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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014 Crise Brasileira, Heróis do Mercado, Impostos, Livros e publicações, Politica Economica, Sem categoria, utilidade | 16:58

Uma importante lição de uma grande líder revolucionária

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Em tempos de ajuste fiscal, discursos como este, do vídeo do link abaixo, são muito inspiradores:

https://www.youtube.com/watch?v=WFIN5VfhSZo

São palavras simples, numa linguagem direta, que refletem o mais puro bom senso na gestão da política orçamentária e fiscal.

É por esta e por outras que sou tiete desta senhora do vídeo há vários anos.

Obrigado!

 

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quinta-feira, 18 de setembro de 2014 Bancos, bizarro, Brasil, Empresas, Impostos, Inflação, Juros no Brasil, Livros e publicações, Politica Economica | 21:48

Robin Hood e o Bolsa Empresário

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Como já falei aqui algumas vezes, a carteira de empréstimos do BNDES tem subido bastante desde 2008. Ela dobrou de tamanho ( como % do PIB ) nos últimos 6 anos, como mostra o gráfico azul abaixo da evolução da carteira total de empréstimos do BNDES como % do PIB dos últimos 12 meses desde 2007:

 

 

bndespibserie

 

 

 

Uma das críticas mais contundentes feitas pelos candidatos da oposição ao governo atual está centrada nos critérios adotados pelo BNDES em seus empréstimos. De fato é muito difícil saber para quem o BNDES empresta, a que taxas,  em quais condições e com qual finalidade. Não há nenhuma transparência uma vez que o BNDES é considerado um banco e, portanto, estaria protegido pelo siglo bancário, da mesma forma que os clientes do BB estariam. Contudo, há uma falha enorme neste argumento, pois na prática o BNDES de fato é uma agência de fomento e um mero repassador de recursos do Tesouro Nacional para seus clientes em condições favorecidas vis a vis as existentes no mercado de crédito.  O BNDES toma recursos junto ao Tesouro Nacional e junto aos Fundos Públicos sob administração do Governo e os repassa a seus “clientes” a taxas inferiores às taxas de mercado.

Os dados que mostrarei abaixo foram retirados das demonstrações financeiras do BNDES:

http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/export/sites/default/bndes_pt/Galerias/Arquivos/empresa/download/0614pt.pdf

Também coletei alguns dados nos demonstrativos financeiros individuais de empresas que têm suas ações listadas na bolsa. Estas são grandes empresas, com acionistas privados, que gozam de pleno acesso aos mercados bancário e de capitais, doméstico e internacional. Além disto levantei dados  de algumas grandes empresas que não possuem ações listadas na bolsa, mas que têm amplo acesso ao mercado de capitais e, portanto, divulgam informações sobre seu endividamento.

Vamos começar olhando os dados recentes do BNDES. Embora ele seja considerado um banco, 90% de seus recursos vêm de apenas um depositante: o G0verno Federal ( “nóis”), seja através do Tesouro Nacional ou dos Fundos Públicos sob administração do Governo ( PIS/ PASEP e FAT), os quais listo abaixo:

Repasses do Tesouro Nacional: 430 bi

Repasses do FAT : 192 bi

Repasses do PIS/PASEP: 33 bi

Capital Aportado pelo Tesouro: 74 bi

Total aportado pelo Governo: 729 bi

Total do Ativo do BNDES: 803 bi

Ou seja, o BNDES na verdade não é um banco que capta recursos no mercado junto a investidores e depositantes, competindo com outros bancos por recursos, como é o caso da CEF e do BB. Quando o BNDES precisa de dinheiro ele liga para o Tesouro e pega emprestado por 50 anos de prazo. Estes repasses do governo e dos recursos dos fundos dos trabalhadores ao BNDES ( e aos tomadores de recursos) são na sua maioria indexados a TJLP . Como a TJLP hoje custa 5% a.a. e a taxa de juros paga pelo governo em sua dívida é de 11% a.a., há um subsídio real implícito de 5,4% a.a. que é repassado por nós contribuintes, através do Tesouro ou do nosso FGTS, ao BNDES.  O BNDES capta assim recursos 5% a.a. mais barato do que o BB precisa pagar para levantar novos recursos no mercado. 

Levantei alguns dados do BB em seu site para poder comparar os dois “bancos”:

file:///C:/Users/ricardo.gallo.GALLO/Dropbox/2T14DemoContBR.pdf

Na medida em que o BNDES capta recursos bem mais baratos do que o BB, seria razoável presumir que o BNDES fosse um banco extremamente rentável.  Porém o quadro não é assim. O BNDES lucrou R$ 5,5 bi no primeiro semestre de 2014, o que representou um retorno sobre o patrimônio líquido de 7,4% no semestre. O BB lucrou os mesmos 5,5 bi, o que representou um retorno de 7,7% no semestre. Ou seja, apesar do nossos subsídios ao BNDES,  os lucros e os retornos das duas instituições são bastante similares. Ou as despesas do BNDES são muito maiores que as do BB ou os subsídios que damos ao BNDES estão indo parar nas mãos de seus clientes tomadores de recursos.

As despesas administrativas e de pessoal do BB somaram R$ 17.9 bi nos primeiros 6 meses deste ano. Já no caso do BNDES as mesmas despesas somaram menos de R$ 1 bi.

Fica assim demonstrado que, na medida em que os dois bancos têm lucros similares e patrimônios similares e que o BNDES tem despesas menores, o benefício do  subsídio recebido pelo BNDES está sendo portanto repassado para seus clientes tomadores de recursos.

Assumindo que este subsídio de 5% a.a. se mantenha ao longo do tempo, como esperam os tomadores de recursos junto ao banco,  e que pelo menos 80% dos repasses do Tesouro e dos Fundos ao BNDES são indexados a TJLP ( aprox. R$ 600 bi), podemos estimar que o montante total de subsídios anual dado aos clientes do BNDES ultrapassa R$ 30 bi, o que equivale a o,6% do PIB,  ou  50% do total de economia feita pelo governo nos últimos doze meses, como mostrei em :

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2014/09/12/saldo-das-contas-publicas-desaba-e-leva-consigo-a-poupanca/

Mas quem paga este subsídio?

