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segunda-feira, 26 de outubro de 2015 Sem categoria | 10:13

Você gosta de andar de bicicleta? Então, pedale!

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De fato a turma do PT curte bicicletas. E parece que Guido e Arno construíram uma ciclovia de 4 faixas na Secretária do Tesouro em 2014.  TCU que o diga.

Mas teve uma pedaladinha que passou meio longe da mídia e do TCU,  pois é muito sutil e até mesmo, um tanto burra.

Leia no link abaixo:

http://bicadasdogallo.blogspot.com.br/2015/10/pedalando-pedalando-sem-parar.html

 

 

 

 

 

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domingo, 4 de outubro de 2015 Brasil, Imoveis, Politica Economica, Sem categoria, utilidade | 16:28

Dinheiro da poupança para o crédito imobiliário pode acabar ( ERRATA)

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Nos últimos anos vivemos uma elevação impressionante do crédito imobiliário, que saltou de meros 2,5  % do PIB para 8,5% do PIB em  6 anos:

 

credimobpib

 

 

O crédito imobiliário vem crescendo a um ritmo de  1% do PIB ao ano. Isto serviu para impulsionar o mercado imobiliário e o emprego no setor da construção. Juros relativamente baixos  ( 9 e 10 % a.a.), prazos dilatados ( 20 anos) e condições favoráveis na concessão, tornaram este tipo de crédito um dos que mais cresceram  nos últimos anos.

Todos sabem que os depósitos na poupança são a principal fonte de financiamento destes ativos. Seu baixo custo, hoje ao redor de 8,5% a.a. em função da segurança, da praticidade e da isenção de imposto de renda,  e sua estabilidade em função do grande número de pequenos depositantes, viabilizam tais operações. Caso não houvesse os depósitos na poupança e sua destinação compulsória para financiar os créditos imobiliários,  não seria viável termos nem uma fração do volume que hoje temos em tais créditos, pois:

  • as taxas praticadas pelo governo nos títulos públicos de longo prazo superam 15% a.a. ou inflação mais 7% a.a. nos papéis pós fixados;
  • não existem investidores locais que possam alocar este montante de recursos em operações de longo prazo, através da securitização destas empréstimos, nos moldes das Mortgage Backed Securities ( MBS) que financiam os créditos imobiliários nos EUA, a taxas de juros compatíveis com as requeridas para financiar o crédito imobiliário. Hoje o volume total de CRI´s ( nossa versão das MBS) não passa de 1% do PIB e os juros demandados em tais papéis estão acima dos juros pagos pelo governo nos títulos pós fixados de longo prazo.

Para se ter a idéia do que isto representa em termos de custo para um mutuário, vou estimar a diferença de custo entre as operações feitas atualmente pelos bancos através da poupança e via securitização. Para isto:

  • vamos assumir uma taxa de juros da poupança de 6% a.a e uma TR de o,14% a.m ( 8% a.a. de rendimento nominal), inflação de 4,5% a.a. ( meta perdida..)  e um juro real pago nos títulos públicos do governo de 10 anos ao redor de 7% a.a. ( 11,8% a.a de juros anuais).
  • vamos assumir uma operação de financiamento de 80% do valor do imóvel por 10 anos de prazo médio.

Se, por exemplo, através de um empréstimo imobiliário financiado pela poupança o mutuário consegue comprar um imóvel no valor de R$ 500 mil dando uma entrada de R$ 100 mil, caso a mesma operação seja financiada a taxas de mercado iguais as pagas pelo Tesouro Nacional, o mesmo mutuário poderia comprar um apartamento de no máximo R$ 380 mil de valor dando os mesmos R$ 100 mil de entrada. Ou seja, haveria uma perda de 24% do poder de compra! 

Veja quem paga esta diferença de 24% de valor,  decorrente da diferença entre os 11,8% pagos pelo TN e os 8% pagos aos depositantes na poupança ( 3,5% efetivo a.a.):

a. 40 % pagos pelo Governo através de uma desoneração tributária que isenta de imposto de renda os rendimentos da poupança.  Este subsídio representa um custo para o governo da ordem de o,16% do PIB ao ano, ou seja , 8% do saldo primário necessário para se equilibrar a dívida pública.

b. 60% desta conta é paga pelo depositante na poupança, que aceita uma taxa de juros líquida bem inferior ao rendimento pago pelo governo já descontado de IR. Neste exemplo, os bancos pagam na poupança um juro equivalente a 84% do rendimento líquido pago pelo governo em seus papéis, ou o  equivalente a 71% da taxa do CDI. Tais depositantes pagam tal diferença pois não lhes são oferecidas pelos bancos alternativas de investimento mais rentáveis, como o Tesouro Direto. Isto é agravado pela baixa concorrência, na medida em que temos apenas 5 bancos com grande alcance no varejo bancário que concentram mais de 90% do volume da poupança.

Vamos olhar agora a coisa da ótica do retorno dos bancos. Os bancos emprestam tais recursos a TR+ 10% a.a., enquanto a poupança paga TR+ 6,20% ( juros compostos). A diferença efetiva, 3,6% a.a., é o spread bruto do banco, que serve para compensar as perdas de crédito que na prática são inferiores a 0,5% a.a. nestes empréstimo, para cobrir seus custos operacionais e para prover o retorno sobre o capital próprio alocado pelos banqueiros nestas operações ( 12,5% aprox.) . Caso o acionista de um banco deseje ter uma taxa de retorno sobre o capital investido de 18% a.a. ( 5,5% a.a. acima do juro do governo), assumindo a elevada carga tributária atual incidente sobre tais instituições e uma alavancagem de 8 vezes ( Total de empréstimos / capital próprio), o spread mínimo, após perdas de crédito e custos operacionais e administrativos, necessário para os bancos em tais transações é da ordem de 2,3% a.a. Ou seja, dos 3,6% a.a. do spread bruto total, 2,3% a.a. vão para os banqueiros, 0,5% vão para os inadimplentes e 0,8 % a.a  servem para pagar os custos administrativos do banco.  Ou seja, a margem bruta em tais operações não me parece excessiva e, portanto, não haveria muito espaço para sua redução através de maior eficiência, pelo menos dentro do modelo atual de financiamento.

Concluímos então que, no modelo atual de financiamento imobiliário,  a manutenção da taxa de crescimento do crédito imobiliário depende basicamente do crescimento do saldo da poupança e da manutenção de subsídios crescentes por parte do governo.

Mas aqui surge uma baita problema. Na medida em que a inflação permanece alta e, portanto, os juros pagos pelo governo sobem acima dos 15% a.a., o custo de oportunidade dos depositantes em manter recursos depositados na poupança aumenta. Isto reduz a velocidade de novos depósitos e até mesmo acelera os saques. De fato, nos últimos meses as captações líquidas da poupança ( depósitos – saques) têm ficado ao redor de R$ 5 bi NEGATIVOS por mês ( aproximadamente 1% do saldo total da poupança) como mostra gráfico abaixo:

 

 

capliquida

 

 

Ou seja, ocorreu desde Março último uma variação negativa de R$ 8 bi  no fluxo mensal líquido de depósitos na poupança que persiste até hoje. Isto coincide com o salto da inflação e com a forte elevação do selic.  Bancos passaram a oferecer LCI´s para financiar seus ativos imobiliários, papéis que pagam juros maiores que a poupança porém inferiores ao juro do CDI, o que aumentou os saques da poupança. Se esta situação persistir, os recursos da poupança não serão suficientes para financiar o crescimento do estoque total de crédito imobiliário, mesmo que se eliminem os depósitos compulsórios no BC e a faixa dos recursos da poupança que bancos podem emprestar livremente.

O gráfico abaixo mostra a evolução do  Saldo da carteira de crédito com recursos direcionados [ Pessoas físicas – Financiamento imobiliário total] como percentual do saldo total de depósitos de poupança do sistema SBPE ( excluindo agora a Poupança rural):

 

POUPAEMPR

 

 

Vemos que em 2008 menos de 30 % dos saldos da poupança estavam alocados a empréstimos imobiliários. Hoje este percentual chega a quase 95%. E se for seguida a tendência dos últimos 12 meses, este percentual baterá 100% em poucos meses. A partir daí os créditos imobiliários passarão a ser financiados, na margem, a taxas de juros pagas nas LCI´s indexadas ao CDI, mesmo que o governo elimine o depósito compulsório existente sobre tais saldos.  Isto deverá aumentar o custo de tais empréstimos ainda mais e reduzir seus prazos, pois os recursos em LCI tendem a ser mais voláteis do que os recursos investidos na poupança, uma vez que estão sujeitos à competição entre bancos pois seus rendimentos são livremente pactuados.

