDES em seus empréstimos. De fato é muito difícil saber para quem o BNDES empresta, a que taxas,  em quais condições e com qual finalidade. Não há nenhuma transparência uma vez que o BNDES é considerado um banco e, portanto, estaria protegido pelo siglo bancário, da mesma forma que os clientes do BB estariam. Contudo, há uma falha enorme neste argumento, pois na prática o BNDES de fato é uma agência de fomento e um mero repassador de recursos do Tesouro Nacional para seus clientes em condições favorecidas vis a vis as existentes no mercado de crédito.  O BNDES toma recursos junto ao Tesouro Nacional e junto aos Fundos Públicos sob administração do Governo e os repassa a seus “clientes” a taxas inferiores às taxas de mercado.

Os dados que mostrarei abaixo foram retirados das demonstrações financeiras do BNDES:

http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/export/sites/default/bndes_pt/Galerias/Arquivos/empresa/download/0614pt.pdf

Também coletei alguns dados nos demonstrativos financeiros individuais de empresas que têm suas ações listadas na bolsa. Estas são grandes empresas, com acionistas privados, que gozam de pleno acesso aos mercados bancário e de capitais, doméstico e internacional. Além disto levantei dados  de algumas grandes empresas que não possuem ações listadas na bolsa, mas que têm amplo acesso ao mercado de capitais e, portanto, divulgam informações sobre seu endividamento.

Vamos começar olhando os dados recentes do BNDES. Embora ele seja considerado um banco, 90% de seus recursos vêm de apenas um depositante: o G0verno Federal ( “nóis”), seja através do Tesouro Nacional ou dos Fundos Públicos sob administração do Governo ( PIS/ PASEP e FAT), os quais listo abaixo:

Repasses do Tesouro Nacional: 430 bi

Repasses do FAT : 192 bi

Repasses do PIS/PASEP: 33 bi

Capital Aportado pelo Tesouro: 74 bi

Total aportado pelo Governo: 729 bi

Total do Ativo do BNDES: 803 bi

Ou seja, o BNDES na verdade não é um banco que capta recursos no mercado junto a investidores e depositantes, competindo com outros bancos por recursos, como é o caso da CEF e do BB. Quando o BNDES precisa de dinheiro ele liga para o Tesouro e pega emprestado por 50 anos de prazo. Estes repasses do governo e dos recursos dos fundos dos trabalhadores ao BNDES ( e aos tomadores de recursos) são na sua maioria indexados a TJLP . Como a TJLP hoje custa 5% a.a. e a taxa de juros paga pelo governo em sua dívida é de 11% a.a., há um subsídio real implícito de 5,4% a.a. que é repassado por nós contribuintes, através do Tesouro ou do nosso FGTS, ao BNDES.  O BNDES capta assim recursos 5% a.a. mais barato do que o BB precisa pagar para levantar novos recursos no mercado. 

Levantei alguns dados do BB em seu site para poder comparar os dois “bancos”:

file:///C:/Users/ricardo.gallo.GALLO/Dropbox/2T14DemoContBR.pdf

Na medida em que o BNDES capta recursos bem mais baratos do que o BB, seria razoável presumir que o BNDES fosse um banco extremamente rentável.  Porém o quadro não é assim. O BNDES lucrou R$ 5,5 bi no primeiro semestre de 2014, o que representou um retorno sobre o patrimônio líquido de 7,4% no semestre. O BB lucrou os mesmos 5,5 bi, o que representou um retorno de 7,7% no semestre. Ou seja, apesar do nossos subsídios ao BNDES,  os lucros e os retornos das duas instituições são bastante similares. Ou as despesas do BNDES são muito maiores que as do BB ou os subsídios que damos ao BNDES estão indo parar nas mãos de seus clientes tomadores de recursos.

As despesas administrativas e de pessoal do BB somaram R$ 17.9 bi nos primeiros 6 meses deste ano. Já no caso do BNDES as mesmas despesas somaram menos de R$ 1 bi.

Fica assim demonstrado que, na medida em que os dois bancos têm lucros similares e patrimônios similares e que o BNDES tem despesas menores, o benefício do  subsídio recebido pelo BNDES está sendo portanto repassado para seus clientes tomadores de recursos.

