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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014 BRICS, CHINA, Investimentos, Politica Economica | 04:14

China em momento delicado

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A recente onda de pessimismo com relação aos mercados emergentes começou a nos atingir. Moedas de vários países têm se desvalorizado bastante, em particular onde os fundamentos estejam mais fracos e existam vulnerabilidades nas contas externas. Parece que os Brics e os emergentes estão perdendo seu charme diante das economias mais avançadas. Isto faz sentido na medida em que os países avançados começam a sair da crise, de forma ainda gradual, e os investidores, que fugiram de tais regiões e foram à procura de maiores retornos nos países emergentes, começam a reverter parte de suas alocações de recursos e voltam a investir no G3. Isto ocorre simultaneamente à perda de vigor de algumas economias emergente onde os modelos de crescimento da última década dão sinais de fadiga.

A China é sem dúvida o maior exemplo disto. Na última década poucas coisas chamaram mais a atenção na economia global do que a explosão de crescimento da China. O gráfico abaixo mostra a taxa de crescimento anual do PIB chinês desde 1994:

pibchina

Vemos que a partir de 2001 a China entrou numa fase de aceleração do crescimento (verde), que foi puxado pelo comércio exterior após a entrada da China na OMC, integrando-se assim ao comércio mundial. De 2009 para cá (vermelho) notamos uma perda de momento da economia chinesa que hoje cresce em ritmo bem menor.

Para se compreender o que hoje ocorre na China é preciso dedicar algum tempo para tentar explicar os fatores que impulsionaram o crescimento Chinês, que vão muito além da mão de obra barata, pois sempre houve mão de obra abundante na China:

  • A China até poucas décadas era uma sociedade rural. Ou seja, o excedente de mão de obra se encontrava fora dos centros urbanos e distante da costa;
  • Para se mobilizar tal mão de obra de forma produtiva é necessário investir em infraestrutura urbana, habitação e logística;
  • O adensamento populacional é a melhor forma de fazer isto, pois aumenta a produtividade ao tornar mais eficiente o uso da infra e se reduz os custos na movimentação de bens e pessoas;
  • A baixa renda do trabalhador e a precária rede de apoio social (previdência e saúde públicas de baixa qualidade) induziu à formação de poupança precaucionaria por parte das famílias;
  • A estrutura de produção concentrada em empresas sob o controle estatal favorece a formação de oligopólios e a acumulação de lucros.

Estes fatores únicos à economia chinesa levaram a um ciclo virtuoso:

  • Os governos locais (estados e municípios) desapropriavam terras controladas por coletividades de agricultores ao redor dos grandes centros;
  • Estes mesmos governos se endividavam junto aos bancos através de empresas de propósito específico, dando como garantia as terras desapropriadas, com o objetivo de investir na infra urbana necessária;
  • Tão logo tal infra ficasse pronta, tais terras se valorizavam e eram vendidas a incorporadores e a empresas que estabeleciam aí novas habitações e fábricas;
  • O governo subsidiava algumas moradias populares para que a população que migrava do campo para as cidades pudesse se instalar;
  • Com isto as fábricas tinham acesso a infra de primeiro mundo com custo e oferta de mão de obra de terceiro mundo, o que dava uma enorme competitividade e lucro às empresas;
  • O produto per capita aumentava na medida em que a produtividade da mão de obra subia com a urbanização e a migração de trabalho do setor agrícola para o setor industrial, mão de obra que era alavancada por um forte investimento em capital fixo;
  • Este aumento de produtividade gerava lucros crescentes às empresas e ganhos salariais importantes aos trabalhadores;
  • Tais trabalhadores investiam sua poupança em imóveis, uma vez que os juros pagos pelos bancos eram muito baixo, o que aumentava demanda por terrenos, elevando seus preços e dos imóveis, atraindo mais e mais investidores;
  • A crescente arrecadação decorrente da venda de terras por parte dos governos locais permitia um aumento maior das desapropriações e dos investimentos em habitação popular e infra, que fomentava este ciclo.

Não há nada de errado neste ciclo, se ele for acompanhado de um aumento compatível de produtividade na economia. A renda gerada pelo aumento de produtividade geral é dividida entre os trabalhadores, empresas estatais, empresas privadas, setor imobiliário e governos locais. Contudo, este processo, se mantido por muito tempo ou se crescer em ritmo insustentável, pode levar à alta da inflação ou à formação de bolhas de ativos. A tendência de acumulação de poupança do povo chinês aliada à um forte controle dos preços dos alimentos (componente importantíssimo do custo de vida na China em função da baixa renda das famílias) por parte do governo chinês impediu que inflação saísse do controle, como ocorreu nos anos 90 quando a inflação bateu 25% a.a. ( vermelho abaixo), o que quase criou uma crise política: inflchina

Desde 2004 a inflação tem se mentido ao redor de 3% a.a. ( verde acima).

Por outro lado, a estrutura do mercado de bens e serviços (muito pouco competitivo) favorecia às empresas estatais e aos incorporadores, cujos lucros cresciam exponencialmente.  Tais lucros crescentes aliados à uma taxa de juros artificialmente baixa, produziram uma bolha na bolsa chinesa, que saiu de 1000 pontos em 2005 e bateu 6000 pontos em 2007 ( amarelo abaixo), estourando em 2008. Hoje ela está estagnada ao redor de 2000 pontos ( vermelho), como vemos no gráfico abaixo:

chinbols

Aumentos de produtividade acompanhados de juros baixos acabam resultando em bolhas de ativos, se o crescimento do crédito não for contido. Há uma tendência dos agentes de extrapolar as taxas de crescimento da produtividade para o futuro, o que leva muitas vezes à um endividamento excessivo. Cabe aqui, contudo, mencionar que todo este processo de aumento de produtividade na China não foi acompanhado por um aumento de consumo ou do endividamento das famílias como nos EUA antes da crise de 2008. Isto se deve às carências do sistema de proteção social que incentivam a formação de poupança das famílias e ao estímulo existente para que as empresas estatais, que dominavam a produção e tinham enormes lucros, retivessem seus lucros e aumentassem seus investimentos, pois isto aumentaria o prestígio político das elites políticas locais que controlavam tais empresas. Tudo isto fazia com que todo este ganho de produtividade se traduzisse em aumento de poupança interna o que, por consequência, elevava o superávit nas contas externas e na balança comercial, como vemos em amarelo no gráfico abaixo:

cachina Este aumento de poupança, aliado ao controle de capitais que impedia um aumento maior dos investimentos das empresas Chineses no exterior, permitia que fossem fixadas taxas de juros que estavam muito abaixo do crescimento nominal do PIB. Os juros dos empréstimos bancários eram tabelados ao redor de 6% a.a. enquanto o PIB crescia em termos nominais a mais de 12% a.a. A taxa de depósitos era fixada em 3% a.a. Ou seja, havia um subsídio implícito dos poupadores para os tomadores de quase 9% a.a. Este juro baixo para o poupador estimulava ainda mais a formação de poupança precaucionaria e estimulava ainda mais retenção de dividendos por parte das estatais, promovendo seus investimentos. Estava aberto o caminho para uma bolha de crédito e de investimentos. Todo o modelo estava centrado nesta dinâmica de poupança e investimento, através de uma taxação indireta da poupança e do subsídio ao investimento. Os governos locais e suas estatais se beneficiavam destes juros baratos e se alavancavam cada vez mais. O sistema financeiro, controlado politicamente pelo Estado, não exerceu seu papel na seleção de projetos de forma adequada.

