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Arquivo da Categoria Impostos

terça-feira, 22 de setembro de 2015 Impostos, Politica Economica, utilidade | 19:53

Carga tributária alemã e eficiência estatal grega

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Para quem ainda acha que não pagamos muitos impostos, vale a pena ler:

http://bicadasdogallo.blogspot.com.br/2015/09/haja-imposto.html

E antes que a turma da esquerda festiva venha com o papo de que “temos que tributar os ricos, patrimônio, grandes fortunas, andar de cima, altos salários, dividendos, etc”,  eu proponho :

  • tribute o “andar de cima” sim, mas corte ao mesmo tempo o PIS/Cofins das empresas mantendo carga tributária inalterada;
  • acabe com aumento do CPMF e faça todo ajuste fiscal cortando gastos, sem aumentar carga tributária.
  • congele gastos públicos onde estão hoje e só permita que subam em linha com o PIB nominal.

Que tal? Não venham com esta conversa de justiça social/tributária para justificar mais um aumento da carga tributária a esta altura. Não é preciso aumentar a carga para tornar impostos mais progressivos…

Áaaaaa… Eu ia me esquecendo!  Veja abaixo o ranking de eficiência do governo, de acordo com pesquisa do WEF, onde quanto maior o índice, maior a eficiência do Estado:

 

govefficiencia

 

 

Nós estamos lá embaixo ( seta verde) junto à Grécia.

Pessoal, nós não somos patobuintes não. A farra acabou! Não vamos mais financiar este estado gigante & ineficiente .

 

pato

 

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quarta-feira, 2 de setembro de 2015 ataques especulativos, Brasil, Crise Brasileira, Impostos, Investimentos, Politica Economica, utilidade | 16:33

Chega de Estado grande, ineficiente e corrupto. Acabou a festa.

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Eu acho que Brasília está com alguma dificuldade cognitiva e não está entendendo a mensagem da classe média, tanto da velha como da nova: chega de gastos!

A mensagem da população é clara: chega de impostos para financiar uma máquina estatal ineficiente, corrupta em função do seu próprio gigantismo, paternalista, populista e patrimonialista. Chega de BNDES, de empréstimo subsidiado, de programa social mal estruturado, de distribuição de renda sem fim e sem meta, de aposentadoria aos 52 anos, de dezenas de milhares de cargos de confiança no Estado, de dezenas de impostos e contribuições e de estatais ineficientes e corruptas.

Chega. Acabou a generosidade dos contribuintes, sejam eles pobres, ricos, classe média, empresários, banqueiros, trabalhadores, consumidores ou aposentados. Não vamos mais subsidiar esta farra. 36% DE NOSSO TRABALHO VAI PARA FINANCIAR ESTA MÁQUINA PODRE E INEFICIENTE.  CHEGA. TEM LIMITE E O LIMITE CHEGOU. 

O ódio político que vemos nas manifestações de rua, as vaias aos líderes Petistas e o apoio ao impeachment da Presidente são mensagens cifradas, imperfeitas, de uma população que sofre com as mazelas deste gigantismo estatal, mas que não consegue traduzir sua indignação politicamente, pois a representatividade das massas foi rompida pelo clientelismo existente hoje no Congresso. Esta raiva é dirigida então à Presidente Dilma, Lula e a outros ministros.  Outros lidam com tal ódio através da depressão, que é refletida na baixa confiança dos consumidores e dos empresários quanto ao futuro da economia e na indiferença de grande parte dos jovens, que sonham em mudar de país ou em serem jogadores de futebol na Europa ou astros do Funk ostentação, pois a meritocracia perde valor quando o modelo dominante é o clientelista. Se você não tem amigos no poder, não tem chance de competir. E, se tem amigos no poder, competir não é preciso, pois seus amigos no poder o ajudarão a vencer nossos competidores. Logo, competir se torna inútil.

Não se trata de debater impeachment ou partidos, mas sim de se constatar a falência TOTAL do modelo desenvolvimentista, populista, estatizante, nacionalista, protecionista, intervencionista distributivo que montamos, ora mais devagar ora mais rápido, desde a década de 80, e que chegou a seu ápice com Dilma, Guido e Cia. Acabou.  Olhem os números da economia, do emprego, das contas públicas, dos juros, do dólar, da inflação, da lava-jato, etc.

OU CORTA GASTO e REDUZ TAMANHO DO ESTADO OU VAMOS PARA O RALO. MIREM-SE NO “EXEMPLO DA ARGENTINA OU DA GRÉCIA”.

O Brasil patrimonialista populista chegou ao limite. Hora da verdade.

https://www.linkedin.com/pulse/est%C3%A1-na-hora-de-cortar-gastos-p%C3%BAblicos-diminuir-tamanho-ricardo-gallo?trk=prof-post

 

 

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quinta-feira, 30 de julho de 2015 Crise Brasileira, Impostos, Politica Economica | 15:48

A turma de Brasília agora quer criar mais impostos no meio da recessão?Chega!!!

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A ótima coluna do Ribamar Oliveira no Valor Econômica de hoje indica a possibilidade do governo vir com mais um aumento de carga tributária, ressuscitando o CPMF inclusive.

O governo e/ou este Congresso aprovaram nestes últimos anos uma série de aumento de gastos públicos populistas e insustentáveis, investiu mal o dinheiro público em infra e na Petrobrás, subsidiou grandes empresas através do BNDES, acumulou reservas absurdas para manter o câmbio valorizado (reservas que custam várias dezenas de bilhões por ano para serem financiadas), promoveu desonerações tributárias sem nenhum fundamento técnico visando ampliar o consumo em detrimento da poupança interna, criou um monstro tributário que distorceu a formação de preços no mercado de captação de bancos ao promover papéis de curto prazo isentos de impostos, como LCI&LCAs, e agora vai precisar aumentar os impostos para cobrir todas estas barbaridades.

Eu não concordo com nenhum aumento de imposto sem que o governo e o congresso revejam e reavaliem primeiramente quanto se gasta com todas estas barbaridades. Aí sim vamos discutir mais impostos. Vamos rever todos os gastos antes de aumentar os impostos. Chega. Acabou. Ou a sociedade dá um basta aos aumentos de impostos, ou iremos ficar ajudando os amigos do REI. E se você leitor não gritar e fazer barulho, vai pagar de novo a conta. Aí deixaremos de ser generosos e passaremos a ser trouxas, patos ou otários. Aceitar um aumento de carga tributária a esta altura do jogo é suicídio econômico.

Chega de imposto, Brasil. Vamos dar um impeachment no Leão! Lembrem-se da Inconfidência mineira e do Boston Tea Party.

Congressistas, fiquem ligados.

Veja o texto do Ribamar abaixo:

Aumento da carga tributária no horizonte

Por Ribamar Oliveira

Não teve a repercussão que merecia o alerta feito na semana passada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, sobre o atual desequilíbrio entre o crescimento das despesas obrigatórias e o da receita da União. Levy disse que o desequilíbrio é “estrutural” e observou que ele precisa ser resolvido no futuro. A atenção da maioria das pessoas ficou presa ao tamanho da redução da meta fiscal deste e dos próximos anos e poucas se deram conta de que a mudança anunciada é apenas a ponta do iceberg.

Cauteloso, Levy fez apenas o diagnóstico do problema e não se atreveu a antecipar os remédios que terão que ser ingeridos pela sociedade em futuro próximo. O crescimento das despesas obrigatórias não cabe no Orçamento da União, que está sendo fechado todo ano com receitas atípicas ou extraordinárias cada vez maiores. É compreensível que o ministro da Fazenda não tenha dito que a sociedade deve aceitar reduzir o ritmo de aumento das despesas obrigatórias ou aumentar a carga tributária. É provável que, no ponto a que as finanças públicas brasileiras chegaram, as duas coisas terão que ser feitas.

Para entender o que está se passando, basta observar que o gasto total da União neste ano vai crescer em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) e em termos reais, na comparação com o ano passado, que foi de grande gastança, mesmo com todos os cortes anunciados até agora pelo governo. De janeiro a maio deste ano, a despesa total da União cresceu 0,2% em termos reais, na comparação com 2014, segundo dados do Tesouro Nacional. Enquanto a receita total caiu 3,5% no mesmo período. Os dados de junho deverão ser divulgados hoje, mas não devem alterar essa realidade.

A explicação para isso é que as chamadas despesas obrigatórias não param de subir. De janeiro a maio, os gastos com benefícios previdenciários aumentaram 4,5% em termos reais, na comparação com o mesmo período de 2014. O aumento real das despesas com benefícios assistenciais (Loas e RMV) foi ainda maior, de 6,8%. O único gasto obrigatório que não cresce é o pagamento dos servidores ativos e inativos. No período considerado, esse gasto caiu 1,4% em termos reais na comparação com o ano passado. Deve-se incluir nessa relação as despesas com saúde e com educação, que aumentam por determinações constitucionais. Cerca de 90% de toda a despesa da União é obrigatória por algum tipo de determinação legal.

Para tentar equilibrar essa conta, o governo promoveu neste ano mudanças em algumas despesas obrigatórias, como o seguro-desemprego, o abono salarial, a pensão por morte, o auxílio-doença e o seguro ao pescador. Mesmo assim, o relativo controle que está sendo realizado nas contas da União resulta de um forte corte nos investimentos públicos. De janeiro a maio, de acordo com os dados do Tesouro, o governo reduziu os pagamentos dos investimentos feitos no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em 40% em termos reais, na comparação com o mesmo período de 2014. Os pagamentos do programa Minha Casa, Minha Vida caíram 33,6% em termos reais.