Ou seja, podemos estar chegando ao final do boom do crédito imobiliário residencial no Brasil.

Precisamos rever de uma vez o modelo de financiamento imobiliário no Brasil. Precisamos urgentemente aprimorar o funcionamento de mecanismos como a securitização ( CRI) residencial, com:

  • fixação de capital mínimo para 5% em tais securitizações alocado obrigatoriamente pelos originadores;
  • proibição de vendas de créditos imobiliários para securitizadoras imobiliárias com coobrigação de construtoras ou bancos no caso de CRI elegíveis;
  • padronizar critérios de concentração, diversificação e de prazos nos empréstimos lastro de CRI´s residenciais elegíveis, com condições rígidas de alavancagem nos empréstimos individuais ( 20% da renda familiar no máximo comprometida e 20% de entrada mínima na aquisição);
  • autorizar bancos usarem até 100% dos depósitos em poupança em investimentos em CRI´s padronizados somente;
  • eliminar gradualmente isenção de IR na poupança na medida em que carteira atual de crédito se reduza, mas manter na aquisição de CRI´s;
  • só permitir emissões de LCI´s com lastro em CRI´s padronizados;
  • criação de empresas especializadas na formalização, manutenção e cobrança de créditos imobiliários em larga escala, visando minimizar seus custos administrativos;
  • permitir que BC  e Fundos de Renda Fixa financiem CRI`s  nas carteiras dos bancos, através de operações compromissadas de até 180 dias de prazo.

Contudo, nada disto ajudará se não fizermos as taxas nominais de juros ( a inflação e o juro real) terem padrões internacionais, tanto no seu tamanho como em sua volatilidade. Caso contrário, o crédito imobiliário vai voltar a ser o que era há 10 anos: caro e escasso. Mais uma vítima das políticas irresponsáveis dos últimos anos. A inflação elevada e os déficits públicos persistentes exigem juros nominais elevados que inibem o financiamento de longo prazo. Isto acaba inviabilizando totalmente o financiamento da infraestrutura e do mercado imobiliário. Ou seja, se não baixarmos os juros de forma sustentável, vamos voltar a ser o que éramos há 20 anos. Entenderam?

 

 

 

 

 

 

 

 

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quarta-feira, 12 de agosto de 2015 Sem categoria | 13:10

Pastore comenta o populismo econômico

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Mais uma vez uma excelente coluna do professor Afonso Pastore.

Destaco esta passagem:

A conclusão é que a retomada da normalidade fiscal requer muito mais do que o esforço de buscar receitas não recorrentes, como as vindas de uma possível e altamente discutível repatriação de capital, ou de um novo Refis. Estes nada mais são do que paliativos que apenas postergam a solução do problema. A solução correta consiste no controle do crescimento dos gastos, mas não apenas das despesas discricionárias, que são pequenas no total, e sim daqueles que são denominados de “obrigatórios”, no sentido de que sua alteração requer a mudança de leis. Uma dessas reformas é a da Previdência. Se o Brasil não enfrentar o problema do aumento da idade de aposentadoria, estará criando uma crise fiscal de grandes proporções no futuro, e esta não é a única reforma necessária. 

Meu pitaco: ou encaramos as escolhas difíceis e revisamos as vinculações de gastos que engessam nosso orçamento, ou perderemos de vez a capacidade do estado investir e nosso grau de investimento. 

Vale a pena ler o texto na sua íntegra, que cegue abaixo:

O custo do populismo econômico

 Affonso Celso Pastore          

 09 Agosto 2015

   

Na semana passada, o Codace (Comitê de Datação de Ciclos Econômicos, da FGV) informou que a atual recessão não começou com as medidas de ajuste fiscal postas em prática no início de 2015, e sim no segundo trimestre de 2014. O Codace não se pronuncia a respeito da duração das recessões, mas sabemos que, embora a atual não seja tão profunda quanto a de 2008, será bem mais longa, e, quando terminar, será seguida de fases alternadas de estagnação e de baixo crescimento. 

 

Terminou a fase na qual era fácil acelerar o crescimento com o impulso contínuo do aumento dos preços internacionais de commodities e com os ganhos de relações de troca. Vários países, além do Brasil, beneficiaram-se da “bonança externa” que terminou em decorrência da inevitável desaceleração do crescimento da China. Os países que durante o período da “festa” fortaleceram suas políticas micro e macroeconômicas saíram-se melhor. Infelizmente, o Brasil não só gastou esse bônus como sacou contra o futuro, abusando da expansão fiscal e elevando a dívida pública, com consequências terríveis sobre o crescimento econômico. 

 

A perda da nossa capacidade de crescer é consequência do populismo macro e microeconômico crescentemente adotado pelo governo, caracterizado pelo aumento de gastos sem o correspondente aumento de receitas e pelo intervencionismo excessivo na economia. 

 

Nos últimos anos, acelerou-se o crescimento de gastos públicos, cuja estrutura já era pesada desde a Constituição de 1988. O País precisava de políticas públicas voltadas à redução da pobreza e à inclusão social, e há alguns exemplos de sucesso nesse campo, como é o caso do Bolsa Família. Mas cresceram exageradamente outros gastos, como o Loas e os impulsionados pelo aumento do salário mínimo acima da produtividade da mão de obra, entre outros. Mais grave ainda, o governo foi tomado pela ilusão de que o intervencionismo no campo da economia e a transferência de recursos para o BNDES, aumentando empréstimos com recursos que elevaram a dívida pública, libertaria o “espírito animal” dos empresários, elevando a taxa de investimentos e pondo o País na rota do crescimento acelerado. 

 

 

Populismo macroeconômico. No campo da política fiscal, a atitude de distribuir benesses sem a devida correspondência de receitas caracteriza o que em 1989 Dornbusch e Edwards definiram como “populismo macroeconômico”. Revisitando esse tema, há 5 anos, Sebastian Edwards publicou um novo livro (Left Behind; Latin America and the False Promise of Populism, junho, 2010) no qual avaliou experiências mais recentes, e relata vários exemplos de sucesso em obter ao mesmo tempo a aceleração do crescimento econômico e a melhoria das condições sociais das camadas mais pobres, reduzindo a desigualdade na distribuição de rendas. 

 

Um de seus exemplos de sucesso é o do primeiro mandato de Lula, no qual o Brasil cresceu ao lado da queda na concentração de rendas. Mas se Edwards escrevesse um novo capítulo avaliando o Brasil a partir do segundo mandato de Lula veria que ocorreu uma profunda mudança. O Brasil mergulhou em uma forma de populismo macroeconômico, que não chega ao extremo do relatado no artigo original de Dornbusch e Edwards, com o financiamento inflacionário dos déficits públicos e os desequilíbrios externos que levaram a crises cambiais, mas que impõe o risco que se chegue a isso, por causa da trajetória não sustentável de crescimento da dívida pública. 

 

O diagnóstico do desequilíbrio fiscal foi exposto com enorme clareza em artigo recente de Mansueto Almeida, Marcos Lisboa e Samuel Pessôa (Ajuste Inevitável, Folha de S. Paulo, 19/07/2015). Nos últimos 20 anos, as despesas vêm crescendo aceleradamente em relação ao PIB, e por algum tempo não tivemos déficits primários elevados porque ocorreu um forte crescimento das receitas, que não foi provocado pela criação de novos impostos ou pela elevação de alíquotas de impostos já existentes, e sim pelo alargamento da base tributária gerado; pela formalização no mercado de trabalho; e pelo aumento das importações. 

 

A formalização no mercado de trabalho foi a consequência de reformas estruturais bem-sucedidas, e o aumento das importações líquidas é uma consequência da “bonança externa”. Infelizmente, esses dois processos se esgotaram, e a menos que haja um aumento contínuo da carga tributária, que já tem a mesma intensidade da observada em países maduros, mas sem os correspondentes benefícios, e que inibe o crescimento econômico, o descompasso entre o crescimento da despesa e da receita leva a déficits públicos que colocam a dívida pública em uma trajetória de crescimento não sustentável. 