A consequência disto tudo foi a uma apreciação real da moeda Chinesa, que, em termos reais se valorizou mais de 40% desde 2004, como vemos abaixo: cnyreal Este movimento, somado aos ganhos reais de salário por parte do trabalhador chinês, começou a minar a lucratividade das empresas chinesas, causando a redução no ritmo de crescimento de seus investimentos, como vemos em amarelo no gráfico abaixo da taxa de crescimento dos investimentos de capital: fbcfchina

Em 2008, a crise internacional pegou em cheio na economia chinesa. Com a queda da demanda dos países em desenvolvimento, a apreciação do valor real de sua moeda e elevação dos salários, os setores exportadores da economia começaram a perder gás. Para manter o crescimento econômico, o governo Chinês embarcou num processo de crescimento de investimentos em infraestrutura e imobiliário ainda mais acelerado que foi financiado por uma oferta de crédito barato. Isto causou uma forte elevação no endividamento das empresas e governos locais.  De 2008 para cá o volume total de crédito na economia chinesa saltou de cerca de 140% do PIB em 2008 para 175% em 2013. Destaca-se o crescimento do crédito a empresas, que saiu de 80% do PIB em 2008 e bateu 110% em 2013, e o crédito para os governos locais, que saiu de menos de 15% do PIB em 2008 para mais de 30% do PIB em 2013. Esta foi a forma encontrada pelos governos locais para atingir suas metas de crescimento, uma vez que o investimento auto sustentando pelos lucros das estatais começava a perder folego. O único setor da economia que reduziu o endividamento foi o Governo Central, que hoje tem uma dívida bruta inferior a 20% do PIB.

Aqui surge um outro problema do processo político chinês: embora o Estado tenha um controle bastante grande sobre a economia, os governos locais e o governo central muitas vezes atuam de forma independente. O BC chinês tentou esfriar este processo ao impor cotas de empréstimos aos bancos, ou seja, limites para o aumento de suas carteiras de crédito. Porém, a crescente demanda por crédito estimulada pelos governos locais nos últimos anos superou as cotas de empréstimos dos bancos, que direcionavam seus recursos limitados pelas aos melhores créditos. Os piores créditos, de perfil mais arriscado, não conseguiam acessar o sistema bancário. Surgiu aí um sistema de crédito “paralelo”, fora do sistema bancário, dentro de um processo acelerado de desintermediação que é inevitável dentro da evolução de qualquer mercado financeiro. Os tomadores, sem acesso ao crédito, e os poupadores, sujeitos a taxas de juros extremamente baixas pagas pelos bancos, criaram esta demanda por desintermediação. Surgem assim os Trustes, que são fundos de investimento, onde investidores emprestam recursos direto a um grupo de tomadores. Tais trustes são organizados por empresas independentes ou pelos próprios bancos, que originam os empréstimos e captam recursos junto aos seus clientes (empresas e pessoas físicas) que estão à procura de taxas de retorno maiores para seus investimentos. Os tomadores conseguiam assim levantar recursos, pagando juros superiores aos cobrados pelos bancos, junto a poupadores que desejam escapar da repressão financeira causada pelo tabelamento dos juros pagos nos depósitos por parte dos bancos.  Os créditos originados para estes fundos são na maioria dos casos destinados aos setores de infra urbana, imobiliário e mineração e financiam investimentos que possuem prazos bastante longos de maturação, prazos que são maiores do que o prazo dos passivos dos fundos, o que coloca tais estruturas sob o risco descasamento de prazo. Estima-se que 1/3 destes ativos vençam este ano e precisem ser refinanciados. O governo chinês também tenta regular a atividade destes trustes, porém a fragmentação deste mercado e as conexões políticas destes Trustes com os governos locais que usam tais entidades para levantar recursos, tornam a tarefa muito difícil.

Aparece, portanto, a primeira fratura no sistema. Do ponto de vista micro, ela surge com a deterioração geral da qualidade do crédito na economia: os juros pagos pelos tomadores aumentam com a entrada de um sistema paralelo de crédito que hoje fornece mais de 35% do volume novo de crédito na economia a juros em média 5% a.a. acima dos cobrados nos empréstimos bancários. Os lucros, que já estavam caindo com a perda de margem operacional das empresas, começam a sofrer com os juros maiores. Como tais empresas são a fonte principal de demanda de mão de obra e seus investimentos são a mola propulsora da demanda por infra, há uma maior contração nos investimentos que precisa ser contrabalançada com mais endividamento promovido pelos governos locais.

Do ponto de vista macro, os ganhos marginais de produtividade decorrentes do processo de urbanização caíram, pois de fato eram em parte transitórios. A expansão de oferta adicional traz cada vez menos retorno, ou seja, o retorno sobre os investimentos de capital caíram. Para se manter o mesmo retorno sobre o capital, é preciso aumentar a alavancagem ainda mais, o que aumenta muito o risco sistêmico da economia. O subsídio implícito nos juros praticados pelos bancos começa a se reduzir na medida em que os juros cobrados sobem no agregado com o crescimento do “shadow banking”  e o crescimento do PIB nominal cai com a queda dos investimentos. A liberação das taxas de juros promovidas pelas reformas recentes, embora necessárias para evitar que estas distorções continuem e se aprofundem, tendem a agravar esta situação no médio prazo. Este é um cenário péssimo para a rentabilidade das empresas chinesas.

Para se reverter este ciclo que está se tornando vicioso, é preciso reduzir gradualmente o volume de investimentos e a alavancagem na economia, trazendo seu ritmo de crescimento mais próximo ao crescimento da produtividade da economia. Esta solução passa por aceitar uma taxa de crescimento menor da economia, com uma queda dos investimentos em setores de uso intensivo de capital e com a sua migração para setores de menor produtividade, como o de serviços. É preciso, portanto, aumentar a demanda por serviços e o consumo dos chineses, e assim reduzir sua taxa de poupança. A formação da capital fixo deve vagarosamente deixar espaço para o consumo de serviços que absorvam a nova oferta de mão de obra a ser gerada. As empresas estatais, por outro lado, deverão aumentar os repasses de dividendos para os governos que precisarão aumentar os gastos com a rede de proteção social, de tal forma que se encoraje o povo Chinês a reduzir a poupança precaucionaria e  consuma mais.  As reformas apresentadas recentemente pelo presidente chinês vão nesta direção e estão corretíssimas. Contudo, toda reforma, toda mudança, é acompanhada de riscos. O povo chinês tem demonstrado nos últimos 100 anos uma enorme determinação no sentido de abraçar as reformas, mas há sempre o risco de algo sair errado no caminho.  Nada garante que as reformas desenhadas conduzam o país nesta direção sem ruídos. No curto prazo, o principal risco vem do próprio setor financeiro.