Assumindo que este subsídio de 5% a.a. se mantenha ao longo do tempo, como esperam os tomadores de recursos junto ao banco,  e que pelo menos 80% dos repasses do Tesouro e dos Fundos ao BNDES são indexados a TJLP ( aprox. R$ 600 bi), podemos estimar que o montante total de subsídios anual dado aos clientes do BNDES ultrapassa R$ 30 bi, o que equivale a o,6% do PIB,  ou  50% do total de economia feita pelo governo nos últimos doze meses, como mostrei em :

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2014/09/12/saldo-das-contas-publicas-desaba-e-leva-consigo-a-poupanca/

Mas quem paga este subsídio?

A conta é mais ou menos dividida assim:

a. 70% é pago pelos contribuintes que pagam impostos ( ou pelos usuários do sistema público de saúde que recebem um serviço de péssima qualidade do governo), pois o governo recebe apenas 5% A.A. DE JUROS nos repasses ao BNDES e paga mais de 11% a.a. para levantar os mesmos recursos no mercado;

b. 30% é pago pelos trabalhadores, pois o saldo do FAT, que poderia ser emprestado ao governo a 11% a.a. sem nenhum risco, é emprestado ao BNDES a 5% a.a.;

Mas quem recebe este subsídio?

Aí a coisa fica mais difícil, pois o BNDES se esconde atrás do sigilo bancário e não divulga o nome das empresas que tomaram recursos junto ao banco ou junto aos bancos privados para os quais ele repassa recursos subsidiados. Para levantar estes dados precisei colocar uma turma de “detetives financeiros” atrás de dados das empresas, uma a uma, que publicam seus demonstrativos de acordo com as regras da CVM. Lá podemos identificar o montante de recursos que cada uma delas levantou junto ao banco. Porém, para limitar o trabalho, eu fiz algumas amostras:

a. levantei os dados das 60 empresas que têm ações listadas na bolsa e compõem o Índice Bovespa. São empresas que possuem acesso a mercados de capitais e recursos internacionais.Das 60 empresas, 44 devem algum para o BNDES ( 73%). O total da dívida junto ao BNDES ( diretamente ou via repasses de bancos privados) destas empresas chega a 126 bi em Dezembro de 2013, ou seja, 22% do total de empréstimos do “banco” naquela data. Os empréstimos do BNDES representam na média 17% da dívida total destas empresas. Catorze destas empresas possuem dívidas junto ao BNDES que representam mais de 20% de seu endividamento total.

b. verifiquei se havia outros casos entre as empresas listadas na bolsa e que possuíam montante relevante de dívidas junto ao BNDES. Identifiquei mais 3 empresas listadas na bolsa que deviam no total R$ 6 bi ao BNDES.

c. Identifiquei mais 7 grandes empresas, que não possuem ações listadas na bolsa, mas que devem ao todo R$ 9 bi ao BNDES.

Ou seja, no total identifiquei, com muito esforço, 54 grandes empresas que têm acionistas privados, que devem no total 141 bi ao BNDES ou cerca de 25% do total de empréstimos deste em Dezembro último.

Entre as 44 empresas que devem ao BNDES e fazem parte do IBOVESPA pude identificar que pelo menos 80% do montante devido tinha algum tipo de subsídio nos juros cobrados.  Ou seja, podemos estimar que estas 54 grandes empresas levantaram R$ 112 bi em empréstimos subsidiados, absorvendo anualmente mais de R$ 5 bi em subsídios que saíram de nossos bolsos e foram para o colo dos acionistas destas empresas. 

