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Arquivo da Categoria Crise Brasileira

quarta-feira, 16 de setembro de 2015 ataques especulativos, Crise Brasileira, Empresas, Investimentos | 14:50

A gigante estatal está virando sucata?

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Veja o que aconteceu com os papéis de renda fixa (??)  emitidos pela nossa Petrobrás no exterior:

http://bicadasdogallo.blogspot.com.br/2015/09/nosso-mega-junk-bond.html

Triste.

Vamos fazer assim então:

  • vende a empresa
  • cobra um royalty enorme sobre cada barril extraído
  • pega esta grana e usa para financiar a previdência

Não gostou?  Então:

  • vamos ter que aumentar impostos & cortar gastos públicos para financiar a previdência, como proposto por Levy.
  • vamos ter que aumentar impostos novamente nos próximos anos para que o Estado possa capitalizar a empresa e ela continue com seus planos de investimento, pois novos empréstimos em dólares para a empresa estão custando mais de 9% a.a.  e ficarão cada vez mais escassos.
  • ou vamos ter entregar toda a produção futura de petróleo da empresa para os Chineses em troca de grana, como os Venezuelanos fizeram na PDVSA

Não gostou? Então:

  • Deixa o rombo do governo aumentar e o país perder acesso ao crédito externo como nos anos 90;
  • Corta os investimentos na Estatal;
  • Imprime moeda para financiar gasto público gerando uma hiperinflação, como nos anos anos 90;
  • E aprende a viver como os Argentinos e Venezuelanos, cheios de riquezas naturais, mas  em eterna crise.

Você decide.

Dureza né??

 

 

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terça-feira, 15 de setembro de 2015 ataques especulativos, Crise Brasileira, Politica Economica | 09:39

Armínio e Delfim: consenso sobre necessidade de ajuste fiscal de longo prazo

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Artigo do ex Presidente do BC Armínio Fraga e entrevista do ex Ministro Delfim Netto mostram um consenso jamais visto sobre a necessidade de uma profunda reforma que garanta a sustentabilidade do gasto público no longo prazo. Ou aproveitamos este consenso, ou vamos todos experimentar nosso momento grego. Só falta o Beluzzo…

Veja o que disse Fraga:

Com frequência se diz por aí que nunca se viu situação econômica tão ruim quanto a atual. Discordo. Entre 1982 e 1993, a “década perdida” do caos da hiperinflação e da moratória externa, o Brasil amargou queda na renda por pessoa de cerca de 1% ao ano!

Mas o Brasil vive hoje sim uma crise grave, que escancara as consequências do modelo político e econômico atual. Este se caracteriza pela captura, agigantamento, incompetência e falência do Estado. Captura por interesses partidários e privados, que sem qualquer escrúpulo montaram não um, mas dois enormes esquemas de corrupção voltados para sua preservação no poder e enriquecimento pessoal. Agigantamento, pois o gasto público se aproxima de 40% do PIB, número elevado, especialmente para um país de renda média. Incompetência por não entregar os serviços de qualidade que a sociedade demanda, apesar dos recursos despendidos. Falência pela perda da disciplina fiscal, fator que pesou na recente perda do grau de investimento, com destaque para a admissão pelo próprio governo de sua incapacidade de manter um superávit primário capaz de evitar a explosão da dívida pública. Estamos em maus lençóis, pois não há na História caso de país que tenha se desenvolvido plenamente sem um Estado decente, eficaz e solvente.

Outras características do atual modelo econômico incluem um elevado grau de dirigismo, um claro desprezo pela eficiência em geral, e pelo mercado em particular, um relativo isolamento do mundo, uma má alocação do capital (em boa parte feita pelos bancos públicos), políticas setoriais mal desenhadas, um sistema tributário complexo, que distorce e encarece a atividade empresarial, e um aparato regulatório desprestigiado e, em alguns casos, mal tripulado. Não surpreendentemente, a produtividade da economia vem sofrendo bastante.

 As consequências disso tudo, em boa parte previsíveis, estão aí, visíveis a olho nu: juros estratosféricos, incerteza elevada, baixo investimento (especialmente em infraestrutura), profunda recessão e, o que é pior, uma economia incapaz de crescer. Os impactos sociais já se fazem sentir e tendem a se agravar. A esta altura, não se pode descartar a hipótese de que o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff seja o início de uma nova década perdida.

 Esta crise requer um tratamento proporcional ao seu tamanho. Isso não tem sido possível em função de barreiras ideológicas e de incompetência, além das naturais dificuldades de um governo corrigir algo feito por si mesmo, e da crise política que deve perdurar.

Não surpreende, portanto, que a atual resposta à crise não venha obtendo bons resultados, limitando-se, na prática, a alguma austeridade fiscal, ao aperto monetário (posto que a inflação está há tempos bem acima da meta), à liberação de preços e ao anúncio de algumas boas reformas, no geral não implantadas. Ao mesmo tempo, medidas irresponsáveis do ponto de vista fiscal vêm sendo aprovadas, como o Plano Nacional de Educação (tema crucial, solução inadequada) e a revogação do fator previdenciário. Ademais, a queda nos preços das exportações e as paralisantes implicações de curto prazo da mais do que bem-vinda Lava-Jato agravam ainda mais o quadro.

Com o intuito de ajudar a mapear os desafios no campo econômico, e sem ilusões quanto à superior importância da política em fazer as opções certas e conduzir o processo, listo abaixo dois conjuntos de respostas à crise. Se posto em prática, o primeiro sinalizaria o entendimento do Executivo e do Legislativo quanto à gravidade da situação. O segundo lista algumas questões mais fundamentais para que o Brasil volte a crescer e se desenvolver. As dificuldades de se efetuar um ajuste fiscal rápido são bem conhecidas: recessão, rigidez do gasto e a já elevada carga tributária. Acredito que uma forma de se ganhar tempo e afetar positivamente as expectativas seria compensar um inevitável gradualismo no ajuste com medidas que afetem positivamente a solvência do país a longo prazo. Outro campo fértil é o lado da produtividade, de natureza mais microeconômica, que merece bem mais espaço do que o que tenho aqui hoje.

Medidas emergenciais:

– Metas de saldo primário de 1%, 2% e 3% do PIB para os próximos três anos, baseadas em premissas realistas e receitas recorrentes (as metas atuais não estão sendo cumpridas e, de qualquer forma, são insuficientes).

– Aprovação da idade mínima de 65 anos para a aposentadoria de homens e mulheres (para gerações futuras) e reaprovação do fator previdenciário.

– Desvinculação do piso da Previdência do salário mínimo (essa vinculação é cara e regressiva).

– Introdução de um limite para a dívida bruta do governo federal como proporção do PIB.