Os níveis absolutos de endividamento na China são elevados, porém ainda gerenciáveis uma vez que:

  • A formação de poupança bruta interna é enorme (mais de 40 % do PIB) e o país apresenta saldo externo positivo. Ou seja, todo o endividamento Chinês é financiado junto aos Chineses. Como há controles cambiais na China e o governo controla os maiores bancos chineses, fica muito difícil haver uma fuga de capital ou corrida aos bancos.
  • O governo central tem baixo endividamento (20% do PIB), déficits baixos (2,0% do PIB) e se financia a taxas de juros muito baixas (4,5% a.a.)
  • O PIB nominal cresce a taxas bem elevadas (10% a.a.), taxa superior a paga pelo governo central e pelas grandes empresas em seus empréstimos.
  • Possuem mais de US$ 3,8 tri em reservas externas.

Esta combinação de fatores permitem que o endividamento na China seja bastante superior ao nosso, que não chega hoje a 130% do PIB. Contudo, o acelerado crescimento do crédito nos últimos anos, em particular no sistema de crédito paralelo, levanta preocupações. Os ativos dos truste fundos saltaram de Rmb 2 tri (US$ 300 bi) em 2009 para Rmb 10 tri (US$ 1.6 tri) em 2013. Além dos truste fundos, outros instrumentos são usados na desintermediação através do sistema paralelo ( shadow banking), totalizando mais de US$ 5 tri. Muitos destes produtos foram vendidos por bancos a seus clientes mais ricos e foram “patrocinados” por governos locais, embora não haja nenhuma garantia formal por parte destes em tais investimentos. Logo, existe a percepção por parte dos investidores que tais produtos de investimento sejam garantidos. Este processo cria uma ambiente favorável ao chamado “dano moral”, onde os investidores não fazem a diligência devida na hora de investir seus recursos, pois acreditam que, se algo der errado, os bancos ou o governo irão resgatá-los.

Desta forma, é uma questão de tempo que alguns destes créditos comecem a apresentar problemas. E existe a especulação que um crédito grande (US$ 500 milhões) de uma mineradora de carvão financiada junto a um truste, que foi vendido por um grande banco chinês a dezenas de seus clientes, não consiga ser honrado no seu vencimento dia 31 próximo. O mercado trabalha com a hipótese que a perda dos investidores do Truste seja compartilhada com o banco e com o governo local que “patrocinou” a operação. Contudo, fica a lembrança da crise americana, quando, em 2007, os fundos da Bear Sterns, que investiam em papéis subprime, foram fechados devido a perdas em sua carteira o que levou à venda do Banco alguns meses depois, evento que se tornou precursor de toda a crise que se seguiu. Todos se perguntam: estaria a China na véspera de seu Minsky moment  ?

Todo processo de desalavancagem que sucede a um período de euforia na expansão de crédito é complexo e muito perigoso.  Ele demanda das autoridades um cuidadoso monitoramento. Por um lado, é saudável que os investimentos menos cuidadosos, mais arriscados e sem fundamentos sólidos, resultem em perdas para os investidores e poupadores, pois isto cria uma disciplina maior por parte destes na alocação de recursos na economia. Este é um fundamento básico para que os mercados de capitais funcionem adequadamente e aloquem os capitais da forma mais eficiente para a economia. Contudo, é importante ter em mente que tais perdas podem levar a uma crise de confiança sistêmica e a uma forte contração na oferta de crédito, como mostrou a experiência americana de 2008 e 2009. Para uma economia como a Chinesa que ainda é extremamente dependente do crédito interno, uma contração na sua oferta pode ser fatal. Para o futuro chinês, a liberalização do mercado financeiro é uma peça chave. Porém esta liberalização precisa ser gerenciada com cautela, pois as consequências podem ser dramáticas, não só para os chineses, como para o resto do mundo, pois a  China, cujo PIB é 4 vezes maior do que é o nosso e metade do americano, já não é mais uma economia marginal dentro da economia global.

Seja qual for o resultado de tudo isto, as coisas para o lado da China serão bem diferentes do que foram nos últimos 10 anos. E isto terá consequências para nós. Teremos tempos mais austeros à frente.

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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013 CHINA, Heróis do Mercado, Politica Economica | 14:31

Herói do ano: Presidente Chinês Xi Jinping

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O herói do ano, na minha opinião, foi o recém empossado Presidente da República Popular da China e Secretário Geral do Partido Comunista Chinês, Xi Jinping, que reagiu à perda de folego da economia chinesa, que desacelerou dos 10% a.a. de crescimento para cerca de 7,5% a.a. ( e a gente aqui feliz com 3 ou 3,5%…), e lançou um agressivo e ousado plano de reformas com o objeto de liberalizar os mercados financeiros, reduzir a interferência do estado na gestão das empresas estatais e promover uma urbanização de melhor qualidade.  Os juros passarão a ser definidos livremente pelos mercados e o câmbio passará a flutuar mais, seguindo as variações na curva de oferta e demanda. Ou seja, o líder recém empossado da China Comunista está embarcando em reformas liberalizantes, acreditando que os mercados podem sim contribuir para o crescimento de seu país, enquanto mantém o controle de empresas estatais mas saindo de sua gestão, o que deverá torná-las mais competitivas, produtivas e rentáveis.

Ele segue a tradição de outro grande líder chinês, Deng Xiaoping, que há  20 anos disse, de forma provocativa:

“Pobreza não é socialismo. Ser rico é glorioso.”

Um belo exemplo. A estrela amarela quer brilhar ainda mais.

 

 

xi jinping

 

 

 

Vamos torcer para que ele sirva de inspiração para todos os nosso líderes políticos que disputarão as eleições de 2014, por sua coragem e visão.

Deixo assim um agradecimento a todos que me acompanharam este ano. Desejo um super 2014 para todos, com muito PIB, pouco juro, muita escola, muita saúde e pouca corrupção.

Boas festas!

 

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segunda-feira, 25 de novembro de 2013 Brasil, BRICS, CHINA, Crise Brasileira, Livros e publicações, Politica Economica | 16:08

Como anda a atividade econômica?

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Pois é, parece que a economia está perdendo o gás  e abortando a recuperação ensaiada desde março último.