Os cortes nos investimentos e as medidas de controle dos gastos obrigatórios não serão suficientes para equilibrar as contas da União neste ano. O governo projeta uma receita atípica ou extraordinária neste ano que será recorde histórico. Apenas a Receita Federal estima obter uma receita extraordinária de R$ 51,6 bilhões nos tributos que administra de julho a dezembro. Se forem incluídos os R$ 4,6 bilhões já obtidos em fevereiro, o valor ultrapassará R$ 56 bilhões. Além disso, o governo conta com arrecadação com concessões de serviços públicos de R$ 18,2 bilhões.

Mesmo esse recorde de receitas extraordinárias, se vier a se concretizar, não será suficiente para garantir o equilíbrio das contas da União neste ano. Por isso, o governo reduziu a meta de superávit primário de 1,13% do PIB para 0,15% do PIB. Na verdade, ele fixou uma “banda informal” para a meta fiscal, pois o resultado poderá ser um déficit primário e ainda assim a meta será cumprida.

Como já foi informado nesta coluna, o governo está cada vez mais dependente das receitas extraordinárias ou não recorrentes, como preferem os economistas, para fechar as contas. Assim, não é possível, como imaginam alguns, alcançar, apenas com receitas recorrentes, um superávit primário que mantenha estável a relação entre a dívida pública bruta e o PIB. Não na situação atual, em que as despesas obrigatórias crescem muito em termos reais e as receitas tributárias da União não aumentam no mesmo ritmo.

Assim, a meta de superávit primário de 2% do PIB anunciada pelo governo para 2018 é mais ambiciosa do que pode parecer à primeira vista. Esse objetivo só será alcançado se o governo conseguir reduzir o ritmo de crescimento das despesas obrigatórias e continuar obtendo receitas extraordinárias em grande monta. O ingrediente que coloca mais dramaticidade na situação é que, segundo alguns economistas, o superávit primário anual necessário para estabilizar a dívida bruta em proporção do PIB é da ordem de 2,5% do PIB. Ou seja, o esforço fiscal precisa ser maior.

Para conter o crescimento do gasto obrigatório, o governo precisa propor ao Congresso medidas que são politicamente difíceis de aprovar. A regra para o aumento anual do salário mínimo, por exemplo, terá que ser modificada, provavelmente com a adoção do aumento real equivalente à variação do PIB per capita. A nova regra reduziria as despesas da Previdência e da assistência social.

É imprescindível também que o governo encaminhe ao Congresso uma proposta de reforma do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), definindo uma idade mínima para a requisição da aposentadoria. Além de garantir, é claro, a aprovação do projeto de lei que reverte a desoneração da folha de pagamento das empresas.

Mesmo essas medidas podem não ser suficientes. Por isso, devem vir acompanhadas de propostas para aumentar a carga tributária. A medida mais provável, pois conta com apoio no Congresso e de governadores, é a recriação da CMPF, o imposto dos cheques. Há informações também sobre estudos oficiais para a tributação mais pesada de heranças e doações e de grandes fortunas.

 

Bandeiras Estados do Brasil

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domingo, 14 de junho de 2015 Crise Brasileira, Impostos, Politica Economica, Sem categoria | 18:47

A sobrecarga tributária

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É conhecida a incapacidade do nosso Estado em cortar gastos. Tanto no nível Federal, como no Estadual e Municipal.

Já abordei aqui algumas possíveis razões para isto, em diversos posts:

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2013/06/21/a-economia-vai-pra-rua/

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2013/12/11/gasto-publico-e-impostos-em-tendencia-insustentavel/

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2013/12/15/a-constituicao-cidada-de-88-os-impostos-e-o-gasto-publico/

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2014/05/15/as-escolhas-que-nao-fizemos/

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2014/03/14/o-contrato-fiscal-fracassou/

Era inevitável, portanto, que um dia chegaríamos próximo ao acerto de contas, pois não dava para continuar a crescer as despesas do governo federal no ritmo atual, como mostra o gráfico abaixo da evolução anual das despesas primárias do governo como % do PIB:

despeprimgovcentral

 

 

Os gastos, excluindo os juros, de 2004 até 2014 subiram 3,2% do PIB somente no nível Federal. O ritmo consistente de elevação dos gastos acima da taxa de crescimento do PIB é impulsionado por elevações de gastos nos ciclos eleitorais, marcados em vermelho acima. Nos anos seguintes às eleições é feito um corte, que é logo abandonado na medida em que se aproximam as próximas eleições. A resultante destes ciclos contínuos é a elevação contínua dos gastos públicos.

Algo similar ocorre no nível estadual e municipal, como vemos no gráfico abaixo, que mostra à direita a piora dos superávits dos 10 entes com maior endividamento e, á esquerda, a elevação dos gastos primários em 1% do PIB nos últimos 10 anos:

 

estadosdespesa

 

Portanto, não era preciso ser um gênio para descobrir que este processo chegaria à exaustão.  Como politicamente e socialmente temos sido incapazes de nos organizarmos para um debate que vise colocar um limite no gasto público, definindo assim prioridades para os gastos de uma forma abrangente e técnica,  isto nos força, em função de pressões sobre nossa situação fiscal, a  elevar a carga tributária total, que em 2013, com 35.7% do PIB segundo a OCDE,  já era maior da América Latina e acima dos países mais desenvolvidos membros da OCDE:

http://www.valor.com.br/brasil/3946654/brasil-tem-maior-carga-tributaria-da-america-latina-diz-ocde

 

taxlevelbraslatam]

 

A tabela acima foi extraída deste excelente trabalho:

Revenue Statistics in Latin America and the Caribbean 1990-2013 Consult this publication on line at http://dx.doi.org/10.1787/rev_lat-2015-en-fr This work is published on the OECD iLibrary, which gathers all OECD books, periodicals and statistical databases. Visit www.oecd-ilibrary.org for more information.

Em qualquer ótica, nossa carga é muito grande e tem crescido em ritmo forte já há algumas décadas, saindo de 22% do PIB em 1986 e chegando aos 36% de hoje,  como mostra estudo  do IBPT:

evoluçaocarga8615

 

https://www.ibpt.org.br/img/uploads/novelty/estudo/2142/05EvolucaoDaCargaTributariaBrasileira.pdf

E esta tabela abaixo mostra sua evolução nos níveis federal, estadual e municipal, do estudo feito pelo mesmo instituto:

 

arrecadacaoimpostospor niveisfederacao

 

A alta é generalizada. O que mais intriga é que o nível atual de tributação só é superado pelos países com  bem estar social e renda per capita muito superiores aos nossos, nos colocando um pouco acima até mesmo da própria Suíça, como mostra gráfico abaixo do TCU:

 

cargatributbrasilsuiça

 

O mesmo pode ser visto em trabalho mais recente da Receita Federal sobre a carga tributária brasileira:

http://idg.receita.fazenda.gov.br/dados/receitadata/estudos-e-tributarios-e-aduaneiros/estudos-e-estatisticas/carga-tributaria-no-brasil/carga-tributaria-2013.pdf

 

 

cargareceita

Ou seja arrecadamos muito, mas oferecemos pouco em termos de serviços públicos. E lembro que ainda temos as estatais que contribuem com seus dividendos para aumentar o bolo de gastos públicos, como mostra o gráfico abaixo:

 

dividen

 

 

Vemos em vermelho que o governo usou e abusou deste mecanismo de geração de caixa depois de 2008, o que sufocou as empresas e bancos estatais, que tiveram que recorrer ao endividamento crescente ou a capitalizações junto ao Tesouro Nacional para expandir seus negócios e dar conta de seus planos de investimento.  Vemos hoje que isto era de fato insustentável, como já mostraram os dados de 2013 e 2014 (amarelo). Este ano este número deve ser ainda menor.

DE acordo com o mesmo estudo da Receita Federal, nossa carga tributária está assim distribuída entre os entes federativos:

 

entefederativoarrecadasrf

 

 

Quase 70% dos impostos são federais, enquanto que menos de 6% deles são municipais. Ou seja, o dinheiro dos impostos ” sobe” para níveis decisórios bem distantes da população, que interage no seu dia a dia muito mais com sua cidade. Quem decide onde o dinheiro vai ser gasto fica bem longe do povo que o elegeu. E o gasto fica mais longe ainda.  Aqui entra a necessidade de se rever este pacto federativo que distancia a decisão sobre o que fazer com o dinheiro dos impostos de seus contribuintes.

Os impostos no Brasil incidem primariamente sobre o consumo de bens e serviços, sendo portanto pouco pregressivos. Isto é, tributa-se igualmente quem consome, independentemente de sua renda. De fato somos bem diferentes dos outros países neste aspecto, como mostra o gráfico abaixo retirado do mesmo estudo da Receita Federal:

 

impostobensservicos

 

Por outro lado, os impostos sobre os ganhos de capital, rendas e lucros ficam muito abaixo do que é arrecadado nos outros países:

 

rendalucroganhocapital

 

Já os encargos sobre a folha estão em linha com o que se pratica lá fora:

carga sobre folha

 

Já os impostos sobre patrimônio (verde abaixo) são pequenos no Brasil, porém eles tendem a ser pouco relevantes em outros países também, como mostra o gráfico abaixo da Receita, que reforça a tese que temos taxamos demais o consumo ( laranja)  e pouco a renda, em azul:

impostosobrepropriedade

 

 

Vale a pena dar uma olhada nesta tabela abaixo que mostra quais os principais impostos pagos por nós:

 

quebraimpostos

 

Fica evidente aí que há uma quantidade enorme de impostos e contribuições, já que a lista acima não está completa pois há inúmeros outros impostos que são incluídos nas rubricas outros, cuja lista completa (??) pode ser vista no link abaixo:

http://www.portaltributario.com.br/tributos.htm

Isto torna nosso sistema tributário um dos mais complexos do planeta:

http://exame.abril.com.br/economia/noticias/os-paises-que-mais-roubam-tempo-das-empresas-com-impostos-brasil-e-lider

A razão desta complexidade reside na incapacidade dos governos de promover uma reforma no sistema tributário. Como temos crises fiscais recorrentes, é preciso de tempos em tempos, criar alguns novos impostos para cobrir as despesas crescentes, tornando a lista ainda maior.  E hoje parece que estamos vivendo mais um momento destes, em função do enorme desajuste nas contas públicas criado por Guido e cia nos últimos 4 anos.