 

A conclusão é que a retomada da normalidade fiscal requer muito mais do que o esforço de buscar receitas não recorrentes, como as vindas de uma possível e altamente discutível repatriação de capital, ou de um novo Refis. Estes nada mais são do que paliativos que apenas postergam a solução do problema. A solução correta consiste no controle do crescimento dos gastos, mas não apenas das despesas discricionárias, que são pequenas no total, e sim daqueles que são denominados de “obrigatórios”, no sentido de que sua alteração requer a mudança de leis. Uma dessas reformas é a da Previdência. Se o Brasil não enfrentar o problema do aumento da idade de aposentadoria, estará criando uma crise fiscal de grandes proporções no futuro, e esta não é a única reforma necessária. 

 

Populismo microeconômico. Aos males do populismo macroeconômico somam-se os do populismo microeconômico, e nesse campo a lista de exemplos é enorme e os custos assustadores. A ilusão de favorecer a indústria levou ao aumento do índice de conteúdo nacional na produção de bens de capital, como as sondas na exploração de petróleo. Ignora-se que o aumento nos preços dos bens de capital reduz as margens de lucro em todos os setores que os utilizam, penalizando os investimentos. Em nome de gerar empregos, o País resolveu recriar uma indústria naval produzindo navios a custos exorbitantes. Buscando fortalecer o capitalismo nacional, hipertrofiou-se a ação do BNDES, que se dedicou à criação de “campeões nacionais”, quando o uso mais correto dos recursos seria na complementação dos investimentos privados em infraestrutura. 

 

Em nome do estímulo à indústria, reduziram-se artificialmente as tarifas de energia elétrica, baixando o estímulo aos investimentos na produção de energia, e desonerou-se a folha de salários elevando a demanda de mão de obra quando a economia se encontrava em pleno emprego. Para combater a inflação, o governo resolveu subsidiar o preço da gasolina, prejudicando a capacidade de investir da Petrobrás e penalizando a produção de álcool. Um dos custos incorridos com o populismo microeconômico foi o aumento da inflação, que obrigou à forte elevação da taxa real de juros em um momento no qual a economia já se encontra em recessão.

 

Para que o País volte a crescer, é necessário desfazer essa tragédia de erros que se acumularam nos últimos anos e que empurraram o País para uma recessão extremamente custosa. Para tanto, é necessário que exista um diagnóstico detalhado dos problemas e das políticas que enderecem a sua solução, e felizmente um número crescente de economistas vem se engajando em analisar e propor as necessárias correções de rumo. Mas esta é apenas a condição necessária. 

 

A condição suficiente é a existência de apoio político. Estamos diante de um governo inusitadamente enfraquecido, e, ainda que não estivesse, não há nenhuma indicação de que tenha um diagnóstico que se aproxime minimamente do exposto acima. Se adotasse esse diagnóstico, teria não somente de alterar radicalmente a política econômica, mas também de explicitamente reconhecer que errou e que praticou um estelionato eleitoral. A ausência de uma saída para a retomada do crescimento indica que o mais provável é que procure “empurrar com a barriga” por algum tempo, e temo que a solução somente seja encaminhada em um novo governo. 

 

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domingo, 9 de agosto de 2015 Crise Brasileira, Politica Economica, Sem categoria | 19:27

Reservas Internacionais e o BNDES: vilões dos gastos públicos

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Um dos gráficos mais aterrorizantes no que diz respeito às contas públicas é este aqui embaixo extraído do site do BC:

 

deficitnominalsetor publico

 

Ele mostra a evolução do déficit total do governo desde 2003, incluindo gastos com juros, como % do PIB. Ou seja, o governo gasta o equivalente a 8% da produção de bens de serviços além do que arrecada em impostos e outras receitas, e isto vem subindo de forma assustadora.

O grande vilão desta conta são os juros, como mostra gráfico abaixo:

 

gastoscomjurosnom

 

O governo gasta com  JUROS NOMINAIS o equivalente a 7,2% do PIB ! Ou seja, é um absurdo.

Vamos entender a razão disto e avaliar o que precisa ser feito para se reduzir tal gasto. Comecemos entendendo o tamanho da dívida pública do governo que gera toda esta despesa com juros. As tabelas abaixo vão lhe ajudar a entender isto ( tabelas extraídas do site do BC, base 30 de junho de 2015) e algumas hipóteses das variáveis econômicas que assumi para fazer o exercício:

 

divpub

 

 

De acordo com dados do BC, nossa dívida pública total é de 63% do PIB ( amarelo acima). Porém o governo tem ativos ( 31,6% do PIB em azul) que são abatidos da dívida bruta e tem outras entidades ligadas que possuem dívidas e ativos, como estatais  e o BC, que precisam ser levadas em conta para se chegar ao montante de dívida líquida de 34,5% do PIB, em verde .  Para você entender melhor o conceito, imagine que você deve 63 mil ao Banco e a credores em geral,  tem 31,6 mil emprestados para seu cunhado, sua esposa deve 3,1 mil a diversos fornecedores e que sua renda líquida anual seja de R$ 100 mil. Sua dívida bruta equivale a  63% de seu PIB e a dívida líquida  de sua família toda equivale a 34,5% .

Vamos entender quais são os cunhados do Estado brasileiro e que juros pagam em seus empréstimos:

 

ativosliquido

 

 

Dos quase 2 trilhões de reais em ativos totais líquidos do setor público ( incluindo BC), quatro destes ativos explicam mais de 98% do seu saldo, no valor de 33,8% do PIB:

  • Reservas cambiais, divisas compradas junto ao mercado, que somam mais de US$ 370 bilhões e são investidas em títulos da dívida pública dos EUA, Europa e Ásia, que rendem na média 1% a.a. Isto representa 20,3% do PIB.
  • Instrumentos híbridos de capital e dívida, que foram empréstimos feitos ao BB e CEF para que estes possam se alavancar e emprestar. Isto representa 1% do PIB e rendem taxas de mercado.
  • Créditos junto ao BNDES, que são empréstimos feitos pelo governo ao BNDES para que este possa emprestar ao setor privado a taxas subsidiadas. Isto representa 8,9% do PIB e rende TJLP, a qual assumi 6% para a simulação.
  • Empréstimos do FAT para Bancos , como BNDES e CEF, que representam 3,7% do PIB, para que estes façam mais empréstimos subsidiados a taxas próximas a TJLP, 6% a.a.

Como se vê, a qualidade destes créditos em termos de solvência e risco de repagamento é muito boa. Metade dos empréstimos feitos pelo BNDES são garantidos pelos maiores bancos brasileiros e a outra metade está emprestada às maiores empresas brasileiras e com garantias reais. E as reservas cambiais estão investidas em títulos emitidos pelos governos mais sólidos do mundo. Ou seja, do ponto de vista de risco do setor público, faz todo sentido abater este montante do total da dívida bruta do governo.

Contudo, quando comparamos a rentabilidade média de tais ativos para os cofres públicos ( nós) com o custo que o governo paga no mercado interno para financiá-los, vemos que temos um baita prejuízo. Na tabela acima vemos que estes 33,8% do PIB em ativos custam 3,2% do PIB ao ano aos cofres públicos. Isto representa quase 9% do total de impostos que hoje pagamos e 16% do total de gastos do governo federal, excluindo os juros. Sabe quem discute este tamanho de subsídio com a sociedade? Ninguém. O Congresso não deve ter a menor ideia do que eu estou falando.

Vamos agora supor que não tivéssemos tais ativos líquidos e que, portanto, não precisássemos financiá-los com emissão de dívida interna que nos custa mais de 13% a.a.. Como ficaria o endividamento do setor público? Bem mais bonito:

 

 

newbalance

 

 

A dívida bruta total, agora incluindo títulos no BC e a dívida das estatais ( excluindo Petrobrás e Eletrobras), que hoje está quase em 69% do PIB, cairia para 35% do PIB. O gasto total com juros nominais  sobre a dívida se reduziria para 3,6% do PIB vis a vis os 6,8% do PIB que pagaríamos no cenário de manutenção destes ativos subsidiados ( em vermelho na tabela acima). Estes 6,8% do PIB de despesas com juros chegam muito próximos aos 7,2% do PIB que hoje gastamos. A diferença se explica parcialmente pela não inclusão na simulação dos resultados do BC com swaps cambiais para simplificar o entendimento. A economia de 3,2% do PIB equivaleria a quase o dobro do superavit primário almejado por Levy para 2017Mesmo com os juros exorbitantes que o Tesouro é hoje obrigado a pagar no mercado em função da inflação elevada e da instabilidade política, nossas despesas com juros cairiam quase 50% se não fossem os subsídios dados pelo governo na forma de créditos a taxas baratas e na manutenção das reservas cambiais elevadas.