Veja no gráfico abaixo :

ibcpibmaua

 

  • o gráfico verde escuro mostra a evolução da taxa de trimestral de crescimento do PIB ( trimestre / trimestre anterior)
  • o gráfico verde claro mostra a taxa de crescimento trimestral do índice de atividade calculado pelo BC, que historicamente tem uma forte correlação com o PIB, ou seja, é um bom estimador para o PIB.

Em azul claro mostramos o crescimento antes da crise, que andava ao redor de 1,5% ao trimestre  ou 6% a.a. Nada mal.

Depois da forte desaceleração ocorrida em 2009, a economia se recuperou em 2010. Porém desde então só tem perdido folego ( vermelho), até chegar à estagnação no final de 2011.

De março de 2012 para cá podemos ver que a economia ensaiou uma retomada ( preto);

Porém,  os dados ( em amarelo) recentes capturados pelo índice de atividade do BC do B mostram que a economia pode estar perdendo gás novamente.

Ou seja, parece que o processo de elevação dos juros de curto prazo pelo BC do B e nos títulos de longo prazo  já esteja impactando a economia real.

DE fato a pancada nos juros de longo prazo de janeiro para cá foi enorme, como mostra o gráfico abaixo:

jurontnb

 

 

O gráfico inferior azul mostra as taxas de juros reais pagas nos títulos públicos indexados à inflação ( NTN -B) vigentes em janeiro deste ano, para os diversos vencimentos de títulos ( de 2015 até 2050) . Vemos que os títulos de 10 anos ( que vencem em 2023) rendiam 3,5% a.a. acima da inflação em janeiro.

De lá para cá tais taxas subiram de forma dramática ( preto), tendo chegado hoje ( Novembro) na curva amarela, batendo mais de 5,5% a.a. ( vermelho). Ou seja, o  juro real subiu 60% em função da:

  • elevação do juro selic por parte do BC do B para combater a inflação elevada e persistente que ainda temos;
  • elevação dos juros de longo prazo lá fora, em função dos sinais de melhora da economia americana que podem levar o FED a subir os juros mais cedo;
  • elevação do risco Brasil, em função da piora da situação fiscal, que aumenta o risco do rebaixamento de nossa nota de risco nos próximos meses.

Esta elevação dos juros de longo prazo aumenta o custo de capital para empresas e consumidores, diminuindo assim o consumo e o investimento, ou seja, o PIB. Para que a economia volte a retomar folego precisamos reverter os fatores que causaram elevação dos juros longos:

  • reduzir a inflação para permitir que BC do B retome processo de redução dos juros básicos.
  • torcer para que o FED demore para subir juro lá fora;
  • reduzir risco Brasil equacionando as questões fiscais e para fiscais, ou seja, aumentando o superávit primário de forma consistente e reduzindo a oferta de títulos públicos por parte do Tesouro ao conter o crescimento maluco do balanço dos bancos estatais.

Aí, quem sabe , poderemos retomar o processo de recuperação da atividade de forma gradual.

Porém, mesmo assim, tire o cavalo da chuva pois não teremos mais taxas de crescimento de 1,5% ao trimestre (sustentáveis ) se não endereçarmos as questões estruturais do país: temos que fazer com que a taxa de formação poupança doméstica suba. Poupança é definida como o % da renda nacional que não é gasto com consumo, mas sim investido.

Os gráficos abaixo,  com dados retirados do site do IBGE

http://seriesestatisticas.ibge.gov.br/lista_tema.aspx?op=0&no=12

representam:

  • gráfico vermelho é a evolução da carga tributaria bruta no PIB e o roxo mostra sua tendencia central
  • gráfico azul mostra a participação da poupança nacional sobre a renda bruta nacional desde 1947  e o verde mostra sua tendencia central
  • gráfico tracejado laranja mostra a tendência de crescimento de nossa poupança doméstica prevalecente entre  1947 e 1988 e extrapolado até hoje.

pouphist

 

 

Notamos, em geral, uma tendência de aumento na carga tributária, que foi interrompida apenas entre 69 a 85, período de nossa história recente que apresentou as maiores taxas de poupança interna .

Tivemos, a partir de 89 ( amarelo), uma forte aceleração da carga tributária (T – marcado em preto) , e uma queda na taxa de poupança (S – marcado em cinza), que interrompeu sua tendencia de alta que seguia desde 1947. Ou seja, depois de 1988, e da famosa e já comentada Constituição Cidadã, nossa poupança interna caiu e estagnou ao redor dos 17% do PIB mais recentemente.

Desde o pico do confisco do governo Collor, as administrações FHC, Lula e Dilma foram incapazes de retomar o crescimento da nossa poupança interna. Tivemos apenas uma elevação transitória da taxa de poupança entre 1999 e 2005 que foi produto da forte elevação do preço das commodities, o que produziu um ganho nos termos de troca em nosso comércio exterior e um aumento da renda do setor agrícola e de mineração, como mostra o gráfico abaixo, da evolução do preço das commodities desde 1981:

coomod

As commodities, cujos preços estavam estagnadas desde 1981 ( cinza), começaram a reagir em 2003 ( verde), impulsionando o valor de nossas exportações. Porém, tudo indica que este processo de alta de preços se encerrou ( amarelo).

Caso a poupança interna tivesse seguido sua tendência central prevalecente entre 1947 e  1988, nós hoje teríamos uma poupança interna de 27% do PIB ( gráfico laranja acima), quase o dobro do que temos hoje, algo que nos colocaria mais próximos dos asiáticos, campeões de poupança.

Assim, parece que a Constituição Cidadã e o modelo mais socializante de todos os governos que a seguiram provocaram este forte aumento da carga tributária, que causou esta estagnação na taxa de formação de poupança. Talvez isto seja uma consequência da repressão sofrida durante a ditadura. A enorme repressão daqueles anos gerou um  aumento das expectativas da sociedade e uma enorme desconfiança nos poderes constituídos. Logo, a sociedade preferiu registrar na carta magna todas as suas aspirações na forma de obrigações do Estado, sem se preocupar em como financiá-las.

A poupança, como vimos, é igual ao investimento produtivo. Logo, para aumentarmos o capital produtivo, precisamos reduzir a parcela da renda que gastamos com o consumo e com impostos, uma vez que apenas uma pequena parcela de nossos impostos ( menos de 10%) é gasta pelo governo em investimentos. Como temos uma demanda reprimida por bens de consumo em função da baixa renda de nossa população, fica difícil reduzir o consumo das famílias, em particular com a economia trabalhando no pleno emprego como atualmente. Logo, precisamos reduzir os impostos, para que assim sobre mais renda e, portanto, mais poupança.