A conta é mais ou menos dividida assim:

a. 70% é pago pelos contribuintes que pagam impostos ( ou pelos usuários do sistema público de saúde que recebem um serviço de péssima qualidade do governo), pois o governo recebe apenas 5% A.A. DE JUROS nos repasses ao BNDES e paga mais de 11% a.a. para levantar os mesmos recursos no mercado;

b. 30% é pago pelos trabalhadores, pois o saldo do FAT, que poderia ser emprestado ao governo a 11% a.a. sem nenhum risco, é emprestado ao BNDES a 5% a.a.;

Mas quem recebe este subsídio?

Aí a coisa fica mais difícil, pois o BNDES se esconde atrás do sigilo bancário e não divulga o nome das empresas que tomaram recursos junto ao banco ou junto aos bancos privados para os quais ele repassa recursos subsidiados. Para levantar estes dados precisei colocar uma turma de “detetives financeiros” atrás de dados das empresas, uma a uma, que publicam seus demonstrativos de acordo com as regras da CVM. Lá podemos identificar o montante de recursos que cada uma delas levantou junto ao banco. Porém, para limitar o trabalho, eu fiz algumas amostras:

a. levantei os dados das 60 empresas que têm ações listadas na bolsa e compõem o Índice Bovespa. São empresas que possuem acesso a mercados de capitais e recursos internacionais.Das 60 empresas, 44 devem algum para o BNDES ( 73%). O total da dívida junto ao BNDES ( diretamente ou via repasses de bancos privados) destas empresas chega a 126 bi em Dezembro de 2013, ou seja, 22% do total de empréstimos do “banco” naquela data. Os empréstimos do BNDES representam na média 17% da dívida total destas empresas. Catorze destas empresas possuem dívidas junto ao BNDES que representam mais de 20% de seu endividamento total.

b. verifiquei se havia outros casos entre as empresas listadas na bolsa e que possuíam montante relevante de dívidas junto ao BNDES. Identifiquei mais 3 empresas listadas na bolsa que deviam no total R$ 6 bi ao BNDES.

c. Identifiquei mais 7 grandes empresas, que não possuem ações listadas na bolsa, mas que devem ao todo R$ 9 bi ao BNDES.

Ou seja, no total identifiquei, com muito esforço, 54 grandes empresas que têm acionistas privados, que devem no total 141 bi ao BNDES ou cerca de 25% do total de empréstimos deste em Dezembro último.

Entre as 44 empresas que devem ao BNDES e fazem parte do IBOVESPA pude identificar que pelo menos 80% do montante devido tinha algum tipo de subsídio nos juros cobrados.  Ou seja, podemos estimar que estas 54 grandes empresas levantaram R$ 112 bi em empréstimos subsidiados, absorvendo anualmente mais de R$ 5 bi em subsídios que saíram de nossos bolsos e foram para o colo dos acionistas destas empresas. 

Consultando os demonstrativos disponibilizados pelo BNDES podemos ver que 50% da carteira de empréstimos vencem de 2018 em diante. Ou seja, as empresas que tomaram este dinheiro “social” do governo irão usufruir por um bom tempo destes subsídios. E para minha surpresa, além dos R$ 59o bilhões em empréstimos já desembolsados e que estavam carteira do BNDES em junho último, existe o compromisso assinado para liberar mais R$ 170 bi, como vemos em vermelho abaixo:

 

 

compromissocredito

 

 

Isto que dizer que se o BNDES continuar apenas a rolar os empréstimos hoje em carteira, parando totalmente de fazer novas concessões, só com os compromissos já assumidos a carteira total de empréstimos irá para R$ 760 bi ou 15 % do PIB! O BNDES terá assim  quase 25% de todos os empréstimos feitos por todos os bancos no Brasil. Neste sentido vale a pena ler:

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2014/09/04/a-estatizacao-do-credito/

E o subsídio anual, que hoje passa de R$ 30 bi, saltaria neste cenário para R$ 38 bi, ou seja, 50% a mais do que gastamos anualmente com o Bolsa Família!

Além disto, os repasses do Tesouro Nacional ao BNDES aumentam a dívida pública do Governo Federal, pois obrigam o Tesouro a emitir mais títulos de longo prazo para financiar tais aportes. Hoje já são mais de R$ 430 bi em aportes do tesouro junto ao BNDES ( 8,4% do PIB), que  já representam 13% da dívida total do governo. Para entender os problemas que isto causa vale a pena ler:

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2014/09/16/endividamento-elevado-demanda-ajuste-nos-gastos-publicos/

Finalizando, existem também as participações acionárias do BNDES. O BNDES investe direto em empresas, comprando ações das mesmas, tornando-se assim sócio minoritário.  São 66 bi em ações de empresas, na sua grande maioria listadas nas bolsas. Deste total 37 bi estão investidos em ações da Petrobrás e 7 bi em ações da Vale. Além disto, ele tem mais 16 bi em investimentos em ações de 6 empresas privadas onde o BNDES participa do bloco do controle. Deste montante  6 bi estão investidos na JBS somente.

Enfim é preciso questionar os candidatos, situação e oposição, sobre como eles irão lidar com estas questões:

  • Até quando irá crescer a carteira de crédito do BNDES?
  • Como será feita a redução da carteira?
  • Quando iremos conhecer quem recebeu estes subsídios do BNDES até hoje? Iremos manter o sigilo bancário no BNDES, mesmo sendo ele uma agência de fomento e que distribui subsídios a brasileiros e brasileiras escolhidos a dedo?
  • Quais os critérios que serão usados daqui para frente na seleção dos clientes e projetos que merecem ser subsidiados através do BNDES?
  • Quem vai fixar e aprovar quanto do orçamento público será gasto anualmente com subsídios ao BNDES nos próximos 5 anos?
  • O que irá ocorrer com a TJLP? Ela vai continuar 5% a.a. abaixo do custo de financiamento do Governo ou vai subir?
  • O que ocorrerá com o custo dos empréstimos do BNDES que hoje estão indexados a TJLP se o governo decidir aproximá-la da taxa Selic, como proposto por alguns economistas mais ligados ao governo?
  • Caso se decida colocar um limite no crescimento dos ativos do BNDES, quem irá entrar no lugar do BNDES e financiar às empresas que precisam de recursos de longo prazo?
  • O que será feito para ampliar o mercado de capitais doméstico?
  • Iremos finalmente liberar os controles de capitais e ampliar a convertibilidade de nossa moeda e assim permitir que bancos e investidores estrangeiros atuem mais livremente no financiamento de nossas empresas aqui, competindo de forma saudável com bancos e fundos locais? 
  • Não teria o governo criado a bolsa empresário na forma de subsídios dados através do BNDES?
  • Não estaria o governo sendo um Robin Hood às avessas, tirando dos pobres e dando aos ricos?