– Reforma do PIS/Cofins e ICMS já proposta, acrescida da unificação e simplificação das regras do ICMS (por muitas razões, inclusive a integração interna do país).

– Mudança das regras trabalhistas também na mesa (onde o negociado se sobrepõe à lei).

– Aumento da integração do Brasil ao mundo (um primeiro passo seria transformar o Mercosul em zona de livre comércio).

Sem algo nesta linha, a crise deve se aprofundar e alongar.

Medidas mais fundamentais relativas ao Estado:

– Discussão sobre o tamanho e as prioridades do Estado (requer limite ao crescimento do gasto, o que, por sua vez, demanda as reformas abaixo).

– Fim de todas as vinculações e adoção de um orçamento base zero (sem prejuízo de espaços plurianuais, nunca permanentes).

– Meritocracia e a boa gestão no setor público.

– Revisão da cobertura da estabilidade do emprego no setor público.

– Revisão do capítulo econômico da Constituição (adotar a economia de mercado. Qualquer interferência do Estado deverá ser justificada e seus resultados, posteriormente avaliados).

Sem algo nesta linha, o Brasil dificilmente se desenvolverá de maneira plena.

Veja o que disse Delfim:

O ex-ministro Delfim Netto acredita que o ajuste fiscal ficou mais difícil após a perda do selo de bom pagador, concedido pela agência Standard & Poor’s. “Os juros e o câmbio vão subir e vai aumentar a volatilidade do mercado, porque a credibilidade interna e externa ficou comprometida”, disse.

O economista também afirma que os programas sociais precisam ser ajustados à disponibilidade de recursos e que o único programa intocável é o Bolsa Família. “Não é possível que seja tudo prioridade.”

Delfim —ex-ministro dos governos militares, conselheiro informal de diversos presidentes na redemocratização e colunista da Folha— considera que a atitude de mandar ao Congresso um orçamento apontado deficit em 2016 foi ingênua: “Uma incompetência política dramática”.

Diz ainda que a relação com o Congresso ficará ainda mais complicada.

*

Folha – O governo deveria ter cortado gastos sociais para fechar o rombo no Orçamento?

Delfim Netto – Só tem um programa realmente importante que funciona: o Bolsa Família. Os outros têm que ser ajustados a disponibilidade de recursos.
Se o governo quer colocar o programa Minha Casa, Minha Vida como prioridade, tem todo o direito, porque foi eleito para isso. Mas tem o dever de cortar algum gasto correspondente. Não é possível que tudo seja prioridade.

A agência S&P se precipitou? Não entendeu as idas e vindas da política brasileira?

Não. A agência tinha dado um voto de confiança e esperou. Ficaram desiludidos.

Quais as consequências da perda do grau de investimento?

É algo grave, sério, mas o Brasil já viveu sem o grau de investimento. Não é o fim do mundo. No entanto, seguramente, indica que o ajuste fiscal vai ser ainda mais custoso.

Os juros e o câmbio vão subir e vai aumentar a volatilidade do mercado, porque a credibilidade interna e externa ficou comprometida. Não adianta fechar os olhos e dizer que as agências de risco não valem nada. De fato, elas têm uma capacidade duvidosa, mas não adianta reclamar.

O ministro Joaquim Levy foi colocado no cargo para evitar o rebaixamento. Sua permanência no posto está comprometida?

O Levy lutou bravamente para que isso não acontecesse. É um sujeito de caráter e, mesmo contrariado, sabe que faz parte de um governo. O Levy está imbuído de um sentido de missão e vai continuar lutando. Para mim, saem todos rebaixados: ministros, governo, o país.

Vamos ter mais turbulência política?

Sem dúvida. O Congresso reproduz a sociedade, mas num microcosmo e se excita muito mais. Temos um problema muito sério dentro da base do governo.

O fato é que o PT não está de acordo com o programa do seu próprio governo. Ponto final. O comportamento do PT é consequência do fato de que o governo perdeu o protagonismo.

A base aliada toda está resistindo simplesmente porque o governo não governa. É algo espantoso. O governo vem dizendo que não vai fazer mais nada e que vai esperar o Congresso mandar. Não há como se demitir da tarefa de assumir o protagonismo do processo.

Vivemos um presidencialismo que se diz de coalizão, mas que é quase imperial. Os instrumentos estão na mão do Executivo e ele exerce um poder imenso.

O ex-presidente Lula tem dado declarações contra o ajuste fiscal. Na sua opinião, qual é o objetivo?

Lula está expressando o seu ponto de vista, dizendo que está ocorrendo desemprego. É verdade. Mas o desemprego não foi causado pelo ajuste, mas pelos excessos de 2014 e pela política equivocada. O ajuste sequer teve efeito ainda. As despesas do governo continuam crescendo.

O ajuste sequer teve efeito. As despesas do governo continuaram crescendo. Ele está expressando o seu ponto de vista. Ele está dizendo que está havendo um desemprego, e é verdade, mas o desemprego não foi causado pelo ajuste, mas pelos excessos da política errada.

Por que você está fazendo o ajuste? Porque cometeu excessos extraordinários ao longo de 2014.

O senhor tem sugerindo que o governo deveria elevar a Cide para cobrir o rombo. Por quê?

O argumento contra a Cide é que vai subir a inflação. Chega a ser infantil. Teremos uma inflação de 10% com ou sem Cide. A inflação está em 10% por erros cometidos no passado. No ano que vem, a expectativa é de inflação em 5%.

Com o aumento da Cide, vamos resolver um problema gigantesco, não só nas contas públicas, mas no setor sucroalcooleiro. O setor sucroalcooleiro foi destruído junto com a Petrobras.

A Cide é um imposto que vai na direção correta de proteger o meio ambiente, porque incentiva a substituição de gasolina por álcool. Hoje temos cerca de 80 usinas em estado de calamidade. Se recuperarmos 60% ou 70% delas, vamos ampliar emprego e produção.

O que mais deveria ser feito para arrumar as contas públicas?

A única cláusula pétrea na Constituição são os direitos individuais. O resto pode ser alterado se houver disposição.

A desintegração do sistema previdenciário é culpa do governo que nunca assumiu a responsabilidade.

É preciso apresentar uma lei que se resume numa idade mínima para aposentadoria e encontrar as regras de passagem.

Outro ponto é essa proposta da CUT que está presa há anos na Casa Civil que regulariza o entendimento do trabalhador com o empresário, sob a vigilância do sindicato. Vai dar uma enorme flexibilidade para eles decidam o que é do seu interesse sem ouvir a Justiça do trabalho, que é uma das áreas mais retrógradas do país.

Também é necessário resolver a reforma do ICMS. Ou seja, o governo precisa dar uma demonstração clara de que vai mudar as restrições da economia que foram construídas por nós mesmos.