 

Assumindo agora um cenário mais róseo para a economia do país nos próximos anos e a manutenção destes ativos nas mãos do setor público, vemos que o custo deste subsídio cairia bastante, mas ainda seria preocupante:

 

cenarioroseo

 

 

 

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O custo anual de se financiar tais ativos subsidiados pelo estado cairia de 3,2% para 1,9% do PIB neste cenário róseo, que equivalem ao ajuste fiscal planejado pelo Levy nos próximos 3 anos. Em termos financeiros, assumindo a manutenção de juros reais de 5% a.a. na perpetuidade e mantendo-se o volume real destes ativos onde estão ad infinitum, o valor presente da dívida pública incremental gerada por este custo seria equivalente a 38% do PIB.

Já no cenário atual, com o custo deste subsídio ao redor de 3,2% do PIB ao ano e juros de 6,25% da dívida pública, o valor presente de tal subsídio perpetuado representa um aumento na dívida pública líquida em mais de 50% do PIB. Ou seja, nossa dívida líquida equivalente saltaria para mais de 80% do PIB! Embora as estatísticas indiquem  que nossa dívida bruta esteja ao redor de 60% do PIB, seu custo econômico é o mesmo que  uma dívida de 80% do PIB, se desejarmos manter o valor real dos créditos subsidiados pelo governo para sempre.

Conclusão: precisamos ter uma política fiscal austera o suficiente para pagar encargos de uma dívida pública de 6o % ou 80% do PIB, dependendo do cenário, mas só devemos de fato 35% do PIB.

Vamos voltar agora para o cenário de um Estado que não concedesse créditos subsidiados e que tampouco precisasse carregar 20% do PIB em reservas internacionais para amortecer crises cambiais. Seria razoável assumir que neste cenário:

a. o  juro real pago na dívida pública seria bem inferior aos 6% a.a. que hoje o Tesouro paga para levantar recursos de 5 ou 10 anos no mercado, pois o montante de dívida a ser rolado no mercado cairia pela metade.

b. um país sem reservas cambiais precisaria ter uma moeda mais estável, com uma inflação mais baixa e estável;

c. a chance de perdermos grau de investimentos seria muito remota, o que reduziria o risco Brasil hoje embutido nas taxas de juros que pagamos ao exterior.

Vamos assumir este cenário como coloco no quadro cinza abaixo e ver o que aconteceria com os encargos sobre nossa dívida pública:

 

cenarioluzdosol

 

 

 

 

Com uma dívida total de 35% do PIB e juros nominais de 7% a.a., os encargos sobre nossa dívida pública cairiam para 1,9% do PIB ou R$ 117 bi / ano, como vemos abaixo:

 

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Neste cenário, os encargos que pagaríamos sobre a dívida seriam iguais a taxa de crescimento do PIB nominal. Desta forma, não seria preciso nenhuma economia por parte do governo no que diz respeito às suas receitas e despesas primárias  ( antes dos juros)  para manter nossa dívida/pib estável em 35%.  Nosso superavit primário estrutural precisaria se manter ao redor de zero para manter dívida pública estável. Não precisaríamos dos mais de 2% do PIB de superavit primário estrutural desejados pelo governo.

A pergunta que surge agora é esta: seria possível termos um país sem BNDES e sem reservas internacionais, e mesmo assim crescer de forma estável? Pretendo endereçar esta questão nas próximas colunas. Mas adianto já a resposta: eu creio que seria possível reduzir os custos de manutenção de nossas reservas, mudando sua forma de financiamento e reduzindo seu volume, e também reduzir substancialmente o volume de subsídios no BNDES. Porém, achei importante levantar esta questão agora, pois mostro assim que há outras formas de se reduzir os custos do ajuste fiscal em curso de forma sustentável, sem ter que se cortar gastos de forma exagerada ou se aumentar carga tributária. Basta olhar para o balanço do governo e perguntar: meu cunhado merece tanta moleza assim??

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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domingo, 14 de junho de 2015 Crise Brasileira, Impostos, Politica Economica, Sem categoria | 18:47

A sobrecarga tributária

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É conhecida a incapacidade do nosso Estado em cortar gastos. Tanto no nível Federal, como no Estadual e Municipal.

Já abordei aqui algumas possíveis razões para isto, em diversos posts:

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2013/06/21/a-economia-vai-pra-rua/

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2013/12/11/gasto-publico-e-impostos-em-tendencia-insustentavel/

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2013/12/15/a-constituicao-cidada-de-88-os-impostos-e-o-gasto-publico/

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2014/05/15/as-escolhas-que-nao-fizemos/

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2014/03/14/o-contrato-fiscal-fracassou/

Era inevitável, portanto, que um dia chegaríamos próximo ao acerto de contas, pois não dava para continuar a crescer as despesas do governo federal no ritmo atual, como mostra o gráfico abaixo da evolução anual das despesas primárias do governo como % do PIB:

despeprimgovcentral

 

 

Os gastos, excluindo os juros, de 2004 até 2014 subiram 3,2% do PIB somente no nível Federal. O ritmo consistente de elevação dos gastos acima da taxa de crescimento do PIB é impulsionado por elevações de gastos nos ciclos eleitorais, marcados em vermelho acima. Nos anos seguintes às eleições é feito um corte, que é logo abandonado na medida em que se aproximam as próximas eleições. A resultante destes ciclos contínuos é a elevação contínua dos gastos públicos.

Algo similar ocorre no nível estadual e municipal, como vemos no gráfico abaixo, que mostra à direita a piora dos superávits dos 10 entes com maior endividamento e, á esquerda, a elevação dos gastos primários em 1% do PIB nos últimos 10 anos:

 

estadosdespesa

 

Portanto, não era preciso ser um gênio para descobrir que este processo chegaria à exaustão.  Como politicamente e socialmente temos sido incapazes de nos organizarmos para um debate que vise colocar um limite no gasto público, definindo assim prioridades para os gastos de uma forma abrangente e técnica,  isto nos força, em função de pressões sobre nossa situação fiscal, a  elevar a carga tributária total, que em 2013, com 35.7% do PIB segundo a OCDE,  já era maior da América Latina e acima dos países mais desenvolvidos membros da OCDE:

http://www.valor.com.br/brasil/3946654/brasil-tem-maior-carga-tributaria-da-america-latina-diz-ocde

 

taxlevelbraslatam]

 

A tabela acima foi extraída deste excelente trabalho:

Revenue Statistics in Latin America and the Caribbean 1990-2013 Consult this publication on line at http://dx.doi.org/10.1787/rev_lat-2015-en-fr This work is published on the OECD iLibrary, which gathers all OECD books, periodicals and statistical databases. Visit www.oecd-ilibrary.org for more information.

Em qualquer ótica, nossa carga é muito grande e tem crescido em ritmo forte já há algumas décadas, saindo de 22% do PIB em 1986 e chegando aos 36% de hoje,  como mostra estudo  do IBPT:

evoluçaocarga8615

 

https://www.ibpt.org.br/img/uploads/novelty/estudo/2142/05EvolucaoDaCargaTributariaBrasileira.pdf

E esta tabela abaixo mostra sua evolução nos níveis federal, estadual e municipal, do estudo feito pelo mesmo instituto:

 

arrecadacaoimpostospor niveisfederacao

 

A alta é generalizada. O que mais intriga é que o nível atual de tributação só é superado pelos países com  bem estar social e renda per capita muito superiores aos nossos, nos colocando um pouco acima até mesmo da própria Suíça, como mostra gráfico abaixo do TCU:

 

cargatributbrasilsuiça

 

O mesmo pode ser visto em trabalho mais recente da Receita Federal sobre a carga tributária brasileira:

http://idg.receita.fazenda.gov.br/dados/receitadata/estudos-e-tributarios-e-aduaneiros/estudos-e-estatisticas/carga-tributaria-no-brasil/carga-tributaria-2013.pdf

 

 

cargareceita

Ou seja arrecadamos muito, mas oferecemos pouco em termos de serviços públicos. E lembro que ainda temos as estatais que contribuem com seus dividendos para aumentar o bolo de gastos públicos, como mostra o gráfico abaixo:

 

dividen

 

 

Vemos em vermelho que o governo usou e abusou deste mecanismo de geração de caixa depois de 2008, o que sufocou as empresas e bancos estatais, que tiveram que recorrer ao endividamento crescente ou a capitalizações junto ao Tesouro Nacional para expandir seus negócios e dar conta de seus planos de investimento.  Vemos hoje que isto era de fato insustentável, como já mostraram os dados de 2013 e 2014 (amarelo). Este ano este número deve ser ainda menor.