Neste sentido, vale a pena ler:

http://eesp.fgv.br/sites/eesp.fgv.br/files/file/Fernando%20Holanda%20Barbosa%20Filho%20-%20O%20BRASIL%20PODE%20REPETIR%20O%20MILAGRE%20ECON%C3%94MICO%2025-9-2013.pdf

Vejam alguns gráficos e tabelas retirados do excelente texto:

dobrarenda

Esta tabela acima mostra períodos na história de alguns países onde a renda per capita dobrou. No caso Brasileiro, isto ocorreu entre 71 e 82, quando a carga tributária ficou parada!

pouppaises

 

Esta tabela mostra a evolução da taxa de poupança de alguns destes países desde 1980. Vemos que, enquanto os tigres tinham poupança de 30% ou mais, nós ficamos poupando 18%, ou menos. Parece que nós poupamos, e, por conseguinte, gastamos, como ricos e não como emergentes e pobre que somos.

escolaridadeO nível de escolaridade ( anos na escola- verde ) de nossa população é bem pior do que no caso dos tigres do oriente.  Nosso nível de escolaridade atual é compatível com o deles em 1975. Estamos mais de 30 anos atrasados neste aspecto.

crescbrascontrib

 

E veja acima da onde vinha o crescimento nos anos 50, 60 e 70: de aumentos na PTFH ( produtividade geral – verde) e do estoque de Capital acumulado ( preto). Hoje ( amarelo) estes dois itens não sobem….

crescprocesso

 

E vejam acima o que aconteceria se elevássemos a produtividade de 1% a.a. para 2% a.a. ( como nos anos 70) e a taxa de Investimento ( ou taxa de poupança) de 18 % para 28% do PIB: sairíamos de um crescimento potencial de 3% a.a. (amarelo) para os 5,6% a.a. ( verde), como mencionei acima.

Seguem agora alguns gráficos que fiz com dados do FMI

http://www.imf.org/external/pubs/ft/weo/2013/02/weodata/index.aspx .

Vejam os gastos gerais do governo de alguns países vis a vis o Brasil, média 2009 – 2013:

gastogovpibpaises

 

Estamos lá no fim da tabela ( marcado em preto), junto com a Turquia . Só a Suécia gasta mais do que a gente. E os asiáticos, campeões de crescimento, estão lá embaixo… Ou seja, governo emergente gasta pouco. Governo de país rico gasta muito. E nós, na contra mão.

E veja como estamos no que diz respeito a Poupança Nacional:

pouppibpais

 

Estamos lá embaixo ( marcado em preto), junto com a Turquia, enquanto os asiáticos estão lá na direita.  Até os suecos poupam mais que nós. Ou seja, fica claro novamente que imposto elevado significa poupança baixa.

E veja o que aconteceu com PIB destes países desde 2009:

pibpais

 

Estamos marcados em preto. Nesta amostra, cresceram menos do que nós:

  • o México, que tem uma economia ligada aos EUA, país que, em 2009,  foi o epicentro da maior crise dos últimos 50 anos,
  • os Emirados que dependem exclusivamente do crescimento de sua produção ( e da demanda global) de petróleo.

Ou seja, fica meio óbvio que:

a. para crescermos mais precisamos mais Investimentos e maior produtividade;

b. para termos mais produtividade precisamos aumentar o nível educacional;

c. para termos mais investimentos precisamos de mais poupança interna;

d. para podermos poupar mais precisamos pagar menos impostos;

e. para pagarmos menos impostos, precisamos de menos gastos públicos;

f. e para gastarmos menos precisamos rever algumas coisas sérias neste país, como a própria Constituição Cidadã de 1988 e como iremos financiar a montanha de gastos públicos que ela provocou.

Será que ninguém vê isto?

Eu acredito que nossa agenda socializante dos últimos  20 anos, embora tenha reduzido as desigualdades nesta geração, reduziu o potencial de crescimento para as futuras gerações, ao reduzir a capacidade de gerarmos mais poupança hoje, e assim mais investimentos, que permitem uma expansão maior da produção e da renda no futuro. Eu desafio os socialistas de plantão a me demonstrarem o contrário.

A frase recente do Prefeito Haddad de São Paulo em manifestação quando foi vaiado é emblemática neste sentido:

“Se precisamos cobrar um pouquinho mais de IPTU de quem tem muito para levar para quem tem pouco, não vamos nos intimidar.”

À primeira vista, como todo discurso populista social, isto soa razoável. Mas de fato ele está tributando, além dos moradores das regiões centrais da cidade, sejam eles ricos ou pobres, os  empresários e comerciantes que têm estabelecimentos nesta região, porque “eles têm mais”,  algo que, no Brasil, virou crime e motivo de vergonha. Mas depois reclamam da falta de investimentos privados. Ou seja, os bairros mais nobres se transformarão em guetos da elite, elite esta que pode arcar com este aumento do IPTU, como diz o SR Prefeito, contrariando  a tese urbanística defendida pela então prefeita  Marta Suplicy, que apoiava a diversidade social em todas as regiões da sociedade, algo que eu concordo totalmente.

Precisamos rever esta questão e discutir as seguintes perguntas:

  • se ao aumentarmos de forma agressiva o bem estar social das gerações presentes estamos reduzindo as enormes desigualdades de renda  numa velocidade acima da redução das desigualdades de produtividade entre os diversos estratos da sociedade, quanto de crescimento futuro estaremos abrindo mão para as gerações futuras?
  • se ao tributarmos cada vez mais as empresas e os donos de capital estamos acelerando assim o processo de redistribuição de renda  mas reduzindo a taxa de poupança e, com ela, o potencial de crescimento futuro de nossa economia, qual o limite mínimo de crescimento econômico que podemos tolerar sem afastar de vez o investimento privado?

Eu acho que, para endereçarmos os rumos de nossa economia, precisaremos debater algumas questões ideológicas e suas implicações econômicas no curto, médio e longo prazo. Senão não haverá nenhum candidato, nem partido, que eleito consiga fazer as reformas econômicas tão necessárias.

Sigamos o exemplo do Partido Comunista Chinês, que, ameaçado pela desaceleração do crescimento econômico, está revendo alguns conceitos pétreos do seu regime e propondo várias reformas de caráter liberal, as mais importantes  das últimas décadas. Até Cuba já começou a se mover nesta direção.

 Coragem, camaradas!

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quarta-feira, 18 de setembro de 2013 CHINA, Crise Brasileira, Politica Economica | 23:44

Atividade econômica e confiança: para onde estamos indo?

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Uma das perguntas mais frequentes que ouço: mas para onde vai a atividade econômica? Estamos voltando a crescer?

Bom, quem lê esta coluna já sabe que eu adoro um gráfico, pois uma fotografia torna a conversa bem mais objetiva:

ibcbrsa

 

 

Estes gráficos acima mostram a evolução das taxas de crescimento anual do Índice de atividade econômica calculado pelo BC do B, já ajustado sazonalmente.

O gráfico azul mostra a evolução desde 2004 da sua taxa de crescimento anualizada, quando comparamos a atividade do mês com o mesmo mês do ano anterior.