 

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Crise Brasileira, Politica Economica, utilidade | 09:32

Da fábrica de iogurte ao colapso fiscal

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Economia é muito simples. Ela apela a princípios básicos de bom senso financeiro que todo chefe ou chefa de família usa no seu dia a dia. Contudo, como toda área do conhecimento, ela usa conceitos abstratos para representar tais princípios e se vale de uma linguagem muitas vezes bem complexa. Um dos meus prazeres é tentar traduzir estes conceitos para uma linguagem que as pessoas não versadas no assunto possam compreender e assim entender o que diabo está acontecendo com a nossa economia e o que nos trouxe até aqui.

Creio que esta fábula abaixo pode ajudar neste sentido.

Imagine a seguinte situação:

Você montou uma fábrica de iogurte com frutas numa pequena cidade do interior com mil habitantes. Dimensionou tal fábrica para que ela produzisse 800 iogurtes por dia, pois esta seria a quantidade de habitantes da cidade com poder aquisitivo suficiente para comprar tais iogurtes. Contratou oito operários, fez contratos de fornecimento com os leiteiros da região que lhe garantiram o suprimento de leite suficiente para atender este nível de produção e comprou equipamentos.

O prefeito da cidade, seu amigo, decide então promover a bolsa iogurte, para todos aqueles habitantes mais carentes (200) terem acesso ao produto [populismo]. Desta forma, ele decide promover o crescimento da indústria de iogurte na cidade [dirigismo], para gerar produção, impostos e empregos locais, impedindo assim a importação de iogurtes de outras cidades [protecionismo]. Ele estima que o aumento da produção de iogurte em 25% irá gerar os impostos necessários para manter o subsídio dado à bolsa iogurte.

Como ele é seu amigo, ele lhe dá uma lista [clientelismo] destes habitantes mais carentes que poderão ir todo dia a sua fábrica e levar um iogurte de frutas de graça. No final do mês você apresenta a conta ao prefeito que lhe deposita a grana imediatamente em sua conta no banco.

A demanda de sua fábrica salta imediatamente 25% e você precisa contratar mais gente, investir em equipamentos e ampliar seus contratos de fornecimento. O prefeito deposita então dinheiro da prefeitura sem nenhuma remuneração no Banco da Cidade e pede ao gerente do banco amigo [patrimonialismo] que empreste estes recursos a você e a seus fornecedores com o propósito de financiar a ampliação da produção de iogurtes, mas cobrando juros bem baratinhos para aumentar a competitividade da produção local de iogurte vis a vis o produto importado [crédito subsidiado].

Porém, você descobre durante a contratação dos iogurteiros, que seus salários subiram bastante devido à falta de mão de obra qualificada na sua região [falta de capital humano]. Você também descobre que precisa comprar leite de outras regiões, pois as vacas da sua região não conseguem aumentar a produção em 25% de forma sustentável, já que não eram tão produtivas como se esperava [baixa produtividade].  Isto tudo acabou encarecendo em 33% o custo de seu produto. Com seus custos subindo, você não teve escolha, senão subir o preço do iogurte. Porém, a alta da inflação do iogurte fez com que a demanda pelo produto caísse. Suas vendas e produção voltaram assim para 800 / dia, 200 iogurtes subsidiados pelo Município e 600 vendidos a seus consumidores tradicionais, que cortaram seu consumo em 25% em função da alta do preço.

Você e seus fornecedores de leite então ameaçam demitir seus funcionários recém-contratados e dar calote no empréstimo tomado junto à prefeitura. Mas, como era ano eleitoral, a prefeitura decide então reduzir os impostos cobrados sobre o iogurte e sobre o leite. O custo de tal redução de impostos para os cofres públicos equivale ao valor de 200 iogurtes, o que lhe permite manter o preço baixo e a venda volta então 1000 iogurtes.

Imagine agora que a prefeitura entre em crise fiscal, ou seja, ela não consegue mais gerar recursos para financiar o buraco causado no orçamento pelos subsídios dados na bolsa iogurte e pelo corte de impostos, que agora montam o equivalente ao valor de 400 iogurtes dia, 200 para bancar a bolsa iogurte e 200 para cobrir a desoneração de impostos. O município então precisa recorrer a empréstimos junto a pessoas como você, que estão gerando lucros com a venda de iogurte. Você passa a investir seus lucros acumulados não mais no aumento da produção, tampouco na redução da dívida que tem com o banco, mas em empréstimos para a prefeitura, pois, se não o fizer, suas vendas despencam. Logo, todo dia você empresta recursos equivalentes ao valor de 200 iogurtes para que a prefeitura possa bancar assim o corte de impostos.

Você segue então produzindo e vendendo mil iogurtes por dia, pagando a seus funcionários bons salários e emprestando cada vez mais à Prefeitura. A população carente fica feliz com a bolsa pão.  Todo mundo fica contente. O Prefeito ganha então a eleição, com contribuições suas e de seus fornecedores para a campanha, com forte apoio dos 200 beneficiários da bolsa iogurte e dos 10 operários bem remunerados em sua fábrica, que formam assim o sindicato dos iogurteiros.

Contudo, o endividamento da prefeitura começa a subir de forma preocupante. Com medo de não receber sua grana de volta, você decide subir os juros cobrados da prefeitura, o que a leva a se endividar cada vez mais para cobrir os juros pagos. Chega a determinado ponto em que o prefeito bate no limite de endividamento fixado pela Lei de Responsabilidade Fiscal.  Ele, contudo, contrata um contador gaúcho bem criativo que sugere que a prefeitura passe a depositar no banco a grana para te pagar a bolsa iogurte, não mais no último dia do mês como combinado, mas no primeiro dia útil do mês seguinte. Ao mesmo tempo, o contador gaúcho pede ao banco amigo que adiante a você os recursos devidos no último dia do mês, conforme combinado.  Com isto o prefeito empurra as despesas com a bolsa iogurte um mês para frente [falta de transparência], enquanto você continua recebendo normalmente seu dinheiro no dia combinado. Tudo perfeito, né?

O prefeito segue assim pedalando tal despesa para frente, até que o tribunal de contas do município descobre o esquema e impede a pedalada. Neste momento o prefeito se vê numa encrenca: ao reverter a pedalada, o rombo nas contas do município explode. Isto exige um forte ajuste fiscal, com corte em despesas ou aumento de receitas. Ao invés de interromper o programa bolsa iogurte, o prefeito opta por aumentar as receitas e passa a tributar fortemente a venda de iogurte e a produção e leite. O custo do iogurte sobe e a venda desta forma cai, para 700 iogurtes dia. Além disto, o prefeito decide retirar parte do dinheiro da Prefeitura que estava depositado no Banco para poder assim cobrir as despesas do município.  O Banco se vê então forçado a subir os juros cobrados de você e de seus fornecedores nos empréstimos contratados para a ampliação da produção.