 

 

Robin Hood  Net7Art

 

 

 

E quem seriam os Leões no nosso caso?

Para aqueles que gostam do assunto intervenção do Estado na economia, recomendo a leitura de:

9780674729681

 

 http://www.hup.harvard.edu/catalog.php?isbn=9780674729681

Há um capítulo especial dedicado ao nosso BNDES.

 

 

 

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quinta-feira, 17 de julho de 2014 Crise Brasileira, Livros e publicações, Politica Economica, Sem categoria | 01:51

Meirelles critica o intervencionismo do governo

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O Ex Ministro Presidente do BC durante o governo Lula, Henrique C. Meirelles, colocou recentemente em sua coluna  na Folha uma crítica à tentativa do governo de interferir na formação de preços e nos mecanismos de mercado:

O barato que sai caro – HENRIQUE MEIRELLES

 FOLHA DE SP – 06/07A maioria das pessoas prefere inflação e juros os mais baixos possíveis e salários os mais altos possíveis, reajustados acima da inflação e da produtividade. O problema é que a realidade é mais complexa. A elevação dos juros, por exemplo, é o instrumento mais eficaz para o Banco Central baixar a inflação.É natural que existam inúmeros exemplos de interesses incompatíveis de setores da sociedade. O dólar barato é bom para os importadores, mas péssimo para os exportadores e para a cadeia produtiva da exportação. Inflação baixa beneficia a maioria, mas os que podem indexar seus preços (como o governo com os impostos) podem se beneficiar de uma inflação mais alta. A maioria quer os salários reajustados acima da inflação e da produtividade, mas isso pode baixar o poder de compra dos trabalhadores pela alta da inflação. Gasolina mais barata, excelente para os consumidores, é problema para a Petrobras e as necessidades de investimento na produção de petróleo. O mesmo vale para o preço da eletricidade.

O problema da intervenção de governo na formação de preços da economia, que incluem câmbio e juros, é que cada ação cria ganhadores e perdedores. O governo torna-se, assim, árbitro da disputa intensa de interesses dos diversos setores. Isso gera distorções na economia e eventualmente menos crescimento, menos emprego e menos riqueza.

A história mostra que a administração pública é mais eficiente quando deixa os preços se ajustarem segundo a oferta e a procura e, ao mesmo tempo, garante uma segurança regulatória que dê conforto e previsibilidade a todos. Assim, quando um produto se torna escasso, seu preço sobe e eleva a remuneração de quem o produz, estimulando os investimentos e o aumento da produção, do emprego e da renda. O aumento da produção, por sua vez, tende a controlar preços elevados pela escassez.

Outro problema das intervenções é que, por definição, são decisões individuais e erráticas, que geram incertezas nos agentes econômicos e reduzem investimento, consumo, crescimento e emprego. Cabe ao governo intervir em alguns momentos para regular excessos. Uma crise de liquidez, por exemplo, pede intervenção estatal para normalizar os mercados. A questão é saber quando parar, para o governo não passar de solução a problema.

A tentação do governante de fixar preços é enorme, pois estará atendendo a queixas de setores importantes. Mas a realidade é mais complexa. O que funciona, em última análise, é um sistema de definição de preços que atenda à realidade econômica de cada momento e traga mais investimento, crescimento, produtividade e riqueza e um melhor padrão de vida à população.

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/henriquemeirelles/2014/07/1481729-o-barato-que-sai-caro.shtml

MINHA BICADA: Concordo 100% com a colocação do Ex Ministro e BC. A interferência do governo nos mercados, nos juros e no câmbio acaba criando distorções enormes no processo de alocação de capital na economia.   Mas, como Meirelles diz, infelizmente a tentação que cai sobre os governantes no sentido de interferir na economia é enorme.  E quando aqueles que estão no comando não acreditam no sistema de mercado, livre e com concorrência forte, aí um Leviathan, como aquele de Hobbes só que super Anabolizado e com uma cabeça gigante cheia de ideias equivocadas, domina a cena:

04a Leviathan

 

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domingo, 29 de junho de 2014 Brasil, Investimentos, Livros e publicações, Politica Economica | 02:13

Samuel Pessoa comenta sobre a falta de poupança e seus (d)efeitos

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Há anos venho insistindo nesta tecla: a falta de poupança impede um aumento sustentável da taxa de investimento. E, quando atingimos os limites de capacidade no fator de produção trabalho (desemprego no seu limite inferior, ou seja, pleno emprego), isto emperra o crescimento.