DE acordo com o mesmo estudo da Receita Federal, nossa carga tributária está assim distribuída entre os entes federativos:

 

entefederativoarrecadasrf

 

 

Quase 70% dos impostos são federais, enquanto que menos de 6% deles são municipais. Ou seja, o dinheiro dos impostos ” sobe” para níveis decisórios bem distantes da população, que interage no seu dia a dia muito mais com sua cidade. Quem decide onde o dinheiro vai ser gasto fica bem longe do povo que o elegeu. E o gasto fica mais longe ainda.  Aqui entra a necessidade de se rever este pacto federativo que distancia a decisão sobre o que fazer com o dinheiro dos impostos de seus contribuintes.

Os impostos no Brasil incidem primariamente sobre o consumo de bens e serviços, sendo portanto pouco pregressivos. Isto é, tributa-se igualmente quem consome, independentemente de sua renda. De fato somos bem diferentes dos outros países neste aspecto, como mostra o gráfico abaixo retirado do mesmo estudo da Receita Federal:

 

impostobensservicos

 

Por outro lado, os impostos sobre os ganhos de capital, rendas e lucros ficam muito abaixo do que é arrecadado nos outros países:

 

rendalucroganhocapital

 

Já os encargos sobre a folha estão em linha com o que se pratica lá fora:

carga sobre folha

 

Já os impostos sobre patrimônio (verde abaixo) são pequenos no Brasil, porém eles tendem a ser pouco relevantes em outros países também, como mostra o gráfico abaixo da Receita, que reforça a tese que temos taxamos demais o consumo ( laranja)  e pouco a renda, em azul:

impostosobrepropriedade

 

 

Vale a pena dar uma olhada nesta tabela abaixo que mostra quais os principais impostos pagos por nós:

 

quebraimpostos

 

Fica evidente aí que há uma quantidade enorme de impostos e contribuições, já que a lista acima não está completa pois há inúmeros outros impostos que são incluídos nas rubricas outros, cuja lista completa (??) pode ser vista no link abaixo:

http://www.portaltributario.com.br/tributos.htm

Isto torna nosso sistema tributário um dos mais complexos do planeta:

http://exame.abril.com.br/economia/noticias/os-paises-que-mais-roubam-tempo-das-empresas-com-impostos-brasil-e-lider

A razão desta complexidade reside na incapacidade dos governos de promover uma reforma no sistema tributário. Como temos crises fiscais recorrentes, é preciso de tempos em tempos, criar alguns novos impostos para cobrir as despesas crescentes, tornando a lista ainda maior.  E hoje parece que estamos vivendo mais um momento destes, em função do enorme desajuste nas contas públicas criado por Guido e cia nos últimos 4 anos.

Há discussões na mídia sobre diversos novos impostos ou mudanças nas regras de impostos atuais que estão em análise pelo governo federal.  Eu pretendo comentá-las oportunamente, contudo, gostaria de lembrar aos senhores de alguns inconvenientes de se ter uma carga tributária elevada:

  • Ao se tributar a renda do trabalho das pessoas de forma crescente e excessiva, se cria um desincentivo ao desenvolvimento profissional no trabalho e ao empenho nos estudos. Na prática isto acaba elevando os salários brutos e os custos para se manter pessoas de alto padrão remuneradas adequadamente. Além disto, como a propensão marginal à poupança das pessoas de maior renda é maior do que a daquelas de menor renda, a maior tributação sobre as  rendas mais elevadas acaba reduzindo a poupança interna, caso os recursos assim arrecadados não sejam usados na redução da dívida pública.
  • Ao se aumentar impostos sobre  o lucro das empresas e dividendos, reduz-se o retorno sobre o capital investido, o que acaba desencorajando a poupança interna e diminuindo a taxa de investimentos na economia.
  • Ao se aumentar impostos sobre consumo ou que incidam sobre os custos dos insumos das indústrias, estamos aumentando o custo dos produtos, gerando mais inflação e reduzindo a competitividade de nossa indústria.
  • Ao se tributar o Patrimônio dos mais ricos, cria-se um incentivo para a fuga destes capitais para o exterior, pois as pessoas sempre podem mudar de domicílio fiscal, além de reduzir o retorno sobre o capital destes contribuintes, e por sua vez, a taxa de formação de poupança e , consequentemente, o investimento e o emprego.
  • Ao se aumentar a carga tributária para cobrir gastos correntes crescentes numa economia onde o Estado é menos produtivo no seu gastos vis a vis o setor provado, estamos reduzindo a produtividade total da economia, o que reduz nossa capacidade de crescer.

Dito isto, antes de se criarem novos impostos, cabe ter me mente que:

  • Temos escassez de capital humano de alta qualidade;
  • Temos escassez de poupança interna, o que reduz nossa capacidade de investir sem nos endividar lá fora;
  • Temos um custo de capital elevado, em função desta baixa poupança e dos riscos econômicos que apresentamos;
  • Temos um Estado que não consegue prover serviços básicos de qualidade para a população;
  • E que o socialismo acaba quando acaba o dinheiro dos outros. E já tivemos na Derrama um exemplo do que um aumento de impostos arbitrário, sem contrapartidas em termos de serviços públicos, pode causar: a Inconfidência Mineira.

Vale a pena reler este livro:

http://livraria.folha.com.br/livros/inconfidencia-mineira/devassa-devassa-kenneth-maxwell-1026061.html

Creio que voltaremos em breve a este assunto nesta coluna.

 

deva

 

 

 

 

 

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sábado, 23 de maio de 2015 Juros EUA, Sem categoria | 12:38

Yellen esclarece um pouco as coisas depois da ata que não esclareceu nada

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Depois da ata, que não atou tampouco desatou o nó da data de início da alta de juros nos EUA,  Yellen veio ao público e mandou um recado mais claro desta vez: juro sobe este ano e fim de papo.

Veja no link abaixo na minha página aberta no Facebook:

https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=1636187709950107&id=1614375208798024

 

 

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quinta-feira, 7 de maio de 2015 Crise Brasileira, Inflação, Juros no Brasil, Sem categoria | 12:48

O BC mudou? Parece que sim.

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Lendo a ata da última reunião do COPOM fiquei com a sensação de uma mudança no compromisso e na determinação do BC no que diz respeito ao combate à inflação. Acabou com a timidez, que tanto critiquei em:

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2015/03/13/bc-mais-timido-pt-omisso-descontrole-cambial/

A ata me pareceu inequivocamente clara: eles pretendem minimizar que os efeitos da elevadíssima inflação de 2015 contaminem 2016.  E que farão o que for necessário para que isto ocorra. Reconhecem abertamente que atividade, emprego e investimentos estão recuando e que só irão retomar ânimo depois de um período necessários de ajustes na economia. Observam que crédito também crescer de forma mais moderada. Contudo avaliam que a dinâmica dos aumentos salariais ainda preocupa, apesar do processo de distensão em curso no mercado de trabalho,  indicando que há aqui uma preocupação maior com o processo de indexação informal. Deixaram claro desta vez que é seu objetivo fazer com que inflação convirja para o centro da meta, 4,5% a.a.,  no final de 2016. E finaliza dizendo que permanecerão vigilantes, ou seja, que devem subir os juros novamente na próxima reunião.

Resumindo: um ata mais direta, objetiva e sem muito espaço para duplas ou triplas interpretações ambíguas. Fico com a impressão que a nova composição do COPOM esteja mais sintonizada com as metas e com os desafios de se conter a inflação.

O Mercado reagiu de forma coerente: aumentou as projeções de juros para os próximos 18 meses, pois tudo indica que eles devam subir mais e permanecer elevados por mais tempo. Já os juros de prazo mais longo subiram bem menos. As taxas reais de juros de curto prazo também subiram um pouco e o dólar permaneceu relativamente  estável.

Acho que podemos estar assistindo uma mudança importante no comportamento do BC daqui para frente, o que deve ajudar muito no combate à inflação. Tal determinação pode sim trazer um custo econômico maior no curto prazo com uma recessão mais intensa, mas, por outro lado, deve encurtar sua duração e abrir espaço para uma queda maior de juros a partir da segunda metade de 2016.