Consultando os demonstrativos disponibilizados pelo BNDES podemos ver que 50% da carteira de empréstimos vencem de 2018 em diante. Ou seja, as empresas que tomaram este dinheiro “social” do governo irão usufruir por um bom tempo destes subsídios. E para minha surpresa, além dos R$ 59o bilhões em empréstimos já desembolsados e que estavam carteira do BNDES em junho último, existe o compromisso assinado para liberar mais R$ 170 bi, como vemos em vermelho abaixo:

 

 

compromissocredito

 

 

Isto que dizer que se o BNDES continuar apenas a rolar os empréstimos hoje em carteira, parando totalmente de fazer novas concessões, só com os compromissos já assumidos a carteira total de empréstimos irá para R$ 760 bi ou 15 % do PIB! O BNDES terá assim  quase 25% de todos os empréstimos feitos por todos os bancos no Brasil. Neste sentido vale a pena ler:

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2014/09/04/a-estatizacao-do-credito/

E o subsídio anual, que hoje passa de R$ 30 bi, saltaria neste cenário para R$ 38 bi, ou seja, 50% a mais do que gastamos anualmente com o Bolsa Família!

Além disto, os repasses do Tesouro Nacional ao BNDES aumentam a dívida pública do Governo Federal, pois obrigam o Tesouro a emitir mais títulos de longo prazo para financiar tais aportes. Hoje já são mais de R$ 430 bi em aportes do tesouro junto ao BNDES ( 8,4% do PIB), que  já representam 13% da dívida total do governo. Para entender os problemas que isto causa vale a pena ler:

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2014/09/16/endividamento-elevado-demanda-ajuste-nos-gastos-publicos/

Finalizando, existem também as participações acionárias do BNDES. O BNDES investe direto em empresas, comprando ações das mesmas, tornando-se assim sócio minoritário.  São 66 bi em ações de empresas, na sua grande maioria listadas nas bolsas. Deste total 37 bi estão investidos em ações da Petrobrás e 7 bi em ações da Vale. Além disto, ele tem mais 16 bi em investimentos em ações de 6 empresas privadas onde o BNDES participa do bloco do controle. Deste montante  6 bi estão investidos na JBS somente.

Enfim é preciso questionar os candidatos, situação e oposição, sobre como eles irão lidar com estas questões:

  • Até quando irá crescer a carteira de crédito do BNDES?
  • Como será feita a redução da carteira?
  • Quando iremos conhecer quem recebeu estes subsídios do BNDES até hoje? Iremos manter o sigilo bancário no BNDES, mesmo sendo ele uma agência de fomento e que distribui subsídios a brasileiros e brasileiras escolhidos a dedo?
  • Quais os critérios que serão usados daqui para frente na seleção dos clientes e projetos que merecem ser subsidiados através do BNDES?
  • Quem vai fixar e aprovar quanto do orçamento público será gasto anualmente com subsídios ao BNDES nos próximos 5 anos?
  • O que irá ocorrer com a TJLP? Ela vai continuar 5% a.a. abaixo do custo de financiamento do Governo ou vai subir?
  • O que ocorrerá com o custo dos empréstimos do BNDES que hoje estão indexados a TJLP se o governo decidir aproximá-la da taxa Selic, como proposto por alguns economistas mais ligados ao governo?
  • Caso se decida colocar um limite no crescimento dos ativos do BNDES, quem irá entrar no lugar do BNDES e financiar às empresas que precisam de recursos de longo prazo?
  • O que será feito para ampliar o mercado de capitais doméstico?
  • Iremos finalmente liberar os controles de capitais e ampliar a convertibilidade de nossa moeda e assim permitir que bancos e investidores estrangeiros atuem mais livremente no financiamento de nossas empresas aqui, competindo de forma saudável com bancos e fundos locais? 
  • Não teria o governo criado a bolsa empresário na forma de subsídios dados através do BNDES?
  • Não estaria o governo sendo um Robin Hood às avessas, tirando dos pobres e dando aos ricos?

 

 

Robin Hood  Net7Art

 

 

 

E quem seriam os Leões no nosso caso?

Para aqueles que gostam do assunto intervenção do Estado na economia, recomendo a leitura de:

9780674729681

 

 http://www.hup.harvard.edu/catalog.php?isbn=9780674729681

Há um capítulo especial dedicado ao nosso BNDES.