Como não sou economista, recomendo a leitura de dois artigos do excelente economista Samuel Pessoa na Folha que abordam exatamente este problema:

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/samuelpessoa/2014/06/1470574-o-problema-da-baixa-poupanca.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/samuelpessoa/2014/06/1474151-crescimento-e-poupanca.shtml

Minha bicada: Concordo. 110%. Sem endereçar esta questão, seja quem for o próximo presidente, estamos condenados a um crescimento econômico muito baixo, que colocará em risco todas as conquistas sociais e econômicas dos últimos 20 anos. Ficaremos cada vez mais para trás na corrida com nossos pares BRICS.  A ideia que crescimento econômico não traz felicidade pode funcionar na Suécia, Suíça, Austrália, Alemanha, EUA, ou seja, em países onde a renda per  capita é vária vezes superior a nossa, como mostra a tabela abaixo. Quando chegarmos lá valerá a pena refletir sobre esta ” importante questão existencial”  do capitalismo, porém, até lá, precisamos trabalhar mais e ganhar mais.

pibpercapitar$

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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014 Crise Brasileira, Impostos, Livros e publicações, Politica Economica | 15:25

Crescimento e gasto social

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Vale a pena ler o texto do Mansueto Almeida, excelente economista e especialista em gastos públicos:

http://mial/mansueto.wordpress.com/2014/02/08/crescimento-e-politica-soc

Destaco abaixo sua conclusão, a qual endosso 120%;

Queremos manter o ritmo de expansão dos gastos sociais? Excelente, então teremos que encontrar uma forma de crescer mais rápido, caso contrário, não será possível, a não ser com um forte aumento da carga tributária.

O mais provável é que alguns programas sociais sejam revistos, algo que já se escuta com certa frequência no próprio Ministério da Fazenda. Quem andou recentemente por lá escutou isso, principalmente, em relação aos programas seguro desemprego, abono salarial, sistema de pensões e até mesmo sobre a regra de reajuste do salário mínimo. Todos esses assuntos eram tabus, mas hoje técnicos do Min. da Fazenda já falam sobre o assunto para 2015. O que não se sabe é se combinaram isso com os seus superiores.

Para quem quiser conhecer mais os detalhes recomendo vistar o blog….

PS : para quem não conhece o Mansueto:

Mansueto Facundo de Almeida Jr é  formado em economia pela Univ. Federal do Ceará, Mestre em Economia pela Universidade de São Paulo (USP) e cursou Doutorado em Políticas Públicas no MIT, Cambridge (USA), mas não defendeu a tese. É Técnico de Planejamento e Pesquisa do IPEA, tendo assumido os seguintes cargos em Brasília: coordenador-geral de Política Monetária e Financeira na Secretaria de Política Econômica no Min. da Fazenda (1995-1997), assessor da Comissão de Desenvolvimento Regional e de Turismo do Senado Federal (2005-2006) e Assessor Econômico do Senador Tasso Jereissati. Atualmente, trabalha na Diretoria de Estudos Setoriais e Inovação (DISET) no IPEA em Brasília.

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sábado, 4 de janeiro de 2014 Bicadas, bizarro, Brasil, Crise Brasileira, Livros e publicações, Politica Economica | 12:43

André Lara Resende fala sobre o capitalismo patrimonialista e a crise do liberalismo

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De fato o SR Raymundo Faoro voltou com força total.

Nesta linha, leia o excelente artigo do economista André Lara Resende:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,capitalismo-de-estado-patrimonialista-,1111446,0.htm

Veja alguns trechos que selecionei do texto:

” …O papel do Estado sempre foi um tema polêmico. Durante o século 20, tomou contornos ideológicos tão demarcados que praticamente inviabilizou o debate sereno e reacional. Parece inevitável que sociedades maiores e mais complexas sejam mais difíceis de ser administradas, exijam mais das empresas, das instituições e também do Estado. Há uma inexorável correlação entre tamanho e complexidades em toda empreitada humana. O mundo está superpovoado e definitivamente interligado pelo avanço das comunicações e da informática. A questão da escala e da complexidade está em toda parte, mas é ainda mais grave onde é menos reconhecido: na esfera da vida pública. As sociedades modernas se sofisticaram, tornaram-se mais complexas. O Estado foi obrigado a crescer para atender às suas novas funções…

…Quando se exige mais do Estado, é razoável que o seu custo suba, mas espera-se que haja alguma correlação entre o custo e o serviço prestado, entre o custo e a qualidade do Estado. Não foi o que ocorreu no Brasil. Ao contrário, a rápida elevação recente da fatia da renda extraída da sociedade não foi acompanhada pelo investimento em infraestrutura. Houve séria deterioração da segurança pública e um dramático aumento da criminalidade. Não houve melhora digna de nota nem na educação, nem na saúde. O saneamento e o transporte público continuam abaixo da crítica…

…Diante da polarização do debate, a crítica ao patrimonialismo do Estado tende a ser desqualificada como uma reação conservadora aos avanços da cidadania. Cada uma das dimensões do progresso da cidadania – a civil, a política e a social – enfrentou, a seu tempo, fortes reações ideológicas. O século 18 foi palco da luta pela cidadania civil, pelos direitos de opinião, de expressão e à justiça. No século 19, avançaram os aspectos políticos da cidadania, o direito ao voto e de participação política. Finalmente, no século 20, sobretudo a partir da década de 30, houve o avanço da dimensão social, com a criação dos sistemas de assistência e previdência, de educação e de saúde pública, capazes de garantir um padrão de vida mínimo para o exercício das demais dimensões da cidadania…

…A herança patrimonialista, misturada aos desafios de um país grande e desigual, a meio caminho para o mundo desenvolvido, criou um Estado caro, ineficiente e, sobretudo, disfuncional. Um Estado cujo único objetivo é viabilizar a expansão de seu poder e de suas áreas de influência. Um Estado que cria uma regulamentação kafkiana, com exigências burocráticas cartoriais absurdas, cujo resultado é aumentar custos, reduzir a produtividade e complicar todas as esferas da vida. O patrimonialismo do Estado brasileiro, sua incapacidade de respeitar os limites e os deveres em relação à sociedade, tem longa tradição, mas toma novos contornos com a sofisticação da economia, com a chegada do País à sociedade do espetáculo e à democracia de massas. O uso e o abuso das técnicas publicitárias, a criação de dificuldades de toda ordem para a venda de facilidades, a simbiose com cultura dos direitos especiais adquiridos e a aliança com grupos econômicos selecionados são a nova face do velho patrimonialismo…

…Com a vitória incontestável dos direitos sociais, a teoria econômica paga até hoje o preço político de ser percebida como intrinsecamente conservadora. Toda crítica à falta de critérios e à ineficiência do gasto público, sobretudo se embalado como gasto social, é tachada de reacionária e desconsiderada. No Brasil de hoje, o velho patrimonialismo do Estado se esconde por trás do assistencialismo. O patrimonialismo indefensável reveste-se de assistencialismo inatacável. Desde que sob o guarda-chuva de gasto social, toda sorte de abuso patrimonialista não admite questionamento…” 

Minha bicada: Faz muito sentido….