Enfim, parece que algo mudou. E para melhor. Uma pena que o BC demorou 3 anos para perceber que este é o caminho correto. Espero que seja mesmo para valer desta vez. E que, daqui para frente, tudo possa ser diferente, como pede o grande Roberto Carlos em uma de suas famosas canções:

 

Se Você Pensa

Roberto Carlos

Se você pensa que vai fazer de mim
O que faz com todo mundo que te ama
Acho bom saber que pra ficar comigo
Vai ter que mudar

Daqui pra frente tudo vai ser diferente
Você tem que aprender a ser gente
Seu orgulho não vale nada! Nada!

Você tem a vida inteira pra viver
E saber o que é bom e o que é ruim
É melhor pensar depressa e escolher
Antes do fim

 

 

bob

 

 

 

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quarta-feira, 6 de maio de 2015 Crise Brasileira, Sem categoria | 14:39

A vida como ela é: sem produtividade não há aumento de renda

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O Ex Ministro Delfim Netto em sua recente coluna na Folha coloca com enorme clareza a receita do crescimento econômico:

“Em qualquer economia (capitalista ou socialista) vale a identidade: crescimento do PIB = crescimento da população + crescimento da produtividade média do trabalhado”.

Veja o texto na íntegra em:

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/antoniodelfim/2015/05/1625198-salvar-o-senado.shtml#_=_

E ele coloca brilhantemente esta pergunta:

“Como acelerar a produtividade do trabalhador sem retirar-lhe os direitos garantidos, num mundo onde a globalização exige que as empresas:

1º) se estruturem para ganhar competitividade e

2º) se integrem às cadeias produtivas mundiais transacionando bens e serviços especializados aproveitando as vantagens da divisão do trabalho e das economias de escala?”

Lutar contra a tal da terceirização é não reconhecer a nova realidade do mundo. Significa nos isolarmos ainda mais.

Ou encaramos de frente reformas estruturais profundas, que de fato enderecem as questões de nossa baixíssima produtividade, ou ficaremos para trás. Simples. Não tem mais commodities e pre-sal para nos carregar nas costas. Ou produzimos mais com o mesmo ( = mais produtividade) ou bailamos. Direito adquirido pode significar ganhar pouco pra sempre.

Você pode aí espernear, chorar, gritar, pintar a cara de vermelho, sair carregado placa em passeata, xingar Adam Smith, os imperialistas, me xingar de neo liberal, etc, mas é assim que o mundo funciona hoje. Esta é a música dos novos tempos. Ficar dançando valsa não vai levar a lugar nenhum. O ritmo, infelizmente, é outro. Senão, serão uns 5% da população que poderá ir a Miami comprar os últimos lançamentos da Apple,  tudo feito pelos imperialistas, como o Facebook, twitter, whatsapp, etc, tudo comandado pelos imperialistas capitalistas. Ou, se tampouco quiser alimentar a máquina consumista capitalista imperialista,  volta para carta e o correio movido a pombo.

A vida como ela é.

 

 

 

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sexta-feira, 10 de abril de 2015 Crise Brasileira, Inflação, Juros no Brasil, Sem categoria | 15:22

O enorme custo de trazer a inflação de volta à meta

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Os números recentes de inflação são de fato preocupantes. Ela bateu mais de 8% nos últimos 12 meses, como mostra o gráfico vermelho abaixo, turbinada mais recentemente pelo reajuste das tarifas públicas (gráfico laranja abaixo) e do câmbio, e por uma inflação persistente de serviços que insiste em ficar acima de 8% já há alguns anos como vemos em verde no gráfico abaixo:

 

recentinlf

 

Para agravar a situação, a inflação continua bem espalhada, como mostra o índice de difusão:

 

dispersao

 

E seu núcleo, excluindo preços monitorados e preços de alimentação em casa, seguem fortes, como vemos no gráfico vermelho abaixo, porém dando alguns sinais de estabilização, porém ainda acima do topo da meta:

 

nucleoexmonitalicasa

 

Os rendimentos das pessoas empregadas nos grandes centros seguem subindo em ritmo acelerado, como mostra gráfico abaixo:

 

RENDIMNOMINALOCUPADO

 

 

 

estando há vários anos rodando ao redor de 9% a.a. e sem sinais de queda significativa que fosse consistente com uma inflação caminhando para o centro da meta.

Um fator que tem ajudado a aliviar a inflação tem sido as commodities apesar da forte alta do dólar. Seus preços em R$ tem se mantido estáveis, como mostra o gráfico abaixo:

 

indicecommbravarano

 

 

O mesmo pode ser visto na inflação dos bens comercializáveis com o exterior, que estão subindo a uma velocidade inferior à inflação média:

 

comercializa

 

Isto é uma boa e uma má notícia pois, como somos exportadores líquidos de commodities e nossa principal aposta em termos de investimentos nos últimos 4 anos foi o petróleo do pré sal cujo preço despencou nos últimos anos, isto não é nada bom para nossas exportações e para o financiamento de nosso déficit externo. Os termos de troca, que mostram a relação dos preços do que exportamos sobre o que importamos, têm caído muito como mostra gráfico abaixo:

 

termtroca

 

Ou seja, vamos precisar manter o dólar elevado para conseguir financiar nosso saldo externo e promover o ajuste de preços relativos necessários neste novo cenário.

Desta forma, a pressão sobre o BC aumenta ainda mais pois, como já comentei no passado ( http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2015/03/21/credibilidade-do-bc-uma-moeda-perdida/  ), os custos em termos de credibilidade incorridos pelo BC nos últimos anos afetam a gestão da política atual.

O BC faz política monetária através da variação dos juros básicos na economia, o SELIC. Tal taxa atua através de dois canais principais: através do crédito, ao variar o custo do dinheiro, afetando assim a demanda interna, tanto no consumo como no investimento. E através das expectativas. Um BC com credibilidade, ao fazer pequenos movimentos com os juros sinaliza aos agentes que não irá tolerar elevação excessiva dos preços ou preços caindo. Assim os agentes se retraem e passam atuar no sentido desejado pelo BC, seja de aumentar os preços ou de reduzi-los. As expectativas com relação à inflação futura ficam assim contidas e estáveis, apesar de eventuais choques que afetem os preços no curto prazo. Isto elimina a necessidade de se fazer grandes flutuações nos juros ou de se impor muita volatilidade na atividade econômica.

Como já coloquei acima, a credibilidade do BC atual foi afetada pelos resultados da condução da política monetárias nos últimos anos que permitiu que inflação abandonasse o centro da meta e se estabilizasse perigosamente acima do topo da banda de metas.  Desta forma, o custo em termos de queda de atividade econômica para trazermos a inflação de volta para o centro da meta em 2016, como já prometido pelo BC, serão bastante grandes, pois, além da questão da perda de credibilidade, existe hoje um componente inercial importante na inflação atual devido a alguns fatores:

  • Os salários dos trabalhadores vêm subindo acima de 8% a.a. já há algum tempo, e com inflação andando a 8%, é muito difícil que os reajustes nos dissídios que teremos no segundo semestre sejam inferiores a este número, o que determinaria um patamar médio a ser perseguido pelos sindicatos.
  • O salário mínimo em 2016 deve subir ao redor de 8%.
  • A persistência da inflação de serviços em níveis bem elevados em função da alta do custo com mão de obra.
  • O aparente abandono por parte do BC de perseguir o centro na meta nos últimos anos (http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2015/03/21/credibilidade-do-bc-uma-moeda-perdida/)
  • Uma elevação maior do dólar ou do preço do petróleo podem levar a Petrobrás a subir os preços dos combustíveis mais uma vez, à luz de sua frágil situação financeira.
  • A incerteza sobre regime hídrico impede uma redução dos preços da eletricidade, o que poderia ajudar bastante a conter a inflação.
  • O processo incompleto de ajuste de preços relativos entre os bens comercializáveis e os não comercializáveis com o exterior, fundamentais para reversão do déficit externo.
  • Expectativas elevadas de inflação para 2016 que ainda estão fortemente ancoradas em 5,6% a.a., ou seja bem acima da meta estabelecida pelo BC.
  • Redução das margens de lucro das empresas em função de aumento dos impostos o que limita sua capacidade de absorver aumentos de custos.