Há discussões na mídia sobre diversos novos impostos ou mudanças nas regras de impostos atuais que estão em análise pelo governo federal.  Eu pretendo comentá-las oportunamente, contudo, gostaria de lembrar aos senhores de alguns inconvenientes de se ter uma carga tributária elevada:

  • Ao se tributar a renda do trabalho das pessoas de forma crescente e excessiva, se cria um desincentivo ao desenvolvimento profissional no trabalho e ao empenho nos estudos. Na prática isto acaba elevando os salários brutos e os custos para se manter pessoas de alto padrão remuneradas adequadamente. Além disto, como a propensão marginal à poupança das pessoas de maior renda é maior do que a daquelas de menor renda, a maior tributação sobre as  rendas mais elevadas acaba reduzindo a poupança interna, caso os recursos assim arrecadados não sejam usados na redução da dívida pública.
  • Ao se aumentar impostos sobre  o lucro das empresas e dividendos, reduz-se o retorno sobre o capital investido, o que acaba desencorajando a poupança interna e diminuindo a taxa de investimentos na economia.
  • Ao se aumentar impostos sobre consumo ou que incidam sobre os custos dos insumos das indústrias, estamos aumentando o custo dos produtos, gerando mais inflação e reduzindo a competitividade de nossa indústria.
  • Ao se tributar o Patrimônio dos mais ricos, cria-se um incentivo para a fuga destes capitais para o exterior, pois as pessoas sempre podem mudar de domicílio fiscal, além de reduzir o retorno sobre o capital destes contribuintes, e por sua vez, a taxa de formação de poupança e , consequentemente, o investimento e o emprego.
  • Ao se aumentar a carga tributária para cobrir gastos correntes crescentes numa economia onde o Estado é menos produtivo no seu gastos vis a vis o setor provado, estamos reduzindo a produtividade total da economia, o que reduz nossa capacidade de crescer.

Dito isto, antes de se criarem novos impostos, cabe ter me mente que:

  • Temos escassez de capital humano de alta qualidade;
  • Temos escassez de poupança interna, o que reduz nossa capacidade de investir sem nos endividar lá fora;
  • Temos um custo de capital elevado, em função desta baixa poupança e dos riscos econômicos que apresentamos;
  • Temos um Estado que não consegue prover serviços básicos de qualidade para a população;
  • E que o socialismo acaba quando acaba o dinheiro dos outros. E já tivemos na Derrama um exemplo do que um aumento de impostos arbitrário, sem contrapartidas em termos de serviços públicos, pode causar: a Inconfidência Mineira.

Vale a pena reler este livro:

http://livraria.folha.com.br/livros/inconfidencia-mineira/devassa-devassa-kenneth-maxwell-1026061.html

Creio que voltaremos em breve a este assunto nesta coluna.

 

deva

 

 

 

 

 

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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014 Crise Brasileira, Heróis do Mercado, Impostos, Livros e publicações, Politica Economica, Sem categoria, utilidade | 16:58

Uma importante lição de uma grande líder revolucionária

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Em tempos de ajuste fiscal, discursos como este, do vídeo do link abaixo, são muito inspiradores:

https://www.youtube.com/watch?v=WFIN5VfhSZo

São palavras simples, numa linguagem direta, que refletem o mais puro bom senso na gestão da política orçamentária e fiscal.

É por esta e por outras que sou tiete desta senhora do vídeo há vários anos.

Obrigado!

 

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sexta-feira, 28 de novembro de 2014 Câmbio, Crise Brasileira, Heróis do Mercado, Impostos, Inflação, Investimentos, Juros no Brasil, Politica Economica, Sem categoria | 15:13

Déficit externo = falta de poupança = ajuste fiscal

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E chegamos ao inevitável ajuste fiscal, que tem muito a ver com a realidade de nossas contas externas.

Um dos conceitos mais importantes da contabilidade nacional é o saldo em conta corrente. Ele mostra o quanto estamos trocando com o mundo em termos de divisas internacionais nas transações de comércio exterior e nas rendas que recebemos e pagamos ao exterior. SE gastamos mais divisas com o exterior do que recebemos, ou seja, se as rendas recebidas do exterior e nas exportações geram montantes inferiores ao que gastamos com importações e rendas pagas ao exterior ( como viagens, dividendos remetidos, juros pagos, fretes, etc.), temos um déficit nas contas externas. Isto significa que temos um buraco em nossa conta corrente com o exterior que precisa ser coberto com empréstimos tomados junto a bancos internacionais ou através da venda de ativos locais a estrangeiros, sejam ações, títulos de renda fixa ou participações em empresas brasileiras ( o tal do Investimento Direto Estrangeiro). E este é precisamente o nosso quadro atual, como vemos no gráfico  abaixo:

 

SALDOCC

 

 

O gráfico azul mostra a evolução de nosso saldo em conta corrente acumulado em 12 meses desde 1994, como % do PIB ( tudo que produzimos no país no mesmo período). A reta laranja mostra o saldo médio de todo o período, que é um déficit de cerca de 2% do PIB. Vemos que desde 2004 só apresentamos superavit de conta corrente ( mais receitas do que despesas com o exterior) entre 2003 e 2008 , marcado em cinza. Vimos que após o Plano Real entramos numa região de déficit bastante elevado( marcado em amarelo). Para eliminar a inflação naquele momento foi preciso manter nossa moeda valorizada diante do dólar que serviu de âncora inflacionária nos primeiros anos de estabilização. Foi isto que permitiu a quebra da inércia inflacionária que tínhamos até 1994. Vemos também a forte piora do saldo desde 2006 ( seta vermelha), que coincide com o período onde nosso R$ se valorizou fortemente diante do dólar.

O gráfico azul abaixo mostra a evolução do valor real do câmbio no Brasil calculado pelo BC desde 1994, já descontados os efeitos da inflação doméstica e internacional e da variação das diversas taxas de câmbio de nossos parceiros comerciais:

 

cambioreal

 

A taxa média real em termos de número índice é representada pela reta laranja horizontal ( aprox. 95). Quando o gráfico azul está acima de tal reta indica que, em termos relativos,o nosso R$ está mais barato e vice versa. UM real caro indica que as moedas estrangeiras estão mais baratas, o que torna as importações mais baratas e prejudica as exportações. Foi exatamente isto que ocorreu entre 94 e 99 ( após plano real) marcado em amarelo. No período entre 2000 e 2004  tivemos um processo de desvalorização de nossa moeda ( seta rosa)  que ajudou as exportações. A grande desvalorização do R$ ocorrida após 2002 ( seta rosa) deveu-se à percepção de maior risco político nas eleições de 2002 quando o PT chegou ao governo pela primeira vez. Já a forte valorização de nossa moeda que veio de 2004 até 201o ( seta negra) foi resultado da forte redução do risco econômico interno e do ambiente externo bastante favorável para os produtos básicos que são aqui produzidos. E vemos na seta verde que nossa moeda retomou o processo de desvalorização desde 2011.

Voltando a análise de nosso déficit externo, temos que um de seus principais componentes é o saldo comercial que mostra a diferença entre o que exportamos e o que importamos. O gráfico azul abaixo mostra a evolução de nossa balança comercial como % do PIB dos últimos 12 meses:

 

balcom

 

 

Apesar de termos uma balança comercial (exportações – importações ) equilibrada, isto não impede que tenhamos déficits nas contas externos, como vimos mais acima. Tais déficits que são gerados por:

a. remessas de juros ao exterior em função do endividamento externo das nossas empresas

b. remessas de dividendos das empresas que tenham participação de capital estrangeiro;

c. remessas decorrentes de pagamentos de serviços contratados no exterior, como aluguel de máquinas, de equipamentos e frete;

d. despesas com viagens ao exterior.

A soma destes valores aumentou nos últimos anos, porém a magnitude da alta não justificou o total da piora do saldo em conta corrente, como vemos abaixo:

 

pioradeficit

 

 

 

 

 

A piora do saldo de nossa conta corrente desde 2005 foi da ordem de US$ 100  bi ( vermelho), enquanto o déficit nos itens de serviços e rendas piorou US$ 60 bi. A diferença é explicada pela piora do saldo comercial que, como vemos em vermelho no gráfico abaixo, caiu, de 2005 até hoje,  US$ 40 bi :

 

 

balancaus$

 

 

Um déficit anual de US$ 85 bi como temos hoje significa que deveremos nos endividar externamente ou vender ativos brasileiros a estrangeiros neste montante anualmente. Isto significa que no futuro tais US$ 85 bi anuais irão gerar mais despesas de serviços com juros, royalties ou dividendos pagos ao exterior, piorando ainda mais nosso déficit.