Você entra em desespero, demite três operários, corta a produção e deixa o equipamento comprado para a ampliação da produção se sucatear, pois precisa cortar os gastos com sua manutenção.  O sindicato dos iogurteiros entra em greve e você interrompe a produção de iogurte por dois meses. Seu faturamento despenca e fica insuficiente para cobrir os juros devidos no empréstimo tomado junto ao banco. Você então deixa de honrar os encargos do empréstimo devido ao banco e entra em recuperação judicial.  A produção se estabiliza em 700 iogurtes.  O banco leva um baita prejuízo e corta assim a oferta de crédito a outros empresários da região, sufocando a produção e as vendas das empresas de outros setores. Isto derruba ainda mais a arrecadação de impostos, o que leva a prefeitura a cortar mais gastos e subir mais impostos para cobrir seus rombos.

Pegue esta história e multiplique por milhões e entenderá o que aconteceu com o Brasil nestes últimos quatro anos.

O PIB (produção de iogurte bruto) da cidade subiu de 800 para 1000 em função do subsídio dado pelo governo na compra de bens.  E caiu para 700 em função do desmanche da pedalada, da crise fiscal do município e da quebra da empresa.  O potencial de produção futuro da fábrica caiu de 1000 para 800, uma vez que a capacidade adicional criada neste período de euforia de gastos públicos foi sucateada por falta de grana para sua manutenção durante a crise. O emprego, que estava inicialmente em oito, subiu para 10 na euforia, mas caiu para sete com a crise. A arrecadação de impostos, que acompanhou o faturamento da fábrica, subiu 25% inicialmente, mas foi insuficiente para cobrir a perda com as desonerações tributárias e os gastos da bolsa iogurte. Assim, o endividamento público subiu de forma explosiva. O endividamento privado também subiu, causando perdas para os bancos e para o estado. A confiança na contabilidade da prefeitura foi para o saco em virtude das pedaladas.

Ou seja, esta fábula descreve os efeitos fiscais devastadores de uma política fiscal e monetária expansionista, tendo como base o crédito subsidiado, dirigismo, falta de transparência, clientelismo e populismo, num ambiente de falta de capital humano e de baixa produtividade, com despoupança do setor público e do privado.  Vamos levar anos limpando esta confusão, que traz, além de custo econômico, um estresse político violentíssimo, num momento em que a nossa Prefeita goza de níveis baixíssimos de popularidade, mesmo sem ter começado a tomar as medidas duras necessárias para reverter este quadro.

  A nossa vaca leiteira de fato foi para o brejo. E vai ser muito difícil tirá-la de lá.

vacabrejo

 

 

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segunda-feira, 14 de setembro de 2015 Crise Brasileira, Empresas | 16:30

Agora quem deve são as empresas….

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ataques especulativos, Crise Brasileira | 10:25

Uma ponte fiscal para algum lugar

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O Ministro Levy, em artigo no Estadão de hoje, coloca com clareza a necessidade de reformas estruturais visando estabilizar gasto público. E destaca a necessidade de um esforço fiscal maior em 2016, que sirva como ponte para tal ajuste, para que possamos manter o grau de investimento nas duas agências que ainda não nos rebaixaram.

Concordo 100% com o diagnóstico do Ministro Levy. Porém, para que este processo funcione, é preciso:

a. que sejam feitos cortes de gastos de, no mínimo, 20 bilhões no orçamento para o ano que vem;

b. que sejam criadas contribuições temporárias e não novos impostos, por no máximo 3 anos, para recompor o superavit para 0,7% do PIB em 2016;

c. que se apresente proposta de PEC que crie um limite para gasto público, deixando todas as vinculações de receitas & gastos obrigatórios sujeitos ao cumprimento deste limite;

d. que seja apresentada uma proposta de reforma da previdência com apoio do PMDB e PT;

e. que seja anunciado um plano de redução dos subsídios do BNDES;

Feito isto, podemos de fato dizer que estamos caminhando para a sustentabilidade fiscal. Mas o corte de gastos já é um bom começo, desde que de fato ocorra. Quanto às contribuições temporárias, sugiro espalhá-las bem, para não onerar um setor específico da sociedade apenas. Agora, se não tiver esta agenda mais abrangente, a sociedade tem a obrigação de negar qualquer aumento de impostos. É nossa obrigação combater o Estado grande, ineficiente e corrupto. Patriotismo é isto. Será nossa herança aos nossos filhos. Chega. Basta. 

Veja artigo no link abaixo:

Mais:http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,superando-a

 

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sexta-feira, 11 de setembro de 2015 ataques especulativos, Crise Brasileira, Politica Economica | 20:57

O tamanho do pepino fiscal

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A série de eventos dramáticos envolvendo as contas públicas deste ano requerem uma pequena pausa para reflexão.  Previsões de superávits ultra otimistas e frustradas, orçamento deficitário e o consequente rebaixamento de nossa de crédito foram o pano de fundo de uma economia que entrou em exceção e da confiança de consumidor e empresários  que despenca. Vamos sair um pouco das atrapalhadas na gestão do processo por parte do pessoal de Brasília e tentar focar na figura macro que está por trás de nosso problema.

DE 2005 até 2014 as despesas anuais do governo central subiram uma barbaridade:

despesastesouro

 

 

 

São 2,5% do PIB anual de aumento de despesas quando comparamos 2005 com 2014, ou seja, 138 bilhões de reais por ano a mais em gastos em valores de 2014.  Se somarmos nesta conta as pedaladas fiscais do Guido que protelaram mais ou menos uns 0,5% do PIB em despesas de 2014 para 2015, chegamos a 3% do PIB anual de aumento de gastos, ou seja, a despesa vem crescendo a mais de 0,3% do PIB por ano.  Dado que nosso PIB real cresceu em média 3,5% a.a. neste período, isto quer dizer que os gastos do governo cresceram a mais de 5% a.a. acima da inflação!  Se mantivermos este ritmo alucinante de crescimento de gastos públicos, as despesas reais crescerão mais de R$ 50 bi / ano no governo federal somente, que precisarão ser cobertos com mais impostos todos os anos. Ou seja, é insustentável continuar a gastar nesta velocidade.

Para piorar o quadro, Estados e Municípios seguiram o mesmo ritmo de aumento de gastos, como mostra o gráfico abaixo:

 

 

despesaprimariamunicestados

 

 

 

DE 2005 a 2013 as despesas dos estados e municípios subiram de 11,6% do PIB para 13,5% do PIB, segundo o estudo acima. Ou seja, 0,24% do PIB a.a.