O gráfico verde tenta tirar os ruídos de curto prazo de tal índice, e mostra a evolução da taxa de crescimento anual dos últimos 3 meses comparados com os mesmos três meses do ano anterior.

O gráfico vermelho mostra a evolução da taxa anualizada de crescimento de curto prazo, que compara a atividade nos últimos 3 meses com a atividade nos 3 meses imediatamente anteriores.

Já o gráfico roxo mostra a evolução da taxa de crescimento da tendência de longo prazo da atividade econômica medida por tal índice.

O que podemos observar:

a. vemos marcado em cinza que até 2008 a atividade crescia ao redor de 5% a.a., oscilando ciclicamente entre 2 e 7% aa. Vemos que a linha roxa da tendência de crescimento permaneceu estável naquele período ao redor dos 5% a.a.;

b. marcado em marrom temos o período da crise de 2009, quando a atividade mergulhou, recuperando-se logo em seguida;

c. marcado em preto temos a forte desaceleração que vivemos desde 2010 até meados de 2012.

d. notamos também que o gráfico roxo da tendência de crescimento , que andava a quase 5% até 2009, se desacelerou desde 2007 , e parece que está se estabilizando ao redor de 2% a.a.

e. de meados de 2012 para cá, notamos que economia retomou seu folego, como marquei em rosa. Saímos de uma estagnação em meados de 2012, para um crescimento de quase 3% a.a., o que apareceu nos dados do PIB do segundo trimestre.

f. contudo, os dados mais recentes mostram uma mudança de trajetória ( marcado em amarelo), quando os gráficos verde e azul mostram uma inflexão, e o gráfico vermelho mostra que a economia perdeu bastante momento no curto prazo.

Outra observação interessante pode ser tirada do gráfico abaixo fornecido pelo Banco Barclays, que mostra a evolução da taxa de crescimento anual da economia chinesa desde 2006:

chinapib

 

Vale a pena notar que a nossa economia teve um comportamento, em termos relativos, muito similar ao da chinesa, tanto no período marcado em cinza ( pré 2009), como na crise ( marrom) e no período posterior ( em preto), quando esta se desacelerou de forma constante e análoga à economia brasileira. Marquei em amarelo a projeção da taxa de crescimento da economia chinesa para os próximos anos, de acordo com o banco, que mostra uma certa estabilidade, porém com um leve viés de queda, recuando para cerca de 7% a.a. nos próximos anos.

O gráfico abaixo mostra a evolução da taxa de crescimento anual do PIB Chines ( amarelo – referente ao eixo vertical à direita) e do PIB Brasileiro ( verde – referente ao eixo vertical à esquerda) desde 2001:

brazilchinapib

 

Mesmo considerando as diferenças em magnitude, fica bastante evidente que nossas economias andam juntas, o que também pode ser mostrado abaixo no gráfico de dispersão:

gdpchinbras

 

Os pontos azuis representam as observações corridas desde 2002, sendo o PIB chinês mostrado na abcissa e o o PIB brasileiro na ordenada. A reta vermelha mostra a correlação entre nosso crescimento e o Chines desde 2002. Nosso PIB tem variado em média segundo uma relação simples: 1,2 x PIB chines – 7,5%… ou seja, se o PIB chines cai 1%, nosso cai um pouco mais. E no longo prazo, o PIB deles tem andado a 7,5% a.a. acima do nosso .

SE a economia chinesa crescer os tais 7,0% no ano que vem, mantida esta relação história, nosso crescimento deveria ser de 1% a.a. em 2014. Evidentemente que ao longo destes anos houve momentos onde ocorreram enormes dispersões entre a taxa prevista pela correlação acima  e a realidade, como pode ser visto no gráfico de dispersão. Contudo fica claro que a economia chinesa não deve prover um suporte para nosso crescimento daqui para frente.

O que poderia mudar este cenário?

Assumindo que a economia chinesa se comporte como previsto, e que não tenhamos nenhuma surpresa ou susto no resto do mundo, haveria dois cenários alternativos a este:

a. o investimento de capital por aqui poderia se acelerar em virtude do choque positivo de demanda que virá dos projetos de infra, logística e transporte que estão sendo patrocinados pelo setor público. A demanda gerada por estes investimentos poderia acelerar a taxa de crescimento no médio prazo.

b. por outro lado, a cadente confiança de empresários e consumidores poderia reduzir o consumo e investimento ainda mais e trazer o crescimento para baixo. Os gráficos abaixo mostram que as expectativas de empresários e consumidores pioraram muito recentemente:

expect

 

O mesmo pode ser notado nas sondagens da FGV (http://portalibre.fgv.br/main.jsp?lumChannelId=402880811D8E34B9011D92E5C726666F)  junto a consumidores, indústrias e  serviços:

confserv confind conconsfgv

 

O que estaria afetando a confiança dos empresários e consumidores? Bom, podemos listar alguns fatores:

a. as recentes manifestações populares aumentaram a insegurança das pessoas em geral;

b. a elevação da inflação e do custo de vida reduziu o poder de compra das famílias e o consumo;

c. o elevado endividamento das famílias retirou o ímpeto em novas compras;

d. a elevação da cotação do dólar encareceu o custos de insumos e de bens de capital importados, reduzindo o apetite das indústrias;

e. a elevação dos juros por parte do BC.

Alguns destes fatores tem efeitos temporários, outros são mais permanentes, como no caso dos juros, da inflação e do endividamento das famílias. Logo, não podemos descartar um cenário de uma queda ainda maior da taxa de crescimento de nossa economia.

Para evitar que isto ocorra vamos precisar que o governa consiga reverter as expectativas negativas. Vamos depender da eficiência do governo em promover os investimentos necessários em infra e nas concessões / privatizações e das atuações do BC no mercado cambial para conter a tendência de desvalorização do dólar e seus efeitos sobre a inflação,  evitando assim que o BC tenha que subir os juros para além dos 10% a.a que o mercado espera para os próximos meses. Tais ações podem ajudar a reverter a queda da confiança e assim manter um crescimento razoável da economia. Neste contexto, a recente decisão do FED de não iniciar o processo de redução das compras de papéis no mercado ajuda bastante.

Contudo, ainda ficam algumas questões pendentes que precisam ser respondidas para que possamos avaliar se a breve recuperação da atividade  dos últimos meses pode ser sustentada nos próximos anos:

  • quando chegaremos ao limite de endividamento das entidades sob o controle público: BNDES, CEF, BB, Petrobrás e Eletrobrás?  O que acontecerá se tal endividamento continuar a crescer neste ritmo acelerado e nos levar a uma redução na nossa nota de risco de crédito por parte das agências classificadoras de risco?
  • até quando nosso déficit externo continuará a subir? Teremos uma entrada de capitais de longo prazo em volume suficiente para financiar este déficit crescente?
  • o que acontecerá com a confiança das famílias e com a oferta de crédito para o consumo se o emprego continuar a perder folego, e o desemprego voltar a crescer?
  • até quando conseguiremos impedir uma correção nos preços dos combustíveis, sem deteriorar demais o balanço da Petrobrás e sua capacidade de investimento?
  • o que acontecerá com o dólar quando o BC interromper seu programa de venda de derivativos cambiais? Para onde irá a inflação num cenário destes?