Mas por que temos déficit externo?  Da contabilidade nacional sabemos que :

P = C + I + ( X – M)

onde:

P = o que produzimos, em termos de produtos e serviços internamente,

C = o que consumimos, em termos de produtos e serviços,

I = o que investimos em capacidade produtiva,

X = o que exportamos, em termos de serviços e produtos ao exterior

M = o que importamos de serviços e produtos do exterior

Ou seja:

P – (C + I) = (X – M)

Logo, nosso saldo externo ( X – M) é igual ao excedente do que produzimos sobre o total que consumimos e investimos. SE consumimos e investimos mais do que conseguimos produzir , teremos saldo externo negativo = déficit. Ou seja, a demanda interna é maior do que capacidade interna de atender tal demanda (oferta) a preços de mercado. 

Como nossa renda líquida é resultado do que produzimos aqui dentro menos o que pagamos de renda ao exterior em decorrência das dívidas e obrigações acumuladas no passado, podemos inferir que nossa renda líquida atual é insuficiente para atender nosso consumo e nosso investimento. Ou seja, para atender este excesso de demanda sobre oferta interna precisamos recorrer a importação de poupança externa, que é reflexo do déficit de conta corrente com o exterior. Ele nos mostra que temos internamente um excedente de consumo e de investimento sobre nossa renda líquida. Imagine uma família que  gasta mais do que recebe em rendimentos. No final do mês tal família tem um buraco na conta bancária, que é coberta ou come venda de bens ou com empréstimos tomados nos bancos. Este é o nosso caso. Para compensar tal “insuficiência de renda” esta família precisa importar poupança de terceiros tomando empréstimos no banco. Estes empréstimos irão custar juros, que serão pagos no futuro aumentando o buraco da família.  Se tal família não quiser quebrar, ela precisa poupar:

a. aumentando a renda familiar e manter consumo ou

b. reduzindo o consumo

Para se aumentar a renda, mais pessoas da família precisam trabalhar ou os membros das famílias precisam procurar empregos que paguem mais, ou seja, empregos onde as pessoas sejam mais produtivas, pois geram mais valor a seus empregadores. Para se reduzir o consumo é preciso rever o orçamento familiar e reduzir os gastos.

Um país nada mais é do que um aglomerado de famílias, porém com empresas e com governo. As famílias geram renda com trabalho e com o investimento de sua poupança acumulada ao longo da vida. As empresas geram rendimentos às pessoas que as controlam ( poupadores) através de dividendos ou juros pagos. Tais empresas reinvestem na produção a parcela dos lucros que não é distribuída aos seus acionistas e credores. Os governos arrecadam recursos tributando famílias e empresas, reduzindo assim os rendimentos e os lucros privados. O governo então gasta tais recursos em consumo ( oferta de serviços públicos gratuitos ou subsidiados á população), investimentos ou os transferem para outras famílias e empresas, através do pagamento de aposentadorias, de programas sociais ou de subsídios.

Para que a renda nacional cresça, precisamos aumentar o lucro real das empresas ( e desta forma seus dividendos, aluguéis ou juros pagos a seus controladores) e/ou os salários pagos a seus empregados, isto tudo de forma sustentável e não inflacionária. Isto só se consegue com o aumento da quantidade de bens produzidos ( P da fórmula acima) por tais empresas e empregados ou por aumento do valor agregado desta produção. Se mantivermos o volume de investimentos e de mão de obra disponível inalterado, isto só é possível através de aumento da produtividade geral. 

Voltando à  igualdade acima, podemos concluir que:

P – (C + I) = (X – M)

Desta forma, mantido o nível atual de produção, só podemos aumentar o Investimento I se reduzirmos o Consumo C , caso não desejemos aumentar o déficit externo. Logo, para reduzir o déficit externo, sem reduzir o Investimento e mantendo a produtividade atual, só nos resta reduzir o consumo agregado da economia. Portanto, todo aumento de Investimento precisa ser correspondido inicialmente por uma queda de consumo. Caso contrário, nosso déficit externo aumenta.

Vimos que o consumo pode ser dividido em :

a. consumo das famílias

b. consumo do governo

Para se reduzir o consumo da famílias não existe forma mais eficiente do que através da elevação dos juros, pois boa parte do crescimento do consumo é financiado através do crédito bancário, ou seja, representa um consumo no presente  financiado pela renda futura das famílias. Juros maiores acabam reduzindo a capacidade de compra atual das famílias, o que inibe o consumo presente, sem alterar a capacidade futura de consumo das famílias.

Outra forma de se reduzir o consumo das famílias é através do aumento dos impostos por elas pagos. Desta forma, a renda disponível das famílias cai, o que causa uma queda no consumo. Outra maneira do governo aumentar sua renda é através da elevação das tarifas cobradas nos serviços públicos por ele subsidiados. Isto funciona de forma similar ao aumento dos impostos. A renda que é transferida para o governo através do aumento dos impostos e das tarifas precisa ser poupada, ou seja, não pode ser usada nem em investimento tampouco no consumo. Na prática o governo usa tais recursos para amortizar sua dívida, que é a forma mais eficiente do governo investir sua poupança.

Para se reduzir o consumo do governo é preciso que se reduza a oferta de serviços públicos ou que se aumente a eficiência do setor público, de tal forma que o governo consiga assim oferecer o mesmo serviço atual com menos recursos.

Dada á elevada necessidade por investimentos na infraestrutura do país e a crescente demanda por serviços públicos, só existem as seguintes alternativas viáveis para se reduzir o consumo interno:

a. redução do consumo das famílias através do aumento dos juros, o que é plenamente justificável a esta altura dos acontecimentos pois nossa inflação está beirando o topo da banda de meta de inflação e estamos com o menor nível de desemprego dos últimos 20 anos;

b. redução do consumo das famílias através do aumento de impostos e elevação das tarifas públicas como transporte e energia, o que é mais delicado pois nossa carga tributária já é muito elevada e as tarifas já são bem elevadas;

c. redução do consumo do governo, através do aumento da eficiência do gasto público;

Os itens b e c estariam no âmbito de um ajuste fiscal ou aperto fiscal como o anunciado pelo Ministro Levy.

Uma consequência natural deste ajuste seria, como vemos, a redução do déficit externo, pois a queda do consumo levaria à queda da absorção doméstica (C+ I).  Porém a coisa não para aí. A partir do momento em que os juros trouxerem nossa inflação para o centro da meta, o aumento da poupança do governo, gerado pelo aumento de eficiência do gasto público e pelo aumento dos impostos e tarifas, provocará uma queda na trajetória do endividamento do estado e da economia como um todo. Ou seja, a demanda por crédito interno cai e a oferta de poupança aumenta. Neste cenário, seguindo a lei da oferta e da procura por capital, os juros de equilíbrio da economia caem, o que ajuda a evitar uma queda maior do Investimento.

Com a desaceleração do consumo abre-se então espaço para o aumento do Investimento sem piorar o déficit externo. Porém com a queda do consumo, o que levaria uma empresa a investir aqui? Entra em campo a tal da mudança de preços relativos que já comentei em posts passados. Para que um novo equilíbrio ocorra é preciso substituir a demanda interna perdida no processo de ajuste pela expansão da demanda externa. Uma vez que a demanda externa é definida pelo crescimento econômico no resto do mundo que não deve se acelerar nos próximos anos, só nos resta produzir bens aqui a custos menores do que aqueles que são produzidos no exterior e aumentar assim nossa parcela no comércio internacional.  

Tais preços relativos podem se alterar em função da elevação dos preços externos dos produtos que exportamos vis a vis o preço dos produtos que importamos, como ocorreu entre 2005 e 2011,  como mostro em verde no gráfico dos termos de troca abaixo:

 

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Isto me parece improvável, em virtude da recente queda no preço das commodities que exportamos, como mostra a seta vermelha acima. O esfriamento da economia chinesa impede uma retomada dos preços das commodities que exportamos.

Logo, a única maneira disto ocorrer é através da continuação do processo de desvalorização de nossa moeda, indicado na seta verde no gráfico abaixo:

 

 

cambioreal

 

 

 

Entretanto, tal desvalorização gera pressões inflacionárias, pois os preços dos produtos e insumos importados sobem na mesma medida. Isto então demanda a manutenção de juros elevados enquanto tal ajuste de preços relativos ocorre, para evitar que tal inflação se espalhe pelo resto da economia. É muito difícil estimar ex ante o tamanho da desvalorização real necessária para equilibrar as contas externas. Tudo vai depender da velocidade do ajuste do custo unitário do trabalho medido em moeda estrangeira, como mostra gráfico abaixo preparado com dados do BC:

 

 

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Ele mostra a evolução do custo da mão de obra em dólares dividido pelo volume de produção calculado pelo BC, assim definido:

Custo Unitário do Trabalho em US$ = ( Gasto total com salários em R$ / Volume produzido ) / Taxa de Cambio R$-US$

Ou seja, ele mede o gasto medido em US$ com mão de obra de uma unidade de produto. Como a série é longa, decidi aplicar o log. A reta laranja horizontal mostra a média dos últimos 17 anos. Ou seja, o custo da mão de obra ajustado pela produtividade medido em dólares, embora tenha parado de subir desde 2012, ainda se encontra acima da média. Para reduzir este custo local de produção precisamos aumentar a produtividade, reduzir os salários ou desvalorizar o câmbio, como ocorreu nos últimos anos. Com um custo de produção mais baixo, os mercados externos ficam mais atraentes, o que acaba elevando o Investimento produtivo no setor de bens comercializáveis com o exterior e reduzindo os Investimentos nos setores de bens e serviços não comercializáveis com o exterior. Ou seja, o capital muda de foco. Na prática estamos falando que os nossos salários precisam cair quando medidos em dólares. Desta forma teremos uma perda de poder aquisitivo com relação aos produtos e serviços importados, que em R$ passam a custar mais caro. Estes preços mais caros inibem seu consumo, o que aumenta a renda poupada.