 

 

 

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quinta-feira, 4 de setembro de 2014 Bancos, Crise Brasileira, Juros no Brasil, Politica Economica, Sem categoria | 02:24

A estatização do crédito

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Recentemente a Presidenta Dilma afirmou que se não fossem os bancos públicos a economia estaria parada:

http://m.estadao.com.br/noticias/politica,sem-credito-publico-brasil-para-afirma-dilma,1552177,0.htm

De fato os bancos públicos cresceram de forma importante a sua participação no crédito total, como mostra gráfico abaixo:

 

creditopibpubpriv

 

O gráfico laranja mostra a evolução do volume total da carteira de crédito dos bancos privados em % do PIB desde 2003. O gráfico azul mostra o mesmo para os bancos públicos. Vemos em amarelo que o volume de crédito concedido pelos bancos privados está estagnado como % do PIB desde 2008, ou seja, ele tem crescido acompanhando o crescimento do PIB. Já os bancos públicos aceleraram suas concessões após 2008, tendo superado recentemente os bancos privados no volume total de crédito concedido na economia ( marrom). O que levou a este comportamento? Devido à prudência e a seus modelos de gerenciamento de risco, os bancos privados normalmente reduzem a oferta de crédito quando a economia patina, como tem ocorrido desde a crise de 2009. Podemos ver no gráfico abaixo a evolução da taxa de crescimento anual do índice de atividade do BC do B desde 2004, cuja tendência central ( gráfico laranja) indica uma forte desaceleração ( seta vermelha) que se inciou em 2010:

 

 

taxacrescibc

 

 

 

O governo utilizou os bancos públicos a partir de 2009 para estimular a economia ofertando mais crédito e  mantendo assim o ritmo de crescimento do crédito total na sua tendência prevalecente desde 2005, apesar do recuo dos bancos privados, como vemos no gráfico abaixo da evolução do crédito total como % do PIB:

 

creditotlpib

 

Apesar deste esforço do governo, após 2010 a economia vem perdendo folego. Ou seja, parece que a oferta turbinada de crédito por parte dos bancos públicos não tem ajudado a aquecer a economia, ou na visão dos desenvolvimentistas de plantão, ela deveria subir ainda mais para aquecer a economia….

DE fato é interessante analisar a eficiência econômica do aumento do crédito interno ( ou velocidade de circulação do crédito) sobre o crescimento da economia. Para se estimar tal eficiência econômica  precisamos avaliar quanto o PIB cresceu em determinado ano vis a vis o crescimento de crédito naquele mesmo ano. Desta forma, a eficiência pode ser estimada dividindo-se o crescimento nominal do PIB ( em R$ ) em determinado ano pelo crescimento nominal do estoque de crédito naquele mesmo ano em R$ correntes. OU seja, tal índice mede quanto  R$ 1,00 de aumento nominal no estoque de crédito “gerou” de aumento de PIB nominal em R$ naquele ano. Fiz esta análise separadamente para o crédito privado e para o crédito público desde 2004, e o gráfico segue abaixo:

eficienciacreditoanoano

 

 

 

O gráfico azul mostra a eficiência econômica calculada como descrevi acima apenas para o crédito dos bancos públicos, ano a ano desde junho de 2004.  E o laranja a mesma coisa é feita para o crédito privado. Notamos que há sim uma tendência de queda na eficiência econômica da expansão nominal de crédito por parte dos bancos públicos (seta vermelha), e uma certa estabilidade para os bancos privados.  Ou seja, a mesma expansão de crédito público está produzindo efeitos cada vez menores na atividade econômica.

O gráfico abaixo ajuda a comparar a eficiência econômica média dos bancos privados e públicos antes e depois de 2010:

 

ate2010

 

 

 

As barras azuis mostram a eficiência econômica média dos bancos privados, entre 2004 e 2010, à esquerda, e entre 2011 e 2014, à direita. As barras em laranja mostram a mesma coisa para os bancos públicos. Vemos que houve uma enorme queda na eficiência econômica dos empréstimos dos bancos públicos ( seta amarela). Isto não quer dizer que se os bancos públicos saírem de cena o PIB não cairia. Tampouco que os bancos públicos sejam piores que os privados. Isto apenas demonstra que expandir o crédito dos bancos públicos não está tendo o mesmo retorno em termos de atividade econômica que tínhamos até 2010.