Para quebrar estas potentes forças inerciais, iremos precisar de um aumento no desemprego ainda maior. Os dados recentes mostram uma reversão clara na tendência de queda do desemprego, como vemos abaixo em vermelho:

 

desempregose

 

 

Mantida tendência atual, o quadro deve continuar piorando gradualmente nos próximos 12 meses como indica o gráfico amarelo acima.  O mesmo pode ser visto no comportamento da geração de empregos formais no CAGED, que já tem causado uma queda no consumo que segue desacelerando:

 

conspayroll

 

O problema é que, em função da piora do quadro fiscal, da crise na Petro, nas empreiteiras, juros elevados, dólar caro, a atividade econômica piorou bastante nos últimos meses, e o mercado já aposta numa contração de atividade de mais de 1% a.a. no PIB deste ano. SE mesmo com o PIB levemente positivo dos últimos meses o desemprego já mostrou uma elevação, imagine o que vai acontecer com este se PIB de fato cair como se prevê ? É bem provável que terminemos 2015 com uma taxa de desemprego (dessazonalizada) ao redor de 7%.

Temos abaixo a evolução de nosso PIB desde 1996:

 

pibtend

 

 

O gráfico azul mostra a evolução dos dados trimestrais do PIB desde 1996. O gráfico verde mostra sua tendência central. Vemos que em 2009 (amarelo)  em função da crise internacional nosso PIB andou bem abaixo de sua tendência. Assumindo que a economia se retraia 1,5% este ano, como esperam alguns analistas, nosso PIB deverá seguir o gráfico vermelho, se distanciando bastante de sua tendência central.

O gráfico abaixo mostra a evolução do desvio da tendência desde 2003. As setas amarelas mostram momentos onde PIB se desacelerou em relação a sua tendência. Podemos ver que se de fato o PIB cair 1,5% este ano (gráfico marrom), o desvio da tendência em 2016 será maior do que aquele visto em 2009:

 

desviopibtendencia

 

 

Nos períodos onde desvios são negativos temos  quedas na inflação, uma vez que as pressões de custos não são repassadas aos preços, pois a demanda cai muito nestes momentos. O gráfico abaixo mostra nas setas amarelas o comportamento da inflação dos últimos 12 meses nestes momentos em que no PIB anda abaixo de sua tendência. Podemos notar que há quedas de inflação nestes momentos. Em 2009, a inflação saiu de quase 6,5% a.a. e recuou para quase 4% em 1 ano. Ou seja, uma redução de 2,5% a.a.  Vê-se uma queda maior ainda de 2005 a 2007 (5%):

 

inflacaorecente

 

 

O que explica esta queda mais acentuada da inflação de 2005 a 2007 foi a forte queda do câmbio real (valorização de nossa moeda) ocorrida naquela época, como vemos em vermelho no gráfico abaixo (R$ fica mais forte quando gráfico desce):

 

cambioreal0509

 

Vemos que após 2009 o câmbio se valorizou menos ( verde), o que impediu uma queda maior da inflação. E a tendência de valorização do R$ se reverteu desde 2011. Logo, não é razoável esperar ajuda deste front.

Ou seja, apesar do desvio previsto da atividade econômica de sua tendência ser maior do que o vivido em 2009, não é razoável esperar uma queda tão acentuada da inflação como a que vimos em 2005 / 2007 em 2016, em particular se a economia voltar a crescer no ano que vem, como torce o governo. Ou seja, a probabilidade de não atingirmos a meta em 2016 é elevada. A alternativa seria o BC impor juros ainda maiores, de tal forma a aprofundar o desvio ainda mais, o que propagaria a recessão atual para 2016. Contudo, um número crescente de analistas imagina que governo deve reduzir o ritmo da queda dos juros no próximo Copom para 0,25% e sinalizar que encerrará em breve ciclo de alta. Seria isto um equívoco? Bem, isto seria coerente com o cenário político que descrevi em ( http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2015/02/06/o-limite-politico-do-ajuste-necessario/ ).

Resumindo: tudo indica que dificilmente teremos a inflação na meta em 2016. Mais uma vez. O sonho agora fica para 2017. Isto se não cairmos na tentação de tentar acelerar a economia já em 2016.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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sexta-feira, 27 de março de 2015 Crise Brasileira, Politica Economica, Sem categoria | 20:40

Golpe ou suicídio econômico?

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A história recente do Brasil apresentou pelo menos duas grandes crises políticas: uma culminou com o suicídio do então Presidente Getúlio Vargas em 54 e outra que terminou no Golpe dos militares em 64. Não creio que do ponto de vista político estejamos nem perto de nenhuma destas situações. Mas, como não me proponho fazer análises da história política do Brasil, quero focar apenas nos impactos da situação política atual no quadro econômico.

Para o PT e seus apoiadores, a enorme reviravolta na política econômica da Presidenta Dilma após as eleições se assemelha a um golpe de estado: o PT ganhou mas não levou. De fato a Presidente está tendo que rever completamente o que defendia até o final de 2014 e assim adotar alguns dos remédios mais amargos defendidos por alguns dos candidatos da oposição. Isto, infelizmente, é muito recomendável, pois fica claro a esta altura que o caminho seguido até então exauriu nossos recursos fiscais, desacreditou a condução da política monetária pelo BC e causou enormes desequilíbrios na estrutura econômica do país. O governo usou políticas anticíclicas para combater um problema que não era de falta de demanda interna, mas de incapacidade de gerar oferta. Errou totalmente no diagnóstico. O que acabou nos últimos anos foi a enorme ajuda que recebemos dos chineses na forma de alta do preço das commodities que vinha desde 2004. Se as commodities não tivessem subido como subiram, nosso PIB teria subido muito menos de 2004 a 2010.  O que o governo chama de crise internacional, eu chamo de fim da moleza dada pelas commodities em alta. Final este que iria acontecer mais cedo ou mais tarde. O mesmo aconteceu no final do ciclo do pau brasil, do ouro, da borracha, do café e por aí vai…

E as tais políticas anticíclicas, usadas e abusadas pelo Ministro Mantega visando combater os efeitos da tal da crise externa, foram na verdade medidas pró desequilíbrios, como mostram:

  • O enorme déficit fiscal gerado em 2014 e a piora consistente do mesmo desde 2012, que coloca nosso endividamento bruto em rota insustentável;
  • O crescente e bilionário déficit externo;
  • A inflação persistentemente acima da meta que agora disparou após o realinhamento dos preços administrados pelo governo;
  • A falência do Estado empresário, evidente na situação da Petrobrás e da Eletrobrás e da saúde;

O que o governo fez foi ignorar a necessidade de reformas liberalizantes. Sem o impulso das commodities,  a economia perdeu tração e ficou evidente que precisaríamos de reformas liberais para continuar a crescer. Para não ter que encarar a derrota do modelo desenvolvimentista e estatizante, eles apelaram ao contracíclico que quase nos arrebentou.

Este cenário fez com que as agências classificadoras de risco colocassem nosso país em observação e afirmassem que, se as políticas atuais propostas pelo Ministro Levy e apoiadas pela Presidenta Dilma, não forem implantadas, o Brasil perderá seu grau de investimento. Caso isto venha acontecer:

  • Perderemos totalmente o acesso ao financiamento externo de longo prazo para nossa infraestrutura.
  • Dependeremos exclusivamente de nossa poupança interna, que hoje é totalmente insuficiente, para financiar os investimentos que precisamos.
  • Precisaremos de uma enorme queda nos salários reais (poder de compra) para aumentar margens de lucros das empresas de tal forma que estas possam assim gerar e acumular a poupança necessária para o crescimento do investimento.
  • Isto demandará um enorme aperto fiscal (muito acima do que está sendo proposto) e a manutenção de juros reais ainda maiores por mais tempo, com um Real ainda mais fraco.

Uma perda do grau de investimento significaria na prática uma interrupção do fluxo de capital externo, nas mesmas linhas que tivemos nos anos 90, com as nefastas consequências para a renda e o emprego. Já expliquei como isto funciona em inúmeros posts durante 2014. Estas conclusões vêm da teoria econômica básica que explica o funcionamento da economia de mercado. Não se trata de globalização, neoliberalismo, imperialismo econômico ou ideias propagadas pela mídia burguesa. Basta entender um pouco de contabilidade, aritmética e ter bom senso que você chega a estas mesmas conclusões, mesmo sem ter feito mestrado em economia na Unicamp.