Mas o que garante que o R$ vá se desvalorizar? Aqui está a beleza da coisa. Quando há a redução do consumo em função do aperto fiscal, a demanda interna cai rapidamente, levando à queda inicial do Investimento por parte das empresas. Isto acaba gerando um excesso temporário de poupança nas empresas que é usada para liquidar seu endividamento externo, o que cria um aumento da demanda por dividas externas. O fluxo de capital externo também se reduz, pois as oportunidades de investimento aqui caem. O aumento de demanda por divisas e a queda de sua oferta acabam naturalmente elevando a cotação do dólar e desvalorizando o R$.

Esse processo pode demorar na medida em que o BC mantenha os juros elevados para trazer inflação para o centro da meta e continue vendendo dólares via swaps cambiais ao mercado. Contudo, na medida em que o BC atinja seu objetivo, ele pode reduzir os juros básicos o que induz a uma depreciação mais rápida do R$. Quando o R$ atingir um novo patamar de equilíbrio, o investimento vai se acelerar novamente, em particular no setor de bens comercializáveis, pois fica competitivo produzir aqui vis a vis  importar. As empresas então param de poupar e voltam a investir, reduzindo a demanda por divisas. E o fluxo de capital externo aumenta novamente , que agora vem à procura de investimentos no setor de bens comercializáveis.

Mas o que acontece com o emprego neste processo? Ele inicialmente cai pois há uma queda da demanda agregada. Porém na medida em que o Investimento seja retomado no setor de bens comercializáveis, este passa a demandar mais mão de obra. Ou seja, o aumento temporário do desemprego é inevitável neste tipo de ajuste, uma vez que vai ser preciso uma realocação da mão de obra dos setores mais ligados ao consumo para os setores mais ligados à produção de bens comercializáveis. A boa notícia é que os salários pagos neste setor tendem a ser maiores do que os pagos no setor de serviços, pois demanda-se aí uma mão de obra mais qualificada. Mas vai ser preciso algum tempo para que a oferta de mão de obra seja qualificada para estes novos empregos.

Mas poderíamos ter evitado a necessidade  de fazer tal ajuste? Somente teríamos evitado tal ajuste se a produtividade ( produção / hora trabalhada) tivesse subido mais rapidamente, de tal forma que a elevação do custo da mão de obra que tivemos nestes últimos 5 anos pudesse ser compensada por aumento maior da produtividade. Assim o custo unitário de produção não teria subido como vimos no gráfico acima. E desta forma nosso déficit externo não teria aumentado.

Mas como poderíamos ter promovido tal aumento de produtividade? Além das reformas de oferta ( que já mencionei aqui algumas vezes), uma maior disciplina fiscal e a manutenção de superávits fiscais sólidos nos últimos anos poderiam ter provocado uma queda sustentável nos juros internos e gerado assim a poupança interna necessária para financiar um aumento do investimento em maior sincronia com o aumento do consumo. Com um volume maior de Investimentos, seria possível aumentar a produtividade do trabalho através do que os economistas chamam de capital deepening.  Foi este processo que permitiu que as economias asiáticas apresentassem taxas de crescimento econômico elevadas durante anos.  Tais países mantiveram um nível elevado de poupança interna, o que permitiu a elevação do investimento sem contudo aumentar seus déficits externos, ao mesmo tempo mantendo a inflação baixa.   Já no nosso caso, a poupança nacional, que é a parcela da Renda Nacional Líquida que não é consumida pelo estado ou pelas famílias, que já era baixa quando comparada com tais países, tem caído de forma dramática desde 2010, como vemos marcado em preto no gráfico abaixo, e tendo atingido o pior nível em mais de 14 anos ( vermelho):

 

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Ao permitirmos que isto tenha ocorrido, nos colocamos numa situação de desequilíbrios externos crescentes com fortes pressões inflacionárias, como já escrevia aqui umas 3458 vezes. Logo, é  inevitável que passemos por um período de ajuste na demanda e da poupança. E a escolha dos Ministros Levy e Barbosa precisa que ser comemorada, pois pouca gente neste país reconhece mais a necessidade de tal ajuste e sabe como fazê-lo melhor do que estes dois. E Levy tem ainda uma vantagem: é engenheiro de formação, como este que vos fala…

Parabéns Presidenta Dilma pela excelente escolha.

E aos Ministros, desejo sucesso, pois a tarefa pela frente é bastante desafiadora.

E agora você pode me seguir em:

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No twitter @RicardoGalloIG

 

Joaquim-Levy

 

 

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quinta-feira, 6 de novembro de 2014 Crise Brasileira, Impostos, Politica Economica | 20:49

E não dá para botar a culpa na queda da arrecadação….

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No último post mostrei o quadro delicado das finanças públicas:

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2014/11/03/situacao-fiscal-e-grave/

E nenhum gráfico é mais emblemático do que este abaixo, que mostra a evolução do saldo das contas do governo ( receitas – despesas excluindo juros) acumulado em 12 meses, mês a mês, como % do PIB desde 2003:

 

 

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Vê-se em vermelho que desde 2011 a coisa tem piorado bastante.  Mas alguns leitores argumentam que isto se deve à queda na arrecadação de impostos em virtude da redução do ritmo da atividade econômica nos últimos anos.  De fato, vemos no gráfico abaixo que nossa economia perdeu bastante ritmo desde 2011 e seria natural esperar uma queda na arrecadação de impostos em tal ambiente:

 

 

crescafunda

 

 

 

 

Contudo, apesar deste quadro econômico anêmico, não há sinais de queda na arrecadação de tributos como % do PIB nos últimos anos. O gráfico abaixo mostra a evolução desde 2010 da arrecadação total dos  impostos federais + contribuições à previdência + ICMS dos Estados ( dados retirados do site do BC), acumulada nos últimos 12 meses como % do PIB da mesma forma que no gráfico do saldo primário do governo mais acima:

 

 

 

 

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Vemos que desde 2010, período em que se iniciou a piora dos saldos fiscais, a tendência de alta na arrecadação de impostos e contribuições é inequívoca ( em vermelho) e que tal arrecadação nos últimos meses se situa no topo da série. Embora não disponha da mesma série de dados para o total da arrecadação de impostos municipais, os dados da prefeitura de São Paulo, marcados em vermelho abaixo, mostram uma forte elevação na arrecadação tributária desde 2011:

 

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E dados de outras prefeituras mostram cenário similar:

 

 

 

prefeituras

 

 

 

 

Ou seja, a boca do Leão está bem aberta em todas as esferas do governo. E desta forma não é razoável afirmar que a piora de 3% do PIB nos saldos fiscais do governo que ocorreu de 2011 para cá seja decorrente da queda na arrecadação de impostos.

A conclusão que se chega é que o que tem causado a piora nas contas públicas é mesmo a elevação dos gastos do públicos, e não a queda da arrecadação. Elevação de gastos que é legítima em muitos casos, porém insustentável em seu todo. Alguém precisa dizer para sociedade que se quisermos melhorar os serviços públicos aumentando os gastos do governo em saúde, educação e mobilidade urbana, será preciso cortar gastos em outras áreas ou aumentar ainda mais os impostos… Seria bom o governo avaliar isto antes de vir a aumentar mais os impostos…

 

 

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segunda-feira, 3 de novembro de 2014 Crise Brasileira, Impostos, Politica Economica | 12:04

Situação fiscal é grave

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Em meu post mais recente listei uma série de questão econômicas que se colocam como desafios importantes para o governo eleito. Contudo, duas frentes trazem enorme preocupação: a situação das contas públicas e dos reservatórios das hidrelétricas na região sudeste. Vou endereçar aqui a questão do quadro fiscal.

Os últimos dados das contas públicas mostram uma piora bastante aguda nos saldos das contas fiscais do governo. Na margem, as contas públicas já estão em déficit e um forte aperto fiscal será necessário, com cortes de gastos públicos e mais impostos, o que, como tenho repetido nesta coluna, já era previsto há algum tempo.

O saldo das contas públicas vem afundando em enorme velocidade, como vemos no gráfico abaixo em vermelho:

 

 

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O saldo primário ( saldo de receitas – despesas, excluindo encargos com juros) vem despencado desde 2011, e recentemente está afundando e se encontra no pior nível em mais de 10 anos ( amarelo).

O déficit total, que inclui as despesas com juros, está piorando bastante na margem ( vermelho abaixo) e atingiu pior nível dos últimos 12 anos:

 

 

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O saldo primário nos primeiros 9 meses deste ano, que exclui despesas com juros, está negativo, o que não acontecia há mais de 11 anos, como vemos abaixo:

 

 

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Fica claro aí que já estamos em déficit. 

A coisa piora de figura se ajustarmos os saldos reportados, retirando dele as receitas extraordinárias do Tesouro Nacional nos últimos meses que não devem se repetir quando se olha para frente, como mostra ( amarelo) o gráfico tracejado abaixo:

 

 

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Vemos que o saldo primário recorrente dos últimos 12 meses já está no negativo. E a tendência é de rápida piora.

Com consequência disto, a dívida pública só aumenta:

 

 

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Vemos em marrom que dívida total do governo vem em tendência de alta desde 2012, e piorou bem nos últimos meses. Algo que também fez piorar a dívida líquida em amarelo.