Por exemplo, para uma inflação de 6% a.a. e um crescimento do PIB real desejado de 3% a.a., o PIB precisaria crescer em termos nominais cerca de R$ 460 bilhões ( 9,2 % a.a. ) por ano. Assumindo que a eficiência do crédito público seja 2,o e do crédito privado seja 3,8,  seria preciso um crescimento anual de R$230 bi na carteira dos bancos públicos, ou seja, 15,5% a.a., ou 5,8% a.a. acima do PIB. Neste ritmo, em 5 anos os bancos públicos deteriam 40% do PIB em crédito e os bancos privados teriam 27% do PIB, ou seja, o estado controlaria 60% do crédito na economia.

Na prática estamos gradualmente estatizando o crédito interno. De fato, se projetarmos para o futuro a tendência prevalecente nos últimos 4 anos, fica evidente este quadro, como vemos em amarelo no gráfico abaixo:

 

tendcreditpubpriv

 

 

SE mantivermos a tendência dos últimos anos teremos um sistema de crédito dominado por bancos públicos ( linha azul). É isto o que queremos??

Para agravar a situação há uma forma de repressão financeira imposta pelo governo que obriga os bancos públicos e privados a direcionarem uma fração importante de seus empréstimos para setores específicos da economia ( Bndes, imobiliário e rural, principalmente) a taxas subsidiadas, sejam pelos cofres públicos ou sejam pelos  tomadores de recursos livres junto aos bancos através de subsídios cruzados onde os tomadores de empréstimos a taxas livres precisam pagar aos bancos taxas maiores para compensar os juros subsidiados cobrados pelos bancos nos empréstimos direcionados. Hoje tais empréstimos direcionados pelo governo representam mais de 25% do PIB , ou seja, quase 50% do crédito total na economia. A persistir a tendência de crescimento destes empréstimos dos últimos 4 anos, em 5 anos eles representarão quase 40% do PIB, como mostra o gráfico abaixo:

 

direcionado

 

 

Isto reduz a eficiência da política monetária na economia pois 50% do crédito total é insensível a variações das taxas de juros Selic fixadas pelo BC do B, o que acaba demandando do BC a imposição de juros Selic mais elevados do que seriam necessários  num cenário onde os juros de todos empréstimos fossem fixados pelo mercado. Em outros palavras, a intervenção excessiva do estado no crédito acaba elevando a taxa básica de  juros de nossa economia.

Também é preciso avaliar se com esta queda de eficiência econômica, o subsídio fiscal implícito nestes empréstimos subsidiados está tendo um retorno econômico satisfatório. O exemplo abaixo mostra que num empréstimo feito pelo BNDES na TJLP, de 13 anos de prazo com 3 de carência, o valor presente do subsídio concedido pelo governo ao tomador é de cerca de 28% do principal:

 

 

subsidbndes

 

 

Traduzindo: o tomador leva para casa R$ 100 mas só precisa devolver 71. É muito dinheiro, na medida em que somente o BNDES tem cerca de R$ 600 bilhões em empréstimos. Cada R$ 100 bilhões de aumento na carteira de empréstimos do BNDES gera um subsídio de R$ 29 bilhões, ou seja, isto representa um aumento de 0,55% do PIB na dívida líquida do setor público que está se aproximando a 40% do PIB.

É fundamental portanto que os candidatos (as) à Presidência da República se posicionem com relação a este problema e digam o que pretendem fazer para acabar com mais esta distorção criada pelo governo nos últimos anos.

 

 

 

 

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quarta-feira, 23 de julho de 2014 Bancos, Crise Brasileira, Juros no Brasil | 20:00

A fotografia monetária da recessão que se aproxima

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Um dos temas que ao longo dos últimos anos tenho trazido com frequência para esta coluna é a questão do balanço do BC do B. O BC apresenta em seu seu ativo basicamente:

a. títulos da dívida pública emitidos pelo Tesouro Nacional;

b. reserva cambiais no exterior.

E ele financia tais ativos basicamente com:

a. depósitos compulsórios dos bancos;

b. operações compromissadas de financiamento de títulos públicos ( bancos emprestam R$ ao BC com garantia em títulos públicos da carteira do BC);

c. depósitos que o próprio Tesouro Nacional mantém junto ao BC para arcar com seus compromissos.