Porém dá para entender a razão da reação do PT e dos setores chamados progressistas e da esquerda, pois de fato, até novembro de 2014, o governo e seus ministros da área econômica não aceitavam a necessidade de mudanças e de ajustes. O governo pelo visto entendeu a realidade, porém os “progressistas desenvolvimentistas” ainda não. Basta ver a reação do PT. As próprias lideranças do PT, partido da Presidenta, não dão apoio necessário às medidas no Congresso, deixando a missão a cargo do Ministro Levy apenas. O PT se omite nesta hora de necessidade de nossa Presidenta. Nas manifestações promovidas pela CUT e pelo MST recentemente em apoio (??) ao governo, eram abertas as críticas ao pacote de ajuste fiscal proposto pela própria Presidenta então defendida. Foi a coisa mais esquizofrênica que eu já vi na política.  De forma emblemática, o Senador Paim, do PT, ameaça deixar o partido no meio desta enorme crise se não houver mudança do pacote fiscal:

http://www.em.com.br/app/noticia/politica/2015/03/25/interna_politica,631096/paulo-paim-condiciona-permanencia-no-pt-a-mudanca-no-ajuste-fiscal.shtml

E, para minha perplexidade total, próprio Senador Paim, assustado com os números do desemprego que começaram a sair, agora chama os neoliberais da direita (oposição)  para um Pacto:

http://www12.senado.gov.br/noticias/materias/2015/03/27/pib-paim-quer-pacto-nacional-e-cassio-ve-governo-201cnota-zero201d?utm_source=midias-sociais&utm_medium=midias-sociais&utm_campaign=midias-sociais

Senador: o desemprego não foi causado pelo ajuste fiscal, que nem começou, tampouco pela globalização ou crise externa, mas sim pela elevada inflação e pela perda de confiança dos agentes em função da enorme deterioração dos fundamentos macro do país e do caos político muito bem retratado pelo ex secretário de comunicação do governo. Esta piora do emprego já vem acontecendo há meses. Muito antes do Levy chegar lá. Basta ler esta coluna. A coisa só se agravou mais rapidamente em função da fenomenal queda de confiança de empresários e dos consumidores à luz deste caos. Caos que o Partido do senhor está criando. Esta reação do PT e dos progressistas de oportunidade contra o possível “golpe econômico neoliberal” que as elites burguesas estariam dando na Presidenta nos coloca na direção de um possível suicídio econômico coletivo. E se o senhor e seu Partido não concordarem com o diagnóstico, esquece qualquer conversa. 

As pessoas com que me relaciono sabem que tenho sido um dos menos pessimistas no meu meio no que diz respeito ao quadro atual, e que tenho apoiado às medidas propostas pela Presidenta desde sua posse, apesar das divergências ideológicas do passado recente. Porém os acontecimentos da última semana mostram que meu quase otimismo está se transformando em ingenuidade.

O comportamento dos três poderes, Executivo, Judiciário e Legislativo, lembra uma conspiração auto destrutiva:

  • A Presidenta toma inúmeras atitudes políticas que fragilizam sua tênue base de apoio, como patrocinar a criação de um novo partido visando esvaziar o poder de ser maior aliado, o PMDB;
  • A Presidenta coloca para negociar com o Congresso a aprovação do ajuste fiscal no Congresso um time de pessoas com zero experiência na gestão de crises e que não está comprada com a ideia do ajuste fiscal.
  • Esta equipe manda o pacote para o Senado sem negociar nada com nenhuma liderança de sua base.
  • O BC se compromete com metas que sabe que não vai cumprir e dá sinas confusos ao mercado sobre como vai conduzir a política monetária;
  • O legislativo aprova medidas que reduzem os encargos das dívidas dos Estados, o que irá permitir que eles contratem novas dívidas, piorando o déficit público;
  • O legislativo prorroga a lei de correção do salário mínimo, sem contudo avaliar o impacto disto na previdência;
  • O judiciário legisla indicando que Precatórios dos Estados e municípios sejam pagos até 2020, criando mais gastos e piorando a chance de um ajuste fiscal.

E por aí vai. Parece uma ação orquestrada para que percamos o grau de investimos, o que nos colocaria não mais em recessão, mas numa depressão econômica profunda.

Para agravar a situação, todos sabem que as medidas de ajuste propostas não resolvem nossos problemas de crescimento de forma sustentável. Precisaremos de reformas liberalizantes se quisermos retomar o  crescimento econômico. Infelizmente será inevitável rever o escopo de inúmeras políticas sociais, a previdência, a forma de tributação, o papel do Estado na economia, o tamanho do estado, a carga tributária e o pacto federativo. Se não endereçarmos todas estas questões, não voltaremos a crescer os 4 ou 5% que tivemos quando fomos beneficiados pela alta da demanda por commodities. E neste quadro político atual, sonhar que teremos reformas desta magnitude neste governo é coisa de maluco de hospício. Mencionei num artigo recente o custo político do ajuste:

http://ricardogallo.ig.com.br/index.php/2015/02/06/o-limite-politico-do-ajuste-necessario/

No “modelo” que apresentei eu coloquei que seria preciso que o governo minimizasse as perdas de capital político se pretendesse manter o grupo atual no poder. Pois bem, à  luz do quadro atual já, as chances de tal grupo permanecer no poder após 2018 são muito pequenas. Desta forma, não há neste governo a força política necessária nem para iniciar o debate sobre reformas. Veja a reação do Senador acima…

E cada dia que passamos sem que sejam reduzidas as incertezas, o quadro se deteriora ainda mais, aumentando o custo social do ajuste necessário.  Esta crise de governabilidade e econômica atual pode se transformar em grave crise institucional e política, pois ninguém na sociedade deu mandato a estes senhores para promover este caos ou  destruir nossa economia. Pelo bem da democracia é preciso que o caos político instaurado não se transforme em caos econômico, pois aí o quadro político ficaria não gerenciável.

Temos tido sorte até agora pois os juros internacionais ainda vão demorar para subir. Porém tudo indica que de 2016 não passa. Aí as pressões externas irão aumentar,e, se não tivermos colocado a casa em ordem do ponto de vista fiscal, teremos uma séria crise cambial e econômica. E quanto mais tempo demorarmos para endereçar as reformas que precisam ser feitas, menores serão as chances de voltarmos a crescer de forma sustentável acima de 3% a.a. Ou seja, nossa renda per capita crescerá menos de 2% a.a. na melhor das hipóteses. É isto que queremos?

Golpe ou não, o que está em jogo agora são os nossos próximos 10 anos. Está na hora do partido do governo assumir sua responsabilidade e defender o ajuste da Presidenta Dilma em público e no Congresso Nacional. Caso contrário, o isolamento político da Presidenta pode afetar a governabilidade e trazer uma profunda crise institucional.  Cabe também aos outros partidos da base de apoio ao governo pressionarem o PT para que ele assuma uma postura de apoio ao Governo e ao pacote. Mas também será preciso que o PMDB, partido do Vice Presidente Temer, e seus aliados que ocupam vários ministérios, assumam sua responsabilidade e apoiem a aprovação das medidas duras e necessárias propostas pelo governo. Não dá para fingir que vocês são da oposição a esta altura, meus caros. Eleição já acabou e vocês ganharam! 

Nesta mesma linha, não creio que seja razoável o Senador Paim pedir ajuda à oposição, pois ela perdeu as eleições. Além disto não dá para pedir apoio a ninguém se seus próprios aliados do PT se omitem e não apoiam o que a Presidenta Dilma propõe. Nesta linha, o senhor apoia mesmo o pacote fiscal, mesmo com a inclusão do imposto sobre herança? Ou apenas quer que os outros apoiem, para que o senhor possa se dizer contra e ficar bonito com a galera? Por que o senhor não pega o ministro Levy pelo braço e o ajuda a aprovar o pacote fiscal e o tal do imposto sobre herança que o senhor acha tão importante? O que exatamente o senhor propõe em termos de ajuste fiscal? Ou o senhor apenas quer uma desculpa para poder abandonar o navio antes que ele afunde?  

Enfim, temo que as coisas ainda precisem piorar antes de melhorar. Quem sabe aí o Estado acorda e descobre que ele só existe porque nós existimos. E que a turma lá do governo em Brasília de fato são nossos empregados.

Senador Paim, por favor nos ajude e mobilize seus colegas do PT. Fica aí. Não deixe o PT neste momento tão delicado. 

 

paim

 

 

 

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