Mas e daí? Bom veja abaixo:

  • Saldo primário negativo significa que o governo gasta mais, mesmo excluindo o que gasta com juros, do que arrecada;
  • Assim o governo não poupa nada para pagar encargos da dívida;
  • Assim a dívida só aumenta;
  • Com mais dívida, aumentam as despesas com juros;
  • Com mais dívida o governo precisa pagar juros maiores no mercado para levantar recursos;
  • Com juros maiores, investimento produtivo cai;
  • Com menos investimento, economia continua estagnada;
  • Com economia estagnada, governo arrecada menos impostos:
  • O que piora ainda mais quadro fiscal.

Com economia estagnada, déficits crescentes, juros em elevação, inflação no topo da meta e dívida pública em alta, fica inevitável o rebaixamento da nota de crédito do Brasil fixada pelas agências de rating. Se este quadro não se alterar nos próximos trimestres, é certo que teremos nossa dívida rebaixada por pelo menos uma das 3 agências principais e muito provavelmente perderemos grau de investimento em 2016, com consequências dramáticas para emprego e economia no curto e longo prazo. Logo, reverter este cenário é imperativo.

Para reverter este quadro, o governo será forçado a fazer um sério aperto fiscal em 2015 e 2016. Seguem algumas medidas possíveis dentro de um pacote de maldades:

  • Volta do CPMF, o que aumenta custo dos produtos e inflação;
  • Com mais inflação, o BC vai precisar subir mais os juros;
  • Aumento do IOF sobre empréstimos, encarece crédito ainda mais;
  • Aumento da TJLP, juros cobrados pelo BNDES, o que encarece custo financeiro dos investimentos;
  • Aumento do preço da gasolina, para aumentar resultado da Petrobrás;
  • Isto traz mais inflação e, portanto, mais juros;
  • Corte de despesas públicas;
  • Mudanças na previdência social, reduzindo ou eliminando alguns benefícios;
  • Fim de algumas desonerações de impostos feitas nos últimos 18 meses;
  • Desvincular alguns benefícios à variação do salário mínimo;
  • Aumento maior das tarifas de eletricidade;
  • Aumento das tarifas de transporte público nos grandes centros urbanos;

Medidas assim irão causar uma maior queda no nível de atividade e portanto do emprego, que já mostra um quadro de piora. Porém são inevitáveis. Caso contrário, teremos uma forte crise, pois caso medidas como estas e uma forte austeridade fiscal não sejam implementadas com rapidez, corremos sério risco de termos nossas notas de crédito externo rebaixadas, o que reduziria o nosso acesso ao capital externo que hoje é responsável pelo financiamento de 20% da poupança total que precisamos para fazer os investimentos que hoje fazemos em nossa economia.  E se perdermos o grau de investimento, não haverá recursos externos para mais investimento em Infra, pois os investidores externos exigem grau de investimento do país para investir em tais projetos.

Ou seja, a questão não é mais se ou não teremos um aperto fiscal. Mas sim quando.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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sábado, 18 de outubro de 2014 ataques especulativos, Crise Brasileira, Impostos, Inflação, Investimentos, Juros no Brasil, Politica Economica, Sem categoria, utilidade | 19:14

A urgência das reformas

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Uma das coisas boas de meu trabalho é a quantidade de análises de qualidade que tenho a oportunidade de ler, vinda de diversos bancos, de diversos analistas e economistas, tanto do Brasil como do exterior. Recentemente recebi um texto bastante interessante do Banco Credit Suisse no qual os autores, Alexander Redman e Arun Sai,  analisam a economia brasileira e a mexicana, e fazem recomendações quanto a alocação de recursos nas bolsas destes países. Não pretendo entrar aqui na análise do critério de escolha do Banco, tampouco recomendar alocações de investimentos pois não é o objetivo desta coluna. Porém irei usar algumas informações deste relatório para reforçar a tese de que, ou  fazemos as reformas estruturais necessárias em nossa economia, ou iremos ficar patinando e ficando cada vez mais para trás em termos de produtividade e de competitividade globalmente.

O relatório passa por items estruturais importantes que definem o potencial de crescimento relativo de uma economia. E utiliza alguns gráficos que servem para mostrar o enorme tamanho dos desafios que temos pela nossa frente. O primeiro gráfico abaixo mostra a evolução da bolsa brasileira ( verde) e da mexicana (vermelho)  desde 1988, ambas em relação ao índice combinado de todas as bolsas dos países emergentes:

mexbrasbolsa

Vemos que de 1988 até 2008 as duas bolsas tiveram desempenho similar ( preto)  se eliminarmos os últimos anos do governo FHC e os primeiros do Governo Lula. Contudo de 2009 para cá nossa bolsa ( em US$) afundou enquanto a bolsa mexicana disparou (mostrado em azul), repetindo-se assim o comportamento que se apresentou no início dos anos 2000. Algo fez com que a bolsa mexicana, embora fortemente afetada pela crise de 2009 nos EUA que são seus vizinhos e principais parceiros comerciais, tivesse um desempenho muito melhor do que o nosso. A razão? A agressiva agenda de reformas que o país sustenta desde o início da década passada, que não foi interrompida por agendas ideológicas ultrapassadas.

Do ponto de vista de geração de empregos, o Brasil mostrou uma melhora significativa desde 2004, como mostro em amarelo no gráfico verde abaixo, enquanto que no México o desemprego permaneceu baixo e relativamente inalterado durante todo o período (em cinza no gráfico vermelho):

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OU seja, isto mostra que é possível sim manter o desemprego baixo num ambiente de reformas liberais, como as em curso no México.

Porém vamos olhar onde nos encontramos hoje no que diz respeito às condições econômicas estruturais que impulsionam o crescimento produtivo.

Vamos começar com o volume de investimento produtivo que é feito em diversos países:

invpibpaises

Estes gráficos mostram a evolução anual do volume de investimentos produtivos feitos nestes países desde 2000, como % do volume de bens produzidos em um ano em cada um destes países. Vemos no gráfico verde que o Brasil é o lanterninha da amostra, com o México ( vermelho) apresentando volumes de investimento consistentemente maiores durante este período. Vemos que os países asiáticos apresentam volume de investimento muito, mas muito superior ao nosso, o que propicia a tais países um potencial de crescimento da economia e da renda muito mais acelerado do que o nosso. Tais investimentos fazem com que a economia cresça muito mais rápido do que a população na Ásia, o que permite um forte aumento na renda individual de seus cidadãos. Isto se deve ao fato de que, com mais investimento, a produtividade do trabalho cresce muito mais rápido, como mostram os dois gráficos abaixo:

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Vemos que no caso brasileiro a maior parte do crescimento acumulado desde 2002 se deveu ao aumento da quantidade de mão de obra utilizada na produção ( vermelho), crescimento este que só foi viável devido à forte queda do desemprego desde 2002.  Na medida em que o desemprego praticamente acabou, é de se esperar que a parcela de crescimento que virá do aumento do uso de mão de obra na economia se reduzirá daqui para frente. Iremos, portanto,  depender muito mais do crescimento da produtividade (amarelo) que tem sido bem mais lento. Ou seja,  se não aumentarmos o ritmo de crescimento da produtividade do trabalho com mais investimento, iremos crescer bem mais devagar daqui para frente, como tem ocorrido nos últimos três anos!

Para comparar, veja o que ocorreu com Coréia no mesmo período:

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Na medida em que o desemprego na Coréia já é baixo há décadas, vemos que o crescimento acumulado da economia Coreana deveu-se predominantemente ao aumento de produtividade (verde), o que permitiu que aquela economia crescesse mais rápido que a economia brasileira desde 2002. Quando a produtividade cresce mais rápido do que a quantidade de pessoas trabalhando e existe uma flexibilidade maior do mercado de trabalho (tema que abordarei mais abaixo), os salários tendem a subir mais rapidamente de maneira sustentável.

 Caso queiramos manter o rimo de crescimento econômico que tivemos nos últimos 12 anos iremos precisar fazer reformas que  acelerem o crescimento da produtividade, pois não temos mais uma massa de desempregados a ser utilizada no aumento da produção. E parece que o México saiu na nossa frente nesta corrida.

Uma consequência  desta baixa taxa de investimento na  economia pode ser vista na qualidade de nossa infraestrutura quando comparada com outros países, como mostra o gráfico abaixo com dados do World Economic Forum:

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Vemos em amarelo que a nota dada à nossa infra é muito baixa, nos colocando na posição 120 entre os países da amostra.  Países como México, Indonésia e Tailândia apresentam notas muito superiores á nossa. Infra ruim reduz a produtividade.

A mesma coisa pode ser vista no ranking da qualidade da educação:

brasileduc

Vemos em vermelho que estamos também lá nas últimas colocações, desta vez junto aos amigos mexicanos. Educação de baixa qualidade gera mão de obra de baixa qualidade e, portanto, menor produtividade por trabalhador, o que implica em salários crescendo mais devagar.

Nosso mercado de trabalho também é muito pouco flexível, como mostra em amarelo o gráfico abaixo:

flexmerctraba

Um mercado de trabalho mais flexível, onde os salários sejam fixados mais livremente e seja fácil contratar e demitir pessoas, permite uma otimização do uso econômico do Capital Humano de uma economia: a mão de obra pode ser realocada rapidamente, saindo dos setores pouco produtivos e, portanto, menos competitivos,  para os setores e empresas mais produtivas e competitivas, aumentando a eficiência total da economia. Isto impulsiona a produtividade e os salários para cima. Neste item, como vemos acima, estamos muito, mas muito atrasados, pois nossa legislação trabalhista é antiquada e prejudica o trabalhador ao dar uma falsa sensação de segurança: temos um sistema trabalhista que garante que iremos pagar pouco aos nossos trabalhadores,  dando-lhes em troca destes baixos salários uma sensação de segurança irreal. Nossa experiência nos últimos 30 anos mostra que não conseguimos manter o desemprego abaixo de 6% por mais do que por alguns anos seguidos. Ou seja, trabalhismo é um bom discurso para o sindicato, mas de benefícios questionáveis.