E segue aqui minha homenagem ao grande Sr, Faoro, pois, quem  quer entender porque as coisas são como são deveria ler:

 

Os donos do poder

 

 

 

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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013 Livros e publicações, Politica Economica, utilidade | 12:19

A poupança na visão de Eduardo Gianetti

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Devido à minha fixação na questão da  poupança nacional ( ou seja, acabei de servir um prato cheio aos psicanalistas leitores), segue abaixo um ótimo livro escrito pelo excelente economista Eduardo Gianetti, que comenta a questão da poupança e do consumo:

http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=12192

Eduardo é o principal assessor econômico da Rede da Senadora Marina Silva.

valoramanhagianetti

 

 

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segunda-feira, 25 de novembro de 2013 Brasil, BRICS, CHINA, Crise Brasileira, Livros e publicações, Politica Economica | 16:08

Como anda a atividade econômica?

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Pois é, parece que a economia está perdendo o gás  e abortando a recuperação ensaiada desde março último.

Veja no gráfico abaixo :

ibcpibmaua

 

  • o gráfico verde escuro mostra a evolução da taxa de trimestral de crescimento do PIB ( trimestre / trimestre anterior)
  • o gráfico verde claro mostra a taxa de crescimento trimestral do índice de atividade calculado pelo BC, que historicamente tem uma forte correlação com o PIB, ou seja, é um bom estimador para o PIB.

Em azul claro mostramos o crescimento antes da crise, que andava ao redor de 1,5% ao trimestre  ou 6% a.a. Nada mal.

Depois da forte desaceleração ocorrida em 2009, a economia se recuperou em 2010. Porém desde então só tem perdido folego ( vermelho), até chegar à estagnação no final de 2011.

De março de 2012 para cá podemos ver que a economia ensaiou uma retomada ( preto);

Porém,  os dados ( em amarelo) recentes capturados pelo índice de atividade do BC do B mostram que a economia pode estar perdendo gás novamente.

Ou seja, parece que o processo de elevação dos juros de curto prazo pelo BC do B e nos títulos de longo prazo  já esteja impactando a economia real.

DE fato a pancada nos juros de longo prazo de janeiro para cá foi enorme, como mostra o gráfico abaixo:

jurontnb

 

 

O gráfico inferior azul mostra as taxas de juros reais pagas nos títulos públicos indexados à inflação ( NTN -B) vigentes em janeiro deste ano, para os diversos vencimentos de títulos ( de 2015 até 2050) . Vemos que os títulos de 10 anos ( que vencem em 2023) rendiam 3,5% a.a. acima da inflação em janeiro.

De lá para cá tais taxas subiram de forma dramática ( preto), tendo chegado hoje ( Novembro) na curva amarela, batendo mais de 5,5% a.a. ( vermelho). Ou seja, o  juro real subiu 60% em função da:

  • elevação do juro selic por parte do BC do B para combater a inflação elevada e persistente que ainda temos;
  • elevação dos juros de longo prazo lá fora, em função dos sinais de melhora da economia americana que podem levar o FED a subir os juros mais cedo;
  • elevação do risco Brasil, em função da piora da situação fiscal, que aumenta o risco do rebaixamento de nossa nota de risco nos próximos meses.

Esta elevação dos juros de longo prazo aumenta o custo de capital para empresas e consumidores, diminuindo assim o consumo e o investimento, ou seja, o PIB. Para que a economia volte a retomar folego precisamos reverter os fatores que causaram elevação dos juros longos:

  • reduzir a inflação para permitir que BC do B retome processo de redução dos juros básicos.
  • torcer para que o FED demore para subir juro lá fora;
  • reduzir risco Brasil equacionando as questões fiscais e para fiscais, ou seja, aumentando o superávit primário de forma consistente e reduzindo a oferta de títulos públicos por parte do Tesouro ao conter o crescimento maluco do balanço dos bancos estatais.

Aí, quem sabe , poderemos retomar o processo de recuperação da atividade de forma gradual.

Porém, mesmo assim, tire o cavalo da chuva pois não teremos mais taxas de crescimento de 1,5% ao trimestre (sustentáveis ) se não endereçarmos as questões estruturais do país: temos que fazer com que a taxa de formação poupança doméstica suba. Poupança é definida como o % da renda nacional que não é gasto com consumo, mas sim investido.

Os gráficos abaixo,  com dados retirados do site do IBGE

http://seriesestatisticas.ibge.gov.br/lista_tema.aspx?op=0&no=12

representam:

  • gráfico vermelho é a evolução da carga tributaria bruta no PIB e o roxo mostra sua tendencia central
  • gráfico azul mostra a participação da poupança nacional sobre a renda bruta nacional desde 1947  e o verde mostra sua tendencia central
  • gráfico tracejado laranja mostra a tendência de crescimento de nossa poupança doméstica prevalecente entre  1947 e 1988 e extrapolado até hoje.

pouphist

 

 

Notamos, em geral, uma tendência de aumento na carga tributária, que foi interrompida apenas entre 69 a 85, período de nossa história recente que apresentou as maiores taxas de poupança interna .

Tivemos, a partir de 89 ( amarelo), uma forte aceleração da carga tributária (T – marcado em preto) , e uma queda na taxa de poupança (S – marcado em cinza), que interrompeu sua tendencia de alta que seguia desde 1947. Ou seja, depois de 1988, e da famosa e já comentada Constituição Cidadã, nossa poupança interna caiu e estagnou ao redor dos 17% do PIB mais recentemente.