Somando tudo, vemos que o Estado Brasileiro gasta (sem contar juros) cerca de 33% do PIB por ano, que crescem anualmente o equivalente a 0,6% do PIB. Desta forma, vamos ter que a cada 2 anos criar um novo CPMF se desejarmos manter o saldo fiscal onde está hoje!

Sumário: em 2014 o Estado Brasileiro gastou cerca de 5% do PIB a mais do que gastava em 2005, ou seja, R$ 275 bi! Mais de R$ 20 bi por mês.  Muito mesmo.

Para agravar a situação, o nosso Estado precisou pagar juros cada vez maiores para financiar sua dívida em função da elevação da inflação dos últimos anos. Isto fez com que o déficit nominal (resultado fiscal do governo após pagar juros da dívida) subisse bastante depois de 2013:

 

 

deficitnominal

 

 

 

O resultado disto, somado às baixíssimas taxas de crescimento do PIB que tivemos desde 2011, é que  nossa dívida pública consolidada, que já não era tão pequena, inverteu sua trajetória de queda e passou a subir com enorme velocidade:

 

 

dividabruta

 

 

O abuso fiscal do Estadão Gigantão Amigão foi além dos gastos. O governo utilizou seu balanço e do Banco Central para acomodar ativos privados, como empréstimos do BNDES e reservas internacionais, dando um mega impulso de crédito na economia:

 

variacão de ativos

 

 

 

Os saldos ativos do Estado investidos no BNDES (via FAT, PIS/Pasep, repasses do Tesouro) saltaram o equivalente a 6,6% do PIB no período, enquanto os ativos de nosso BC aumentaram o equivalente a 15,1% do PIB em função das reservas cambiais acumuladas. Tais ativos são bastante seguros, porém rendem quase nada quando comparados aos juros que o Tesouro paga para financiá-los. Estes dois eventos geraram uma força impulsionadora do endividamento público equivalente a 21,7% PIB em 9 anos, ou seja, um ritmo anual de cerca de 2,4% do PIB: R$ 133 bi / ano em valores de 2014.

Se somarmos esta expansão de balanço público investido em ativos privados ao crescimento dos gastos anuais do Governo, chegaremos a uma pressão expansionista do endividamento público da ordem de 3% do PIB ao ano. Ou seja, mais de R$ 165 bi / ano.

Tudo isto é completamente insustentável.

É preciso com urgência reduzir o tamanho destes ativos do setor público que oneram as contas públicas e impor um limite para o gasto público primário como % do PIB em nossa Constituição, sujeitando todas as vinculações orçamentárias obrigatórias ao cumprimento deste limite. Ou seja, gastaremos dentro de um limite máximo de orçamento fixado em lei e definido pelo Congresso. Como você faz na sua casa. No seu negócio.

Se não fizermos isto, vamos precisar de um Super Levy a cada 3 anos para nos tirar do buraco, só que cada vez com mais rebaixamentos até um dia chegarmos na condição Grega. Não adianta ficar apenas focado no superávit de 2016, caro Ministro. Precisamos ir a fundo nas enormes distorções criadas pelas políticas públicas desenvolvimentistas dos últimos anos.

Mas fica a pergunta que não quer calar na mente dos desenvolvimentistas: será que o país vai conseguir crescer sem estes 3% do PIB de estímulo anuais? Será que o Lula, aquele mesmo do Palocci e do Meirelles, está certo agora e que ajuste fiscal só traz desemprego? Que bom mesmo é torrar grana?

Minha resposta: talvez sem estes estímulos insustentáveis o BC poderá praticar taxas de juros civilizadas para conter a inflação. Tipo 1 ou 2% reais, como ocorre em outros países. Talvez esteja aí a raiz dos nossos juros elevados. Com 2% de juro real e com gastos públicos estáveis, nossa economia sem dúvida voltará a crescer, agora sozinha, sem a ajuda do bônus das commodities, do capital internacional especulativo para financiar nossos déficits, sem a moleza do BNDES e sem um BC que esteriliza as reservas cambiais com títulos de 60 dias de prazo e redescontáveis a qualquer momento sem penalidade, que são, na verdade, depósitos remunerados de um dia. Mas isto é assunto para outro post.

 

 

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quarta-feira, 9 de setembro de 2015 ataques especulativos, Crise Brasileira | 23:02

A casa caiu e o pessoal da demolição acabou de chegar

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Há algum tempo eu publiquei um post onde afirmava que a casa havia caído. Alguns me acharam pessimistas demais e até se animaram com a tal da agenda Brasil sinalizada pelo Senador Renan e Ministro Levy:

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2015/07/27/gritoalerta/

Pois é, a casa não só caiu, como hoje a agência classificadora de risco S&P rebaixou nossa nota de crédito. Perdemos nosso grau de investimento e a perspectiva é negativa. Ou seja, o próximo movimento dela será de mais rebaixamento, caso não estabilizemos as contas públicas. Veja abaixo:

Brazil Foreign Currency Ratings Lowered To ‘BB+/B’; Outlook Is Negative

Overview

The political challenges Brazil faces have continued to mount, weighing on the government’s ability and willingness to submit a 2016 budget to Congress consistent with the significant policy correction signaled during the first part of President Dilma Rousseff’s second term.

BICADA: A AGENCIA SE SENTIU ENROLADA QUANDO ACREDITOU NAS INTENSÕES DE DILMA E CIA DE EQUILIBRAR AS CONTAS PÚBLICAS.

The government’s 2016 budget proposal envisions yet another change to the primary fiscal target less than six weeks after the previous downward revision, which would mean three consecutive years of a primary deficit and net general debt continuing to rise if subsequent revenue or expenditure measures are not taken.

BICADA: AGENCIA APONTA QUE O ORÇAMENTO PARA 2016 SAIU DE UM SUPERAVIT DE 0,7% DO PIB PARA UM DÉFICIT DE 0,5% EM APENAS 6 SEMANAS.

We are lowering the long-term foreign and local currency sovereign ratings on Brazil to ‘BB+’ and ‘BBB-‘, respectively.

The negative outlook reflects what we believe is a greater than one–in–three likelihood of a further downgrade due to a further deterioration of Brazil’s fiscal position, potential key policy reversals given the fluid political dynamics, including a further lack of cohesion within the president’s cabinet, or due to greater economic turmoil than we currently expect.

Rating Action

On Sept. 9, 2015, Standard & Poor’s Ratings Services lowered its long-term foreign currency sovereign credit rating on the Federative Republic of Brazil to ‘BB+’ from ‘BBB-‘, and the long-term local currency sovereign credit rating to ‘BBB-‘ from ‘BBB+’. The outlook is negative. We also lowered the short-term foreign currency rating to ‘B’ from ‘A-3’ and the short-term local currency rating to ‘A-3’ from ‘A-2’. We also lowered the transfer and convertibility assessment to ‘BBB’ from ‘BBB+’. We affirmed the ‘brAAA’ national-scale rating and revised the outlook on this rating to negative.