Em termos de avaliação da liquidez disponível para os bancos a variável importante a monitorar é o total do passivo do BC do B, excluindo-se os depósitos que o TN tem junto a ele.

O gráfico abaixo mostra a evolução deste passivo desde 2004 mensalmente, em R$ Milhões:

balbcdob

O gráfico azul mostra o saldo mensal contábil. O laranja mostra o mesmo saldo porém ajustado sazonalmente e o cinza sua tendência central filtrada. Vemos que os saldo oscila ao redor da sua tendência. Temos abaixo a evolução do desvio do saldo de sua tendência central desde 2005 até junho último:

desvtendbcdob

 

Vemos em vermelho que hoje o saldo está abaixo de sua tendência, da mesma forma que ocorreu em outras três ocasiões , marcadas em preto, marrom e roxo acima.

Abaixo temos o gráfico da taxa anual de crescimento da atividade econômica calculada pelo BC do B desde 2004 até maio último :

ibsaanual

 

 

Marquei em preto, marrom, roxo e vermelho as quatro ocasiões quando a atividade apresentou forte desaceleração. Notamos que os momentos de desaceleração da atividade coincidem com os momentos em que o balanço do BC do B mais se desviou para baixo de sua tendência central. Isto faz sentido, pois a demanda por moeda cai na medida em que a atividade econômica se retrai. E o passivo do BC reflete a quantidade total de moeda no sistema.

Pela tendência recente dos dados monetários é bastante razoável esperar uma queda  mais forte da atividade nos próximos meses. E a experiência passada mostra que estes períodos de baixa demanda monetária demoram no mínimo alguns meses para serem superados.

Há duas maneiras do BC do B tentar forçar um aumento de seu passivo:

a. comprar dólares do sistema, acumulando reservas, o que depende do fluxo de entrada de capitais internacionais que hoje não está sendo suficiente para isto. Ou seja, se o BC do B entrar comprando dólares à vista no mercado o US$ subirá, aumentando as pressões de custos e inflacionárias na economia;

b.  ou através do resgate líquido de papéis emitidos pelo Tesouro nas mãos do mercado quando de seu vencimento, o que reduziria o caixa do Tesouro em ano de eleição, o que não me parece uma boa idéia.

Além do mais, se não houver demanda por moeda do lado real da economia, tal aumento de passivo ( oferta de moeda) não será absorvido. Ou seja,  tal expansão de balanço não será acompanhada por um aumento real de crédito na economia. Os bancos apenas irão aplicar os recursos assim liberados no próprio BC.

Para que tal expansão tivesse efeito, seria preciso que:

a. a elevação do US$ causada pelas compras do BC do B animasse as exportações, trazendo mais demanda externa;

b. a queda dos juros causada pela redução do prazo médio da carteira de títulos públicos nas mãos do mercado impulsionasse os investimentos privados.

Dadas as restrições inflacionárias do momento e a completa falta de confiança do empresariado na economia, não vejo nenhuma chance que o quadro recessivo seja revertido desta forma. Isto é consistente com o quadro de estagflação ao qual já me referi aqui algumas vezes: http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2014/07/03/rumoestag/

 

 

 

 

 

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sábado, 12 de abril de 2014 Bancos, bizarro, Brasil, Crise Brasileira, Investimentos, Politica Economica | 02:43

BNDES: subsídio continua aumentando

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E o subsídio dado pelo Governo às empresas através dos empréstimos subsidiados do BNDES segue aumentando, como vemos na notícia abaixo:

 

CÂMARA APROVA MEDIDA PROVISÓRIA PARA CAPITALIZAÇÃO DO BNDES 


Brasília, 08/04/2013 – A Câmara dos Deputados aprovou há pouco a Medida Provisória 628, de 2013, que autoriza a União a conceder R$ 24 bilhões de crédito ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O mérito da matéria foi aprovado em votação simbólica no plenário. Para a liberação da fonte adicional de recursos, concedida pelo Tesouro Nacional, a remuneração definida é a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), atualmente em 5% ao ano. Para a cobertura do crédito, a União poderá emitir títulos da dívida pública Federal. (Bernardo Caram – bernardo.caram@estadao.com )

 