São questões fundamentais que certamente serão respondidas ao longo dos próximos meses. Porém ter que responder a algumas destas perguntas num ano de eleições é uma tarefa bastante desafiadora para qualquer governo em qualquer lugar do mundo.

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quarta-feira, 11 de setembro de 2013 Brasil, BRICS, CHINA | 02:43

Bons ventos que chegam do oriente

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Dados recentes da China estão dando uma animada nos mercados, como vemos no gráfico abaixo da bolsa chinesa:

bolsachina

Vemos no gráfico acima a evolução do índice da bolsa chinesa desde 2012, com destaque para a forte queda que vinha desde o começo do ano ( vermelho), e o forte rally ( verde) que temos tido nas últimas semanas.

Este ânimo recente é fruto de alguns dados positivos que saíram sobre a economia chinesa, tais como as pesquisas sobre a atividade industrial  que vêm mostrando alguns indícios de recuperação ( em verde abaixo), depois de uma queda forte que vinha ocorrendo desde 2009 ( amarelo), como mostra o gráfico abaixo do PMI das industrias chinesas:

pmimanchina

 

E dados sobre a economia real publicados nos últimos dias reforçam estes sinais de retomada, como vemos na tabela abaixa produzida pelo Banco GS:

chinad1

Vemos, marcado em laranja no topo da tabela,  que a produção industrial ( IP) vem se acelerando desde junho.

Já as vendas no varejo ( verde) retomaram seu  folego em junho e continuam crescendo, em ritmo real mais forte do que no início do ano.

Em cinza acima temos a evolução do investimento de capital fixo que também se acelerou nos últimos meses ( cinza).

A tabela abaixo mostra que o investimento de capital na indústria ( verde) chinesa se acelerou bastante nos últimos meses, compensando uma desaceleração no investimento feito no mercado imobiliário ( amarelo)

chindata2

 

A produção de energia também se acelerou, como vemos marcado em verde no gráfico laranja abaixo, que é consistente com a aceleração da produção industrial ( azul):

 

cvhinadata3

 

 

Vemos, contudo, que o ritmo de crescimento da indústria ainda é bem inferior ao que acontecia até 2008.

Esta aceleração na atividade industrial acelerou a produção de aço ( gráfico azul abaixo),o que elevou a importação de minério ( gráfico cinza abaixo):

orechinasteel

 

Tal aceleração na demanda fez com que os preços de aço e de minério na China se recuperassem desde julho último, como vemos nos gráficos acima.

É uma boa notícia para a Vale, como para todos os mercados emergentes, o que ajuda a melhorar o humor na bolsa aqui e no mercado de câmbio.

O que causou esta melhora? Eu acredito que ela seja resultado de alguns fatores:

a. mercado estava bastante pessimista com relação as perspectivas da economia chinesa, o que fez com que muitos investidores reduzissem suas posições em ativos chineses e em ativos correlatos, como a nossa moeda e ações de algumas empresas produtoras de commodities, ao longo deste ano. Logo, com a melhora do cenário, os mesmos investidores voltaram a reconstruir parte da posição que se desfizeram. Ou seja, está havendo uma certa correção técnica;

b. reduziu-se bastante as incertezas sobre a condução da política econômica pelo novo governo chinês que assumiu este ano o comando da máquina chinesa;

c. o mercado monetário chines se acalmou ( verde), depois do forte aperto de liquidez ocorrido em junho ( vermelho) , como vemos no gráfico abaixo da evolução dos juros de curto prazo na China em 2012 e 2013:

jurochincp

 

d. a economia começou a reagir a forte aceleração na oferta de crédito que ocorreu desde o final de 2012, como mostra o gráfico abaixo azul:

credchina

 

Em amarelo, marquei a forte aceleração na oferta de crédito geral na economia chinesa que vem ocorrendo desde o final de 2012 ( TSF), crédito que está crescendo a uma velocidade acima daquela vigente entre 2005 e 2009, porém desacelerando na margem.

Há, entretanto, um certo ceticismo por parte de vários analistas sobre a intensidade e a sustentabilidade de tal recuperação, pois a oferta de crédito deve continuar a se desacelerar na margem, já que o governo chines sabe que o ritmo atual de crescimento do crédito não é sustentável.

Ou seja, não sabemos quanto tempo vai durar estes bons ventos do oriente… mas vamos surfando a onda …

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quarta-feira, 17 de julho de 2013 CHINA, Crise Brasileira, Investimentos, Juros EUA | 06:23

Duas más notícias para o Brasil: China e mercado de títulos

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Primeiros gráficos mostram a desaceleração nos agregados de crédito e monetários na China:

Gráficos mostram que crescimento do crédito e dos agregados monetários na China virou (os dois gráficos superiores e o inferior a direita). Ou seja, há sinais de mais desaceleração da economia Chinesa a frente, pois os caras são viciados em crédito. Isto significa uma menor demanda por nossas commodities. Gráfico inferior a esquerda mostra o susto monetário recente, quando as taxas de juros no mercado interbancário chinês dispararam e a liquidez sumiu por alguns dias… Lembra muito o ano de 2008 nos EUA….

Outro dado preocupante levantado pela o banco Goldman Sachs: das 3137 empresas chinesas não financeiras listadas nas bolsas asiáticas cerca de 15% delas não conseguem gerar lucros antes de impostos e depreciação (EBITDA)  suficientes para pagar nem mesmo os juros de suas dívidas, dívidas estas que totalizam cerca de US$ 220 bi. A maioria destas empresas com sérios problemas de geração de caixa está nos setores de matérias primas, aço, minério, estaleiros e semicondutores. Ou seja, setores cíclicos e que, em sua maioria, são consumidores de commodities. Ruim para nós.

E veja o que está acontecendo com o crescimento do PIB daquele país desde 1999:

Veja em vermelho a forte desaceleração que ocorre desde 2010 ( é uma tendência clara), o que é totalmente diferente da aceleração que vivemos de 2002 até 2008 ( verde) , quando surfamos bonito em cima da onda chinesa. Tudo indica que a China irá crescer em ritmo inferior daqui para frente, muito similar ao do final dos anos 90 ( marrom).