Rationale

We believe Brazil’s credit profile has weakened further since July 28, when we revised the outlook on Brazil to negative. At that time, we signaled increased execution risks to the corrective policy changes already underway, mainly stemming from fluid political dynamics in Congress associated with spillover effects from investigations of corruption at state-owned energy company Petrobras. We now perceive less conviction within the president’s cabinet on fiscal policy.

Quem perde?

  • Setores que necessitam de financiamento de longo prazo: Infraestrutura, Petróleo, Mineração, por exemplo.
  • Empresas que se financiam no mercado externo: exportadores, importadores e agro negócio;
  • Bancos que captam recursos no exterior, pois terão suas notas rebaixadas.

O PT entrou na história como o partido que nos fez conseguir o sonhado grau de investimento, nos tempos de Superavit Primário e de meta de inflação para valer. Isto tudo, diga-se passagem,  em grande parte pelo esforço do meu amigo Meirelles, que completou 70 anos recentemente, e que na época apanhou do PT como um cachorro sem dono. E,  poucos anos depois, o PT de Dilma ou Dilma do PT joga tudo isto no esgoto.  De fato nunca foi agenda do PT defender a estabilidade econômica. Só a defendem quando a pressão externa aumenta.  Adotaram a linha desenvolvimentista por mera conveniência política e assim queimaram o filme da turma da Unicamp ao associá-los a irresponsabilidade fiscal.  O que o PT defende é o modelo populista patrimonialista clientelista.  Retiro, a partir de hoje, o desenvolvimentismo do rótulo.

A casa caiu, e a turma da demolição já chegou. Vamos ver o que sobra, separar o entulho, e quem sabe reconstruir nossa economia agora em bases reais. Sem maquiagem das contas públicas, sem populismo no gasto, sem patrimonialismo nem clientelismo. Com políticas públicas racionais, sem devaneios desenvolvimentistas idiotas, com disciplina fiscal e monetária.  Vamos ter que colocar um limite rudimentar ( tá lembrado Presidenta) nos gastos do governo que seja fixado na constituição e submeter todas as vinculações de receita hoje existentes a seus cumprimento. Meu número: 20% do PIB. Bateu lá, corta gasto automaticamente. Para todo mundo. Inclusive pensionista. E bolsista. Na minha casa funciona assim. E na sua? Tem limite para gastos???

Presidente Dilma, Agora a coisa é para valer. Incompetência política, tudo bem. Mas econômica, não dá não. E não vem chorar que precisa de mais imposto não. Saco da classe média já estourou. Corta gasto aí. Chega de populismo. Chega de justiça social financiada com emprego de trabalhador. No final, quem paga é o trabalhador. Verás o que vai acontecer com economia e o desemprego ano no que vem em função deste rebaixamento. Mais um ano de recessão.

Chega!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Ou sou eu fico indignado aqui??

 

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quarta-feira, 2 de setembro de 2015 ataques especulativos, Brasil, Crise Brasileira, Impostos, Investimentos, Politica Economica, utilidade | 16:33

Chega de Estado grande, ineficiente e corrupto. Acabou a festa.

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Eu acho que Brasília está com alguma dificuldade cognitiva e não está entendendo a mensagem da classe média, tanto da velha como da nova: chega de gastos!

A mensagem da população é clara: chega de impostos para financiar uma máquina estatal ineficiente, corrupta em função do seu próprio gigantismo, paternalista, populista e patrimonialista. Chega de BNDES, de empréstimo subsidiado, de programa social mal estruturado, de distribuição de renda sem fim e sem meta, de aposentadoria aos 52 anos, de dezenas de milhares de cargos de confiança no Estado, de dezenas de impostos e contribuições e de estatais ineficientes e corruptas.

Chega. Acabou a generosidade dos contribuintes, sejam eles pobres, ricos, classe média, empresários, banqueiros, trabalhadores, consumidores ou aposentados. Não vamos mais subsidiar esta farra. 36% DE NOSSO TRABALHO VAI PARA FINANCIAR ESTA MÁQUINA PODRE E INEFICIENTE.  CHEGA. TEM LIMITE E O LIMITE CHEGOU. 

O ódio político que vemos nas manifestações de rua, as vaias aos líderes Petistas e o apoio ao impeachment da Presidente são mensagens cifradas, imperfeitas, de uma população que sofre com as mazelas deste gigantismo estatal, mas que não consegue traduzir sua indignação politicamente, pois a representatividade das massas foi rompida pelo clientelismo existente hoje no Congresso. Esta raiva é dirigida então à Presidente Dilma, Lula e a outros ministros.  Outros lidam com tal ódio através da depressão, que é refletida na baixa confiança dos consumidores e dos empresários quanto ao futuro da economia e na indiferença de grande parte dos jovens, que sonham em mudar de país ou em serem jogadores de futebol na Europa ou astros do Funk ostentação, pois a meritocracia perde valor quando o modelo dominante é o clientelista. Se você não tem amigos no poder, não tem chance de competir. E, se tem amigos no poder, competir não é preciso, pois seus amigos no poder o ajudarão a vencer nossos competidores. Logo, competir se torna inútil.

Não se trata de debater impeachment ou partidos, mas sim de se constatar a falência TOTAL do modelo desenvolvimentista, populista, estatizante, nacionalista, protecionista, intervencionista distributivo que montamos, ora mais devagar ora mais rápido, desde a década de 80, e que chegou a seu ápice com Dilma, Guido e Cia. Acabou.  Olhem os números da economia, do emprego, das contas públicas, dos juros, do dólar, da inflação, da lava-jato, etc.

OU CORTA GASTO e REDUZ TAMANHO DO ESTADO OU VAMOS PARA O RALO. MIREM-SE NO “EXEMPLO DA ARGENTINA OU DA GRÉCIA”.

O Brasil patrimonialista populista chegou ao limite. Hora da verdade.

https://www.linkedin.com/pulse/est%C3%A1-na-hora-de-cortar-gastos-p%C3%BAblicos-diminuir-tamanho-ricardo-gallo?trk=prof-post

 

 

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terça-feira, 1 de setembro de 2015 Crise Brasileira | 12:01

Ilan do Itaú: o que fazer?

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Vale a pena ler este artigo do Economista chefe do banco Itaú,  Ilan Goldfajn . Coloca com precisão os desafios deste momento. Endosso 100% e gostaria de destacar alguns parágrafos:

“Recuso-me a acreditar que num País com tanto gasto e tanta ineficiência não seja possível achar espaço para melhorar. Certamente, há frutas baixas a serem colhidas.  O contra-argumento é que, ao contrário da colheita de frutas nos trópicos, a melhora na economia precisa de um mínimo de organização, liderança e certo consenso.     