Para manter o BNDES emprestando neste ritmo forte, o governo de fato precisa continuar a injetar recursos no Banco. A coisa funciona assim:

  • BNDES quer aumentar seus empréstimos, porém não tem dinheiro em caixa pois já os emprestou;
  • O BNDES pede ajuda ao Tesouro Nacional, que empresta recursos de longuíssimo prazo (30 anos) ao banco, a juros equivalentes a TJLP (hoje 5% a.a.);
  • O BNDES repassa então tais recursos aos seus clientes, cobrando um adicional (taxa de risco) de 1 a 2% a.a. em média, para cobrir suas despesas e seu risco de crédito como qualquer banco;
  • O Tesouro Nacional, como não possui tais recursos pois é deficitário, precisa captar tais recursos junto a bancos, fundos, investidores estrangeiros e locais, e paga para tanto juros superiores à inflação corrente acrescida de 6% a.a. de juros reais. Assumindo uma inflação de 6% a.a., temos um custo total para o Tesouro em tais captações da ordem de 12,3% a.a.;
  • O lucro que o BNDES gera em tais transações ( grifado em cinza na coluna da direita da tabela abaixo retirada de suas demonstrações financeiras) é 90 % devolvido ao Tesouro via dividendos e JCP ( marcados em amarelo na tabela abaixo), que usa tais recursos para aumentar o seu superávit primário reportado, o que o ajuda a cumprir suas metas:

bndespl1213

Em 31.12.2013 o Tesouro tinha um total de R$ 398 bi repassados ao BNDES, sendo R$ 359 bi destes repassados à taxa média de TJLP + 0,13% a.a. (que hoje significam 5,13% a.a. ), como vemos em vermelho abaixo no quadro retirado de suas demonstrações financeiras ( pag. 79 e 80):

bndesrepassestn

 

 

Ou seja, o subsídio dado pelo Tesouro  nos juros cobrados das empresas em tais operações chega a 6,4% a.a. Este subsídio gera um aumento no déficit nominal do Tesouro da ordem de R$ 23 bi por ano.

Além destes aportes, o Tesouro Nacional mantém R$ 60 bi investidos no BNDES na forma de Capital, como vemos em amarelo na tabela abaixo:

bndespl

 

Para manter tais recursos investidos no Banco, o Tesouro também precisa captar recursos no mercado via a emissão de papéis. Como o BNDES tem produzido um retorno antes dos impostos de aproximadamente 20%  ( 12 bi de lucro em verde abaixo) sobre seu capital:

lucrobndes

o Tesouro acaba gerando um ganho líquido sobre o capital investido no BNDES da ordem de:

( 20% – 12,3% ) * 60 bi = R$ 4.6 bi

Desta forma, o custo líquido para o Tesouro da operação do BNDES é de aproximadamente R$ 18 bi por ano, que equivalem a 0,4 % do PIB anual.  Isto é igual a 20% da economia total que o governo faz para pagar ( parcialmente ) os juros sobre a dívida pública total.

Assumindo que o BNDES não mais cresça a sua carteira de empréstimos como tem feito nos últimos anos, a manutenção desta política de subsídios em tais empréstimos implica em:

  • Exigência da manutenção de um superávit primário 25 % acima do que deveríamos ter, o que significa  que hoje pagamos mais impostos  e gastamos menos com outras atividades como saúde, educação e segurança do que poderíamos;
  • OU, se optarmos por não gerar esta economia fiscal para cobrir tal subsídio, nossa dívida pública bruta irá aumentar de 57% do PIB para 61% do PIB em 10 anos, se a carteira for mantida no tamanho atual e as taxas cobradas em tais empréstimos se mantiverem;
  • Se não conseguirmos nunca mais reduzir o tamanho desta carteira subsidiada do BNDES, mantendo seu volume estacionado em 7,4% do PIB para sempre, em termos econômicos estaremos gerando de imediato um aumento na dívida pública líquida de 6% do PIB, saindo dos 34% do PIB hoje reportados, para 40%.