O último gráfico mostra o fluxo de recursos investidos ou resgatados ( barras azuis apontando para baixo)  dos fundos americanos que investem em títulos de renda fixa globais.: continua a saída de recursos. Ou seja, o custo de recursos externos para financiar nossos investimentos e nosso déficit externo vai subir mais:

O Tsunami monetário americano ( período marcado em verde acima), que causou um fluxo imenso de recursos direcionado aos mercados globais de renda fixa, parece que acabou ( marcado em vermelho). Ou seja, Ministro Mantega: cuidado com o que senhor deseja pois pode acabar acontecendo….

O mercado externo não parece que vai nos ajudar desta vez..

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quarta-feira, 10 de julho de 2013 CHINA, Crise Brasileira, Investimentos | 11:54

China continua dando sinais de fraqueza

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O comércio exterior sempre foi um excelente indicador da saúde da economia chinesa, tanto do lado de suas exportações, fundamentais para manter a máquina industrial daquele país rodando a pleno vapor, como do lado de suas importações, fundamentais para países como o nosso, cujas exportações dependem do ritmo das importações chinesas.

Pois bem, o gráfico abaixo mostra que exportações e importações chinesas continuam desacelerando :

O gráfico vermelho mostra a taxa anual de crescimento das importações chinesas e e o azul de suas importações. Até 2008 eles cresciam a mais de 20% a.a. ( verde). De 2010 para cá tem havido uma desaceleração constante ( preto), e os últimos dados ( amarelo) confirmam que o crescimento estagnou mesmo.

Péssima notícia para nossas exportações e mal sinal para o preço das commodities. Veja qual o % de demanda das commodities que se deve a China:

Steel ( aço ), 50%…

Soybean ( SOJA), 30%…

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quinta-feira, 25 de abril de 2013 CHINA | 10:47

Sinais de fraqueza estão vindo da China

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Após o fraco ano de 2012 todos esperavam uma melhora em 2013 com o novo governo chinês.

Mas os gráficos abaixo mostram que a coisa não está bonita.

O primeiro mostra a taxa de crescimento do volume de tráfego aéreo, que indica uma desaceleração recente ( em laranja) :

O  volume de importação de petróleo também desacelerou bastante, como vemos em amarelo no gráfico abaixo que mostra a evolução da variação anual do volume de petróleo importado nos últimos 3 meses comparado com o mesmo período do ano anterior:

Veja no gráfico abaixo em vermelho que mostra a evolução da importação de petróleo pela China nos últimos 12 meses desde 2004:

Marquei em verde a forte aceleração na importação de petróleo entre 2009 e 2011, quando a China acelerou a oferta de crédito em resposta a crise externa. E marcado em cinza vemos que, desde 2012, as importações de petróleo estão estagnadas.

E o mesmo pode ser visto no gráfico abaixo que mostra a taxa de crescimento anual da produção de energia na China:

onde fica clara a tendência de queda ( em cinza ) e a queda forte recente ( amarelo).

Logo é provável que a produção industrial ( gráfico azul ) continue a desacelerar por aquelas bandas.

Veja outros gráficos abaixo que mostram uma desaceleração na atividade  de acordo com o índice calculado pelo UBS no gráfico à esquerda marcado em vermelho:

E para piorar o quadro, o consumo interno também está desacelerando, como vemos baixo marcado em amarelo:

Tudo isto pode ser efeito:

a. do surto de gripe;

b. das medidas de austeridade de gastos impostas pelo novo governo ( bom exemplo para nós);

c. do aperto feito no sistema de crédito paralelo e no mercado imobiliário;

d. ou de uma fadiga estrutural do modelo chinês???

E o remédio adotado tem sido o mesmo desde 2009:

mais crédito aos governos locais  para financiar a infra, como vemos nos gráficos abaixo:

que mostram que o investimento na manufatura ( indústria) desacelera ( marcado em amarelo), enquanto o investimento público em infra dispara ( em marrom), da mesma forma que aconteceu em 2009 ( marcado em lilás).

Isto tem limites e vai dar problema sério mais a frente. Não sabemos quando e como, porém da mesma forma que aconteceu nos EUA com estouro da bolha imobiliária, um dia a casa cai…

Mais um motivo para o BC do B ser cauteloso? Não sei, mas é mais um motivo para achar que o nosso PIB deste ano irá crescer menos do que os 3% a.a. que o mercado está esperando.

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domingo, 16 de dezembro de 2012 CHINA, Crise global, Sem categoria | 03:56

Uma boa notícia para a economia!

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Bem, finalmente uma boa notícia para a economia… chinesa, é claro.

Os últimos dados mostram que a economia de lá dá sinais de recuperação, como vemos abaixo nos gráficos do Banco CS:

O Primeiro gráfico, no canto superior esquerdo, mostra que a produção industrial, as vendas de varejo e o investimento de capital estão dando sinais de inflexão ( marcado em verde), interrompendo a trajetória de queda desde meados de 2011.

O gráfico no canto superior mostra a produção industrial, que parece que vai voltar a subir,  marcado em verde escuro, em padrão similar ao visto na década de 90 e em 2008.

O gráfico no canto inferior esquerdo mostra que o investimento na economia chinesa volta a se acelerar ( em amarelo), o mesmo ocorrendo com as vendas de varejo, conforme gráfico no canto inferior direito, marcado em azul.

Ou seja, há fortes sinais que economiaa chinesa já passou pelo seu pior momento.

Contudo, para que esta recuperação não se frustre , é fundamental que o novo governo chinês embarque numa nova rodada de reformas necessárias para manter a economia chinesa competitiva e dinâmica…. Ou seja, não dá para ficar parado comemorando…

Uma boa notícia para o Brasil, pois parece que o rebocador Chinês pode nos ajudar a sair do encalhe onde nos encontramos!

Força China! Vamos torcendo!!!Agora somos todos chineses!!!

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segunda-feira, 26 de novembro de 2012 CHINA | 15:07

Juro sobe na China: ótima notícia!!!

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O mercado de renda fixa tende a antecipar as tendências da economia. Quando os juros longos caem, é sinal que o mercado espera que a economia esfrie, e vice-versa. Eu acredito que o mercado de renda fixa de fato seja mais eficaz que o mercado de bolsa na antecipação dos movimentos da economia como um todo.

Se esta percepção se confirmar no caso chinês podemos ter boas notícias nos próximos meses vindas do oriente.

O gráfico abaixo mostra a evolução, desde 2009, do índice PMI, que indica  a situação presente da indústria chinesa em laranja, e a evolução das taxas de juros de 5 anos (em branco):

A seta amarela mostra o esfriamento da economia chinesa desde o final de 2010, que foi acompanhado pela queda dos juros. Recentemente notamos uma inversão do quadro ( em verde), quando os juros de 5 anos subiram ao nível mais alto em 12 meses, enquanto o PMI apenas esboça uma recuperação, o que pode indicar que o mercado de renda fixa espera que a economia tenha uma melhora nos próximos meses.

Pode ser torcida, porém tudo indica que o pior já passou por aquelas bandas…

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