Desde o pico do confisco do governo Collor, as administrações FHC, Lula e Dilma foram incapazes de retomar o crescimento da nossa poupança interna. Tivemos apenas uma elevação transitória da taxa de poupança entre 1999 e 2005 que foi produto da forte elevação do preço das commodities, o que produziu um ganho nos termos de troca em nosso comércio exterior e um aumento da renda do setor agrícola e de mineração, como mostra o gráfico abaixo, da evolução do preço das commodities desde 1981:

coomod

As commodities, cujos preços estavam estagnadas desde 1981 ( cinza), começaram a reagir em 2003 ( verde), impulsionando o valor de nossas exportações. Porém, tudo indica que este processo de alta de preços se encerrou ( amarelo).

Caso a poupança interna tivesse seguido sua tendência central prevalecente entre 1947 e  1988, nós hoje teríamos uma poupança interna de 27% do PIB ( gráfico laranja acima), quase o dobro do que temos hoje, algo que nos colocaria mais próximos dos asiáticos, campeões de poupança.

Assim, parece que a Constituição Cidadã e o modelo mais socializante de todos os governos que a seguiram provocaram este forte aumento da carga tributária, que causou esta estagnação na taxa de formação de poupança. Talvez isto seja uma consequência da repressão sofrida durante a ditadura. A enorme repressão daqueles anos gerou um  aumento das expectativas da sociedade e uma enorme desconfiança nos poderes constituídos. Logo, a sociedade preferiu registrar na carta magna todas as suas aspirações na forma de obrigações do Estado, sem se preocupar em como financiá-las.

A poupança, como vimos, é igual ao investimento produtivo. Logo, para aumentarmos o capital produtivo, precisamos reduzir a parcela da renda que gastamos com o consumo e com impostos, uma vez que apenas uma pequena parcela de nossos impostos ( menos de 10%) é gasta pelo governo em investimentos. Como temos uma demanda reprimida por bens de consumo em função da baixa renda de nossa população, fica difícil reduzir o consumo das famílias, em particular com a economia trabalhando no pleno emprego como atualmente. Logo, precisamos reduzir os impostos, para que assim sobre mais renda e, portanto, mais poupança.

Neste sentido, vale a pena ler:

http://eesp.fgv.br/sites/eesp.fgv.br/files/file/Fernando%20Holanda%20Barbosa%20Filho%20-%20O%20BRASIL%20PODE%20REPETIR%20O%20MILAGRE%20ECON%C3%94MICO%2025-9-2013.pdf

Vejam alguns gráficos e tabelas retirados do excelente texto:

dobrarenda

Esta tabela acima mostra períodos na história de alguns países onde a renda per capita dobrou. No caso Brasileiro, isto ocorreu entre 71 e 82, quando a carga tributária ficou parada!

pouppaises

 

Esta tabela mostra a evolução da taxa de poupança de alguns destes países desde 1980. Vemos que, enquanto os tigres tinham poupança de 30% ou mais, nós ficamos poupando 18%, ou menos. Parece que nós poupamos, e, por conseguinte, gastamos, como ricos e não como emergentes e pobre que somos.

escolaridadeO nível de escolaridade ( anos na escola- verde ) de nossa população é bem pior do que no caso dos tigres do oriente.  Nosso nível de escolaridade atual é compatível com o deles em 1975. Estamos mais de 30 anos atrasados neste aspecto.

crescbrascontrib

 

E veja acima da onde vinha o crescimento nos anos 50, 60 e 70: de aumentos na PTFH ( produtividade geral – verde) e do estoque de Capital acumulado ( preto). Hoje ( amarelo) estes dois itens não sobem….

crescprocesso

 

E vejam acima o que aconteceria se elevássemos a produtividade de 1% a.a. para 2% a.a. ( como nos anos 70) e a taxa de Investimento ( ou taxa de poupança) de 18 % para 28% do PIB: sairíamos de um crescimento potencial de 3% a.a. (amarelo) para os 5,6% a.a. ( verde), como mencionei acima.

Seguem agora alguns gráficos que fiz com dados do FMI

http://www.imf.org/external/pubs/ft/weo/2013/02/weodata/index.aspx .

Vejam os gastos gerais do governo de alguns países vis a vis o Brasil, média 2009 – 2013:

gastogovpibpaises

 

Estamos lá no fim da tabela ( marcado em preto), junto com a Turquia . Só a Suécia gasta mais do que a gente. E os asiáticos, campeões de crescimento, estão lá embaixo… Ou seja, governo emergente gasta pouco. Governo de país rico gasta muito. E nós, na contra mão.

E veja como estamos no que diz respeito a Poupança Nacional:

pouppibpais

 

Estamos lá embaixo ( marcado em preto), junto com a Turquia, enquanto os asiáticos estão lá na direita.  Até os suecos poupam mais que nós. Ou seja, fica claro novamente que imposto elevado significa poupança baixa.

E veja o que aconteceu com PIB destes países desde 2009:

pibpais

 

Estamos marcados em preto. Nesta amostra, cresceram menos do que nós:

  • o México, que tem uma economia ligada aos EUA, país que, em 2009,  foi o epicentro da maior crise dos últimos 50 anos,
  • os Emirados que dependem exclusivamente do crescimento de sua produção ( e da demanda global) de petróleo.

Ou seja, fica meio óbvio que:

a. para crescermos mais precisamos mais Investimentos e maior produtividade;

b. para termos mais produtividade precisamos aumentar o nível educacional;

c. para termos mais investimentos precisamos de mais poupança interna;

d. para podermos poupar mais precisamos pagar menos impostos;

e. para pagarmos menos impostos, precisamos de menos gastos públicos;

f. e para gastarmos menos precisamos rever algumas coisas sérias neste país, como a própria Constituição Cidadã de 1988 e como iremos financiar a montanha de gastos públicos que ela provocou.

Será que ninguém vê isto?

Eu acredito que nossa agenda socializante dos últimos  20 anos, embora tenha reduzido as desigualdades nesta geração, reduziu o potencial de crescimento para as futuras gerações, ao reduzir a capacidade de gerarmos mais poupança hoje, e assim mais investimentos, que permitem uma expansão maior da produção e da renda no futuro. Eu desafio os socialistas de plantão a me demonstrarem o contrário.

A frase recente do Prefeito Haddad de São Paulo em manifestação quando foi vaiado é emblemática neste sentido:

“Se precisamos cobrar um pouquinho mais de IPTU de quem tem muito para levar para quem tem pouco, não vamos nos intimidar.”