Como tenho dito inúmeras vezes, o governo intervem demais na economia, como mostro em amarelo no gráfico da OCDE mostrado abaixo:

intervestado

O governo intervem demais, seja orientando o crédito através do BNDES e CEF, ignorando os critérios de mercado na alocação do capital, fixando preços de bens públicos artificialmente e sem nenhuma previsibilidade, interferindo nas regras, complicando o sistema tributário, tributando demais, enfim, faz tudo para atrapalhar o processo natural de alocação de recursos na economia, o que impede o aumento da renda e da produtividade. O intervencionismo excessivo aumenta a insegurança dos agentes, pois tais intervenções são muitas vezes erráticas e oportunistas, como falei em:

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2014/07/14/intervencionismo-10-x-1-brasil/

O resultado disto tudo é que o nível de confiança em nossa economia tem caído barbaramente nos últimos anos (como mostro em amarelo abaixo), tendo atingido níveis compatíveis àqueles prevalecentes em 2002, no período que antecedeu a eleição do Presidente Lula:

confiancaeconomicpolicy

Além da falta de perspectiva de reformas, os empresários estão encontrando cada vez menos projetos que gerem valor econômico, ou seja, projetos em que o retorno gerado supere o custo do capital empregado, como mostro em preto no gráfico verde abaixo:

criacaovalor

Vemos que o valor criado acima do custo de capital das empresas brasileiras listadas na bolsa ( verde) é inferior àquele gerado no México (vermelho) e na média do mundo (azul) desde 2011. Com retornos menores é natural que o investimento produtivo caia por aqui.

E um dos motivos desta queda de rentabilidade das empresas é a alta do custo da mão de obra quando medido em dólares, como mostro em preto abaixo:

custoproducaounit

De 2007 até hoje o custo em US$ de um homem hora empregado na indústria disparou,  saindo de uma condição de paridade com o México em 2005 para um nível 70% superior atualmente. Ou seja, como os salários subiram acima da produtividade e o R$ ficou mais forte, o custo de se produzir no Brasil aumentou barbaramente. Não é de se estranhar que a participação da indústria manufatureira no PIB esteja em seu menor nível em décadas, como mostro em amarelo abaixo:

indtransfpib

Outro aspecto que reduz a atratividade dos investimentos no Brasil são as elevadas taxas de juros, como vemos no gráfico abaixo que mostra a evolução das taxas reais de juros ( juros descontados da inflação) desde 2002, no Brasil ( verde), México ( vermelho)  e EUA (azul):

realintrates

Tivemos uma redução dos juros de 2005 a 2010 ( preto), em linha com o que aconteceu no México. Mais recentemente a taxa de juros real parou de cair ( rosa), pois nossa inflação bateu no topo da banda e tem ameaçado sair de controle desde 2011. Isto se deve em grande parte à  tentativa frustrada do governo em reduzir as taxas de juros artificialmente em 2012/2013 ( em marrom acima). Vemos em amarelo abaixo que desde 2009 nossa inflação vem em tendência de alta e caminha para superar o topo da meta ( vermelho) :

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Num cenário destes, a taxa de juros real precisa se manter elevada para assegurar ao poupador que ele não terá seus recursos corroídos pela inflação. Pense assim: a taxa de juros real ( juro que é pago acima da inflação) serve como um seguro ou um colchão contra possíveis perdas do poder de compra de nossas economias guardadas no banco, perdas estas decorrentes de uma aceleração imprevista da inflação. Quanto maior a incerteza quanto a trajetória da inflação, maior o prêmio que os poupadores demandam. E tal incerteza hoje está bastante elevada, como explicado em:

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2014/05/12/populismoinflacionario/

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2014/04/15/goeladadragao/

A experiência fracassada dos últimos anos mostrou que derrubar os juros não é um ato de vontade política, mas uma consequência de políticas econômicas consistentes. E o fato de termos desequilíbrios em nossa economia nos obriga a manter taxas de juros reais bem acima de nossos competidores, o que reduz o retorno marginal das empresas, como mostramos acima, reduzindo assim o investimento produtivo na economia ainda mais. E isto fica claro quando comparamos nossa taxa de inflação nos últimos 4 anos com a inflação em alguns países emergentes, segundo dados do FMI:

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Temos tido taxas de inflação muito acima do que nossos vizinhos ( amarelo), taxas que hoje se situam acima aos da Bolívia como vemos em cinza abaixo:

evolinflalatam

Parar atingirmos um nível juros reais compatível àqueles praticados na maioria dos países emergentes, precisamos trazer nossa inflação para 3 ou 4% a.a. como indicado em vermelho acima, algo que, como mostra o mesmo gráfico acima, não parece que estejamos perseguido. Isto em si já justifica as elevadas taxas de juros que hoje temos no Brasil.

Como consequência de tudo isto, nossa taxa de crescimento médio nos últimos anos foi a menor da amostra acima, como vemos em vermelho no quadro abaixo  :

pibcresc

Fica evidente que este quadro é bastante preocupante, pois precisamos imediatamente abraçar uma agenda de reformas, na linha da que está sendo tocada pelo Presidente Henrique Pena no México e e pelo Primeiro Ministro Narendra Modi na Índia. Precisamos ter coragem e enfrentar os problemas de frente. E é uma pena que o debate entre os candidatos tenha descambado desde o primeiro turno para uma troca de acusações pessoais e que as questões fundamentais de nossa economia ficaram para um segundo plano. Sei que é difícil para a candidata da situação reconhecer estes problemas, assim como é difícil para o candidato da oposição entrar neste tema dado o elevado grau de politização que envolve  tais reformas, mas se não endereçarmos tais questões com rapidez o futuro será sombrio e as conquistas sociais dos últimos 10 anos serão inequivocamente perdidas com o tempo.

 Temos mais uma semana de campanha e os candidatos poderiam usar este tempo na TV e listar quais reformas estruturais seriam necessárias para corrigir o quadro atual e nos colocar assim na mesma trilha do México e Índia. Aí quem sabe um dia chegaremos onde a Coréia já chegou há anos. Se não fizermos isto, corremos o risco de seguir o caminho de alguns vizinhos de menos sucesso, como coloquei em:

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2014/10/14/uma-experiencia-bastante-custosa/

Às reformas companheiros!! Senão a casa vai cair:

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quinta-feira, 18 de setembro de 2014 Bancos, bizarro, Brasil, Empresas, Impostos, Inflação, Juros no Brasil, Livros e publicações, Politica Economica | 21:48

Robin Hood e o Bolsa Empresário

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Como já falei aqui algumas vezes, a carteira de empréstimos do BNDES tem subido bastante desde 2008. Ela dobrou de tamanho ( como % do PIB ) nos últimos 6 anos, como mostra o gráfico azul abaixo da evolução da carteira total de empréstimos do BNDES como % do PIB dos últimos 12 meses desde 2007:

 

 

bndespibserie

 

 

 

Uma das críticas mais contundentes feitas pelos candidatos da oposição ao governo atual está centrada nos critérios adotados pelo BNDES em seus empréstimos. De fato é muito difícil saber para quem o BNDES empresta, a que taxas,  em quais condições e com qual finalidade. Não há nenhuma transparência uma vez que o BNDES é considerado um banco e, portanto, estaria protegido pelo siglo bancário, da mesma forma que os clientes do BB estariam. Contudo, há uma falha enorme neste argumento, pois na prática o BNDES de fato é uma agência de fomento e um mero repassador de recursos do Tesouro Nacional para seus clientes em condições favorecidas vis a vis as existentes no mercado de crédito.  O BNDES toma recursos junto ao Tesouro Nacional e junto aos Fundos Públicos sob administração do Governo e os repassa a seus “clientes” a taxas inferiores às taxas de mercado.

Os dados que mostrarei abaixo foram retirados das demonstrações financeiras do BNDES:

http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/export/sites/default/bndes_pt/Galerias/Arquivos/empresa/download/0614pt.pdf

Também coletei alguns dados nos demonstrativos financeiros individuais de empresas que têm suas ações listadas na bolsa. Estas são grandes empresas, com acionistas privados, que gozam de pleno acesso aos mercados bancário e de capitais, doméstico e internacional. Além disto levantei dados  de algumas grandes empresas que não possuem ações listadas na bolsa, mas que têm amplo acesso ao mercado de capitais e, portanto, divulgam informações sobre seu endividamento.

Vamos começar olhando os dados recentes do BNDES. Embora ele seja considerado um banco, 90% de seus recursos vêm de apenas um depositante: o G0verno Federal ( “nóis”), seja através do Tesouro Nacional ou dos Fundos Públicos sob administração do Governo ( PIS/ PASEP e FAT), os quais listo abaixo:

Repasses do Tesouro Nacional: 430 bi

Repasses do FAT : 192 bi

Repasses do PIS/PASEP: 33 bi

Capital Aportado pelo Tesouro: 74 bi

Total aportado pelo Governo: 729 bi

Total do Ativo do BNDES: 803 bi

Ou seja, o BNDES na verdade não é um banco que capta recursos no mercado junto a investidores e depositantes, competindo com outros bancos por recursos, como é o caso da CEF e do BB. Quando o BNDES precisa de dinheiro ele liga para o Tesouro e pega emprestado por 50 anos de prazo. Estes repasses do governo e dos recursos dos fundos dos trabalhadores ao BNDES ( e aos tomadores de recursos) são na sua maioria indexados a TJLP . Como a TJLP hoje custa 5% a.a. e a taxa de juros paga pelo governo em sua dívida é de 11% a.a., há um subsídio real implícito de 5,4% a.a. que é repassado por nós contribuintes, através do Tesouro ou do nosso FGTS, ao BNDES.  O BNDES capta assim recursos 5% a.a. mais barato do que o BB precisa pagar para levantar novos recursos no mercado. 