São números expressivos que precisam ser debatidos no Congresso, dentro do processo orçamentário anual, pois não me parece que seja sustentável que a carteira de empréstimos do BNDES continue subindo a mais de 6,5% a.a. acima do PIB  ( 16% a.a. nominal vs. 8,7% a.a. do PIB) indefinidamente, como vemos no gráfico abaixo:

bndesgrowth

Caso contrário, serão precisos aumentos de capital anuais desta magnitude (R$ 24 bi), que irão elevando o subsídio anual em R$ 1.2 bi por ano enquanto isto continuar.

Algumas perguntas:

  • Alguém aí acha isto sustentável?
  • E se de fato não for sustentável, como eu acredito, como vamos resolver isto?
  • Quando vamos parar com isto?
  • Como reduzir a carteira de empréstimos do BNDES sem causar um enorme aperto de crédito na economia?
  • Como financiar nossos investimentos sem poder expandir a carteira do BNDES?
  • Vamos precisar aumentar os impostos para pagar estes subsídio crescente?
  • Quem vai pagar estes impostos? Os empresários que recebem tais empréstimos? Ou a classe média?
  • Que tal os candidatos à presidência responderem isto?

Só estou lembrando mais um problema que, como o preço da energia elétrica, da gasolina, o racionamento, a inflação, o superavit primário, o déficit externo, a Petrobrás, etc,  não será endereçado este ano, pois é ano eleitoral, mas que precisará ser abordado em algum momento em 2015 ou 2016. Enquanto isto, a conta aumenta…

 

 

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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013 Bancos, Crise Brasileira, Impostos, Investimentos, Juros no Brasil, Politica Economica | 04:27

Juros no crédito sobem: cadê a poupança?

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A elevação do Selic e a alta dos juros de longo prazo fazem com que os juros no crédito subam.  Veja o gráfico abaixo à esquerda feito pelo banco CS, que mostra a evolução da taxa média de juros cobrados nos empréstimos para pessoas físicas ( vermelho) e jurídicas ( amarelo)  nos últimos 12 meses:

juroscredito

 

Ou seja, mais uma força atuando para puxar atividade para baixo.

De fato a tarefa de reduzir os juros cobrados no Brasil vai bem além da “vontade política”: sem aumentar a parcela da renda que é poupada ( a tal da poupança nacional) , algo que tanto tenho martelado aqui:

http://ricardogallo.ig.com.br/?s=poupan%C3%A7a

a oferta de capital não sobe, o que impede a queda estrutural e sustentável nos juros. A famosa lei da oferta e da procura também se aplica à poupança disponível para financiar o consumo e o investimento. Mas, na America Latina, os governos vivem tentando revogar tal lei. E os empresários  e consumidores sofrem com isto e culpam o o coitado do BC pelos juros elevados. Haja…

A turma esquece que os juros altos são um sintoma, não uma doença, pois:

a. renda é função da produção, ou seja, só sobe quando produção sobe;

b. produção só sobe se produtividade, quantidade de mão de obra ou investimento subirem;

c. poupança = investimento, ou seja , mais poupança traz mais investimento;

d.poupança = renda – consumo;

e. quanto maior poupança menor juro, pois há mais oferta de capital disponível;

f. quando [ consumo  + investimento ] cresce mais que renda, e produto, temos mais [ déficits externos + inflação],  que nos mostra que há desequilíbrios;

g. juro elevado serve para conter elevação de  [ consumo  + investimento ] e aumentar poupança, via redução de consumo;

h.  com [ consumo  + investimento ] menor, e poupança maior, a coisa se equilibra novamente, evitando maiores  [ déficits externos + inflação], porém em nível menor de renda e produção do que desejaríamos;

Nossa doença é a falta de poupança. Juros altos são o efeito colateral do aperto monetário, que é o único remédio que hoje dispomos na farmácia da política econômica atual para combater os desequilíbrios que tal doença causa. Desequilíbrios que, conforme a história econômica nos mostra, podem ser fatais.

E eu creio que gasto público e imposto elevados são a causa desta doença. Alguém prove o contrário!

Logo, se aumentarmos o volume de poupança interna teremos juros menores, com menos inflação, menos déficits e mais investimento

Aí BC tira férias. E eu mudo de assunto.

Entende???

http://www.youtube.com/watch?v=irIo_0fU-H8

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