À primeira vista, como todo discurso populista social, isto soa razoável. Mas de fato ele está tributando, além dos moradores das regiões centrais da cidade, sejam eles ricos ou pobres, os  empresários e comerciantes que têm estabelecimentos nesta região, porque “eles têm mais”,  algo que, no Brasil, virou crime e motivo de vergonha. Mas depois reclamam da falta de investimentos privados. Ou seja, os bairros mais nobres se transformarão em guetos da elite, elite esta que pode arcar com este aumento do IPTU, como diz o SR Prefeito, contrariando  a tese urbanística defendida pela então prefeita  Marta Suplicy, que apoiava a diversidade social em todas as regiões da sociedade, algo que eu concordo totalmente.

Precisamos rever esta questão e discutir as seguintes perguntas:

  • se ao aumentarmos de forma agressiva o bem estar social das gerações presentes estamos reduzindo as enormes desigualdades de renda  numa velocidade acima da redução das desigualdades de produtividade entre os diversos estratos da sociedade, quanto de crescimento futuro estaremos abrindo mão para as gerações futuras?
  • se ao tributarmos cada vez mais as empresas e os donos de capital estamos acelerando assim o processo de redistribuição de renda  mas reduzindo a taxa de poupança e, com ela, o potencial de crescimento futuro de nossa economia, qual o limite mínimo de crescimento econômico que podemos tolerar sem afastar de vez o investimento privado?

Eu acho que, para endereçarmos os rumos de nossa economia, precisaremos debater algumas questões ideológicas e suas implicações econômicas no curto, médio e longo prazo. Senão não haverá nenhum candidato, nem partido, que eleito consiga fazer as reformas econômicas tão necessárias.

Sigamos o exemplo do Partido Comunista Chinês, que, ameaçado pela desaceleração do crescimento econômico, está revendo alguns conceitos pétreos do seu regime e propondo várias reformas de caráter liberal, as mais importantes  das últimas décadas. Até Cuba já começou a se mover nesta direção.

 Coragem, camaradas!

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quarta-feira, 8 de maio de 2013 Inflação, Livros e publicações, Politica Economica | 12:40

Desemprego e política monetária

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Vejam alguns comentários de um economista importante comentante sobre a inflação, desemprego e política monetária:
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Na verdade, não há nada mais fácil que criar emprego adicional por algum tempo: basta aliciar trabalhadores para algumas atividades que, através de dispêndio de dinheiro novo, criado especialmente para este fim, passaram a ser temporariamente atraentes. De fato, nos últimos [vinte e cinco] anos, temos de maneira deliberada e sistemática recorrido à rápida criação de empregos exatamente através da expansão da oferta monetária. Esta expansão, que tem aumentado regularmente nos últimos [200 anos], em decorrência de um defeito no sistema creditício, torna-se, assim, a causa de depressões recorrentes. Não nos deveríamos surpreender com esse resultado, sobretudo quando vimos sucessivamente removendo todas as barreiras que, no passado, foram levantadas como uma defesa contra a constante pressão popular a favor do “dinheiro barato”. Repetiu-se o que ocorreu no início do período das finanças modernas: fomos novamente seduzidos por alguém com poder de persuasão suficiente para nos levar à tentativa de um novo encilhamento inflacionário. E a bolha da inflação agora explodiu. Descobriremos rapidamente que muito do “crescimento” artificialmente induzido representou um desperdício de recursos e que a dura verdade é que o mundo ocidental está levando uma vida além de suas posses. “

“Restam-nos apenas três opções:

1. Permitir que continue o acelerado processo inflacionário até que ele leve à completa desorganização de toda a atividade econômica.

2. Controlar salários e preços, o que encobriria os efeitos de um a inflação continuada, mas, por outro lado, nos levaria, inevitavelmente, a um sistema econômico totalitário, dirigido centralmente.

3. Frear com firmeza o aumento da quantidade de dinheiro, medida esta que, fazendo surgir um desemprego substancial, traria à tona todos os problemas decorrentes de um direcionamento errôneo da alocação da mão de obra, problemas estes que, causados pela inflação dos anos anteriores, se tornariam, no entanto, ainda mais graves no caso de se optar por qualquer uma das duas alternativas.”

“O fato de a teoria keynesiana ter dado aos políticos oportunidades tentadoras foi provavelmente ainda mais importante do que o seu aspecto, então muito em voga, de método científico, aspecto este que a fez parecer tão atraente para os economistas profissionais. Esta teoria representava para os políticos não apenas um método barato e rápido de eliminar uma importante fonte de sofrimento humano, mas também um meio de se libertarem das duras restrições que os cerceavam quando objetivavam alcançar popularidade. De repente, medidas como gastar dinheiro e gerar déficits orçamentários passaram a ter uma conotação extremamente positiva. Argumentava-se, com profunda convicção, que a expansão dos gastos públicos era totalmente meritória, uma vez, que propiciava a utilização de recursos até então ociosos, o que, além de nada custar à comunidade, trazia-lhe um ganho líquido.”

A manutenção do valor do dinheiro e a decisão de evitar a inflação estão sempre exigindo que os políticos tomem medidas extremamente impopulares. Mostrar que o governo é compelido a tomar tais medidas é a única forma que os políticos encontram para justificá-las perante as pessoas que são negativamente afetadas por elas. Quando se tem a preservação do valor externo da moeda nacional como uma necessidade indiscutível – assim como são consideradas taxas fixas de câmbio –, os políticos podem resistir às constantes pressões em favor de créditos mais baratos, de maiores gastos em “obras públicas”, contra taxas de juros mais elevadas etc..”.