 É claro que temos problemas considerados “estruturais” (entenda-se, que vêm de longa data e são considerados de difícil resolução).  Acredita-se que a sociedade adotou um grande “contrato social” desde pelo menos a Constituição de 1988, cujos benefícios concedidos a vários grupos já não cabem no PIB. A carga tributária necessária para pagar esse Estado social já paralisa a economia. A dívida criada para financiar os gastos atingiu um teto, e o risco de perda do grau de investimento atesta isso.  “

MEU PITACO: concordo. Chega. Acabou a generosidade. Logo, voltemos para a realidade.

Veja agora texto integral. Excelente mesmo.

Qual é a alternativa?

 O Brasil está deprimido, clinicamente. Não consegue ver nenhuma saída para seus problemas. Percebe o problema fiscal como insolúvel. Tinha metas no passado? Não conseguiu atingir. Tem metas menores no presente? Já não são factíveis. E as metas futuras, basta prometer, não? Já ninguém acredita. Mas e se for pra valer, cortando gastos? Dizem que estamos no osso (mesmo gastando mais que 40% do PIB). E aumentar impostos como no passado? Ninguém mais se submete a isso. A solução então é aceitar o déficit primário? É a pior saída. Significaria mais inflação, recessão, queda de salário real e piora na distribuição de renda. 

Indicar um déficit primário no orçamento (em vez de superávit) para o ano que vem significa admitir que o País não consegue se decidir por um caminho que evite o pior. E significa também que não há consenso para transformar um desequilíbrio no presente em equilíbrio futuro. O resultado será uma dívida crescente. E um risco Brasil maior. Nesse caso, as agências de classificação provavelmente reduziriam o grau de investimento do Brasil. Os investidores reprecificariam os ativos brasileiros no mercado, o que resultaria em queda na bolsa, depreciação do câmbio e juros maiores nos mercados.

 A inflação viraria a solução, na falta de opção. A depreciação do real aumentaria a inflação, o que reduziria as rendas, em termos reais.  Os salários não conseguiriam acompanhar a inflação, devido à fraqueza no mercado de trabalho. As rendas mais baixas sofreriam mais com o aumento da inflação por estarem menos protegidas e consumirem uma parcela maior da renda.

A inflação é o imposto regressivo que fecha as contas, à força. É a solução clássica no Brasil do passado. As diversas lideranças neste País recusam-se a optar por  outra solução.

E a solução do passado vai enfrentar as instituições do presente: há metas de inflação e um Banco Central com responsabilidade para cumpri-las. Para evitar uma inflação maior, a atividade poderá sofrer mais. Na ausência do ajuste via preços, a economia pode precisar ajustar ainda mais via quantidade.

O próprio risco Brasil maior reduz o investimento, que derruba a atividade, enfraquecendo o mercado de trabalho. Essa fraqueza destrói empregos e induz a queda do salário real, o que diminui a massa salarial e o consumo. A recessão poderia se aprofundar.

A perda de renda real, que afeta desproporcionalmente os mais pobres, impactaria a distribuição de renda e a nova classe média. O tão festejado PIB do povo (dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – Pnad) infelizmente alcançaria o PIB dos economistas, como já era de se esperar. A nova classe média sofreria sendo empurrada para classe baixa, uma volta traumática.

O desenrolar acima seria a efetiva saída por não optar. Mas qual é a verdadeira alternativa?

No presente, cortar mais gastos é visto como muito difícil, assim como diminuir benefícios é visto como impopular e quase impossível. Mas aumentar a inflação, perder o grau de investimento, aprofundar a recessão e piorar a distribuição de renda é uma opção válida?

Recuso-me a acreditar que num País com tanto gasto e tanta ineficiência não seja possível achar espaço para melhorar. Certamente, há frutas baixas a serem colhidas.  O contra-argumento é que, ao contrário da colheita de frutas nos trópicos, a melhora na economia precisa de um mínimo de organização, liderança e certo consenso.     

 É claro que temos problemas considerados “estruturais” (entenda-se, que vêm de longa data e são considerados de difícil resolução).  Acredita-se que a sociedade adotou um grande “contrato social” desde pelo menos a Constituição de 1988, cujos benefícios concedidos a vários grupos já não cabem no PIB. A carga tributária necessária para pagar esse Estado social já paralisa a economia. A dívida criada para financiar os gastos atingiu um teto, e o risco de perda do grau de investimento atesta isso.  

Dizem que não se pode desperdiçar uma crise para fazer as duras mudanças. O medo do pior torna o custo da mudança o mal menor. Entre duas opções ruins o natural em tempos normais é acreditar numa terceira mais benigna que ainda virá. Adia-se a decisão à espera dessa opção benigna que não aparece. As opções realistas ficam piores. A crise obriga uma decisão, contanto que haja um mínimo de organização e liderança.

Há certamente escolhas duras a fazer, revendo benefícios, adequando o Estado à renda disponível. Nada trivial. É mais fácil dar do que tirar, se autoenganar do que aceitar a realidade do possível.

Mas essa dura realidade não deve ser interpretada como um convite à falta de posicionamento e a delegar a um futuro distante a tarefa de consertar os problemas estruturais, a ser resolvida depois de um grande consenso abstrato da sociedade. A dura tarefa terá de ser feita aqui, e a partir de agora, na forma como o Brasil se organiza, pelo Congresso e o Executivo (neste e nos próximos). As políticas adotadas hoje não são neutras: pioram ou melhoram os problemas estruturais.

Alguns ajustes estão a caminho. O câmbio mais depreciado ajuda a diminuir o déficit em conta corrente e estimula o crescimento dos setores exportadores e que competem com importados. É uma das poucas fontes de crescimento.

O realismo tarifário aliviou setores e descongelou preços, tirando distorções relevantes e ajudando a economia.  O ajuste parafiscal reviu programas insustentáveis e diminuiu subsídios. O investimento na infraestrutura e as reformas do PIS/Cofins e da unificação do ICMS, se aprovadas, são esforços na direção certa.

Mas é necessário equacionar o problema fiscal, sem o que será difícil enxergar a retomada da economia e um caminho estável à frente. Para isso será necessário optar, por exemplo, por um corte maior no curto prazo (e depois buscar uma reforma que limite o crescimento de gastos no longo prazo). Evita-se assim a crise que, implicitamente, é escolher a pior opção.

Ilan Goldfajn é economista-chefe e sócio do Itaú Unibanco.