Levantei alguns dados do BB em seu site para poder comparar os dois “bancos”:

file:///C:/Users/ricardo.gallo.GALLO/Dropbox/2T14DemoContBR.pdf

Na medida em que o BNDES capta recursos bem mais baratos do que o BB, seria razoável presumir que o BNDES fosse um banco extremamente rentável.  Porém o quadro não é assim. O BNDES lucrou R$ 5,5 bi no primeiro semestre de 2014, o que representou um retorno sobre o patrimônio líquido de 7,4% no semestre. O BB lucrou os mesmos 5,5 bi, o que representou um retorno de 7,7% no semestre. Ou seja, apesar do nossos subsídios ao BNDES,  os lucros e os retornos das duas instituições são bastante similares. Ou as despesas do BNDES são muito maiores que as do BB ou os subsídios que damos ao BNDES estão indo parar nas mãos de seus clientes tomadores de recursos.

As despesas administrativas e de pessoal do BB somaram R$ 17.9 bi nos primeiros 6 meses deste ano. Já no caso do BNDES as mesmas despesas somaram menos de R$ 1 bi.

Fica assim demonstrado que, na medida em que os dois bancos têm lucros similares e patrimônios similares e que o BNDES tem despesas menores, o benefício do  subsídio recebido pelo BNDES está sendo portanto repassado para seus clientes tomadores de recursos.

Assumindo que este subsídio de 5% a.a. se mantenha ao longo do tempo, como esperam os tomadores de recursos junto ao banco,  e que pelo menos 80% dos repasses do Tesouro e dos Fundos ao BNDES são indexados a TJLP ( aprox. R$ 600 bi), podemos estimar que o montante total de subsídios anual dado aos clientes do BNDES ultrapassa R$ 30 bi, o que equivale a o,6% do PIB,  ou  50% do total de economia feita pelo governo nos últimos doze meses, como mostrei em :

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2014/09/12/saldo-das-contas-publicas-desaba-e-leva-consigo-a-poupanca/

Mas quem paga este subsídio?

A conta é mais ou menos dividida assim:

a. 70% é pago pelos contribuintes que pagam impostos ( ou pelos usuários do sistema público de saúde que recebem um serviço de péssima qualidade do governo), pois o governo recebe apenas 5% A.A. DE JUROS nos repasses ao BNDES e paga mais de 11% a.a. para levantar os mesmos recursos no mercado;

b. 30% é pago pelos trabalhadores, pois o saldo do FAT, que poderia ser emprestado ao governo a 11% a.a. sem nenhum risco, é emprestado ao BNDES a 5% a.a.;

Mas quem recebe este subsídio?

Aí a coisa fica mais difícil, pois o BNDES se esconde atrás do sigilo bancário e não divulga o nome das empresas que tomaram recursos junto ao banco ou junto aos bancos privados para os quais ele repassa recursos subsidiados. Para levantar estes dados precisei colocar uma turma de “detetives financeiros” atrás de dados das empresas, uma a uma, que publicam seus demonstrativos de acordo com as regras da CVM. Lá podemos identificar o montante de recursos que cada uma delas levantou junto ao banco. Porém, para limitar o trabalho, eu fiz algumas amostras:

a. levantei os dados das 60 empresas que têm ações listadas na bolsa e compõem o Índice Bovespa. São empresas que possuem acesso a mercados de capitais e recursos internacionais.Das 60 empresas, 44 devem algum para o BNDES ( 73%). O total da dívida junto ao BNDES ( diretamente ou via repasses de bancos privados) destas empresas chega a 126 bi em Dezembro de 2013, ou seja, 22% do total de empréstimos do “banco” naquela data. Os empréstimos do BNDES representam na média 17% da dívida total destas empresas. Catorze destas empresas possuem dívidas junto ao BNDES que representam mais de 20% de seu endividamento total.

b. verifiquei se havia outros casos entre as empresas listadas na bolsa e que possuíam montante relevante de dívidas junto ao BNDES. Identifiquei mais 3 empresas listadas na bolsa que deviam no total R$ 6 bi ao BNDES.

c. Identifiquei mais 7 grandes empresas, que não possuem ações listadas na bolsa, mas que devem ao todo R$ 9 bi ao BNDES.

Ou seja, no total identifiquei, com muito esforço, 54 grandes empresas que têm acionistas privados, que devem no total 141 bi ao BNDES ou cerca de 25% do total de empréstimos deste em Dezembro último.

Entre as 44 empresas que devem ao BNDES e fazem parte do IBOVESPA pude identificar que pelo menos 80% do montante devido tinha algum tipo de subsídio nos juros cobrados.  Ou seja, podemos estimar que estas 54 grandes empresas levantaram R$ 112 bi em empréstimos subsidiados, absorvendo anualmente mais de R$ 5 bi em subsídios que saíram de nossos bolsos e foram para o colo dos acionistas destas empresas. 

Consultando os demonstrativos disponibilizados pelo BNDES podemos ver que 50% da carteira de empréstimos vencem de 2018 em diante. Ou seja, as empresas que tomaram este dinheiro “social” do governo irão usufruir por um bom tempo destes subsídios. E para minha surpresa, além dos R$ 59o bilhões em empréstimos já desembolsados e que estavam carteira do BNDES em junho último, existe o compromisso assinado para liberar mais R$ 170 bi, como vemos em vermelho abaixo:

 

 

compromissocredito

 

 

Isto que dizer que se o BNDES continuar apenas a rolar os empréstimos hoje em carteira, parando totalmente de fazer novas concessões, só com os compromissos já assumidos a carteira total de empréstimos irá para R$ 760 bi ou 15 % do PIB! O BNDES terá assim  quase 25% de todos os empréstimos feitos por todos os bancos no Brasil. Neste sentido vale a pena ler:

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2014/09/04/a-estatizacao-do-credito/

E o subsídio anual, que hoje passa de R$ 30 bi, saltaria neste cenário para R$ 38 bi, ou seja, 50% a mais do que gastamos anualmente com o Bolsa Família!

Além disto, os repasses do Tesouro Nacional ao BNDES aumentam a dívida pública do Governo Federal, pois obrigam o Tesouro a emitir mais títulos de longo prazo para financiar tais aportes. Hoje já são mais de R$ 430 bi em aportes do tesouro junto ao BNDES ( 8,4% do PIB), que  já representam 13% da dívida total do governo. Para entender os problemas que isto causa vale a pena ler:

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2014/09/16/endividamento-elevado-demanda-ajuste-nos-gastos-publicos/

Finalizando, existem também as participações acionárias do BNDES. O BNDES investe direto em empresas, comprando ações das mesmas, tornando-se assim sócio minoritário.  São 66 bi em ações de empresas, na sua grande maioria listadas nas bolsas. Deste total 37 bi estão investidos em ações da Petrobrás e 7 bi em ações da Vale. Além disto, ele tem mais 16 bi em investimentos em ações de 6 empresas privadas onde o BNDES participa do bloco do controle. Deste montante  6 bi estão investidos na JBS somente.

Enfim é preciso questionar os candidatos, situação e oposição, sobre como eles irão lidar com estas questões:

  • Até quando irá crescer a carteira de crédito do BNDES?
  • Como será feita a redução da carteira?
  • Quando iremos conhecer quem recebeu estes subsídios do BNDES até hoje? Iremos manter o sigilo bancário no BNDES, mesmo sendo ele uma agência de fomento e que distribui subsídios a brasileiros e brasileiras escolhidos a dedo?
  • Quais os critérios que serão usados daqui para frente na seleção dos clientes e projetos que merecem ser subsidiados através do BNDES?
  • Quem vai fixar e aprovar quanto do orçamento público será gasto anualmente com subsídios ao BNDES nos próximos 5 anos?
  • O que irá ocorrer com a TJLP? Ela vai continuar 5% a.a. abaixo do custo de financiamento do Governo ou vai subir?
  • O que ocorrerá com o custo dos empréstimos do BNDES que hoje estão indexados a TJLP se o governo decidir aproximá-la da taxa Selic, como proposto por alguns economistas mais ligados ao governo?
  • Caso se decida colocar um limite no crescimento dos ativos do BNDES, quem irá entrar no lugar do BNDES e financiar às empresas que precisam de recursos de longo prazo?
  • O que será feito para ampliar o mercado de capitais doméstico?
  • Iremos finalmente liberar os controles de capitais e ampliar a convertibilidade de nossa moeda e assim permitir que bancos e investidores estrangeiros atuem mais livremente no financiamento de nossas empresas aqui, competindo de forma saudável com bancos e fundos locais? 
  • Não teria o governo criado a bolsa empresário na forma de subsídios dados através do BNDES?
  • Não estaria o governo sendo um Robin Hood às avessas, tirando dos pobres e dando aos ricos?

 

 

Robin Hood  Net7Art

 

 

 

E quem seriam os Leões no nosso caso?

Para aqueles que gostam do assunto intervenção do Estado na economia, recomendo a leitura de:

9780674729681

 

 http://www.hup.harvard.edu/catalog.php?isbn=9780674729681

Há um capítulo especial dedicado ao nosso BNDES.

 

 

 

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