“Há dois motivos para que não possamos conviver com a inflação. O primeiro reside no fato de que tal inflação, para atingir a meta desejada, teria que acelerar-se constantemente; ora, uma inflação em aceleração constante mais cedo ou mais tarde há de atingir um grau que tornará impossível qualquer ordem efetiva de uma economia de mercado. O segundo – e o mais importante – está na certeza de que, a longo prazo, essa inflação criará, inevitavelmente, um volume de desemprego muito maior do que aquele que pretendeu evitar. O argumento, frequentemente apresentado, de que a inflação simplesmente gera uma redistribuição do produto social, enquanto o desemprego reduz este produto, representando, portanto, um mal maior, é falso porque é a inflação que, na verdade, se torna causa de aumento do desemprego.”

“Assim que o governo assume a responsabilidade pela manutenção do pleno emprego, respeitando quaisquer salários que os sindicatos tenham conseguido obter, não há mais porque levar em conta o desemprego, possivelmente causado pelas próprias reivindicações salariais sindicalistas. Neste tipo de situação, qualquer aumento de salário que exceda o aumento da produtividade tornará necessária, para que não redunde em desemprego, uma elevação na demanda total. A inflação acaba aumentando o desemprego assim, o aumento da quantidade de dinheiro que se fez necessário em função da alta dos salários torna-se um processo contínuo, que provoca constantes injeções de quantidades adicionais de dinheiro.”

“Antes de tratar de qual deverá ser, futuramente, a política a ser adotada, é meu intuito colocar-me firmemente contra a interpretação distorcida que se faz a respeito do meu ponto de vista. Não que eu recomende o desemprego como meio de combate à inflação: meu aconselhamento parte do princípio de que só temos, no momento, duas alternativas – ou algum desemprego em um futuro próximo ou um desemprego muito maior em um futuro mais distante. São atitudes do tipo après moi, le dèluge – tomadas por políticos que, preocupados com as próximas eleições, bem podem optar por maior desemprego mais tarde – que inspiram muito medo.”

“De um modo geral, não deixa de ser verdadeira a afirmativa de que seria possível chegar bem perto de uma situação temporária de “pleno emprego” se o fato de se suprir o emprego através de obras públicas (situação da qual os trabalhadores desejarão sair, tão logo consigam outras ocupações mais bem remuneradas) viesse a impedir a queda substancial da demanda por parte dos consumidores. Estimular investimentos e gastos similares de forma direta, porém, apenas pode conduzir trabalhadores para empregos que – por mais que estes trabalhadores esperem e desejem que sejam permanentes – desaparecerão tão logo cessem estes investimentos e gastos. Devemos, sem dúvida, esperar que a recuperação decorra de uma revitalização do investimento. No entanto, só podemos desejar o investimento que se prove rentável e que possa ter continuidade quando uma nova situação de estabilidade satisfatória e de alto nível de emprego for atingida. Não se deve esperar que se chegue a essa situação através de subsídios ao investimento ou de taxas de juros artificialmente baixas. E muito menos ainda se pode esperar que o tipo desejável, ou seja, estável, de investimento se materialize através de estímulo à demanda do consumidor. Faz parte da mesma difundida falácia – que sempre agrada ao homem de negócios – a crença no sentido de que é preciso que a demanda do consumidor cresça para que o novo investimento seja rentável. Isto é verdade apenas nos casos em que o investimento é destinado a aumentar a produção através do uso das mesmas técnicas até então empregadas. Deixa de sê-lo quando se trata do tipo de investimento que pode aumentar a produtividade “per capita” através do emprego de capital em mais equipamentos que serão utilizados pelos trabalhadores. Este maior emprego de capital não é estimulado quando os produtos são de alto custo: na verdade, somente com os bens de consumo de custos relativamente baixos – que o tornam necessário para economizar nos gastos com pessoal – ele se mostra interessante. ”

Se você está achando que se trata de algum economista brasileiro comentando a situação atual no Brasil em entrevista ao jornal Valor Econômico, você está errado!!!

Trata-se do grande economista da escola austríaca, Friedrich Hayek, ganhador do premio Nobel,  que publicou isto em  março de 1979.

Agora vejam o comportamento da inflação nos EUA na época:

Ela subiu assustadoramente ( em amarelo), saindo de 4,5% em 1977 e atingindo 10% em 79 ( vermelho), para depois desabar até 1983 ( cinza),  após atingir um pico de 14% em 1980 ( laranja).

Veja agora o que aconteceu o desemprego nos EUA no mesmo período:

Temos a forte queda (verde) a que se refere Hayek, quando o desemprego caiu de 9% em 75 para menos de 6% em 79 ( amarelo), para então disparar e bater 11% em 1983 ( seta vermelha) e depois voltar para 7,2% em 1985, agora com a inflação andando na casa dos 4% aa.

Para quem tiver curiosidade, sugiro a leitura do texto na íntegra:

http://www.mises.org.br/files/literature/Desemprego%20e%20pol%C3%ADtica%20monet%C3%A1ria.pdf


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sábado, 13 de abril de 2013 Livros e publicações, Politica Economica | 15:09

Aprendendo com os erros dos outros

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O excelente texto:

POLITICAL CREDIT CYCLES: THE CASE OF THE EURO ZONE

Jesus Fernandez-Villaverde
Luis Garicano
Tano Santos
Working Paper 18899
http://www.nber.org/papers/w18899
NATIONAL BUREAU OF ECONOMIC RESEARCH
1050 Massachusetts Avenue
Cambridge, MA 02138
March 2013

que se encontra no link:
foi encaminhado por Cristiano Oliveira, do Banco Fibra.

O texto mostra como a Europa chegou na situação atual.

E não pude deixar de constatar que, de fato,  sempre podemos aprender com os erros dos outros… os paralelos com a nossa história, em alguns casos, são bem interessantes…

LIÇÃO: NÃO PODEMOS SER COMPLACENTES E NOS EMPOLGARMOS COM AS BOAS NOTÍCIAS DO EMPREGO EM ALTA, ARRECADAÇÃO DE IMPOSTOS FOLGADA, CONSUMO EM ALTA, CRESCIMENTO DO CRÉDITO E PREÇO ELEVADO DAS COMMODITIES QUE EXPORTAMOS…. UM DIA A COISA VIRA…. POIS SEM PRODUTIVIDADE E INVESTIMENTO PRODUTIVO NÃO HÁ FUTURO.

Supply-side reforms… here we go!

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