 

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domingo, 30 de agosto de 2015 Crise Brasileira, Investimentos | 16:27

O micro pibinho e o impeachment econômico

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Os dados recentes publicados pelo IBGE sobre a atividade econômica do segundo trimestre são horrorosos. E nada indica que isto vai melhorar.

A taxa de crescimento da economia no segundo trimestre foi negativa em 2,1% quando comparamos com o mesmo trimestre do ano passado, como mostro em preto no gráfico retirado do site do IBGE:

 

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É o pior resultado dos últimos 20 anos, só comparável  com o pior momento da crise de 2009 ( vermelho). A desaceleração que já vinha desde 2010 ( seta roxa) ficou dramática desde 2013. O mesmo pode ser visto no gráfico azul abaixo que mostra a tendência central do volume da produção nacional de bens e serviços ( PIB) desde 1996, calculada pelo IBGE:

 

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Fica evidente aí a inflexão que ocorreu na atividade econômica em 2013 (seta amarela), que vem em tendência de queda desde então ( cinza). Ou seja, não dá para culpar o coitado do Levy.

A queda na atividade atingiu principalmente os setores ligados à atividade interna, como o mostra gráfico abaixo:

 

pibsetor

 

 

 

Quando comparamos com o mesmo trimestre do ano passado, vemos em marrom que setores ligados ao lado externo da economia, como Mineração e Agropecuária, cresceram. Mas que comércio, construção e indústria de transformação afundaram (amarelo). Ou seja, há algo de podre em nossa economia, que não pode ser justificado por fatores externos. Né?

E isto fica mais claro ainda quando vemos o que está acontecendo com o investimento produtivo aqui dentro:

 

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Vemos em amarelo que o consumo privado, que já vinha de desacelerando desde 2014 ( amarelo), reduziu-se em 2,7% quando comparado com o mesmo trimestre em 2014. Porém vemos que o Investimento produtivo (em vermelho), que já vinha caindo em 2014, acelerou sua queda e se reduziu em 11,9% quando comparado com mesmo trimestre em 2014.  E vemos que do lado da demanda, o consumo do governo é o item que cai menos. Ou seja, fica claro que quem está liderando o processo de recessão é o investimento e não o setor público. A queda dos investimentos já vem acontecendo há anos, enquanto que o consumo privado está apenas acompanhando a sua queda. Desta forma, não me parece que nosso problema tenha sido de falta de demanda interna por queda do consumo, mas de falta de investimento! Logo, para recuperarmos a economia, precisaremos acelerar os Investimentos: precisaremos estimular o Capital, em particular o Grande Capital, a se mover e a procurar novos investimentos que tenham retornos atraentes. Retornos estes que precisam ser justificados assumindo taxas mais sustentáveis para o crescimento do consumo ( 3 ou 4%  a.a.) no futuro, pois o modelo de crescimento com base no consumo elevado e  no aumento do endividamento das famílias foi para o saco! Isto deve doer muito nos ouvidos dos socialistas desenvolvimentistas distributivos que têm influenciado o governo desde 2010, com resultados, digamos, grotescos.  A Turma que achava que dava para financiar consumo crescente com despoupança para sempre dançou e nos afundou!

Para que novos investimentos sejam viáveis em cenários onde a demanda cresce 3 ou  4% a.a., é preciso reduzir as nossas taxas de juros de longo prazo para tais níveis, ou provocar uma enorme deflação nos preços relativos dos bens de capital ( bens usados nos investimentos), algo que é impossível neste ambiente de R$ fraco. E para reduzir as taxas de juros de longo prazo, é preciso reduzir o endividamento do estado brasileiro que não para de subir desde 2014 como vemos abaixo:

 

dividabrutasubind

 

 

 

 

O aumento de endividamento do Estado brasileiro foi gerado pela piora dos resultados fiscais do governo central ao longo dos últimos anos, como mostra o gráfico abaixo à esquerda, algo que ocorreu em escala bem menor nos governos estaduais e municipais, como mostra gráfico à direita:

 

 

defgovcentral

 

 

Esta necessária redução do endividamento do Estado só virá com o aumento de impostos ou com a forte redução dos gastos públicos com a máquina pública, com programas sociais, com aposentadorias e com subsídios ao setor privado em setores pouco competitivos. Os problemas dos impostos são simples:

a. mais impostos sobre o Estoque de Capital e sobre o lucro só servem para reduzir retorno dos investimentos e, portanto, o investimento privado.

b. impostos como a CMPF impactam menos o investimento, mas criam pressões inflacionárias de curto prazo e mais juros por parte do BC do B.

c. nossa carga tributária já é uma das mais elevadas entre os países emergentes e sufoca nossa economia.

A boa notícia do gráfico mais acima vem do lado externo, pois a quantidade de bens exportados tem subido e a de bens e serviços importados tem caído. Ou seja, o real desvalorizado começa a ter efeito e passa a contribuir para amenizar a recessão violenta que estamos passando.

Conclusões:

a. a crise é muito séria e começou lá atrás;

b. a crise não foi causada por nenhum choque externo, pois bolsa Chinesa estava no seu pico no segundo trimestre deste ano, e as economias americana e européia se recuperam bem.

c. não podemos culpar o ajuste fiscal do Levy, pois contas públicas têm apresentado déficits crescentes. Logo, de fato não há ajuste fiscal ocorrendo que justifique tal queda da demanda.

d. queda no investimento é enorme.

Este é o cenário. Uma Crise que já era prevista e esperada por qualquer um que fizesse contas e soubesse conceitos básicos de economia, como este que vos fala. Mas infelizmente, como vimos em vários comentários nesta coluna ao longo dos últimos anos, o bom senso econômico básico, taxado de neoliberal, foi abandonado no Brasil desde 2010.

Ou aprendemos algo com a crise, ou perderemos 20 anos de conquistas econômicas e sociais. Ou abandonamos o populismo desenvolvimentista distributivo defendido pelo governo Petista ao longo destes anos, ou iremos cada vez mais para o buraco. Ou apoiamos um ajuste fiscal sério, focado em corte das despesas do governo, ou vamos quebrar.  Não conseguiremos pagar os custos sociais que este Estado nos impõe. Não é realista. Só o crescimento econômico nos tirará da pobreza. A falência dos modelos Argentino e Venezuelano mostra o que nos espera se não revertermos rapidamente nosso curso. Ou pior, a Grécia, sim senhor. Caminhamos a passos largos nesta direção

Hora de por pressão no Congresso e no que sobrou do Executivo, para que sejam inciados os debates neste sentido. Não temos mais tempo a perder. Chega. Congresso e executivo precisam entender isto com urgência ou correm o risco da crise econômica atual atropelar a crise política atual e se transformar em crise institucional com consequências gravíssimas. Não vai dar para ficar sentado esperando 2018 chegar não senhor…

 

 

 

 

 

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